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sexta-feira, 21 de junho de 2013

MADURO PARECE AINDA VERDE !!!


Maduro parece estar muito verde. Lamenta que um dos grandes problemas em Portugal é que "tudo é contestado" e que não conseguimos colocar-nos de acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos que devem servir de base às nossas decisões públicas".

Fica-nos a dúvida quanto a onde tem vivido o ministro, se numa redoma opaca. O que é que conhece de Portugal e dos portugueses, daqueles que, como governante, tem a responsabilidade de defender e ajudar a preparar um futuro melhor com mais aceitável qualidade de vida, para preparar "um país mais justo, próspero e livre", como muito bem diz.

Mas como deve saber das suas leituras e da sua competência de universitário, cada povo tem a sua cultura, as suas tradições com qualidades e defeitos, e que não é fácil de mudar em curto prazo . Recordo que já o romano Caio Júlio César (1000-44 AC) disse que «há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar». Talvez, por isso e por não ter havido o necessário cuidado dos governantes na actuação escolar em benefício da «cultura política e cívica», hoje ainda se mantém algo desse aspecto do tempo dos Lusitanos. Quem governa deve conhecer o seu povo e atender à sua idiossincrasia. Mas, infelizmente, há governantes que desprezam os desabafos populares, não procuram conhecer o seu mal-estar e dizem arrogantemente que não têm medo dos portugueses.

Mas hoje, se atendermos a que nos consideramos em democracia, com liberdade de opinião e de expressão, e de obrigatória intervenção pelo menos na ida às urnas, é desejável que o povo observe a forma como os seus mandatados desempenham o papel de representantes eleitos. E dessa observação resulta, forçosamente, o aplauso pelo que se considera correcto e o lamento e a indignação pelo que não corresponda às promessas de antes ou depois das eleições, às previsões, às intenções «asseguradas», «garantidas» e os caprichos arrogantes levados para a frente «custe o que custar«, doa a quem doer.. Muita atoarda atirada como rebuçado para incentivar esperança e confiança, é contradita pouco depois, lançando o descrédito em tudo o que venha posteriormente.

A contestação, a crítica e as sugestões são instrumentos democráticos de participação do povo, em democracia, como contributo para que os governantes tomem as decisões mais correctas e adequadas às circunstâncias de momento e às grande linhas estratégicas para preparar o futuro desejado para Portugal. Do conjunto de opiniões sairá uma melhor preparação das medidas a decidir, segundo o método descrito em Pensar antes de decidir.

Aproveitando as suas palavras poderá afirmar-se que os governantes devem falar ao país com rigor, clareza e verdade, mais sobre políticas públicas e de estratégia de futuro e menos de táctica política ou de intrigas inter-partidárias e, dessa forma, atrair a colaboração e contribuição de todos para um debate público "mais informado e com maior substância". Em vez de impor soluções arrogantes, será preferível preparar medidas com apoio da conversação e do diálogo entre as pessoas mais conhecedoras dos temas.

Precisamos de "um país mais justo, próspero e livre". Com os portugueses que temos, com as deficiências de que sofrem, por carência de um sistema de ensino que não devia desprezar a formação de adultos capazes de gerir a sua vida privada, como pessoas, famílias, empresários e cidadãos eleitores.

É interessante o último parágrafo do artigo Dois anos depois, falhou a mudança de mentalidades: «Passos Coelho chegou ao Governo com um discurso moralista. Acusou os portugueses de viverem acima das suas possibilidades. Passados dois anos, foi aqui que falhou. O Estado que governa continua a gastar muito mais do que pode. Falhou no exemplo. E, enquanto líder, não conseguiu fomentar a mudança de mentalidades. Os portugueses continuam a olhar para o Estado da mesma maneira: exigindo direitos e com pouco espírito crítico. E a culpa é sempre dos outros.»

Imagem de arquivo

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Democracia exige dever de cidadania

Tendo o povo em Democracia o dever e o direito de soberania, estão a surgir movimentos em defesa de causas importantes para a vida nacional. Com tal colaboração, certamente, os interesses nacionais ficarão melhor defendidos contra abusos e erros dos eleitos detentores do Poder.

É isso que se deduz da notícia Sete movimentos debatem hoje causas para ter audiência com o primeiro-ministro, a qual é um sinal positivo de que a Nação está a despertar para exercer efectivamente a soberania que a democracia lhe confere. Oxalá os que levantaram a voz nunca se calem e que muitos outros se lhes juntem, para uma análise responsável dos vários aspectos da vida colectiva dos portugueses.

Isto faz recordar frases de pensadores célebres, como as seguintes:

- Victor Hugo (22Fe1802 - 22Mai1885) escritor, poeta e pensador disse:«Entre um Governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa»
- Platão (428 – 347 A.C.) deixou a sugestão: «O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior»
- Shakespeare (26Abr1564 – 23Abr1616), poeta e dramaturgo inglês disse: «Não é digno se saborear o mel aquele que se afasta da colmeia por medo das picadas das abelhas»
- Mahatma Gandhi (02Out – 30Jan1948) disse: «Perderei a minha utilidade no dia em que abafar em mim a voz da consciência»
- Antoine de Saint-Exupéry (29Jun1900 – 31Jul1944) atendendo a que os resultados não serão imediatos, aconselhou: «Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão…»
- Edmund Burke (12Jan1729 – 09Jul1797) disse: «Ninguém cometeu maior erro do que aquele qua não fez nada só porque podia fazer muito pouco».

Estas pílulas de sabedoria consolidadas pelo tempo não podem ser ignoradas e, pelos vistos, os jovens estão a dar-lhes o devido valor. Também na Guiné-Bissau, ontem procurando acalmar os ânimos dos revoltosos, meia centena de jovens juntaram-se em Bissau para uma manifestação pela paz que deveria percorrer a principal avenida da cidade, mas foi desmobilizada pelos militares e acabou por saldar-se num ferido. Os jovens do Movimento Juvenil para a Paz envergavam um cartaz no qual se lia "Não à violência" e uma bandeira branca.
O Movimento Juvenil para a Paz já anunciou que fará diariamente uma manifestação pela paz em Bissau.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Otelo, qual Nostradamus!!!

Otelo Saraiva de Carvalho disse há tempos qualquer coisa que chocou os políticos mas, olhando bem à nossa volta vemos que a «força de expressão» que usou, de forma simbólica, parece que não passou de um oráculo ou de uma profecia do astrólogo Nostradamus, para servir de alerta e solicitar a atenção dos altos responsáveis pela condução da vida nacional.

Dizia há dias um amigo que, quando quis fazer uma reparação na fachada de uma casa antiga na aldeia, o construtor disse que qualquer remendo fica sempre feio e que o melhor seria reparar toda a fachada. Também um primo muito dado a bricolage, ao pedir-lhe para baixar a altura de uma mesa decorativa, disse que o trabalho é fácil mas um pouco demorado porque tem que haver muito rigor para que as quatro pernas fiquem todas rigorosamente iguais a fim de o móvel ficar estável sem hesitações de equilíbrio.

Também a evolução de uma sociedade com reformas e medidas de mudança tem de ser muito bem «pensada» e, depois de analisadas as alterações anteriores e os resultados com elas obtidos, definir concretamente o que se pretende para a finalidade fundamental (em benefício dos portugueses), abrangendo equilibradamente todos os factores interactivos. Não deve haver decisões por capricho ou em resultado de ideias oníricas, nem teimar nos palpites «custe o que custar».

E, se foi citado o nome de Otelo, foi porque ele saltou à memória ao ler a notícia que a seguir se transcreve:

Oficiais avisam que "nada os obriga a serem submissos"
 Por PÚBLICO. 08-02-2012 - 08:30
Carta ao Governo

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) avisa o Governo de que "nada os obriga a serem submissos, acomodados, ignorantes e apolíticos". "Pelos vistos daria jeito ao poder político que assim fosse", afirma a mesma entidade, numa carta aberta enviada ao ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, que é criticado no mesmo documento revelado nesta quarta-feira pelo jornal Diário de Notícias

De acordo com o mesmo jornal, a missiva é uma resposta a recentes declarações de Aguiar Branco sobre as Forças Armadas e que terão caído mal entre os militares. "As Forças Armadas são insustentáveis, senhor ministro? Não são! Estão!", argumenta a AOFA, que contesta também os cortes orçamentais e a equiparação dos militares aos funcionários públicos. Outras queixas têm a ver directamente com a carreira, como o congelamento das promoções. O ministro da Defesa estará nesta quarta-feira na cerimónia militar comemorativa dos 50 anos do navio-escola Sagres, pelas 10h45, no cais de Alcântara em Lisboa.

O responsável por esta pasta no Governo é acusado pela AOFA de cometer "uma insanável contradição": reconhece "existirem razões de descontentamento" nas fileiras, mas recusa receber as associações o que é "ignorar [o] quadro legal", escreve o Diário de Notícias.

Recentemente, Aguiar-Branco afirmou que os militares que "não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar precisam de mudar de carreira. Sem drama, sem ressentimento". Para a AOFA, o direito ao protesto, à denúncia, existe e não pode ser confundido com fazer política. "Denunciar perante a opinião pública as medidas lesivas e (...) carregadas de falta de respeito pela dignidade de quem jurou e serve abnegadamente (sem se servir) a pátria é fazer política?", interroga a AOFA. "Será portanto política alertar para (...) a penalização dos militares e das Forças Armadas, dando a conhecer, a título de exemplo, a forma como (...) os militares vêem o modo como tem vindo a ser tratado o dossier BPN, obrigando uma significativa parcela do orçamento a ser desviada para dar cobertura, tudo leva a crer, às consequências de criminosos desmandos?"

Não consideramos política e, muito menos, política partidária, tal postura. Trata-se, isso sim, do uso de um direito que a própria cidadania impõe", escreve o DN, atribuindo estas declarações ao líder da AOFA, coronel Manuel Cracel.

Foto de Nuno Ferreira Santos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Como enriquecer sem fazer esforço !!!

Depois de muitos anos indiferentes às habilidades usadas para enriquecimento rápido e imparável, surgem agora observações, por vezes, muito curiosas.

Com uma pontinha de ironia, Manuel António Pina, apresenta na sua crónica um caso muito significativo.

Não oculta o nome do trabalhador incansável para aumentar as suas poupanças que atingem «apenas» 3,6 mil milhões de euros. Mas há outros como tem constado na comunicação social, sendo curioso o caso da troca de uma casinha antiga por um palacete novo, com bons equipamentos, piscina e vista para o mar e grande área circundante em que, para não haver lugar ao pagamento de cisa, consta na escritura que a troca foi de igual para igual, sem ser referido outro pagamento.

Vejamos o que diz o texto de Manuel António Pina:

Um trabalhador em apuros
JN. Publicado em 2011-12-02

Deixa-me sempre pesaroso (embora só agora tenha assistido a tal coisa) ver o Fisco exigir 750 mil euros de impostos a um pobre trabalhador, mesmo que esse trabalhador seja o homem mais rico de Portugal e um dos 200 mais ricos do Mundo. Ainda por cima, o Fisco assaca a Américo Amorim coisas feias como ter feito, sem licença, obras de engenharia criativa na contabilidade das suas empresas.
A má vontade da Justiça contra Américo Amorim não é de hoje. Já em 1991, o MP o acusara de abuso de confiança e desvios em subsídios de 2,5 milhões de euros do Fundo Social Europeu; felizmente Deus e a morosidade dos tribunais escrevem direito por linhas tortas e o processo acabou por prescrever.

Depois foi a "Operação Furacão" e uma investigação por fraude fiscal e branqueamento de capitais, mas tudo acabou de novo em bem e sem julgamento.

Agora as Finanças não compreendem os contratempos hormonais das empresas de Américo Amorim e recusam aceitar como despesas os seus gastos em tampões higiénicos e outras exigências da feminilidade como roupas, cabeleireiros ou massagens. Até as contas da mercearia e festas e viagens dos netos o Fisco acha impróprias de um grupo de empresa só pelo facto de os grupos de empresas não costumarem ter netos.

Um trabalhador consegue juntar um pequeno pé-de-meia de 3,6 mil milhões e o Estado quer reduzir-lho a pouco mais de 3,599 mil milhões. Muito ingrato é ser trabalhador em Portugal!

Imagem de arquivo

domingo, 22 de maio de 2011

Jovens querem verdadeira democracia


Na sequência de acontecimentos que vêem ocorrendo no mundo mais próximo, e em que não devem ser esquecidas as manifestações em Portugal em 12-03-2011 e em Madrid desde há uma semana, reuniram-se na sexta-feira, 20-05-2011, no Rossio em Lisboa cerca de 200 jovens onde iniciaram uma vigília que não deve ser menosprezada.



Vale a pena ler estas notícias e, por isso, não transcrevo as várias ideias muito positivas nelas contidas, mas não deixo de referir a sugestão de "uma deontologia para os políticos que assegure as boas práticas", que me remete para aquilo que aqui foi escrito - Código de conduta - Código de bem governar - Código ou compromisso alargado e duradouro - Para um código de conduta dos políticos.

Será desejável que destes jovens saiam ideias bem estruturadas que realizem as sugestões constantes de Onde Estamos? Para Onde Vamos?. Portugal e, de uma forma geral, a humanidade precisam de novas ideias para um novo sistema de gestão dos assuntos que contribuem para a felicidade das pessoas, em todos os seus aspectos.

Há que acabar com o «sequestro das palavras, por parte de quem detém o poder» como referiu um dos manifestantes.

Imagem de NUNO PINTO FERNANDES/GLOBAL IMAGENS

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Saber manifestar-se

Dois ciclistas iranianos passaram por Lisboa, depois de terem atravessado a Turquia, Grécia, Itália e Espanha e seguem agora para França e daí para a Bélgica, Dinamarca, Noruega, Suécia e Holanda e, se conseguirem os vistos necessários, pretendem ainda pedalar no Canadá, Estados Unidos, América Latina, Japão e China antes de regressar ao Irão.

Segundo as suas palavras, "o objectivo desta viagem é a amizade e as relações cordiais entre todos os países. Queremos que o mundo preste atenção a estes valores". Querem alertar pessoas e instituições dos países por onde passam para a necessidade de valorizar a paz, a amizade, um estilo de vida saudável e a defesa do ambiente.

Esta é uma forma civilizada para divulgar uma ideia ou reclamar de uma medida injusta ou de uma situação desagradável. Entre nós, seriam convenientes manifestações deste género a fim de alertar para a necessidade de medidas que evitem a anunciada «explosão social espontânea», descontrolada e com o perigo de muitos prejuízo para inocentes, sem serem lesados os reais inimigos públicos.

Não consta que Portugal tenha sido atravessado por indivíduos a reclamar do aumento do IVA, dos transportes, do PÃO, da corrupção, dos bancos, etc. Esperam que outros lhes resolvam os problemas e que lhes levem os resultados numa bandeja. Limitamo-nos a desabafar no café ou no banco do jardim entre amigos. Onde está a coragem e o dever de cidadania? A regra parece ser ainda o medo, a resignação, a sujeição.

Falta aos portugueses a sabedoria de reclamar, de saber reclamar com visibilidade e oportunidade sem cair na alçada da polícia, embora o professor João César das Neves diga que «o mais irónico é que os nossos intelectuais costumam desprezar o povo e a cultura nacional, quando o único grande defeito do País está na mediocridade das elites».

O exemplo destes dois iranianos faz pensar.

Imagem do JN

domingo, 19 de dezembro de 2010

Faz falta alertar a malta !!!

Dois amigos leitores deste blogue, embora só raramente deixem comentários no espaço próprio, fazem-me saber, por e-mail ou de viva voz, as suas opiniões que interpreto com a ressalva de terem sido detentores de altos cargos no Governo e em entidades públicas. Dizem-me que os blogues, tal como os jornais, não devem publicar boatos ou qualquer coisa que não esteja devidamente averiguada e comprovada.

Mas não podemos ignorar que a realidade mostra «não haver fumo sem fogo» e, tanto os blogues como os jornais, têm alertado as pessoas (as autoridades responsáveis, incluídas) para «casos» que depois deram muito que falar. Sem essa atitude de alerta, eles ficariam ignorados devido às pressões de forças poderosas interessadas na sua ocultação. E mesmo depois dos alertas, muitos «casos» acabam por se esbater e ser arquivados ou fechados por um texto demasiado macio. É preciso alertar, dizer que o Rei vai nu, dizer que há fumo, mesmo que de maneira tosca, apenas com a intenção de dar oportunidade a quem de direito para averiguar, investigar e chegar às devidas conclusões. Do autor ou transmissor do alerta não pode nem deve exigir-se a investigação que compete a instituições próprias. Tais alertas, como sugestões ou opiniões, podem ou não ser pertinentes e úteis, cabendo ao responsável pela decisão aproveitar ou pôr de lado.

Aos assessores do decisor exige-se ponderação rigorosa, sem desprezar dicas que possam fazer ver aspectos inicialmente não tidos em conta, a fim de não empurrar para decisões desastrosas.

Nessa fase do estudo, aplica-se o que foi apresentado no post «pensar antes de decidir» não desprezando os mínimos pormenores e listar todas as hipóteses possíveis para a solução do problema, de cuja escolha sai a decisão. Esta dará lugar à elaboração do planeamento, programação e execução., durante a qual haverá um permanente controlo e, eventualmente, os ajustamentos que forem indispensáveis

A liberdade de opinião é importante e haverá vantagem em as pessoas se habituarem a observar, analisar e criticar tudo o que vêem, lêem e ouvem, para não se deixarem enganar por artimanhas de propagandas falaciosas. Isso aplica-se na vida privada diária e também no voto que, normalmente, cai no candidato mais bafejado pelas sondagens, pela boa aparência, pelas palavras de tom mais convincente mesmo que não sejam compreendidas.

E por falar em fumo, merece que alguém olhe com isenção, rigor e equidade, como deve ser timbre da Justiça, para a «notícia» referida em «Será que estamos em Crise? » cuja introdução começa por: «Pelos vistos na Região Autónoma dos Açores a Crise ainda lá não chegou..."Governo regional dos Açores pagou 27 mil euros por viagem da mulher de presidente da região autónoma"»

Imagem da Net

domingo, 8 de agosto de 2010

O povo gosta de continuar em crise…

Lendo o post A crise vem do tempo do Eça, vê-se que já em 1867 Eça de Queiroz dizia dos políticos os defeitos que hoje possuem. Mas, apesar de o regime não ser o mesmo, não há organismo que controle os desmandos dos líderes interesseiros e viciados, tendo que ser o povo (em democracia, é ele o detentor da soberania) que deve agir através do voto (votar em branco se os candidatos não são merecedores de aprovação) e manifestando-se de forma visível e determinada contra incompetências e desonestidades de quem está nos lugares de poder. Mas o sentir dos portugueses, «Não penso mas existo», origina esta apatia que vem de há séculos.

Qualquer órgão de fiscalização e moralização do regime seria constituído pelos políticos actuais, rústicos deslumbrados, novos-ricos, coniventes e cúmplices entre si, ávidos de benesses, do enriquecimento ilícito, do futuro tacho dourado nos bancos ou nas grandes empresas, em troca de favores que resultam sempre em prejuízo dos cidadãos anónimos.

Escolham-se pessoas isentas de pecado, sempre que possível ou tanto quanto possível. Os que alguma vez mentiram ou foram desleais aos interesses nacionais devem deixar de ter o voto de pessoas conscientes.

A culpa da situação pantanosa em que vivemos desde há muito (Eça definiu-a há 143 anos) é do povo que tem permitido ser explorado pelos deslumbrados que ambicionam a maior fortuna por qualquer meio.

O povo que não gosta de pensar, embora se lamente da crise, quer a sua continuidade, quer votar nos causadores da actual situação ou por terem errado ou por se terem omitido. A notíciaSondagem dá vitória folgada a Cavaco à primeira volta não surpreende e demonstra a apatia tradicional, é disso demonstração cabal.

Dar o voto a quem durante um mandato nada fez de especial, positivo, e teve várias situações dúbias. Sentiu-se na necessidade de tentar justificar a compra e venda das acções da SLN (BPN), a não exoneração do Conselheiro de Estado Dias Loureiro (BPN), o Estatuto dos Açores, as escutas no Palácio de Belém, a promulgação do casamento homossexual (mal argumentado) .

Se não fez melhor e foi por não ser capaz, não dá esperança de fazer melhor no segundo mandato. Se não teve coragem de lutar contra a crise económica, política e social com a intenção de poder ganhar as eleições para um segundo mandato, foi desleal a Portugal porque colocou os seus interesses pessoais acima dos interesses nacionais. Mas o povo não pensa e, segundo as sondagens, dá-lhe a vitória à primeira volta, enquanto ao único candidato que está virgem em manhas e vícios de políticos, dá apenas 10%.

O povo apesar de se queixar, gosta masoquistamente de continuar no mesmo lamaçal com os mesmos carcereiros. Cada povo tem o que merece, como no tempo do Eça, mas agora, com o inconveniente de estarmos em democracia e cada eleitor ter direito a um voto…

Imagem da Net

domingo, 11 de julho de 2010

Exigir mais de quem governa

No artigo «optimistas e pessimistas», Paulo Baldaia debruça-se sobre a diferença entre quem tem emprego e quem tem que fazer cuidadosas contas à vida, para ir vivendo.

Evitando os extremos do optimismo e do pessimismo, deve ter-se pensamentos e actos positivos e pensar no futuro dos filhos e netos. O autor do artigo diz com muita clareza : «Não me incomoda pagar mais impostos, mas não estou disponível para continuar a pagar as despesas de um Estado que vive à tripa-forra e hipoteca o futuro dos seus cidadãos. Mais de metade dos custos da minha empresa com o meu trabalho ficam para o Estado. Posso até pagar mais, mas quero verdade na forma como gastam o produto do meu trabalho. Vamos todos exigir mais de quem governa. Este é um dever de cidadania.»

Esta posição merece ser devidamente meditada e assumida por todos. Devemos evitar viver surdos e a fazer a vida como se nada estivesse a acontecer. A crise não se ultrapassa com faz-de-conta, desmazelo, desleixo, preguiça, apatia e indiferença.

Imagem da Net.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Liberdades do S. João

Um curioso aproveitamento das liberdades festivas da véspera de S. João!!! Se no Rio de Janeiro é no Carnaval, no Norte é no S. João que ninguém leva a mal que se desabafe aquilo que anda recalcado todo o ano, «nem que seja apenas à martelada...». E nem tudo é brincadeira; há coisas sérias. Veja-se o seguinte artigo:

Nem que seja à martelada...
Jornal de Notícias. 23.06.2010. Por Manuel Serrão

Acabamos de sair do luto decretado pelo Governo em homenagem a José Saramago, mas a goleada aos coreanos e o nosso rico S. João garantem que a festa segue dentro de momentos. PS e PSD preparam-se para estragar a festa (e as finanças) dos utentes dos SCUT a Norte, mas é na festa de S. João que os nortenhos devem procurar inspiração para reagir a tamanha injustiça.

S. João, S. João, dá-me tu inspiração, para ver se em três penadas consigo encontrar solução. Nem que seja à martelada!

Saramago. Não é santo, mas é popular na Esquerda onde tanto militou.

Na hora da sua morte, merece o respeito e lamento devido a todos, mas o Governo socialista entendeu que o país devia observar luto nacional durante dois dias.

Não deve ser fácil reunir consenso sempre que um Governo decreta um luto por razões semelhantes, mas a pergunta que aqui deixo há muito quem a faça: um dia que desapareça mais um vulto da cultura, da política, do desporto ou da economia portugueses, que ainda por cima tenha sempre respeitado e amado Portugal em palavras, actos e omissões, vamos decretar uma semana de luto? O que é nacional é bom? O que é Nobel é ou não...

Selecção. Como de costume, de bestas a bestiais em 90 minutos. Uma selecção que iniciou o jogo só com jogadores nascidos em Portugal deu sete pontapés certeiros na crise, quando muitos treinadores de crónicas já vertiam lágrimas por Scolari e preparavam luto nacional. Em futebol, o que é nacional é bom? O que vem de fora é... ou não!

Sacanagem. Assino por baixo o alerta de Rui Rio. Com chip ou sem chip, as desculpas para portajar só a Norte é que são "cheap", desculpas baratas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

10 de Junho

Estou a ouvir o toque de silêncio nas cerimónias do 10 de Junhopresididas por Sua Excelência o Presidente da República e medito no que seria esta cerimónia no próximo ano se fosse presidente o locutor da Rádio de Argel a quem se deve a morte de alguns daqueles falecidos em combate a quem neste momento se presta homenagem.

Valerá a pena meditar neste pormenor nacional da história recente e no momento futuro próximo de que nestes dias se fala.

sábado, 10 de abril de 2010

Presidente da Força Emergente


José Maria Martins é um homem com ideias bem esclarecidas, frontal e patriota que merece ser ouvido e ter a nossa esperança de que venha a contribuir para evitar que Portugal atinja uma situação catastrófica, sem regresso.

É certo que, durante séculos, o Poder e as suas alterações eram obra de uma pequena minoria que impunha as suas decisões à massa populacional que, feudalmente, se submetia aos destinos que lhe eram impostos. Porém, os ideais dos tempos presentes estão condenados ao insucesso se não tiverem o apoio activo da generalidade da população. E ela, quando bem motivada, sabe organizar-se e produzir resultados que pareciam impossíveis. Foi o caso da recente campanha de LIMPAR PORTUGAL que criou núcleos em todas as freguesias e conseguiu pôr em cheque a incompetência, a incapacidade, o desleixo, a irresponsabilidades e outros vícios das autarquias que deixaram chegar o ambiente a um estado deplorável e, dessa forma colectiva, mostrar que o povo pode pode estar consciente do efeito da sua força.

E a campanha LIMPAR PORTUGAL foi desenvolvida à margem de organizações ecológicas, que se revestem de teorias douradas com palavras indecifráveis pela população e que se mostraram incapazes de evitar a proliferação de lixeiras por todo o lado e de exigir às autarquias a sua limpeza. Ficámos a saber que são um bluf de pretensos intelectuais que desprezam as realidades do terreno.

Isto serve para alertar a FE para que, se queremos alterar uma situação, não podemos usar os métodos já desacreditados pelo poder ainda vigente. Há que criar algo de novo, usando ferramentas novas. E a ferramenta usada por LIMPAR PORTUGAL mostrou ser eficiente. Foi uma operação que nasceu por baixo, definiu objectivos, planeou, programou, apoiou-se logisticamente e executou de forma eficiente, apesar da criminosa indiferença de algumas autarquias que continuaram a mostrar o nada que valem.

Este exemplo pode ser utilizado pela FE: não se deixar prender a «intelectuais» que só querem mostrar a face e criar fama, sendo indispensável trabalhar as bases, mas as que não estejam amarradas aos partidos, àqueles que votaram unanimemente a lei do financiamento dos partidos.

A sociedade tem que se organizar para ter força, e tem que romper com os métodos já viciados pelo actual sistema. E enquanto não houver mudança deste, é preciso não hesitar em DENUNCIAR activamente, com o máximo de public8idae, as irregularidades, imoralidades, desleixos do Poder, obrigando a correcções do rumo do País, nos mínimos pormenores. É preciso fazer a lista das lixeiras, dos podres que infectam o pântano em que nos atolaram. É preciso desenvolvar as pequenas acções que contribuam para LIMPAR O PAÍS. Não esquecer que os grandes resultados resultam de pequenos gestos, persistentes, insistentes repetidos, com convicção, começando nas realidades locais.

O diagnóstico da doença do País está feito por várias pessoas de pensamento honesto e patriótico, e a terapêutica está esboçada, estando à espera de ser aplicada, com discernimento, sensatez e coragem para controlar e evitar desvarios provocados pelos viciados no actual Poder e dele beneficiados.

Aconselho que se ouçam atentamente e se meditem as palavras de José Maria Martins.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Nós portugueses somos

Deparo muitas vezes com frases começando «os portugueses são… » e segue-se a referência a defeitos mais ou menos generalizados. Quando isso me aparece em e-mails ou em comentários respondo sempre «Não diga os portugueses são, diga nós portugueses somos». Assuma-se nesse momento como português que é e, se acha que há algo que, por não estar bem, necessita ser melhorado, faça o que puder, mesmo que lhe pareça muito pouco ou insignificante, porque é o somatório dos actos de cada um que faz a característica geral. Uma bonita tela é elaborada por milhares de pequenas pinceladas por toda ela sem descurar o mais escondido milímetro quadrado da sua superfície.

Vem isto a propósito da frase de Leon Tolstoi, "Se queres pintar o Universo, começa por pintar a tua Aldeia" que o meu amigo Joaquim Evónio utiliza na entrada da Varanda das Estrelícias, um blog de características invulgares a quem a comunidade lusófona muito deve.

Antes de procurarmos o cisco no olho do vizinho devemos retirar o argueiro do nosso. Devemos dar prioridade á qualidade para podermos conceder suporte de exemplo às nossas palavras e não nos limitarmos, como muitos políticos a falar de «tentativa de decapitação do Governo», «assassinato político». «homicídio de personalidade», etc, etc. apenas para obscurecer a capacidade de raciocínio e de discernimento das claques afectas ao seu partido inserido num campeonato em que nada mais conta do que a taça das próximas eleições.

É preciso, com determinação persistente e amor a Portugal, cada cidadão procure começar por limpar a sua testada, «pintar a sua rua», para em consequência resultar o Mundo todo limpo, todo pintado. Nós portugueses somos descuidados, desleixados, indiferentes, mas temos que individualmente e depois em grupo, ser interessados, esclarecidos, conviventes, participativos, colaborantes em tarefas positivas, construtivas, visando o bem comum, o engrandecimento de Portugal para melhoria da vida de todos nós

sábado, 15 de agosto de 2009

A política não exclui a cidadania

( Publicada no Diabo em 4 de Abril de 2006)

Na tarde de 14 do corrente, num canal de notícias da TV, os políticos A e B (os nomes não interessam, apenas as ideias) debatiam os problemas do país perante um moderador. O político A, do partido do Governo, começou por alertar para a conveniência de os cidadãos não criticarem nem comentarem a economia porque isso está a cargo dos políticos e que os problemas do país não são económicos mas políticos. Curiosamente, o político B nada disse em contrário, talvez por estar demasiado preocupado com os problemas internos do seu partido e não poder concentrar-se nos problemas reais do País.

Aquelas palavras amordaçantes não ficariam mal na boca de um porta voz de Hitler, Staline ou Fidel Castro. Mas, em democracia, os cidadãos devem estar muito atentos e procurar informar-se sobre a forma como os seus representantes eleitos desempenham os seus mandatos. Porém, os políticos parecem estar, permanentemente, mais preocupados com os seus interesses pessoais e partidários do que com os do País. Se assim não fosse, não estávamos agora a sofrer as consequências do défice que criaram e, entre outras coisas a pagar de IVA mais 30% do que os espanhóis (21 contra 16). São constatações deste género que o político A quer proibir! Na realidade, os problemas do País só são políticos na medida em que os representantes democráticos estão com dificuldade(!) em resolver, como deve ser, os assuntos económicos, do ensino, da saúde, da Justiça, das Finanças e do bem-estar dos cidadãos.

Temos de fazer justiça à clarividência do Dr. Mário Soares quando disse que os cidadãos têm direito de manifestar a sua indignação. É com essa liberdade de expressão que o povo contribui para a democracia, no intervalo das idas às urnas. A cidadania não pode ficar circunscrita ao acto de votar, o qual tem sido tão pouco eficaz para a boa governação que a descrença e falta de confiança tem-se generalizado e conduzido a altas taxas de abstenção.