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sexta-feira, 3 de maio de 2019

CUIDADO E PRECAUÇÃO, SEMPRE

Cuidado e precaução, sempre
(publicado no semanário O DIABO nº 2209 de 03-05-2019, pág 16?

São imensos os acidentes de várias espécies que têm vindo a público, com perdas de vidas, de bens materiais e de danos para o meio ambiente que podiam e deviam ser evitados com práticas sistemáticas de cuidado e precaução com a manutenção e a utilização de equipamentos. Pessoas menos conscienciosas dirão que os cuidados e as medidas de precaução de que é exemplo a manutenção de materiais, têm custos. Mas, em sentido contrário, não podemos tentar esquecer que as vidas perdidas os haveres estragados por acidentes evitáveis têm um preço muito mais elevado, por vezes incalculável e com efeitos demasiado dolorosos para as vítimas e suas famílias, além da emotividade desagradável da população em geral.

Há poucas dezenas de anos, em meios próximos da educação e da formação profissional era defendida e aconselhada a excelência dos resultados do trabalho, mas o aparecimento de uma onda juvenil de falsos filósofos, ainda imberbes nas artes profissionais e convencidos de que estavam dentro do conhecimento da digitalização, lançaram a ideia de que o que era necessário era chegar ao fim sem olhar para a qualidade do trabalho, afastaram o culto da excelência no trabalho e deixaram lugar vago para o desmazelo e o desleixo generalizado que está a minar o desenvolvimento das indústrias e dos países.

O incêndio que deflagrou na catedral de Notre Dame de Paris em 15-04-2019 e que a podia ter deixado irrecuperável, deve ter sido gerado por material tratado com menos cuidado, menor precaução ou inconveniente desleixo, desmazelo ou desprezo, por pessoas não totalmente conscientes do possível perigo.

A queda do autocarro cheio de turistas, na Madeira, em 17-04-2019, que se despistou e capotou pela encosta, matando 29 turistas e ferindo 28, segundo suspeitas, pode ter perdido os travões durante o percurso, pouco tempo depois de abandonar o hotel. E isso poderia não ter sucedido se a viatura tivesse sido cuidadosamente vistoriada antes da sua utilização, ou se o motorista a tivesse imobilizado logo que detectou que algo não estava a funcionar correctamente.

Em Agosto de 2010, o despiste de um autocarro dos Transportes Colectivos do Barreiro, em frente da estação do terminal rodo-fluvial, causou um morto e quatro feridos ligeiros. O acidente ocorreu quando o autocarro se despistou e embateu noutro autocarro da mesma empresa municipal de transportes públicos. Uma melhor concentração do motorista naquilo que estava a fazer teria evitado o morto e os feridos.

Em Outubro de 2010, quatro pessoas morreram num acidente de viação no Itinerário Principal 4 (IP4). Ao quilómetro 93, uma colisão entre um ligeiro e um mini-autocarro provocou quatro mortos, três alunos polacos e um residente de São Cibrão, e 10 feridos ligeiros, todos jovens do Abambres Sport Club. A que se terá devido a falta de concentração do motorista no trabalho que ia a realizar?

Em 10 de Março último caiu na Etiópia um avião, seis minutos depois de descolar, tendo morrido todos os 149 passageiros e 8 tripulantes. Provavelmente, antes da descolagem não teria sido devidamente inspeccionado. E, possivelmente, o piloto do voo anterior não deve ter informado sobre qualquer deficiência detectada.

Em 29 de Outubro passado, um Boeing caiu no Mar de Java, devido a uma causa desconhecida, o piloto entrou em contacto com a torre de controle e pediu para retornar ao aeroporto, porém a aeronave perdeu o sinal 13 minutos depois, o avião que transportava 189 passageiros entre eles uma criança e dois bebés, caiu ao mar, tendo morrido todos os seus ocupantes. Em 11-12-2018, fiz em O DIABO um apelo para se tomarem medidas preventivas a fim de “Reduzir os acidentes rodoviários”.

As vidas assim perdidas e os ferimentos podiam provavelmente ter sido evitados se tivesse havido o culto da excelência quer dos mecânicos quer dos motoristas e pilotos.

Vale mais prevenir do que remediar. ■


terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVAS PARA AMNHÃ

Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018

Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.

Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.

No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.

A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.

Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.

Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.

O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.

Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.

E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.

António João Soares
28 de Agosto de 2018


terça-feira, 29 de maio de 2018

PREVENÇÃO, COMO?

Prevenção, como?

(Publicado no semanário O DIABO em 29-05-2018)



Estamos quase a entrar em nova época de fogos florestais, segundo o calendário da Protecção Civil. O PM já deu a sua directiva: não precisa de mais estímulos do PR e a solução reside na prevenção. Embora esta “directiva” não seja perfeita, porque no caso de a prevenção falhar, mesmo que pontualmente, é indispensável preparar sistema de combate a incêndios que, “eventualmente”, ocorram, por forma a não se repetirem as tragédias do ano passado.



E desta directiva tão “brilhante”, o que resulta? Como responsável por uma máquina administrativa, executiva, com uma hierarquia escalonada em diversos degraus, esperará que, em cada degrau, se repita “prevenção”, como tem sido bom estilo dos papagaios da política! Mas o desejável seria a especificação de medidas eficazes conducentes ao objectivo desejado, sucessivamente pormenorizadas e traduzidas em actos práticos e com capacidade de eficiência para evitar os fogos. Evitar deve ser o resultado da prevenção.



Para isso, a máquina executiva terá de esperar eficácia, nas áreas da Administração Interna, da Agricultura, do Ambiente, da Educação, das Finanças, etc. A Administração Interna já evidenciou ausência de conhecimento real do problema ao emitir uma ordem indicando um prazo que teve de ser anulado, por impossibilidade de ser cumprido. A limpeza das matas não pode constar do corte de toda a vegetação, em que se incluem pequenas árvores que viriam a substituir as árvores de hoje, dando natural continuidade à vegetação útil. Sem tal cuidado produz-se a desertificação.



Há que agilizar os vários degraus do poder, chegando até aos guardas florestais, guarda-rios e cantoneiros, passando pelas autarquias, regedores, etc., para consciencializar a população rural sobre os cuidados a ter para evitar os fogos. Não deve ser desprezada a análise dos diversos interesses nos fogos para aplicar uma Justiça rápida e rigorosa, dissuasora de incendiários e seus eventuais financiadores.



Para que o Sr. PM não venha a ser acusado pelos seus actuais colaboradores de ser “vergonhoso e desonroso”, como foi dito do seu antecessor, deve escolher para responsáveis por funções importantes nos diferentes graus da hierarquia pública, pessoas tecnicamente capazes, conhecedoras dos problemas a resolver e experientes na sua prática, a fim de ajudar a preparar as melhores directivas, a colocá-las em execução e a controlar os resultados, passo a passo, a fim de conseguir prevenção eficaz e o mais adequado combate a fogos que ocorram devido a eventuais falhas.



Nessa escolha convém evitar amigos, corruptos e opiniões interesseiras de “colaboradores” mais interessados nos seus próprios interesses e ambições do que na defesa dos interesses nacionais e na melhoria da qualidade de vida das pessoas que o Governo deve ter sempre em primeira prioridade.



A preocupação principal deve ser a resolução dos problemas actuais com soluções que contribuam para um futuro melhor com objectivos a longo prazo, bem definidos e convincentes que consigam convergência de esforços.



Para isso tem que haver ousadia de mudança, sem hesitações, mas também sem precipitações aventureiras que apenas produzam esperanças falhadas e sem bons resultados compensadores do esforço. A preparação da decisão deve seguir a metodologia referida no texto publicado n’O DIABO em 27-09-2016. Feita a escolha, deve seguir-se a execução, com planeamento, organização e programação, de forma muito realista, para ser obtido o melhor êxito, evitando falhas. E, após iniciada a acção, deve accionar-se um sistema de controlo para pôr em acção eventuais ajustamentos mais convenientes.



António João Soares


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

OLHAR PARA O FUTURO É IMPERIOSO

Olhar para o futuro é imperioso
(Publicado no semanário O DIABO em 9 de Janeiro de 2018)

A vida é uma escola em que devemos estar sempre atentos para aprender coisas novas e para reforçar conhecimentos anteriores. Viver é como fazer um percurso a corta-mato em que, ao dar um passo, devemos estar certos do ponto em que vamos colocar o pé, a fim de não cairmos e termos ferimentos graves. Devemos estar sempre com os olhos no futuro, no resultado de cada acção, para termos a noção de que estamos no bom caminho para atingir o objectivo pretendido. Este conceito tem sido aqui referido em diversos textos publicados sobre a preparação da decisão, o planeamento, etc. E foi com agrado que deparei com a notícia da inauguração da sede da Associação de Vítimas de Incêndios de Pedrógão Grande, AVIPG, em que o Chefe do Estado realçou o facto de esta «possuir uma dinâmica de futuro, que sublinhou como sendo caso “muito novo” no cenário português.

Perante a memória de uma situação trágica, em vez de pararem em lamúria, decidiram preparar um futuro melhor e iniciar já um desenvolvimento para o conseguir que, segundo ele, são “três dimensões juntas” e “muito raras” que destacam a AVIPG como um exemplo modelar de um novo caminho a seguir pelas populações e pelos seus responsáveis - autarquias e governos.

E o mais significativo é que o futuro pretendido não tem limite de tempo, sendo indeterminado e recebendo adaptações às evoluções de situações que, entretanto, ocorrerem. É uma filosofia para orientar a evolução para uma «nova era» em que o objectivo é conseguir a melhor qualidade de vida para os habitantes, seus animais de estimação, suas propriedades rurais e industriais e o seu património privado e público.

Quem cai deve levantar-se e continuar a vida. É assim que as crianças iniciam a sua capacidade para andar. Chorar um fracasso nada resolve, e o que interessa é analisar aquilo que originou o acidente e pensar inteligentemente no futuro para que não volte a acontecer a mesma desgraça ou outra. Assim, uma tragédia pode ser um estímulo útil para preparar um caminho mais eficiente para um futuro melhor. O PR frisa muito bem que este caso da AVIPG deve ser tomado como modelo a seguir por todos os que têm responsabilidades pelo povo, pelo património de hoje e de sempre. Já houve em Portugal situação semelhante, mas que não serviu de modelo durante muito tempo. Após o terramoto de 1775 surgiu um urbanismo que ainda é exemplar: a baixa pombalina de Lisboa e a cidade de Vila Real de Santo António. Mas, agora, não é preciso que se copiem as práticas da AVIPG mas, sim, o seu raciocínio que conduz a aproveitar a situação real e, em vez de reerguer o passado, pensar num futuro mais adequado às necessidades e às conveniências colectivas e preparar um futuro melhor, tudo devidamente ponderado a fim de ter continuidade, atendendo a custos e benefícios.

Se os governantes assumissem este exemplo, não ficariam parados tantos projectos válidos para a ferrovia, o aproveitamento e conservação da água fluvial e outras coisas da vida dos cidadãos, principalmente do interior.

E não esqueçamos que a catástrofe de Pedrógão foi há meio ano. E daqui a meio ano pode ocorrer, em qualquer local, incêndio de graves dimensões. E não podemos deixar de perguntar: o que foi feito, nestes seis meses para evitar mais fogos graves? Que medidas preventivas estão em marcha, para evitar e para combater com mais eficácia os que não forem evitados? Que sentido de futuro existe no Poder Executivo? E o que tem saído do Poder Legislativo, nesse sentido? Tem-se ocupado com aquilo que considera mais urgente: as finanças dos partidos, lesando o erário público, dos cidadãos. E aquilo que interessa à melhoria da qualidade de vida deste?

António João Soares
2 de Janeiro de 2018

domingo, 9 de abril de 2017

VALE MAIS PREVENIR DO QUE REMEDIAR

Vale mais prevenir do que remediar
(Publicado em O DIABO de 4 de Abril de 2017)

Agora, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção investiga, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é um facto é que não havia medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas na data em que nos encontramos é que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe.

Mas essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património, perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, se as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir».

A João Soares
21 de Março de 2017

domingo, 15 de junho de 2014

FOGOS FLORESTAIS, DRAMA A REDUZIR



Evitar, Reduzindo as condições de ocorrência


Até há poucas dezenas de anos não havia fogos florestais senão muito raramente em matas do Estado que não recebiam os cuidados vulgarizados em matas privadas. Estes cuidados eram praticados com outra intenção e a segurança contra os fogos era uma consequência do aproveitamento das aparas da rama dos pinheiros para lenha das cozinhas e dos fornos do pão e para estacas para as videiras, o feijão, o tomate etc. O mato rasteiro e a caruma eram colhidos anualmente, por uma ou duas vezes, para camas do gado, para curtir e produzir fertilizantes para os trabalhos agrícolas, antes de ser divulgado o uso de adubos químicos. Daí resultava uma minúscula carga térmica nas matas e qualquer descuido nunca teria proporções que não fossem rapidamente eliminadas pela pessoa que detectou.

Detectar

Agora, nos tempos actuais, não é fácil investir na limpeza das matas, embora deva ser feito esforço em tal sentido começando por um prático aproveitamento dos materiais combustíveis na preparação de biomassa e dar a esta uma finalidade rentável.
Mas, não sendo fácil impedir o aparecimento de focos de incêndio, há que estabelecer um sistema eficaz para os detectar e combater rapidamente antes de tomarem grandes proporções… …..

De notícia na Comunicação Social de há dois dias, conclui-se que o sr ministro Miguel Macedo quer menos ocorrências de incêndios florestais. Não é impossível satisfazer esse justo desejo. Na primeira fase do incêndio basta um copo de água para o apagar e impedir que prossiga a sua missão de destruição. Daí a pouco, será necessário um balde de água. E… depois, haverá muito trabalho para impedir que a destruição prossiga.

Como atacar na fase inicial?
Pela detecção, alerta e prontidão no ataque.

Como conseguir?
Os municípios, conhecedores da orografia do terreno e da distribuição da vegetação devem montar postos de vigilância, dotar cada um com binóculo, bússola e rádio ou telemóvel e ensinar a servir-se correctamente destes equipamentos. Vigiam todo o terreno que podem ver,por sectores seguidos e, ao menor sinal de incêndio, apontam a bússola para o local, lêm o azimute e comunicam por rádio ou telemóvel à central regional (ou distrital ou concelhia) da Protecção Civil. Aqui, em frente à carta topográfica que cobre a parede, o técnico de serviço, munido de transferidor e de régua, desenha na mica que cobre a carta um traço a partir do local do posto de vigia autor da informação, com a orientação (azimute) vinda de lá. Depois faz o mesmo às comunicações vindas de outros dois ou mais postos de vigia. O ponto (normalmente um triângulo) definido pelo encontro de tais linhas (azimutes) é o local do foco de incêndio.
É para aí que deve partir, de imediato, uma viatura de socorro. Se tudo se passar com rapidez, bastará um balde água ou pouco mais !!! Assim, se consegue corresponder ao desejo do Sr Ministro de ter menos ocorrências de incêndios e se evitam os terríveis prejuízos causados por tais calamidades à população em geral.

Punir incendiários e dissuadir

Sempre que forem detectados incendiários, quer o façam por interesse ou por tara psicológica (piromania),deve ser aplicada uma legislação que dissuada outros potenciais criminosos, os desencoraje de tais crimes que tantos prejuízos causam a pessoas e à economia nacional. A punição de crimes desta natureza deve ser rigorosa para servir de lição de que tal crime não compensa.

Espero que este texto despretensioso venha a ser útil e traga benefícios para a nossa floresta que bem pode ser uma riqueza nacional.

Imagem de arquivo

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FOGOS FLORESTAIS. LIMPEZA DA FLORESTA


Em plena época de fogos florestais, há inúmeras lamentações acerca da falta de limpeza das florestas, o que mostra a importância desta como factor preventivo da catástrofe que nos assola anualmente. Mas, infelizmente, não se vê uma medida eficaz para garantir uma limpeza adequada e evitar os dramáticos fogos.

Tal limpeza tem custos e muitos pequenos proprietários não possuem meios financeiros para a fazer e dar destino aos produtos retirados das matas. As autarquias também não olham para o problema com tanto sentido de responsabilidade como quando decidem fazer obras de ostentação como rotundas nem sempre vantajosas a não ser para construtores e corruptos.

Dizia há dias um amigo: «Ainda sou do tempo em que» as matas estavam sempre em estado de limpeza que se podia fazer nelas uma fogueira sem o risco de atear incêndio. E esses pequenos fogos eram realmente acesos sem perigo de alastramento quando o pessoal que nelas trabalhava aquecia o almoço que levava de casa em tachos ou marmitas.

Mas ninguém fazia algo com a finalidade de a s limpar, pois a limpeza resultava do aproveitamento de mato e caruma, feito periodicamente a fim de utilização em cama para o gado, amontoamento para decomposição (por vezes em ruas e caminhos) para futuro fertilizante das sementeiras. Por seu lado, os ramos inferiores dos pinheiros, mais propícios ao fogo eram cortados (esgalhados) a fim de obter lenha para a lareira e para o forno do pão e para empar videiras, feijão, ervilhas e tomates, etc.

Ao longo dos anos mais recentes, a modernidade dispensou a utilização de tal matéria-prima natural e recorre a outros meios do que resulta que a mata fica com tudo o que produz e torna-se vulnerável a qualquer descuido ou má intenção com meios igníferos. Perante isto, a limpeza das matas tem que ser feita determinadamente para esse fim e deve ser dado destino aos produtos dela resultantes, por exemplo, para produção de biomassa, com destino a fertilizantes, compactações em lâminas tipo tabopan, blocos para centrais de calor, energia, etc.

Para tais trabalhos de limpeza, as autarquias podem recorrer a desempregados, detidos de prisões com remuneração adequada. E, por outro lado, aos pirómanos, que entretanto continuem a agir, deve ser aplicada pena efectivamente dissuasora. As notícias de inúmeros fogos devastadores que têm afligido as pessoas, tornam urgente a determinação de medidas práticas eficazes, claras e motivadoras. O MAI tem que ir além das palavras simpáticas e das idas aos funerais de bombeiros vítimas do seu trabalho em favor da população e da paisagem nacional.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002 e de posts em blogue.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se
- Definir a Protecção Civil
- Fogos florestais pertencem ao passado
- Prevenção de fogos florestais
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos
- Fogos florestais. Prevenção e combate
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor
- Fogos florestais. Problema a não esquecer
- Fogos Florestais - Enxurradas
- Mais vale prevenir do que remediar
- Prevenção de fogos florestais
- Prevenção nas florestas
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains
- Limpar Portugal em permanência
- Fogos Florestais 2010
- Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!
- Os fogos acabam hoje ???
- Brincar aos planos de prevenção???
- Fogos testam capacidades de génios
- A floresta exige mais cuidados
- Políticos não são pessoas superiores
- Conhecer a floresta para a amar e preservar

Imagem de arquivo

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A EROSÃO DO PODER


Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Esta frase é muito antiga e está na base dos estudos e das investigações ligadas a tudo o que respeita à biologia, à mineralogia, à geologia. As transformações podem tornar-se visíveis ao fim de séculos ou após poucos dias ou horas. Tudo o que tem início tem fim.

Este rememorar do conceito referido vem a propósito da notícia Passos perde apoio dos 'seus' em que, acerca do desagrado do não pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos em Junho, são citados os nomes do coordenador da Comissão de Orçamento e Finanças, Duarte Pacheco, do eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, dos antigos líderes sociais-democratas, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes e de António Capucho.

Já há dias surgiram palavras de desagrado e desaprovação de: Paulo Portas, Eduardo Catroga, Rui Rio, etc

Seria bom para os portugueses que a governação funcionasse menos visivelmente de aparências e futilidades e se focasse mais na essência dos problemas, seus factores definidores e estratégicos, as origens reais dos «conflitos» e a procura de soluções sérias e duradouras, com sensatez e sentido de Estado e de responsabilidade, tendo sempre em vista a melhoria das condições de vida dos portugueses, principalmente dos mais carentes.

Com tal mudança de filosofia e de prioridades começaria a ser conquistada a confiança do povo, consumidor e eleitor, e este recuperaria a esperança em dias melhores.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vaga de Frio

Na vaga de frio intenso que se avizinha, a Autoridade Nacional de Protecção Civil aconselha as pessoas a evitar estar ao frio durante muito tempo, vestir várias camadas de roupa, proteger a boca e o nariz, usar luvas, chapéu e cachecol, não exercer actividades físicas violentas e ter especial cuidado com aquecimentos a lenha, por causa do monóxido de carbono.
Como os bebés e os idosos são os mais vulneráveis ao frio, devem ser objecto de cuidados redobrados.
Cuidados especiais a ter com o frio:

A. Fora de casa:

1. Na condução, nomeadamente em via propensas à formação de gelo, ter cuidado com o piso escorregadio e circular a velocidades baixas.
2. Para sair à rua, usar várias camadas de roupa em vez de uma única peça de tecido grosso, evitar também o uso de roupas muito justas que façam transpirar.
3. Ter cuidado com actividades físicas intensas que obrigam o coração a um maior esforço e podem conduzir a um ataque cardíaco.
4. Ter atenção aos sinais de hipotermia (corpo frio, pele roxa e falta de reacção). Na presença de algum destes sintomas, ligar imediatamente para o 112.
5. Usar gorros (ou outro tipo de protecção) uma vez que uma boa parte do calor corporal perde-se pela cabeça.
6. Proteger as mãos com luvas.
7. Manter as roupas secas trocando as peças molhadas se necessário.

B. Dentro de casa

Aquecer o lar pode provocar incêndios ou intoxicações, por isso há que ter cuidado com o aquecimento da casa
1. Fazer um bom isolamento de janelas e portas.
2. Procurar fazer sempre refeições quentes.
3. Ter cuidado com as lareiras em locais fechados e sem renovação de ar, porque a combustão pode originar a produção de monóxido de carbono, que é um gás mortal. Ao utilizar uma lareira, colocar um resguardo próprio para evitar que qualquer faúlha salte para fora.
4. Nunca usar petróleo, gasolina ou álcool para atear a lareira.
5. Ter atenção aos aquecedores devido ao risco de acidentes domésticos, nomeadamente a sobrecarga dos quadros eléctricos.
6. Não secar a roupa no aquecedor e afastá-lo de cortinados, tecidos ou mobílias porque pode provocar um incêndio.
7. Se houver ar condicionado, deve ter-se cuidado ao sair à rua porque a diferença de temperatura pode provocar um choque térmico. Deve desligar-se o ar condicionado meia hora antes de sair e agasalhar-se bem.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Serenar os espíritos é necessário e urgente

Estamos a viver uma época de violência, como se viu nos acontecimentos na Noruega e como as notícias nos vêem trazendo diariamente. A desconfiança, a ambição, a competição, a desconfiança, os medos, o exagerado apego ao dinheiro e aos sinais ostensivos de riqueza, são sintomas de um mal-estar psíquico que afecta a generalidade das pessoas. Dentro da maior parte das pessoas existe um vulcão com o magma cada vez mais agitado, como uma panela a ferver, prestes a ter a sua erupção.

Na Damaia, confrontação entre dois grupos rivais, usando armas brancas e arremesso de pedras causaram quatro feridos graves. Parece que um dos grupos é especialista em tráfico de drogas e o outro em tráfico de armas.

Outra notícia diz que gangues de droga traficam armas de guerra no Porto, não faltando metralhadoras e outras armas de guerra à venda, nem criminosos para as comprar. E perante isto, quais são as medidas a levar a cabo pelas forças policiais e pela Justiça? Além da condenação oportuna e visível, há que criar dissuasão credível, convincente.

O agressor dos atentados em Oslo «empregou as denominadas balas expansivas ou "dum-dum", munições que quando explodem no interior do corpo humano provocam feridas internas "absolutamente terríveis" e cujo efeito é semelhante ao de milhares de agulhas e alfinetes.» São armas proibidas na guerra por convenções internacionais, por serem excessivamente desumanas para serem usadas por gente civilizada. Além de tais balas, o rapazinho norueguês, considerado bem comportado, tipo cruzado, novo templário ou inquisidor, tencionando libertar o mundo da maldade e dos inimigos das suas convicções, planeou a sua actuação, não apenas esta como várias outras em vários países, e disse que fez uma coisa atroz mas necessária…

Isto é seriamente dramático. Francisco Louçã a propósito do caso norueguês que lamenta alertou para a necessidae de limitar o acesso ao porte de arma. E apontou o dedo para a Europa que tem reagido muitas vezes de uma forma negativa no que toca a questões associadas ao terrorismo, por exemplo, em relação à Al-Qaeda, “criando uma espécie de islamofobia, quando não é disso que se trata”. E rematou: “Isso é deitar gasolina para a fogueira do terrorismo”.

A realidade demonstra que o terrorismo está entre nós e, por isso, os nossos políticos devem pensar que, além do norueguês, outros idealistas haverá por aí com intenções semelhantes e, eventualmente, com projectos parecidos. A surpresa com que este actuou mostra que o cuidado não é apenas ter guarda-costas em quantidade, mas estar atento às causas, às circunstâncias, que possam propiciar a lenta mas persistente maturação de projectos violentos. Há que ter muito cuidado com os procedimentos de governação por forma a não criar ressentimento nos cidadãos mais humildes, que prezam a ética, a moral, a seriedade. A cortrecção, a moralidade das medidas decididas, a transparência, a informação esclarecedora que capte a aceitação e a colaboração espontânea, devem ser formas preferidas em vez da arrogância, da imposição autoritária, do abuso do poder, da injustiça social, cada vez mais repelida pela generalidade da população.

Em fim, estando atentos às desgraças e acidentes, podemos tirar conclusões positivas para aperfeiçoar o relacionamento social e a vida em conjunto, com mais Paz e harmonia.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

PR sem margem de manobra !!!


Transcrição de notícia seguida de NOTA:


TSF, 22-03-2011. às 19:56


O Presidente da República afirmou, esta terça-feira, no Porto, que a rapidez com que a crise política evoluiu «reduziu substancialmente» a sua margem de manobra para actuar preventivamente na questão do novo PEC.

«Esta questão passou muito rapidamente para o plano dos partidos e da Assembleia da República. Pela forma como o programa foi apresentado, pela falta de informação, pelas declarações que foram feitas quase nas primeiras horas ou até nos primeiros dias, tudo isso reduziu substancialmente a margem de manobra para um Presidente da República actuar preventivamente», frisou.

Cavaco Silva recusou-se a «antecipar cenários» e a fazer «especulações em público» antes do «debate importante que vai ter lugar na Assembleia da República».

NOTA: Camões disse «Não louvarei capitão que diga não cuidei». Onde tem andado o PR durante estes anos? Porque não ordenou aos ses colaboradores o estudo permanente dos vários sintomas que têm surgido, por forma a prever a evolução da situação e preparar antecipadamente as suas atitudes perante o aparecimento dos factos? Porque não luta contra a sua crónica hesitação, o excesso de ponderação paralisante, a sua tendência para os tabus, para o sistema de esperar para ver? Na sua função, qualquer actuação ou ausência dela pode influenciar seriamente os interesses nacionais, para bem ou para mal. O nosso povo diz sabiamente que «vale mais prevenir do que remediar».

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tragédia que faz pensar

Perante as notícias e as imagens da tragédia provocada pela pluviosidade excessiva da Madeira, mais acentuada no Funchal, surgiram comentários extremados: ou apenas olhando para os estragos de vidas e haveres ou colocando a tónica nos cuidados preventivos considerados insuficientes. Mas, como «no meio é que está a virtude», parece que o mais importante para a vida real é retirar conclusões, lições, a aplicar na prevenção.

Neste caso, além do falado radar que permita prever a chegada do mau tempo, há que ter presente que a ameaça é a Natureza, não se podendo evitar uma nova bátega de água de volume igual ou mesmo superior. Também não há forma eficaz de parar a torrente ou de lhe condicionar o avanço porque este, tratando-se de tantas toneladas de água e de detritos e destroços por ela arrastados, é imparável.

Logo, parece lógico que o que há a fazer é ter o seu caminho natural – a linha de água – facilitado, desimpedido, liberto de obstáculos para poder ser utilizado pelo «dilúvio». Deve ter-se presente que o chamado «leito de cheia» deve estar desobstruído, não devendo ter nada que dificulte o avanço da torrente a fim de esta não ter de procurar outra via, à força, com os estragos inerentes. Mas, infelizmente, os empreiteiros, apoiados pelos técnicos das Câmaras, não podem ver um palmo de terra sem ambicionar retirar dele o máximo de rendimento ou de lucro.

Esta lição deve ser aprendida e praticada em todo o lado. Não faltam situações de perigo nas nossas aldeias, vilas e cidades, principalmente onde o terreno é mais acidentado.

Por exemplo, em Cascais, nos fins da década de sessenta, houve um caso grave que não foi devidamente assimilado e aplicado na prevenção de casos futuros. Em termos de «Protecção Civil» é normal aceitar que tudo o que pode acontecer virá a acontecer, embora em data imprevisível.

A vila de Cascais é atravessada pela Ribeira das Vinhas que em tempos foi feita passar em túnel desde um pouco a montante do mercado até ao mar, na baía, junto ao Palácio Seixas. Durante essa chuva intensa em 1968 (se não me engano), ou porque o túnel não tivesse a dimensão conveniente ou porque os destroços arrastados pela água tivessem entupido a boca, a água cumpriu o seu destino, começando a formar uma albufeira e depois avançou pela superfície destruindo tudo o que lhe dificultava a progressão. Pisos dos arruamentos e andares mais baixos sentiram os seus efeitos devastadores.

E o resultado? O mesmo túnel ali continua para criar uma tragédia semelhante ou pior. Houve a ideia brilhante de restabelecer a Ribeira a céu-aberto, com largura e profundidade adequadas e pontes elevadas para suportarem enchentes, sem dificultar a passagem da água. Mas não passou de ideia e, entretanto, a Câmara investiu no edifício da biblioteca em pleno leito de cheia e os edifícios de construção recente do BCP e de outras empresas estão inconscientemente a barrar a linha de água.

Mas a vulgaridade das pessoas e de alguns funcionários camarários desconhecem «o que é uma linha de água», «o que é o leito de cheia».

Há alguns anos, durante grandes chuvas, numa região do Norte, havia um café mesmo em cima de uma linha de água, a que ninguém dava atenção porque nunca ali viam água. Com as chuvas a água tinha que passar por ali, esbarrou na parece da casa, foi enchendo e, quando a pressão foi suficientemente forte, derrubou a parece e varreu tudo o que estava dentro do café, tirando a vida aos clientes que lá estavam calmamente a beber a cerveja.

Há erros que a Natureza não perdoa e que bem podiam ser evitados.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Queda de bancada causa 15 feridos

Ontem às à tarde, numa festa de Natal a decorrer na Terra dos Sonhos, em Santa Maria da Feira, uma bancada caiu causando 15 feridos, incluindo seis crianças e duas grávidas, felizmente sem gravidade. Mais duas pessoas sentiram-se mal e acabaram por ser transportadas para hospital 17 pessoas. Logicamente o abastecimento de energia foi cortado e houve cenas de pânico.

Este acidente, como outros em espectáculos e mesmo no trabalho, são muitas vezes resultado de irresponsabilidade, incompetência, falta de profissionalismo, desleixo, incúria. Infelizmente, há muita gente que não se preocupa com a perfeição do trabalho mas apenas com o salário que recebe. É necessário averiguar todos os casos e condenar rápida e rigorosamente os responsáveis pelas deficiências que ocasionem acidente que possam colocar em perigo vidas humanas. A impunidade não deve ser deixada alastrar por todos os sectores e é urgente criar medidas de dissuasão, com vista à recuperação da sensação de segurança e de confiança.

Os cuidados com os espectáculos devem ser acrescentados ás precauções necessárias para que uma quadra festiva, de alegria, não seja transformada em dor e luto, referidas aqui.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Evitar catástrofes

(Publicado no bogue Do Miradouro em 20 de Janeiro de 2007)

No momento em que escrevo, chove com muita intensidade. Entretanto, li a notícia dos efeitos catastróficos do «tufão Durian que matou mais de 500 pessoas, nas Filipinas, país que todos os anos é atingido por dezenas de furacões. Fortes chuvas, deslizamentos de terras e casas destruídas marcaram a passagem do vendaval pela província oriental de Albay, onde cerca de 11 mil filipinos ficaram desalojados. ‘A devastação é total’, resumiu o governador da região central de Bicol, apelando à ajuda internacional».

Aprender com as próprias experiências é uma forma de progredir na vida evitando complicações, mas é ainda mais sábio aprender com a experiência alheia por não se sofrer o ónus da aprendizagem. Ter casa na encosta tem beleza mas também tem riscos e exige cuidados prévios para avaliar os perigos e trabalhos de manutenção para evitar o agravamento destes. Há cerca de 15 anos houve numa favela do Rio de Janeiro um acidente do mesmo tipo deste nas Filipinas. Na altura estava a trabalhar no Serviço Municipal de Protecção Civil do Concelho de Loures e chamei a atenção do presidente da Câmara para o perigo que corria a encosta de Carnide, próximo do actual cemitério em que muitas casas já tinham os alicerces sem apoio por baixo devido a pequenas e sucessivas deslocações de terra devidas ao facto de se tratar de um aterro recente na orla Norte da «estrada militar». Toda a área, ao longo da encosta desde a Pontinha até à calçada de Carriche, onde foram construídas clandestinamente casas sem qualquer estudo prévio, estava em risco. Tal como este caso havia outros no Concelho e em vários pontos do País.

Estamos agora a atravessar um período de chuvas mais abundantes do que habitualmente, e devemos meditar sobre os perigos de não respeitarmos as condições da natureza. A construção nas linhas de água, ou nos talvegues, não é tida na devida consideração e já tem havido entre nós casos graves. Essas linhas de água, no Verão passam despercebidas aos menos atentos, mas no Inverno a água transforma-as em pequenos ribeiros que perante o obstáculo se transformam em pequenas albufeiras podendo atingir força suficiente para derrubar casas, como aconteceu há poucos anos no Norte em que um café foi arrastado, causando a morte aos seus ocupantes.

Para evitar tais catástrofes, é conveniente não construir no caminho natural da água, construir apenas em solo que mereça confiança e criar condições a montante para desvio da água por forma a não encharcar o terreno evitar futuros deslizamentos de terra. Em casos em que o perigo vem da natureza, a única solução é prevenir, evitando catástrofes, na medida do possível. Não é sensato contrariar o que é natural.

domingo, 16 de agosto de 2009

Mais vale prevenir do que remediar. 030819

(Publicada em «A Capital», 2003.08.19, pág. 15)

À primeira vista, parece que já demasiadas pessoas emitiram opinião sobre o drama dos fogos florestais. Porém, julgo que não é demais insistir no problema, a fim de que a actual situação emocional não se extinga antes de serem tomadas decisões práticas e exequíveis. Embora hoje as conversas se foquem nos crimes de fogo posto, parece que o objectivo principal deve ser voltado para o futuro, deve versar a adopção de medidas de prevenção que venham a impedir que qualquer fogo, de qualquer origem, se expanda por áreas incontroladas.

Se, com as próximas chuvas, deixar de se falar na reestruturação e manutenção da floresta, certamente que, no próximo ano, arderá tudo aquilo que este ano escapou. Por isso, é absolutamente necessário que não se deixe de falar nisto, alertando os responsáveis para a urgência do problema, o qual não pode deixar-se secundarizar com qualquer caso que entretanto surja.

Permito-me esboçar duas reflexões que julgo significativas. A primeira refere-se à limpeza das matas. Há quem faça comparações com o que sucedia há cinco ou mais décadas. Mas, efectivamente, não há comparação possível. Nessas datas, as matas estavam limpas, por vezes em exagero, porque todo o material delas retirado era útil para a vida das populações rurais e para as tarefas agrícolas. Ninguém tinha como objectivo limpar as matas; estas resultavam limpas por efeito do aproveitamento da «esgalha» dos pinheiros, da roça do mato e da apanha da caruma.

Hoje, para se conseguir ter as matas limpas seria necessária mão-de-obra, que não existe (apesar da taxa de desemprego!), seriam necessárias máquinas que teriam o inconveniente de impedir o crescimento dos pinheiros acabados de nascer. E, depois, qual o destino dos produtos resultantes da limpeza? Se forem deixados em medas, constituem bombas incendiárias. Outra pergunta será: onde irão os pequenos proprietários, muitas vezes idosos, com pensões de miséria, buscar dinheiro para pagarem essas limpezas? Fica, pois, a pergunta de resposta difícil: deve ou não fazer-se a limpeza das matas?

Uma segunda reflexão, que de certo modo responde à primeira, liga-se à compartimentação da floresta por aceiros largos e mantidos perfeitamente limpos, à alternância de faixas de árvores folhosas, com outras de pinheiros e de eucaliptos, com pastagens, e aos acessos fáceis a todos locais, etc.

Estas actividades de reordenamento, nomeadamente a desflorestação dos aceiros, irá prejudicar principalmente os pequenos proprietários. No curto prazo, prejudica interesses privados. Mas trará benefícios no longo prazo, evitando os dramas deste Verão. As pessoas, quando esclarecidas, compreendem isto. As televisões mostraram no Algarve povoações que escaparam aos fogos porque, à última hora, limparam os terrenos à volta e abriram aceiros e clareiras sem olhar aos limites das propriedades, aos jardins aos quintais e aos pomares. Ninguém se opôs, como é lógico. Porém, se alguém lhes tivesse sugerido tais trabalhos, uma ou duas emanas antes, estou certo que ninguém deixaria que as máquinas destruíssem as suas propriedades!!

Há, pois, que esclarecer as pessoas e os responsáveis para se colocarem de acordo na compartimentação da floresta, com as justas indemnizações aos proprietários de pequenos terrenos engolidos pelos aceiros. Isso seria um investimento que evitaria os prejuízos que hoje se conhecem.

Depois de calculados os custos dos prejuízos sofridos com os fogos deste Verão deveria contar-se com mais 20 ou 30 por cento para gastar em trabalhos de prevenção, como atrás ficou referido. Se assim não for, o muito que se poupe e deixe de se gastar na prevenção será, certamente, ultrapassado pelos prejuízos dos fogos que virão a ocorrer. A lição deste Verão não deve ser esquecida. Prevenir é investir para o futuro, é sacrificar os interesses individuais de hoje em benefício dos interesses colectivos de amanhã. Vale mais prevenir do que remediar. Isto não significa, porém, que não se aperfeiçoem as condições, os meios materiais e as pessoas para o combate aos focos de incêndio que possam ocorrer.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mais vale prevenir do que remediar. 030819

(Publicada em «A Capital», 19 de Agosto de 2003)

À primeira vista, parece que já demasiadas pessoas emitiram opinião sobre o drama dos fogos florestais. Porém, julgo que não é demais insistir no problema, a fim de que a actual situação emocional não se extinga antes de serem tomadas decisões práticas e exequíveis. Embora hoje as conversas se foquem nos crimes de fogo posto, parece que o objectivo principal deve ser voltado para o futuro, deve versar a adopção de medidas de prevenção que venham a impedir que qualquer fogo, de qualquer origem, se expanda por áreas incontroladas.

Se, com as próximas chuvas, deixar de se falar na reestruturação e manutenção da floresta, certamente que, no próximo ano, arderá tudo aquilo que este ano escapou. Por isso, é absolutamente necessário que não se deixe de falar nisto, alertando os responsáveis para a urgência do problema, o qual não pode deixar-se secundarizar com qualquer caso que entretanto surja.

Permito-me esboçar duas reflexões que julgo significativas. A primeira refere-se à limpeza das matas. Há quem faça comparações com o que sucedia há cinco ou mais décadas. Mas, efectivamente, não há comparação possível. Nessas datas, as matas estavam limpas, por vezes em exagero, porque todo o material delas retirado era útil para a vida das populações rurais e para as tarefas agrícolas. Ninguém tinha como objectivo limpar as matas; estas resultavam limpas por efeito do aproveitamento da «esgalha» dos pinheiros, da roça do mato e da apanha da caruma.

Hoje, para se conseguir ter as matas limpas seria necessária mão-de-obra, que não existe (apesar da taxa de desemprego!), seriam necessárias máquinas que teriam o inconveniente de impedir o crescimento dos pinheiros acabados de nascer. E, depois, qual o destino dos produtos resultantes da limpeza? Se forem deixados em medas, constituem bombas incendiárias. Outra pergunta será: onde irão os pequenos proprietários, muitas vezes idosos, com pensões de miséria, buscar dinheiro para pagarem essas limpezas? Fica, pois, a pergunta de resposta difícil: deve ou não fazer-se a limpeza das matas?

Uma segunda reflexão, que de certo modo responde à primeira, liga-se à compartimentação da floresta por aceiros largos e mantidos perfeitamente limpos, à alternância de faixas de árvores folhosas, com outras de pinheiros e de eucaliptos, com pastagens, e aos acessos fáceis a todos locais, etc.

Estas actividades de reordenamento, nomeadamente a desflorestação dos aceiros, irá prejudicar principalmente os pequenos proprietários. No curto prazo, prejudica interesses privados. Mas trará benefícios no longo prazo, evitando os dramas deste Verão. As pessoas, quando esclarecidas, compreendem isto. As televisões mostraram no Algarve povoações que escaparam aos fogos porque, à última hora, limparam os terrenos à volta e abriram aceiros e clareiras sem olhar aos limites das propriedades, aos jardins aos quintais e aos pomares. Ninguém se opôs, como é lógico. Porém, se alguém lhes tivesse sugerido tais trabalhos, uma ou duas emanas antes, estou certo que ninguém deixaria que as máquinas destruíssem as suas propriedades!!

Há, pois, que esclarecer as pessoas e os responsáveis para se colocarem de acordo na compartimentação da floresta, com as justas indemnizações aos proprietários de pequenos terrenos engolidos pelos aceiros. Isso seria um investimento que evitaria os prejuízos que hoje se conhecem.

Depois de calculados os custos dos prejuízos sofridos com os fogos deste Verão deveria contar-se com mais 20 ou 30 por cento para gastar em trabalhos de prevenção, como atrás ficou referido. Se assim não for, o muito que se poupe e deixe de se gastar na prevenção será, certamente, ultrapassado pelos prejuízos dos fogos que virão a ocorrer. A lição deste Verão não deve ser esquecida. Prevenir é investir para o futuro, é sacrificar os interesses individuais de hoje em benefício dos interesses colectivos de amanhã. Vale mais prevenir do que remediar. Isto não significa, porém, que não se aperfeiçoem as condições, os meios materiais e as pessoas para o combate aos focos de incêndio que possam ocorrer.