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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A SABEDORIA E A VERDADE

A sabedoria e a verdade

A difusão de palavras, e ideias, de doutrinas não é suficiente para convencer pensadores ávidos de conhecimento e da verdade, e por maioria de razão, para esclarecer as pessoas menos sabedoras. É certo, porém, que os menos conhecedores e mais carecidos de inteligência podem ser enganados e iludidos, temporariamente, mas depressa se mudarão para outro propagandista ou falso profeta.

Ora, se não bastam palavras, ideias ou doutrinas para convencer as pessoas, de que maneira se devem conduzir estas a aderir a uma corrente de pensamento ou a uma doutrina científica ou social? Há argumentos imbatíveis: os da realidade, da verdade dos factos, das realizações claras e iniludíveis que não podem ser desmentidas.
Perante isso, os nossos políticos, principalmente alguns jovens pouco documentados de forma multifacetada, que procuram destruir os feitos dos nossos heróis históricos, os valores do nosso passado nacional e pretendem baralhar os espíritos mal preparados sobre género, racismo, escravatura e sobra falácias «doutrinárias» sobre direitos, estão condenados ao insucesso e descrédito, sem o futuro que ambicionam.

Por exemplo, em vez de usar palavras, ideias e opiniões sobre a diferença entre os últimos 45 anos e igual período imediatamente anterior, será mãos convincente preparar uma realista verdadeira das realizações concretizadas em cada um dos períodos, em obras públicas de interesse nacional, das reformas efectuadas nos principais serviços públicos de defesa, de segurança, da saúde, de justiça, etc. E depois façam-se comparações verdadeiras e honestas, com base em decisões, acções, realizações, e evitem-se palavras balofas e intencionalmente enganadoras.

António João Soares
22-01-2019

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

VERDADE E TRANSPARÊNCIA

Verdade e transparência
(Publicada no Semanário O DIABO em 8 de Janeiro de 2019)

Não gosto de perder tempo com leituras que não tragam informação credível e útil. Mas, infelizmente, tal material enriquecedor do saber é demasiado raro, perante o amontoado de fantasias ilusórias que nos são atiradas aos olhos a cada momento. A verdade e a transparência são cada vez mais raras e, por isso, mais preciosas.

Os discursos de Natal do PR e do PM, perante os poucos extractos que vi, são demasiado falaciosos quanto à vida nacional actual, que pintam com cores de tal forma optimistas que parece virem de estranhos que desconhecem as realidades em que vivemos. Será que acham que tudo tem melhorado e pretendem a continuidade? Continuidade de quê? Das greves que tanto têm prejudicado os inocentes cidadãos, na saúde, nos transportes, na Justiça e em vários serviços públicos, dos incêndios, dos acidentes rodoviários, de actos de violência, de falta de manutenção das estradas (caso de Borba e outros), de deficiente preparação da população para prevenir situações de risco, do aumento da dívida, etc.?

Em vez de continuidade, na fase de mudança em que o Mundo se encontra devido à rápida evolução das tecnologias, será preferível planear e executar uma reforma estrutural que faça o País desenvolver-se para proveito dos mais carentes, acabar com a dívida pública, inverter o crescimento escandaloso dos impostos, dos quais apenas tem resultado benefício para os políticos e os apêndices criados com nomes de “observatórios” e muitos outros, e de que não se vê proveito para os contribuintes, mas apenas para os tachistas amigos dos titulares do Governo.

Os governantes, como agentes do poder executivo, devem servir com eficiência o povo que governam e que deles espera segurança e melhor qualidade de vida, em vez de o tratarem como coisas possessivas e hipotecáveis, e não concentrar-se numa imensa teia clientelar em torno de familiares, amigos, compadres, afilhados, todos sedentos de riqueza e imagem.

E para servir o povo com verdade e transparência, não devem ser feitas promessas que depois são esquecidas. Por exemplo, é caricato e degradante “prometer” que em fins de 2019 serão iniciadas obras para resolver as carências da pediatria do hospital de S. João, em vez de informar e pedir desculpa por o problema não ter ainda sido resolvido.

As promessas feitas aos cidadãos ficam, na sua maioria, esquecidas pouco tempo após a sua afirmação. É certo que o povo, que em democracia é considerado detentor da soberania, é na sua maioria crédulo e deixa-se enganar por aldrabões que, usando de discursos fantasiosos, o levam a suportar as piores atrocidades que virá a sofrer. Mas acabará por despertar da sua actual apatia, ver que o País em vez de produzir riqueza e reduzir o número de pobres, aumenta os impostos que divide pelos ricos, e acabar por se revoltar, de forma mais ou menos violenta. Convém reflectir nesse risco.

Mas o deficiente sentido de Estado, a falta de sensatez e de conhecimento das realidades parece tornar os discursos mais fantasiosos e orientados para campanha eleitoral relacionada com eleições ainda distantes, mas que já estão a lesar a vida real dos cidadãos. Seria mais prudente e mais conducente à obtenção de resultados o estudo, planeamento e execução de obra visível, enriquecedora do património nacional. Alguém já sugeriu que se faça uma lista das obras realizadas após o 25 de Abril e outra, com igual critério, das realizadas em igual período de 44 anos e meio, anterior a essa data, para se poder comparar. E além desse resultado, desse período veio uma quantidade de toneladas de barras de ouro e no período actual fica uma dívida pública que irá pesar no bolso de várias gerações. Pesada herança que os governantes se recusam a encarar com seriedade e transparência. ■

António João Soares
2 de Janeiro de 2019


quarta-feira, 21 de março de 2018

A MENTIRA VESTIDA DE VERDADE

Conta-nos uma parábola que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.

A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade!

E a verdade foi conferir se realmente o dia estava bom. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e assim, vendo que realmente era um dia bom, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira!

- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade, vendo que a mentira falava verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se das suas vestes, pulou para dentro de água e disse:
-Venha, dona Verdade, a água está uma delícia!
E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou as suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se embora.
A verdade, por sua vez, recusou vestir-se com as vestes da mentira e, por não ter do que se envergonhar, foi nua que saiu, a caminhar na rua.
Constatou, porém, que, aos olhos das pessoas, era muito mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade crua e nua.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

MEIAS VERDADES E MENTIRAS OCULTAM A REALIDADE

Meias verdades e mentiras ocultam a realidade
(Publicado no semanário O JORNAL em 5 de Setembro de 2017)

Uma civilização evoluída considera o culto da verdade como uma preocupação prioritária e dá muito valor à sua procura sempre que existe confusão. No entanto, deparamos com a maior preocupação tida na política e na informação, no sentido de desenvolver pequena propaganda da verdade relativa, da verdade possível e inócua, da mentira e do desprezo da verdade transparente e louvável. Para isso, complicam acontecimentos simples de forma a dificultarem o acesso à informação clara e leal, fazendo-a esquecer por distracção com coisas insignificantes.

Procuram desencorajar a procura da verdade e desorientar com novas notícias, falsas ou mais ou menos verdadeiras, criando uma ilusão da realidade, desvalorizando a verdade. Dessa forma, como se tem visto em campanhas eleitorais, e fora delas, são feitas promessas e afirmadas garantias para obter boa cotação em sondagens e mais votos nas urnas, mas que raramente serão realidade. E os actos errados ou duvidosos passam despercebidos aos cidadãos menos esclarecidos que, muitas vezes aceitam e aplaudem discursos falaciosos que nada os beneficiam, antes servem de engodo para desprezarem coisas graves e produzir a mudança da atenção destas coisas para banalidades ou ilusões não realistas.

Isso tem especial acuidade no sistema eleitoral com campanhas distantes da procura de soluções pragmáticas para os diversos problemas preocupantes, em diversos sectores nacionais, que são desprezados pelas propagandas, atractivas e irreais ou distantes da realidade, que convencem os eleitores a aceitar votar em listas de nomes que não conhecem e que nelas constam por serem amigos, cúmplices ou coniventes do chefe do partido. Ao eleitor não é dado o direito de, democraticamente, escolher os indivíduos mais competentes e honestos da sua área de residência.

No caso da tragédia de Pedrógão Grande, esteve bem visível a propaganda para encobrir os diversos falhanços, diluir as responsabilidades, acusar os serviços, denunciar a oposição. Esta, por seu lado, vitupera e acusa, faz demagogia e aproveita-se. Em tal actividade, falam dos mortos e esquecem os vivos que necessitam de apoio para refazer as vidas, e da criação de medidas preventivas eficazes para evitar a repetição de acidentes e de crises. E, com um incompreensível «segredo de justiça», de origem estranha ao Poder Judicial, pretendeu-se proibir qualquer tentativa de procurar a verdade ou de emitir opinião interrogativa sobre o caso de Pedrógão.

Quanto a medidas contra os incêndios, há quem aponte soluções para o ordenamento florestal, para a organização, equipamento e preparação dos bombeiros, para as medidas activas fora da estação dos fogos, para as penas a aplicar pela Justiça aos incendiários, para as nomeações de técnicos competentes para as chefias dos serviços ligados à prevenção e ao combate que devem deixar de ser feitas por amizade e compadrio de ex-jotas e para a utilização de um sistema de comunicações eficaz em vez de um arremedo em mão de gente amiga, de competência duvidosa.

Para a prevenção ser eficaz, deve ser ultrapassada a negligência por parte de vários governos, suprindo a falta da Guarda Florestal, desactivada em 1977, dos guarda-rios e dos cantoneiros, por exemplo, criando um «corpo nacional de agentes florestais» que fariam uma observação constante do cumprimento da legislação, esclarecendo as populações, aconselhando a colaborar na estratégia preventiva em vigor e comunicando à GNR casos de renitente infracção à lei.

António João Soares
29 de Agosto de 2017

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PROMESSAS E DECISÔES ANUNCIADAS PRECOCEMENTE


Promessas e decisões anunciadas precocemente
(Publicado em O DIABO de 18 de Outubro de 2016)

Por vezes, deparam-se situações em que, talvez, a ansiedade de transmitir esperança, afecto e apoio espiritual, leve pessoas, ocupando cargos de grande responsabilidade, a cometer erros gravíssimos de difusão de promessas que «garantem» e «asseguram» mas que não são mais do que impulsos, caprichos, intenções, que não passaram pelo estudo e análise como preconiza a metodologia referida no texto «preparar a decisão» publicado em O Diabo de 27 de Setembro. Aquela ou outra metodologia parecida mostra que a elaboração da decisão é um processo mental sem rigor suficiente para garantir seja o que for, mas com a consistência necessária para procurar a melhor solução, sem desprezar apoios de opiniões, sugestões e propostas de quem conheça a complexidade do problema e possa contribuir para que a decisão seja inteligente, racional, lógica e realmente bem adequada ao assunto a resolver. Recordo que, na fase da elaboração da lista de soluções possíveis, o falecido General Betencourt Rodrigues costumava dizer «agora, durante cinco minutos, a asneira é livre».

Em fases do estudo, como esta, não convém que saia a público uma das «asneiras» do gosto do orador e que a prometa, assegure e garanta. Houve recentemente, acerca da preparação do orçamento, afirmações contraditórias de membros do Governo com alta responsabilidade sobre medidas que iriam ser tomadas. Isto descredibiliza as pessoas que, depois, dificilmente se podem fazer acreditar.

No texto «amar Portugal sem submissão a partido» publicado em O Diabo de 4 de outubro, sugeria-se a colaboração de grupos de pessoas esclarecidas, de diversas cores, para, em gabinete fechado, procederem a análises imparciais, centradas no interesse nacional, a fim de procurar as melhores estratégias e tácticas para construir o futuro do Pais. Nenhuma afirmação proferida em tal ambiente deve ser afirmada em público por um governante, como promessa garantida, para que depois não venha outro membro do mesmo governo afirmar coisa diferente sobre o mesmo assunto.

Perante tal linguajar, o povo, se tal hipótese o beneficia, reagirá com apoio e cria uma esperança, mais ou menos eufórica que, no caso de não vir a concretizar-se pode dar para o outro lado, dar para o torto. Também os insatisfeitos com a hipótese desenvolverão pressões que, depois, dificultarão a vida de quem tem que governar todos. Por isso, há que evitar referir aquilo que ainda está em estudo, como sendo uma coisa garantida e segura.

Não é oportuno listar todos os casos de contradições e negações recentes, porque entretanto tudo consta já no projecto de Orçamento, aprovado por Conselho de Ministros depois de todos os retoques que foram julgados convenientes. Mas, atenção, que nunca agradará a todos.

E há uma reflexão que já foi referida algumas vezes. Se o orçamento é um programa de gestão em que constam as despesas e investimentos a realizar com as receitas disponíveis, em que a diferença entre as somas de umas e de outras deve ser ZERO, porque se prevê antecipadamente que haja um défice? Seria preferível que houvesse um superávite. Essa é a regra das contas familiares em que deve procurar-se, sempre que possível, uma poupança. O défice que a própria UE aceita e ao qual estabelece limite, é um gerador de dívida que crescerá até a um momento impossível de tolerar. Triste herança se está a preparar para os vindouros. Que ideia terão, acerca do défice e da dívida, os altos ocupantes da liderança da UE?

A João Soares
12-10-2016

sexta-feira, 9 de maio de 2014

DEMOCRACIA SEM TRANSPARÊNCIA E COM EMBUSTE???


É considerado característica da verdadeira DEMOCRACIA a verdade, a lealdade dos eleitos aos que os elegeram depositando neles confiança para serem seus mandatários ao leme da gestão dos interesses nacionais. Mas nem tudo é perfeito e, por vezes, em vez de clareza surge a escuridão, o mistério, o embuste.

Fala-se numa carta do Governo para o FMI em cujo conteúdo o PS suspeita haver algo que o Governo quer ocultar dos cidadãos e exige revelação da carta de intenções até às eleições. As tentativas de explicação de tal ocultação não têm sido minimamente convincentes nem esclarecedoras. Já houve da área governamental a promessa de que a carta seria mostrada depois das eleições europeias do dia 25, o que deixa suspeitar que o conhecimento do conteúdo da carta antes dessa data poderia fazer perder votos aos partidos da coligação.

Agora, José Pacheco Pereira, em artigo do Ionline, afirma sem hesitações que Carta ao FMI contém detalhes do DEO que o governo "não quer revelar". Mas o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) já foi publicado em jornais, talvez com omissões. A explicação de Pacheco Pereira vem dar credibilidade às palavras de Catarina Martins, BE, quando disse que DEO é um "documento do embuste orçamental". O significado que deu à letra E, parece indicar que a Catarina tem o dom de premonição.

Estamos perante um dos muitos truques que o Governo tem estado a usar como arma da campanha eleitoral para as europeias. E algumas dessas armas têm tido detonação na culatra. Com o tempo difícil dos sofrimentos impostos, as pessoas abrem os olhos e vêm alguns (cada vez mais) dos muitos embustes. E, para facilitar a busca futura por interessados pesquisadores, deixa-se uma lista de títulos sobre o tema:

Pacheco Pereira. Carta ao FMI contém detalhes do DEO que o governo "não quer revelar"

PS exige revelação da carta de intenções até às eleições

BE. Catarina Martins diz que DEO é um "documento do embuste orçamental"

Tudo o que muda com o DEO

Oposição centra-se nas "mentiras" e a maioria no recuo dos cortes

DEO faz Passos cair em contradição

Governo volta a falhar promessas e aumenta impostos

Devolução de 80% dos cortes nos salários vai depender do próximo governo

'Governo não merece confiança dos portugueses'

Governo volta a falhar promessas e aumenta impostos

Ministra das Finanças garante que carta para o FMI não tem “surpresas nem sustos”

CDS aceita aumento de impostos

IVA e TSU aliviam pensionistas

Passos não comenta aumento do IVA e da TSU

DEO. Oposição centra-se nas "mentiras" e a maioria no recuo dos cortes

TÁCTICAS PARA SEGURAR O PODER

Passos Coelho: “Que se lixe as eleições”

Passos diz que medidas servem para suportar pensões e não para reduzir défice

Passos Coelho. País está pronto para caminhar pelas próprias posses e meios

Governo volta a falhar promessas e aumenta impostos

Devolução de 80% dos cortes nos salários vai depender do próximo governo

Jerónimo de Sousa. "Governo não tem cura e esta política não tem saída"

UGT apela à mobilização contra "esbulho" e condena aumento do IVA e TSU

CGTP anuncia duas “grandes manifestações” para Junho

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

QUATRO VERDADES TODAS DIFERENTES


Quis aqui publicar um texto que li há alguns anos mas não o encontrei e, como o acho com interesse didáctico, vou tentar reproduzir a ideia nele contida:

Um pai, estando adoentado e prevendo que a vida não se iria prolongar muito mais, chamou um dos quatro filhos, por altura do Natal, e pediu: Pegas num caderno e numa caneta , vais pela estrada que conduz à cidade e, ao chegares à casa dos cantoneiros, quando começa a descida para o rio, sentas-te na pedra que está do lado esquerdo e fazes uma redacção descrevendo, de forma pormenorizada, aquilo que vês na paisagem, à tua frente.

Quando o filho chegou e lhe leu a redacção ele apreciou o cuidado com que foi elaborada e guardou-a na arca onde tinha documentação de interesse. Nada disse aos outros rapazes sobre isso.

Pela Páscoa chamou o segundo filho e fez-lhe igual pedido, obtendo igual resultado e guardando a redacção. Pelo S. João repetiu a mesma atitude com o terceiro filho e, na época das vindimas, antes de começarem as aulas, fez o mesmo com o quarto filho.

Passados dias, de posse dos quatro papéis, reuniu os quatro filhos e, sucessivamente, entregou a cada um a sua redacção e disse para a ler. Eram descrições todas diferentes. Perguntou a cada um se sabia qual era a paisagem descrita pelo irmão e a resposta foi negativa pois as descrições eram todas diferentes embora tivessem uma qualidade quase fotográfica.

O pai revelou, então, que cada um deles tinha escrito a sua redacção no mesmo local de todos os outros. A paisagem é geograficamente a mesma mas em datas diferentes. Tratava-se de quatro verdades acerca da mesma coisa e nada havia de comum. A verdade é coisa subjectiva e depende de muitos factores: ponto de vista, momento, condições do observador, etc, etc. Não há um detentor único da verdade, nem verdade absoluta. Cada um tem a sua e convém que ela seja bem fundamentada e definida com clareza e racionalidade.

Por ajoaosoares

Imagem do Google

domingo, 4 de agosto de 2013

DESCREDIBILIZAÇÃO DOS PARTIDOS


O conhecido jornalista Pedro Baldaia inicia o seu artigo de hoje no DN, «Rioísta me confesso», com a frase «as sondagens desta semana mostram que se acentua a descredibilização dos partidos».

Realmente, desde há muito que são notórios os sintomas de tal fenómeno, como há cerca de um ano ficou sublinhado em Carreira Política. Nesse sentido, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, com a sua larga experiência política, criticou a "podridão dos hábitos políticos". Na mesma ordem de ideias, Rui Rio afirmou que «Se apoiasse Luís Filipe Menezes era hipócrita», embora se trate do candidato do seu partido, e de isso o poder prejudicar nas suas aspirações de «carreira».. A propósito da candidatura á mesma câmara, também o cronista Alberto Gonçalves se refere à polémica entre Rio e Menezes no seu artigo Câmaras escuras.

E sobre o caso concreto das autárquicas do Porto, também o cronista José Mendes, em Que líder para o Porto?, apresenta três hipóteses de perfil para futuro autarca: artista (imaginativo, inspirador, visionário, empreendedor e emotivo), artesão (estável, razoável, sensível, previsível e confiável) e tecnocrata (cerebral, minucioso e intransigente). E aplica estes dotes respectivamente aos candidatos, Menezes, Manuel Pizarro e Rui Moreira.

Perante estes dados caberá aos eleitores escolher em conformidade com os seus sentimentos que mostram, «por um lado, um orgulho quase ostensivo na sua cidade e nos seus valores; e por outro, um lamento pela relevância perdida e pela quase ausência de uma visão de sucesso».

A estes sentimentos, como noutras autarquias, e na totalidade do país, não há esperança nem confiança nos partidos, cujos porta-vozes evidenciam ausência de conhecimento e de sensibilidade para os reais problemas das populações. A «carreira política» parece tê-los conduzido mais para as guerrilhas e intrigas entre partidos e para os objectivos pessoais de criação do máximo de riqueza no mínimo tempo e sem olhar a métodos, do que para a criação de bem-estar para as populações e de crescimento para o País. O escasso sentido de Estado provocou o fracasso do «compromisso para a salvação nacional». A falta de sensatez levou uma entidade muito criativa de vocabulário a cair no erro de reutilizar a maldita expressão de «união nacional».

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

PASSOS FALA DA SUA FÉ !!!


Passos não acredita que a nossa Constituição nos impeça de fazer o que qualquer sociedade desenvolvida faz”. Mas o povo é tolerante e não descrimina as religiões. Não lhe interessa a religião do PM, daquilo em que acredita ou não. Por outro lado um PM não tem que dizer que acredita ou não na Constituição, apenas tem que a saber, interpretar e explicar aos cidadãos, sem que a estes restem dúvidas.

Diz que é “verdadeiramente importante” definir o que o Estado pode fazer directamente e o que pode fazer em parceria com a sociedade civil. Mas porque não definiu ainda, depois de dois anos de governo?

O povo mais desprotegido, as denominadas classes média e baixa, tem vindo a ser obrigado a apertar o cinto, já em torno das vértebras, desde há dois anos, sem ainda vislumbrar quando pode «acreditar» que irá aliviar um furo.

Tem razão quando diz não compreender o que se tem passado, nestes últimos dois anos de austeridade sucessivamente agravada, «a indulgência perante a irresponsabilidade e o que eu acho indesculpável é uma sociedade política que não tem inteligência e exigência para cobrar a quem governa os resultados que são importantes para o país”.

Aquilo em que agora diz acreditar é um quadro de maravilha que nos prometeu, há mais de dois anos, na pré-campanha eleitoral das legislativas. Como então venceu a s eleições, agora está a usar os mesmos truques na esperança de ganhar as autárquicas, mas o clima de confiança e de credibilidade é diferente o que torna necessário mudar o discurso e deixar de falar naquilo em que acredita ou não acredita e começar a mostrar resultados visíveis do «trabalho» feito. Com uma boa «informação», até pode ser que o povo se esqueça dos sacrifícios feitos e acredite que os resultados foram compensação suficiente. Mas o acreditar é um fenómeno tão subjectivo que a sua modificação pode não estar ao alcance das mentes «iluminadas» dos políticos que nos têm enganado, como a promessa de que em 2013 acabaria a recessão.

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domingo, 28 de julho de 2013

FALAR PARA FALAR !!!


O primeiro-ministro disse há dias que o país precisa de um “clima de união nacional que permita convergência", o que foi muito criticado por ter utilizado uma expressão «excomungada» há quase 40 anos. Mas em vez de escolher uma ideia inovadora reafirma apelo à "união nacional", mostrando a sua teimosia obsessiva e arrogamte.

Independentemente do termo usado, Esta reiteração do desejo de «união nacional» não está explicada, pois ela não poderá traduzir-se em todo o país começar a aplaudir o PM, mesmo quando a sua inflexibilidade se manifesta por arrogância e teimosia raiando o patológico. União não pode significar que cada cidadão se submeta aos caprichos mal definidos do PM, abdicando do seu próprio conceito de patriotismo e interesses nacionais.

Passos Coelho sempre afirmou guiar-se pelas suas próprias ideias, sem as explicar, «custe o que custar» e afirmou ignorar os sinais de «indignação» dos portugueses expressos através de grandes manifestações ou da greve geral ou de afirmações públicas de parceiros sociais, partidos, etc.

Ora, para haver união tem que haver vontade de aproximação, de sensibilidade para ouvir e sentir o pensamento da população, tal como fez o Papa Francisco ao ir ao encontro da Juventude Mundial e do povo brasileiro. Os governantes, se não encontrarem exemplo melhor, sigam o de Sua Santidade, lendo, ouvindo e meditando as suas palavras difundidas por diversos órgãos de Comunicação Social. E em vez de «união nacional», falem de convergência de todos, amor a Portugal, bem nacional, etc tudo menos despertar fantasmas indesejados.

Seria bom que seguisse os conselhos de colegas de partido, que só falasse quando tivesse algo de importante a dizer, que não fosse apenas palpite ou vago sonho e que, antes de falar, se preparasse bem a fim de evitar banalidades inconsistentes e efémeras que depois não são concretizadas.

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sábado, 29 de junho de 2013

É MUITO CEDO PARA ARRISCAR TANTO


Muitos observadores estranharam que, após dois anos de governação difícil, em constante espiral recessiva e austeridade sucessivamente agravada, Passos Coelho declarasse querer mais seis anos à frente do Governo e que, para isso, quer dar a cara em 2015. Era demasiado cedo para mostrar tal desejo e isso atraiu sobre ele as atenções para todo e qualquer pequeno deslize nas suas palavras e nos seus actos. Seria de esperar a adopção de uma sensatez muito perfeita e vigiada no sentido de pensar previamente ao pormenor cada afirmação.

Por acaso e referente a problema de autarca, José Augusto Rodrigues dos Santos escreveu as seguintes considerações acerca da ética dos políticos: «São raros os homens que encaram a política como missão patriótica, a vivem plenamente em acertos e desacertos e que regressam à sua vida anterior como o guerreiro regressa a casa depois de muitas guerras» Na generalidade, com casos mais ou menos agudos, trata-se de indivíduos ambiciosos de poder e de visibilidade que «não sabem, nem ninguém lhes disse, que não existem políticos providenciais tal como não existem homens insubstituíveis»… «Custa-lhes regressar ao anonimato pois, quais viciados em mediatismo, não conseguem ser felizes sem as luzes da ribalta a iluminar-lhes os passos».

E, curiosamente, ao invés da sensatez acima referida e das qualidades desejáveis num político conforme expressa Rodrigues dos Santos, Passos Coelho atirou para os cidadãos menos atentos e mais avessos à filtragem das mensagens que lhes chegam, as seguintes atoardas semelhantes a muitas outras que, nos passados dois anos, o desacreditaram por virem a ser contraditadas pelas realidades advindas. Disse que a recessão em Portugal está a abrandar e que meta do défice é perfeitamente alcançável.

Não parece prudente dar esta «informação», devido ao perigo de a meta não poder ser alcançada, e se isso acontecer que desculpa espera dar ao povo de modo a que ele a aceite? E quais serão os efeitos na sua desejada corrida aos mais seis anos?

Tais afirmações feitas com intenção de gerar confiança e atrair adeptos, embora contra a seriedade, a moral e a ética, são frequentes em campanha eleitoral, em que possivelmente Passos Coelho já se sente, mas, no seu caso real, a campanha está muito distante e entretanto pode ser destruído pela «nudez crua da verdade» a que pode vir a estar exposto

Não convém arriscar demasiado quando não for o momento correcto nem previsível a utilidade.

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quinta-feira, 20 de junho de 2013

OS POLÍTICOS NÃO QUEREM APRENDER, POIS NÃO LHES FALTAM BOAS LIÇÕES

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, está de visita a Portugal e. ao referir-se à necessidade de enfrentar o problema do desemprego jovem na Europa disse que esta precisa de acabar com declarações agradáveis”, até porque “os cidadãos esperam acções concretas”.

Mas, ao invés desta boa norma, os nossos governantes continuam com fantasias de reformas, de projectos, de «cenário» de recuperação, etc. nunca concretizados que vão sendo referidos com repetidas variantes, parecendo pretender criar esperanças num futuro risonho, mas de que o resultado não deixa de ser o agravamento da espiral recessiva, com mais dura austeridade, mais desemprego, mais cortes, mais fome e mais pobreza.

Seria benéfico para os portugueses e para a imagem dos Governantes que os políticos, em geral, procurassem fazer um esforço de aprendizagem do melhor que se pensa, se diz e se faz em países bem governados.

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sábado, 4 de maio de 2013

PASSOS COELHO GARANTE, MAIS UMA VEZ!!


Depois de muitas «afirmações» do tipo «garanto que», «asseguro que», «custe o que custar», surge a notícia Passos Coelho garante que “não haverá pântano em Portugal enquanto for primeiro-ministro”.

Como não concretizou promessas «garantidas» e «asseguradas» esta afirmação não traz alívio nem esperança, até porque o «bom caminho» que está a ser seguido, não é de bom augúrio. Mas, dada a parte final da afirmação, pode ser que esteja a planear sair em breve de primeiro-ministro.

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domingo, 28 de abril de 2013

O IDIOMA CAVAQUÊS ABUSA DO ECONOMÊS


A noção de liberdade de expressão, de «transparência democrática» de explicação, de auscultação da opinião popular, de fomento da confiança e esperança com base em esclarecimento geral e verdadeiro não aconselha a utilização de códigos profissionais.

Antes de continuar e para aliviar a tensão, o Amigo José, militar, há dias lamentava a desconfiança e implicação da mulher que o levava a ter de lhe fazer todos os dias o SITREP e, mesmo assim, ela não ficava tranquila. Um dos presentes ficou cheio de curiosidade e perguntou, um pouco tímido: «Que raio de modalidade de carícia ou de posição é essa?». O José ficou surpreendido com a ignorância do amigo e explicou que é o «SITuation REPort», relatório da situação que, no caso, era a descrição de todos os seus movimentos e de tudo o que fez desde que saiu de casa até regressar.

Vejamos o que escreveu a professora Joana Amaral Dias no seu artigo no Correio da Manhã de ontem:

Cavaquês

A segurança jurídica e a competitividade e previsibilidade fiscal são elementos decisivos para as decisões dos agentes económicos e, logo, para o crescimento disse o Presidente da República no discurso do 25 de Abril.

A tinta que já correu sobre tal elocução: facciosa, paradoxal, divisionista. Mas já repararam no quão mal escrita está? Para quê tanta conjunção aditiva na frase citada, por exemplo? Para quê "decisivos para as decisões"? Não podia ser cruciais para as resoluções? Determinantes para os juízos?

Enfim, a coisa está pejada destas deselegâncias. Mas a maior de todas é o economês. Por alma de quem é que um PR, de todos os portugueses, no 25/04, enche 4 folhas A4 com expressões como "rácios de solvabilidade", "superavites primários" "desalavancagem dos bancos", "défice primário estrutural", "rácio da dívida pública", "pacotes normativos six-pack" e "two-pack" . Só lhe faltou citar Kant, Habermas, Arendt, como a Presidente da AR. Para que serviu o exibicionismo vernacular? Para ninguém entender? Ou teremos outro candidato a Ministro da Economia? Também tu, Cavaco? Ou, afinal, será mesmo das finanças?

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

PASSOS E OS SEUS PASSES DE MÁGICA


Passos tem sido um persistente «aprendiz de feiticeiro», de ilusionista, de prestidigitador ou de mágico. Ganhou as eleições com promessas que depois não procurou cumprir nem poderia cumprir, por não serem viáveis. Mas isso teria acabado, como é habitual, depois da contagem dos votos. No entanto, nesse momento, careceu de perspicácia para ver que a sua vida iria ser diferente ao assumir a responsabilidade de governar, para o que é conveniente a transparência, a verdade, a sensatez, o contacto com as realidades.

O resultado foi teimar com as promessas e com as previsões «asseguro que…», «garanto que…», «custe o que custar» e, por isso, os desaires sucederam-se, reduzindo o poder de compra, secando a actividade económica, levando empresas à falência e criando uma espiral de desemprego e de recessão que ainda não deixou de ser aflitiva para a grande maioria dos portugueses, que continuam sem ver uma luz ao fundo do túnel.

De vez em quando, faz mais um passe de mágica e tira mais um coelho da cartola, para iludir o povo, como tem sido seu timbre, e diz que quer aproximar salários do público e do privado.

Será bom que comece a explicar as suas fantasias, para que haja quem possa acreditar nelas, com alguma ponta de razão e de confiança. Será que tal convergência se irá aplicar aos motoristas dos gabinetes que ganham mais do que um técnico superior com 40 anos de carreira e passarão a receber o mesmo que um seu colega da administração de uma empresa privada?
Ou será que vão ser equiparados os salários de especialistas e assessores recém licenciados, contratados para os gabinetes com vencimentos que chegam a atingir cinco mil euros mensais, mais mordomias aos dos técnicos superiores da função pública ou da actividade privada?

Como nem todos os cidadãos são desprovidos de inteligência e gostam de compreender as palavras dos governantes e o uso dado ao dinheiro dos seus impostos, será conveniente evitar deitar «fumaça» para os olhos dos eleitores e dos contribuintes.

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sexta-feira, 29 de março de 2013

Há que ter coragem para assumir os erros


A velha sabedoria popular, com a sua tolerância e boa vontade, criou o ditado «errar é humano», mas tudo tem limites e é preciso ter dignidade e sentido da responsabilidade para reconhecer os erros e corrigi-los com oportunidade e eficácia, principalmente quando deles resulta prejuízo para milhões de pessoas. Em consonância com este conceito, foi hoje publicado no Diário As Beiras o seguinte artigo de João Azevedo, presidente da Câmara de Mangualde:

Orçamento do Estado
Diário As Beiras, 130329, Por João Azevedo

O país, e os portugueses, aguardam ansiosamente a decisão do Tribunal Constitucional (TC) relativamente ao Orçamento do Estado (OE). Algumas das leis/medidas base deste orçamento, definidas estrategicamente por este Governo, podem ser decretadas inconstitucionais…

Passos Coelho, Vitor Gaspar e Paulo Portas traçaram este caminho para o país. A ditadura da austeridade é para eles a única solução. Não olham a regras e a direitos adquiridos pelos portugueses para conseguirem seguir este caminho. Mesmo que esteja à vista de todos que será um esforço desmesurado e inglório, porque assim não vamos conseguir atingir os objetivos!

Contudo, o país aguarda um eventual chumbo pelo TC ao OE deste ano. Em causa estão a suspensão do subsídio de férias a trabalhadores e a aposentados, a contribuição extraordinária de solidariedade e a sobretaxa de 3,5% em sede de IRS. Foram estas as normas orçamentais que levaram o Partido Socialista e o Presidente da República a solicitarem a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado.

Importa ressalvar que a responsabilidade de um eventual chumbo não pode ser imputada a nenhuma entidade ou órgão institucional deste país a não ser ao atual Governo. O TC faz o seu trabalho e decide em função da lei. A inconstitucionalidade do OE, a existir, deve-se única e exclusivamente a medidas que contrariam a lei constitucional, pilar fundamental de uma democracia de direito. Quem erra é quem não decide em função da lei. O desrespeito pela lei fundamental do nosso país, a sua constituição, tem sido apanágio do atual Governo e será ele que terá de assumir a total responsabilidade do eventual chumbo do OE e das consequências que daí advierem.

A responsabilidade está inerente à figura de um líder. Na tomada de decisões, na gestão, nas relações pessoais e institucionais, nos bons e nos maus momentos. Não devemos fugir às nossas responsabilidades mas sim assumirmos que a natureza de liderar é um processo difícil, de respeito, de disciplina, de humildade e de grande compromisso.

Assumir a responsabilidade das nossas decisões como chefes de governo ou autarcas é um imperativo das nossas funções. Somos sempre nós responsáveis dos sucessos ou fracassos das nossas decisões. Temos que ter a coragem e a frontalidade para as assumir.

Imagem do Diário As Beiras

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sócrates comentador


Segue-se a transcrição de um artigo de opinião sobre este tema que está gerando muita controvérsia. Deixo-o à consideração dos leitores, visitantes, deste blogue, na esperança de serem aqui colocados comentários pró e contra, aos quais, como é meu hábito, procurarei dar a resposta que entender mais adequada. É um desafio aos leitores e a mim próprio. A vida é mesmo isso, uma sequência de desafios. Haja quem aproveite esta oportunidade para dizer o que sente e pensa.

O regresso de Sócrates, o lobo mau
Jornal de Notícias 25-03-2013. Publicado às 00.43. Por Alfredo Leite

Afinal, quem tem medo do lobo mau? Vamos esquecer o Capuchinho Vermelho ou os Três Porquinhos porque esta não é uma história para crianças. É a história de um país bacoco que lida mal com o carisma alheio, procurando justificar o desmoronamento político que se avizinha com um passado já devidamente escrutinado. É, também, a história de um país que, à falta de outros argumentos e entretenimento, avança com patéticas petições públicas por tudo e por nada. A mais mediatizada dos últimos tempos é, pasme-se, para impedir que um ex-primeiro-ministro seja contratado (e, ainda por cima, probono) por uma televisão para um novo espaço de comentário político. A aparição de José Sócrates deverá ser analisada a dois níveis distintos, ainda que estas coisas estejam todas ligadas.

O primeiro é político. O insuspeito social-democrata e, por sinal, comentador Marques Mendes acha que o regresso de Sócrates pode ser "mortífero" para o Governo. É certo que o peso do antigo primeiro-ministro vai transformar, ainda mais, a oposição de Seguro numa brincadeira de meninos, mas Mendes tem razão quando afirma que será Passos o verdadeiro alvo de Sócrates. O ex-líder socialista ferve em pouca água vezes de mais para evitar ajustar contas de tudo o que dele foi dito pelos membros do atual Governo. Nesta revisão do passado recente, Sócrates não deverá igualmente deixar Cavaco Silva em sossego.

O segundo nível do regresso de José Sócrates é jornalístico. Ao ir buscar para o ecrã o mais odiado - mas também amado - dos ex-primeiros-ministros, a RTP protagonizou uma contratação surpreendente. E, de uma só vez, atirou para segundo plano os políticos comentadores da concorrência: Marcelo Rebelo de Sousa na TVI (e as suas mais do que previsíveis análises com direito a réplicas na generalidade da imprensa); e Marques Mendes, recentemente seduzido pelos encantos da SIC e que aos espectadores se apresenta muito mais como a correia de transmissão de um qualquer 'garganta funda' da esfera governativa do que como o comentador que quer ser.

Sócrates no ecrã vai eclipsar os seus pares e garantir, sem grandes margens de erro, audiências à RTP.

Eram, portanto, previsíveis as reações à ousadia da televisão pública. José Sócrates foi, para o bem e para o mal, o mais carismático dos líderes portugueses dos últimos anos e esse é um património que uma (breve) ida para Paris não apaga. O que não se esperaria é que o seu eco transbordasse as fronteiras nacionais.

A sua contratação televisiva mereceu ontem generosas referências na imprensa de Direita no país vizinho. O "La Vanguardia", de Barcelona, escreveu que "em Espanha ninguém poderia imaginar que no canal 1 da TVE, logo após o Telejornal, aparecesse José Luis Zapatero [ex-chefe do Governo socialista] para comentar a atualidade política semanal". O "El Mundo", de Madrid, refere a multiplicação de petições online contra e a favor da passagem de Sócrates "de primeiro-ministro a tertuliano" televisivo, referindo ainda as suas responsabilidades na crise iniciada em 2008, mas sem admitir que, se Sócrates cá tivesse continuado, haveria sempre a hipótese de, tal como em Espanha, estarmos sem resgate e hipotecados à troika.

Por tudo isto, a diabolização do regresso de Sócrates era inevitável. Essa fatalidade não pode é servir para atirar alguém para uma lista negra onde aos proscritos está vedado o regresso à vida pública.

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sábado, 23 de março de 2013

Mudar de rumo é urgente


O cronista Fernando Santos, com graça e perspicácia, escreve que «governantes e governados adoram o entretenimento recíproco. Há problemas? Basta um prato de lentilhas e os acordes de uma canção do bandido, em voz professoral desmemoriada, para trocar o essencial pelo acessório, esvaziar angústias e alijar responsabilidades. Uns atrás dos outros, somam-se os casos da superficialidade e da retórica fácil. Adorável.»

Notícias como Desempregados aumentam 14,1% em fevereiro em relação a 2012, e como  Despesa com subsídios de desemprego sobe 21% até fevereiro passam despercebidas devido ao esmagamento que a comunicação social realiza com as banalidades que distraem os portugas.

Mas surgem frases plenas de significado e a merecer a melhor atenção. Eis algumas:

"O país vive à beira de uma rutura social", sem que o primeiro-ministro seja capaz de reconhecer que a sua estratégia falhou.
"Durante os 21 meses de governação, o primeiro-ministro pediu aos portugueses pesados sacrifícios e em troca comprometeu-se a ter um défice orçamental de 4,5% e uma dívida pública de 113% da riqueza nacional. Terminou 2012 e o défice não foi de 6,6% e a dívida superior a 122%. A execução orçamental, hoje revelada já quase à noitinha, demonstra que o Governo não está a fazer a consolidação orçamental".
"Se os resultados são maus, as consequências são dramáticas", com um milhão de desempregados no final do ano, meio milhão dos quais sem apoio social e 40% dos jovens sem trabalho.
"Este primeiro-ministro merece continuar em funções? É este o primeiro-ministro que o país precisa? Num momento de tantas dificuldades, precisamos de um outro primeiro-ministro que mobilize, que inspire, que coloque horizontes, que dê sentido aos sacrifícios e saiba conciliar o rigor e a disciplina orçamental, mas dando prioridade aquilo que é o principal problema dos portugueses: o combate ao desemprego"
Passos Coelho devia reconhecer que a sua estratégia falhou, de ter a humildade de pedir desculpa aos portugueses e de ter a capacidade para mudar de rumo".
O primeiro-ministro "aplica uma receita que não cumpre nenhum objetivo, que aumenta o desemprego, baixa a economia, insiste em mais austeridade e não aceita nenhuma proposta, que esbanja a oportunidade de um diálogo político sério e construtivo com o principal partido da oposição e que reduz aos mínimos o diálogo social"

Mas estas palavras trazem um carimbo que lhes retira isenção e lhes adiciona o sinal de uma intenção, pois são do líder da oposição, Seguro que pretende justificar a prometida moção de censura.

A esta posição de Seguro, o cronista Manuel Tavares alerta para que só pode convencer os eleitores uma  censura com programa e que «a maioria de descrentes também não acredita que haja remédios eficazes no almofariz da oposição» 


O cansaço de ver desrespeitadas as promessas eleitorais, sempre irreais com fantasias utópicas faz prever que a abstenção e o voto em branco serão o destaque da próxima ida às urnas.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Astrólogo falacioso


Marcelo diz que Gaspar «perdeu larguissimamente a credibilidade» e tornou-se uma espécie de "astrólogo". Mas um mau astrólogo porque quer fazer crer que as suas previsões são rigorosas e científicas mas raramente acertam. Já em 27 de Abril do ano passado se mostrou preocupado com desemprego, o que demonstrou que, na preparação da sua decisão de instituir a austeridade, não se apercebeu que ela ia reduzir o poder de compra, diminuir a actividade económica, gerar encerramento de empresas e aumento do desemprego. Tinha olhado, com baias apertadas para a calculadora e não reflectiu nas respectivas implicações nos diversos factores sociais interligados com o fenómeno que criou.

Infelizmente, no Governo, não foi o único a sofrer da mesma miopia e teimosia obsessiva e, apesar de palavras fantasiosas tipo astrólogo, não surgem no horizonte sinais de melhores tempos para a vida dos cidadãos. E não surpreendem palavras como as de Daniel Bessa que diz «estamos todos a evitar anunciar a bancarrota”, ou as de Seguro quando diz que "coisas vão de mal a pior".

Mas embora «previsões sejam apenas previsões» e palavras de político sejam apenas isso, as pessoas não vêm nada a que se possam agarrar para não se afogarem como náufragos sem boia de salvação. E governar é, segundo a ciência política, procurar bem-estar, em todos os aspectos, para as pessoas, para os cidadãos (não apenas os que fazem parte das amizades, cumplicidades e conivências com os detentores do Poder).

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domingo, 17 de março de 2013

PM é prometedor compulsivo


Perante a sucessão de desaires governativos progressivamente agravados e umas previsões para os próximos anos na sequência da espiral recessiva, Passos Coelho, com a sua habitual intenção de criar optimismo e esperança nos portugueses disse que «devemos procurar desmentir as previsões» do Governo, a que preside. Não disse quem é o sujeito de «devemos», mas supõe-se que sejam os governantes, os mesmos autores das previsões. Ele próprio disse que vai trabalhar para evitar que as previsões económicas se concretizem, as tais do seu Governo (mas ele não se passou para a oposição!!!).

Essa sua intenção começou por gerar em mim um efeito afrodisíaco, de estupefaciente, de incentivo à confiança no homem do leme.

Mas depressa, acordei dessa queda na letargia e me recordei que em 14 de Agosto (aniversário da batalha de Aljubarrota) último, Passos anuncia o fim da recessão em 2013, ideia de falsa propaganda que, poucos dias depois, foi evidenciada como absolutamente lunática ou utópica e hoje, passado pouco mais de meio ano, com sucessivas previsões falhadas e substituídas por outras mais pessimistas ou realistas, já não se repudia o conceito de «espiral recessiva» e de esperar que a recessão termine só para o próximo Governo. E, apesar de o seu Governo ser o autor das previsões, ele desdramatiza de forma incompreensível que “Previsões são apenas previsões”, o que significa que o médico deste doente, depois de receitar o mesmo remédio que agravou a doença e que, por isso, não a pode curar, não consegue optar por outra terapia menos danosa, mas reconhece que nem imagina sequer quando o doente recuperará, se é que algum dia conseguirá melhorar.

Entretanto, pessoas observadoras atentas dizem que as "coisas vão de mal a pior" e outras admitem que primavera é tempo de ruturas e outras fazem prognósticos menos optimistas. Do seu próprio partido sai a notícia de quem defende demissão do Governo.

Senhor primeiro-ministro, os portugueses não precisam da continuação dos seus anúncios de boas intenções, ideias, promessas e «planos» que conhecem há quase dois anos sem a mínima repercussão na melhoria das suas vidas (fome, desemprego, saúde, escolas, segurança, etc); eles ficariam mais motivados para aguentar se vissem efeitos positivos dos sacrifícios já sofridos, se vissem que valeu a pena, mas os números conhecidos produzem um efeito contrário, demasiado depressivo. Como não lhes pode mostrar os resultados positivos que desejam, não tente embriagá-los mais, com fantasias que não consegue concretizar. Procure colocar no terreno as promessas que faz desde há mais de dois anos, quando ainda andava à caça dos nossos votos.

E quando decidir falar em público, procure explicar claramente, para ser compreendido pelos mais sacrificados, como podemos ter esperança em tempos melhores, como podemos acreditar que os governantes que têm apertado os nossos cinto,s dia após dia, sejam agora capazes de agir com mais realismo e eficácia, para melhorar as vidas das pessoas mais carentes de meios de subsistência.

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