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terça-feira, 27 de novembro de 2018

GERIR PARA UM FUTURO MELHOR

Gerir para um futuro melhor
(Publicada no Semanário O DIABO em 27 de Novembro de 2018)

O passado pertence à história e apenas serve, na gestão quotidiana, como experiência, para aproveitarmos o mais positivo e evitar repetir os erros que levaram a maus resultados. Não devemos hesitar e recear planos de longo prazo, perdendo tempo e oportunidades a repisar o lamaçal do pântano. As grandes obras demoram muito tempo desde a ideia inicial até os resultados estarem bem visíveis. Assentam num plano abrangente que parte de um estudo cuidadoso, abarcando todos condicionamentos, de forma a reduzir a necessidade de, durante a execução, serem feitos aditamentos de relevo. Depois, esse plano geral deve ser traduzido em pequenos planos sectoriais destinados aos técnicos responsáveis por cada aspecto particular da obra, para agirem na sua especialidade de forma convergente com o desejado resultado geral da obra. E, para ser realizado adequadamente, devem ser feitas directivas com esboços de maneira a que os obreiros finais de cada pormenor possam agir com segurança e perfeição.

Daqui deduz-se que desde o artista autor da globalidade da obra até ao mais simples operário, existe uma escala de valores humanos diversificada, o qual precisa de possuir uma formação, preparação, fiável para as funções que terá de desempenhar, com competência e sentido de responsabilidade, a fim de cumprir com a máxima eficiência a parte que lhe cabe na construção da obra.

Isto aplica-se à construção de um palácio, ou de uma catedral, de uma moderna urbanização ou de um paquete de cruzeiros e também à gestão de uma grande empresa ou de um Estado.

Do escalonamento das tarefas e das responsabilidades diferenciadas deduz-se que a preparação e formação dos responsáveis pelos diversos graus de técnica não terá de ser igual mas, sim, adequada à sua função. O ensino no regime anterior tinha uma estrutura dentro de tal espírito, com um ensino médio dividido numa parte mais científica e outra mais dedicada à técnica, com escolas industriais, escolas comerciais e escolas agrícolas. Mas, depois, foi decidido, insensatamente, tornar o ensino todo igual, orientado para a parte científica e desprezando a preparação técnica, e sem flexibilidade para satisfazer alunos especiais com vocações para técnicas diversas. Queixam-se agora de muitas desistências dos estudos, de desmotivação, de fracassos, por serem desprezados e não estimulados os gostos e as vocações dos alunos. Nas tardes de 4ª-feira e aos sábados, havia actividades variadas, da escolha dos alunos, em que se descobriam vocações úteis para a vida posterior. E, agora, quanto a actividades económicas, é referido um desemprego vultuoso de jovens com estudos de grau elevado mas que não têm nem preparação nem vocação nem vontade de encarar tarefas necessárias para empresas com algum tecnicismo ou mesmo com características pouco exigentes.
E o desenvolvimento da economia nacional, para bem de todos os portugueses, exige ensino e formação adequada a fim de em cada profissão e escalão haver pessoas com preparação adequada e vontade de realizar as tarefas indispensáveis para haver produtividade e o país poder ter competitividade na economia mundial de forma a poder desenvolver a exportação em nível remunerador.

Infelizmente, além de terem sido extintas as escolas secundárias de carácter técnico, acabaram também na TV as palestras apresentadas por bons técnicos como o Engenheiro Sousa Veloso em problemas agrários, José Megre na manutenção técnica de automóveis, Júlio Isidro no aeromodelismo, etc., etc.

E para cúmulo, em vez de o Estado incentivar os jovens desempregados a aceitarem formação e oferta de trabalho de muitas empresas, está a pensar-se na entrada de imigrantes, sem critério de selecção e com apetência para boas condições de vida superiores às de muitos cidadãos. ■

António João Soares
20 de Novembro de 2018


terça-feira, 11 de setembro de 2018

ACÇÕES INDISPENSÁVEIS E INADIÁVEIS

Acções indispensáveis e inadiáveis
(Publicada no Semanário O DIABO em 11 de Setembro de 12018)

Em vez da propaganda onírica que idiotiza o povo e lhe cria, quando despertar para as realidades, vontade de defender os interesses colectivos e agir de forma violenta contra quem o enganou, será conveniente informar lealmente e incitar à convergência em direcção ao desenvolvimento nacional de que todos beneficiem.

A propaganda e a oferta de ilusões irreais, fantasistas, não melhora a situação de idosos e reformados; não aumenta o rendimento médio das famílias, que se tem afastado negativamente da média europeia; não melhora o desenvolvimento económico; não evita que se caia numa crise semelhante às que estão a massacrar as populações venezuelanas ou sul-africanas. Porque será que a economia tem estagnado há vinte anos? Porque será que nos últimos 44 anos não se construiu nada que se pareça com o que aconteceu nos 44 anos anteriores ao 25 de Abril – escolas primárias em quase todas as aldeias, liceus, palácios da Justiça, hospitais, quartéis para as Forças Armadas e para as Forças e Segurança, etc. – e não se criou dívida pública, antes pelo contrário, foi deixada uma reserva volumosa?

Sem análises profundas e sérias dos factores que levaram à estagnação da economia e da sociedade nacional, e sem serem definidos objectivos de crescimento e elaborados os consequentes planos estratégicos para os atingir, de nada vale a propaganda nem as “verdades politicamente correctas”.

Antes pelo contrário, pois, quando o povo despertar da sonolência induzida pelas fantasias com que é sedado e se consciencializar das realidades, acabará por reagir de forma espontânea, descoordenada, o que pode ter resultados dramáticos principalmente contra os que considera culpados do seu mal-estar. Entretanto, os jovens, isto é, a geração melhor preparada, emigrará em massa, o que representará uma grave perda nacional, por tornar mais difícil a recuperação da economia que é indispensável para o desenvolvimento global do País, principalmente nos sectores mais significativos.

A análise cuidadosa e honesta, sem preconceitos, dos erros ocorridos na vida nacional nas décadas mais recentes, com a intenção de não voltarem a acontecer e de deles serem tiradas as melhores lições para os evitar, desenvolvendo estratégias eficientes de desenvolvimento e recuperação, é uma medida sensata para construir um futuro liberto do pântano actual.

Em democracia, as decisões devem se tomadas com o povo e em seu nome, que é mandante dos agentes do poder político que devem considerar-se seus servidores. O povo, sendo informado com verdade, de forma clara, com frontalidade e sem fantasias oníricas, dará a sua colaboração, se lhe forem criadas condições que o levem a compreender e a ter confiança nos seus mandatários.

Destas considerações ressalta a necessidade de definir tarefas indispensáveis e inadiáveis para preparar o futuro imediato e, depois, o prolongar persistentemente com a necessária adaptação aos condicionalismos que forem surgindo, sempre de forma sensata e inteligente.

Devem ser evitadas saídas infelizes como as do PM e do MAI relativamente aos incêndios de Monchique: «será a excepção que confirma a regra do sucesso», o fogo de Monchique não é como «a vela de um bolo de aniversário (que) todos apagamos com um sopro», «(...) Notável (...) Notável (...) Notável (...)» «notável» a actuação da Protecção Civil em Monchique)…

A propaganda deve evitar cedências a pretensos “intelectuais” que vestem a capa de fascistas leninistas estalinistas que se esforçam por seguir uma táctica já posta de lado pela Rússia, a China, Cuba e alguns estados do leste europeu, a qual está a causar sofrimentos dramáticos na Venezuela e na África do Sul.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O CAMINHO É PARA A FRENTE


Uma viagem, ou uma estratégia, desenvolve-se com O PENSAMENTO E OS OLHOS VOLTADOS PARA O LOCAL DE DESTINO PREVIAMENTE DEFINIDO, ou para as etapas intermédias, sem nunca fixar os olhos no retrovisor. O PASSADO JÁ PASSOU E SÓ DEVE SER RELEMBRADO PARA EVITAR OS ERROS OCORRIDOS.

Ora, de um conjunto de títulos de jornal vislumbra-se uma tendência para imitar erros do Governo que nos deu austeridade, «custe o que custar, até ao fim, não se cansando de atribuir as culpas ao Governo anterior. Agora surgem títulos como «Costa acusa Passos de ter enganado Bruxelas», «Carlos César acusa Maria Luís de “fraude propagandística”», Jerónimo. “Ficou claro que PSD e CDS enganaram os portugueses”. etc.

Será preferível saber que o Governo está interessado, mais do que em atacar o anterior, em melhorar as condições de trabalho, emprego, educação, saúde, justiça segurança pública, etc, com o mínimo de rompimento com o esquema existente mas com as alterações indispensáveis para os portugueses serem tratados como pessoas, acima dos recursos materiais e serem mais incentivados a agir para um PORTUGAL melhor, em que haja harmonia, paz, trabalho, justiça social e equidade perante o interesse nacional.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

JÁ TENS UM «SMARTPHONE NOVO ???



Notícia do Jornal de Negócios diz que «Mercado de “smartphones” cresce 74% no semestre», o que levanta sérias dúvidas sobre a capacidade da generalidade dos portugueses para gerir racionalmente a sua vida.

A crise não gerou tendências de amadurecimento da forma de encarar o consumismo e a prevalência da ostentação, do apego a coisas superficiais, marginais, não essenciais.

Não é visível a ideia de estabelecer prioridades na vida privada e, por consequência, também é duvidoso que nas vidas profissionais as coisas tenham melhorado.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Pensões dos futuros reformados


Duas notícias que interessam sobremaneira aos cidadãos com idades inferiores a 40 anos:
OCDE prevê cortes de 20 a 25% nas pensões dos futuros reformados

Medidas adoptadas por Portugal não garantem sustentabilidade do sistema de pensões

As perspectivas são muito sombrias e fazem pensar a fundo nas palavras ditas pelo Prof. Doutor António Sampaio da Nóvoa, no 10 de Junho:

Precisamos de ideias novas que nos dêem um horizonte de futuro. Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas. (…)
A arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade. E nestes estranhos dias, duros e difíceis, podemos prescindir de tudo, mas não podemos prescindir nem da Liberdade nem do Futuro.
O futuro, Minhas Senhoras e Meus Senhores, está no reforço da sociedade e na valorização do conhecimento, está numa sociedade que se organiza com base no conhecimento. (…)
O heroísmo a que somos chamados é, hoje, o heroísmo das coisas básicas e simples – oportunidades, emprego, segurança, liberdade. O heroísmo de um país normal, assente no trabalho e no ensino. (…)
Chegou o tempo de dar um rumo novo à nossa história.
Portugal tem de se organizar dentro de si, não para se fechar, mas para se abrir, para alcançar uma presença forte fora de si.
Não conseguiremos ser alguém na Europa e no mundo, se formos ninguém em nós.
Não é por sermos um país pequeno que devem ser pequenas as nossas ambições. O tamanho não conta; o que conta, e muito, é o conhecimento e a ciência.


Dado que dos autores dos erros que deram origem à crise não se pode esperar a meia volta no sistema que evite nova crise, compete aos jovens com menos de 40 anos prepararem-se para construir o sistema em que terão de viver e passar a sua velhice. Convém que se consciencializem da sua responsabilidade na construção e gestão do futuro da sua geração e dos seus descendentes, enfim um mundo melhor do que o actual.
É conveniente olhar para os bons exemplos que vêm do exterior como, por exemplo a Islândia.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

O PSD ACREDITA !!!

Afínal eles poderão nem todos pertencer a lojas, como há poucas semanas se dizia mas, sim, a capelinhas de fanáticos que acreditam, garantem, asseguram, mas apesar de serem tão apegados à frieza dos números não conseguem convencer com contas de «a mais b». E sem argumentos seguros não conseguem atrair fieis para as suas crenças.

Agora, o PSD acredita numa inversão do desemprego no segundo semestre, mas nem todos os portugueses se esqueceram dos malabarismos com as crenças sucessivamente alteradas sobre a previsão da data do retorno dos subsídios de férias e de Natal.

E apesar das declaradas crenças, a capacidade de adivinhar tem sido muito fraca como no caso em que, em fins de Abril, o ministro das Finanças admitiu que os níveis do desemprego estavam mais elevados do que se previa e como a fé da ministra da Agricultura que esperava chuva em Dezembro mas que só apareceu em Abril e em pequena quantidade.

Os portugueses que não pensam apenas em futebol não estão interessados que os deputados do partido do Governo confessem a sua fé e as suas crenças religiosas e preferem que, se puderem e tanto quanto possam, lhes expliquem as medidas que pretendem tomar para resolver os problemas nacionais.

Tais explicações seriam úteis para cada um poder imaginar o futuro, destinar alguns investimentos ou fazer poupanças e decidir como as guardar. À falta de segurança quanto ao futuro, pode acontecer como na Grécia em que de repente foram levantados dos bancos mais de 700 milhões de euros. Cá já há quem esteja a guardar dinheiro debaixo do colchão, mesmo com o perigo de, se não estiver bem colocado, poder criar problemas de escoliose e outros.

Mas numa coisa devemos partilhar na crença do PSD, pois o desemprego já está de tal forma que não pode continuar a aumentar sem risco de grave convulsão social. Daí em os deputados e seus colegas de partido se deverem concentrar não em crenças mas em medidas que estimulem os agentes económicos a criar empregos e desenvolvimento.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Promoção genial do Pingo Doce

Transcrição de texto recebido por e-mail reenviado, sem identificação do autor do texto. Seguida de NOTA.

Enviaram-me um pequeno filme do Ricardo Pereira a gozar com o Pingo Doce, o mesmo é dizer, com o Soares dos Santos. O meu comentário foi este:

O Ricardo Pereira viu como viu ...
Eu vi assim. Quando na TV notei as bichas assustei-me. A malta começou a passar-se, pensei. Depois, fui observando o desenvolvimento e alterei o meu pensamento para:

Magnifico estratega este Soares dos Santos. Duma penada, em meio dia:

1º - Atirou com os sindicatos para o caixote do lixo
2º - Conseguiu um financiamento imediato, sem intermediação bancária
3º - Obteve uma intensa promoção TV, do Pingo Doce, a custo zero

Claro está que a matula de esquerda não gramou que lhes roubassem a festa. Mas em tempo de guerra não se "limpam armas". 20 valores ao Soares dos Santos.

Não é por acaso que as acções da Jerónimo Martins, que cotavam a 3 euros no início da crise, hoje rondam os 15. Só 5x mais !!! É obra !!! Os seus accionistas não foram defraudados

NOTA: Em contrapartida, os consumistas morderam estupidamente o isco, Muitos deles, comprando variedade e quantidade de produtos de que não têm verdadeira necessidade, muitos dos quais acabando por ir para o lixo. O fenómeno é o mesmo em relação à organização das prateleiras das grandes superfícies que atraem a cobiça dos incautos que, muitas vezes, pretendendo comprar um artigo de primeira necessidade, acabam por levar para casa o carro cheio de coisas sem verdadeira utilidade, tendo sido engodados pela aparência, pela publicidade e pela colocação à altura dos seus olhos.
Soares dos Santos dá um bom exemplo de gestão inteligente, mas os consumidores precisam de aprender a gerir criteriosamente o seu dinheiro.

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Seguir o rumo certo

Transcrição do artigo publicado ontem por Luís Alves de Fraga em «Fio de Prumo». Oxalá, os governantes tenham capacidade para inverter o rumo temido nesta análise e consigam seguir o rumo certo:

UMA NOVA ETAPA?

Os noticiários televisivos de hoje à noite não se cansaram, especialmente os da SIC, de mostrar a desorientação que reinou entre os governantes nacionais com particular relevo para Passos Coelho, Vítor Gaspar e Miguel Relvas – este último a funcionar como tapa-furos das asneiras cometidas pelo primeiro-ministro. Olhando com atenção as notícias mais em evidência na semana transacta e tentando deslindar o fio condutor que as une, percebemos que, sem grande margem para dúvida, a situação financeira nacional está muito pior do que o comum dos portugueses imagina. Passos Coelho foi isso mesmo que disse, indirectamente, na entrevista que deu ao “Die Welt” e deixou-o bem evidente com a publicação da interdição de reformas antecipadas. Tudo o mais se está a conjugar para pôr de pé um cenário catastrófico que os Portugueses não querem ver ou não têm percepção para o captar.

Os balões de oxigénio que poderiam atenuar a rapidez da queda que se está a verificar na economia nacional passavam por apostar na continuidade do tecido produtivo português. Havia que travar a recessão através de injecção de capital nos sectores fundamentais do consumo interno e naqueles que têm capacidade para manter ou, até e se possível, aumentar as exportações. Uma tal solução passava pela articulação íntima entre o ministério da Economia, a banca nacional, as confederações patronais e os sindicatos. Só um diálogo honesto entre banca, patrões e empregados pode garantir um ritmo de produção conveniente nos sectores sustentáveis. O ministério da Economia tem de ser o catalisador deste esforço conjunto, tentando harmonizar as partes em confronto.

Pessoalmente duvido da capacidade do Governo para praticar uma política anti-recessiva, acima de tudo, por falta de uma liderança com o golpe de vista e a autoridade necessária ao momento que se atravessa. O Governo teria, também, de saber impor à União Europeia a necessidade de mudança de postura desta, obrigando-a a um aumento de solidariedade através de medidas macroeconómicas e financeiras.

A dispersão de esforços e de atenções dos governantes não é compatível com o quadro de necessidades que o país atravessa. Não sendo possível uma gestão direccionada para uma estratégia de escalonamento de importâncias, espreita-nos o descalabro dentro de menos de um ano. Descalabro que se traduzirá numa escalada do desemprego e do corte das despesas do orçamento do Estado, o mesmo é dizer, do fim das prestações sociais, da redução dos salários e das pensões. Entraremos, então, no quadro mais negro da nossa História dos séculos XIX e XX, porque vivemos já numa soberania altamente limitada e muito comprometida. O que pode suceder é absolutamente imprevisível, porque, tanto a nível europeu como nacional, todos os cenários são admissíveis.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Gaspar não previu e está em pânico...

A notícia Gaspar em pânico com quebra abrupta das receitas da Segurança Social e do IRS, mesmo apenas pelo título, faz recordar a frase de Camões «não louvarei capitão que diga não cuidei». Pois é Sr. Ministro, como é possível não ter previsto estas quebras e outras, depois de decretar uma austeridade feroz que secou as fontes dos impostos?

E a lógica faz prever que isto não fica assim, vai inchar! Se fizer bem as contas, há-de notar que o IA (Imposto Automóvel) também baixou pois a quebra das vendas, segundo as notícias, foi de cerca de 50%. A queda do IVA, apesar dos aumentos brutais dos produtos alimentares, também deve ser notável pois as lojas estão paradas por falta de poder de compra dos potenciais clientes e algumas já fecharam, indo aumentar o desemprego e reduzindo o IRC e o IVA.

O trânsito automóvel tem vindo a reduzir-se e, em consequência, os combustíveis estão a vender menos, do que resultará diminuição dos respectivos impostos. Os desempregados, deixando de receber, fazem reduzir a colecta do IRS.

Estas rápidas observações de um leigo parecem lógicas e, por isso, admira que o Sr. ministro se espante com as quebras dos impostos. E tudo leva a crer que isto vai piorar. A solução não está no agravamento da austeridade mas em a economia aumentar a produção de bens vendáveis e exportáveis e, para isso, não bastam palavras bonitas sobre estágios e novas instituições de emprego que conduzem a nomeações, para o seu enquadramento, de «boys» do clã, que serão os únicos beneficiados com tal tipo de redução de desemprego.

Não é novidade e muitas vezes tem sido escrito em vários locais que este tipo de problemas de gestão ou de governação precisam de soluções abrangentes de todos os sectores que interagem com aquilo que é mais visível. Mexer apenas no aparente e deixar o resto a apodrecer só agrava a situação na sua globalidade.

Por tudo isto, não entre em pânico Sr. ministro. Está a ceifar a seara que começou a semear há já mais de oito meses. O pior é que os 10 milhões de portugueses que têm vindo a ser explorados continuarão a ser as vítimas dos governantes que tiveram e têm.

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sábado, 26 de novembro de 2011

Despesas e iluminação feérica

Notícia de 22 de Outubro dizia que Barcelos apaga as luzes, mas paga férias, e que o presidente da Câmara prometeu resistir aos cortes nos subsídios e querer pagar aos funcionários com as poupanças que faz na iluminação pública.

Agora, em 25 de Novembro surge a notícia de que a Câmara de Alenquer ameaça retirar lâmpadas dispensáveis se a EDP não o fizer. A Câmara está na disposição de retirar centenas de lâmpadas de iluminação pública que considera desnecessárias depois de andar há mais de dois anos, segundo o presidente da autarquia, Jorge Riso, a tentar que a EDP o faça.

É escandalosa a iluminação feérica dos espaços públicos, muito acima do necessário e conveniente, que resulta em pesada factura a pagar pelos impostos dos contribuintes, só para benefício da EDP.
A imagem mostra uma avenida de Cascais que, como muitas outras, abusa da quantidade e potência das lâmpadas de iluminação pública. Para cúmulo, perto do local da foto, há um espaço privado, rigorosamente vedado com rede de arame, em cujo interior, em locais junto ao limite mais distante do espaço público, estão quatro candeeiros da iluminação pública, iguais aos da praceta contígua.

Os exemplos de Barcelos e de Alenquer merecem ser seguidos pelos restantes municípios, mas infelizmente, parece haver interesses ocultos que impedem a adequada gestão do dinheiro público.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Revolução sócio-política-económica mundial

Aí está ela... anda no ar e vai descer à terra... já cheira...a Revolução???

Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

.... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos tais "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias
massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia....helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade.. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

NOTA: Este excelente texto de autor não identificado foi recebido por e-mail de José Alberto Mota Mesquita, a quem agradeço a gentileza do envio.
É muito esclarecedor e espera-se que surja um «terapeuta» que apresente proposta de uma boa forma de fazer a multiplicação dos factores, dando-lhes expoentes adequados, por forma a que o resultado NOVO seja o melhor possível para as pessoas. Queremos realmente mudar depressa e para melhor (para os 80% que hoje são explorador pelos restantes 20%)e devemos estar preparados para gerir a vida com flexibilidade segundo os condicionamentos emergentes.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Gestos de náufragos

Parece que, apesar da crise, o bom senso, o realismo, a inteligência serena não entrou nos comportamentos de todos os responsáveis políticos e autárquicos. Deparamos, a cada momento, com notícias chocantes mostrando que muitos estão inteiramente desorientados a esbracejar descontroladamente à procura de tábua de salvação, sem a mínima lógica e coerência, como náufragos em desespero sem calma, nem coerência.

Quando por um lado o governo parece pretender aumentar o número de horas de trabalho semanal nas actividades económicas, aparece a notícia de que a Câmara de Lisboa estuda corte de um dia de trabalho por semana. Só pode interpretar-se como um forte desejo de dar dinheiro aos estudiosos amigos que irão fazer tal estudo.

Será que os serviços municipais têm todas as tarefas em dia, sem processos em atraso e que o pessoal passa o dia a coçar-se por não ter que fazer? Será que não há pedidos de licença por despachar, após 30 dias da data de entrada? Será que não há problemas por resolver em benefício de quem vive ou trabalha no Concelho? Será que já completaram a lista dos inquilinos do município? Será que a sinalização rodoviária e de outros interesses em locais públicos está devidamente ordenada de forma a ser útil e prática a quem dela necessita? Será que o aspecto urbanístico e o estado de conservação dos edifícios está impecável? etc., etc.

É pena que, em vez de serem pensadas as tarefas e a eficiência com que são efectuadas em benefício dos munícipes, se pense apenas nos euros e segundo os piores métodos.

Mas felizmente, nem todos agem como náufragos como se vê na notícia, de 3 de Maio último, Macário ameaça chefias com despedimento, em que eram referidas medidas de controlo da actividade dos serviços camarários no sentido de combater a burocracia e a corrupção.

Parece que Macário está mais próximo da solução correcta do que Costa. Interessa reduzir a burocracia ao mínimo indispensável, servindo as pessoas com o máximo de eficiência e, depois, ao verificar-se que a estrutura administrativa tem demasiadas gorduras, haverá que reestruturar no sentido da simplicidade e facilidade de atendimento das necessidades da vida económica cultural, social, etc.

Se for verificado que o trabalho feito por 400 trabalhadores em 5 dias de oito horas, pode ser feito em 4 dias de oito horas, reduza-se o efectivo para 320 trabalhadores, que serão suficientes, segundo diz a aritmética mais basilar.

Mas se esse pessoal tiver tarefas melhor definidas e bem controladas, sem gorduras burocráticas, poderá ser reduzido substancialmente, e de uma forma mais inteligente diminuirá os gastos do município , objectivo confessado segundo a notícia.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Crise é oportunidade e desafio


Uma crise, um obstáculo, uma situação inesperada e desagradável coloca os débeis em lamentações, lágrimas, inibição, e a pedir socorro. Mas leva os fortes a puxar por todas as energias analisar os danos, as condições em que o desastre ocorreu e buscar as melhores soluções. Há que repensar os projectos de vida e encontrar soluções mais criativas e eventualmente mais satisfatórias. É isso que temos observado nos Países Emergentes, no denominado terceiro mundo, em que depois das crises surgem períodos de acentuado desenvolvimento.

Entre nós, parece que depois de lamentações, estão a surgir sinais de bom senso de revisão de procedimentos e de alteração da gestão das vidas privadas e familiares. Passageiros ocasionais de transportes andam mais a pé, o que é saudável e reduz as despesas. Há muita despesa que pode ser suprimida sem prejuízo sensível para a qualidade de vida. As férias da Páscoa estão a ser planeadas com custos inferiores aos tradicionais. Certamente os gastos em ostentação e luxo também passarão a ser considerados menos necessários.

Tem aumentado o número de famílias auxiliadas pela Cáritas sinal de que as dificuldades são reais e muito sérias, havendo lugar para os jovens mais dinâmicos sacarem as suas capacidades de inovação e empreendedorismo para criarem pequenas actividades produtivas de bens e de serviços necessários e exportáveis e darem emprego a pessoas desempregadas. O facto de possuir um diploma não deve impedir que se desenvolva uma actividade de sector diferente mas que seja útil à sociedade e ao próprio, sem perder a esperança num futuro de que se goste mais.

EDUCAR

Para se iniciar a profunda transformação da sociedade ocidental, necessária para desacelerar o processo de degenerescência de que sofre e que a pode levar num futuro não muito distante a ocupar um lugar muito secundário na humanidade, é preciso dar primordial atenção à educação das crianças.

Para isso, os pais têm de estar «redobradamente atentos», sem privar as crianças do essencial, mas explicando com verdade, a realidade e a crise e consciencializando para o valor do dinheiro que é finito e que, por isso tem que gerido com racionalidade. Levá-las a reformular hábitos, banindo o que é supérfluo, isto é educar os filhos a dar mais importância «ao ser» do que «ao ter». Um dos aspectos positivos que podem surgir da crise pode ser o de os pais poderem ter mais disponibilidade de tempo para o «envolvimento afectivo e emocional com os seus filhos», evitando dar uma dimensão catastrófica da vida e reforçando o conceito de que o ser humano é dotado de uma capacidade de adaptação às adversidades.

E, se não reagirmos da forma mais construtiva estaremos a aceitar o rápido declínio de uma civilização que foi a preponderante no mundo desde há cerca de cinco séculos e passaremos a um lugar obscuro na escala mundial. Hoje a actividade dominante é a ligada à alta tecnologia, hoje nas mãos de países asiáticos, tanto no hardware como no software. No nosso caso, mesmo as actividades menos sofisticadas estão em mãos de imigrantes por os nossos jovens não quererem fazer trabalhos alheios ao sector da sua «preparação».

Tudo isso precisa de uma reciclagem de âmbito cívico e realista, porque o mundo que nos espera será muito diferente daquele a que estamos habituados. As pessoas não podem continuar a gastar aquilo que não têm por não o ganharem, pela perda de produtividade, e depois recorrerem irracionalmente a empréstimos não reprodutivos que pioram a situação.

Aproveitemos a crise para pensar e mudar para um sistema de vida mais seguro em relação ao presente e ao futuro.

Imagem do Google

domingo, 5 de setembro de 2010

Em defesa das pessoas

Estamos numa era em que o materialismo e o egoísmo com laivos de arrogância, ostentação, competição, etc. conduz ao desprezo pelas pessoas , pelo mais íntimo e válido do ser humano. A época de verão com os «festivais» da «rentrée» trazem evidências daquilo que faz correr os políticos.

Mas nem tudo é mau, secundário e desprezível, pois notam-se posições destacáveis, independentes de partidos situados em campos distantes no leque parlamentar. Por exemplo, Jerónimo de Sousa sublinhou o interesses que devem suscitar os mais carenciados, «é preciso mais solidariedade com aqueles que sofrem e que lutam». Referiu «a luta de quem se sente injustiçado, de quem é ofendido e agredido nos seus direitos, nos seus salários», considera necessário «defender os direitos dos trabalhadores, o direito a um salário mais justo», dispor de «serviços públicos de saúde».

Em concordância com tal preocupação com o focalização nas pessoas e na saúde, Paulo Portasdá prioridade à necessidade de «lei de bases para os cuidados paliativos», partindo de que «Portugal está infelizmente entre os piores países da Europa para se morrer com dignidade». Também se referiu ao emprego e disse “A primeira preocupação dos portugueses é o emprego” e “quem gera 90 por cento dos empregos são pequenas e médias empresas”. Refere também a educação e a segurança como temas de grande importância na vida social do Portugal de amanhã.

Mas, com uma óptica mais focada no umbigo, outros partidos dão menos importância aros temas nacionais e centram-se nas pequenas querelas de competição pelo poder., nas tricas de politiquice e nas palavras vazias de conteúdo válido, apenas destinadas à propaganda dirigida a maiorias pouco esclarecidas e que se movem como ovelhas atrás do odor do pastor.

Também o PR nos dá pretexto para meditação quando diz que «não espera instabilidade»
política. Mas pior do que uma instabilidade de desenvolvimento, como acontece na Natureza, será a estabilidade, a continuidade de uma situação patológica, pantanosa, de pasmaceira. Com efeito, a estabilidade saudável exige uma organização bem estruturada com objectivos racionalmente definidos, estratégias bem estabelecidas e uma coerência de regras, um códigode conduta, e uma boa metodologia de preparação de decisões. Se a continuidade não seguir tais cuidados, Poderá acontecer que a história venha ligar o nome do PR ao naufrágio de Portugal, dizendo que a maior crise económica nacional ocorreu com um professor de economia na cadeira de Belém.

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domingo, 8 de agosto de 2010

A crise vem do tempo do Eça

Em 1867, «O Distrito de Évora» publicou as seguintes palavras de Eça de Queiroz:

«ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao caso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?»

NOTA: Não creio que Eça de Queiroz fosse um mago adivinho, mas lamento imenso que os portugueses não tenham melhorado, modernizando-se, nestes últimos 143 anos, que não sejam capazes de produzir representantes mais preparados para as suas responsabilidades e que não sejam capazes de punir severamente os políticos cujos comportamentos correspondam à vacuidade da primeira parte e, principalmente, aos vícios e manhas da segunda parte do texto. As realidades estão espelhadas no texto publicado em «Os génios que nos governam». O ser humano, embora beneficiando de tecnologias e ferramentas cada vez mais modernas, está pasmado num pântano mais em regressão do que em estagnação. Venha um filósofo, um líder, que dê o sinal de partida para reformar a civilização actual, por forma a merecer a alta tecnologia de que dispõe.

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domingo, 25 de julho de 2010

Cuidado com as propostas bancárias

Transcrição seguida de NOTA:

JN. 100724. 00h31m. Por Joana Amorim

No dia seguinte à divulgação dos dados da execução orçamental no primeiro semestre deste ano - que colocam a despesa ao nível mais alto dos últimos quatro anos - Teixeira dos Santos veio defender o reforço da literacia financeira com recurso ao sistema escolar.


O que faz todo o sentido. Mas mais sentido faria se o Estado desse o exemplo, sobretudo nos tempos que correm. Vamos aos números: a despesa efectiva soma mais mil milhões e o défice engorda 462 milhões. Para quem apregoa a "instauração de bons hábitos de poupança", as contas do subsector Estado envergonham.

E se tivermos em conta que as receitas de IVA, no período em análise, aumentaram 16,3%, entãoo cenário fica mesmo negro. Porque prova que os portugueses continuam a viver acima das possibilidades. A comprovar está a corrida frenética à compra de carros para "contornar" a subida do IVA em um ponto percentual. As receitas do Imposto Sobre Veículos dispararam 21,3%. Mas há alguém que ache que isto faz sentido?

Dirão que o aumento do consumo é um sinal de confiança dos consumidores. Sinal de que a putativa retoma económica veio para ficar. Em Portugal não ficará, com certeza, como já o fez saber o Banco de Portugal.

A esta vontade compradora - ou devedora - dos portugueses não é alheia a agressividade do marketing da nossa Banca. Ponto prévio: os bancos existem para ganhar dinheiro, não são instituições de solidariedade social. Mas devem-se reger por valores de rigor e transparência.

Confesso que fiquei um pouco perplexa quando, por carta, o "meu" banco me "ofereceu" uns milhares de euros - com uma TAEG de cair para o lado - para, pasme-se, aceder ao mundo de beleza (vindo a oferta de um homem, até fiquei um pouco ofendida...). E quem fala de créditos para cirurgia estética fala para automóveis de alta cilindrada, plasmas e até mesmo serviços de porcelana.

É certo que o crédito é o negócio da Banca. Mas será isto moralmente aceitável? No meu caso, não percebo como é que o banco acha que tenho dinheiro para liftings e coisas que tal. Mesmo salvaguardando que o mesmo está sujeito à análise de risco de crédito. E como eu estarão milhares de portugueses. E muitos deles, como sabemos, não resistem à tentação.

NOTA: É preciso abrirmos os olhos e não cairmos nas tentações da «agressividade do marketing da nossa Banca». Devemos gerir os nossos recursos segundo o nosso critério e não cedermos aos interesses de quem nos quer sacar o sabugo, sob a capa de promessas tentadoras. «O crédito é o negócio da Banca» e, se não formos nós a pedi-lo para fazer face a uma necessidade bem pensada, se nos deixarmos ir atrás de uma promessa que não seja do nosso interesse, acabamos por ser enganados e nos arrependermos de não ter travado a tempo. O marketing funciona sempre a favor de quem o pratica e não do seu destinatário. Não faz mal ouvir, conhecer as ofertas, mas não se deve agir sem reflectir muito bem e conversar com familiares e pessoas tidas por esclarecidas, da nossa confiança.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Referências para melhor compreender a actualidade

Diariamente chegam ideias esclarecedoras para melhor se compreender a realidade actual e podermos vislumbrar os caminhos que estão à nossa frente, uns para o abismo, outros para uma possível recuperação. Convém fazer um esforço para clarificar as ideias e destrinçar o essencial do efémero, secundário, marginal.

Recebi ontem um e-mail de uma seguidora que dizia:

«(…) como nem sempre tive trabalho, ocupei-me durante 2 meses a ler alguns livros que requisitava gratuitamente na Biblioteca Municipal da Quarteira, dentre os quais se destacou, pela sua actualidade e crueza o livro que agora reencontrei “Uma Estranha Ditadura” …

Acredita que não tinha fixado o título do livro nem a autora (?!), lembrava-me apenas que era uma jornalista do Le Monde e até já tinha andado no Google há procura mas sem resultado, pois queria lê-lo novamente e sentia-me frustrada porque não tinha como procurá-lo para o adquirir. Até já tinha enviado mails à Biblioteca dando referências minhas para eles procurarem na base de dados deles e procurarem de entre os títulos requisitados, e me informarem pois eu sabia que ir-se-ia fazer luz, quando ouvisse o título e o nome da escritora. Infelizmente, não obtive qualquer resposta da parte deles apesar da m/ insistência.

Há pouco fui ao seu blogue, pois sou sua seguidora, e estava a ler o seu último post quando dei de caras com o livro…

Nem imagina a felicidade que me deu!»


Observando aquilo a que esta amiga se refere verifiquei que o Google, de forma automática, conseguiu colocar no friso inferior do post uma série de posts antigos todos relacionados com o tema. Ainda não tinha tido prova igual do mérito do critério que a informática usa para este sistema de alerta. O Livro referido é tema do post Ditadura do lucro virtual.

Mas, além deste post, há muitos outros que trazem para este espaço pontos de reflexão que merecem muita atenção e há nomes que devem estar presentes no nosso pensamento quando nos debruçamos sobre a necessidade de olhar para o futuro. Cito alguns (por ordem alfabética) e espero que os comentadores tragam outros: Agostinho da Silva, Ernâni Lopes, José Gil, Medina Carreira, Moita Flores, Saldanha Sanches e, porque não, os cronistas do JN.

Não podemos desprezar achegas que apareçam com aspecto imparcial, independente de partidos, que foquem como objectivo principal os interesses nacionais, acima de qualquer particularismo. Todo o esforço deve ser feito para contrariar a Profecia do alemão Carl Friedrich von Weizsäcker.

O momento é de esforço de todos nós, ultrapassando as correntes que nos têm arrastado para o abismo, porque desprezam valores éticos consagrados e colocam no trono os valores materiais e do consumismo que são a mórbida ilusão fatal da sociedade actual.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Tribunal de contas em evidência positiva

O artigo do Público com o título «Tribunal de Contas chumba aval do Estado ao BPP», que para ser lido basta fazer clique, mostra mais uma vez a correcção com que funciona esta instituição, usando de isenção e independência e colocando os interesses nacionais acima de vontades partidárias ou facções de coniventes.

Sendo o BPP, uma empresa privada tal como o BCP e o BPN o são )ou eram), levanta-se o problema de distinguir o que é público daquilo que é privado. E da necessidade de evitar considerar público, para efeitos de ajudas de dinheiro dos cidadãos, aquilo que é propriedade de amigos dos detentores do poder.

Uma empresa do sector privado, pelo simples facto de pertencer a ex-políticos ou amigos de políticos com poder de decisão, não pode ser considerada pública para usufruir do dinheiro dos impostos. O Tribunal de Contas merece o aplauso público pelo seu correcto sentido de Estado. Já há algumas semanas se evidenciou em relação aos contratos da empresa pública «Estradas de Portugal». O manuseamento do erário público exige cuidados muito escrupulosos e um controlo apertado para evitar abusos e fugas para caras encobertas.

Os meus respeitos ao Sr. Dr. Oliveira Martins

Autarquia de Paredes esbanja o dinheiro público

Primeiro fiquei incrédulo ao ler o título do «Um milhão de euros para içar bandeira». Pensei que se tratasse de um novo ilhéu agora descoberto no arquipélago das Berlengas e cobiçado por países «inimigos. Depois verifiquei que não era coisa assim tão «justificativa». É apenas para fazer um mastro para içar a bandeira nacional junto à Câmara Municipal de Paredes, ali para os lados de Bitarães e de Santiago de Subarrifana.

Mesmo que o número tivesse sido escrito com dois zeros a mais já era uma exorbitância, em tempos de crise, de desemprego, de muita gente com carência alimentar, etc.

Já surgiram comentários a oporem-se a tal «oportunismo bacoco e populismo". A população sensata e com alguns neurónios "não pode aceitar que, num momento de crise económica e financeira, em que o Governo e todas as famílias estão empenhadas em poupar, se gaste tanto dinheiro numa despesa inadequada". "O argumento estafado que este acontecimento é gerador de uma dinâmica internacional e ajuda a economia local não faz o menor sentido".

Parece que alguns políticos do País, principalmente os que têm poder de decisão sobre os nossos impostos ensandeceram. Precisam de alguém que lhes «diga» de forma convincente «alto aí».
Para ler o artigo faça clique aqui.

sábado, 21 de novembro de 2009

Destapar é preciso

A CP e a REFER usaram cartões de crédito das empresas para pagar um almoço de homenagem à ex-Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, em vésperas de final de mandato do governo anterior, conforme notícia de hoje. Segundo esta, cerca de 50 gestores de diversas empresas públicas de transportes ter-se-ão reunido, no passado dia 23 de Outubro, num almoço de homenagem à então governante.

"Não estando em causa a legitimidade de, um qualquer grupo de cidadãos, promover encontros de natureza privada deste tipo, e não tendo o referido encontro, segundo as mesmas notícias, envolvido a reflexão de quaisquer matérias de natureza profissional ou outras eventualmente relacionadas com o sector dos transportes, estranha-se que o custeio do referido almoço tenha ficado a cargo de três empresas públicas do sector, através do recurso aos respectivos cartões de crédito, das quais estarão confirmadas a CP e a Refer".

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda decidiu questionar o Governo, através do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, se considera "adequado o o uso de meios de pagamento de actividades empresariais, no caso vertente, públicas, para financiar despesas de natureza privada e pessoal, por iniciativa dos seus próprios gestores"

Isto será considerado corrupção? Será pagar favores? Parece que o BE está a desempenhar o papel referido no artigo transcrito no post Gente com honra é indispensável. É fundamental restaurar o senti da honra, das responsabilidades e do Estado. É preciso retirar a capa que encobre actos menos dignos. É preciso destapar.