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sexta-feira, 15 de março de 2019

O PORTUGAL QUE QUEREMOS

O Portugal que queremos
(Publicado no DIABO nº 2202 de 15-03-2019)

Constou-me que o chefe do grupo parlamentar do PSD disse que “nunca o Portugal que temos esteve tão distante do Portugal que queremos”. A intenção parece ter sido uma crítica ao actual Governo, mas nada esclarece os portugueses, nem os leva a meditar naquilo que devem querer para o futuro de Portugal, nem traduz o que o seu partido deseja para melhorar o País. É mais uma palavra vã como a maior parte daquelas que qualquer político atira para denegrir o rival e para criar ilusões nos cidadãos eleitores. Mas também pode ser interpretado como uma involuntária confissão da omissão do grupo parlamentar que chefia por não ter analisado a situação do País, os factores que lhe condicionam o desenvolvimento, as potencialidades das riquezas naturais, económicas e da população e, a partir de tal análise, ter definido objectivos a atingir, isto é, concretizar aquilo que queremos para um melhor futuro de Portugal.

E, encontrando-nos em vésperas de eleições, a definição de tais objectivos constitui uma obrigação lógica de cada partido a fim de criar, nos eleitores, esperança e alguma garantia de decidirem votar em consciência naquele que lhes pareça ser o melhor candidato ao seu voto. Recordo o artigo “Como aproveitar a passagem pela oposição”, publicado aqui em 20 de Setembro de 2016, em que procurei sugerir a um partido que se encontra na oposição que deve utilizar essa fase da sua existência como um estágio para o governo que deseja vir a desempenhar. Com esse ponto de vista, não convém limitar-se a criticar e infernizar o Governo em funções, mas sim a fazer críticas construtivas e demonstrar claramente as suas capacidades para fazer melhor e desenvolver o País e criar melhor qualidade de vida para as pessoas. É certo que tem o perigo de o Governo utilizar essas ideias e beneficiar a sua imagem. Mas, mesmo assim, o autor da ideia pode demonstrar que esta é sua e com isso ostentar a sua capacidade superior.

E, pensando de tal forma, a frase em questão leva-me a expor algumas interrogações. Que Portugal queremos? Será que todos querem o mesmo? Há algum estudo estratégico que defina o Portugal desejado pela maioria dos Portugueses? Quais os objectivos nacionais propostos pelos partidos que vão candidatar-se nas eleições que se avizinham? E que garantias nos dão de atingir tais objectivos se tiverem votos para isso? Temos vivido ao som de promessas maravilhosas que servem para nos embalar na sonolência permissiva e apática, da tolerância pacóvia e de que nunca chegámos a ver a concretização.

O autor da frase desempenha funções que justificam o pedido de que esclareça sobre o seu conceito correcto e pormenorizado do “Portugal que quer”. Quais as suas propostas sobre a Saúde, o SNS, a ADSE, o IASFA, etc, sobre a Justiça, os juízes, o tempo da resolução dos processos, o combate à corrupção, à violência em geral e, em particular, à doméstica, etc., sobre o Ensino, a preparação dos futuros cidadãos, a ética, o respeito pelos interesses nacionais, a preparação dos agentes da economia de amanhã, para fazer crescer a economia nacional, para aumentar a exportação, para reduzir a dívida, etc. etc.? O autor da frase, vazia de sugestão para solucionar a situação, pode ser considerado grande culpado da situação que acusa, por não apresentar estratégias alternativas de forma clara em todas as fases e os graus ou níveis em que devem ser concretizadas.

Se todos temos o dever de colaborar, dentro das respectivas possibilidades, para o “bem da Nação”, esse dever constitui uma imposição para todos os partidos, pelo menos os que estão representados no Parlamento que vigia e fiscaliza a actuação do poder executivo. E aí há lugar para propostas e outros actos de apoio, de reparo e de sugestão para fazer face a problemas nacionais. ■

António João Soares
09-03-2019



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

PREPARAR O FUTURO

Preparar o futuro
(Publicado em O DIABO nº 2198 de 22-02-2019, pág 16)

 Há muitos indícios de que Portugal vive, há demasiado tempo, numa pasmaceira ou pântano, sem sinais de projecto que conduza a uma reforma estrutural que eleve o país a um desenvolvimento e crescimento adequado a melhor qualidade de vida das pessoas e crescimento da economia com resultados melhor distribuídos com justiça social, por forma a criar uma justificada credibilidade de governos e partidos inspiradores de maior confiança dos cidadãos em quem os governa. É frequente ouvir-se falar da conveniência de comparar as obras realizadas e as decisões tomadas para bem dos portugueses nos últimos 44 anos com as do período de igual duração anterior ao 25 de Abril, apesar do esforço de guerra no Ultramar.
E são referidos novos hospitais, tribunais, quartéis para militares e para GNR, Polícia, bombeiros, escolas, aeroportos, etc. E na situação financeira havia uma reserva de barras de ouro de valor histórico, e agora há uma dívida que sobrecarregará várias gerações.

A falta de sentido de Estado e de preparação para encarar o futuro com correcta definição de objectivos a atingir e escolha de boas estratégias, geral e sectoriais, para os alcançar, conduziu a um “deixa andar e depois se verá”, com o resultado que Guterres definiu como “pântano” e utilizou como pretexto para deixar o Governo que chefiava. Depois veio Durão Barroso, que não detectou forma de brilhar à frente do Governo e aproveitou a oportunidade de ir ocupar alto cargo na União Europeia, sendo substituído por Pedro Santana Lopes, que tentou iniciar a descentralização do poder executivo, com uma decisão imponderada e ridícula de deslocar uma Secretaria de Estado para Portalegre. Esta decisão foi recordada com a recente e esquisita promessa de mudar o INFARMED para o Porto, o que deu despesas para pagar pareceres a amigos coniventes, mas que, mesmo assim, foi esquecida. Santana Lopes acabou por ser demitido pelo PR, que mostrou não ser contemporizador nem recear tomar decisões. Depois veio Sócrates, que se deixou pressionar por construtores, deixando-se levar a construir auto-estradas, algumas sem necessidade e até paralelas a outras já existentes, e a criar uma alternativa ao Aeroporto de Lisboa, na OTA, apesar de a orografia não ser nada adequada a tal obra, mas para isso tinha o apoio de amigos que, entretanto, compraram terrenos para serem expropriados por alto preço ou para serem urbanizados, com bons lucros. Também a auto-estrada para o Algarve teve três alternativas, não por razões correctas mas devidas a pressões de políticos que tinham comprado terrenos que, nessas hipóteses, dariam grandes lucros na expropriação. Custou conseguir que a escolha fosse a mais lógica.

Quanto aos anos mais recentes, não é preciso fazer esforço de memória porque as pessoas não esqueceram com facilidade, e a prometida reforma estrutural está em todas as cabecinhas pensadoras, tal como a ausência de decisões para bem da nação, a insatisfação generalizada que tem gerado
greves, com graves prejuízos para utentes de serviços públicos, como universidades, escolas, jardins de infância, hospitais e centros de saúde, transportes rodoviários e ferroviários, finanças, serviços da segurança social ou de estrangeiros e fronteiras, etc.

Está a ser necessário, com urgência, alguém com dedicação a Portugal, competência e coragem para ordenar o estudo de uma reforma estrutural abrangente, com uma estratégia bem definida para atingir finalidades coerentes com os interesses nacionais. Essa estratégia geral deve ser decidida e depois
preparadas as estratégias sectoriais, por forma a haver uma coerência e convergência de todos os sectores para serem obtidos resultados em perfeita harmonia entre si e sem necessidade de paragens e recuos que são sempre custosos, pelo menos no factor tempo que constitui o tesouro mais precioso
por ser irrecuperável. ■

António João Soares
15-02-2019


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A INCÓGNITA DE AMANHÃ

A incógnita de amanhã
(Publicado no Semanário O DIABO em 15 de Janeiro de 2019)

Na mesma manhã surgiram-me três textos que me ajudam a reflectir sobre as preocupações quanto ao futuro da Humanidade, relacionadas com o mau uso das tecnologias que tem sido permitido nos anos mais recentes por governantes distraídos quer no ensino quer no jogo de interesses menos éticos. São: a entrevista dada pelo filósofo José Gil a jornalista do Diário de Notícias, a opinião de Gordon Brown acerca da encruzilhada em que se encontra a globalização, com reequilíbrios geoeconómicos e geopolíticos, e as palavras de Unamuno, reitor da universidade de Salamanca, em 12 de Outubro de 1936, com 77 anos, a uns agitadores franquistas: “Vencereis porque tendes, de sobra, a força bruta. Mas não convencereis. Para convencer há que persuadir. E para persuadir necessitaríeis de algo que vos falta: razão e direito na vossa luta”.

José Gil afirma que era tradicional um conjunto de valores e uma moral que suportavam um arsenal tradicional de categorias de direitos, de cidadania, de tolerância e de justiça. Mas esses valores, embora se tornassem universais, não foram eficazes, porque os humanos não somos capazes de nos transformar de modo a que a nossa sociedade, perante a história conflitual se modifique racionalmente. E também pode haver um falhanço teórico por alguns pensadores criticarem tais valores.

Todo o ser vivo é inteligente, mas a inteligência desenvolve-se em conformidade com o seu contexto natural e as suas necessidades vitais. A inteligência dos humanos “manifesta-se na técnica e na ciência e na articulação entre as duas”. A técnica é neutra e dá bons ou maus resultados conforme a sua utilização e tem sido usada ao máximo na exploração capitalista do planeta, pondo em risco a extinção da vida na sua superfície. A evolução da técnica tem uma vocação de não parar e tudo leva a temer “que estamos cada vez mais perto de um perigo iminente”.

Os anunciados desequilíbrios ecológicos podem originar desequilíbrios funcionais da espécie humana e não se vê um plano possível de inverter a sua evolução. Para isso seria indispensável acordo político para encarar os problemas, nas suas causas, mas os atritos constatados nas cimeiras para o clima, mostram a impossibilidade de ser encontrada a solução mais adequada. Isso faz prever, para breve, a extinção, a não ser que ocorra uma catástrofe ecológica que, sem provocar o desastre final, exija mais consciência ecológica mundial sobre os erros e omissões que têm ocorrido e origine uma benéfica convergência de esforços.

Torna-se urgente a adopção de medidas eficazes e aplicadas imediatamente. Há intenções e propostas para acabar com o aumento de mais de um grau e meio na temperatura média global, mas os políticos não as têm usado. Porque não são cumpridas? Eles esquecem que os tempos são outros e vivemos numa urgência de evitar uma morte iminente. As causas de tal negligência são múltiplas e têm de ser bem analisadas, para serem ultrapassadas sem demora. Todos os problemas sociais e políticos devem ser devidamente analisados nas suas causas a fim de os efeitos serem controlados de forma pacífica, benéfica e harmoniosa.)

Segundo Gordon Brown, no ano passado, houve uma viragem na globalização, levando ao aparecimento de pequenos movimentos nacionalistas de que a China está a beneficiar com infiltrações em África, na Europa e na América do Sul, preparando um mundo de dois sistemas em vez da ordem internacional liderada, durante várias décadas, pelos EUA. Na última década marcou uma mudança notável no equilíbrio do poder económico. O centro de gravidade económico do Mundo mudou, o Grupo dos sete mudou, e originou o G24. O FMI irá mudar a sede, possivelmente dentro em pouco para a China. A estrutura mundial será alterada não apenas no aspecto económico mas também geopolítico. De unipolar, com os EUA no topo, passará para bipolar com a China a falar alto. E depois? ■

António João Soares
8 de Janeiro de 2019

terça-feira, 27 de novembro de 2018

GERIR PARA UM FUTURO MELHOR

Gerir para um futuro melhor
(Publicada no Semanário O DIABO em 27 de Novembro de 2018)

O passado pertence à história e apenas serve, na gestão quotidiana, como experiência, para aproveitarmos o mais positivo e evitar repetir os erros que levaram a maus resultados. Não devemos hesitar e recear planos de longo prazo, perdendo tempo e oportunidades a repisar o lamaçal do pântano. As grandes obras demoram muito tempo desde a ideia inicial até os resultados estarem bem visíveis. Assentam num plano abrangente que parte de um estudo cuidadoso, abarcando todos condicionamentos, de forma a reduzir a necessidade de, durante a execução, serem feitos aditamentos de relevo. Depois, esse plano geral deve ser traduzido em pequenos planos sectoriais destinados aos técnicos responsáveis por cada aspecto particular da obra, para agirem na sua especialidade de forma convergente com o desejado resultado geral da obra. E, para ser realizado adequadamente, devem ser feitas directivas com esboços de maneira a que os obreiros finais de cada pormenor possam agir com segurança e perfeição.

Daqui deduz-se que desde o artista autor da globalidade da obra até ao mais simples operário, existe uma escala de valores humanos diversificada, o qual precisa de possuir uma formação, preparação, fiável para as funções que terá de desempenhar, com competência e sentido de responsabilidade, a fim de cumprir com a máxima eficiência a parte que lhe cabe na construção da obra.

Isto aplica-se à construção de um palácio, ou de uma catedral, de uma moderna urbanização ou de um paquete de cruzeiros e também à gestão de uma grande empresa ou de um Estado.

Do escalonamento das tarefas e das responsabilidades diferenciadas deduz-se que a preparação e formação dos responsáveis pelos diversos graus de técnica não terá de ser igual mas, sim, adequada à sua função. O ensino no regime anterior tinha uma estrutura dentro de tal espírito, com um ensino médio dividido numa parte mais científica e outra mais dedicada à técnica, com escolas industriais, escolas comerciais e escolas agrícolas. Mas, depois, foi decidido, insensatamente, tornar o ensino todo igual, orientado para a parte científica e desprezando a preparação técnica, e sem flexibilidade para satisfazer alunos especiais com vocações para técnicas diversas. Queixam-se agora de muitas desistências dos estudos, de desmotivação, de fracassos, por serem desprezados e não estimulados os gostos e as vocações dos alunos. Nas tardes de 4ª-feira e aos sábados, havia actividades variadas, da escolha dos alunos, em que se descobriam vocações úteis para a vida posterior. E, agora, quanto a actividades económicas, é referido um desemprego vultuoso de jovens com estudos de grau elevado mas que não têm nem preparação nem vocação nem vontade de encarar tarefas necessárias para empresas com algum tecnicismo ou mesmo com características pouco exigentes.
E o desenvolvimento da economia nacional, para bem de todos os portugueses, exige ensino e formação adequada a fim de em cada profissão e escalão haver pessoas com preparação adequada e vontade de realizar as tarefas indispensáveis para haver produtividade e o país poder ter competitividade na economia mundial de forma a poder desenvolver a exportação em nível remunerador.

Infelizmente, além de terem sido extintas as escolas secundárias de carácter técnico, acabaram também na TV as palestras apresentadas por bons técnicos como o Engenheiro Sousa Veloso em problemas agrários, José Megre na manutenção técnica de automóveis, Júlio Isidro no aeromodelismo, etc., etc.

E para cúmulo, em vez de o Estado incentivar os jovens desempregados a aceitarem formação e oferta de trabalho de muitas empresas, está a pensar-se na entrada de imigrantes, sem critério de selecção e com apetência para boas condições de vida superiores às de muitos cidadãos. ■

António João Soares
20 de Novembro de 2018


terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVAS PARA AMNHÃ

Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018

Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.

Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.

No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.

A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.

Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.

Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.

O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.

Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.

E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.

António João Soares
28 de Agosto de 2018


terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU.E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direto a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018


terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico".

Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

terça-feira, 17 de abril de 2018

PLANEAR COM SENTIDO ESTRATÉGICO... PARA O FUTURO

Planear com sentido estratégico… para o futuro
(Publicado no semanário O DIABO em 17-04-18)

As alterações da ondulação do mar, devidas a condições climáticas, têm provocado a destruição de cordões dunares e deixado sem areia as praias da Costa de Caparica. As condições actuais testemunham a deficiente atenção dada ao problema quanto a planos eficientes, com sentido estratégico, para evitar riscos em pessoas e património, nos muitos equipamentos e habitações ali existentes. Segundo notícia recente do «Notícias ao Minuto», na Câmara Municipal de Almada pretende-se proceder à retirada da população, tendo os planos para relocalização que ser equacionados "num período sempre a 100 anos", para não fazer a deslocação forçada em pouco tempo, o que acarretaria custos e sacrifícios elevados.

Mas, segundo a mesma notícia, o Presidente da Junta de Freguesia mostra ser mais prático reforçar a proteção do litoral e evitar o recuo da zona urbanizada.

Ambas as modalidades têm vantagens e inconvenientes e não deve optar-se por qualquer delas sem uma análise muito cuidada de cada uma a fim de se investir na melhor delas, ou escolher outra que seja mais vantajosa. Será oportuno aplicar, na procura da solução, a metodologia referida no artigo «preparar a decisão» publicado no semanário DIABO em 27 de Setembro de 2016.

O recuo ou deslocação da população começará a ter efeito daqui a alguns anos e torna-se mais pequena a dimensão do país, ao contrário de alguns exemplos de outros países, como a conquista do mar para construir o aeroporto de Macau, a Holanda que tem lutado para o aproveitamento das zonas baixas que deram nome aos «Países Baixos», o Mónaco que está a alargar a sua pequena área para o Mediterrâneo, não apenas para instalações ligadas ao mar, mas para habitação e fins comerciais e industriais, o Kuwait e o Dubay que têm aumentado grandemente as suas áreas para fins turísticos e outros, com grandes avanços sobre o mar.

Quanto à Caparica, já li que houve a intenção de a ligar por uma larga avenida ao Farol do Bugio e o aproveitamento deste para finalidades turísticas, de bares e de recreio. Mas as obras de protecção do litoral não podem ser tão artesanais como as que têm sido usadas, devendo-se utilizar fundações adequadas para os «cordões dunares», bem como para equipamentos de bar, restaurantes, parques de campismo e habitações, etc, a fim de ondas mais altas não lhes retirarem o solo subjacente e as destruir.

Qualquer que seja a solução adoptada, deve merecer a concordância de Governo e oposição, a fim de ter continuidade depois da primeira legislatura, para não se anular o custo da obra já feita e a deixar ruir, como aconteceu com o plano do aeroporto de Lisboa na Ota, depois em Alcochete e agora em Montijo, ou o TGV Lisboa-Elvas, ou a rede ferroviária de bitola europeia, ou a limpeza das bermas das estradas legislada há muitos anos mas só agora objecto de atenção, a «proposta para fiscalizar indústria de pirotecnia na gaveta há dois anos», etc.

A Natureza tem muita força e não pode ser totalmente contrariada, mas a segurança do património e das populações é dever essencial dos Governos. Por isso, perante as previsíveis alterações ecológicas, convém estar preparado para o aumento de riscos, com planeamentos adequados e preparados para alterações correspondentes às previsões da mudança climática. Para isso, deve ir-se além do critério de decisões de emergência (do «agora vai ser assim e, depois, logo se verá»), e decidir planear a pensar num futuro distante, sem pôr de lado a conveniência de introduzir os indispensáveis ajustamentos aconselhados pela evolução das circunstâncias. E, depois, acima de tudo isto, é imperioso que os sucessores garantam a sustentabilidade. Estes devem ter sempre presente que as grandes obras de que Portugal se orgulha não podiam ter sido construídas numa legislatura de quatro anos, em que os sucessores anulassem a obra iniciada pelos antecessores. Os interesses nacionais devem constituir a primeira prioridade dos governantes e ser planeados, iniciados e realizados, com sentido estratégico e de responsabilidade perante Portugal e os portugueses.

António João Soares
10 de Abril de 2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

A FORÇA DA JUVENTUDE GERA ESPERANÇA

A força da juventude gera esperança
(Publicado no semanário O DIABO em 10-04-18)

O futuro pertence aos jovens e, por isso, eles devem começar cedo a ser optimistas, entusiastas e positivamente inconformados com o ambiente opressivo em que são criados. Devem abrir os olhos para aquilo que é positivo e que merece o seu esforço para conseguir o seu futuro de dignidade, com respeito pelos mais válidos valores éticos e combater corajosamente as amarras socialmente patológicas com que os querem impedir de sonhos e de desenvolvimento. Devem exigir condições para crescer em idade, saber e civismo. E, neste, enquadra-se o respeito pelos outros, a recusa de injustiças, prepotências, exigências inúteis, etc.

Não podem deixar de ser motivos de esperança casos como os dos quatro projectos de investigação inovadores, de jovens investigadoras que estão a abrir novas pistas, a desbravar, no estudo das ciências da saúde e do ambiente, que mereceram as Medalhas de Honra L’Óreal Portugal 2018. Além da honra de terem sido escolhidos, entre mais de 70 candidaturas, vão receber também 15 mil euros cada, para aplicarem na continuação dos seus projectos de investigação.

Cito-as por ordem alfabética: Carina Crucho, investigadora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa; Dulce Oliveira, estuda o clima do passado, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA); Inês Bento, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), da Universidade de Lisboa; Margarida Fernandes, bolseira de pós-doutoramento na Universidade do Minho.

Estas quatro jovens merecem mais publicidade na Comunicação Social do que a que lhes foi dada e deve ser-lhes demonstrado o orgulho que temos nelas. Merecem mais tempo de antena do que qualquer malandrim a quem as TV dedicam muitas horas por dia. Elas dão-nos esperança de que a imagem de Portugal será recuperada. Parabéns a estas estudantes e investigadoras entusiastas.

Além destes casos, tem havido outros de projecção internacional e continuará a haver muitos mais, o que prova que o real valor dos portugueses está a ser revitalizado pelos jovens. Felizmente, Portugal não se evidencia apenas pelo futebol!

Mas o caso mais focado nas notícias é o que ocorreu nos EUA, em que sobreviventes do ataque em Parkland, Florida, em 14 de Fevereiro, em que um ex-aluno promoveu um massacre na escola Marjory Stoneman Douglas, matando 17 pessoas e deixando vários feridos, organizaram uma manifestação geral em todos os EUA que chegou a mais de 800 localidades e, em Washington DC, juntou meio milhão de pessoas, em que os discursos foram reservados aos menores de idade e gerou protestos solidários de Londres a Sydney, de Genebra a Tóquio.

A chamada geração dos tiroteios na Marcha Pelas Nossas Vidas foi um protesto global contra as armas, contra a permissividade da concessão de licença de uso e porte de arma e pela alteração da lei, de forma a restringir esse direito.

A sociedade tem vindo a cair na falta de respeito pelos outros, na insegurança, no crime. Estes jovens querem um mundo sem armas. Não querem mais mortes nas escolas, manifestando-se contra as armas e outros perigos e exigindo ao governo que actualize a legislação e deixe de se submeter aos lobbies do armamento. E gritaram «Basta. Nunca mais».

É muito positivo que a juventude aja para ter um futuro melhor. Cabe às gerações mais novas preparar o seu futuro, eliminando muita coisa errada da sociedade. Devem lutar por mais civismo e menos prepotências e arrogâncias dos detentores dos Poderes político, económico e financeiro.

António João Soares
03 de Abril de 2018

terça-feira, 27 de março de 2018

PORTUGAL PRECISA DE MAIS UM SALTO EM FRENTE

Portugal precisa de mais um salto em frente
(Publicado no semanário O DIABO em 27-03-2018)

A história de Portugal é rica em momentos de alto valor que devem ser recordados com orgulho dos nossos antepassados.

-O desenvolvimento do interior, da agricultura e da floresta, por D. Dinis, de que sobressai a criação do pinhal de Leiria com «vista às naus a haver» que fizeram os descobrimentos e deram novos mundos ao mundo;

-Guerra da Sucessão com a Espanha, com a Batalha de Aljubarrota e outras em que se dignificou o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, no Reinado de D. João I;

-O início dos descobrimentos para dar «novos mundos ao mundo» e que foram um gesto recentemente citado, como o primeiro passo da globalização, isto é, do relacionamento entre os vários continentes do Planeta. Foram o aproveitamento dos pinheiros do Pinhal de Leiria na sequência do desejo estratégico (com olhos no futuro) de D. Dinis e da vontade e espírito inovador do Infante D. Henrique e que tiveram o ponto alto no reinado de D. Manuel I;

-A restauração da independência, em 1640 e a acção de D. João IV e dos militares que venceram as batalhas subsequentes, contra a reacção espanhola;

-A gestão da causa pública pelo Marquês de Pombal, firmemente dedicado aos interesses nacionais e que reconstruiu Lisboa após as destruições causadas pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, com vistas largas inovadoras, com uma urbanização exemplar;

-Ao longo da nossa história, construíram-se edifícios e monumentos como a Torre de Belém, Jerónimos, Alcobaça, Batalha, etc;

-E, mais recentemente, a estabilidade e o desenvolvimento do País, durante o Estado Novo que, em 28 de maio de 1926, acabou com a bagunça da primeira república e procurou fazer a recuperação desta «Nação Valente e Imortal». Realizou a construção de obras de grande significado e valor como as numerosas escolas primárias na maior parte das aldeias do interior, em luta contra o analfabetismo, as estradas nacionais que passaram a ligar o litoral ao interior e o Norte ao Sul, para facilitar o desenvolvimento do interior e melhorar a qualidade de vida das populações mais desprotegidas, a construção de pontes de que são exemplos bem visíveis as sobre o Tejo e o Douro, os diversos quartéis militares, em estilo próprio, ainda hoje muito válido, quartéis para a GNR, esquadras de polícia, instalações para bombeiros, construção de Liceus, construção de Hospitais, construção de Tribunais, etc, etc,

Em todos estes momentos e noutros mais, foi bem notório que os responsáveis pela governação do país não se confinavam a chapinhar no pântano, com soluções pontuais e de efeitos limitados e rápidos, mas a projectar para um futuro melhor em benefício de um Portugal exemplar. O sentido estratégico, de inovação com vista ao desenvolvimento e enriquecimento do país com uma qualidade de vida cada vez melhor para os portugueses.

Com tal patriotismo e sentido criativo, foi criada uma posição de Portugal no mundo que, nalguns aspectos, ainda é notada, apesar dos recentes erros sucessivos cometidos nas últimas quatro décadas, em que foi destruído o volumoso tesouro amealhado durante as quatro décadas anteriores e, actualmente, estamos sem esse dinheiro e com uma dívida que durará várias dezenas de anos a pagar pelos vindouros. O actual regime herdou um tesouro e deixa de herança uma dívida assustadora.

A história mostra bem que quando aquilo que se faz, mesmo que pouco, é vocacionado para as décadas vindouras cria-se um prestígio que perdura por muitos séculos, mesmo que, entretanto, decorram períodos de infantilidade e imaturidade dos gestores. O contrário acontece com governos que prometem e não cumprem, apenas para iludir o povo e ter benefício em eleições, em campanhas ilusórias de propaganda manhosa e egoísta com desprezo pelo suor do povo.

Por isso, apesar da crise que vimos sofrendo, há alguns anos, por vezes de forma muito dolorosa, devemos ter esperança no aparecimento de novos governantes que sejam merecedores do nosso passado brilhante e tenham ideias aproveitáveis, concretizadas por planos e projectos que marquem uma nova era de prestígio e progresso nacional. Temos indícios muito auspiciosos no sector científico com investigadores nacionais com projecção internacional devido a êxitos promissores. Seria bom que no âmbito da política acontecesse o mesmo, e fossem feitas reformas estruturais do regime, a fim de sairmos do pântano das promessas falaciosas sem viabilidade de concretização e da fixação de datas incumpríveis que têm de ser alteradas como agora aconteceu acerca da limpeza das matas.

António João Soares
20 de Março de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

OLHAR PARA O FUTURO É IMPERIOSO

Olhar para o futuro é imperioso
(Publicado no semanário O DIABO em 9 de Janeiro de 2018)

A vida é uma escola em que devemos estar sempre atentos para aprender coisas novas e para reforçar conhecimentos anteriores. Viver é como fazer um percurso a corta-mato em que, ao dar um passo, devemos estar certos do ponto em que vamos colocar o pé, a fim de não cairmos e termos ferimentos graves. Devemos estar sempre com os olhos no futuro, no resultado de cada acção, para termos a noção de que estamos no bom caminho para atingir o objectivo pretendido. Este conceito tem sido aqui referido em diversos textos publicados sobre a preparação da decisão, o planeamento, etc. E foi com agrado que deparei com a notícia da inauguração da sede da Associação de Vítimas de Incêndios de Pedrógão Grande, AVIPG, em que o Chefe do Estado realçou o facto de esta «possuir uma dinâmica de futuro, que sublinhou como sendo caso “muito novo” no cenário português.

Perante a memória de uma situação trágica, em vez de pararem em lamúria, decidiram preparar um futuro melhor e iniciar já um desenvolvimento para o conseguir que, segundo ele, são “três dimensões juntas” e “muito raras” que destacam a AVIPG como um exemplo modelar de um novo caminho a seguir pelas populações e pelos seus responsáveis - autarquias e governos.

E o mais significativo é que o futuro pretendido não tem limite de tempo, sendo indeterminado e recebendo adaptações às evoluções de situações que, entretanto, ocorrerem. É uma filosofia para orientar a evolução para uma «nova era» em que o objectivo é conseguir a melhor qualidade de vida para os habitantes, seus animais de estimação, suas propriedades rurais e industriais e o seu património privado e público.

Quem cai deve levantar-se e continuar a vida. É assim que as crianças iniciam a sua capacidade para andar. Chorar um fracasso nada resolve, e o que interessa é analisar aquilo que originou o acidente e pensar inteligentemente no futuro para que não volte a acontecer a mesma desgraça ou outra. Assim, uma tragédia pode ser um estímulo útil para preparar um caminho mais eficiente para um futuro melhor. O PR frisa muito bem que este caso da AVIPG deve ser tomado como modelo a seguir por todos os que têm responsabilidades pelo povo, pelo património de hoje e de sempre. Já houve em Portugal situação semelhante, mas que não serviu de modelo durante muito tempo. Após o terramoto de 1775 surgiu um urbanismo que ainda é exemplar: a baixa pombalina de Lisboa e a cidade de Vila Real de Santo António. Mas, agora, não é preciso que se copiem as práticas da AVIPG mas, sim, o seu raciocínio que conduz a aproveitar a situação real e, em vez de reerguer o passado, pensar num futuro mais adequado às necessidades e às conveniências colectivas e preparar um futuro melhor, tudo devidamente ponderado a fim de ter continuidade, atendendo a custos e benefícios.

Se os governantes assumissem este exemplo, não ficariam parados tantos projectos válidos para a ferrovia, o aproveitamento e conservação da água fluvial e outras coisas da vida dos cidadãos, principalmente do interior.

E não esqueçamos que a catástrofe de Pedrógão foi há meio ano. E daqui a meio ano pode ocorrer, em qualquer local, incêndio de graves dimensões. E não podemos deixar de perguntar: o que foi feito, nestes seis meses para evitar mais fogos graves? Que medidas preventivas estão em marcha, para evitar e para combater com mais eficácia os que não forem evitados? Que sentido de futuro existe no Poder Executivo? E o que tem saído do Poder Legislativo, nesse sentido? Tem-se ocupado com aquilo que considera mais urgente: as finanças dos partidos, lesando o erário público, dos cidadãos. E aquilo que interessa à melhoria da qualidade de vida deste?

António João Soares
2 de Janeiro de 2018

terça-feira, 31 de outubro de 2017

PARA AS NAUS A HAVER

«Para as naus a haver»
(Publicado no semanário O DIABO em 24 de Outubro de 2017)

É sobejamente sabido que a continuidade de um comportamento rotineiro sem lhe inserir alterações, actualizações ou adequações à evolução ambiental, provoca uma degradação persistente que conduz à anulação da intenção inicial. «Parar é morrer». No entanto, isto tem sido ignorado pelos governos e instituições públicas que justificam o acerto das suas atitudes por estarem inseridas naquilo que vinha do anterior. Isso foi notório no SIRESP e na ANPC.

Mas isto não significa que deva ser passada uma esponja que apague toda a experiência do passado, porque dele podemos, e devemos saber, tirar lições muito importantes, que nos ensinam a construir um futuro mais benéfico para o país. Agora foi recordado, com a notícia da destruição, pelo fogo, do célebre pinhal de Leiria que este foi plantado no reinado de D. Dinis para ter madeira «para as naus a haver» as quais permitiriam tirar proveito da nossa óptima localização geográfica com grande importância marítima. Representou olhos postos no longo prazo, indicação de inteligência e amor ao País, pensando nas gerações futuras. E a essa decisão com olhos postos no futuro proporcionou à equipa dirigida pelo Infante D. Henrique tomar decisões também focadas no longo prazo que conduziram aos descobrimentos que deram «novos mundos ao Mundo» e que foram a semente da globalização que veio a ser concretizada em anos recentes.

Seria bom que os actuais responsáveis pelo País imitassem estes pontos altos da história e se preocupassem mais com o futuro do que com os pequenos acontecimentos surgidas pela falta de prevenção, isto é, pela sua incompetência e inacção que os tem mantido a chafurdar no pântano da continuidade rotineira e demolidora, com a miopia que os não deixa olhar para o futuro com estruturas actualizadas e preventivas que evitem a repetição de erros demasiado velhos e repetidos, como os incêndios, que não foram evitados por medidas de protecção civil e de reforma da defesa das florestas, nem devidamente combatidos por falta de boa preparação dos agentes e por desajustada qualidade da comunicação.

O exposto no primeiro parágrafo foi confirmado pala atitude do PM que disse, há poucos dias, que seria «criancice» mudar de MAI. Mas o PR, com base no relatório da comissão de independentes sobre o ocorrido em Pedrógão Grande, incitou-o a fazer mudanças positivas para evitar desaires semelhantes e, então, o PM deixou de considerar «criancice» aquela e outras mudanças.

Nisto, como em muitos outros temas, as Forças Armadas dão exemplos a seguir, em que os factores da autoridade e da hierarquia não são os mais significativos. Qualquer decisão, táctica ou estratégica, é precedida por «estudo da situação» em que a missão é analisada, bem como as possibilidades do inimigo, as condições meteorológicas, o terreno, os meios e a sua utilização, e a comparação das possíveis modalidades de acção, para escolha da melhor. De decisão assim preparada, sai uma ordem de operações, e a posterior observação da «conduta da operação» a fim de, se necessário, serem introduzidas alterações adequadas a fazer face a aspectos novos dos factores da decisão, principalmente do inimigo. Nada é rígido e definitivo porque, se o fosse, aconteceria o que se referiu no primeiro parágrafo, como derrotas sucessivas até à definitiva. Não é «criancice» fazer retoques num plano inicial a fim de com ele se procurar atingir o objectivo final desejado.

O novo Secretário de Estado da Proteção Civil, engenheiro José Artur Neves, prefere a prevenção ao combate dos incêndios. e salienta que o investimento em meios de combate poderia "alimentar a ideia de que há aqui uma indústria de combate aos incêndios, que é perniciosa para todo este processo". Esperamos e desejamos que não se fique por estas palavras e as concretize, para os bons resultados «a haver».

António João Soares
24 de Outubro de 2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A CAMINHO DO AMANHÃ


A CAMINHO DO AMANHÃ
(Publicado em O DIABO de 10 de Janeiro de 20179)

A MARCHA PARA A NOVA ERA NÃO DEVE SER SISTEMATICAMENTE ADIADA, porque o tempo perdido será difícil de recuperar. No entanto, não devem ser dados passos ao acaso, sendo necessário decidir com coragem após estudos bem elaborados acerca de todas as hipóteses e dos resultados desejáveis.

Mais do que nunca, o Mundo é dos audazes sensatos e medianamente ponderados. O passado pode servir como ponto de referência e experiência, mas a tentação de o imitar ou repetir deve ser radicalmente banida, porque tudo será totalmente novo, inovador, criativo, imaginativo, com base nas possibilidades hoje existente e outrora inimagináveis. E, entretanto, as condições os factores sofrem alterações rápidas. A Humanidade está a enfrentar uma fase de mudança profunda. A economia dependia fortemente da energia originada pelo carvão, pelo petróleo e pelo gás natural, mas está a ter uma viragem para as energias naturais não poluentes como a eólica e a solar. Por exemplo, «a Suécia está a bater o recorde de produção de energia eólica», Foi-me há dias mostrada em Lisboa (Restelo) uma estação de abastecimento de combustível com uma cobertura revestida por placas de energia solar que a torna auto-suficiente para as suas máquinas e iluminação. Muitos semáforos nas avenidas funcionam com placas solares sem necessidade de ligação à rede de fornecimento de electricidade. Dentro de poucos anos, todos os automóveis serão movidos a electricidade, passando a não ser poluentes por não necessitarem da combustão de produtos fósseis.

Mas mudanças fundamentais caem nas actividades das pessoas, nas estruturas dos serviços, da organização social, política e administrativa. Por exemplo, o PR disse há dias que «cientistas portugueses são embaixadores de Portugal no mundo» apagando um pouco o papel dos diplomatas e dos futebolistas, o que evidencia a crescente importância da ciência e do saber adquirido pelas gerações mais jovens num ensino superior de qualidade.

Muita coisa tem que mudar, reorganizando os serviços com redução da burocracia e dispensa do pessoal não absolutamente necessário e sem preparação devidamente confirmada. A burocracia emperra toda a vida dos cidadãos e das empresas. E quando é dado «emprego» a um boy sem ser destinado a uma tarefa imprescindível, ele tenta justificar o tacho, criando um sistema de pedido de dados que ocupa um conjunto de outros funcionários com uma nova burocracia inútil. O combate à burocracia empolada tem que estar conjugado com a dispensa de pessoas.

A Justiça tem perdido o respeito dos cidadãos vulgares por ser lenta e dar um aspecto de ineficácia. Segundo diz o PR, o «Sistema de Justiça é lento e um " travão enorme" para a sociedade». Não sendo problema fácil de resolver, exige vontade e coragem para obter a colaboração de todos os vectores inerentes, a fim de encontrar a melhor solução. Não parece ser por acaso o aparecimento da notícia «Condenações por corrupção são cada vez menos mas PJ investiga mais». Tem sido abordada a relação entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público. É desejável que seja encontrada uma boa solução para a situação actual e flexível para ser eficaz na evolução de amanhã. É desejável que os cidadãos, de todos os níveis tenham motivos de confiança em sector de tão relevante importância.

Mas nenhum sector da actividade nacional pode ser descurado nesta nesta corrida inovadora que começa a acelerar. A saúde, o ensino, a segurança para evitar atentados, a ecologia contra a poluição e os fogos florestais, a legislação para punir com proporcionalidade os terroristas que imolam dezenas de inocentes e para dissuadir outros de fazerem o mesmo, etc. etc.

Enfim, estão a ser cada vez mais necessários governantes sensatos, racionais e corajosos para tomarem as decisões mais adequadas aos tempos que se avizinham.

A João Soares
3 de Janeiro de 2017

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O FUTURO COMEÇA AGORA



Como disse o PR há que não deixar prescrever os direitos de cidadania.

Em democracia, o povo tem responsabilidades de colaborar na recuperação. É uma tarefa colectiva de que ninguém está dispensado, cada um com as possibilidades que tiver, no mínimo, deve dizer e explicar a sua opinião e dar a sua sugestão, mesmo que seja apenas em conversa e café,

As pessoas e os países devem gerir a sua vida, no dia-a-dia, com os olhos focados nas realidades actuais e com as ideias e intenções apontadas ao futuro que mais desejam.

Do passado devemos aproveitar as boas lições que hoje podem ajudar a preparar um futuro melhor e evitar repetir os erros cometidos. Como estamos próximos dos jogos olímpicos, devemos aprender o comportamento dos atletas. Enquanto correm na pista, não pensam na partida mas, sim, na linha de chegada, na meta, e orientam os seus passos nesse sentido.

Em criança, quando caíamos, procurávamos levantar e continuar a caminhar com cuidado para não voltar a cair. Pessoas que culpam o passado dos seus fracassos actuais, são pessoas incapazes de gerir o seu presente com inteligência para um futuro melhor. O caminho é para a frente. O futuro começa hoje.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O CAMINHO É PARA A FRENTE


Uma viagem, ou uma estratégia, desenvolve-se com O PENSAMENTO E OS OLHOS VOLTADOS PARA O LOCAL DE DESTINO PREVIAMENTE DEFINIDO, ou para as etapas intermédias, sem nunca fixar os olhos no retrovisor. O PASSADO JÁ PASSOU E SÓ DEVE SER RELEMBRADO PARA EVITAR OS ERROS OCORRIDOS.

Ora, de um conjunto de títulos de jornal vislumbra-se uma tendência para imitar erros do Governo que nos deu austeridade, «custe o que custar, até ao fim, não se cansando de atribuir as culpas ao Governo anterior. Agora surgem títulos como «Costa acusa Passos de ter enganado Bruxelas», «Carlos César acusa Maria Luís de “fraude propagandística”», Jerónimo. “Ficou claro que PSD e CDS enganaram os portugueses”. etc.

Será preferível saber que o Governo está interessado, mais do que em atacar o anterior, em melhorar as condições de trabalho, emprego, educação, saúde, justiça segurança pública, etc, com o mínimo de rompimento com o esquema existente mas com as alterações indispensáveis para os portugueses serem tratados como pessoas, acima dos recursos materiais e serem mais incentivados a agir para um PORTUGAL melhor, em que haja harmonia, paz, trabalho, justiça social e equidade perante o interesse nacional.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

PÁSCOA, PRIMAVERA, RENOVAÇÃO, ESPERANÇA DE MELHOR FUTURO

Aproveitemos a festa da Primavera para rever os melhores Planos de vida harmoniosa


No primeiro fim-de-semana após a primeira Lua Cheia depois do equinócio da Primavera, festeja-se a chegada do semestre mais quente, das flores, do desabrochar da Natureza. É altura de dar morte a tuto o que é erva daninha, prejudicial, contrário à boa qualidade de vida das pessoas e da sociedade, limpar a casa retirar inutilidades que ocupam espaço e absorvem energias.

Depois é preciso fazer renascer, reabilitar os valores que nos podem ajudar a ter uma vida mais pacífica, harmoniosa e justa e que têm andado desprezados, pisados pelas ervas daninhas. Primavera é renascimento. Páscoa é Ressurreição.

Olhemos à nossa volta com lógica, com racionalidade, e separemos o Bem do Mal e sepultemos o mal, para, em vez dele, termos o Bem, em cima de um pedestal para nos iluminar o horizonte a fim de podermos eleger o bom caminho para um Futuro melhor. Mesmo que o presente seja difícil, devemos aceitá-lo, com o propósito de, em breve, o substituirmos por dias melhores.

Mas não esperemos que este resultado nos caia no prato da sopa sem algum esforço da nossa parte. Nada nos é dado gratuitamente a não ser a desgraça, precisamos de lutar contra a apatia, os hábitos fáceis, para depois, como resultado de tal luta, virem dias melhores.

Aproveitemos a Páscoa para varrer a casa e eliminar todo o lixo e o que é nefasto.

domingo, 4 de janeiro de 2015

CONTRIBUIR PARA UM MELHOR FUTURO DE PORTUGAL


O presente ano, mais do que os outros, por ser de eleições legislativas, obriga a profundas reflexões sobre o futuro dos portugueses e a ponderar e reavaliar os anteriores afectos partidários. Votar é sempre uma lotaria e não devemos ser ludibriados por promessas, sempre fantasiosas, mas, pelo contrário, devemos dar valor a trabalhos já realizados e resultados obtidos pelos concorrentes. Enfim interessa mais prospectar as capacidades de realização do que deixarmo-nos iludir por falaciosas intenções. As palavras de António Capucho, ex-notável do PSD, durante 40 anos devem se bem analisadas.

As intenções e as promessas, mesmo que realistas, obrigam a pensar que QUERER nem sempre É PODER. E o que mais interessa não são as promessas, os sonhos e as fantasias de um candidato. Interessam as acções mais correctas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, principalmente dos mais carentes. E, para preparar tais acções, é preciso demonstrada capacidade de análise com conhecimento das realidades, e dos recursos que podem ser utilizados, capacidade de decisão, coragem para vencer resistências e obstáculos, tudo bem condimentado com sensatez e dedicação a Portugal. E, quanto a recursos, eles estão a ir para as mãos de estrangeiros através de privatizações e vendas em saldo de todo o património, desde as jóias de antepassados, aos aviões e aos telefones.

Para construir um futuro melhor, a partir deste momento e sustentável a longo prazo, é preciso ter os pés bem assentes no chão para fazer bem a «chamada», como os atletas do salto em comprimento, sem fantasias nem fanfarronices, mas com visão estratégica à semelhança do rei D. João I e dos Infantes da ínclita geração que prepararam e iniciaram o maior feito da nossa história em benefício de Portugal e de todo o Mundo. Vários tratados de hoje, ao estudarem a «GLOBALIZAÇÃO», afirmam que ela FOI INICIADA PELOS DESCOBRIDORES PORTUGUESES que colocaram em contacto todas as partes do Mundo.

Nesta quadra natalícia, devemos aproveitar a mensagem que está na sua génese. É certo que o ser humano é imperfeito e segue o caminho mais fácil, natural, espontâneo, oportuno, sem necessidade de preparação. Mas os governantes não podem ser pessoas desprovidas de valores éticos nem preparação adequada para vencer as vis tentações da ambição de enriquecimento fácil, por qualquer forma. Devem, sim, possuir, em alto grau, dedicação a Portugal, isto é aos portugueses que não devem ser sacrificados a interesses de desmedidas ambições pessoais de governantes sem escrúpulos.

Para os detentores de funções com Poder sobre os cidadãos, sugere-se reflexão sobre as palavras do Papa Francisco, um doutrinador da sociedade moderna, que se despe de preconceitos e se expõe a sacrifícios e perigos para renovar a vida internacional, dentro da solidariedade inspirada pela mensagem de Natal. E está a ter êxito nas relações internacionais, como se viu na amizade restaurada entre os EUA e países da América Central. Ele sabe que está sujeito à reacção da maldade dos homens, mas isso não lhe esmorece a vontade de continuar a bater-se pelo êxito das suas ideias generosas para que frutifiquem e se enraízem nos corações das pessoas de todo o mundo, para que haja Paz entre todos. É um bom exemplo a seguir pelos detentores do Poder.

As pessoas lamentam-se da degradação da humanidade, da podridão do mundo actual. Mas o mundo melhor não se conseguirá com pessimismo, nem a chorar o leite derramado. É preciso entusiasmo e confiança no futuro que todos temos que construir. Quem puder pegar em picaretas para tal construção deve entrar em acção e quem o não puder fazer deve dar apoio moral e incentivo aos que o possam fazer. Todos inspirados na obtenção do mesmo objectivo, cada um com as suas artes, teremos a força necessária para fazermos as mudanças indispensáveis.

Olhando o movimento periódico da Natureza, que nos deve servir de exemplo, sabemos que, em breve, as searas precisam de ser mondadas para excluir as ervas daninhas e deixar que o cereal que é bom possa desenvolver-se e frutificar, para que a colheita possa ser compensadora e alimentar as pessoas que não devem ser deixadas a morrer de fome e de carências várias. A sociedade também precisa de monda e de criar condições que incentivem à renovação, à mudança à melhoria da qualidade de vida daqueles que a não possuem com a devida dignidade.

Não devemos ter medo da mudança, a qual surge anualmente na mãe Natureza, porque é meritória e indispensável para não ficarmos cristalizados num pântano de austeridade que, por si só, apenas tolhe as energias existentes e impede a criação de melhores dias. E para evitar tal cristalização inoperante foi prometida e não realizada com eficácia uma «reforma estrutural do estado» que, entre outras coisas, reduziria quantidade de instituições públicas e semi-públicas e diminuiria a excessiva burocracia para o mínimo indispensável, o que evitaria perdas de tempo e de dinheiro na vida económica das pessoas que estão na origem da pior epidemia pública chamada corrupção e que teria evitado a criação de 10.000 milionários por ano e o empobrecimento do maior número de cidadãos desprotegidos.

ANO DE ELEIÇÕES EXIGE CUIDADA MEDITAÇÃO ANTES DE COLOCAR O VOTO NA URNA.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O COMPLEXO DO RETROVISOR


O automobilista não deve abusar da utilização do retrovisor. O tempo não perdoa e, em cada segundo que se perde a olhar o retrovisor, o carro avança alguns metros que podem estragar a viagem, o carro ou vidas. Isto é verdadeiro na vida prática de cada um. O passado tem a sua importância e há a adequada oportunidade de ser relembrado, quer se trate de D. Afonso Henriques, D. Dinis, o Infante D. Henrique, o Marquês de Pombal, Salazar ou mesmo Sócrates.

O passado serve para dele se extraírem lições que ajudem a melhor preparar o futuro. A destruição de Hiroshima pela primeira bomba atómica, depois das lágrimas pelos danos, estimulou a força de vontade e as capacidades e competências das autoridades e das populações e depressa fizeram a reconstrução em, moldes mais modernos, de novas urbanizações e de melhor qualidade de vida para o povo. O mesmo se passou nas cidades alemãs destruídas durante a II Guerra Mundial, e cidades francesas, inglesas ou holandesas, etc. ou com as torres gémeas americanas.

Nada adianta recorrer ao passado seja distante ou recente para tentar justificar as incapacidades e incompetências do presente. O que interessa é procurar a melhor solução para avançar firmemente para o futuro e mostrar resultados em curto prazo à medida que forem visíveis, mas sem malabarismos nem palhaçadas com fins ilusórios de falsas esperanças.

Hoje, depois de mais de três anos da queda de José Sócrates, ainda se lhe atribuem todas as dificuldades da vida nacional, porque nada se fez de correcto para avançar paulatinamente para uma recuperação firme e segura de um futuro melhor. Mais de três anos é sacrifício demasiado de suportar sem se ver levantar os alicerces das estruturas de uma obra definitiva para ficar como marco de uma geração válida para os futuros cidadãos. A obsessão do rectrovisor fez perder o controlo para se seguir o rumo estratégico e, sem isso, continuamos à deriva, em pára-arranca, na Educação, na Saúde, na Justiça, no combate à corrupção, etc. etc. A nossa Hiroxima, por este andar, nunca será reconstruída. Estive a comparar a minha pensão de reformado do ano de 2010 com a de 2013 e vi que perdi 25% em cortes sucessivos; corte idêntico irei verificar no fim deste ano e está prometido solenemente que a austeridade disfarçada em muitas variantes com diversas nomes irá continuar em 2015… e se este governo continuar, como serão os anos seguintes?

Hoje, ao almoço, estive com defensores fanáticos do Governo que, sem argumentos lógicos e convincentes, negam-se a aceitar e analisar factos reais, e em resposta, recitam a sua obsessão do rectovisor, de que tudo se deve a Sócrates e, devido a ele, o Governo, apesar da sua vasta e onerosa equipa de colaboradores, em salários e mordomias, não conseguiu ainda encontrar a pista a seguir para um futuro melhor. Dizem que não é por falta de competência do actual Governo, é por culpa de Sócrates!!!. O que dirão a isto Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral, Manuela Ferreira Leite, José Pacheco Pereira, Luís Marques Mendes,, , António Bagão Félix, Paulo Morais, Rui Rio, António Capucho, etc.?

A João Soares 141007
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

JOVENS PREOCUPADOS COM O SEU FUTURO ?


Ontem ocorreu um «meeting» de cerca de 800 jovens no Centro Comercial Vasco da Gama no Parque das Nações que segundo o director do centro comercial não houve "vandalismo ou furtos" no interior do shopping. Mas houve necessidade de a PSP intervir devido a desentendimentos entre alguns jovens. Um elemento da PSP recordou que há cerca de um mês houve um outro, também no Parque das Nações, em que participaram cerca de mil jovens. Todos os «meets» foram pacíficos e "nunca evoluíram para desacatos".

Sensatamente a polícia pretende "estudar o fenómeno, do ponto de vista sociológico e policial". Realmente, há motivos para os jovens se preocuparem com o seu futuro e quererem assumir a sua responsabilidade de contribuir para construir uma sociedade diferente da herdada das gerações anteriores dominada pelo dinheiro e pela corrupção e exploração que ele gera. Oxalá que as boas intenções da PSP na abordagem do problema seja conseguida ordem, civismo, sem fenómenos anti-sociais próprios das manifestações de massa. É bom que os jovens pensem no seu futuro e se preparem para criar uma nova sociedade, mais justa, solidária, pacífica, isto é, focada na felicidade das pessoas e não dominada pelo dinheiro, nem corrupta e exploradora dos pobres como é a actual.

Se o «estudo sociológico» prometido pela PSP, confirmar este objectivo, convém evitar repressão violenta e não hostilizar. Porque, se houver repressão e violência, então o espírito de luta poderá acirrar-se e ir numa via errada, podendo causar danos pessoais e patrimoniais, que geram divisionismo com ódios, vinganças fraccionadoras, como se vê hoje na partidocracia que nos explora e esmaga com austeridades crescentes para alimentar corruptos e incompetentes que apenas sabem explorar ilimitadamente os mais desfavorecidos. Não pode ser perdido de vista o que aconteceu com BPN, com BES e com a crise que nos tem esmagado com uma austeridade sem fim.

Os jovens, para criarem uma sociedade mais adequada à melhor qualidade de vida das pessoas não precisam de conselhos de velhos, porque, entre si, haverá pensadores realistas e sensatos que saberão ouvir todas as opiniões para, depois, formar a sua estratégia, a qual deve evitar radicalismos e aventuras. Devem evitar deixar-se amordaçar pelos poderes económicos, sociais e políticos actuais, os quais não deixam fazer qualquer alteração por mínima que seja, por recearem que lhes vá cercear o Poder de que usam e abusam.

É agradável descortinar sinais de mudanças sociais orientadas para um futuro melhor das actuais gerações jovens. No movimento sinusoidal da Natureza, da Física, estamos no momento de as civilizações pararem a degradação de que vêm sofrendo e começarem uma fase de progresso na vida dos seres humanos.

A João Soares 22-08-2014
Imagem de arquivo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

FUTURO COM PAZ E SAÚDE NUM AMBIENTE RESPEITADO


A História Universal evidencia que a vida das sociedades, da Humanidade, obedece à lei da física acerca do movimento sinusoidal, com descidas e subidas alternadas. Há sinais muito significativos de que nos encontramos no início de uma nova fase do ciclo.

Numa visão superficial, um tanto pessimista pode fazer recear que o futuro está muito comprometido, porque o mal está generalizado e a humanidade está em decadência. Já aparecem muitos vídeos a mostrar que os animais «ditos irracionais» agem.quer isoladamente quer em família ou em grupo, com mais racionalidade, solidariedade e humanidade do que os humanos que se arrogam o título de racionais.

A política que devia ser a função mais nobre e mais prestigiada, está considerada como a coisa mais vil e odiada que há na Terra. É um covil onde se encontram inaptos, e que, a cada mudança,, são substituídos por outros mais incapazes, estando em vias de ali irem parar os piores marginais, movidos não pelo amor ao seu País e suas pessoas, mas aos seus interesses pessoais de enriquecimento rápido sem olhar a meios.

Por este ponto de vista parece não haverá saída fácil e que teráde vir um dia em que tudo mudará, certamente com muito perda de sangue, para depois, das cinzas nascer a Fénix.

Porém, surgem sinais de optimismo de mudança inteligente e pacífica que coloca em acção as qualidades civilizadas de poderosos agentes da economia mundial. Quanto à objectividade de um novo ciclo, tenho grandes esperanças, porque, além de estar a ser absolutamente necessário, as pessoas, a Humanidade, precisam de voltar a ser mais respeitadas e ser o principal motivo das acções dos governantes dos países.

Eis alguns sinais positivos A propósito de uma proposta de um grande capitalista mexicano para a compra dos hospitais do GES, ouvi uma senhora economista com dotes de humanista dizer que se aproxima uma era em que o negócio ligado à SAÚDE vai substituir o que hoje se liga ao armamento. Os capitalistas que aumentam as suas fortunas com a morte das pessoas estão a orientar os seus negócios para a defesa da saúde delas. É o que se vê no grupo deste magnata, na reorientação dos seus diversificados negócios.

Outro sinal de reorientação de grandes homens de negócios mundiais é o interesse do grande capital, estar a dar sinais de se voltar do petróleo para o negócio da protecção do AMBIENTE. Este, curiosamente, tem pontos comuns com o caso anterior, pois também irá concorrer para a saúde e a qualidade de vida das pessoas e da Natureza em geral. Estes dois sinais do novo ciclo da Humanidade estando interligados, reforçam a convicção de que as preocupações com a saúde e o ambiente têm lógica, uma racionalidade consistente que poderá ser o estratégia de amanhã.

A elas, deverá juntar-se a PAZ. Para ela, a primeira medida seria acabar com a «não proliferação das armas nucleares» e pôr em prática a sua «eliminação total», o que deve começar pelo exemplo das potências que possuem grandes arsenais mortíferos e, depois, a ONU decretar sanções muito duras sobre o pais que teime em guardar uma, mesmo que muito pouco potente. Há muita coisa a fazer e é importante que a ONU e a NATO usem o seu PODER e obtenham AUTORIDADE, PRESTÍGIO E RESPEITO. E não tenham receio nem hesitação para manter a Humanidade numa nova era histórica de Paz, Saúde e uma Natureza respeitada e propícia à felicidade consciente e ética das pessoas.

A João Soares. 20-08-2014
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