quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os velhos! Que malandros!!!

(Publicada no «Diário de Notícias» de 2003.11.06)

Há dias, a propósito de um choque frontal numa auto-estrada, provocado por um idoso em contra-mão, um jovem governante evidenciou já sofrer da «doença infantil» dos políticos, isto é, quando algo está mal, a primeira coisa a fazer é prometer uma lei. Por vezes chegam mesmo a fazê-la, sem estudar convenientemente o assunto em todos os seus aspectos e as possíveis soluções, sem ver se ela é viável e exequível, sem analisar se se enquadra na complexa estrutura normativa existente, e, no caso de ser possível obrigar ao seu acatamento, quais as consequências que advirão. O país não precisa tanto de leis como de bons comportamentos em que se inclui o respeito pelas leis e a fiscalização do seu cumprimento. Tem vindo a público, repetidas vezes que muitos adolescentes sem carta andam a conduzir veículos, por vezes de grande cilindrada, que indivíduos de todas as idades, sem carta ou com a carta apreendida conduzem impunemente durante anos, que muitos carros não têm o seguro obrigatório, que muitos carros circulam apenas com um farol a funcionar; que muitos pisam o traço contínuo, para fazer inversões de marcha ou para virar à esquerda sendo isso proibido, que imensos circulam com excesso de velocidade, que se fala ao telemóvel quando se conduz, que se conduz sob o efeito de álcool, medicamentos ou droga, etc., etc.

E para evitar estes desacatos que, por vezes, provocam acidentes de graves consequências, não é preciso mais leis do que as já existentes. Será necessário outra coisa de que os governantes pouco falam. E, a propósito dos idosos, seria interessante que o referido jovem governante tornasse públicas estatísticas que mostrassem para cada nível etário (de cinco em cinco anos), qual a percentagem, de entre os que têm carta, dos que foram produtores de acidentes graves. Assim se veria se os idosos são assim tão perigosos que mereçam medidas especiais. Serão os idosos que circulam a mais de 200 Km/h na ponte Vasco da Gama? Serão eles que fazem ultrapassagens temerosas nas auto-estradas? Serão eles que desrespeitam os traços contínuos e os sinais de trânsito? Serão eles que, às seis da manhã, sob o efeito do álcool e outros produtos, contribuem para a vergonhosa sinistralidade rodoviária do nosso país?

E, por se tratar de condução na contra-mão nas auto-estradas, seria também conveniente recordar a idade dos autores dos casos já ocorridos, inclusivamente das apostas de indivíduos jovens que fazem essas aventuras na A1 a partir do Porto (isto é ciência bebida nos jornais). E, para terminar, deixo o meu desejo de que o Sr. governante tenha mais respeito pela geração dos seus avós.

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