terça-feira, 16 de outubro de 2018

ALERGIA AOS MILITARES

Alergia aos militares
(Publicada no Semanário O DIABO em 16 de Outubro de 2018)

Há notícias públicas de que o Hospital das Forças Armadas sofre degradação das instalações, de várias carências sendo, agora, as mais indesejáveis relacionadas com o sistema de água quente e com o funcionamento da cozinha. O hospital deve obedecer a normas legais, mas não tem condições para tal, estando em incumprimento. Já em Julho de 2016 foi transmitida ao Presidente da República, em visita que ali fez, a necessidade de obras diversas, para o que deviam ser libertas verbas cativas. As diabólicas cativações! Isto vem juntar-se às carências das Forças Armadas quanto a equipamentos militares, desde a espingarda automática a armas pesadas e viaturas de combate.

A ausência de preocupação de órgãos do Governo não admira, ao ver o desprezo tido para com os militares bem visível no desrespeito pela dignidade e alto significado das guardas de honra. Há tempos, o Ministro da Defesa passou revista a uma GH sem gravata, com a camisa desabotoada e, mais recentemente o PM repetiu esse desacato na chegada a Luanda, tendo passado revista a uma Guarda de Honra, sem gravata, camisa desapertada, calças de ganga e mocassins, ao lado de um governante local dignamente apresentado. E estas ‘gaffes’ protocolares foram cometidas perante militares que, como é regulamentar, estavam rigorosamente uniformizados, formados disciplinadamente, fazendo o manejo de arma regulamentar, com postura correcta, compenetrados do momento cerimonioso.

Li, há tempos, que os políticos detestam os militares, tal como uma dona de casa desprovida de beleza evita contratar uma empregada com formosura, a fim de, quando juntas, não se sujeitar a comparações que lhe sejam desfavoráveis.

Essa imagem parece real ao vermos as atitudes reincidentes dos políticos. Conta-se que o CEME, na sequência da polémica acerca de problemas com alunos do Colégio Militar, pensou pedir a demissão do cargo e que repetiu essa disposição, quando da confusão do roubo de material de guerra em Tancos e, mais recentemente, do problema da demissão do comandante do Regimento de Comandos. Mas a sua disponibilidade para aceitar a sua substituição foi rejeitada pelo PM, que gostou de continuar com a sua colaboração por ser um general progressista!

Nisto recordamos uma frase antiga mas adaptada à realidade nacional actual: “se os não puderes vencer, junta-os a ti” E, assim, as Forças Armadas estão a ser progressivamente destituídas do prestígio e da aura de que sempre usufruíram desde o tempo do Condestável Nuno Álvares Pereira, e a transformar-se numa coisa desprezível e incómoda sem independência para a sua organização, disciplina e justiça, com generais promovidos por critérios políticos, em vez de o serem por decisão do Conselho Superior do Ramo, bem como a escolha para funções de responsabilidade, com base na confiança política em vez do critério de valor militar.

E, desta forma, as Forças Armadas, em vez da sua ética patriótica de defender Portugal, acima de tudo, mesmo com sacrifício da própria vida, seguem uma tendência degradante de se sujeitar ao “politicamente correcto”. Com governos eivados de tais preconceitos, Portugal não pode ir longe e não pode esperar eficiência de umas Forças Armadas sem dedicação total da parte do seu pessoal, por ele se sentir desprezado pelos governantes.

E, apesar deste desmazelo e degradação nacional, ouvem-se repetidamente os despropositados slogans do PR “nós somos os melhores do mundo”. Das primeiras vezes em que este apelo à valorização dos portugueses foi pronunciado talvez tenha tido algum efeito mas, agora, dá para rir e esquecer. A fase em que estamos da degradação nacional já não se atenua com palavras, sendo indispensáveis acções bem preparadas e reformas estruturais bem estudadas e aplicadas com rigor. ■

António João Soares
9 de Outubro de 2018


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

PROCESSO «MARQUÊS»


Transcrição de post do Blog Blasfêmeas
Ivo Rosa, o Juiz “Arquivador”
https://blasfemias.net/2018/09/29/ivo-rosa-o-juiz-arquivador/
29 Setembro 2018, por Cristina Miranda

Há meses foi-me dito em mensagem privada, que o Juiz Carlos Alexandre e a Procuradora Joana Marques Vidal iriam ser afastados dos processos que envolvem Sócrates e outros. Nessa altura, como o faço sempre, coloquei em dúvida essa possibilidade pela importância que estes processos têm e que, ao mudar de mãos, sem justificação plausível, iria destruir por completo a credibilidade da justiça portuguesa aos olhos da sociedade nacional e internacional. Ontem, ficamos a saber que afinal havia mesmo um plano e a última peça do xadrez foi jogada para xeque-mate! Tiro o chapéu!

O afastamento de Joana Marques Vidal foi por culpa do Presidente da República que jamais imaginaria ver colocar os interesses da Nação no caixote do lixo ao aliar-se a Costa nesta decisão. Agora, para a nomeação de um novo juiz, foi um sorteio electrónico para duas pessoas apenas, completamente viciado, onde só à quarta tentativa deixou de dar “erro”. É claro que o português comum e pouco informado não deu pela pirataria. Não sabe que basta colocar um algoritmo que rejeite o nome que não se pretende, sinalizando-o como “erro”, para assegurar o resultado pretendido. Não entende que não foram erros mas, sim, 4 tentativas para obter o que desejavam. O que eles não previram foi que por TRÊS VEZES o computador escolhesse o nome de Carlos Alexandre e por isso houve uma sucessão escandalosa de “erros” que não o foram e com os quais ficaram desmascarados. Este programa informático devia ser imediatamente investigado sem demoras! Ficou clarinho a movimentação tentacular que já vem de trás para safar o peixe graúdo entalado e bem, nas malhas da justiça.

Que nos espera então esta nomeação de um juiz que por ironia tem o apelido “rosa”? Bem, não é preciso pesquisar muito para saber. Este senhor já vem com um largo currículo de “safanços” de suspeitos de corrupção. Pois é. Conhecido por não gostar de apoiar as teses incriminatórias do MP sobretudo quando dizem respeito a caça grossa, Ivo Rosa ilibou 18 dos arguidos da “Operação Zeus”, processo relacionado com a corrupção nas messes da Força Aérea. No caso EDP retirou a Manuel Pinho o estatuto de arguido mesmo com todas as evidências e suspeitas impedindo ainda que a PJ fizesse buscas nas suas casas e ainda tivesse acesso às suas contas e movimentos bancários, por entender não haver indícios mínimos de corrupção sem, no entanto, permitir a investigação esmiuçada para tirar as dúvidas. Ainda no caso das rendas da EDP, foi este mesmo juiz que impediu também o acesso às contas bancárias de António Mexia e Manso Neto, o que levou procuradores a pedir o seu afastamento do processo acusando-o de parcialidade. Mas não ficamos por aqui: Ivo Rosa num processo em que a TAP era suspeita de lavar dinheiro de figuras da elite angolana, decidiu não levar nenhum dos suspeitos a julgamento destruindo todo um trabalho de investigação do DCIAP. Mas calma, ainda há mais: este juiz, no caso do Gangue do Multibanco, um grupo de violentos criminosos responsáveis por mais de 100 assaltos e outros crimes graves, libertou 11 dos 12 membros. Valeu-nos o recurso do MP para um tribunal superior que reverteu por completo esta decisão e onde todos os arguidos acabaram por ser condenados a duras penas.

Por isso os advogados de Sócrates batem palmas! Por isso figuras do PS estão em êxtase! O juiz que mais safou gente ficou com o Processo Marquês. Dúvidas?

Eu não, não tenho depois do que vi ontem. Só certezas. A certeza que vamos regredir aos tempos de Pinto Monteiro e Cândida Almeida, que não viam corrupção em Portugal só “bons rapazes”.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

PRAXE ACADÉMICA

Praxe civilizada
(Publicada no Semanário O DIABO em 9 de Outubro de 2018)

Têm surgido notícias pouco agradáveis da praxe académica em Coimbra e em Évora em que os caloiros são menosprezados, talvez como vingança das praxes sofridas em anos anteriores, pelos seus colegas mais antigos. E assim, com esta mentalidade de retaliação, se mantém a degradação da imagem dos homens e mulheres de amanhã, alguns destinados a cargos em que devem tornar-se merecedores de respeito e admiração da generalidade da população.

Por outro lado, em Coimbra aparece uma ideia de usar a praxe para melhorar a adaptação e inserção dos caloiros. Essa evolução tornará a praxe útil para incentivar os caloiros a um relacionamento saudável e construtivo com os colegas mais experientes, com vista a serem melhores utilizadores das bibliotecas e arquivos, por forma a tornarem-se melhores alunos e posteriores investigadores, cientistas e professores, enriquecedores dos valores culturais nacionais. E, ao mesmo tempo, aprenderem a cultivar a solidariedade para com os outros, porque a felicidade de cada um de nós depende, em grande parte, daquela que ajudarmos a criar nos outros, à nossa volta.

Nas condições tradicionais, a praxe não ajuda ninguém e apenas contribui para que no próximo ano seja ainda mais degradada e geradora de ódios e outros sentimentos rejeitáveis, e para gerar técnicos com deficiente preparação humanista e de convivência.

A propósito da preparação dos jovens oriundos da Universidade, recordo um caso que, há alguns anos, me chocou, quando eu ainda perdia tempo a ver TV. Um programa, com intenções culturais, constava de colocar uma pergunta ao candidato previamente inscrito que ansiava ganhar o prémio anunciado. Neste caso, o candidato era uma jovem que se descreveu como finalista de Direito que desejava fazer o doutoramento e vir a ser catedrática. Com esta definição, à partida, esperava-se que a sua cabeça, bem recheada de sabedoria, lhe garantisse o prémio que desejava. A pergunta era “qual é o rio que passa pela cidade de Leiria, Tejo, Lis ou Ave?”. O conteúdo do seu cérebro teve oportunidade para brilhar, até porque o assunto estava ao alcance de qualquer miúdo com a instrução primária em que se aprendiam os rios de Portugal, os seus afluentes e o seu curso desde a nascente à foz. A candidata hesitou e timidamente optou pelo Tejo. O apresentador do programa tentou ajudar e, entre outras coisas, disse que o Tejo passa por Santarém e Lisboa e, ao ver que ela continuava distante da resposta certa, perguntou se alguma vez tinha ido a Leiria, ao que ela respondeu que tinha passado por lá, provavelmente pela auto-estrada. Depois de outras tentativas de ajuda, ela confirmou a resposta definitiva: Tejo.

Contra esta descuidada preparação da juventude, de onde sairão as pessoas de amanhã de quem o Estado espera as mais correctas acções, úteis e oportunas, para o máximo desenvolvimento económico, social e cultural, pergunta-se quais são as medidas previstas pelo Governo através do Ministério da Educação? Se nada for deito, de forma eficaz, o futuro dos cidadãos fica condenado à mais dramática degradação.

Uma sugestão para valorizar a praxe. O praxador, com base num trabalho que está a fazer ou que deseja vir a fazer, apresenta ao caloiro uma pergunta e exige que a resposta contenha referência das fontes consultadas. Isto pode vir a ser útil ao autor da pergunta, mas é, de certeza útil ao caloiro porque experimenta consultar as fontes adequadas, como enciclopédias, internet, etc. O praxador pode também servir-se de temas culturais diversos exigindo respostas imediatas ou alguma investigação. Deixo aqui esta ideia que seria conveniente para servir de estímulo a outras formas de fazer praxe com utilidade para o arranque da formação académica do caloiro que inicia uma vida nova. ■


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

COITADA DA RAPARIGA...




COITADA DA RAPARIGA
Blog Irritado de António Borges de Carvalho03.10.18

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA.
Winston Churchill


Imaginem uma jovem rapariguinha, qui, çá portadora de virginal inocência, que, por injustiças do mercado e do capitalismo de casino (como diriam o Alfredo Barroso, o Boaventura e a Catarina) se viu na contingência de ser obrigada a aceitar um emprego nos EUA como recepcionista de celebridades num cabaré, ou coisa do género, muito bem frequentada, pelo menos em termos de poder de compra.

Competia-lhe andar bem vestida, de postura algo provocatória, receber os visitantes com sorrisos marotos, beber copos com eles, dançar com eles de bochechinha encostada, dar-lhes carinho, confiança, levantar-lhe a self esteem, elogiar-lhes os feitos e a conta bancária. Isto sem que eu queira, ou saiba, a job description da pequena, a qual poderá ser mais vasta do que se presume.

Imaginem os sacrifícios que esta nobre e honrada representante do belo sexo fez, a sua permanente frustração, o ingente desgosto que a profissão lhe causava. Comovam-se com compreensão, amizade, indignação.

Mas há pior do que o acima dito. Olhe-se esta história inacreditável.

Um milionário sem escrúpulos convidou-a, depois de dançar e beber com ela horas a fio, para ir com ele até ao seu quarto de hotel, coisa de luxo, provida de jaccusi, de largas vistas sobre a cidade e de inesgotáveis facilities alcoólicas. É evidente que a nossa heroína não podia fazer ideia das malévolas e impuras intenções do canalha. Por isso, a fim de, inocentemente, desfrutar com ele das delícias do jaccusi, tratou de se despir, como mandam os bons costumes e a elegância de sentimentos. Pobre e iludida, a menina deu consigo com a erecta homenagem do fulano.

Assustada por não ter para onde fugir, até porque estava nua e seria impúdico, atirou-se de bruços para a cama, sem que lhe passasse pela incauta cabecinha que ele podia tirar proveito da situação. Mas começasse por dizer que não queria, acabou por ceder aos maléficos instintos do rapaz. Sem que ele, ó pecado!, tivesse a amabilidade de usar gabardine.

Depois de tão inenarrável acontecimento, a menina pensou, pensou, e acabou, envergonhadíssima, por ir fazer queixa à polícia. Que outra solução lhe restava, que lhe restituísse a honra retro-perdida, a paz de espírito e a confiança no futuro? Como a compreendo!

Encurtando razões, via advogados de renome, acabou por se ver obrigada a aceitar uns meros trezentos e tal mil dólares, valor à época tido por suficiente para colmatar a sua ânsia de reparação. Em troca, acabou por se comprometer a não dizer nada a ninguém, a fim de salvaguardar a sua impecável dignidade.

Passaram uns oito anos. Facto é que a agora impecável senhora se achou “frágil” e menos feliz, tudo por causa dessa insuportável nódoa do passado, que a perseguia, qual stress pós-traumático. Imagina-se os pesadelos que, diariamente, a assolavam. Assim, tendo a coragem de contar ao mundo a sua malograda história, e tendo em atenção que o milionário juntou, entretanto, mais uns milhões, tratou de fazer umas exigências, não se sabe ainda de que valor. A fim, é claro, de acabar com a “fragilidade” financeira, já que a psicológica deve ser inultrapassável.

Por todo o mundo espraia-se justa indignação, o homem está a contas com uma quebra ciclópica nos seus rendimentos, a nova moral lança sobre ele o seu anátema, o Direito verga, os jornais vendem.

Coitada da rapariga!


terça-feira, 2 de outubro de 2018

QUEM TORTO NASCE...



QUEM TORTO NASCE...
do blog Irritado (de António Borges de Carvalho)( 01.10.18)

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA.
Winston Churchill

PASSOS COELHO, apesar de ter ganho as eleições legislativas, não teve espaço parlamentar para que o seu partido fosse governo.

Mas foi capaz de muitas coisas importantes para a democracia, para o regime e para os cidadãos. Nas alterosas ondas da crise que a bancarrota socialista tinha causado - qual Lehman Brothrsr, qual carapuça! – Passos Coelho foi capaz de transformar o regime no que respeita à transparência e à verdade que é devida aos cidadãos, mesmo quando é feita de más notícias. Foi capaz de manter o estado social a funcionar, mostrando que não é só o dinheiro ou a sua falta o que conduz à eficácia (o estado “social” da saúde nos nossos dias prova-o à saciedade), o mesmo se podendo dizer em relação à educação que, em quatro anos, conheceu os que foram os seus melhores tempos - hoje totalmente destruídos em mares de trapalhadas. Foi capaz de “independentizar” a TV pública. Foi capaz de pôr a funcionar a PGR e de a tornar na única instância da Justiça com algum prestígio público – hoje em vias de extinção. Foi capaz de passar de uma fase de contracção económica para uma trajectória ascendente. Foi capaz de baixar o défice orçamental no triplo do que três anos de geringonça conseguiram. Foi capaz de pôr o desemprego no caminho da queda. Foi capaz de não ceder às exigências dos poderosos do tempo do PS.

Mas, politicamente funesta consequência de uma golpada parlamentar, viu outros aproveitar o caminho que tinha aberto, e usá-lo para engordar as clientelas e reforçar a omnipotência de um Estado hoje dominado por “elites pagãs” em relação à democracia liberal, num alarde propagandístico e enganador a cuja habituação, desgraçadamente, muita gente primariamente adere.

Hoje, que o poder instituído (PR+PM, com PS e comunistas) se reclama de inexistentes “princípios”, talvez não fosse mau recordar que o princípio histórico, realmente existente nos quarenta anos da III República quanto à formação dos governos, foi aniquilado por Costa, com o actual indefectível apoio de Marcelo.

Diz-se que quem torto nasce tarde ou nunca se endireita. Perante o que se passa, quem tenha dúvidas em relação ao popular dito, o melhor é tirar a cabeça da areia.



A DESNUCLEARIZAÇÃO E O CS DA ONU

A desnuclearização e o CS da ONU
(Publicada no Semanário O DIABO em 2 de Outubro de 2018)

A Coreia do Norte conseguiu fabricar mísseis balísticos e arma nuclear com capacidade para atingir qualquer ponto dos EUA, o que irritou o presidente Trump que a ameaçou e lhe aplicou sanções económicas ao ponto de o presidente Kim Jong-un se dispor a prometer destruições das suas instalações de fabrico dos referidos armamentos e concordar com um encontro que se realizou em 12 de Junho em Singapura e que terminou com um acordo, em condições vagas e com compromissos que ficaram fora do papel, em que se prevê a desnuclearização da península Coreana, e os dois países se comprometem com a “paz e prosperidade” na região.

Depois desse encontro, ambas as partes fizeram pequenos gestos, mas os seus desejos ainda não estão satisfeitos. A Coreia do Norte já desmantelou algumas instalações e declara-se disponível para desmantelar os equipamentos ainda existentes que podem ser utilizados para produzir arma nuclear mas, em troca, quer obter concessões adequadas da parte de Trump.

O problema reside em a Coreia ter violado a decisão do Conselho de Segurança (CS) da ONU para garantir a desnuclearização. Mas esta decisão é discutível, porque sendo a arma nuclear brutalmente destruidora é lógico que seja eliminada dos arsenais de todos os Estados, mas mesmo de todos. Ora quer Trump, quer Putin não mostraram intenção de dar o bom exemplo. Porquê esta discrepância de uns as poderem ter e outros não? Tudo resulta da estrutura e dos conceitos anti-democráticos do funcionamento do CS.

Com efeito, o Conselho de Segurança das Nações Unidas é um órgão da ONU cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. “É o único órgão do sistema internacional capaz de adoptar decisões obrigatórias para todos os membros da ONU, podendo inclusive autorizar intervenção militar para garantir a execução de suas resoluções”. Mas os 15 Estados membros do Conselho não são iguais em deveres e direitos, pois cinco deles são membros permanentes e com poder de veto. Portanto, qualquer decisão tem que ter a aprovação dos cinco poderosos, o que não é democrático. Assim, a decisão da desnuclearização, na prática dela resultante, não é “obrigatória para todos os membros da ONU” pois os cinco membros ignoram-na impunemente.

A Coreia e o Irão estão, actualmente sob pressão dos EUA, por quererem beneficiar da energia nuclear e os EUA, sem autoridade moral para isso, não querem que façam uso dela para o fabrico de armas. Ora se ela a desnuclearização é “obrigatória para todos os membros da ONU”, os “poderosos” devem começar por dar o exemplo, destruindo, de forma visível e testemunhada, todas as armas que possuem e, depois, criarem um sistema de supervisão e de penalização contra qualquer iniciativa de nuclearização.

Com tais abusos dos “donos” do CS, a ONU perde o direito ao respeito das pessoas e dos Estados e as suas decisões deixam de ter o acatamento que deviam merecer. Um Estado não pode dar-se ao luxo arrogante e prepotente de negar a outros aquilo que considera legal para si, a arma nuclear, e que mostra disposição de a utilizar contra quem o contrariar em qualquer dos seus caprichos.

O Mundo pacífico que é desejado pelas pessoas de boa fé exige que se respeitem as liberdades, os direitos de cada Estado, que todos, sem excepção, respeitem as decisões do CS e a sua qualidade de mais alta autoridade internacional, e que seja revisto o seu estatuto anacrónico que lhe retira credibilidade e se presta a abusos. Só com um estatuto lógico e respeitável, a ONU pode “zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional”, evitando conflitos e mediando negociações. ■

António João Soares
25 de Setembro de 2018

terça-feira, 25 de setembro de 2018

PORTUGAL EM PERIGO!

Portugal em perigo!
(Publicada no Semanário O DIABO em 25 de Setembro de 2018)

O perigo faz parte da vida e é preciso evitá-lo, principalmente, quando nos apercebemos das suas causas possíveis ou já conhecidas de situações ocorridas. Qualquer acção tem vantagens e inconvenientes e há que ter cuidado para evitar estes, tomando medidas preventivas e desenrolando os planos de acção da forma menos arriscada. Isto é: escolher, de entre todas as acções possíveis para atingir o objectivo, aquela que mostrar melhor índice de vantagens/inconvenientes.

Mas há perigos imprevistos que não podem ser evitados, e para os quais devemos estar preparados para, no momento, adoptar o comportamento mais adequado para reduzir os danos, como é o caso de inesperadas alterações meteorológicas, ou sismo, ou tufão, ou incêndio, etc. E, em assuntos sociais, há os perigos que se desenvolvem ao longo do tempo e, se não são encarados oportunamente, podem causar danos muito indesejáveis.

Um partido como, em maior escala, uma nação, não tem dono e todos devem ser incentivados a colaborar activamente na conquista de objectivos colectivos, destinados ao bem comum. Para isso, esses objectivos devem ser definidos após análise das estratégias a seguir, e auscultada, mesmo que discretamente, a opinião geral. E, assim as pessoas, tratadas com respeito pelas suas ideias, terão entusiasmo pela causa comum e dispõem-se a colaborar com eficiência no desempenho das tarefas indispensáveis para aquilo que é seu, para o seu objectivo.

Em democracia, os governantes e os líderes de partidos e de outras instituições de interesse público ou colectivo, ao serviço dos cidadãos, devem agir segundo a vontade destes com real espírito de equipa, sem jogos ocultos, e explicando ou dando contas dos seus actos. Desta forma, as pessoas sentem-se felizes e confiantes na preparação do seu futuro colectivo. Porque sentem a sua responsabilidade pelo que acontece. Imagine-se os efeitos desse espírito activo na prevenção de fogos florestais, na redução de acidentes rodoviários ou na segurança das localidades em que vivem.

Com tal interpretação do conceito de democracia, deixaria de haver tantos crimes contra os interesses das pessoas, como a corrupção, o desvio do dinheiro público, a violência, etc.

Mas, além dos perigos internos, há um perigo europeu que se está a desenvolver, desde há muito, mas que está a tornar-se mais visível com as actuais migrações. Já num artigo aqui publicado em 5-12-2017, referi o exemplo histórico da queda do Império Romano às mãos dos Godos que tinham entrado trinta anos antes no Império, como refugiados, depois de derrotados pelos Hunos. Mais recentemente, o Kosovo, que era uma província da Sérvia (com 84,5% de cristãos ortodoxos), foi infiltrado por albaneses (Albânia com 61,9% muçulmanos) e a chegada de grandes massas de gente com religião, tradições e costumes antagónicos, trouxe problemas sociais e de integração entre duas culturas diferentes. Os sérvios iam saindo da sua terra, fugindo ao caos que se foi instalando. O Kosovo, em 17 de Fevereiro de 2008, fez a segunda declaração de independência (a primeira, em 1990, fora reconhecida apenas pela Albânia). E, assim, a Albânia muçulmana conseguiu mais um Estado aliado.

A história mostra a repetição de situações que muitos esquecem, mas a queda do Império Romano e a islamização do Kosovo devem ser meditadas para melhor se interpretar o que está a acontecer na Europa. Uma conquista muçulmana não militar. Inicialmente, de supostos refugiados de guerras no Médio Oriente, que evoluiu para uma invasão organizada, premeditada, planeada e promovida pelos Estados super-ricos do Médio Oriente e, agora, de povos africanos, especialmente sub-saharianos, com vista à islamização da Europa.

As confrontações, violações, raptos e outros crimes praticados por imigrantes, têm criado muita insegurança em vários Estados europeus. A Europa está em perigo. ■


domingo, 23 de setembro de 2018

REFORMA ELEITORAL

Recebi este texto sem indicação da fonte e, como contém um tema de grande interesse, transcrevo a fim de ir ao conhecimento dos leitores deste blog

Reforma eleitoral
19 de Setembro às 11:54. Por Jorge Tavares

"A reforma eleitoral apresentada pela SEDES e pela Associação por uma Democracia de Qualidade (APDQ) obedece a um único programa: a Constituição. Mais concretamente, a proposta visa aplicar o sistema aberto pelo artigo 149.º, desde a revisão de 1997.
É só isso.

Lá está que importa assegurar o sistema de representação proporcional, pedra angular do sistema desde as constituintes de 1975. Lá estão os círculos plurinominais, elegendo vários deputados, como temos hoje. Mas, ao lado, lá estão também os círculos uninominais, elegendo um só deputado por cada. Onde é que estão, que não os vemos? Anunciados há 21 anos, onde estão esses círculos uninominais?

Lá está, ainda, a complementaridade entre plurinominais e uninominais. Para quê? Para, independentemente dos dois canais de eleição dos deputados, garantir sempre a representação proporcional pelo método de Hondt.

E lá está também (aqui, desde a revisão de 1989) a possibilidade de um círculo nacional, que pode melhorar a garantia da proporcionalidade parlamentar. E onde está ele, 30 anos passados sobre ter sido previsto?

Vinte anos à espera da reforma legislativa que a revisão constitucional abriu é tempo de mais. São mais de cinco legislaturas a marcar passo.
Por isso, a SEDES e a APDQ decidiram dar um novo pontapé de saída, com a determinação de concretizar as esperanças abertas pela Constituição.

A Conferência realizada no passado dia 12 de Setembro, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, serviu esse propósito, que será continuado, nas próximas semanas, com a apresentação de uma petição com o projecto de lei reformador.

Vamos recolher o apoio dos cidadãos, levar um texto legislativo à Assembleia.
Vamos mostrar que é possível dar sequência à Constituição – em vez de fazer de conta – e que é fácil e justo fazê-lo.


O QUE PODE ESCONDER UMA BURKA?

Se uma mulher elegante ocidental pode esconder tudo isto, o que pode ser escondido por quem usa burka?



INTERESSES NA SUBSTITUIÇÃO DA PGR?


terça-feira, 18 de setembro de 2018

POPULISMO


Não nos deixemos enganar por vendedores de banha de cobra e outras propagandas ilusórias.


QUEM ESPERA DESESPERA

Esperar até quando?
(Publicada no Semanário O DIABO em 18 de Setembro de 12018)

Segundo o que se vê, ouve e lê, há inúmeras deficiências em serviços públicos que tornam difícil a vida dos cidadãos vulgares, isto é, não ligados directamente aos detentores do Poder. É certo que se conhecem muitas promessas, algumas com prazos muito prolongados, e, de uma maneira geral, sem garantia que gere optimismo no cidadão contribuinte quanto à sua concretização e previsão de quando se verão resolvidas as deficiências mais preocupantes.

De uma maneira geral, algumas pessoas nem alimentam esperança de viver até verem cumpridas as promessas que, nesta data, vêm todas revestidas do “optimismo” político da desejada obtenção de bom resultado eleitoral.

Há quem se sinta movido a fazer um esforço para confiar que haverá concretização das promessas do PM quanto a serviços de saúde impecáveis, educação esmerada, salário mínimo igual ao europeu, creches espalhadas por todo o país, comboios pontuais e com horários bem cumpridos para benefício dos utentes, o desaparecimento da corrupção, etc. E quanto aos desvios do dinheiro oferecido, voluntariamente um e outro do erário, para reconstrução de casas de primeira ou única habitação, queimadas pelos incêndios do ano passado em Pedrógão grande, parece dependente de investigações tão lentas e adiadas que já parecem ter caído para o poço das imunidades e impunidades dos afilhados do regime.

As circunstâncias, no regime de partidocracia em que vivemos, podem levar pessoas, ocupando cargos de grande responsabilidade de, a cometer erros de difusão de promessas que “garantem” e “asseguram” mas que não são mais do que impulsos, caprichos, intenções, talvez porque a isso são levadas pela ansiedade de transmitir esperança, afecto, apoio espiritual e para colher melhor posição em sondagens ou actos eleitorais. Mas, como referi em artigo publicado em 18 de Outubro de 2016, não deve sair, precocemente, a público uma afirmação que prometa, assegure e garanta uma coisa que ainda não foi devidamente analisada e preparada para decisão, segundo metodologia semelhante à exposta em artigo de 27 de Setembro do mesmo ano. Sem tais cuidados de precaução e bom senso, pode criar-se uma aragem de descrédito que invalida posteriores intenções de informação considerada útil mas em que já ninguém acredita.

Convém evitar erros do timoneiro para a nau não ir dar à Costa, onde poderá encontrar-se com as confusões do Cabrito, as desordens dos leões, a águia a ser minada pela toupeira e a turba imensa, apática devido aos soníferos nela injectados, mas que espera despertar para o restabelecimento da rota desejada e a utilização de potente detergente para higiene social e eliminação de corruptos e outros males. Há quem consiga fazer grandes viagens com calhambeque que sabe conduzir com prudência sem desvios perniciosos, economizando combustível para as subidas que se aproximam e sem se distrair com tentações de sonhos inadequados às realidades, tentações de que gente sensata já se desviou e que causam estragos nos maduros que ainda as adoptam. Há países como a Rússia, a China e Cuba que se afastaram de sonhos que consideraram pesadelos e há países na Europa que já definiram o perigo que preocupa e ameaça a sobrevivência da cultura e civilização do continente. Ainda há bom senso.

Há que saber aproveitá-lo. Há que abrir os olhos para defender a boa rota a fim de não esperamos indefinidamente por um futuro agradável. A espera desespera e pode originar reacção de desespero. ■




sábado, 15 de setembro de 2018

REVER A PROTECÇÃO CIVIL

Rever Proteção Civil é a primeira missão do observatório independente
Transcrição de «Notícias ao Minuto» de 15 de Setembro de 2018.

O novo Observatório Técnico Independente para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios, criado pela Assembleia da República, vai ter como primeira missão apresentar uma proposta sobre a revisão do sistema de proteção civil, disse à Lusa o seu presidente.


© Global Imagens

Francisco Castro Rego, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, preside a este observatório composto por dez elementos, cuja composição foi conhecida na quinta-feira por despacho do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Castro Rego afirmou que o Observatório Técnico Independente vai ter a primeira reunião na próxima semana e só depois é que o grupo terá "uma visão mais concreta" sobre o trabalho.

No entanto, adiantou que o observatório vai elaborar até ao final do ano um parecer sobre o sistema de proteção civil, além de ter de fazer relatórios semestrais sobre a sua atividade.

O docente considerou que os próximos três meses será "um trabalho muito complicado porque rever o sistema de proteção civil é uma peça muito forte" e "fundamental".

"Vamos começar em funções na próxima semana e vamos escalpelizar um pouco aquilo que a Assembleia da República incluiu no seu despacho porque é de facto uma tarefa muito volumosa a questão da revisão da proteção civil, juntamente com a análise dos incêndios que tenham ocorrido", disse.

Uma outra tarefa, frisou, passa por analisar qual a influência da meteorologia nos incêndios deste verão e qual "o efeito das políticas e das ações" no terreno.

Francisco Castro Rego considerou também que o Observatório vai ter "um campo muito vasto" e "um mandato muito largo".

"Temos de ver efetivamente quais as linhas de força que temos de dar prioridade para podermos responder a tempo e cumprir o mandato que é atribuído", disse, acrescentando que, apesar da organização do Observatório estar por fazer, terão de ser criados grupos de trabalho.

O docente destacou igualmente que o "objetivo central" é dar recomendações ao Governo e à Assembleia da República para melhorar a prevenção e combate dos incêndios florestais.

Segundo o despacho assinado Ferro Rodrigues, os outros membros do Observatório são Paulo Alexandre Martins Fernandes (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), também indicado pelo Conselho de Reitores, Joaquim Sande Silva (Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra) e João Carlos Martins de Azevedo (Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança), indicados pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.

Já José Manuel do Vale Moura Ferreira Gomes, Emanuel Renato Sousa de Oliveira, Rui Manuel Victor Cortes, Xavier Viegas, Duarte Nuno da Silva Quintão Caldeira e Filipe Duarte Santos foram indicados por Ferro Rodrigues depois de ouvidos os grupos parlamentares.

Aprovado em julho pela Assembleia da República, o observatório deve esclarecer o público não especializado e os decisores políticos sobre medidas técnicas e políticas no âmbito da prevenção e combate a incêndios, aconselhar o parlamento, emitir pareceres, analisar e avaliar as características e dinâmicas dos incêndios, monitorizar o impacto das medidas públicas e dar contributos, através da audição de especialistas e emissão de recomendações e pareceres, para a redução do perigo e risco de incêndio.

NOTA:
Depois das muitas críticas feitas à PROTECÇÃO CIVIL, incluindo os comandantes operacionais responsáveis pelo combate às chamas, surge a notícia da criação do Observatório Técnico Independente para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios. Oxalá que, do seu trabalho de rever o sistema de protecção civil, saiam inovações realistas e bem ajustadas para haver uma estrutura com enquadramento de pessoas competentes e experientes, com formação adequada, nomeadas por concurso público independente e honesto, (em vez de compadrio partidário), que coloquem a defesa da população e das riquezas materiais nacionais acima de ambições ligadas a interesses pessoais. Portugal está a precisar de combater, com rigor e persistência, a corrupção e outros tipos de criminalidade que alimentam situações nacionais graves do género dos incêndios.


PROTECÇÃO CIVIL RESPONSÁVEL

Protecção Civil responsável nos incêndios de Pedrógão
DIABO de 11 de Setembro de 2018 pág 9

O Ministério Público vai responsabilizar a Autoridade Nacional Protecção Civil, incluindo os comandantes operacionais responsáveis pelo combate às chamas, pelas mais de 60 mortes nos fogos florestais do ano passado em Pedrógão Grande – revelou no fim-de-semana o jornal ‘Expresso’, citando partes do relatório oficial, a que os seus repórteres tiveram acesso. Segundo o semanário, o inquérito deverá estar concluído nas próximas duas semanas. “Homicídio por negligência” poderá ser a acusação final.

“As populações foram deixadas desprotegidas”, terá concluído o Ministério Público, numa investigação iniciada há mais de um ano e que agora chega ao seu termo. Segundo o ‘Expresso’, a acusação conclui que “falhou tudo: primeiro, a falta de limpeza da vegetação por baixo dos cabos elétricos fez com que um ‘borralho’ se transformasse num incêndio de grandes dimensões. Depois, os inúmeros erros no combate ao fogo e a omissão de ajuda às populações fizeram com que as chamas se tornassem incontroláveis, matando 66 pessoas. E, finalmente, a falta de gestão da floresta impediu que o fogo perdesse força e se extinguisse”. A Protecção Civil e os comandantes operacionais são considerados “responsáveis materiais pela sucessão de falhas que provocaram a tragédia”.

Em apreciação estão, pelo menos, 64 crimes de homicídio por negligência – ou 66, se o Ministério Público acabar por incluir também os casos de Alzira Costa (mortalmente atropelada ao fugir das chamas) e José Tomás (falecido um mês mais tarde, vítima de pneumonia).

Os três responsáveis operacionais mais directamente visados no inquérito do Ministério Público são Mário Cerol, comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro de Leiria, António Arnaut, comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, e Sérgio Gomes, comandante distrital que, estando hospitalizado, quis comandar as operações por telefone.

Segundo a acusação, a que o ‘Expresso’ acedeu, a Autoridade Nacional de Protecção Civil começou por falhar ao não solicitar, desde o início, a mobilização de meios aéreos (que só chegaram quando o incêndio já era incontrolável) e ao não bloquear a estrada Nacional 236-1. Esta acabou por tornar-se uma armadilha macabra onde 47 pessoas perderam a vida. A Protecção Civil será também acusada por falhas nas orientações a dar às populações da região.

Segundo o ‘Expresso’, também três autarcas (os presidentes das Câmaras de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera e o vice-presidente de Pedrógão Grande) poderão ser acusados de negligência. Dois funcionários da concessionária rodoviária Ascendi e dois funcionários da EDP poderão igualmente ter de responder em tribunal.


ANÁLISE DA SITUAÇÃO EUROPEIA - Setembro de 2018


ANÁLISE da SITUAÇÃO EUROPEIA – Setembro de 2018
Por Miguel Mattos Chaves -PhD

Em primeiro lugar quero agradecer aos meus queridos Amigos e Leitores a amabilidade expressa nos Vossos Comentários e Reacções que têm expresso nas minhas várias análises e artigos.

Em segundo lugar, e em resposta a algumas questões que me foram colocadas, dir-vos-ei o seguinte:
Quanto ao tema de fundo - a DESTRUIÇÃO da CIVILIZAÇÃO EUROPEIA - é, como sabem, uma grande preocupação minha o estar a assistir á destruição das Referências, Valores e Costumes da Civilização Ocidental.

Embora, na minha opinião, esta destruição tenha começado nos idos tempos do Maio de 1968.

Na verdade, os resultados da celebrada, mas mais que nociva, confrontação dos “estudantes”, levou à instalação da inversão dos Valores Perenes da Civilização ocidental.

Começou aí a “demissão intelectual e espiritual da Europa” com a instalação e imposição progressiva das “teorias da relatividade”.
Agora, com a "invasão" maciça de Muçulmanos, tal está a agravar-se e muito.

Mas mesmo a presente organização denominada de União Europeia, está em dissolução acelerada e não vejo Estadistas (que não políticos) capazes de inverter esse caminho.

Na verdade, a maioria esmagadora dos denominados "País Fundadores" queriam uma "União dos Estados Soberanos da Europa", uma Europa da Cooperação entre Estados, sem transferências de Soberania.

Avisaram, por diversas vezes, (o 1º aviso público foi feito, como sabem, no Congresso da Haia de 1948) que nunca se deveria esquecer que “… as Nações da Europa passaram os últimos 10.000 anos em Guerras pela conquista da sua capacidade de Autogoverno e de Autodeterminação…” e que essa luta estava “…inscrita no código genético dos vários Povos europeus…”, pelo que qualquer tentativa de se criar uma união federal seria muito perigosa e estaria condenada a prazo, dada a diversidade dos interesses em presença.

Isto é, defendiam a União de países, voluntária, unindo no fundamental - a Paz e o Progresso -, na Economia, Mercados e nas Quatro Liberdades -, mas sem qualquer transferência ou alienação dos quaisquer direitos Soberanos dos Estados Nacionais, sobretudo em matéria de:

- Segurança E Defesa;

- Justiça e Assuntos Internos;

- Política Externa e Diplomacia;

- Orçamento do Estado e Fiscalidade;

- Autonomia dos Actores Económicos face a estrangeiros.

Matérias estas que são consideradas como sendo pertença do denominado “Coração da Soberania dos Estados”.

Esta linha foi defendida por homens prestigiados, tais como Konrad Adenauer, Charles De Gaulle, Alcide De Gasperi, Paul Van Zeeland, Paul Henry Spaak, Robert Schumann, Aristid Briand, Duncan Sandys, etc… e seus sucessores e presidiu à construção do Tratado de Roma (na sequência do qual Jean Monnet se demitiu de Presidente da CECA, por estar em desacordo com a linha adoptada) e do Acto Único e que eu também defendo.

A partir daí, e com o seu inicio datado da construção do Tratado de Maastricht, a linha predominante tem sido a contrária (isto se falarmos daqueles que acreditam numa união de Estados Europeus para a paz), ou seja, é a outra Linha, a que foi derrotada em Haia em 1948, - a dos Internacionalistas, Integracionistas, Federalistas, - chefiados por Jean-Monnet, e que integravam homens como Joseph Rettinger, Dennis Rougemont, Altiero Spinelli, Jacques Delors e outros, que sempre defenderam (mais clara ou mais sub-repticiamente ou "furtivamente") a Federalização da Europa, com a criação de um Governo Europeu, por de cima dos Governos nacionais, embora a passos mais ou menos pequenos, sob o enunciado de que … "a integração por sectores, sector a sector, levará à Federação final".

Com a crise económica e financeira, despoletada em 2008, provocada pelo Sistema Financeiro (que ainda não foi devidamente penalizado, ao contrário do que já aconteceu nos EUA), e com a actual "invasão" de Muçulmanos,as populações encontraram em vários países a "gota de água", ou desculpa, para reagirem e rejeitarem o caminho que estava a ser trilhado.

Assim acontece na Itália, na Hungria, na Polónia, na Áustria, em Malta, na Dinamarca e em muitos outros países do leste europeu.

Vaticino que virá a estender-se aos restantes, a começar pela França e pela Alemanha onde Macron e Merkel estão com os seus níveis de aceitação em recordes de negatividade.

Ora, em vez de perceberem o que estava, e está a acontecer, grande parte do núcleo principal dos dirigentes políticos preferiu fingir ignorar (ou não percebeu mesmo de todo), o que se passou e está a passar, e estão numa tentativa de "fuga para a frente" no caminho Federal.

(NOTA: veja-se o repetido anuncio da famigerada União Bancária, da Policia Marítima - por de cima das dos Estados – e agora até a Mudança da Hora, etc...)

Esta fuga para a frente, na minha opinião, levará a potenciais “graves convulsões internas” em vários dos países. (o que já está a acontecer em alguns, embora de forma ainda macia).

Por de cima disso, e a agravar o descontrolo, incompetência e negação das realidades, estão a querer encontrar e condenar um “bode expiatório” – a Hungria – para meter medo aos outros Estados, que eventualmente queiram seguir o mesmo caminho de defesa dos interesses dos seus nacionais.

(NOTA: deixando, no entanto, prudentemente – ou melhor, hipocritamente -, a Itália de fora, a qual defende agora exactamente o que a Hungria vem defendendo.

Posto isto,

- OU os dirigentes políticos europeus da linha federalista, ou da linha dos liberais dos costumes, da esquerda perdida e de alguma direita envergonhada, arrepiam caminho e voltam às bases do modelo da “União dos Estados Soberanos da Europa”, ao modelo da Cooperação entre Estados, deixando de querer subjugar as Nações nos factores primordiais da Soberania e Autogoverno, através do esquema federal;

- OU poderá haver uma nova guerra no continente, tal como avisaram a esmagadora maioria dos Pais Fundadores.

Estes sempre desaconselharam qualquer tentativa de federalizar, diga-se de, subjugar e destruir as Soberanias, ou seja, a capacidade de Autogoverno e Autodeterminação dos Povos/Nações que integram o espaço da Europa.

CONCLUSÕES

Por tudo isto, acabo como comecei:

1. - A continuar a permissividade das autoridades de alguns Estados e da U.E. em admitir os imigrantes Muçulmanos, tal vai levar à revolta dos povos europeus.

O que já está a acontecer em alguns deles.

(Nota: depois chamem-lhes populistas).

2. - Observando a realidade dos Factos chego com apreensão à conclusão que já são maiores os Prejuízos, que as vantagens que esta, (a actual, com estes dirigentes), União Europeia está a trazer aos cidadãos, naturais dos vários países que a compõem, porque está a contribuir para a destruição (a que vimos assistindo) dos Valores e Referências que são os fundamentos de uma Civilização.
Desculpem, caros Amigos e Leitores, a extensão desta minha mensagem, mas não quis deixar de vos responder, de alguma forma, ás questões que alguns colocaram.

Grato pela Vossa atenção, sou com os meus melhores cumprimentos

Miguel Mattos Chaves

Vice-Presidente da Comissão Europeia da Sociedade de Geografia
Doutorado em Estudos Europeus (Universidade Católica)
Auditor de Defesa Nacional (Instituto da Defesa Nacional)
Gestor de Empresas


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

AINDA SOBRE TANCOS


O ESTRAMBÓLICO COSTA
12.09.18 Transcrição do Blog «irritado» de António Borges de Carvalho

Em mais uma estrambólica declaração, o chamado primeiro-ministro veio à liça no caso de Tancos, para dizer que, a tal propósito, o governo “fez o que tinha a fazer”.

Ai sim?

Então não é ao governo que compete retirar a confiança em generais que dizem que o caso não teve importância nenhuma, que se tratava de munições obsoletas e para abate?

Então a desgraça de ministro da defesa que temos não andou a dizer que nem sequer se sabia se tinha havido roubo?

Então a mesma criatura não meteu os pés pelas mãos nas comissões parlamentares?

Então não houve ninguém que tivesse sido militarmente punido pela ausência de vigilância dos paióis?

Então o governo não tem nada a ver com o assunto?

Fez o que “tinha a fazer”?

Se o que lhe compete é ser incompetente, assobiar para o ar, fingir que faz sem fazer, então sim, fez o que tinha a fazer: nada.

Nada, a não ser transformar o nada em mais uma sessão de propaganda que, como se sabe, é o que sabe fazer.

12.9.18

terça-feira, 11 de setembro de 2018

ACÇÕES INDISPENSÁVEIS E INADIÁVEIS

Acções indispensáveis e inadiáveis
(Publicada no Semanário O DIABO em 11 de Setembro de 12018)

Em vez da propaganda onírica que idiotiza o povo e lhe cria, quando despertar para as realidades, vontade de defender os interesses colectivos e agir de forma violenta contra quem o enganou, será conveniente informar lealmente e incitar à convergência em direcção ao desenvolvimento nacional de que todos beneficiem.

A propaganda e a oferta de ilusões irreais, fantasistas, não melhora a situação de idosos e reformados; não aumenta o rendimento médio das famílias, que se tem afastado negativamente da média europeia; não melhora o desenvolvimento económico; não evita que se caia numa crise semelhante às que estão a massacrar as populações venezuelanas ou sul-africanas. Porque será que a economia tem estagnado há vinte anos? Porque será que nos últimos 44 anos não se construiu nada que se pareça com o que aconteceu nos 44 anos anteriores ao 25 de Abril – escolas primárias em quase todas as aldeias, liceus, palácios da Justiça, hospitais, quartéis para as Forças Armadas e para as Forças e Segurança, etc. – e não se criou dívida pública, antes pelo contrário, foi deixada uma reserva volumosa?

Sem análises profundas e sérias dos factores que levaram à estagnação da economia e da sociedade nacional, e sem serem definidos objectivos de crescimento e elaborados os consequentes planos estratégicos para os atingir, de nada vale a propaganda nem as “verdades politicamente correctas”.

Antes pelo contrário, pois, quando o povo despertar da sonolência induzida pelas fantasias com que é sedado e se consciencializar das realidades, acabará por reagir de forma espontânea, descoordenada, o que pode ter resultados dramáticos principalmente contra os que considera culpados do seu mal-estar. Entretanto, os jovens, isto é, a geração melhor preparada, emigrará em massa, o que representará uma grave perda nacional, por tornar mais difícil a recuperação da economia que é indispensável para o desenvolvimento global do País, principalmente nos sectores mais significativos.

A análise cuidadosa e honesta, sem preconceitos, dos erros ocorridos na vida nacional nas décadas mais recentes, com a intenção de não voltarem a acontecer e de deles serem tiradas as melhores lições para os evitar, desenvolvendo estratégias eficientes de desenvolvimento e recuperação, é uma medida sensata para construir um futuro liberto do pântano actual.

Em democracia, as decisões devem se tomadas com o povo e em seu nome, que é mandante dos agentes do poder político que devem considerar-se seus servidores. O povo, sendo informado com verdade, de forma clara, com frontalidade e sem fantasias oníricas, dará a sua colaboração, se lhe forem criadas condições que o levem a compreender e a ter confiança nos seus mandatários.

Destas considerações ressalta a necessidade de definir tarefas indispensáveis e inadiáveis para preparar o futuro imediato e, depois, o prolongar persistentemente com a necessária adaptação aos condicionalismos que forem surgindo, sempre de forma sensata e inteligente.

Devem ser evitadas saídas infelizes como as do PM e do MAI relativamente aos incêndios de Monchique: «será a excepção que confirma a regra do sucesso», o fogo de Monchique não é como «a vela de um bolo de aniversário (que) todos apagamos com um sopro», «(...) Notável (...) Notável (...) Notável (...)» «notável» a actuação da Protecção Civil em Monchique)…

A propaganda deve evitar cedências a pretensos “intelectuais” que vestem a capa de fascistas leninistas estalinistas que se esforçam por seguir uma táctica já posta de lado pela Rússia, a China, Cuba e alguns estados do leste europeu, a qual está a causar sofrimentos dramáticos na Venezuela e na África do Sul.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

IMIGRAÇÃO INCENDEIA EUROPA

Imigração incendeia Europa
Artigo do semanário O DIABO, de 4 de Setembro de 2018, pág.7, de autor não indicado

Milhares de manifestantes saíram à rua na Alemanha em protesto contra actos de violência praticados por imigrantes e que originaram retaliações igualmente violentas.

As manifestações são uma condenação da política de imigração de Merkel, que permitiu a entrada de quase um milhão de refugiados sírios e iraquianos só entre 2015 e 2016.

A Chanceler, que se manteve em silêncio enquanto a violência teve origem em núcleos de imigrados, tornou-se instantaneamente defensora do “Estado de Direito” e da “ordem nas ruas” quando os contra-manifestantes quiseram exprimir o seu ponto de vista.

Para piorar as coisas na Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, aproveitou uma visita oficial à Dinamarca para fazer uma afirmação que apenas teve o condão de irritar os dinamarqueses: “o ‘verdadeiro’ francês ou o ‘verdadeiro’ dinamarquês não existe num mundo globalizado” – disse Macron, defendendo a União Europeia como “super-Estado progressista”, uma das ideias mais detestadas na Dinamarca.
É preciso pontaria…

terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVAS PARA AMNHÃ

Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018

Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.

Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.

No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.

A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.

Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.

Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.

O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.

Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.

E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.

António João Soares
28 de Agosto de 2018


terça-feira, 28 de agosto de 2018

O FUTURO É UMA INCÓDGNITA

O futuro é uma incógnita

(Publicado no semanário O DIABO em 28 de Agosto de 2018)


Na vida tudo muda e nem a Natureza nem o clima se mantêm imutáveis, mas a democracia surpreende-nos a cada passo. E o que não é agradável é que há grandes males que as mudanças não curam, parece que cada mudança é apenas um gesto enganador para que tudo continue na mesma.


Agora aparece um artista a usar a marca de um industrial de vinhos, Aliança, que, antes de criar o partido, já está a plagiar o programa de outro criado recentemente, Iniciativa Liberal. O seu objectivo parece ser o desejo de liderar um partido, e não ser propriamente melhorar a situação interna e externa do País. Pois, no partido a que pertencia e de que saiu voluntariamente, podia colaborar com o seu amigo Rio que está no topo, por forma a ser escolhida uma estratégia bem definida para avançar num rumo seguro para uma boa gestão dos interesses nacionais e criar uma melhor qualidade de vida para os portugueses, que tão abandonados têm sido.


A criação de mais um partido à direita do PS pode acabar por reforçar a vantagem eleitoral deste. Mesmo admitindo que todos os abstencionistas se convençam a ir às urnas e que a maioria deles vote na área da direita, se com dois partidos já era difícil um deles ter a maioria, quando houver divisão dos votos pelos quatro, dá a cada um uma fatia que pode ser menor do que a do PS. E lá vai continuar o País a viver num clima de soporífera realidade, numa atmosfera de sucesso ficcional, num marcar passo sem as decisões necessárias. Mas, nisso, pode surgir alternativa à actual geringonça em que haja um encosto à direita aproveitando a simpatia de Rio. Esta poderá ser uma consequência do aparecimento de mais um partido na área da social-democracia. E Portugal ganhará muito com isso? Serão dois indecisos a marcar passo mais ou menos juntos.


Será que veremos o pântano referido por Guterres, agora ficar a ser agitado por dois indecisos, em quem alguns portugueses depositaram esperança, a marcar passo sem avançar, e soprando palavras bem sonantes, com esperanças enganadoras, mas sem concretização real? Curiosamente, perante a opinião generalizada de que a pior doença de Portugal é a corrupção epidémica criadora de novos milionários à custa do Estado e da desvirtuação da função pública, não se vê intenções claras de a combater activamente, dando à Justiça legislação que permita aos tribunais julgar rápida e correctamente os casos mais gritantes, todos relacionados com os mais altos cargos do Serviço Público e que passam ao abrigo de imunidade a beneficiar de impunidade. Quem rouba uma carcaça para matar a fome é preso, mas quem se apodera de milhões fica em liberdade, como se vê em nomes bem conhecidos.


Atrás foram alinhavadas hipóteses possíveis, dentro das hipóteses permitidas pelos mistérios do futuro. Mas, com elas, perpassou o desejo de que os nossos eleitos, governantes e de outros altos cargos, se concentrem com alta prioridade, nos essenciais interesses nacionais, para melhorar a imagem de Portugal e a qualidade de vida dos cidadãos.


Os políticos não são apreciados pelos cidadãos mais atentos, não inspiram confiança e não geram esperança em melhor futuro. “Os actuais partidos na AR defendem mais o Estado a meter-se nas nossas vidas do que as nossas vidas a serem facilitadas pelo Estado”. Se a democracia é o poder do povo, as decisões devem partir das vontades e das necessidades dos cidadãos e não da política autoritariamente imposta aos cidadãos.


É desejável que o sistema político-partidário e o sistema eleitoral sejam revistos por forma a que o País entre numa rota de desenvolvimento com uma convergência de vontades obtida por consultas populares, para felicidade de todos e para que extremistas e radicais sejam contidos na proporção e na lógica que lhes é adequada.


António João soares

21 de Agosto de 2018


terça-feira, 21 de agosto de 2018

APRENDER COM OS ERROS

Aprender com os erros
(Publicado no semanário O DIABO em 21 de Agosto de 2018)

Para viver a vida não é necessário conhecer grandes teorias e filosofias, bastando a simples sensatez de ir aprendendo com os pequenos erros e acidentes do dia-a-dia. Em criança aprendemos a andar, com os ensinamentos obtidos em cada queda. De cada erro devemos retirar lições para evitar a repetição de acidentes. A sensatez, a perspicácia e a persistência na procura de melhores soluções, constituem uma ferramenta essencial para a vida.

O que se tem aprendido com os grandes fogos florestais? Parece que foi aprendida alguma coisa, mas muito pouco. É gritante o caso do «plano de intervenção florestal por aprovar há sete meses» apresentado pela Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), com um projecto estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra, em Monchique, onde começou precisamente o incêndio que durou vários dias com a destruição de grande área de floresta e o abandono das residências por muitas centenas de moradores.

Tal demora demonstra grande desleixo, inconsciência e ausência de sentido de responsabilidades de meninos burocratas do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) que não fazem ideia dos perigos que uma demora mesmo que pequena pode causar. Houve enorme falta de respeito pelos direitos da população que espera dos Poderes protecção e prevenção de grandes males. É grave uma organização como o ICNF, um pilar da Protecção Civil, sem ter capacidade de actuar na supervisão das medidas de prevenção e incêndios nas florestas do território nacional.

Antes que incêndio deflagre deve ter sido aplicada uma prevenção que deve ir do ordenamento do território ao tipo de árvores plantadas, passando por outros pormenores como a criação de faixas de descontinuidade ou asseiros (caminhos entre o arvoredo com largura adequada ao efeito desejado) que sirvam de corta-fogo, impedindo o seu alastramento por grandes áreas e facilitando o deslocamento dos meios motorizados de ataque. Principalmente, quando se trata de território de orografia complicada, deve ser evitada a todo o custo a continuidade de vegetação na serra, sendo indispensáveis as faixas de descontinuidade de largura adequada. Após um incêndio em Tavira em 2012, um técnico categorizado concluiu que, dos 120 quilómetros que deviam existir destas faixas de descontinuidade, apenas existiam 30 quilómetros. É um aspecto que deve ser corrigido com eficiência em todo o território nacional.

Quanto ao tipo de árvores, os eucaliptos têm sido alvos de muitas acusações. É certo que esta árvore, originária de climas muito diferentes tem tido bom comportamento quando plantada de forma muito regular pelas empresas de celulose, em condições que evitam incêndios graves. Mas tornou-se uma praga, expandida por forma completamente descontrolada, plantada sem os cuidados que lhe devem se inerentes. Para controlar e reduzir tal praga, é indispensável uma cuidadosa gestão do Estado com supervisão efectiva em todo o espaço rural nacional. A área de eucalipto deve sofrer uma diminuição acentuada e haver substituição por outras espécies como carvalhos, castanheiros, sobreiros, nogueiras, etc.

Quanto à necessidade da limpeza das matas que, pelos vistos, foi muito negligenciada e há pormenores que não podem ser deixados a desmaselos de pessoas sem preparação a fim de não contribuírem para que Portugal seja um deserto dentro de poucos anos, por não haver novas árvores que substituam as actuais quando a idade as derrubar. Sobre isto, já disse o que penso, no artigo «sem ponderação, a limpeza pode destruir o pinhal» publicado no semanário O DIABO em 3 de Abril.

Convém reflectir sobre esta assunto, com profundidade, a fim de se evitarem erros semelhantes aos anteriores.

António João Soares
14 de Agosto de 2018

domingo, 19 de agosto de 2018

CARTA ABERTA DE AGENTE DE AUTORIDADE

Para reflectir
19 Ago 2018

• Sou órgão de polícia criminal, agente da força pública ou agente de autoridade, o que queiram chamar.

• Alistei-me para servir todos os cidadãos, jurei cumprir e fazer cumprir a Constituição da República. Jurei defender os fracos e oprimidos. Jurei ajudar e defender quem de mim precisasse mesmo que para isso tivesse que sacrificar a própria vida.

• Chego à conclusão que não sei qual é o meu papel numa sociedade que não quer ser defendida, protegida e só sabe críticar. Mesmo assim arrisco tudo para que ela funcione.

• Se autúo um infrator de trânsito derivado à sua condução perigosa, sou um bandalho que só estou a lixar a vida das pessoas, esquecem que é o meu trabalho e estou a zelar pela segurança do próprio e dos mais utentes da via. Se sou chamado a intervir numa bancada de um estádio de futebol por causa das claques organizadas estarem a utilizar artefactos pirotécnicos e a causar distúrbios pondo em risco os outros espectadores sou violento. Se atuo num caso de bulling contra os vossos filhos sou repressor, são crianças eles entedem-se. Se abordo um traficante ou um passador por estar a vender droga (que até pode ser a um dos vossos filhos) só me meto com quem tenta ganhar a vida.


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

REGRESSAMOS AO SUBDESENVOLVIMENTO?

De regresso ao subdesenvolvimento sem o percebermos?
Por José Gomes Ferreira

Durante anos, receei que estivéssemos a caminho da Grécia. Por razões financeiras, orçamentais e fiscais. Continuo a recear, pelas mesmas razões.

A linha que separa o equilíbrio do roulement de dívida pública e privada, numa economia que cresce pouco, da impossibilidade súbita de não se conseguir pagar aos credores, é tão fina como um fio de navalha. Qualquer deslize imediatamente corta e faz sangrar.

Mas há um perigo maior. Um país a gangrenar de corrupção. Que estamos a redescobrir, mais uma vez.

Um ministro que faz lobby pela obtenção ilegal de devoluções de IVA de milhões de euros a favor de amigos;

Um ministro que discrimina a atribuição de vistos gold a favor dos cidadãos estrangeiros que rendem mais para quem lhos concede;

Um ministro que faz parte de uma teia de favorecimento, prevaricação e tráfico de influências;

Um grupo de advogados e de altos funcionários da Administração Pública que ajudam essa tenebrosa rede a conseguir lucros de milhões;

Um primeiro-ministro que recebia dezenas de milhões de euros dos empresários e banqueiros que favorecia.

Um banqueiro-mor que recebia pagamentos de comissões de milhões de euros de empresários amigos;

Um banqueiro-mor que pagava a políticos, funcionários, gestores, decisores e partidos do regime para garantir a sua teia de fidelidades.

Um Governo que fazia aprovar Regimes Especiais de Regularização Tributária, RERT, que branqueavam o regresso ao país dos capitais escurecidos da corrupção e do compadrio.

Um Parlamento que aprovou estes RERT sem pestanejar, sem ponta de crítica.

Um grupo de deputados de esquerda e de direita que sabia exatamente o crime legislativo que estava a votar.

Um procurador e um juiz de instrução todos os dias ridicularizados em inúmeras situações, declarações, entrevistas, mensagens orquestradas para os denegrir e desmoralizar.

Um corajoso corpo de investigadores da Polícia Judiciária, da inspecção Tributária, do Ministério Público, dos Tribunais de Instrução Criminal, todos os dias a torcer as mãos de apreensão, como medo que o seu dedicado e minucioso trabalho seja reduzido a tiras de papel em qualquer máquina trituradora das instâncias de recurso dominadas por aventais, compassos e triângulos dotados de poderes mágicos para apagar o que a preto e branco vai sendo escrito.

Um banqueiro corrupto instalado no âmago do coração financeiro do Estado, a Caixa geral de Depósitos, onde fazia passar empréstimos de baixo spread para amigos e financiamentos de favor para comparsas.

Um autarca que endividou a sua autarquia até ao tutano e que queria continuar no poder para fazer mais três pontes sobre o rio Douro, mas que tarda em ser devidamente investigado..

Um Parlamento de deputados ávidos de alterar legislação incómoda para os apanhados na rede.

Agentes da investigação criminal apanhados a chantagear suspeitos em proveito próprio;
Responsáveis de escolas e associações de escolas de condução a embolsar milhares de euros pela venda de cartas aos candidatos a condutores;

Médicos que empanturram doentes de medicamentos que lhes garantem, a eles médicos, faustosas viagens à Austrália e a reservas de caça da África profunda.

Médicos que empurram doentes aflitos em recurso para clínicas de capital detido por si próprio, familiares e amigos.

Funcionários, chefes de secção, diretores de departamento que emperram projetos anos a fio para depois venderem facilidades através do poder afrodisíaco de pôr um carimbo de Estado num simples papel.

Lobbies de jogo de azar que pagam a partidos políticos e departamentos de fiscalização para não terem de entregar parte dos impostos de lei ao Estado.

Portugal vive alheadamente na mais profunda corrupção de leis e comportamentos públicos e privados. Pior, vive na mais profunda corrupção moral na gestão da causa pública. O Parlamento que aprovou as leis das negociatas das PPP, dos swap, das engenharias financeiras que engordaram banqueiros, grandes gestores, consultores e advogados à custa dos pequenos empresários e de todos os contribuintes; O Parlamento que aprovou os programas Polis que engordaram arquitectos, construtores, fornecedores e importadores de materiais à custa de todos os portugueses;

O Parlamento de todos os esquemas inventados por juristas para favorecer clientes, juristas que são os próprios deputados que aprovam as leis regulamentadoras destes esquemas.

Os portugueses redescobrem, mais uma vez, que Portugal é um país profundamente corrupto. E que não é esta legislatura que se vai acabar com este estado de tragédia moral e financeira.

Como disse o economista Joaquim Ventura Leite, ex-deputado do PS que já o não voltou a ser a partir de 2009, em litígio aberto com Sócrates e toda a tralha que o acompanhava, o actual Parlamento reproduz o mesmo regime de interesses que as versões anteriores. Com uma única excepção — o deputado do Partido dos Animais.

Um Portugal a gangrenar de corrupção. Que começa na casa da Democracia.

A divisão do país em duas partes - que é tanto ideológica como partidária e, nessa medida, geográfica: direita no Norte e na Madeira, esquerda no Sul e nos Açores — não ajuda, agrava esta situação de podridão.

Triste fado.

Merecemos melhor.

Somos capazes de fazer bem melhor.

Quem paga esta podridão são os pequenos e médios empresários cada vez mais asfixiados em taxas e alcavalas — e os grandes que não compactuam com os esquemas do regime.

São os cidadãos portugueses sob a forma de mais impostos, menos empregos e menos desenvolvimento económico.

Cortássemos nós o fio vital da Moeda Única, das suas regras, instituições e fiscalizações externas permanentes e já teríamos sido atirados há muito para a lista dos países subdesenvolvidos, eufemisticamente reclassificados de países em desenvolvimento para não ferir susceptibilidades politicamente corretas

terça-feira, 14 de agosto de 2018

COMO VAI O MUNDO?

Como vai o Mundo!
(Publicado no semanário O DIABO em 14 de Agosto de 2018)

Há muito que venho criando a convicção de que a maior parte das palavras proferidas por políticos são para esquecer, pelo menos quando fazem propaganda que pretende iludir os ouvintes com promessas que asseguram, que garantem, que vão ser cumpridas mas que, na realidade, eles esquecem de imediato. Pretendem criar esperança e optimismo que não passa de ilusão. Com isso, esperam melhorar os resultados de sondagens e colher mais votos em eleições posteriores.

Mas agora aparece o conceito de “jogo de loucos” que, a princípio, considerei uma invenção desrespeitosa, mas que aparece demonstrada para ex-Presidentes americanos e com continuidade no presente. Trata-se de ameaças altamente belicosas feitas com divulgação pública, destinadas a amedrontar o rival, por forma a ele se dispor a aceitar negociação em condições que lhe sejam pouco convenientes.

Isso está sendo visível na situação actual entre EUA e Irão, com fanfarronices de ambos os lados. A pequena Coreia do Norte levou o jogo ao ponto de ameaçar com arma nuclear o gigante EUA e Trump prontificou-se a sentar-se à mesa com Kim Jong-un para o levar a desistir de tal acto insensato. Não desistiu de tomar a sua parte no jogo e, poucas horas antes da hora marcada, disse que a reunião não teria lugar. Mas não demorou a parar o jogo e a sentar-se à mesa.

Com o Irão, o jogo deve ser muito ponderado, para evitar que a guerra que foi iniciada no Iraque por um jogo mal jogado gerando uma guerra que ainda fere o Médio Oriente, não vá agora alargar-se ao centro da Ásia ou a todo o mundo. Outra partida deste jogo foi o lançamento da bomba “mãe de todas as bombas” (MOAB), em 12-04-2017 no Afeganistão, com a finalidade de calar o Estado Islâmico, mas que não resultou, pois os ataques e outros atentados terroristas continuaram.

Mas se o jogo de loucos pode gerar um conflito mundial, como Trump referiu a propósito de Montenegro, há o jogo nacional de procurar controlar a afectividade das pessoas através de promessas de projectos desejáveis e ilusórios impossíveis de realizar dadas as carências financeiras do Estado. É o caso, entre outros, da notícia acerca de obras de intervenções na rede ferroviária “Ministério anuncia 58 quilómetros de obra quando na verdade são apenas 16”, apenas 27% do prometido, e mesmo isso pode falhar. Mas há casos em que o prometido tem sido muito superior a 3,6 vezes do realizado. E assim, vemos o Ensino em carência, o Serviço Nacional de Saúde com muitas dificuldades, a Justiça sem condições para parar a epidemia da corrupção generalizada em todos os sectores, as forças de Defesa e de Segurança a perderem credibilidade e sem capacidade de obterem a eficiência que merecem e de que precisam com urgência.

E, perante estes jogos “habilidosos” praticados por políticos, das potências mundiais e dos Estados de qualquer dimensão, seria bom que os que se consideram líderes de regimes democráticos, reflitam serena e profundamente sobre a moralidade dos seus actos, em respeito pelos seus cidadãos, e revejam os valores éticos a que devem obedecer. Só com uma maior honestidade perante os que dependem das suas decisões, o Mundo em que vivemos será mais civilizado.

Mas, infelizmente, no nosso caso, as condições estão a ser melhores para imigrantes do que para quem trabalha seriamente, como se vê nas notícias “Mais de 14 mil enfermeiros pediram para emigrar nos últimos sete anos” e “Mais de 17 mil médicos e enfermeiros emigraram nos últimos oito anos”. “Emergências. Central 112 com menos de metade do número ideal de operadores”.

E o ensino deve ser melhorado por forma a deixar de haver razão para notícias como “gente que trabalha bem: uma espécie em extinção” em que é defendida a afirmação de que “vivemos na era do pacto da mediocridade”.

António João Soares
7 de Agosto de 2018


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

REDUZIR A OCORRÊNCIA DE MEGA-INCÊNDIOS

Eucaliptos, florestas e fogos: os mitos e os factos
da autoria de José Miguel Cardoso Pereira, Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, é um texto muito esclarecedor que reduz a mitos muito daquilo que tem sido dito e escrito e apresenta factos muito elucidativos e que devem ser tomados em devida conta ao ser planeada a prevenção e estruturado o combate. O texto, é longo e, por isso, apenas apresento a parte final mas, no início está o link que pode levar os interessados ao texto integral.

... O factor que mais propicia a ocorrência de mega-incêndios é a existência de grandes extensões ininterruptas de florestas e matagais, muito mais do que a natureza da espécie que constitui a floresta. É por isso que é importante construir e manter uma rede de faixas largas, tratadas periodicamente para manter cargas muito baixas de vegetação combustível e em localizações estrategicamente selecionadas no terreno. Estas redes devem, sempre que possível, incorporar áreas agrícolas e outras desprovidas de vegetação, como zonas rochosas e albufeiras de barragens. A função destas faixas de gestão de combustível não é, por si só, deter a propagação do fogo, é sim propiciar locais onde o combate seja simultaneamente mais seguro e mais eficaz. Isto exige um grau de integração entre acções de prevenção e de combate bastante superior ao que actualmente caracteriza o sistema nacional de defesa da floresta contra incêndios. O facto de uma das prioridades estratégicas da futura Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais ser a aproximação entre a prevenção e o combate é motivo de esperança acrescida em que se venha a concretizar o potencial deste tipo de intervenção de larga escala territorial.

Tenho a noção de que muito do que aqui ficou dito contraria hipóteses populares entre boa parte da opinião pública, mas que são contraditadas por análises objectivas dos dados relevantes. Por muito apelativas que algumas dessas hipóteses possam ser, não resistem ao confronto com o que T.H. Huxley, o biólogo evolucionista contemporâneo de Darwin, chamava “ugly little facts”.

Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa


terça-feira, 7 de agosto de 2018

ESTRATÉGIAS DIFERENTES

Estratégias diferentes
(Publicado no Semanário O DIABO em 7 de Agosto de 2018)

A Natureza, com as suas diferentes e variadas nuances, oferece beleza. Mas a Humanidade apresenta extremismos e radicalismos preocupantes e chocantes, muitas vezes, em consequência de caprichos, de desrespeito pelos direitos dos outros e de arrogâncias e autoritarismos indesejáveis.

Dois casos merecem a atenção dos poderosos. A China, sendo o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com quase um quinto da população da Terra, desde os tempos históricos do «Império do Meio», tem usado de pacifismo e de respeito pelos outros povos. Com a intenção de impedir a invasão dos mongóis, iniciou antes de 221 a.C. a construção de uma forte muralha com 3.000 Km de extensão mas, mesmo assim, não evitou ser invadida pelos mongóis no início do séc. XIII, apenas os expulsando em meados do séc. XIV. Depois disso, sofreu a guerra do ópio e, mais recentemente, a invasão japonesa, durante a II Guerra mundial.

Nos tempos mais recentes, evidenciou de forma bem visível o seu pacifismo, no restabelecimento de relações amigáveis entre as duas Coreias, na desnuclearização da Coreia do Norte, no relacionamento desta com os EUA e no apaziguamento dos atritos no mar meridional.

Há dias, o Presidente chinês, Xi Jinping, fez uma visita de Estado ao Senegal para assinar dez acordos de cooperação e afirmou que o continente africano "promete um futuro radioso" pelo "grande dinamismo" que demonstra. Já antes tinha afirmado que a China está a preparar apoios ao desenvolvimento dos Estados africanos, respeitando as suas culturas e tradições. Pelos vistos, a promessa foi baseada em intenções devidamente ponderadas, como agora ficou claro.

No outro extremo, encontra-se Trump, a querer mostrar que é dono do mundo e, em cujas palavras, se encontra ódio e agressividade. Não respeita os acordos e tratados assinados pelo seu Estado, como o acordo de Paris, as posições do Grupo dos Sete, o acordo com o Irão. Usa modos pouco corteses com os seus dois vizinhos, México e Canadá e até já disse que a União Europeia, a Rússia e a China são inimigos da América.

Ao referir-se ao Montenegro, pequeno Estado europeu com apenas 640.000 habitantes disse que é um país pequeno com pessoas muito agressivas que podem iniciar a Terceira Guerra Mundial! «Diz coisas» que, por vezes, desmente de forma infantil. Quando do encontro com o Presidente da Coreia do Norte, desmentiu o local e a data poucas horas antes de o realizar como inicialmente tinha decidido.

A ameaça de empregar a força militar é quase constante e, por vezes, concretizada, como na explosão da «mãe de todas as bombas» no Afeganistão e o bombardeamento na Síria com um pretexto não comprovado. A «mãe de todas as bombas» lançada no Afeganistão em 13 de Abril era destinada a exterminar o EI, foi considerada muito eficaz pela propaganda americana, mas o seu efeito foi o oposto. Com efeito, 7 dias depois, militantes talibãs mataram 30 soldados afegãos e capturaram uma base militar, um atentado suicida causou 31 mortos e 54 feridos, 8 dias depois duas explosões na capital causaram 25 mortos e 45 feridos. Ainda não se convenceu de que a violência pode gerar mais violência, numa escalada incontrolável.

Não tem prudência, nem diplomacia, para negociar com frontalidade e franqueza qualquer ligeiro conflito. Além do caso de Montenegro, merece ser referido o modo como está a enfrentar o Irão com quem os EUA tinham um acordo sobre a energia nuclear que decidiu romper em desrespeito pelo compromisso aceite pelo seu País, fixou sanções económicas e ameaçou que reagiria com a máxima força a qualquer atitude hostil. Só conhece a força não gosta de diálogo.

António João Soares
31 de Julho de 12018

terça-feira, 31 de julho de 2018

DECISÕES COERENTES COM ESTRATÉGIAS

Decisões coerentes com estratégias
(Publicado no Semanário O DIABO em 31 de Julho de 2018)

As decisões devem ser sempre integradas em estratégias gerais, abrangentes, globais, para não serem marginais e lesivas de prioridades correctas. A coerência deve ser sempre uma preocupação em qualquer decisão e, mesmo que pequena, deve ser bem preparada para não gerar desperdícios de tempo, de energia e de recursos. Há que evitar o desprestígio de anular uma decisão tomada e depois substituída por outra com diferente orientação.

Têm sido criticadas muitas promessas, ornadas de palavras como “garanto”, “asseguro”, mas que depois não são realizadas. Convém não abusar de tais erros. E antes de exteriorizar uma tendência deve-se fazer a listagem das possíveis modalidades de acção, com base na opinião de pessoas sérias, independentes e intimamente ligadas ao assunto.

Há alguns dias, o PM anunciou, num estaleiro do Norte, que nos próximos seis a oito anos irão ser construídos sete novos navios para a Marinha portuguesa, uma promessa que seria agradável para os marinheiros, se viesse a ser concretizada, se os problemas financeiros que o País atravessa não viessem a agravar-se. Será que isto se integra num estudo abrangente do desenvolvimento para Portugal? Será que o grupo que preparou a estratégia em que se insere esta decisão foi formado por pessoas competentes, apartidárias, com experiência que permita confiar na sua noção global dos interesses nacionais?

Ou foi uma promessa fantasiosa para iniciar a propaganda eleitoral das próximas eleições? Tal investimento e a possível estratégia nacional em que se integra, irá preocupar as pessoas dependentes do SNS, ao ponto de se recear a emotividade sentida pelos utentes, pelos médicos e pelos enfermeiros. Também não será muito positiva a reacção de pessoas ligadas ao ensino, para além de professores e de quem estuda as necessidades de reforma do ensino, para formar cidadãos válidos e produtivos na economia das próximas décadas. É que, para estes sectores, a austeridade, o défice e a dívida pública são o argumento usado para justificar as restrições e os apertos do cinto.

Mas os próprios marinheiros devem estar duvidosos de tal presente, até porque foi baptizado o Navio-Patrulha Oceânico Sines, o primeiro de dois em construção nos estaleiros de Viana e que apenas pode dispor de lanchas semi-rígidas temporárias para missões de busca e salvamento e não se prevê o tempo que irá demorar até que ele possa dispor do armamento adequado e do equipamento electrónico indispensável para cumprir as missões verdadeiramente militares para que foi concebido.

Mas além de muitas promessas, eventualmente justificadas por motivos políticos, tem havido muitas decisões tomadas levianamente e que foram engolidas em seco, como por exemplo a que impunha a limpeza de matas à beira das estradas e povoações até dia 1 de Março e que teve de ser alterada para uma data muito posterior. Também o problema da mudança do Infarmed parece ter sido estudado por um grupo de trabalho formado por iniciativa do Governo sem devida apreciação do método e isenção dos seus elementos. Mas estes erros vêm de longe. Quando Sócrates foi pressionado a mudar o aeroporto de Lisboa para a Ota, pediu pareceres confirmativos a amigos, gastando muitas centenas de milhar de euros e, quando o problema veio a público, foi tal a discussão, que em vez da Ota foi decidido mudar para Alcochete. Mas há poderes a que os políticos não conseguem resistir e esse aeroporto passará para Montijo, embora haja outra sugestão mais fácil, já com ligações internacionais e com melhores transportes para Lisboa, em Tires.

António João Soares
24 de Julho de 2018

segunda-feira, 30 de julho de 2018

SENSATEZ, LÓGICA E MÉTODO

Sensatez, lógica e método
(Publicado no Semanário O DIABO em 24 de Julho de 2018)

A vida real oferece lições que não devemos desperdiçar: casos como o dos rapazes bloqueados em gruta na Tailândia, o da crise do Sporting e a falhada tentativa de eliminar as touradas mostram que, ao decidir uma acção vistosa, é indispensável utilizar os ensinamentos da vida para a preparação da decisão. É conveniente não deixar de usar sensatez, uma finalidade bem ponderada, uma lógica assente na análise das vantagens e inconvenientes e uma estratégia correcta no percurso desde o ponto de partida até ao objectivo.

Ser lunático, utópico ou sonhador, é aceitável quando se é coerente consigo próprio, com a natureza e com um futuro melhor. Foi com base em sonhos lunáticos que se realizaram grandes passos em frente ao longo da história da ciência, da tecnologia, da arte, etc., mas a concretização prática foi obtida por técnicos pragmáticos bons conhecedores das realidades e das ferramentas de trabalho para darem à ideia um plano e um projecto realista.

Infelizmente, o mundo tem sofrido as consequências de aventuras fúteis e precipitadas por entusiasmos de pessoas, com poder, que se consideraram competentes e detentoras de toda a verdade e saber e cometeram erros graves cuja recuperação teve que ser demorada e com muitos danos para a Humanidade. O caso da gruta na Tailândia pode ter resultado de curiosidade, mais ou menos científica, ou colectiva ou apenas do treinador que induziu os seus discípulos a uma situação irreflectida e com riscos incompatíveis com as suas capacidades de solucionar. Felizmente para eles, tudo acabou bem, mas deixaram a lição de que aventuras deste género devem ser tomadas apenas por grupos de dois ou três, tendo atrás um apoio para socorro imediato no caso de dificuldade inesperada.

O caso do Sporting Club de Portugal foi grave e inconveniente, lesando a sua história relevante, não apenas na imagem, mas também nos próximos resultados. Estiveram em foco a falta de sensatez, de ponderação, de lógica, sem método nem finalidade racional e coerente, que alguns jornalistas apelidaram de loucura. Os conflitos geradores de hostilidades entre pessoas que devem usar convergência de esforços, são de evitar a todo o custo, para não estragar o espírito de equipa. O consenso deve ser a ferramenta a usar com lealdade e espírito construtivo para conseguir o maior êxito do trabalho conjunto. O respeito pelos outros e a vontade de obter vitórias devem ser desenvolvidos em permanência no espírito de todos os elementos de um clube.

Quanto à tentativa de acabar com o espectáculo das touradas, foi mais um exemplo da mentalidade de políticos que se consideram donos de todo o bom senso e querem impor ao povo as suas idiotices, custe a quem custar. A vida não pode ser gerida por caprichos. Tive animais domésticos e gosto de todos os animais, como se deduz do texto publicado recentemente, “Os ‘ditos irracionais’ e nós”, mas discordo que se faça a antropomorfização dos animais. Cada macaco em seu galho. Se se pretende chegar ao ponto de proibir as pessoas de se alimentarem de carne para não sacrificar a vida de animais, como se vai condenar o leão que come a zebra, ou outros animais carnívoros que seguem as forças da natureza para se alimentar? E qual é o bom senso de um político que quer proibir a tourada, divertimento do touro que nela mostra a sua valentia e combatividade, mas ignora o sacrifício de muitos desportistas que arriscam a vida para vencer uma prova? E que preocupação sente pelas pessoas que vivem com grandes dificuldades de subsistência? Devem ser escolhidos objectivos de VALOR, com SENSATEZ, e procurar concretizá-los com LÓGICA e MÉTODO. ■


domingo, 22 de julho de 2018

CURE O CANCRO, PRIVANDO-SE DE AÇÚCAR

Mate de fome o câncer eliminando apenas um só alimento

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O açúcar representa um grande risco para a saúde e contribui para a morte de milhões de pessoas no mundo todo a cada ano.

Tão alta é a toxicidade do açúcar que, para os pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, Estados Unidos, ele é uma substância potencialmente tóxica assim como o álcool e o cigarro.

Sua ligação com o aparecimento da diabetes é tão forte que deveria haver uma legislação rigorosa contra ele, como um imposto sobre todos os alimentos e bebidas que contêm esse "veneno".

Não por acaso, os pesquisadores da Universidade de Califórnia recomendam a proibição da venda de produtos com açúcar dentro ou perto de escolas, bem como a colocação de limites de idade sobre a venda de tais produtos.

Os efeitos nocivos do açúcar não param no diabetes.

O açúcar refinado está fortemente ligado ao câncer, não apenas como uma causa dele, mas também como algo que alimenta as células cancerosas quando uma pessoa tem a doença.

Pesquisadores do Huntsman Cancer Institute, em Utah, foram os primeiros a descobrir que o açúcar "alimenta" tumores.

Em um artigo publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, Don Ayer, Ph.D., professor no Departamento de Ciências Oncológicas da Universidade de Utah, disse: "É conhecido desde 1923 que células cancerosas usam muito mais glicose do que células normais. Nossa pesquisa ajuda a mostrar como esse processo ocorre e como ele pode ser interrompido para controlar o crescimento do tumor ".

Dr. Thomas Graeber, professor de farmacologia molecular e médica, investigou a forma como o metabolismo da glicose afeta os sinais bioquímicos presentes nas células cancerosas.

Na pesquisa publicada na revista Molecular Systems Biology, Graeber e seus colegas demonstraram que a fome de glicose, isto é, o ato de privar as células cancerosas de glicose, ativa um significativo circuito de amplificação metabólica que leva à morte dessas células.

A eliminação do açúcar, portanto, e de tudo que vire glicose no organismo (como pão, macarrão, arroz) poderia ser algo a ser adotado na tentativa de melhorar os resultados de tratamentos de câncer.

O aumento dos níveis de insulina é pró-inflamação e pró-câncer e pode promover a proliferação de células tumorais.

Os doutores Rainer Klement e Ulrike Kammerer realizaram uma revisão abrangente da literatura envolvendo carboidratos da dieta e seus efeitos diretos e indiretos sobre as células cancerosas, que foi publicado em outubro de 2011 na revista Nutrition and Metabolism.

Eles concluíram que as células cancerosas são tão sensíveis ao abastecimento de açúcar, que o corte da oferta dessa substância irá matar o câncer.

Por outro lado, "o aumento do fluxo de glicose promove diversas atividades no câncer, como proliferação excessiva, sinalização antiapoptótica, progressão do ciclo celular e angiogênese", concluíram os cientistas.

A doutora Christine Horner tem muito a dizer para as mulheres sobre a insulina e câncer de mama:

"Quando se trata de câncer de mama, a insulina não é amiga. Uma das principais razões é devido ao fato de tanto as células da mama normais como as cancerosas terem receptores de insulina sobre elas. Quando a insulina se liga ao seu receptor, tem o mesmo efeito de quando o estrogênio se liga ao seu receptor: faz com que as células comecem a se dividir. Quanto maior os níveis de insulina são, mais rápido suas células da mama vão se dividir; quanto mais rápido elas se dividirem, maior será o risco de câncer de mama é mais rápido será o desenvolvimento das células cancerosas".

A dra. Horner lembra um estudo realizado pela Harvard Medical School (2004) que constatou que as mulheres que, quando adolescentes, comeram mais alimentos com alto índice glicêmico, aumentaram seus níveis de glicose no sangue e, anos depois, apresentavam uma maior incidência de câncer de mama.

"Então, incentivar sua filha adolescente a cortar o açúcar vai ajudá-la a reduzir o risco de câncer de mama para o resto de sua vida", disse a doutora.

Em outro estudo da Universidade da Califórnia, que foi publicado na revista Cancer Research, os pesquisadores concluíram que qualquer pessoa que pretenda reduzir o risco de câncer deve começar por diminuir a quantidade de açúcar que ingere.

O dr. Anthony Heaney, principal autor do estudo, declarou: "A dieta moderna contém uma grande quantidade de açúcar refinado, incluindo frutose, que é um perigo oculto envolvido em muitas doenças modernas, tais como obesidade, diabetes e fígado gordo".

Especificamente sobre a frutose, outra ameaça, o pesquisador afirmou: "Os resultados mostraram que as células cancerosas podem facilmente metabolizar frutose, o que aumenta a proliferação delas".

O resumo de tudo é que o açúcar transforma o corpo em um terreno fértil para vírus, bactérias, fungos e câncer, devastando o sistema imunológico.

Sabendo que o câncer precisa de açúcar, faz sentido continuar comendo açúcar?

Faz sentido ter uma dieta rica em carboidratos?

O pior é que, para a maioria das pessoas com câncer em todo o mundo, não é oferecido qualquer terapia nutricional cientificamente orientada para a eliminação do açúcar, além de dizer a elas para "comer bons alimentos".

Este é um blog de notícias, não substitui o trabalho de um especialista. Consulte sempre seu médico.