quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A PAZ É UM BEM APRECIÁVEL

A Paz é um bem apreciável
(Publicado no semanário O DIABO em 170815)

A busca da paz, harmonia, bom entendimento, deve constituir um objectivo permanente de todas as pessoas, desde as mais simples até às responsáveis pelos estados. Podem chamar-me utópico ou lunático, por assim pensar, mas já aparecem pessoas com grande responsabilidade a manifestar ideais semelhantes. Oxalá o seu número se multiplique, para bem de todos nós e da vida no planeta.

Por isso, sinto-me feliz com algumas notícias que recebo. A mais recente foi a de representantes das duas principais facções da Líbia, com mediação da França, estarem dispostos a passar a ter convivência, harmonia, que crie condições de unidade, segurança e desenvolvimento, num país que já teve grande importância no Norte de África. «Comprometeram-se a um cessar-fogo e a abster-se de fazer qualquer uso da força armada para outro propósito que não estritamente o da luta antiterrorismo». Não será fácil aplicar o acordo num país fracturado, mas já deram um grande passo ao «concordarem realizar eleições “o mais cedo possível” e obedecer a uma trégua entre as suas forças no terreno».

Também a Colômbia passou a não viver amedrontada por ataques de elementos das FARC que passaram a ter uma participação normal na vida do país, depois de entregarem as armas. Recorda-se que, em fins de 2015, elas propuseram ao governo e ao país entrar de imediato, sem condições que apenas levantam desconfiança, numa trégua bilateral prévia, como passo gradual ao cessar-fogo bilateral e definitivo que já estavam visando” e que veio a concretizar-se com êxito.

Em Espanha, a ETA dispôs-se a terminar a sua oposição violenta e a participar no engrandecimento do país.

A China, estado pacífico e tolerante, aconselhou os países do Médio Oriente a conviver como amigos, em paz e com repúdio de guerra. E, quanto ao seu vizinho norte-coreano têm aconselhado a cumprir as condições colocadas pela ONU e a respeitar os outros povos. Porém alerta para que são os Estados Unidos e a Coreia do Norte que têm a "principal responsabilidade" pela escalada de tensões e por negociar a paz na Península Coreana. São estados que têm condições que dispensam o recurso a mediadores, mas que, incompreensivelmente, mostram atitudes de fanfarronice com ameaças crescentes que podem levar a ponto de não retorno.

Estes são alguns exemplos daqueles que entendem que é preferível resolver os atritos pacificamente, por diálogo, do que enveredar pela escalada da violência. Mas é desejável que se ergam mais vozes e se tomem atitudes na defesa dos elevados ideais da convivência pacífica entre os povos, para que se generalize o recurso a conversações, diálogo, negociações, directamente ou com ajuda de mediadores, e se evitem as guerras que tanto mal têm causado a pessoas e aos seus bens materiais, bem como a toda a parte viva do planeta. É certo que os industriais de armamento não estão interessados nesta evolução porque, estando intoxicados pela droga dinheiro, colocam a sua ambição de riqueza acima dos interesses dos humanos seus semelhantes, sem sensibilidade para os sofrimentos que causam. E empurrados por eles, há governantes, de consciência empedernida, sem solidariedade para com os sus semelhantes, que não hesitam em aproveitar pequenos motivos para dar largas à sua vaidade e utilizar armas poderosas, com exagerada capacidade de destruição.

Façamos todos aquilo que está ao nosso alcance para que o mundo viva feliz e possa saborear os bons efeitos da paz e da harmonia social.

António João Soares
8-08-2017

sábado, 12 de agosto de 2017

AS MOSCAS E O MAL SOCIAL



Dos seis que estavam à mesa, o P. sentiu-se incomodado com uma mosca e virou-se para mim a sugerir que escrevesse sobre as moscas. Não dei resposta mas continuei atento às queixas que passaram para a degradação do civismo e da ética de que a sociedade está a padecer. O A. Saiu-se com mais uma citação bíblica dizendo que a isso não podemos dar remédio, porque o mal é obra do diabo. E disse também que Portugal é um país geométrico, com território em forma rectangular, com problemas bicudos analisados em mesa redonda por bestas quadradas. E certamente não atribui ao diabo esta faceta.

Parece que a humanidade, isto é, cada um, deve fazer tudo o que puder para recuperar os valores que estão a ficar debilitados. E, quanto às moscas, elas são estimuladas a procurar alimento e procuram-no onde ele possa existir. Na sociedade há acomodação, apatia, preguiça, para afastar aquilo que as moscas procuram e, assim, permite que a degradação social progrida para o abismo, não pela força do diabo mas por desinteresse da humanidade. Esta vive acomodada e submete-se docilmente à propaganda da mentira, das promessas falaciosas que nada de bom lhe trarão, mas as «moscas», atraídas por tal ambiente fecal, continuam a manobrar uma estratégia que dificulta a procura da verdade e a busca de informação correcta sobra a realidade.

Felizmente nem toda a gente é ingénua, ignorante e apática e, por exemplo, estas manobras estão bem explicadas por Henrique Neto no artigo à procura da verdade» em O DIABO e também por António Barreto que as refere no artigo «segredo de injustiça», no Diário de Notícias

Mas há soluções para quase tudo o que depende da acção do homem. Este, como partícula estruturante da humanidade, é autor das degradações de que esta sofre e que poderão ser ultrapassadas se os comportamentos individuais passarem a ser mais correctos, racionais e sensatos. Quando tanto se fala das virtudes da democracia, e se atribui tal responsabilidade aos seres humanos, há que exigir um esforço para que todos tenham acesso à boa informação, por forma a procurarem a verdade e não se deixarem levar pelo conto do vigário ou de vendedores de banha de cobra.

Ninguém tem o direito de ficar sentado à espera que outros lhe tragam o resultado da recuperação de valores que andam esquecidos. Cada um deve agir no melhor sentido criticando a apresentando sugestões ou fazendo perguntas sobre aquilo que não compreende bem. Felizmente há pensadores e técnicos a cooperarem para uma civilização mais eficaz com soluções para problemas preocupantes. É, por exemplo, o caso de António Carvalho que publicou no Diário de Notícias o artigo "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais", para evitar os fogos florestais e combater com eficácia os que eventualmente surgirem. Precisamos de muitos cidadãos assim a contribuir para ser encontrada a melhor estratégia para o desejado progresso.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SERVIÇOS PÚBLICOS NÃO RESPEITAM UTENTES

Serviços públicos sem respeito pelos utentes
(Publicado no semanário O DIABO em 170808)

O cidadão portador do Cartão nº 03749056 7ZX5, residente em Runa precisou de ir a Lisboa no dia 13 de Julho de 2017. Habituado a usar de pontualidade, com o significado de «estar a horas», estava na estação da CP de Runa às 07h30 para tomar o comboio com paragem prevista no horário para as 08h13, com chegada prevista ao Rossio às 09H59.

O comboio chegou a Runa às 08h50 (com atraso de 37 minutos). Chegou ao Rossio às 10h57, isto é, cerca de 1 hora mais tarde do que que o previsto.

No regresso, o referido cidadão não conseguiu chegar a Sete Rios a tempo de tomar o comboio que passou às 16h44. E, como o comboio seguinte partia de Meleças às 18h35 teve de se deslocar para esta estação, tendo queimado cerca de duas horas no percurso e no cais e embarque, sem comodidade adequada a tão longa espera.

Os horários não estão de acordo com os interesses da generalidade dos utentes, com intervalos muito variáveis e, por vezes exagerados. Por outro lado, os planos feitos pelos cidadãos para os seus deslocamentos não podem ser elaborados com fiabilidade devido a atrasos frequentes na circulação dos trens.

Alguns comboios utilizados nesta linha (do Oeste) têm os vidros de tal maneira pintados que a sua opacidade não permite ver os nomes das estações em que vão parando, o que dificulta aos utentes sair na estação que lhes interessa. E não existe qualquer meio de comunicação a informar qual é «a próxima estação».

Na quinta-feira seguinte, dia 20, o comboio que seguia para Caldas da Raínha, devia, pelo horário parar às 7h10, mas apenas chegou às 7h35 (25 minutos de atraso). O que seguia para Meleças chegou a horas mas, na estação seguinte, Dois Portos, esteve parado mais de 20 minutos, o que se repercutiu num atraso desagradável na chegada ao Rossio.

E, no regresso a partir de Sete Rios que estava previsto no horário ser às 16h44 teve um atraso de 6 minutos, que foi sendo aumentado nos anúncios sonoros, para 10, 20, 27 e 30 minutos. A confusão gerada pelos anúncios, quase sobrepostos a outros, perturbou a atenção e o passageiro perdeu-o e teve que tomar outro comboio para Meleças, de onde partiu às 18h38, quase DUAS horas após ter comprado o bilhete.

No dia 27, o bilhete foi comprado em Sete Rios às 15H49. Às 17h05, depois de muita espera em Meleças, era hora de partir, mas os passageiros que aguardavam foram avisados por um funcionário da CP de que essa viagem não se ia realizar e que teríamos de esperar algum tempo pela seguinte. Às 18h36 o comboio iniciou a viagem, isto é, 2h47 após ter sido obtido o bilhete. As pessoas reclamavam e o funcionário respondia que a bilheteira já estava fechada e podiam entregar reclamação por escrito no dia seguinte. Alguns passageiros ligavam para casa a fim de informar do atraso da chegada, para não estarem preocupados.

Os responsáveis pela CP e os governantes responsáveis pela defesa dos cidadãos devem prestar a devida atenção aos casos referidos e a outros que possam contribuir para um melhor serviço a prestar aos cidadãos. Pensa-se que o investimento em tais medidas será recuperado pelo aumento de utentes atraídos pela maior comodidade deste meio de transporte que é menos poluente do que os rodoviários.

É urgente que as entidades responsáveis actuem eficazmente em defesa das populações do Oeste que precisam de utilizar esta linha. Tal como está a funcionar, É UMA VERGONHA.

António João Soares
1 de Agosto de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

EM QUE MÃOS ESTÁ O FUTURO DOS CIDADÃOS ?

Em que mãos está o futuro dos cidadãos?
(Publicado no semanário O DIABO em 170801)

Os burocratas que estão à frente de serviços e instituições públicas, do Governo, da AR e das autarquias parecem desconhecer «quase» totalmente As realidades nacionais que condicionam as vidas dos cidadãos. Vivem e actuam como boias em águas pouco turbulentas sem preparação para prever e resolver acontecimentos preocupantes e sem capacidade tomar decisões correctas e sustentáveis, mostrando ignorar a metodologia para a preparação da decisão a que me referi em O DIABO de 27 de Setembro de 2016 http://domirante.blogspot.pt/2016/09/preparar-decisao.html

A formação que a maioria obteve está eivada da «experiência» de jotinhas como está descrito, desde há mais de cinco anos, em «Carreira política», http://domirante.blogspot.pt/2012/07/carreira-politica.html, e não lhes permite agir com racionalidade e pragmatismo, perante situações graves, limitando-se a ganhar tempo, a proferir afirmações inócuas e inconsequentes e esperar que a crise amaine.

Isto tem sido constatado, até pelos menos atentos, nos incêndios florestais, nos «furtos» de armamento, nas falhas inoportunas do SIRESP, etc. As pessoas nomeadas para funções que exigem adequada preparação, competência, sentido de responsabilidade e dedicação ao serviço público são, muitas vezes, resultado de amiguismo, cumplicidade e conivência nas «brincadeiras» partidárias, em vez de serem escolhidas por concurso público ou por cuidadosa escolha com fundamento em experiência e resultados de trabalhos realizados, comprovativo de competência no âmbito da função a desempenhar.

Os resultados de tal compadrio estão bem à vista. Não se cultiva o gosto pela excelência da forma de realizar as tarefas nem pela criação de uma imagem com boa qualificação em resultado do trabalho feito. Daí que seja frequente ouvir-se que os boys querem ir para tachos em que em que possam enriquecer muito, em curto prazo e por qualquer forma. Para isso, a sabujice ao chefe pode estar mais à mão do que a ostentação do seu bom serviço e a perfeição das tarefas realizadas.

Para concluir, duas reflexões acerca de notícias lidas no dia 19/7.

Os fogos florestais continuam, como as notícias têm mostrado, nos distritos de Viseu, Guarda, Vila Real... Não estão a ser aplicadas as lições que deviam ter sido aprendidas com o caso, tão badalado, de PEDRÓGÃO GRANDE. Que espécie de conteúdo têm no crânio os responsáveis pela protecção civil, pela Natureza do País, principalmente pela floresta e pela segurança das pessoas e dos seus haveres. Consta que já, há anos, fizeram lei para garantir a protecção da floresta contra incêndios. Que tipo de lei? Porque não a cumprem nem a fazem cumprir? Porque razão continuamos sem a Guarda Florestal e sem os cantoneiros?

A Liga de Bombeiros e Protecção Civil não se entendem, não querendo a primeira ser comandada pela segunda. Perante isto, o Governo deve averiguar os motivos das divergências, ouvindo as duas partes, analisando as suas estruturas organizativas, as regras de procedimentos e , principalmente, os critérios que levaram às nomeações dos respectivos quadros. Talvez tenha sido dada prioridade a boys sem experiência nem formação adequada aos objectivos de cada instituição, os quais não podem deixar de ser convergentes para os interesses dos cidadãos de Portugal.

António João Soares
25 de Julho de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA

Os cães ladram e a caravana passa
(Publicado no semanário O DIABO em 170725)

No meio das múltiplas notícias sobre a tensão crescente entre a Coreia do Norte e os EUA recordei o aforismo dos tempos de criança «os cães ladram e a caravana passa». É desconcertante a atitude infantil do líder da Coreia do Norte ao querer trepar para um patamar que o coloque ao nível do presidente dos EUA. E é demasiado traquina ao ponto de não recuar ao ver o porta-aviões e a sua esquadra perto da costa. Mas também é pouco racional a atitude dos EUA de se mostrarem preocupados com a traquinice renitente de Kim Jong-Un que, por enquanto, não causou danos pessoais nem materiais.

Ter mísseis não é crime. É, apenas, a imitação de variados Estados que, como como a Coreia do Norte, são membros das Nações Unidas, que é considerada uma Instituição Internacional defensora das relações internacionais democráticas. Ter armas nucleares também não consta que seja crime e o exemplo vem dos próprios EUA, os quais já a utilizaram causando resultados catastróficos no Japão. É certo que o Conselho de Segurança tem imposto restrições a pequenos países a quem não concede os direitos que os cinco grandes – com assento permanente e direito de veto – usam ostensivamente e de forma nada democrática, considerando-os exclusivamente seus.

Mesmo que a Coreia do Norte, numa das suas experiências, por erro de pontaria, provoque alguns danos, não será original face aos estragos feitos pelos EUA em diversos pontos do globo em territórios de estados soberanos, como Iraque, Líbia, Síria, etc. Mas, se e quando houver tais danos provocados pela Coreia do Norte, então já é motivo para a resposta dura que está sendo prometida, ameaçadoramente, por Trump.

Mas é imperioso que seja seguida, com sensatez e inteligência, a sugestão da China e da Rússia de procurar por conversações, diálogo e outros efeitos da diplomacia, terminar a tensão existente e procurar uma convivência pacífica entre os Estados e que deixe de haver «miúdos traquinas a fazer e prometer perrices» só para irritar o graúdo. E um outro aforismo antigo diz «cão que ladra não morde» e aplica-se a ambos os lados das contendas de crianças.

Mas o norte-coreano tem obtido êxito com as suas traquinices levando a comunicação que temos a dar-lhe nome e imagem muito acima do valor e poder do seu pequeno país. Porém, apresar de tudo, convém não exagerar na escalada de ameaças verbais, para não correr o risco de ultrapassar a linha limite da paciência de uma das partes, principalmente da mais forte.

A propósito desta escalada de provocações, um recente artigo de opinião do principal jornal norte-coreano, o Rodong Sinmun, dizia que "os Estados Unidos afirmam que vão enviar de forma regular bombardeiros estratégicos para a península da Coreia, um acto tão disparatado como voltar a atear fogo em cima de um depósito de munições". Seria mais prudente que de ambos os lados, houvesse contenção e fossem desenvolvidos gestos significativos de desejos de harmonia e convivência pacífica, em condições serenamente definidas. Quem teria mais a ganhar seria, logicamente, o menos forte e, na sequência, toda a humanidade, por desaparecer este foco infeccioso qua ameaça graves perigos para o planeta.

António João Soares
Em 18 de Julho de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.