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sábado, 24 de março de 2012

A desejada «revolução» tranquila

Quando Passos Coelho garante que está a fazer “uma revolução tranquila”, talvez esteja convencido daquilo que diz, mas deixa muitos motivos de receio, a começar pelo uso do verbo «garantir», que os políticos colocaram na moda e que, pela forma arrogante e não realista como é utilizado, deixa muito a desejar pela falta de consistência.

De «revolução» não se vê nada de concreto, a não ser que o seu antecessor usava uma linguagem de riqueza e optimismo sem fundamento e, agora, estamos perante uma austeridade «custe o que custar» e custa muito, e de carências, cortes e miséria. Além dessa diferença de táctica, o Governo, a justificar o adjectivo «tranquila», poderá estar a consolidar os vícios e manhas que vêm detrás, acentuando o sinal da prioridade dada aos números e não aos cidadãos, às pessoas, ás famílias e aos problemas que as preocupam: saúde, educação, justiça, segurança.

Foi prometido ou «garantido» por Passos Coelho no plenário da Assembleia da República, no debate quinzenal que «a nossa intenção é clara, que desde já, assim que esteja constituída a comissão de recrutamento e seleção que está prevista na lei se possam iniciar os concursos de forma a encontrar novos dirigentes para a administração central. Não é em final de 2013, é já, ao longo deste ano». Desta forma deixarão de ser feitas nomeações por compadrio e passarão a ser escolhidos os mais capazes, a fim de os interesses nacionais serem melhor servidos e defendidos. Mas agora, como Alberto João Jardim aponta, há a indicação de Teixeira dos Santos para administrador da PT. É um sinal de que as palavras nem sempre traduzem verdadeiras intenções.

Outro notável do PSD refere que o caso António Borges, embora sem incompatibilidade formal, suscita muitas interrogações, parecendo que o sentido de Estado nem sempre está presente em decisões e declarações públicas.

Também um sinal pouco desejável é o de que não haverá recuos na reforma autárquica que será levada a cabo, custe o que custar. É pena que os governantes se esqueçam de que, na vida, nada é imutável e eterno e o porvir traz circunstâncias e pormenores que exigirão necessários ajustamentos. Essa é uma característica da função de bom planeamento e programação a que se segue o controlo da execução e do seu ajustamento mais conveniente. Isto constitui uma realidade, mesmo que a decisão tenha sido bem preparada tendo em conta todos os factores condicionantes, o que no caso em apreço parece não ter sido feito.

O voluntarismo, a imposição de vontades e de caprichos por palpite e sem correcta ponderação, raramente dão bom resultado mas quando implicam com a vida de milhões de pessoas, com os seus legítimos interesses privados, as suas actividades económicas e sociais, torna-se numa violência imprópria de uma democracia impor reformas em estilo arrogante e autoritário sem serem preparadas de forma racional e atendendo às circunstâncias reais, em cada local ou região. Fazer uma reforma da divisão territorial num gabinete, com régua e esquadro, sem falar com as pessoas e compreender os seus interesses colectivos não pode contribuir para uma «revolução tranquila».

Imagem de arquivo

domingo, 20 de novembro de 2011

Revolução e depois???


Por pior que se diga dos regimes políticos, as revoluções que resultam do descontentamento e da indignação do povo trazem, quando desorganizadas e espontâneas, situações caóticas, dando lugar aos piores desacatos e actos de vandalismo, males muito desagradáveis, pelo menos nos tempos seguintes, embora por vezes curtos. As notícias que, insistentemente, chegam do Egipto devem ser meditadas com a maior atenção, antes que se torne tarde, neste período conturbado de desgaste devido à crise social, financeira, económica e política.

Mas, como há situações em que as mudanças são indispensáveis e inadiáveis, as convulsões só podem ser evitadas pelo Poder existente, sendo ele a conduzir democraticamente as reformas e alterações. Em vez daquilo que sucedeu na Líbia e está a acontecer na Síria, e colhendo os frutos da lição dali extraída, seria bom que os ocupantes das cadeiras do Poder colocassem de lado as suas arrogâncias, assumissem sentido Estado, contactassem com o seu povo para conhecerem os motivos de descontentamento, e iniciassem de forma progressiva e pacífica as alterações adequadas.

Já não estamos em época de aceitar a imposição de vontades iluminadas por entidades que se consideram de direito divino. É preciso descer ao terreno e governar com o povo e para o povo, em ambiente de diálogo e de negociação, com objectivos claros e patrióticos, embora vagos e flexíveis. Em vez da hostilidade prepotente, ao estilo Líbio e Sírio, será preferível congregar vontades conscientes e informadas de forma leal e sem subterfúgios, com abertura a sugestões, a iniciativas construtivas, a retoques de aperfeiçoamento, etc.

Foto de arquivo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Revolução sócio-política-económica mundial

Aí está ela... anda no ar e vai descer à terra... já cheira...a Revolução???

Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

.... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos tais "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias
massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia....helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade.. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

NOTA: Este excelente texto de autor não identificado foi recebido por e-mail de José Alberto Mota Mesquita, a quem agradeço a gentileza do envio.
É muito esclarecedor e espera-se que surja um «terapeuta» que apresente proposta de uma boa forma de fazer a multiplicação dos factores, dando-lhes expoentes adequados, por forma a que o resultado NOVO seja o melhor possível para as pessoas. Queremos realmente mudar depressa e para melhor (para os 80% que hoje são explorador pelos restantes 20%)e devemos estar preparados para gerir a vida com flexibilidade segundo os condicionamentos emergentes.

Imagem do Google