sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Somos País de turismo? 050813

(Publicada no Diário de Notícias em 13 de Agosto de 2005)

É frequente ouvirmos governantes, autarcas e outros políticos enfatizar o facto de a principal fonte de divisas ser a actividade turística, assente no sol, no clima e nas boas praias. Ele constitui um factor não negligenciável para combater o défice comercial. Mas parece que o interesse dedicado ao turismo fica reduzido a essas lindas palavras. As realidades evidenciam uma contradição gritante com tais beatíficos discursos. Há poucos anos, no Algarve, morreram turistas ingleses intoxicados pelos gases do esquentador quando tomavam duche, evidenciando total desprezo pelas condições de segurança dos alojamentos. Há poucos meses foi bloqueado um projecto de empreendimento turístico em Benavente só por implicar o abate de sobreiros, embora compensado pela plantação de outros nas proximidades. Na mesma data foi falado o boicote a um projecto turístico semelhante em Belmonte por se tratar de paisagem protegida. Afinal, protegida com que finalidade? Certamente não é uma finalidade turística se não contribui para captar pessoas estranhas à região, dar-lhes alojamento e condições adequadas de passar bem o tempo.

Agora, vem a lume a notícia do desabamento de uma falésia em Peniche provocando a morte de dois turistas espanhóis, onde dois anos antes ocorreu o mesmo com a morte de um alemão. Poderá perguntar-se porque não fora feita antes a consolidação da falésia que estava instável e fazia prever tal desenlace? O mesmo se passa noutras falésias ao longo do litoral. Mas recordem-se as reacções dos «defensores da natureza» quando na Linha do Estoril foram consolidadas as falésias. Esses «defensores» não consideram os homens como fazendo parte da Natureza e não se importam que morram. E os políticos, que deveriam ter em conta os interesses da população e do País, em todos os seus vectores, cedem aos argumentos discutíveis de tais fanáticos. E, desta forma, o tal objectivo estratégico de viver do turismo é esquecido e colocado em perigo, a cada passo. E, assim, vai o Portugal dos pequeninos.

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