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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

PREPARAR O FUTURO

Preparar o futuro
(Publicado em O DIABO nº 2198 de 22-02-2019, pág 16)

 Há muitos indícios de que Portugal vive, há demasiado tempo, numa pasmaceira ou pântano, sem sinais de projecto que conduza a uma reforma estrutural que eleve o país a um desenvolvimento e crescimento adequado a melhor qualidade de vida das pessoas e crescimento da economia com resultados melhor distribuídos com justiça social, por forma a criar uma justificada credibilidade de governos e partidos inspiradores de maior confiança dos cidadãos em quem os governa. É frequente ouvir-se falar da conveniência de comparar as obras realizadas e as decisões tomadas para bem dos portugueses nos últimos 44 anos com as do período de igual duração anterior ao 25 de Abril, apesar do esforço de guerra no Ultramar.
E são referidos novos hospitais, tribunais, quartéis para militares e para GNR, Polícia, bombeiros, escolas, aeroportos, etc. E na situação financeira havia uma reserva de barras de ouro de valor histórico, e agora há uma dívida que sobrecarregará várias gerações.

A falta de sentido de Estado e de preparação para encarar o futuro com correcta definição de objectivos a atingir e escolha de boas estratégias, geral e sectoriais, para os alcançar, conduziu a um “deixa andar e depois se verá”, com o resultado que Guterres definiu como “pântano” e utilizou como pretexto para deixar o Governo que chefiava. Depois veio Durão Barroso, que não detectou forma de brilhar à frente do Governo e aproveitou a oportunidade de ir ocupar alto cargo na União Europeia, sendo substituído por Pedro Santana Lopes, que tentou iniciar a descentralização do poder executivo, com uma decisão imponderada e ridícula de deslocar uma Secretaria de Estado para Portalegre. Esta decisão foi recordada com a recente e esquisita promessa de mudar o INFARMED para o Porto, o que deu despesas para pagar pareceres a amigos coniventes, mas que, mesmo assim, foi esquecida. Santana Lopes acabou por ser demitido pelo PR, que mostrou não ser contemporizador nem recear tomar decisões. Depois veio Sócrates, que se deixou pressionar por construtores, deixando-se levar a construir auto-estradas, algumas sem necessidade e até paralelas a outras já existentes, e a criar uma alternativa ao Aeroporto de Lisboa, na OTA, apesar de a orografia não ser nada adequada a tal obra, mas para isso tinha o apoio de amigos que, entretanto, compraram terrenos para serem expropriados por alto preço ou para serem urbanizados, com bons lucros. Também a auto-estrada para o Algarve teve três alternativas, não por razões correctas mas devidas a pressões de políticos que tinham comprado terrenos que, nessas hipóteses, dariam grandes lucros na expropriação. Custou conseguir que a escolha fosse a mais lógica.

Quanto aos anos mais recentes, não é preciso fazer esforço de memória porque as pessoas não esqueceram com facilidade, e a prometida reforma estrutural está em todas as cabecinhas pensadoras, tal como a ausência de decisões para bem da nação, a insatisfação generalizada que tem gerado
greves, com graves prejuízos para utentes de serviços públicos, como universidades, escolas, jardins de infância, hospitais e centros de saúde, transportes rodoviários e ferroviários, finanças, serviços da segurança social ou de estrangeiros e fronteiras, etc.

Está a ser necessário, com urgência, alguém com dedicação a Portugal, competência e coragem para ordenar o estudo de uma reforma estrutural abrangente, com uma estratégia bem definida para atingir finalidades coerentes com os interesses nacionais. Essa estratégia geral deve ser decidida e depois
preparadas as estratégias sectoriais, por forma a haver uma coerência e convergência de todos os sectores para serem obtidos resultados em perfeita harmonia entre si e sem necessidade de paragens e recuos que são sempre custosos, pelo menos no factor tempo que constitui o tesouro mais precioso
por ser irrecuperável. ■

António João Soares
15-02-2019


terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVAS PARA AMNHÃ

Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018

Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.

Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.

No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.

A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.

Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.

Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.

O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.

Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.

E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.

António João Soares
28 de Agosto de 2018


terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU.E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direto a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018


terça-feira, 17 de abril de 2018

PLANEAR COM SENTIDO ESTRATÉGICO... PARA O FUTURO

Planear com sentido estratégico… para o futuro
(Publicado no semanário O DIABO em 17-04-18)

As alterações da ondulação do mar, devidas a condições climáticas, têm provocado a destruição de cordões dunares e deixado sem areia as praias da Costa de Caparica. As condições actuais testemunham a deficiente atenção dada ao problema quanto a planos eficientes, com sentido estratégico, para evitar riscos em pessoas e património, nos muitos equipamentos e habitações ali existentes. Segundo notícia recente do «Notícias ao Minuto», na Câmara Municipal de Almada pretende-se proceder à retirada da população, tendo os planos para relocalização que ser equacionados "num período sempre a 100 anos", para não fazer a deslocação forçada em pouco tempo, o que acarretaria custos e sacrifícios elevados.

Mas, segundo a mesma notícia, o Presidente da Junta de Freguesia mostra ser mais prático reforçar a proteção do litoral e evitar o recuo da zona urbanizada.

Ambas as modalidades têm vantagens e inconvenientes e não deve optar-se por qualquer delas sem uma análise muito cuidada de cada uma a fim de se investir na melhor delas, ou escolher outra que seja mais vantajosa. Será oportuno aplicar, na procura da solução, a metodologia referida no artigo «preparar a decisão» publicado no semanário DIABO em 27 de Setembro de 2016.

O recuo ou deslocação da população começará a ter efeito daqui a alguns anos e torna-se mais pequena a dimensão do país, ao contrário de alguns exemplos de outros países, como a conquista do mar para construir o aeroporto de Macau, a Holanda que tem lutado para o aproveitamento das zonas baixas que deram nome aos «Países Baixos», o Mónaco que está a alargar a sua pequena área para o Mediterrâneo, não apenas para instalações ligadas ao mar, mas para habitação e fins comerciais e industriais, o Kuwait e o Dubay que têm aumentado grandemente as suas áreas para fins turísticos e outros, com grandes avanços sobre o mar.

Quanto à Caparica, já li que houve a intenção de a ligar por uma larga avenida ao Farol do Bugio e o aproveitamento deste para finalidades turísticas, de bares e de recreio. Mas as obras de protecção do litoral não podem ser tão artesanais como as que têm sido usadas, devendo-se utilizar fundações adequadas para os «cordões dunares», bem como para equipamentos de bar, restaurantes, parques de campismo e habitações, etc, a fim de ondas mais altas não lhes retirarem o solo subjacente e as destruir.

Qualquer que seja a solução adoptada, deve merecer a concordância de Governo e oposição, a fim de ter continuidade depois da primeira legislatura, para não se anular o custo da obra já feita e a deixar ruir, como aconteceu com o plano do aeroporto de Lisboa na Ota, depois em Alcochete e agora em Montijo, ou o TGV Lisboa-Elvas, ou a rede ferroviária de bitola europeia, ou a limpeza das bermas das estradas legislada há muitos anos mas só agora objecto de atenção, a «proposta para fiscalizar indústria de pirotecnia na gaveta há dois anos», etc.

A Natureza tem muita força e não pode ser totalmente contrariada, mas a segurança do património e das populações é dever essencial dos Governos. Por isso, perante as previsíveis alterações ecológicas, convém estar preparado para o aumento de riscos, com planeamentos adequados e preparados para alterações correspondentes às previsões da mudança climática. Para isso, deve ir-se além do critério de decisões de emergência (do «agora vai ser assim e, depois, logo se verá»), e decidir planear a pensar num futuro distante, sem pôr de lado a conveniência de introduzir os indispensáveis ajustamentos aconselhados pela evolução das circunstâncias. E, depois, acima de tudo isto, é imperioso que os sucessores garantam a sustentabilidade. Estes devem ter sempre presente que as grandes obras de que Portugal se orgulha não podiam ter sido construídas numa legislatura de quatro anos, em que os sucessores anulassem a obra iniciada pelos antecessores. Os interesses nacionais devem constituir a primeira prioridade dos governantes e ser planeados, iniciados e realizados, com sentido estratégico e de responsabilidade perante Portugal e os portugueses.

António João Soares
10 de Abril de 2018

terça-feira, 27 de março de 2018

PORTUGAL PRECISA DE MAIS UM SALTO EM FRENTE

Portugal precisa de mais um salto em frente
(Publicado no semanário O DIABO em 27-03-2018)

A história de Portugal é rica em momentos de alto valor que devem ser recordados com orgulho dos nossos antepassados.

-O desenvolvimento do interior, da agricultura e da floresta, por D. Dinis, de que sobressai a criação do pinhal de Leiria com «vista às naus a haver» que fizeram os descobrimentos e deram novos mundos ao mundo;

-Guerra da Sucessão com a Espanha, com a Batalha de Aljubarrota e outras em que se dignificou o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, no Reinado de D. João I;

-O início dos descobrimentos para dar «novos mundos ao mundo» e que foram um gesto recentemente citado, como o primeiro passo da globalização, isto é, do relacionamento entre os vários continentes do Planeta. Foram o aproveitamento dos pinheiros do Pinhal de Leiria na sequência do desejo estratégico (com olhos no futuro) de D. Dinis e da vontade e espírito inovador do Infante D. Henrique e que tiveram o ponto alto no reinado de D. Manuel I;

-A restauração da independência, em 1640 e a acção de D. João IV e dos militares que venceram as batalhas subsequentes, contra a reacção espanhola;

-A gestão da causa pública pelo Marquês de Pombal, firmemente dedicado aos interesses nacionais e que reconstruiu Lisboa após as destruições causadas pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, com vistas largas inovadoras, com uma urbanização exemplar;

-Ao longo da nossa história, construíram-se edifícios e monumentos como a Torre de Belém, Jerónimos, Alcobaça, Batalha, etc;

-E, mais recentemente, a estabilidade e o desenvolvimento do País, durante o Estado Novo que, em 28 de maio de 1926, acabou com a bagunça da primeira república e procurou fazer a recuperação desta «Nação Valente e Imortal». Realizou a construção de obras de grande significado e valor como as numerosas escolas primárias na maior parte das aldeias do interior, em luta contra o analfabetismo, as estradas nacionais que passaram a ligar o litoral ao interior e o Norte ao Sul, para facilitar o desenvolvimento do interior e melhorar a qualidade de vida das populações mais desprotegidas, a construção de pontes de que são exemplos bem visíveis as sobre o Tejo e o Douro, os diversos quartéis militares, em estilo próprio, ainda hoje muito válido, quartéis para a GNR, esquadras de polícia, instalações para bombeiros, construção de Liceus, construção de Hospitais, construção de Tribunais, etc, etc,

Em todos estes momentos e noutros mais, foi bem notório que os responsáveis pela governação do país não se confinavam a chapinhar no pântano, com soluções pontuais e de efeitos limitados e rápidos, mas a projectar para um futuro melhor em benefício de um Portugal exemplar. O sentido estratégico, de inovação com vista ao desenvolvimento e enriquecimento do país com uma qualidade de vida cada vez melhor para os portugueses.

Com tal patriotismo e sentido criativo, foi criada uma posição de Portugal no mundo que, nalguns aspectos, ainda é notada, apesar dos recentes erros sucessivos cometidos nas últimas quatro décadas, em que foi destruído o volumoso tesouro amealhado durante as quatro décadas anteriores e, actualmente, estamos sem esse dinheiro e com uma dívida que durará várias dezenas de anos a pagar pelos vindouros. O actual regime herdou um tesouro e deixa de herança uma dívida assustadora.

A história mostra bem que quando aquilo que se faz, mesmo que pouco, é vocacionado para as décadas vindouras cria-se um prestígio que perdura por muitos séculos, mesmo que, entretanto, decorram períodos de infantilidade e imaturidade dos gestores. O contrário acontece com governos que prometem e não cumprem, apenas para iludir o povo e ter benefício em eleições, em campanhas ilusórias de propaganda manhosa e egoísta com desprezo pelo suor do povo.

Por isso, apesar da crise que vimos sofrendo, há alguns anos, por vezes de forma muito dolorosa, devemos ter esperança no aparecimento de novos governantes que sejam merecedores do nosso passado brilhante e tenham ideias aproveitáveis, concretizadas por planos e projectos que marquem uma nova era de prestígio e progresso nacional. Temos indícios muito auspiciosos no sector científico com investigadores nacionais com projecção internacional devido a êxitos promissores. Seria bom que no âmbito da política acontecesse o mesmo, e fossem feitas reformas estruturais do regime, a fim de sairmos do pântano das promessas falaciosas sem viabilidade de concretização e da fixação de datas incumpríveis que têm de ser alteradas como agora aconteceu acerca da limpeza das matas.

António João Soares
20 de Março de 2018

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

SOLSTÍCIO É MOMENTO DE MUDANÇA



Hoje o Planeta Terra tem um momento de mudança. A Natureza tem vindo, nos últimos seis meses, a reduzir os dias mas hoje vai iniciar a sua dilatação. Estamos no SOLSTÍCIO DO INVERNO.

Que o Mundo mude é natural. As estações do ano são disso um exemplo bem conhecido.

Na vida das pessoas, das sociedades, também há que evitar a estagnação, os vícios inveterados, os maus hábitos. Mas os dirigentes responsáveis e as pessoas que comentam e opinam publicamente têm um papel importante a desempenhar para que as mudanças sejam para melhorar os «interesses nacionais», em vez de se limitarem a beneficiar os ambiciosos que pretendem viver à larga, à custa do erário público, lesando o contribuinte mais desfavorecido e indefeso. MUDAR,SIM MAS PARA MELHOR do País.

Esta reflexão resulta das palavras que vêm a público acerca do resultado das eleições em Espanha e da sua comparação com o que se passa em Portugal. E concluo que, por vezes, o poder de gerir a mudança nem sempre é devidamente utilizado, quando ouço um PM teimar em orientação mal ou nada analisada «para o mal ou para o bem». Não é caso único pois, há poucos anos, um outro PM teimava «custe o que custar». Os assuntos dos Estados são de tal forma complexos que não permitem tal rigidez. O amanhã traz circunstâncias que exigem adequações constantes na rota estratégica. Mas os objectivos pretendidos devem ser mantidos o mais possível porque são eles que garantem a estabilidade do crescimento e inspiram a confiança de investidores e cidadãos em geral. HAJA SENTIDO DE RESPONSABILIDADE E RESPEITO PELA MISSÃO E PELOS CIDADÃOS.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O COMPLEXO DO RETROVISOR


O automobilista não deve abusar da utilização do retrovisor. O tempo não perdoa e, em cada segundo que se perde a olhar o retrovisor, o carro avança alguns metros que podem estragar a viagem, o carro ou vidas. Isto é verdadeiro na vida prática de cada um. O passado tem a sua importância e há a adequada oportunidade de ser relembrado, quer se trate de D. Afonso Henriques, D. Dinis, o Infante D. Henrique, o Marquês de Pombal, Salazar ou mesmo Sócrates.

O passado serve para dele se extraírem lições que ajudem a melhor preparar o futuro. A destruição de Hiroshima pela primeira bomba atómica, depois das lágrimas pelos danos, estimulou a força de vontade e as capacidades e competências das autoridades e das populações e depressa fizeram a reconstrução em, moldes mais modernos, de novas urbanizações e de melhor qualidade de vida para o povo. O mesmo se passou nas cidades alemãs destruídas durante a II Guerra Mundial, e cidades francesas, inglesas ou holandesas, etc. ou com as torres gémeas americanas.

Nada adianta recorrer ao passado seja distante ou recente para tentar justificar as incapacidades e incompetências do presente. O que interessa é procurar a melhor solução para avançar firmemente para o futuro e mostrar resultados em curto prazo à medida que forem visíveis, mas sem malabarismos nem palhaçadas com fins ilusórios de falsas esperanças.

Hoje, depois de mais de três anos da queda de José Sócrates, ainda se lhe atribuem todas as dificuldades da vida nacional, porque nada se fez de correcto para avançar paulatinamente para uma recuperação firme e segura de um futuro melhor. Mais de três anos é sacrifício demasiado de suportar sem se ver levantar os alicerces das estruturas de uma obra definitiva para ficar como marco de uma geração válida para os futuros cidadãos. A obsessão do rectrovisor fez perder o controlo para se seguir o rumo estratégico e, sem isso, continuamos à deriva, em pára-arranca, na Educação, na Saúde, na Justiça, no combate à corrupção, etc. etc. A nossa Hiroxima, por este andar, nunca será reconstruída. Estive a comparar a minha pensão de reformado do ano de 2010 com a de 2013 e vi que perdi 25% em cortes sucessivos; corte idêntico irei verificar no fim deste ano e está prometido solenemente que a austeridade disfarçada em muitas variantes com diversas nomes irá continuar em 2015… e se este governo continuar, como serão os anos seguintes?

Hoje, ao almoço, estive com defensores fanáticos do Governo que, sem argumentos lógicos e convincentes, negam-se a aceitar e analisar factos reais, e em resposta, recitam a sua obsessão do rectovisor, de que tudo se deve a Sócrates e, devido a ele, o Governo, apesar da sua vasta e onerosa equipa de colaboradores, em salários e mordomias, não conseguiu ainda encontrar a pista a seguir para um futuro melhor. Dizem que não é por falta de competência do actual Governo, é por culpa de Sócrates!!!. O que dirão a isto Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral, Manuela Ferreira Leite, José Pacheco Pereira, Luís Marques Mendes,, , António Bagão Félix, Paulo Morais, Rui Rio, António Capucho, etc.?

A João Soares 141007
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RÚSSIA E O ACESSO A ÁGUAS QUENTES


Os interesses estratégicos não se compadecem com decisões rápidas e sonantes. Ontem de manhã, foi muito agradável deparar com a notícia de que Putin e Poroshenko acordam cessar-fogo permanente na Ucrânia, mas o balde água fria não tardou muitas horas, com outra notícia Ucrânia dá dito por não dito após versão dissonante do Kremlin.

Convém olhar para os aspectos de geoestratégia aplicáveis. A Rússia, desde o tempo dos czares, sentiu necessidade de contornar o cerco de mar gelado na sua costa norte que a impedia de poder dispor de uma marinha proporcional ao seu espaço e com capacidade de poder chegar a todos os pontos dos oceanos, em qualquer data do ano. Por tal motivo, era para ela de capital interesse o acesso ao Mediterrâneo e ao Índico, o primeiro ficava para lá do Mar Morto e do estreito dos Dardanelos, o segundo estava para lá do Afeganistão e dos seus vizinhos.

Estes objectivos têm estado presentes em várias decisões estratégicas soviéticas e russas e do seu grande adversário os EUA.

Não foi por acaso que a Turquia foi convidada para fazer parte da NATO e que esta, agora, se tenha interessado pela Ucrânia. Também não pode esquecer-se que a Rússia invadiu o Afeganistão e sempre mostrou interesse pelos estados do seu flanco sul.

O actual caso da Ucrânia e da Crimeia pode potenciar um conflito armado, totalmente indesejável pelo perigo de escalada e, por isso, se impõe uma solução negociada que não é fácil de efectuar directamente entre Putin e Poroshenko como fora anunciado. Haverá que, com o beneplácito da NATO e da UE, encontrar forma de a Rússia poder dispor de uma base Naval segura e espaçosa na Crimeia para poder, sem conflito, aceder ao Mediterrâneo. Não seria caso único, pois os EUA dispõem da base de Guantânamo, na ilha de Cuba.

A diplomacia tem possibilidades para evitar a Guerra e esta acaba por ser forçada a encerrar com a assinatura de acordo diplomático (acordo de paz). É, por isso, ilógico que em vez de acções militares, não se recorra apenas à força da diplomacia, com ou sem o apoio de terceiros intermediários e mediadores. Passados tantos séculos depois das guerras da antiguidade e da Idade Media, vai sento tempo de os Estados se poderem entender por forma a evitar os elevados danos de uma guerra.

A João Soares

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

FUTURO DUVIDOSO PARA PAÍS QUE FOI GRANDE


Não há objectivo nacional, nem estratégia para o atingir e, por isso, não aparecem ideias exequíveis, nem projectos, nem planos, nem programas, nem sistema de controlo das acções a realizar, nem organização, simples, operacional, eficaz. Sem esta metodologia e sem priorização dos estudos e das actividades, não pode haver coerência dos discursos, das explicações dadas aos cidadãos com os procedimentos factuais.

Falam em entendimento e em consenso, mas mostram não saber o que isso significa. Isso exige disposição para aceitar algumas propostas do outro, fazer cedências para que as decisões tenham concordância de ambos. E para um tal matrimónio não pode haver, de um lado, a imposição com violência e teimosia determinada e esperar do outro a submissão e o aplauso inconsciente. Ao menos no assédio, no namoro para conseguir o entendimento, deve haver atitude macia, aliciante, cativante.

Ora o que se ouviu no coliseu não foi nada consentâneo com o apelo ao entendimento com os partidos, antes uma agressividade, de luta eleitoral extremando as partes que era suposto pretender aliar. Não cito nomes dos muitos oradores que embarcaram na fantasia do «orgulhosamente sós», porque seria inevitável esquecer um ou outro, tantos foram. Com vinagre não se caçam moscas e com tal hostilidade não se consegue entendimento democrático desejável para tentar conseguir um futuro melhor para Portugal...E é imperioso que se faça tudo com o máximo de eficiência e com resultados permanentes para que futuro de Portugal seja radioso para não desmerecer o seu passado glorioso.

Aprenda-se com a Ucrânia em que, depois de pouco tempo, compreenderam que havia que sentar-se à mesa e construir o consenso, o entendimento, para assegurar o futuro do País, para bem das pessoas. Evidenciaram vontade de aliar, conjugar, esforços, construir sinergias para bem da Nação. Mostram ser gente inteligente e honesta que coloca os interesses nacionais acima das suas próprias ambições.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

MAIS DO MESMO


O Sr ministro Poiares Maduro, aparentemente, vindo de longe e sem ainda ter concluído o seu estudo analítico da situação com que os portugueses se debatem, apressou-se a manifestar a sua boa intenção dizendo querer oferecer esperança aos portugueses. Terá de ficar-se pela intenção porque os portugueses, há mais de dois anos, ouvem tais promessas («garantidas» e asseguradas») sem deixarem de ver a sua fome aumentar bem como o desemprego e os sacrifícios da austeridade excessiva e sucessivamente agravada. Por isso, as palavras generosas e supostamente bem intencionadas são «mais do mesmo».

A esperança já não pode vir pela via das palavras e promessas, mas sim pelos resultados, que já foram prometidos pelo PM para 2013 e que, como a generalidade das promessas, ficaram esquecidas no tinteiro. O povo português, como está acontecer com os brasileiros, não poder ser iludido eternamente e, como disse Mário Soares, às tantas zanga-se.

Diz também o Sr ministro Maduro que Portugal viveu "demasiado tempo sem planear o futuro" e diz muito bem, mas não deve dizê-lo em público, pois esse recado deverá ser interiorizado pelos seus colegas do Governo. Eles não têm sabido ou querido «planear o futuro». Muitas pequenas e médias empresas têm mostrado muita competência em preparar o seu futuro e estão florescentes apesar da má política que Portugal vem tendo desde há 39 anos.

Mas planear o futuro exige que se conheça bem o presente com todos os seus factores condicionantes. Um avião parte para uma missão começando pela descolagem, isto é, do ponto de partida, depois de testadas as condições do avião e de a pista estar desimpedida e em boas condições. O mesmo acontece com o atleta que, antes do salto, tem que saber fazer a «chamada». O piloto de fórmula 1 deve preparar uma boa posição na linha de partida e ter o carro bem afinado.

Por isso, Sr ministro, não despreze o conhecimento rigoroso da situação actual, em que os desabafos das pessoas, mesmo que sejam mais modestas do que o empresário de granitos que se lhe dirigiu na Feira do Granito de Vila Pouca de Aguiar, devem ser tidos como factor importante no seu estudo do Portugal actual.

Nunca se esqueça que cada português tem um voto igual quer seja um sem-abrigo ou o PR e convém que isso seja sinal de que lhe deve ser dada igual atenção e respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias, no quadro da Constituição.

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

SAIBAMOS GERIR A VIDA E OS PROBLEMAS


Estive alguns segundos a olhar estas imagens que me inspiraram o título deste post. Uma lição para pessoas singulares, gestores e governantes. É importante saber o que se quer, definir objectivos, escolher a estratégia para os conseguir e corrigir qualquer pequeno desvio da rota pretendida. É isso que nos mostra a árvore vertical. A outra hesita, estende os ramos ao sabor do vento e da luz e está sujeita às sucessivas podas que a condicionam ao sabor de estranhos.
Por mero acaso, a seguir, deparei com o poema que transcrevo, que diz de forma magistral a lição que recebi das árvores.


Depende de nós criarmos as novas circunstâncias

Nascemos livres,
somos donos de nossa vontade,
de nossos sonhos
e depende de nós a felicidade.

A razão da nossa vida
somos nós próprios.
De nós depende a paz interior
e o projeto da nossa vida
que é um permanente
projetarmo-nos no futuro.

Somos parte de divino
que devemos procurar,
dentro de nós,
em cada instante de nossas vidas.
Se o fizermos,
encontraremos a felicidade.

Busque esta parcela de divindade
dentro de si,
e, aí, encontrará a felicidade.

Não esqueça
que a vida é projeto permanente
e depende de si,
de mim
e de todos nós,
concretizá-lo face às circunstâncias.
Embora, tenhamos sempre presente
que poderemos mudar
as circunstâncias.

Sim, depende de cada um de nós,
criar novas circunstâncias
para um mundo melhor
de paz e fraternidade.


Zélia Chamusca

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Coreia pode ser detonador


Onde está o homem está o perigo. Sem dúvida, mas a imprudência aumenta o risco. Brincar com objectos perigosos exige prudência. Mas, mesmo assim, pode acontecer ultrapassar o «ponto de não retorno». Toda a guerra é precedida de actos de ameaça, de «bluff», destinados a levar o adversário a um jogo de cedências e benefícios, para chegar a um acordo em que ambos fiquem satisfeitos, sem necessidade de recorrer ao conflito armado.

Neste jogo de sinais e das suas interpretações é indispensável eficiência e prudência, porque um erro pode desencadear o drama bélico, com as piores consequências. Será que os interessados na resolução da situação na província coreana possuem a serenidade, a maturidade, que os leve a obter o máximo benefício com menores cedências sem caírem na desgraça da perda de muitas vidas e património?

Ao meditar neste tema, recordo que a guerra do Iraque iniciada em 20 de Março de 2003 foi desencadeada devido a um sinal perturbador, provavelmente inconsciente, que levou Saddam Hussein a excesso de optimismo e a alterar a sua postura de cedências. Perante a volumosa esquadra americana, nas suas vizinhanças, Saddam estava disposto a abandonar o poder e a ser exilado em palácio luxuoso com capacidade para a sua corte de mais duas centenas de amigos e colaboradores, e a escolha estava já limitada à República Árabe Unida ou à Líbia.

Mas, de repente, apesar de o espaço aéreo estar encerrado, chegaram de avião empresários franceses de explorações petrolíferas para firmar negócios, o que levou Saddam a concluir que a atitude americana não passaria de apenas «buff», pois, se o não fosse, os franceses não estariam interessados em consolidar negócios para os anos seguintes. Entretanto, o prazo de espera dos americanos esgotou-se e a guerra eclodiu. Será que na actual situação coreana, o arrogante e inexperiente líder norte-coreano que não ouve ninguém, nem de dentro nem do estrangeiro, terá a sensatez e a sensibilidade necessárias para não esticar demasiado a corda e para evitar chegar ao ponto crítico?

Perante isto, é legítimo recear que ocorra o pior e estar atento aos sinais dos poderes mundiais e regionais, aos seus interesses e às trocas de cedências e benefícios de uns em relação aos outros e aos possíveis resultados do desfecho, para prever o desenrolar desta situação explosiva quer seja com o esvaziamento das tensões e da consolidação de acordos, quer dê início ao uso de armas de destruição massiva. A dar-se a pior hipótese, com as poderosas armas disponíveis e em sobreposição à crise económica e financeira já em curso, os resultados finais poderão ser demasiado dramáticos, em todos os aspectos e para toda a humanidade.

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terça-feira, 26 de março de 2013

Governo já viu o mar !!!


O secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, defendeu que o mar «ainda não é» um «fator determinante» na economia nacional e que há que «inverter esta situação».

Declarou que se pretende com a Estratégia Nacional para o Mar (ENM) promover a «valorização» económica, social e ambiental com «benefícios de prosperidade« para «todos os portugueses».


Disse que está em fase de discussão pública, a pesquisa e conhecimento, exploração dos recursos que o meio ambiente do mar oferece e a preservação.

Destacou que se pretende que sejam criados uma série de projetos para estes vetores da ENM.


Um governo, depois de 21 meses de actividade, devia ter vergonha de, em vez de mostrar medidas já decididas e acções já em desenvolvimento, se limitar a vir com desejos, intenções e promessas vagas como se ainda estivesse em campanha eleitoral.
As palavras do secretário de Estado do Mar, ficariam bem num elemento da oposição a fazer crítica ao Governo e a mostrar o que já devia ter sido feito.
Palavras vagas como estas e a meio do mandato são impróprias de um Governo que devia procurar merecer a confiança dos cidadãos, através de melhoramentos realizados e em curso.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O imobilismo na política nacional


Transcrição de artigo:

O imobilismo
Sol. 21 de Janeiro, 2013por José António Saraiva jas@sol.pt

Defendo há muito tempo que Portugal precisa de um ‘choque vital’. E esse choque vital passa pela redução drástica da despesa do Estado, de modo a libertar dinheiro para a economia.

O Estado gasta muito dinheiro de forma não reprodutiva, e isso tem contribuído para asfixiar o crescimento económico.

Sucede que só um partido está hoje empenhado nesse objectivo: o PSD.

Porque, desde a sua fundação por Francisco Sá Carneiro, é um partido de matriz liberal (e não social-democrata, como muitas vezes erradamente se diz), com ligações à classe empresarial e com vocação empreendedora.

Todos os outros partidos não querem a mudança.

Uns por razões ideológicas, outros por razões oportunistas.

Os partidos de esquerda, que durante muitos anos foram progressistas, estão hoje numa posição defensiva, pois o seu papel é defenderem com unhas e dentes as ‘conquistas dos trabalhadores’, obtidas depois do 25 de Abril e nos anos de vacas gordas.

É esta essencialmente a posição do PCP, mas também a do BE.

O caso do PS é diferente.

O PS é um partido do funcionalismo público e da pequena burguesia urbana, e a sua matriz é estruturalmente conservadora.

Não é um partido de grandes mudanças.

António Guterres e sobretudo José Sócrates tentaram transformar um pouco essa vocação, apontando num sentido mais liberal, mas não tiveram grande sucesso.

E a passagem do PS para a oposição levou-o a adoptar uma atitude de resistência activa às reformas, criando problemas por tudo e por nada, e acabando por não se distinguir muito do PCP e do BE.

Resta o CDS. O CDS tem uma posição diversa da da esquerda, até porque está no Governo, mas – não nos esqueçamos – é um partido ideologicamente conservador.

Não está vocacionado para fazer reformas.

É por isso que, perante a obrigatoriedade imposta pela troika de mudar muita coisa, os centristas se mostram de dia para dia mais incomodados.

Paulo Portas tornou-se um verdadeiro contorcionista, colando-se hoje ao Presidente da República, demarcando-se amanhã do ministro das Finanças mas não querendo romper com ele, sendo forçado a ter uma atitude em S. Bento, outra no Caldas e outra ainda na rua.

A divulgação do relatório do FMI sobre a reforma do Estado veio pôr a nu o conservadorismo ou a falta de coragem da esmagadora maioria do país.

A quase totalidade das forças políticas e sociais, e das figuras públicas, reagiu como se o relatório tivesse peçonha.

‘Não me associem a isso!’ – foi a reacção quase generalizada.

Ninguém quis ficar ligado àquelas propostas.

Apenas uma pessoa, Carlos Moedas, teve a coragem de dizer que o relatório estava «bem feito» e merecia ser discutido.

As outras pessoas e instituições demarcaram-se dele ou atacaram Moedas, numa tentativa de desviarem as atenções e não discutirem a questão de fundo.

Disse-se que o relatório era «precipitado», que vinha «tarde de mais», que tinha «números desactualizados», sempre com o mesmo objectivo: fugir à discussão sobre a reforma do Estado.

Acontece que, por muito que se fuja ao tema, o problema está lá.

E o problema é este: o Estado não pode continuar a gastar o que gasta.

Pensemos apenas no seguinte: o défice público, por força dos compromissos com a troika, tem de continuar a baixar; ora, não podendo os impostos subir mais (e não havendo muito mais ‘anéis’, como a EDP ou a ANA, para vender), resta-nos reduzir a despesa. Não há como fugir daqui.

Mas a única força política que hoje assume esta necessidade é o PSD.

Todas as outras fogem com o rabo à seringa – não só a tomar medidas, mas mesmo a discutir as medidas.

Como fazer então? Acho que não vai ser possível fazer nada – e que esta questão pode muito bem levar ao fim do Governo.

Vamos cair num impasse: por um lado há que reformar o Estado, mas por outro há uma grande maioria contra essa reforma.

Registe-se:

O PCP está contra.

O BE está contra.

A CGTP está contra.

O PS está contra.

A UGT, quando as medidas apertarem, estará contra.

O CDS vai tentar empatar.

E, last but not least, uma boa parte do PSD também está contra. Não falo apenas de Manuela Ferreira Leite ou António Capucho – falo de todos os candidatos do PSD às autarquias que, com medo de perderem as eleições, vão estar na primeira linha das críticas ao Governo (veja-se o lamentável ataque de Carlos Carreiras a Carlos Moedas).

Ora, como será possível reformar o Estado com uma esmagadora maioria do país contra?

A reforma do Estado não irá pois fazer-se – e esse fracasso (e correspondente pressão política e financeira) poderá provocar a queda do Executivo.

No meio disto, só não percebo o contentamento de muitas pessoas de esquerda.

Elas não entendem que, se o Governo cair, a esquerda ficará com a batata a escaldar nas mãos (uma batata ainda mais quente do que hoje, pois os mercados voltarão a ‘atacar- nos’)?

Se o Governo cair, o que fará a esquerda?

Aumentará ainda mais os impostos?

Reduzirá brutalmente os encargos do Estado, fazendo aquilo que hoje nem quer discutir?

Não fará uma coisa nem outra e correrá com a troika daqui para fora?

E a seguir, quando os cofres se esvaziarem, dirá que a situação deixada pela direita era tão má, tão má, tão má, que não é possível pagar aos funcionários públicos?

Este quadro de terror não é tão longínquo quanto se pensa.

Imagem do semanário SOL

terça-feira, 1 de maio de 2012

Crescimento exige Estratégia



Estas árvores, crescendo rigorosamente na vertical, têm em vista um objectivo a atingir que, como é de boa norma, está acima do possível, para que não haja esmorecimento ou falta de estímulo e motivação. Para isso, têm uma estratégia que seguem, na verticalidade, sem hesitações, sem desvios do rumo estrategicamente definido. Assim, não têm surpresas nem hesitações nem precisam de fazer recuos e avanços intempestivos.
Como não há desvios, não sofrem percas de tempo, de recursos ou de energia.
Que bela lição é dada por estas árvores a muitos gestores conhecidos que, por incompetência, sacrificam os interesses colectivos daqueles que deviam por eles ser defendidos, protegidos e ajudados na obtenção de melhores condições de vida.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Gaspar não previu e está em pânico...

A notícia Gaspar em pânico com quebra abrupta das receitas da Segurança Social e do IRS, mesmo apenas pelo título, faz recordar a frase de Camões «não louvarei capitão que diga não cuidei». Pois é Sr. Ministro, como é possível não ter previsto estas quebras e outras, depois de decretar uma austeridade feroz que secou as fontes dos impostos?

E a lógica faz prever que isto não fica assim, vai inchar! Se fizer bem as contas, há-de notar que o IA (Imposto Automóvel) também baixou pois a quebra das vendas, segundo as notícias, foi de cerca de 50%. A queda do IVA, apesar dos aumentos brutais dos produtos alimentares, também deve ser notável pois as lojas estão paradas por falta de poder de compra dos potenciais clientes e algumas já fecharam, indo aumentar o desemprego e reduzindo o IRC e o IVA.

O trânsito automóvel tem vindo a reduzir-se e, em consequência, os combustíveis estão a vender menos, do que resultará diminuição dos respectivos impostos. Os desempregados, deixando de receber, fazem reduzir a colecta do IRS.

Estas rápidas observações de um leigo parecem lógicas e, por isso, admira que o Sr. ministro se espante com as quebras dos impostos. E tudo leva a crer que isto vai piorar. A solução não está no agravamento da austeridade mas em a economia aumentar a produção de bens vendáveis e exportáveis e, para isso, não bastam palavras bonitas sobre estágios e novas instituições de emprego que conduzem a nomeações, para o seu enquadramento, de «boys» do clã, que serão os únicos beneficiados com tal tipo de redução de desemprego.

Não é novidade e muitas vezes tem sido escrito em vários locais que este tipo de problemas de gestão ou de governação precisam de soluções abrangentes de todos os sectores que interagem com aquilo que é mais visível. Mexer apenas no aparente e deixar o resto a apodrecer só agrava a situação na sua globalidade.

Por tudo isto, não entre em pânico Sr. ministro. Está a ceifar a seara que começou a semear há já mais de oito meses. O pior é que os 10 milhões de portugueses que têm vindo a ser explorados continuarão a ser as vítimas dos governantes que tiveram e têm.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Coerência não deve ser fossilização

Deparei esta manhã com a notícia Carnaval de 2013 também não terá tolerância de ponto, o que não estranhei nem me afecta grandemente, porque há dias, apesar de não ter havido tal tolerância, as pessoas divertiram-se colocando um hiato nas suas angústias provocadas pela austeridade. É preciso, pelo menos de vez em quando, respirar fundo, sem colete de forças, enquanto tal nos for permitido, mesmo que condicionadamente.

O que achei «interessante» foi a argumentação do entrevistado «“não passa pela cabeça de ninguém que um Governo, que é um Governo que tem coerência, que tem uma linha orientadora e um denominador comum andasse a saltitar de ano para ano. Naturalmente que a decisão deste ano se repetirá”.»

É que coerência e linha orientadora deve ser definida em relação à finalidade da acção governativa (que deve ser a criação de um futuro melhor para todos os portugueses), à estratégia para a atingir com economia de recursos, em que se inclui o tempo, e deve ser referida para defender a teimosia arrogante (com o propósito do ‘custe o que custar’) de repetir actos que podem ter sido inúteis ou até incorrectos. Nada na vida é imutável e viver não significa tornar-se fóssil ou cristalizar no sistema ortorrômbico. A coerência e a linha orientadora não podem nem devem excluir os ajustamentos da condução, como aqui foi recordado.

E o propósito de não querer saltitar de ano para ano não tem significado quando se tem visto que por vezes se saltita de dia para dia, ou até de pessoa para pessoa, anulando qualquer propósito de «denominador comum» que definisse o trabalho da equipa.

Mais uma vez se verifica que o excesso de palavras anula os efeitos dos poucos sinais de resultados positivos, e é destes que os portugueses precisam.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O que os poderosos fazem ao Mundo!!!



O mundo é uma colónia de uns poucos poderosos. Eles fazem o que lhes vem à ideia (se têm ideias!). Hoje damos razão ao aviso de Dwight D Eisenhower sobre o perigo das pressões que o «complexo industrial militar» passaria a exercer sobre os governantes, a fim de continuar a construir armamento e aumentar os seus lucros.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Requisitos Essenciais a Cumprir

Transcrição de artigo:

O novo ciclo
Correio da Manhã. 06-06-2011. 0h30. Por: Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD

Acabou ontem um ciclo político que não vai deixar saudades a ninguém. A pesada derrota que os eleitores aplicaram ao PS é a prova disso mesmo. Os portugueses, quando conheceram a verdade, não gostaram do que viram.

E disseram-no de modo concludente. Em bom rigor, porém, mais do que a derrota de um partido – o Partido Socialista – esta é sobretudo a punição política de um homem – José Sócrates. É ele o grande derrotado de ontem. Por isso se demitiu. Em boa verdade, os portugueses cansaram-se do estilo, indignaram-se com a atitude e revoltaram-se contra esta forma arrogante, auto-suficiente e mentirosa de fazer política. É bom para a democracia, é bom para o exercício da cidadania.

Abre-se agora um novo ciclo. Um novo ciclo que Passos Coelho vai liderar depois da retumbante vitória de ontem. A vitória que o líder do PSD obteve foi particularmente importante. Não apenas pela dimensão categórica do resultado. Mas também pela forma como foi obtida. Com uma campanha de verdade, com um discurso sem demagogia, com um programa eleitoral a sério, nunca ocultando as dificuldades, resistindo à retórica fácil e ao compromisso de circunstância. Passos Coelho seguiu o caminho mais difícil. Fez bem. Se seguisse outro caminho, podia ter tido ainda mais alguns votos. Mas desta forma conseguiu obter o que doutro modo não lograria alcançar – uma autoridade maior e uma legitimidade acrescida para governar. Ninguém o pode acusar de não ter sido verdadeiro ou de passar ao lado do essencial. É um bom começo e um excelente exemplo. Próprio de quem tem sentido de Estado e noção das responsabilidades.

Olhemos agora o futuro. É agora que ele vai começar. Acabou o tempo da mentira e a atmosfera da ilusão. Nada será fácil mas também nada será impossível. Mas para não dificultar o que já de si é difícil há requisitos essenciais a cumprir. Rapidez na acção, um executivo maioritário, uma coligação formal entre o PSD e o CDS, uma equipa governativa de elite, um governo como deve ser – a pensar nas próximas gerações, não nas próximas eleições. Mas convém ter visão estratégica – são necessários entendimentos políticos com o PS, para fazer reformas essenciais. Nem a maioria de governo deve fugir a este desafio nem o PS deve furtar-se a esta responsabilidade histórica. Fechadas as urnas e contados os votos, é tempo de pensar no País. E já não é sem tempo.

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domingo, 3 de abril de 2011

José Sócrates é genial !!!


Fui há pouco alertado para uma notícia que realça a genialidade do actual primeiro-ministro. Apesar do muito mal que dele possam dizer, temos de concordar que tem uma esperteza pragmática, que excede a da maioria dos portugueses.



A notícia «Governo demitido faz 156 nomeações e promoções» é de mestre. Não se trata de resolver os problemas do Estado, dos portugueses, porque esses problemas nasceram pelo exagerado número de assessores e outros colaboradores que não carrearam soluções adequadas, apesar de onerarem o erário com gordos salários, carros, mordomias e variadas ajudas e subsídios. Veja-se o quantitativo global gasto em variados estudos encomendados a conceituados gabinetes amigos que aconselhavam a localização do Novo Aeroporto de Lisboa na Ota, que era dada como a localização óptima, mas que depois apesar do «jamé», foi relegado a favor de Alcochete. Tudo gente boa!

Mas, se esses colaboradores não criam soluções para os problemas nacionais, vão solucionar o grande problema de Sócrates. Ele vai candidatar-se nas legislativas com intenção de voltar a formar governo e, para isso, convém que o PS obtenha maioria absoluta, ou seja no mínimo 50% dos votos. Para esse efeito um dos seus assessores mais esperto e mais da sua confiança deve tê-lo convencido de que seria bom arranjar tachos para mais «boys» e «girls» que, com os já existentes, perfaçam metade dos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais. Depois disso não restarão dúvidas sobre a vitória incontestada!!!

E, segundo o genial José, isso é uma defesa do interesse nacional, porque segundo o seu pensamento muitas vezes implícito nos seus discursos, não há em Portugal ninguém mais capaz de governar este rectângulo. Por isso, é lógica e inteligente a distribuição de tachos a metade dos eleitores, para criar a maioria absoluta.

E não venham com a história do muito citado humorísta brasileiro Millôr Fernandes que disse «rouba hoje o mais que puderes porque amanhã poderá já não ser possível». Não. Para Sócrates, com a sua genial esperteza, nunca deixará de ser possível, enquanto houver um português com uma moeda no bolso.

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