terça-feira, 10 de outubro de 2017

O DINHEIRO COMO PRODUTO TÓXICO


O dinheiro como produto tóxico
(Publicado no semanário O DIABO em 10 de Outubro de 2017)

A notícia «Rússia destrói hoje últimas reservas de armas químicas», faz pensar na conveniência para a harmonia mundial, da eliminação de armas químicas, biológicas, nucleares, de hidrogénio e outras de grande poder destruidor.

Mas é imperioso que o Conselho de Segurança da ONU encare com seriedade o problema, a fim de adoptar uma solução democraticamente correcta. Essa solução terá que encarar a situação dos cinco «donos» do Conselho de Segurança da ONU que, em vez de se limitarem a impor a proibição de fabrico de armas nucleares e outras de grande poder letal e de destruição aos países mais pequenos, devem defender a igualdade de direitos de todos os parceiros da ONU e darem o exemplo, destruindo todas as armas com tal poder de destruição que possuem.

E para haver a certeza de que não haverá aldrabice, devem criar uma comissão a organizar por pequenos Estados, com liberdade de se deslocar a qualquer local, para verificar a ausência de qualquer arma do género. Dessa forma, haverá autoridade para, depois, condenar severamente um Estado que montar uma arma de elevados efeitos letais, como, por exemplo, a Coreia Do Norte e o Irão ou outros. E tal medida prestigia a ONU e torna-a merecedora de respeito a nível mundial.

E também no Conselho de Segurança não deve haver estados com assento permanente e com poder de veto, porque isso não se enquadra nas características democráticas de que todos parecem querer mostrar-se paladinos. Seria um grande passo para a harmonia internacional e para o prestígio da ONU.

Numa conversa sobre este tema, foi dito que a Rússia destrói as armas químicas não a pensar na humanidade, mas apenas na segurança da sua população devido ao risco de problemas com essas armas sujeitas a acidentes com explosões acidentais ou com fugas de produtos tóxicos.

Mas a proibição de armazenamento e de utilização de armas, muito ou pouco potentes é solução que desagrada aos fabricantes – o complexo industrial militar - os quais são impulsionadores, para não dizer decisores, de novas guerras, guerrilhas ou acções terroristas, por isso lhes dar lucros substanciais.

Já Eisenhower alertava para o facto de o «complexo industrial militar, ávido de dinheiro, estar interessado em não parar as suas fábricas e, por isso lhes facilitar pressionar governos, etc, para guerras frequentes, senão permanentes. Recordemos que a invasão do Iraque, iniciada em 20 de Março de 2003, foi «justificada» com o pretexto de ir desactivar armas nucleares na posse de Saddam Hussein. Após a invasão, instigada pelos fabricantes de armamento, nada foi encontrado daquilo que tinha sido alegado e anunciado. Mas o Iraque, passados mais de 14 anos, ainda não passou a viver em paz, com as populações a sofrer duros incómodos daí resultantes.

Esse apego da grande indústria ao dinheiro condiciona as políticas e a vida das pessoas criando mais pobres e explorados. Por exemplo, quanto à indústria farmacêutica, o Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia que ela, obedece ao sistema capitalista, preterindo os benefícios económicos à Saúde, tendo travado o progresso científico para a cura de doenças, porque esta não é tão rentável quanto a cronicidade. Em vez de um medicamento que cura em poucos dias, dão preferência aos que não curam totalmente, apenas fazem sentir melhoras que desaparecem quando se deixa de tomar a medicação, o que permite sacar dinheiro às pessoas, em continuidade até ao fim da vida.

O dinheiro é realmente um produto tóxico, grande inimigo da democracia e da justiça social.

António João Soares
3 de Outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ATAQUES À FACADA

Ataques à facada Nos tempos mais recentes, o terrorismo internacional, tem sido praticado, em vários casos, com arma branca, esfaqueamento. Em Portugal já tem havido alguns casos desse tipo. Haverá ligação com o terrorismo internacional? Convém averiguar e, em caso de dúvida, iniciar medidas preventivas, e ter o cuidado de  evitar demasiada publicidade para não se fazer propaganda ao terrorismo internacional e não ampliar os efeitos psicológicos e sociais que ele pretende:

Notícia de 8 de Novembro de 2015 diz que Um homem com 50 anos foi esfaqueado esta madrugada, numa residência na Rua António Lino, na freguesia de Creixomil.

Notícia de 17 de Fevereiro de 2017 diz que Homem de 26 anos esfaqueado em Sesimbra ficou em estado grave

Notícia de 28 de Fevereiro diz que um homem de 26 anos sofreu ferimentos graves depois de ter sido esfaqueado no abdómen, em Sesimbra, no distrito de Setúbal, estando identificados quatro suspeitos da agressão.

Notícia de 16 de Maio diz que homem esfaqueado em Santa Maria da Feira está estável no hospital.

Notícia de 13 de Setembro diz que um homem de 44 anos morreu e outro, de 38, ficou ferido na sequência de um crime que ocorreu na madrugada desta quarta-feira, em Lisboa. Os indivíduos, ao que o DN apurou junto da Polícia Judiciária, são naturais do Nepal. Os dois homens esfaqueados são irmãos.

Notícia de 5 de Outubro diz que um jovem de 18 anos, estudante universitário, foi esfaqueado na madrugada desta quinta-feira perto da Faculdade de Economia do Porto.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

MORTES NAS ESTRADAS

Mortes nas estradas
(Publicado no semanário O DIABO em 3 de Outubro de 2017)

Felicito o professor Isaías Afonso por, no DIABO de 19 de Setembro, ter dedicado metade do seu Interessante artigo à persistente «Guerra» nas nossas estradas que está sendo mais mortífera do que foi a guerra em África que durou 13 anos. Mas uma explicação a esta crise continuada foi agora dada pelo facto de a desejada reactivação Protecção Civil ter servido para a encher de boys ao serviço dos seus interesses pessoais e do partido mas sem a mínima preparação nem vocação para o desempenho de funções de organização e condução das actividades de protecção civil, tanto no campo da prevenção como da solução de crises em curso. Não foram para lá para benefício da Instituição nem para a segurança dos portugueses, foram para um tacho em que iam receber gorda remuneração.

Quanto ao morticínio das estradas não é apenas a actuação dos condutores que necessita de atenção. É a própria condição das estradas que tem sido muito degradada nos anos recentes. Entre 1945 e 1952 percorri diariamente, a pé, nos dois sentidos, excepto em tempo de férias, os 6 Km entre a minha aldeia e a cidade onde se situava o Liceu. Era um Km de estrada municipal em macadame e 5 Km em estrada nacional de alcatrão. Nunca fui vítima de acidente nem sofri qualquer susto. É certo que nesse tempo o trânsito era menos intenso, mas havia espaço para os peões circularem em segurança, ao lado da estrada sem necessidade de pisar o alcatrão. Para fora deste, havia uma faixa empedrada com perto de meio metro de largura e do lado de fora um espaço em terra e a valeta, tudo bem cuidado por cantoneiros cuidadosos.

Há poucos anos, numa das visitas que fiz à família, tive a curiosidade de relembrar essas minhas viagens diárias e fiz o mesmo percurso a pé. Fui sempre com o coração nas mãos. O alcatrão foi estendido até ao mato que cresce espontaneamente logo a seguir, sem o mínimo cuidado, por não haver cantoneiros. Fui sempre pelo lado esquerdo, para poder ver os carros e desviar-me para o mato, à sua passagem. Não podia ir sempre fora do alcatrão por não ser fácil o corta-mato, mas durante a maior extensão tive que adoptar mesmo essa solução, para mais garantia de evitar ser esmagado. Consegui coragem para chegar ao fim e regressar em autocarro. Mas jurei não repetir tal tarefa épica. E compreendi que, hoje, ninguém tente viajar de igual forma.

Hoje é mesmo muito perigoso atravessar a estrada nacional que passa pelo meio de uma povoação e mesmo a deslocação à casa do vizinho do lado, exige cuidados especiais, embora já haja um risco branco que deixa uma estreita faixa, ele está tão desgastado que mostra bem que os carros não o respeitam. O alcatrão começa colado à parede das propriedades de um e do outro lado da estrada, sem nada a servir de passeio aos peões.

Esta degradação das estradas, parece sinal de que nos respectivos serviços estão muitos boys sem o mínimo sentido de responsabilidade e, como o tacho é bem remunerado, deslocam-se em automóvel próprio ou do serviço e não fazem a mínima ideia de criar condições para os peões que, por não terem carro, têm de se deslocar a pé. Nem os governantes que passam o tempo em Lisboa, nem os autarcas que queimam o tempo nas sedes da autarquia, conhecem as particularidades do terreno nem da vida das pessoas mais simples de Portugal. E, assim as estradas, os rios e as florestas estão sujeitas a condicionamentos que por vezes se tornam dramáticos. Quando passarão a ser escolhidas pessoas capazes para os diversos serviços da administração pública?

António João Soares
26 de Setembro de 2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ABUSOS DO «POLITICAMENTE CORRECTO»

Abuso do «politicamente correcto»
(Publicado no semanário O DIABO em 26 de Setembro de 2017)

Um chefe, no desempenho das suas funções, deve ter, permanentemente, a preocupação de pensar e agir conforme a sua missão, a finalidade das suas atribuições e o seu merecimento da confiança e dedicação das pessoas que com ele colaboram no êxito da sua actividade. O tratamento do pessoal deve levá-lo a seguir o caminho mais adequado por forma a constituir, com eficiência e interesse, uma ferramenta essencial no sucesso a obter. Isto aplica-se, com maior ou menor rigor, em todas as empresas e instituições, desde as mais simples e rudimentares até ao governo de uma Nação.

Nesta época em que se aproximam eleições, vemos que, a coberto do mítico «politicamente correcto», as pessoas, cidadãos eleitores, estão a ser consideradas como coisas, ou ovelhas de um rebanho que são iludidas de maneira a seguirem um caminho que não lhes é explicado com verdade, realismo e lógica, e acabarem por ser vítimas de propaganda de vendedor de banha de cobra.

Não foi por acaso a coincidência de vários escritos vindos a público no semanário O DIABO de 12 do corrente terem abordado este tema segundo diversos ângulos de visão. São curiosos títulos como «as pessoas estão fartas de políticos», «Governo trabalha para os votos e não para reformar o País», «CNE puxa as orelhas a Medina», «onde estão os donativos de Pedrógão?», «um Exército em colapso-um País em colapso», etc. De todos eles se extraem conclusões que justificam o título dado a este texto. O mesmo se passa com a notícia «já há 405 queixas por causa das autárquicas. Só numa semana entraram mais 58». Até quando continuará este estado de coisas, à margem dos cidadãos e à custa do dinheiro que lhes é retirado por mil e uma maneiras (impostos, taxas e taxinhas).

Glosando um dito antigo, nem há moralidade e muitos não comem. E faltam qualidades de chefia a muitos ocupantes de cadeiras do Poder. Eles não conhecem nem se interessam em conhecer as condições daqueles que dependem das suas decisões. Não lhes conhecem as necessidades, nem os gostos, nem os seus interesses legítimos e tomam decisões que nunca teriam vida se os assuntos fossem submetidos a referendo popular, como parece dever ser norma de regime democrático. É certo que muitas das normas decididas não necessitariam de referendo se houvesse da parte do alto responsável um bom conhecimento das realidades e dos condicionamentos da vida daqueles que são por elas afectados.

Os factos reais que proporcionam as referências encontradas nos textos citados e em muitos outros que têm aparecido na comunicação social, devem merecer toda a atenção dos governantes por forma a estes prepararem reformas que conduzam à melhoria da vida real. Os assuntos devem ser analisados, estudados meticulosamente, com procura de soluções possíveis das quais se escolhe a melhor e, depois, decidir reformas e reorganizações que conduzam a melhorias da economia e da vida nacional (dos cidadãos). Estas melhorias não surgem com palavras fantasiosas de promessas inconsistentes e sem serem apoiadas por verdadeira vontade de realização.

E, quanto a promessas, não há qualquer interesse em divulgar, antecipadamente, ideias ainda em esboço como o caso da mudança do aeroporto de Lisboa para a Ota, ou a criação de um caminho de ferro moderno entre Lisboa e Elvas. Gastou-se em estudos e em hipotéticos contractos, criando esperanças que não tiveram seguimento, até porque os «estudos» feitos não eram estudos propriamente ditos mas, apenas, textos ilusórios feitos por amadores ou ilusionistas ao serviço de caprichos de governantes.

António João Soares
19 de Setembro de 2017

VISITA DE VERDADEIRO AMIGO

Embora não seja do meu feitio, modesto e humilde, expor-me nos palcos da vaidade, tenho de reconhecer a atitude deste meu Amigo, de espécie muito rara actualmente, e que constitui um exemplo, um modelo, que materializa os meus ideais de civismo, ética, respeito e amizade. Dos muitos que, há muito mais tempo, me declaram amizade, poucos se deram ao «sacrifício» de virem animar-me no isolamento anímico em que me encontro. Ver em
http://jose-pires-um-ser-livre.blogspot.pt/2017/09/coronel-antonio-joao-soares.html

Caro Zé, é natural que haja quem diga mal de mim. Jesus pregava os ideiais que defendo e, por isso, não agradou a todos. O facto de ter aceite o convite, há pouco mais de um ano, para escrever em = DIABO não significa os títulos de maldizentes a chamar-me fascista ou nazista.Mantenho me fiel aos valores que defendi no inícío da minha actividae na Internet como se pode ver na definição que fiz de mim ao abrir o primeiro blog e que se pode ver na sua primeira página. Ao iniciar a colaboração em O DIABO, que me serve de ocupação do espírito e me estimula o cérebro a continuar avtivo, publiquei a minha maneira de estar na vida em relação à política:

http://domirante.blogspot.pt/2016/10/amar-portugal-sem-submissao-partido.html

http://domirante.blogspot.pt/2016/10/democracia-ou-ditadura.html

http://domirante.blogspot.pt/2016/09/como-aproveitar-passagem-pela-oposicao.html

http://domirante.blogspot.pt/2016/10/e-necessaria-lideranca-e-coragem-para.html

http://domirante.blogspot.pt/2016/11/a-paz-e-o-bem-maior.html

http://domirante.blogspot.pt/2016/11/refugiados-solidariedade-e-respeito.html

E algumas dezenas mais em defesa da ética, da solidariedade, da paz, da sensiblidade para os problemas que afectam as pessoas e para a construção de um futuro melhor.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

AS «MOSCAS» E O MAL SOCIAL

As «moscas» e o mal social
(Publicado no semanário O DIABO em 19 de Setembro de 2017)

Dos seis que estavam à mesa, o P. sentiu-se incomodado com uma mosca e virou-se para mim a sugerir que escrevesse sobre as moscas. Não dei resposta, mas continuei atento às queixas que passaram para a degradação do civismo e da ética de que a sociedade está a padecer. O A. Saiu-se com mais uma citação bíblica dizendo que a isso não podemos dar remédio, porque o mal é obra do diabo. E disse também que Portugal é um país geométrico, com território de forma rectangular, com problemas bicudos analisados em mesa redonda por bestas quadradas. E certamente não atribui ao diabo esta faceta.

Parece que a humanidade, isto é, cada um, deve deixar de culpar o diabo e fazer tudo o que puder para recuperar os valores que estão a ficar debilitados. Sendo elemento da humanidade, uma pessoa não tem o direito de ficar sentada à espera que os outros lhe tragam de presente a solução de um problema que também é dela. A solução não é ser indiferente e atribuir culpas ao diabo. E, quanto às «moscas», elas são estimuladas a procurar alimento e procuram-no onde ele possa existir. Na sociedade há acomodação, apatia, preguiça, para afastar aquilo que as «moscas» procuram e, assim, permite que a degradação social progrida para o abismo, não pela força do diabo mas por desinteresse da humanidade. Esta vive acomodada e submete-se docilmente à propaganda da mentira, das promessas falaciosas que nada de bom lhe trarão, mas as «moscas», atraídas por tal ambiente fecal, continuam a manobrar uma estratégia que dificulta a procura da verdade e a busca de informação correcta sobre a realidade.

Felizmente, nem toda a gente é ingénua, ignorante e apática e, por exemplo, estas manobras estão bem explicadas por Henrique Neto no artigo à procura da verdade» em O DIABO e também por António Barreto que as refere no artigo «segredo de injustiça», no Diário de Notícias.

Mas há soluções para quase tudo o que depende da acção do homem. Este, como partícula estruturante da humanidade, é autor das degradações de que esta sofre e que poderão ser ultrapassadas se os comportamentos individuais passarem a ser mais correctos, racionais e sensatos. Quando tanto se fala das virtudes da democracia, e se atribui tal responsabilidade aos seres humanos, há que exigir um esforço para que todos tenham acesso à boa informação, por forma a procurarem a verdade e não se deixarem levar pelo conto do vigário ou de vendedores de banha de cobra mas, prelo contrário dêm a sua colaboração e participação para o bem comum.

Ninguém tem o direito de ficar sentado à espera que outros lhe tragam o resultado da recuperação de valores que andam esquecidos. Cada um deve agir no melhor sentido, criticando a apresentando sugestões ou fazendo perguntas sobre aquilo que não compreende bem. Felizmente, há pensadores e técnicos a cooperarem para uma civilização mais eficaz com soluções para problemas preocupantes. É, por exemplo, o caso de António Carvalho que publicou no Diário de Notícias o artigo "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais", para evitar os fogos florestais e combater com eficácia os que eventualmente surgirem. Precisamos de muitos cidadãos assim a contribuir para ser encontrada a melhor estratégia para o desejado progresso. Onde todos ajudam, as coisas apresentam-se mais fáceis.

António João Soares
12 de Setembro de 2017