terça-feira, 23 de maio de 2017

A VONTADE DE MUDAR EXIGE PRUDÊNCIA

A Humanidade quer mudar, mas precipita-se
(Publicado em O DIABO de 23 de Maio de 2017)

A Humanidade, talvez estimulada pelas novas tecnologias, deseja simplificar as obsoletas burocracias das máquinas estatais, as quais se desgastam com pormenores sem real interesse colectivo e que entravam a busca dos resultados positivos que contribuam efectivamente para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e o crescimento do poder económico do país. Os responsáveis pela gestão dos interesses colectivos, ou governação, geralmente, não conseguem libertar-se das pressões de gente com poder financeiro que quer a defesa de interesses de amigos, apaniguados, cúmplices e coniventes.

Abundam, em diversos países, casos concrectos que evidenciam a ansiedade da população para acabar com instituições que usam tradições obsoletas e demasiado pesadas aos contribuintes e que impedem a obtenção dos fins desejados pelos cidadãos.

Por vezes, cidadãos mais ousados, embora nem sempre bem informados e prudentes, avançam para soluções de violência que, em algumas situações, geram mais inconvenientes do que vantagens, como tem acontecido na Venezuela, onde parece que conseguiram que o Parlamento aprovasse na terça-feira, 9 de Maio, um acordo sobre a "inconstitucionalidade e nulidade" do decreto presidencial que convoca a formação de uma Assembleia Constituinte a fim de lhe serem dados todos os poderes, à semelhança do que ocorreu na Turquia. O povo turco agiu como um rebanho abúlico, sem vislumbrar o buraco em que ia ser metido, mas os venezuelanos agiram de forma mais lógica, embora devesse ter sido mais arguta e prudente, sem violência que afecta os cidadãos e não os verdadeiros culpados.

Em França, nas eleições presidenciais, os eleitores deixaram bem clara a sua desconsideração pelos partidos tradicionais que ficaram numa situação muito obscura e viram o poder dos votos conduzir à segunda volta dois candidatos menos contaminados pelos vícios da máquina administrativa. Cabe ao novo PR compreender bem a vontade do povo e apoiar-se em pessoas competentes, mas não dependentes dos partidos e, com elas, procurar as soluções mais adequadas à busca da eficiência, com simplicidade, sem burocracias desnecessárias, sem corrupção, para atingir os resultados que a Nação deseja.

E da lição do sucedido em França, devem os partidos de outros países concluir que o seu reinado pode estar muito frágil se não decidirem aliviar e modernizar os seus procedimentos e estudar as melhores soluções para um futuro que satisfaça as esperanças dos eleitores. As oposições, apresentando projectos para os principais sectores da vida nacional e defendendo-os de forma a melhorá-los, no Parlamento, mostrarão ser bons obreiros para a desejada mudança. Mas, para isso, devem deixar de perder tempo com aleivosias e críticas teimosamente agressivas, alheias aos reais interesses nacionais. Não devem perder tempo a criticar repetidamente o que aconteceu ontem a não ser que tenham melhor solução para o assunto e que essa nova estratégia seja eficaz para as previsões das próximas décadas.

Se os partidos não mostrarem competência para efectuar as mudanças adequadas, será o povo, como em França ou na Venezuela, que lutará para as conseguir.

Porém, normalmente, um governo partidário não dispõe de coragem que permita romper a teia em que se encontra pressionado pelos interesses do partido e daqueles a quem este deve favores. E também não é fácil romper com os seus procedimentos anteriores e seguir novas estratégias. Estas estão mais acessíveis à oposição que tem liberdade de inovação e criatividade por estar menos comprometida com os vícios actuais. Com isso, indo ao encontro dos desejos dos eleitores, habilita-se a um bom resultado eleitoral, se apresentar projectos adequadamente elaborados com apoio de técnicos competentes e amantes do país.

Mas, em Portugal, vemos a oposição a perder tempo no Parlamento com conversas sem nível nacional e a preocupar-se com críticas destrutivas e ofensas pessoais aos governantes em vez de mostrar competência para alertar para melhores soluções para atingir os objectivos essenciais de que se espera. É de pouca perspicácia que, estando metade do território em acelerado processo de desertificação, se fale no Parlamento da expansão do Metropolitano de Lisboa com mais 20 (vinte) estações. Os habitantes de ALMEIDA não dispõem de transportes públicos adequados para ir à CGD, que agora fica a 15 Km de distância.

Tudo isto estimula os cidadãos à rebeldia como se vê em vários países, onde chegam a produzir baixas humanos e danos materiais. Precisam-se políticos não viciados nas normas partidárias, que amem o país, isto é, os interesses colectivos. E o povo deve procurar obter informação, para não se deixar arrastar por enganadores cantos de sereia, porque «votar no menos mau» não significa «votar num bom».

16 de Maio e 2017
António João Soares

quarta-feira, 17 de maio de 2017

POPULAÇÃO DE ALMEIDA SERVE DE MEXILHÃO ?


A população de Almeida serve de mexilhão?
(Publicado em O DIABO de 16 de Maio de 2017)

A População do Concelho de ALMEIDA estará mesmo revoltada com a decisão de fecharem a sua da CGD? Não estaremos a ser vítimas de propaganda contra a situação actual e a fazer valer o dito antigo «ter alma até Almeida»?

Há coisas que custam a acreditar. Por um lado, há dias, em 25 de Abril, nos bonitos discursos dos oradores dos diversos partidos foram acarinhadas as populações com esperanças como: - Criminalização do enriquecimento ilícito; - Criação de uma sociedade inclusiva e justa; - Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza; - Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral: - Evitar a continuação da austeridade; - Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea; - Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida; - Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida; - Praticar uma visão solidária da dignidade humana; - Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego; - Difundir os deveres sociais e ambientais; - Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania; - Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.

No mesmo sentido, temos sido informados por «responsáveis» da governação que é imperioso combater a crescente desertificação do interior, em que há povoações apenas com um casal de idosos que já acham desajustado investir no esforço de mudar de residência e preferem ali morrer onde sempre viveram. Mas, pesar destes e de outros factores, ameaçam encerrar a agência da CGD, um banco do Estado, isto é, vocacionado para servir os cidadãos, numa sociedade inclusiva e justa, sem discriminações. Com tal encerramento, os cidadãos do concelho, na maioria idosos e alguns deficientes, quando precisarem de tratar de algo relacionado com as suas magras pensões, terão de se deslocar, sem disporem de transportes públicos adequados, até Vilar Formoso que fica para lá de 10 Km de distância.

Qual o motivo para este dislate? A CGD, noz anos mais recentes entrou em crise, em consequência de erros de gestão, e como solução não hesitaram em fechar aquele balcão, sem penar que, com isso, estão a desrespeitar os direitos dos cidadãos contribuintes do Concelho, os quais não foram minimamente culpados dos erros que outros cometeram.

Estes os seus amigos, que agora não pagam os empréstimos que lhes foram concedidos sem cauções racionalmente válidas, mas apenas por amizade, conivência cumplicidade, sem critério que priorizasse os interesses nacionais, dos cidadãos. Agora tais funcionários e os devedores podem ser milionários, mas «quem se lixa é o mexilhão», quer esteja em Almeida ou noutro ponto do país.

Isto parece um prenúncio de que o País está a afundar-se por ter incompetentes, nomeados por partidos, na gestão de serviços públicos que exigem capacidade, organização, prudência, enfim, responsabilidade para a função e honestidade.

E o que faz a Justiça para parar este desaforo, recuperar os valores perdidos e restaurar a disciplina a ordem social? Um juiz amigo que a Justiça procura inserir-se na legislação existente. Só que esta é feita pelos eleitos, ou, na maior parte dos Casos, por gabinetes privados contratados, a que alguns eles pertencem e que deixam sempre pontos e dúvida, para benefício de seus clientes e para, posteriormente, daí saírem pedidos se parecer, bem rendosos.

E perante tal inoperância de Almeida com nível etário muito pesado (pdi) ou com significativa DNA (Data de Nascimento Antiga) é que «passa as passas do Algarve» ou serve de vítima do ditado «quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão». Pobres mexilhões numa área tão afastada do mar, que vê acelerada a sua recta final da caminhada da vida.

sábado, 13 de maio de 2017

DITADURAS GERADAS DEMOCRATICAMENTE?

Ditaduras geradas democraticamente?
(Publicado em O DIABO de 9 de Maio de 2017)

As ditaduras são detestadas pela maioria da população. Digo maioria e não totalidade porque uma pequena parte dos cidadãos beneficiam das vantagens do poder único e omnipotente, por viverem à sombra dos usurpadores das regalias, com os privilégios daí decorrentes. O que é de estranhar é que, em muitos casos recentes, há ditadores que usam e abusam do poder, mas os eleitores, talvez por ausência de cultura, de capacidade de discernimento e sujeitos aos efeitos de adequada propaganda ou lavagem de cérebro, dão-lhes o voto. O caso mais flagrante foi o do presidente da Turquia que, depois de mostrar, claramente, a sua tendência para se vingar do mínimo gesto que lhe desagrade, fez um referendo para alterar a Constituição passando, legalmente, a ser «todo poderoso», sem Governo e sem um Parlamento onde a oposição possa temperar os seus excessos, e obteve a maioria dos votos.

Os casos em países africanos, asiáticos e na América Latina são numerosos, embora a Comunicação Social não faça especiais reparos. Mas a violência que está a grassar na Venezuela não está a passar despercebida. E a eleição de Trump não merece os elogios de pessoas bem-pensantes e isentas de interesses.

Entre nós, embora se fale de democracia, ainda se não foi além da «partidocracia», como se verifica no sistema eleitoral, em que ao simples eleitor não é dado o direito de escolher os seus representantes nos órgãos de soberania, mas apenas o de votar a lista de um partido, ignorando pormenores sobre os componentes das mesmas que foram escolhidos por decisão de um «líder». O caso mais chocante e recente é o da candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, sem ter sido ouvido, sequer, o presidente da concelhia de Lisboa do Partido, que acabou por se demitir, procurando não melindrar demasiado o seu líder partidário.

Em democracia, a soberania reside na Nação, nos cidadãos, que, para melhor funcionalidade, delegam em representantes, os quais, por honestidade e lealdade para com os representados, devem procurar conhecer os seus sentimentos, as necessidades e objetivos legais, para melhor conseguir preparar um futuro com melhor qualidade de vida para todos, principalmente os mais desamparados. O dever patriótico cabe a todos os cidadãos, cada um participando com críticas positivas, sugestões ou propostas, conforme a sua situação e capacidade. Acerca disto, penso numa líder oposicionista que fala muitas vezes, mas sempre com o mesmo objectivo de criticar demolidoramente o Primeiro-Ministro, acusando-o de erros que já eram frequentes no Governo a que ela pertenceu. Seria mais patriótica se procurasse contribuir para um Portugal melhor, se apresentasse críticas, sugestões e propostas adequadas. Se fosse ao ponto de se mostrar interessada pela metodologia do Presidente da Tanzânia, John Magufuli, isso granjear-lhe-ia mais prestígio e votos para futuros cargos por mostrar maior capacidade e ser defensora dos interesses da maioria dos portugueses.

António João Soares
2 de Maio de 2017

GUERRA FRIA EXIGE GOVERNANTES PRUDENTES

Guerra Fria exige governantes prudentes
(Publicado em O DIABO de 2 de Maio de 2017)

Em 18 do corrente, o ex-líder soviético e Prémio Nobel da Paz, Michael Gorbachev disse, a propósito da questão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, que «todos os indícios de uma nova Guerra Fria estão aí». A afirmação, embora pareça ser adequada à situação vigente, é demasiado preocupante e obriga a meditar muito naquilo que pode acontecer nos próximos tempos.

Com efeito, a guerra fria exige que as partes intervenientes estejam a ser geridas por pessoas pouco impulsivas e arrogantes, mas, pelo contrário maduras, com muito bom senso e muto apurado sentido das responsabilidades. A guerra fria iniciada após a II GM foi conduzida por governantes com profundos conhecimentos dos inconvenientes da guerra que terminara um pouco antes e que desejavam não ver repetida.

Estavam vacinados com o conhecimento ao vivo das realidades da guerra e dos males dela advenientes para os seres humanos em geral, com mortos, estropiados e privados de condições de sobrevivência. Pelo contrário os actuais governantes não têm semelhante experiência e têm demonstrado ausência de respeito pelas pessoas, falta de sensatez e de sentido de responsabilidade, comportando-se muitas vezes como crianças a lidar com brinquedos que, na realidade, são demasiado perigosos e exigem excepcional prudência.

A gestão da guerra fria exige, da parte de cada parceiro, um serviço de informações, bem preparado e sabendo aproveitar toda a colaboração dos serviços diplomáticos, quer dos intervenientes quer do mundo em geral, a fim de ter conhecimento oportuno de sintomas ou indícios de preparativos ou intenções perigosas que possam colocar em perigo o modus vivendi.

Actualmente, as provocações, mais ou menos evidentes, entre os EUA e a Coreia do Norte não são propícias para evitar preocupações relativas à hipótese de uma guerra violenta, possivelmente nuclear, entre as duas partes. No caso de tal situação, eclodir os Estados da margem Oeste do Pacífico sofrerão graves inconvenientes e o resto do mundo não ficará ileso, pois as poeiras radioactivas e a nuvens tóxicas que elas formarão, empurradas pelos ventos, darão voltas ao Planeta, disseminando detritos tóxicos minúsculos que destruirão todos os vestígios de vida, animal e vegetal em qualquer latitude ou longitude. As bombas nucleares actuais são imensamente mais demolidoras do que a de Hiroshima que era pouco potente e pouco mais do que artesanal.

O ideal seria a Paz respeitada por todos, fortalecida por um diálogo franco e aberto entre todos que libertasse todas as energias das pessoas e dos meios materiais para a melhoria generalizada da qualidade de vida sobre a Terra. As bombas, os mísseis e os gases não contribuem para melhorar nada. A «Bomba mãe de todas a bombas» que os EUA lançaram no Afeganistão não impediu, e talvez tenha provocado, por ter aumentado o ódio e a vontade de vingança o caso que foi dado a público em comunicado do ministério: "Os rebeldes talibãs lançaram um ataque coordenado contra a base militar onde a maioria dos soldados estavam reunidos para rezar, provocando no total mais de 100 mortos e feridos entre as forças armadas". Cada vez fica mais claro que a violência nada traz de bom, apenas gera mais violência em escalada incontrolável.

António João Soares
25 de Abril de 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

OS IDEAIS DE ABRIL



Dos discursos dos oradores de todos os partidos na comemoração do 43º aniversário da revolução de Abril conclui-se que os ideais de então não foram completamente concretizados. É necessário e urgente tomar medidas, com reformas profundas para atingir tais objectivos:

- Criminalização do enriquecimento ilícito,
- Criação de uma sociedade inclusiva e justa,
- Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza,
- Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral,
- Evitar a continuação da austeridade,
- Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea,
- Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida,
- Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida,
- Praticar uma visão solidária da dignidade humana,
- Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego,
- Difundir os deveres sociais e ambientais,
- Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania,
- Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.

Só faltou citar dois exemplos de governantes com iniciativas muito positivas, cujos actos merecem ser analisados para deles serem retiradas as convenientes lições:
Pepe (José) Mujica, ex-Presidente do Uruguai
John Magufuli (Bulldozer), Presidente da Tanzânia

Do segundo transcrevo o seguinte texto:

Magufuli, o Bulldozer! Presidente da Tanzânia
É o recém-eleito Presidente da Tanzânia e já ficou na memória das pessoas. Também conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que implementou, John Magufuli tem 56 anos e assumiu a liderança do país a 5 de Novembro de 2015. Os cortes inacreditáveis desde que é Presidente da Tanzânia já fazem eco:
- Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, 9 de Dezembro, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando “o nosso povo está a morrer de cólera” – nos últimos três meses morreram pelo menos 60 pessoas vítimas de cólera.
- Não há mais viagens para fora, as embaixadas deverão tratar dos assuntos no exterior. Se for necessário viajar, uma permissão especial deverá ser dada pelo Presidente ou pelo seu Chefe de Gabinete.
- Acabaram-se as viagens em 1ª classe e executiva– com excepção do Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro ministro.
- Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.
- O Presidente Magufuli perguntou por que motivo os engenheiros recebem V8s (modelo de carro topo de gama) se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho.
- Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se vocês recebem salários; aplicável também aos parlamentares.
- Todos os indivíduos ou empresas que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas (passados 20 anos) ou as fazem recuperar imediatamente ou devem devolver ao governo.
- John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento de 100 mil dólares para 7 mil dólares.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A MUDANÇA FAZ PARTE DA VIDA

A mudança faz parte da Natureza e da vida
(Publicado em O DIABO de 18 de Abril de 2017)

Geralmente, as pessoas não gostam de mudanças porque estas as obrigam a alterar hábitos e comportamentos. Mas as mudanças fazem parte da Natureza e da vida em geral e, por isso, devemos procurar aceitar e reagir da forma mais adequada aquelas que nos surgem inesperadamente. E também não devemos adiar ou evitar mudanças necessárias, aconselhadas pelas circunstâncias da nossa vida, perante a envolvência em que nos encontrarmos.

Mas não convém esquecer que «mudar por mudar é vã tentativa de disfarçar o vazio íntimo». Devem evitar-se mudanças precipitadas que não sejam ajustadas às realidades e aos objectivos pretendidos e que, depois, obriguem a voltar atrás, com os inerentes custos de tempo gasto e de actividades inúteis e nocivas.

Os cuidados a ter antes de decidir uma mudança são tanto mais indispensáveis e necessariamente meticulosos quanto mais elevado é o nível das implicações sociais e abrangência das pessoas afectadas pelas consequências das alterações resultantes.

Devemos aprender a lição das precipitações de Trump que, com a pressa de implantar as promessas eleitorais, antes de mandar proceder a uma análise meticulosa de todos os factores implicados, embora os objectivos pretendidos pudessem ser teoricamente aceitáveis, veio a deparar-se com o facto de as estratégias pretendidas encontrarem dificuldades e oposições, tanto interna como externamente, que resultaram em fracassos logo no início do mandato. Os obstáculos surgidos não contribuem para o prestígio e o sucesso da difícil e complexa função que, há pouco, iniciou.

As restrições a imigrantes de diversos países que foram contrariadas pela Justiça, pelos responsáveis de diversos estados e, também, por autoridades internacionais que recordaram que a actual população estadunidense foi originada por imigrantes de muitas partes do Mundo e que em qualquer estado há gente boa e gente com tendências perigosas.

Outra mudança abortada foi a alteração não devidamente ponderada de apoio de saúde – Obama care - à população mais carente, assunto em que o próprio partido de Trump não pôde dar apoio suficiente.

Com estes casos tão badalados nas Comunicações Sociais de todas as latitudes esperamos que os «donos» da União Europeia pensem bem naquilo que pode ou não ser feito para garantir o melhor futuro para os europeus, com a conveniente confiança nas competências dos líderes que seja geradora e esperança inspiradora de energias positivas para a Europa de amanhã.

Mas uma mudança que era desejável do Estado mais poderoso, embora fosse esperada, não dá sinais de vir ser concretizada, a de tornar as relações internacionais mais pacíficas e harmoniosas, dando maior relevância e operacionalidade à diplomacia da ONU e evitando guerras destruidoras. Porém Trump, com a sua fanfarronice do poder, atacou a Síria com 59 mísseis, lançados contra alvos militares. Em vez de mostrar mestria no diálogo e na negociação, para sanar atritos, usa as armas em larga quantidade, sem contemplações, segundo o velho hábito dos poderosos.

Uma mudança que se impõe é a erradicação, sem excepções, de armas químicas e nucleares. O CS já há muito decretou a proibição da disseminação de armas nucleares, mas no seguimento do erro antidemocrático original da Instituição, os seus membros permanentes, imperiais, criaram para si a excepção de poderem continuar a possuir e aperfeiçoar tai armas, o que tolheu a eficácia de tal decisão e hoje já existem tais armas em vários estados. Mesmo que a erradicação seja total, os Estados que hoje as possuem dispõem de tecnologia, para em caso de anormalidade as poderem fabricar e usar, o que é indesejável, dados os efeitos globais de uma explosão de que as poeiras radioactivas podem ser transportadas pelo vento e danificar toda a vida animal e vegetal do planeta.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A GUERRA E A VIOLÊNCIA DEVEM SER EVITADAS

A guerra e a violência devem ser evitadas
(Publicado em O DIABO de 11 de Abril de 2017)

Perante a insistência ameaçadora de experimentar mísseis balísticos, levada a cabo persistentemente pela Coreia do Norte, surgiram duas reacções significativas e de sinais contrários.

Por um lado, Trump, parecendo sofrer de mania algo semelhante à do líder norte-coreano, diz estar pronto a actuar militarmente contra Pyongyang. Mas, mais sensatamente, o Japão e a Rússia reúnem-se para melhorar as condições de segurança regional, incluindo um sistema antimíssil comum, e aproveitam a oportunidade para resolverem entre si um conflito que dura desde a II Guerra Mundial que se refere à ocupação pela Rússia de quatro pequenas ilhas do norte do Japão, as ilhas Kurilas (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai). A China e a Coreia do Sul vão participar nas conversações deste grupo.

Da atitude belicosa americana nota-se que esta potência mundial ainda não se libertou da submissão aos interesses dos fabricantes de armamento. Trump ainda não assumiu que o erro da invasão do Iraque em 20 de Março de 2003, resultou de uma má avaliação da situação e desencadeou uma guerra de que ainda hoje está muita gente a morrer no Médio Oriente e foi destruído muito património, cultural, histórico e artístico. Quanto à Coreia, à China e a outros Estados vizinhos estão a tentar soluções pacíficas que evitem novos conflitos desastrosos para a Humanidade.

A violência provoca mais violência numa escalada difícil de fazer parar e os ódios por ela gerados poderão manter-se durante séculos. A guerra faz perder muitas vidas inocentes, pelo que não pode nem deve ser decidida por governantes sem sentido de responsabilidade, de respeito pelos outros e de humanidade. Estes valores não devem servir apenas para ornamentar lindos discursos de ocasião ou de campanhas eleitorais.

O presidente dos EUA deveria meditar nos resultados das suas intervenções militares, para a população dos países em que entraram e para o resto da Humanidade. Recordo o Vietname, as Coreias, o Afeganistão, o Iraque, a Somália, etc. Ficaram muitas razões de queixa e ódios que podem explodir a qualquer momento. Mas alguém beneficiou: os patrões do complexo industrial produtor de armamento que, como alertou Eisenhower, são persistentes instigadores de guerras e rebeliões que utilizam os seus produtos.

Porém, se, em alternativa, a intervenção tivesse sido conduzida por diplomatas e intermediários, conselheiros para a procura de soluções negociadas, construtivas da paz e de bom entendimento, com o máximo respeito possível pelos intervenientes e com a preocupação permanente da melhoria da qualidade de vida das populações, o Mundo viveria de forma mais harmoniosa, com a economia mais desenvolvida e uma distribuição da riqueza menos injusta do que a actual.

A atitude orientada para a harmonia e a negociação entre as partes em conflitos, delineada pela Rússia, a China, o Japão e a Coreia do Sul, são um bom prenúncio e um sinal de sanidade política gerador de esperança num Mundo melhor, mais civilizado e menos louco. Será bom que muitos Estados procurem encarar de frente soluções negociadas para controlar e reduzir os atritos, quer internos como na Colômbia (FARC) e na Espanha (ETA) quer internacionais. É bom compreender que a procura da paz e da concórdia não se consegue com o emprego da violência.

Este tema deve ser bem analisado, principalmente com a finalidade de se verem mais países a preocupar-se com a prática de uma metodologia destinada a obter os melhores resultados para um clima de paz e bom entendimento pelo diálogo aberto e sincero. Já tenho referido isto várias vezes, mas acho que não devo parar porque defendo a ideia de que «água mole em pedra dura tanto bate até que fura». Todos devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para contribuirmos para uma melhor qualidade de vida da humanidade, a que pertencemos.

António João Soares
4 de Abril de 2017

domingo, 9 de abril de 2017

VALE MAIS PREVENIR DO QUE REMEDIAR

Vale mais prevenir do que remediar
(Publicado em O DIABO de 4 de Abril de 2017)

Agora, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção investiga, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é um facto é que não havia medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas na data em que nos encontramos é que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe.

Mas essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património, perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, se as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir».

A João Soares
21 de Março de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

UMA DECISÃO DEVE SER SEMPRE PRECEDIDA POR ANÁLISE E COMPARAÇÃO DAS SOLUÇÕES POSSÍVEIS


As paragens e os recuos a que Trump já foi obrigado, durante pouco tempo de funções realçam a conveniência de, antes e ser tomada uma decisão, dever ser analisado o tema, e todos os factores que o condicionam a fim de serem formuladas várias soluções possíveis compará-las e escolher a melhor. É assunto já aqui abordado diversas vezes.

A experiência mostra que é mais aconselhável prevenir um erro do que, depois de ele ocorrer, ter de o remediar.

Recentemente, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção decidiu investigar, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é provável é ter havido falta de medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas, está a findar o momento anual apropriado em que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe. Porém, essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património (por vezes com grande interesse histórico e artístico), perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, e as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as suas próprias tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia e a segui o Japão ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China e a Rússia a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora, no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir». É bom ser como o velhinho pensador, mas sem se deixar pear pela indecisão.

terça-feira, 21 de março de 2017

RESPEITAR E APOIAR OS IDOSOS

Os idosos não precisam apenas de comer e dormir
(Publicado em O DIABO de 21 de Março de 2017)

Os idosos, principalmente quando são mendigos ou sem abrigo, não deixam de ser pessoas a merecer respeito pelos seus direitos humanos. Os apoios sociais têm desenvolvido uma actividade meritória, mesmo que ainda incipiente, no apoio material, dando comida e, por vezes, abrigo aos mais desprotegidos. Mas os idosos, mesmo os menos carentes, não precisam apenas de comer e dormir. Precisam também de ser ajudados a manter activo o seu lado espiritual, psíquico, através de ocupação cultural, de curiosidade pelo que se passa, de transmissão do seu saber acumulado durante a vida e até de fazer algo de útil, em trabalhos de lavores, de pinturas, de artesanato, de bricolage, de arte musical, etc. Esse apoio, devidamente orientado, contribuirá para manter activos os sentimentos, afectos, amizade e sentido de utilidade. Isso e a realização de contactos entre os residentes em lares e alunos de escolas poderá contribuir, pela transmissão do saber sedimentado pela idade, para ajudar estes jovens a serem mais conscientes e felizes num mundo com mais ética e civismo e a ter comportamentos sociais mais correctos e com flexibilidade para se adaptarem às condições sempre mutáveis da sociedade. Um lar bem organizado deverá ter algumas semelhanças com uma academia para séniores, com base no voluntariado.

Os dirigentes este tipo de instituições devem ter sensibilidade e humanismo para obterem os melhores resultados e serem, por isso, convenientemente respeitados e valorizados.

Recordo que o Secretário-Geral das Nações Unidas, em 26 de Fevereiro, disse que o "desrespeito pelos direitos humanos é uma doença" que se está a espalhar pelo mundo e sublinhou que, para atalhar a um tal perigo desta epidemia social, a "prevenção deve ser a prioridade". E para cimentar a convicção de que é preciso praticar activamente o respeito pelos direitos humanos, deverá, sem demora, ser respeitado o conceito de que as pessoas, além do corpo, têm uma alma que precisa de ser apoiada. E uma situação psíquica equilibrada ajuda a viver mais e melhor.

É certo que, num lar de idosos, há pessoas que já são pouco ou nada receptivas a apoio psíquico ou cultural, mas as que ainda possuem ligação com as outras deverão sentir-se melhor com estas ajudas, do que se estiverem paralisadas em frente da TV de que não tiram benefício significativo. Talvez seja preferível que olhem para os trabalhos artísticos e os lavores feitos por colegas e que olhem para os seus exercícios de dança, de ginástica, de ensaios corais, de leitura de poesias, etc.

Por outro lado, os trabalhos realizados podem ser objecto de exposição ao público, com fundo musical de alguns cantos, dança, fotografias, etc. que contribuirá para realçar a imagem do lar de idosos que levar a cabo essa actividade e, ao mesmo tempo, para divulgar a «prioridade» a que se referiu o engenheiro António Guterres. Esses trabalhos também podem ser vendidos, se os autores estiverem de acordo, e o resultado da venta ser destinado a melhoria das suas vidas ou a outro fim de beneficência.

Se a ociosidade é mãe de todos os vícios, as pessoas, dentro das suas possibilidades e energia disponível, devem evitar parar e estagnar, por que isso é provocar um fim prematuro. Devem manter-se o mais activas que puderem, quer física quer psiquicamente.

António João Soares
14 de Março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

TRANSPARÊNCIA OU OPACIDADE

Transparência ou opacidade
(Publicado em O DIABO de 14 de Março de 2017)

Tem sido viral, após eleições legislativas, criticar a quantidade de abstenções, mas não se divulga um estudo sério, independente, isento e esclarecedor do fenómeno e suas causas. As imagens que, normalmente, chegam aos eleitores são desencorajantes do cumprimento do dever de votar. As notícias conhecidas sobre a promiscuidade de actividades privadas com funções de Estado, de que resultam conflitos de interesses em que os públicos ficam desfavorecidos, tudo isso e muito mais está ligado ao facto de as listas de candidatos a eleições serem impostas aos eleitores, embora se diga que os deputados são escolhidos (eleitos) por estes.

Conclui-se que o sistema eleitoral não é realmente democrático nem transparente, dado que quem vota, limita-se a escolher uma lista sem conhecer suficientemente todos os elementos que nela constam. E fica sem a mínima responsabilidade da eleição de pessoas sem o perfil conveniente para as funções que irá desempenhar.

Também das tricas e dos conflitos de linguagem entre os deputados, quando, aparentemente, deixam de lado os problemas nacionais essenciais, para se maltratarem mutuamente a pretexto de ninharias sem interesse, dão um péssimo uso ao tempo que lhes é dedicado e criam nos eleitores uma péssima ideia dos interesses das eleições, tal como se processam em todo o seu circuito. E, quanto a transparência, o resultado é nulo ou negativo. Para haver transparência na máquina do Estado deve haver uma organização bem estruturada, com normas de procedimento claramente elaboradas de que resultariam tarefas claras e precisas atribuídas como funções a executar por pessoas conscientemente responsáveis e com elevado respeito pelos direitos dos cidadãos que são a essência da democracia. E sente-se a necessidade de um sistema de controlo do funcionamento da máquina estatal, a começar pela AR, que garanta os melhores resultados e assegure uma eficaz preocupação com o espírito de prevenção para que não haja erros e tudo melhore com o passar dos dias. Mas essa organização não existe, ao ponto de, nas comissões de inquérito da AR, ninguém saber de nada, ninguém ser responsável, nem saber quem deveria ou poderia esclarecer o que realmente se passou. Há opacidade completa, em vez da transparência de que tanto de diz ser desejada. Mas, apesar desta necessidade de transparência, os denominados órgãos de comunicação social, não procuram dar aos cidadãos conhecimento daquilo que realmente se passa e de mostrar as raras iniciativas de quem quer esclarecer, antes repetem à exaustão aquilo que é desprezível, ajudando a reforçar as muralhas do obscurantismo que anestesia o poder de reflexão e aumenta o desinteresse pelo que é essencial e a continuação da degradação social.

E quanto a acção preventiva, surgem dúvidas, por exemplo, acerca do que foi feito para evitar as crises nos bancos? Não foi evitada a do BPN nem, depois, foi tirada deste a conveniente lição para evitar que a doença contagiasse vários dos outros, incluindo a CGD. Havia na organização algum dispositivo para estar atento e tomar medida preventiva? E, se havia, qual a razão de não ter actuado antes de surgir o colapso do Sistema financeiro? E qual a sanção de quem errou? Também aqui se nota a ausência de uma organização adequada com tarefas claramente atribuídas e controladas.

Com estas considerações não se procura dizer mal mas, sim, alertar para a necessidade de evolução, evitando falhas, e aperfeiçoando o funcionamento da máquina de que todos os cidadãos dependemos. Desejamos que a melhoria da nossa qualidade de vida constitua uma preocupação prioritária dos elementos do Parlamento e que seja visível por todos os que virem as transmissões da TV.

António João Soares
7 Março 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

CADA MACACO EM SEU GALHO

Cada macaco em seu galho
(Publicado em O DIABO de 7 de Março de 2017)

A sabedoria popular diz que não se deve esperar que um sapateiro toque rabecão, mas a sensatez diz que também não convém que o artista que bem maneja o rabecão seja visto a colocar umas gáspeas nuns sapatos. Mal iriam as coisas se, num quartel, um oficial superior tivesse que fazer o papel de sentinela ou se um soldado fosse encarregado de elaborar uma ordem de operações. A cada um compete a sua missão e as tarefas apropriadas. Enfim, cada macaco em seu galho.

Por exemplo, não é curial o procedimento de Trump que quer, ele próprio, tomar decisões repentinas, em vez de atribuir, de forma adequada, a um dos seus colaboradores o objectivo a concretizar para atingir uma finalidade essencial do Estado, dentro das atribuições que lhe estão confiadas e, no fim de estudos por ele realizados e perante as soluções possíveis que lhe forem apresentadas, se dignar tomar opção pela melhor ou mandar estudar com mais pormenor as diferenças entre duas delas para que a escolhe seja bem criteriosa.

Este tema é muito complexo e mexe com conceitos de chefia, liderança, missão, funções atribuídas, informação, estudo, análise, modalidade de acção, decisão, controlo, inspecção, etc. Estes conceitos foram abordados, de forma sucinta, no texto aqui publicado em 27 de Setembro de 2016.

Mas a tentação de pessoas dotadas de saber mais vasto, ou disso convencidas, conduz a excessos de entrada em seara alheia o que algumas vezes lhes pode trazer dissabores. Trump já está com o seu campo de luta afectado em muitas frentes, jornalistas, juízes, muçulmanos, México, Austrália, NATO, vários países asiáticos, etc.

Mas, entre nós, as coisas não correm da melhor forma e os receios da fogosidade do nosso PR, na maior parte dos casos merecedora dos mais rasgados elogios, teve agora um curto-circuito que chocou muitos portugueses de gema. Foi a sugestão que, saindo da sua boca, pode ser tomada como uma ordem, de dar ao aeroporto do Montijo o nome de Mário Soares, quando a nossa história do século passado contém pessoas ilustres que estiveram ligadas, com muito brilho e bons resultados, ao desenvolvimento do saber da actividade aérea nos sectores de transportes e militar. Gago Coutinho, Sacadura Cabral, Kaulza de Arriaga, alguns falecidos em combate na guerra do Ultramar, etc.

Neste, como em muitos outros assuntos, é conveniente ouvir os especialistas, competentes, isentos e independentes, para darem sugestões, dentro do espírito de que a de início «a asneira é livre» podendo cada um dizer o que lhe vier à ideia e, depois, perante a lista de soluções, ver o que cada uma tem a favor ou contra, de ser escolhida ou a mais apoiada.

Os defensores da liberdade de expressão, dirão que ao cidadão investido das funções de PR não deve ser coartado tal direito. Mas, na realidade, o seu peso obriga a opinar com conta e medida para não condicionar ou «impor» soluções discutíveis. O cidadão simples e humilde que escreve estas palavras tem muito cuidado em não dizer a sua opinião pessoal nem dar orientações, embora, se o fizesse, isso não mexesse uma palha na vida nacional. Cada cidadão deve ser cuidadoso e agir dentro dos condicionamentos impostos pelo cargo que ocupa e não fazer como Trump e… os nossos deputados na AR e nas Comissões de Inquérito.

António João Soares
28 de Fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

O DIÁLOGO FACILITA A CONVERGÊNCIA

«O diálogo facilita a convergência»
(Publicado em O DIABO de 28 de Fevereiro de 2017)

O diálogo facilita a convergência para as grandes decisões. É frequente ouvir e ler alguns políticos mais esclarecidos que referem a necessidade de reformas estruturais na Administração para fazer face ao crescimento da economia, à melhoria da qualidade de vida das pessoas e à harmonia social. Para isso, é preciso não alimentar as pequenas divergências, que até ocorrem nas famílias e nos pequenos clubes. Dialogando, pode conseguir-se a convergência nos pontos essenciais, abrir horizontes e alargar as vistas para o desenrolar de soluções bem analisadas, planeadas e promissoras de resultados benéficos para o Futuro de Portugal, numa época, que cada vez se antevê mais confusa. Para sobreviver num futuro imprevisível, é preciso encaminhar bem os passos e «festejar» cada acto correcto e, a partir dele, continuar a avançar racionalmente na busca de soluções para os mais altos objectivos. Todos seremos poucos para as grandes convergências no essencial. Quem, em vez de colaborar, na medida do possível, se deleitar em lançar areia na engrenagem, não pode ser considerado patriota, pois não passará de um inimigo do colectivo.

O diálogo, as conversações, são uma ferramenta indispensável par a transparência democrática. Merece ser citada a disponibilidade do PR, do PM e do ministro das Finanças para esclarecer o caso da CGD que tantas tricas e acusações maldosas levantou na oposição com perda de tempo que seria melhor empregue na análise dos problemas essenciais em sectores como a economia, a saúde, a educação, a justiça e a situação dos mais carentes de apoio social.

Também tem significado a visita realizada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres a cinco países do Médio Oriente, região onde a população tem sido tão martirizada pela violência e tantos refugiados tem originado. Oxalá seja produtiva esta tentativa de estimular o diálogo e a negociação em vez da guerra e deve ser levada a cabo adequada ajuda humanitária aos refugiados que tiveram de abandonar as suas casas para procurar refúgio seguro noutras terras.

Mas o diálogo para resolver pequenos desentendimentos exige humildade para ouvir os desabafos dos outros e fazer cedências a fim de convergir para uma solução aceite pelas partes. Não estão preparados para o diálogo e a negociação aqueles que acreditam fanaticamente nas suas próprias virtudes, que confiam obstinadamente na sua racionalidade e caem na arrogância de considerar que têm o exclusivo da verdade, da bondade e da compaixão. Estes caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações.

Um caso típico de erro, por recurso à força ocorreu recentemente no Estado Espírito Santo do Brasil, onde apenas mais de uma semana depois de iniciada a paralisação da polícia e do recurso a militares do Exército, foi iniciada a conversação com os causadores dos distúrbios que tiraram a vida a mais de 100 pessoas e destruíram e vandalizaram lojas, haveres e outros tipos de património. O diálogo devia ter sido utilizado logo que os polícias se queixaram da sua situação, a qual nem sequer devia ter chegado ao ponto crítico se as hierarquias tivessem o cuidado de observar e analisar com humanidade e sensatez os pormenores antes que se tivessem tornado insuportáveis. Comandar ou governar não pode limitar-se a ser mandar, impor e exigir obediência.

No diálogo, deve ser tida em atenção a transparência e o respeito pela própria imagem e credibilidade, para o que não convém mentir nem deixar dúvidas sobre a verdade das afirmações proferidas, o que parece não ter acontecido nas diversas sessões de âmbito parlamentar a propósito da baralhada e das tricas sobre o problema da CGD.

Nos antípodas do diálogo bem intencionado e construtivo estão uma gotas de veneno, sob o pretexto de memórias, lançadas contra o legítimo chefe do Governo a quem, nas suas funções, devia ser garantida serenidade para reflectir nos complexos problemas nacionais, ser dado apoio e sugestões para poder gerir da melhor forma os interesses nacionais para bem dos cidadãos. Sendo o tempo um recurso irrecuperável, é pena ver como está a ser desperdiçado com tricas e peixeiradas.

A João Soares
21 de Fevereiro de 2017

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MÉDIA E EPIDEMIAS SOCIAIS

Os Média alimentam epidemias sociais
(Publicado em O DIABO de 21 de Fevereiro de 2017)

As notícias de que a indisciplina está a aumentar nas escolas não poder ser apenas atribuída à deficiente educação recebida em casa e nas próprias escolas mas, resulta em grande parte, de uma degradação progressiva e acelerada que a sociedade vem sofrendo devido a factores variados com os quais é conveniente ter cuidado: o papel dos média e o abuso de recurso à Internet por pessoas ainda mal preparadas. Quanto aos pais, a sua ocupação nos empregos leva-os a deixar os filhos em creches onde são acompanhados mas não educados de forma a tornar-se crescidos e cidadãos responsáveis. Por isso, com tal complexo de culpa, quando estão com os petizes, não os contrariam e satisfazem todos os sus caprichos.

De posse, desde tenra idade, de smartphones, bebem de fontes desconhecidas muita informação, por vezes nociva, que lhes desenvolve uma mentalidade dificilmente controlada por pais e professores. Em vez de mimosos arbustos decorativos, integrados no jardim da civilização, crescem como robustas árvores selvagens misturadas em selvas descontroladas.

A Comunicação Social, tem-se preocupado mais «com o homem que morde o cão do que com o cão que morde o homem», mais com o malfeitor e o criminoso do que com o que se distingue na investigação científica, na arte, na cultura, na boa gestão, na inovação, na defesa e protecção dos sem-abrigo, etc. Essa tendência estimula e incentiva as mentes mal formadas na procura da celebridade pelo mau caminho, imitando os falsos «ídolos» criados por noticiários sucessivos.

Recordo que quando Marilyn Monroe faleceu, inesperadamente, em 5 de Agosto de 1962 por provável overdose ou suicídio, houve uma atitude mundial dos órgãos de CS para não ser dado muito espaço ao assunto a fim de não provocar uma onda de suicídios em jovens fãs da actriz, possuidoras de mente menos sensata e que podiam ser levadas a imitar o seu ídolo. Actualmente, essa atitude solidária está a funcionar ao contrário, tornando heróis os criminosos que são citados durante horas e dias seguidos mostrando as suas fotos, como foi por exemplo o caso de Aguiar da Beira e de outros, chegando ao exagero de divulgar pormenores das habilidades utilizadas nos crimes. Parecem querer ser escolas de crime, só faltando alvará para poder fazer exame e dar diploma. Vários amigos têm-me dito que nem sequer querem olhar para a página frontal de um jornal que abusa de tais «sensacionalismos».

Falar muito de casos de violência, além de os aumentar e generalizar, são autêntico terrorismo ou guerra psicológica que causa mal-estar nas pessoas criando nelas medo de sair à rua e até de continuar a viver. Os grandes movimentos de terrorismo pretendem criar esse estado de espírito aterrorizado.

Repare-se no endeusamento da coscuvilhice à volta de pretensa troca de e-mails entre um ministro e um cidadão que quer manter oculta a sua fortuna. Desde a AR, que se esquece da sua obrigação perante os cidadãos, até aos jornais, isso é prioritário e sobrepõe-se ao pr EPIDEMIAS SOCIAISoblema dos sem-abrigo que enfrentam as péssimas condições meteorológicas, ao dos idosos e deficientes solitários, à necessidade de reformas de serviços a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas com carência vitais, etc.

Há dias criticaram a falta de qualidade de um lar de idosos, mas não provaram que não havia melhor alternativa à escolha dos clientes e não alertaram governo, serviços e população para soluções desejáveis e possíveis. O que é bom e deve ser apontado como exemplo deve passar a ocupar mais espaço na informação pública para estímulo e incitamento à competição por mais e melhor. Mas a prática tem sido deixar passar isso ao lado. Por exemplo O Ronaldo é mais citado por alguns defeitos (não há quem os não tenha) do que pelo bem que faz aos familiares, a doentes, a deficientes e a carentes, numa acção exemplar de solidariedade e de generosidade para os necessitados. Há pessoas mais ricas que não olham para um pobre com vontade de o ajudar. E até há críticas para a actividade do PR ao pretender mostrar a necessidade de lutar contra as diferenças sociais demasiado chocantes. Ele bem merece ser seguido por «apóstolos» dispostos a ajudar a concretizar os objectivos que ele pretende ver resolvidos.

Será conveniente que a CS mostre modelos de virtude e estimule as pessoas, os voluntários e as instituições, no respeito por valores sociais, criando gosto pelas boas práticas profissionais, pela cultura, pela arte, pela investigação científica, etc. Entrevistem-se os galardoados com prémios internacionais, os que registam patentes de inovações, etc. Escolham-se boas bandeiras para mostrar Portugal aos portugueses.

A João Soares
14-02-2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TRUMP QUER LUTAR CONTRA O TEMPO

Trump quer lutar contra o tempo
(Publicado em O DIABO de 14 de Fevereiro de 2017)

Trump está a tentar cumprir aquilo que prometeu na campanha eleitoral. Mas nem parece que a sua actividade tenha sido a «construção civil». Ninguém que deseje construir um palacete, o pode ver pronto a habitar no dia seguinte a ter manifestado tal desejo, mesmo que o tenha escrito em papel e assinado com caneta de feltro bem visível perante a câmara e vídeo. Com efeito, desde o momento em que a intenção é formulada, há muitos passos a dar para ser atingido o objectivo, desde a escolha do local, a elaboração dos estudos e planos até à entrega da chave, há muitos e diversificados trabalhos a levar cabo. As fases intermédias, ou objectivos parciais, são entregues a técnicos especializados – arquitectos, engenheiros, estocadores, pintores etc – cujo trabalho deve ser acompanhado e sujeito a observações e opiniões do patrão. Este deve abster-se de querer inserir o mobiliário antes do momento adequado e, só nessa altura deve, fazer a escolha das ofertas de mercado que lhe agradam e recusar as outras. É preciso dar tempo ao tempo e não baralhar tudo a fim de evitar fazer trampa.

Ora ele, parece querer resolver cada uma das suas intenções, apenas com o efeito milagroso e um papel assinado com pompa e circunstância, no seu gabinete, perante o operador de vídeo, mostrando para a máquina a sua assinatura bem vistosa.

Para um gestor competente, com sentido da responsabilidade, isso pode ser apenas o sinal de partida para uma longa maratona. Sem serem criadas as necessárias e adequadas condições, sem ser preparado o pessoal que vai ter de agir de forma diferente daquela a que está habituado, e sem conquistar a aceitação e a adesão das pessoas que vão ser atingidas pelos efeitos da mudança, dificilmente podem ser esperados os melhores resultados.

As reacções já visíveis em determinados sectores, não apenas nacionais, mas também de muitas partes do globo prenunciam as dificuldades que advirão de decisões complexas e precipitadas sem a adequada ponderação e busca da melhor alternativa. A forma como um seu admirador agiu contra uma mesquita de Quebec, pode ser considerado o primeiro sinal, e muito preocupante, do ambiente de confusão criado.

Sobre a preparação da decisão, sugiro a leitura do texto publicado no jornal «O DIABO» em 27-09-2016. A metodologia nele apontada aplica-se a todo o tipo de decisões e é imprescindível naquelas que irão afectar a actividade de muita gente e de vários países. Desde a adopção de uma intenção até iniciar a acção para a sua concretização há um cuidadoso e meticuloso trabalho mental, burocrático e de contactos com pessoas, directa ou indirectamente, atingidos, a elaborar.

Também se relaciona com este tema o texto «promessas e decisões anunciadas precocemente» publicado em O DIABO de 18 de Outubro de 2016, em que se mostra a vantagem de as coisas não serem publicitadas, antes de estarem bem definidas e ponderadas, para não exigirem recuos desvantajosos para o prestígio e a imagem do decisor.

Não é por acaso que, num alto cargo, o responsável dispõe de uma equipa, que pode ser muito numerosa e diversificada, para colaborar na formulação de todo o trabalho antes de a decisão saltar para o público. Isso mostra bem que a decisão a esse nível não constitui uma obrigação pessoal, prepotente, autoritária, por capricho, sem atender aos pareceres de colaboradores. Não se pode aplicar uma norma do tipo «quero, posso e mando».

A João Soares
O7.02.2017

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

POLÍTICOS E DECISÕES DA AR

Políticos e decisões da AR
(Publicado em O DIABO de 7 de Fevereiro de 2017)

Recordo uma leitura de Eça de Queiroz que criticava um cidadão por querer candidatar-se ao parlamento sem ter fortuna que lhe permitisse viver com boa qualidade sem precisar de mamar na teta do erário. A política, no seu conceito, era um serviço público, de generosidade, próprio de ricaços que podiam a ela dedicar-se à custa dos próprios meios. Hoje, tal actividade nada tem de generosidade e pouco tem de patriotismo, tendo-se tornado numa forma de vida fácil e bem remunerada, sob diversos aspectos. É vulgar ouvir-se que o objectivo que leva um mau estudante a ingressar em tal «carreira» é o desejo de grande enriquecimento, em curto prazo e por qualquer forma, o que é garantido pela imunidade e impunidade, facilitada pela exagerada tolerância dos contribuintes que receiam denunciar actos de corrupção e outros vícios parecidos e pela complacência da Justiça. Não há conhecimento de notícias de ex-políticos a viver com privações.

Costuma dizer-se que têm a faca e o queijo na mão e não vão limitar-se a comer apenas pão. E para adquirir habilidades têm convívios de verão, a que ostensivamente chamam universidades de verão, em que confidenciam truques usados pelos mais experientes e assim acamaradam e se tornam cúmplices e coniventes, dispostos a encobrirem-se e a denunciarem e achincalharem os que estão no governo, ou vice-versa.

Acerca de tais habilidades, li há dias uma crítica ao Presidente da AR, segunda figura da hierarquia o Estado, por decidir não prolongar, ad eternum, uma comissão de inquérito parlamentar, alegando nessa crítica que o inquérito iria informar os portugueses de erros cometidos na CGD. Mas, na realidade destas comissões nada de benéfico tem decorrido para a informação dos cidadãos, como se constatou no caso do Inquérito ao BES, que durou vários meses, e não foi conhecido nenhum resultado obtido para benefício dos portugueses, compensador da despesa feita pelos deputados. Houve certamente, benefício para os deputados que faziam parte da comissão e recebiam pelo tempo nela investido. Residia aí o desagrado do queixoso de o inquérito à CGD não ser prolongado, mesmo com risco de contribuir para o aumento do défice orçamental e da dívida pública.

Esquecem ou nem querem pensar nisso, que Portugal é um país pobre e submerso numa crise prolongada, não tornando aconselháveis tentações de ostentação de riqueza fictícia. Quando chegam ao nosso conhecimento dados sobre as condições de trabalho e de alojamento de deputados do Reino Unido e de vários Estados nórdicos, não podemos ficar felizes com as habilidades, as vaidades e as ambições dos nossos roedores e estimação.

Há dias, um amigo dizia que a quantidade de deputados devia ser reduzida a metade da actual. E que nem se trata da proporcionalidade com a população ou com a área ou com o PIB do país, em comparação com alguns países europeus, mas sim pelo pouco tempo que utilizam para analisar os problemas nacionais, as condições de vida da população do interior em despovoamento acelerado e da qualidade de vida de muita gente nos subúrbios das grandes cidades. Não se vê neles interesse na reorganização de sectores obsoletos e com demasiados penduras em tachos inúteis, a sugar o erário sem resultados vantajosos para o público. Mas desperdiçam tempo a criticar o Governo, de forma negativa, destrutiva, demolidora, quando esse órgão de soberania deve ser apoiado com críticas construtivas e sugestões de soluções consideradas vantajosas para bem de Portugal. Tal apoio, é dever de todo e cada cidadão, com os respectivos meios, e a oposição, feita de cidadãos, não deve considerar-se dispensada de tal colaboração.

Há quem ache muito interessante que anualmente seja publicada a quantidade de decisões tomadas na AR e os temas nelas abrangidos e que conste a percentagem das propostas que lhes deram origem referentes a cada partido. Por exemplo, das propostas votadas e aprovadas 20% eram do partido X, 30% eram do partido Y, etc. Isto poderia servir de estímulo para fazerem mais trabalho útil e ara facilitar a propaganda eleitoral que não precisaria de palavreado fantasista, porque demonstraria resultados obtidos em benefício do cumprimento da sua principal missão perante a Pátria.

Embora já tendo o texto praticamente terminado, não quero deixar de referir uma lição de grande interesse. A resolução do problema da TSU que tanto prazer deu à oposição ao querer triturar o Governo, acabou por ter uma solução obtida rapidamente através de conversação com os parceiros sociais. É mais um facto que demonstra que o diálogo e a negociação são mais fáceis, com pessoas racionais, com experiência da vida e com sentido de responsabilidade do que com obcecados pelo poder, pela ambição e vaidade, sem noções realistas e sem preparação para defender os interesses do povo português. Mas, atenção, o Governo não deve deixar de ter presente que não há soluções ideais, pois não há bela sem senão, e deve fazer sempre a sua análise, no cumprimento das suas funções de gerir o interesse nacional.

A João Soares
31 de Janeiro de 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

VIOLÊNCIA DE ESTADO OU TERRORISMO


Violência de Estado pode ser mais selvagem do que o terrorismo

(Publicado em O DIABO de 31 de Janeiro de 2017)

Até quando teremos de assistir ao uso «inadvertido» de armas letais? Porque não as utilizam exclusivamente em pistas, carreiras de tiro, campos de tiro, etc. Isto é, espaços vedados ao público apenas destinados ao treino e preparação dos militares.

Que consideração nos merecem estas pessoas, parte de organizações governamentais que decidem a actuação dos militares sem conhecerem a gravidade de tais acções e sem a devida sensibilidade, sem o mínimo respeito pelos outros e sem terem repulsa por actos que causam sofrimento e morte em seres humanos indiferenciados? Há muitos estados, grandes e pequenos que não têm idoneidade para usar material bélico, porque permitem que alguns dos seus cidadãos brinquem com objectos demasiado perigosos para as populações sem terem consciência do perigo que lhes causam. Como se acusam terroristas de causar umas dezenas de mortos se, no caso do bombardeamento, por um avião militar, de um campo de refugiados na Nigéria, causando a mote a cerca de 100 pessoas.

Tenho aqui referido que, nesta época de mudança para a NOVA ERA, há que pôr um forte travão nas guerras e insistir na resolução pacífica dos conflitos, dando lugar ao trabalho da diplomacia. Porém tal intenção parece manter-se nas nuvens da utopia, porque grande parte dos estados está a ser «governada» por políticos impreparados, sem ética nem moral, ambiciosos e vaidosos, que esquecem que o seu principal dever é respeitar os direitos das pessoas e dar-lhes boa qualidade de vida e cuidar de contribuir para a humanidade se tornar mais harmoniosa e viver em paz fraterna. As notícias chegadas da Síria mostravam os efeitos arrasadores em cidades como Alepo provocados por insistentes bombardeamentos de Sírios, Russos e Turcos. Os estragos causados em vidas e haveres devem ter ultrapassado largamente os provocados pelos denominados terroristas. Afinal, quem são os maiores terroristas do mundo, aqueles que provocam mais vítimas humanas e mais destruições de património quer privado quer público e quer constituindo reconhecido valor para a história mundial ???

Perante um vídeo de uma orquestra feminina de jovens que tocava uma colecção de músicas mundialmente famosas, uma pessoa amiga exclamou que se estava em presença de comunhão de sensações e sentimentos vividos por gente de todo o muno, sem discriminação e que a música devia ser mais aproveitada para criar a Paz e a harmonia mundial. Concordei e acrescentei que, se houvesse verdadeira vontade de viver em paz, os diversos sectores da arte poderiam ser instrumentos para unir os povos em harmonia fraterna e solidária. Mas a falta de qualidade de muitos detentores do poder leva-os a esquecer que o seu principal dever é respeitar os direitos das pessoas e dar-lhes boa qualidade de vida e, seguem o caminho errado de dar mais atenção aos seus interesses pessoais, à sua ambição e vaidade e a submeterem-se aos industriais e vendedores de armamento que lhes impõem a guerra para benefício dos seus próprios negócios.

Ser governante de um Estado com população de diversas cores, religiões idiomas, tradições deve ser assumido com qualidades de liderança, diálogo, compreensão de todos, sem discriminar, e procurando harmonia, em mútuo respeito e igualdade de direitos, enfim, uma nação, um colectivo. Não deve ser prepotência em defesa dos «bons» de que se gosta, com exclusão de todos os outros aos quais se motiva para a rebelião que pode chegar às piores atrocidades, com a natural escalada das trocas de violência.

E, com tal autoritarismo prepotente, em vez de acabar com a praga do terrorismo, suscitam mais ódios, alguns que perdurarão através de gerações até voltarem com mais força e meios mais poderosos. E, em vez e terminar a morte de tanta gente inocente, acaba por morrer muita mais como tem acontecido no Médio Oriente na Ásia e em África.

Apesar de já ter o texto pronto, depois de ter defendido o diálogo e a paz, não quero deixar de inserir, por vir a propósito, a frase do Papa Francisco, título de notícia no DN, em que alerta para o perigo de confiar "num salvador que nos defende com muros".

A João Soares
24 de Janeiro de 2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

NECESSIDADE DE MUDANÇA


«Necessidade de mudança»

(Publicado em O DIABO de 24 de Janeiro de 2017)

A Mudança constitui uma característica da vida, da Natureza. Para saber se um acidentado inconsciente ainda tem vida há que ver se algo nele tem movimento, por exemplo se o coração bate. Na vida social também temos de evitar a estagnação, a degradação de valores essenciais a fim de podermos viver, isto é, ser criativos e inovadores sem a obsessão de repetirmos o que fizemos anteriormente.

Mas convém recordar a frase de um ex-governante muito citado que disse «mudar por mudar é vã tentativa de disfarçar o vazio íntimo». A mudança é necessária e conveniente quando vai ao encontro de novas soluções, em metodologia, estratégias, organizações para atingir melhores resultados com menos custos em tempo, sacrifícios e haveres. A mudança exige cuidados na sua preparação e acompanhamento. Não é sensato mudar sem fazer um prévio estudo, devendo ser evitada a precipitação, o palpite, a aventura.

Vemos na vida internacional algumas iniciativas de mudança inteligente e bem intencionada, como o acordo na Colômbia entre Poder e os oposicionistas a fim de estes desistirem da violência que vinham usando há mais de meio século, como o novo regime de Singapura que gerou uma nova ordem mais civilizada, como as negociações para uma solução pacífica para a Síria, como a procura de intermediários para solucionar o conflito entre Israel e a Palestina, etc.

Mas qualquer mudança é difícil porque obriga a quebrar hábitos e rotinas, por vezes ligados a ambição de riqueza, a exibição de poder, ao culto da imagem, etc. Estes factores que emperram a transição de um ambiente de violência generalizada para uma saudável convivência harmoniosa e pacífica, são visíveis em conflitos por vezes internos e menores que, em vez de serem analisados sem preconceitos para encontrar a maneira mais adequada de os resolver ou de os aceitar atenuando os efeitos, são, pelo contrário, encarados com escalada de violência que agrava a situação sem sanar a causas.

Enquadram-se nestas condições alguns casos de destruições maciças de povoações e de mortes de pessoas em alguns pontos do Médio Oriente, a dureza com que a Turquia tem encarado os incidentes internos a que tem assistido, e a deslocação pela NATO de poderoso contingente militar para a Polónia.

Neste último caso, trata-se mais de dissuasão do que de retaliação, mas que não deixa de ser uma escalada semelhante a outras que precederam algumas guerras recentes. E, como nos casos destas, nomeadamente a do Iraque, isto nunca conduz a bons resultados, senão para aqueles que beneficiam os fabricantes de armamento que segundo já dizia Eisenhower não param as fábricas e, para isso, pressionam os Estados e os grupos de guerrilheiros a fazer guerras a fim de consumirem aquilo que pretendem vender e, depois, inovarem os seus produtos bélicos. E não têm sensibilidade para ver que, dessa forma, morre muita gente inocente e é destruído muito património privado e histórico, como se tem visto no Médio Oriente e noutros pontos do globo. Nos Estados onde tal tipo de violência tem actuado, a qualidade de vida piorou e foram criadas vagas sucessivas e numerosas de refugiados. Tudo catástrofe para a humanidade.

E a repetida violência deixa-nos a dúvida e enfraquece a esperança numa mudança encarada a sério de se procurar passar a resolver os conflitos, quando ainda pequenos, através da diplomacia, do diálogo e da negociação em vez de ser pelas armas.

Mas a MUDANÇA de que a Humanidade necessita não se resume à guerra, pois é mais transversal e deve procurar tornar mais racionais, morais, legítimos, todos os sectores da sociedade, desde a corrupção, ao compadrio, à gestão de todas as organizações públicas de que a população depende quanto a eficiência, a simplicidade de funcionamento, a gestão do dinheiro público, etc.

Qualquer mudança deve contribuir para o respeito recíproco pelos outros, a aceitação das diferenças e a melhoria da qualidade de vida com justiça social.

A João Soares
17 de Janeiro de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CONDENAR A VIOLÊNCIA COM LEGISLAÇÃO ADEQUADA


Condenar a violência com legislação adequada

(Publicado em O DIABO de 17 de Janeiro de 2017)

Atentados que matam dezenas de inocentes e deixam ferida quase uma centena de pessoas que nada fizeram de mal não é um crime normal que possa ser julgado pela legislação tradicional. Também não devem ser retaliados por forma idêntica e informal porque violência gera mais violência e a espiral eleva as consequências para patamares inimagináveis.

Há quem recorde a revolução francesa de 14 se Julho de 1789, em que, apesar do seu lema de harmonia social com «liberdade, igualdade e fraternidade», não foi descurada a necessidade da pena capital com a utilização da guilhotina para travar atentados ao seu rumo humanitário. Agora, o problema tem pormenores muito diferentes e não se pode condenar à morte um terrorista suicida, mas há que calar quem o encarregou ou obrigou ao crime. Como? Seria bom que a conversação, a negociação ou outras estratégias pacíficas pudessem ser eficazes, mas temos constatado que as organizações que impõem tais actos se vangloriam dos resultados mais trágicos, mostrando-se dispostas a subir a escalada. Daí não parece poder esperar-se que a solução pacífica seja eficaz.

Por outro, lado não parece racional respeitar a vida de quem não respeita a de outros, inocentes e alheios aos motivos de tal sanha assassina. Mas se os mais altos poderes internacionais se inclinarem a concordar com tal solução, não devem deixar que haja retaliações de forças públicas ou privadas a fazer justiça pelas próprias mãos. Será indispensável legislação especial criada pela ONU aplicada por uma instituição criada ad hoc que decida, sem demora, para não deixar arrefecer os efeitos do crime a punir. É muito provável que, depois de consumados os primeiros julgamentos extraordinários, não será necessário haver outros, porque o poder de dissuasão resultará.

É raro o dia em que não haja um ou mais crimes hediondos no Médio Oriente ou em qualquer continente que tornam a vida impossível a pessoas que gostariam de respeito mútuo entre todos, em bom convívio e solidariedade num ambiente de paz e harmonia social. Ninguém se deve considerar dono de tudo excluindo os outros que não se submetam à sua forma de pensar e de agir. O respeito e a tolerância devem ser virtudes a praticar com reciprocidade.

Há exemplos dos dois extremos do problema. Ontem, um amigo muito viajado referiu o paraíso de Singapura em que não há violência nem droga, mas respeito pelo meio ambiente e pelos outros, do que resulta harmonia e boa convivência entre pessoas de diversas etnias e religiões. As Filipinas parecem estar a procurar os mesmos resultados, oxalá escolham os métodos mais aceitáveis.

Um exemplo do extremo oposto é o da Turquia onde, tal como na Síria, o dono do poder utiliza a prepotência e a imposição da sua visão pessoal. Por isso, não deve ter acontecido por acaso o golpe falhado de 15 de Julho. Mas, em vez de reconsiderar que a negociação e a adequada reorganização do sistema seriam oportunas, ouvindo para isso opiniões de todos os sectores, foi aplicada a violência do poder com punições volumosas contra pessoas com quem o entendimento não era o melhor. O resultado de tal problema interno e a participação contra os oposicionistas rebeldes da Síria traduziu-se na série de atentados contra pessoas inocentes sucedidos nos dias mais recentes. A violência usada contra a violência tem efeitos de aceleração e aumento da gravidade e da injustiça social. A Colômbia chegou a tal conclusão e pena foi que demorasse 52 anos, a ser tomada a iniciativa do diálogo, mas oxalá consiga levar a cabo os bons objectivos desejados.

Os governantes, como representantes da população, devem ter sempre em vista a qualidade de vida e os interesses colectivos desta, quando se preparam para tomar decisões importantes. Para isso, devem estar sempre em contacto com as realidades nacionais e ouvir as opiniões representativas de tais interesses. Quem for prepotente e se capacidade para contrariar os seus próprios caprichos não merece o voto dos eleitores. Perdoar um erro é uma virtude se ele não foi cometido premeditada e intencionalmente e se o arrependimento garante que não será repetido. Mas a violência que apavora a Humanidade, é confessadamente premeditada e intencionalmente disposta a continuar até à vitória final. Para tais actos não pode haver perdão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A CAMINHO DO AMANHÃ


A CAMINHO DO AMANHÃ
(Publicado em O DIABO de 10 de Janeiro de 20179)

A MARCHA PARA A NOVA ERA NÃO DEVE SER SISTEMATICAMENTE ADIADA, porque o tempo perdido será difícil de recuperar. No entanto, não devem ser dados passos ao acaso, sendo necessário decidir com coragem após estudos bem elaborados acerca de todas as hipóteses e dos resultados desejáveis.

Mais do que nunca, o Mundo é dos audazes sensatos e medianamente ponderados. O passado pode servir como ponto de referência e experiência, mas a tentação de o imitar ou repetir deve ser radicalmente banida, porque tudo será totalmente novo, inovador, criativo, imaginativo, com base nas possibilidades hoje existente e outrora inimagináveis. E, entretanto, as condições os factores sofrem alterações rápidas. A Humanidade está a enfrentar uma fase de mudança profunda. A economia dependia fortemente da energia originada pelo carvão, pelo petróleo e pelo gás natural, mas está a ter uma viragem para as energias naturais não poluentes como a eólica e a solar. Por exemplo, «a Suécia está a bater o recorde de produção de energia eólica», Foi-me há dias mostrada em Lisboa (Restelo) uma estação de abastecimento de combustível com uma cobertura revestida por placas de energia solar que a torna auto-suficiente para as suas máquinas e iluminação. Muitos semáforos nas avenidas funcionam com placas solares sem necessidade de ligação à rede de fornecimento de electricidade. Dentro de poucos anos, todos os automóveis serão movidos a electricidade, passando a não ser poluentes por não necessitarem da combustão de produtos fósseis.

Mas mudanças fundamentais caem nas actividades das pessoas, nas estruturas dos serviços, da organização social, política e administrativa. Por exemplo, o PR disse há dias que «cientistas portugueses são embaixadores de Portugal no mundo» apagando um pouco o papel dos diplomatas e dos futebolistas, o que evidencia a crescente importância da ciência e do saber adquirido pelas gerações mais jovens num ensino superior de qualidade.

Muita coisa tem que mudar, reorganizando os serviços com redução da burocracia e dispensa do pessoal não absolutamente necessário e sem preparação devidamente confirmada. A burocracia emperra toda a vida dos cidadãos e das empresas. E quando é dado «emprego» a um boy sem ser destinado a uma tarefa imprescindível, ele tenta justificar o tacho, criando um sistema de pedido de dados que ocupa um conjunto de outros funcionários com uma nova burocracia inútil. O combate à burocracia empolada tem que estar conjugado com a dispensa de pessoas.

A Justiça tem perdido o respeito dos cidadãos vulgares por ser lenta e dar um aspecto de ineficácia. Segundo diz o PR, o «Sistema de Justiça é lento e um " travão enorme" para a sociedade». Não sendo problema fácil de resolver, exige vontade e coragem para obter a colaboração de todos os vectores inerentes, a fim de encontrar a melhor solução. Não parece ser por acaso o aparecimento da notícia «Condenações por corrupção são cada vez menos mas PJ investiga mais». Tem sido abordada a relação entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público. É desejável que seja encontrada uma boa solução para a situação actual e flexível para ser eficaz na evolução de amanhã. É desejável que os cidadãos, de todos os níveis tenham motivos de confiança em sector de tão relevante importância.

Mas nenhum sector da actividade nacional pode ser descurado nesta nesta corrida inovadora que começa a acelerar. A saúde, o ensino, a segurança para evitar atentados, a ecologia contra a poluição e os fogos florestais, a legislação para punir com proporcionalidade os terroristas que imolam dezenas de inocentes e para dissuadir outros de fazerem o mesmo, etc. etc.

Enfim, estão a ser cada vez mais necessários governantes sensatos, racionais e corajosos para tomarem as decisões mais adequadas aos tempos que se avizinham.

A João Soares
3 de Janeiro de 2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

DÉFICE E DÍVIDA SÃO SINAIS DE MÁ GESTÃO


(Foi publicado em O DIABO de 3 de Janeiro de 2017)

Os bons conselhos utilizados para a gestão doméstica, no sentido de conter as despesas um pouco abaixo das receitas, a fim de obter poupança destinada a fazer face a eventuais necessidades imprevisíveis, são também aplicáveis, com os adequados ajustamentos a empresas e a instituições públicas.

Tal conceito leva a concluir que governar não é esbanjar o dinheiro público com aspecto de ostentação de riqueza para manter uma máquina do Estado demasiado obesa e estranguladora da liberdade de inovação e de moderno empreendedorismo, tudo suportado por um progressivo aumento de impostos, em táctica própria de animais predadores e necrófagos.

Um Estado não pode esperar desenvolver-se aumentando o peso e a obesidade da sua máquina administrativa, com apêndices inúteis e apenas destinados a dar justificação para altas remunerações a incapazes de quem se receberam ou se espera receber favores – casos de fundações e ou observatórios sem utilidade bem visível e justificada e a quantidade astronómica de «servidores» que consta de muitas folhas de pagamento sem se saber o que sabem, o que fazem e onde se sentam. Além do peso no défice, dão um péssimo exemplo que desencoraja os contribuintes e estimula a fuga ao fisco. Esta também merece reflexão, dado que quando se trata de pequenos devedores ou retardatários é severamente punida, mas pelo contrário, os grandes devedores são premiados, frequentemente, com perdão que lhes serve de recompensa em vez de penalização.

Nas despesas públicas há um aspecto de grave efeito nos sentimentos da maioria da população que vive com dificuldades devidas ao agravamento dos impostos, principalmente os indirectos, que a afectam de forma indiscriminada. É o da ostensiva pompa em que os do poder se envolvem sem olhar a custos. As notícias que chegam sobre os políticos de países nórdicos, com comportamentos mais racionais e sentido das responsabilidades, não deixam as pessoas indiferentes.

Estes considerandos conduzem a que uma boa reforma da máquina administrativa deve ser bem preparada, com os interesses nacionais sempre na frente como farol orientador, rigorosa na prossecução dos grandes objectivos e eliminando tudo o que é desnecessário e supérfluo que não merece o seu custo. A mais pequena obesidade gera aumento da burocracia que trava e emperra a actividade económica, o pessoal além do indispensável cria necessidade de mostrar trabalho e complica aquilo que deve ser o mais simples possível.

Mas, apesar destas considerações se centrarem em apectos financeiros, convém não desprezar as pessoas e as suas condições de vida, porque o dinheiro não deve ser um tema que se sobreponha e faça esquecer de que governar deve ter como principal finalidade melhorar a vida e a segurança das pessoas em todos os pormenores da realidade. E, perante isto, é incompreensível que a UE oficialize a autorização de os Estados terem défices sistemáticos, ano após ano, do que tem que resultar o aumento da dívida com todos os seus inconvenientes.

A João Soares
27 de Dezembro de 2016