sábado, 23 de maio de 2020

PRECAUÇÃO NO DESCONFINAMENTO

Precauções no desconfinamento

(Public em O DIABO nº 2264 de 22-05-2020, pág. 16).Por A João Soares)



A pandemia gerada pelo Covid-19 apanhou desprevenidas as pessoas em geral e os governantes em especial, de tal forma que, para tentar evitar os contágios generalizados, impuseram regras drásticas que trouxeram grande paragem de sectores da economia. Mas há pessoas atentas que analisaram os elementos de que tiveram conhecimento e sugeriram o abrandamento das imposições mais lesivas dos direitos humanos, quer dos seus movimentos quer das suas actividades, e esboçou-se o fim do desconfinamento.



Por cá, as medidas de abrandamento foram generalizadas por todo o país, mas noutros países como a Espanha houve graduações entre as grandes cidades e regiões, onde as infecções foram mais numerosas e graves, e mais suaves para o interior, onde os casos ocorridos foram raros e episódicos. Durante as restrições mais rigorosas, houve casos que fizeram meditar. Por exemplo, o dono de um cão podia sair de casa para passear o animal de estimação, o que lhe tornava possível sair de casa quase durante todo o dia, acompanhado pelo cão, porque não era controlado quanto à quantidade de saídas e à duração de cada uma. Mas não lhe era permitido sair só, e se o fizesse e fosse interceptado por um polícia, seria multado. Ora com cão ou sem ele, devia ser permitido dar um pequeno passeio sem se afastar muito de casa sem se aproximar das pessoas que encontrasse e indo agasalhado; em piores circunstâncias devia ser obrigado a usar máscara, para evitar ser atingido pelos efeitos de uma tosse ou um espirro de pessoa infectada (que essa devia estar sempre em casa).



Devia haver uma mentalização geral de que a melhor defesa contra os efeitos do vírus deve ser levada a cabo por cada pessoa, devendo ter um comportamento adequado de higiene pessoal, manter o distanciamento social aconselhado, medir a temperatura e estar prevenido com analgésico para o caso de sentir pequeno mal-estar. E agir sem pânico mas sempre com calma e serenidade. Procurar conhecer as opiniões de pessoas credenciadas, sem a elas aderir obstinadamente, mas para compreender melhor a complexidade da situação que afinal não justificava pânico, mas sim prevenção, cuidado. E perante as medidas de abrandamento da quarentena, convém não embandeirar em arco, porque a falta de cuidados pode ser grave e trazer a agudização da situação geral. Na Alemanha, o Instituto Nacional de Virologia Robert Koch, responsável por monitorizar a evolução da pandemia, relatou pouco depois do desconfinamento um aumento na taxa de infeção (RO) - o número médio que uma pessoa infectada pode contaminar - que passou para níveis potencialmente perigosos, subindo de 0,7 para entre 1 e 1,1 em poucos dias. Isso, como tem sido dito por muitas autoridades internacionais, tem de ser assumido como uma situação cuja resolução depende todos nós mas, dadas as suas consequências sociais e económicas, convém ser encarada com muita sensatez e determinação pelas autoridades públicas com espírito de harmonia e de cooperação, e com sensibilidade e respeito pelos direitos das pessoas.



Na gestão do confinamento e da sua evolução não deve haver uma regra rígida aplicável a todos e em qualquer lugar da mesma forma, porque há, de norte a sul, grande variedade de situações de risco, devendo cada uma delas ser encarada de acordo com as vantagens e inconvenientes para as pessoas, a sociedade e a economia. Mas sem deixar de respeitar as precauções individuais convenientes para impedir o alastramento da infecção. É indispensável que cada cidadão esteja consciente do seu dever de colaborar para a extinção da pandemia, agindo da melhor forma para não se deixar contaminar nem ir infectar terceiros. Devemos ter consideração pelos outros, mantendo a distância, usando máscara a tapar a boca e o nariz, em lojas e locais onde tal é aconselhado. ■


quarta-feira, 20 de maio de 2020

PORQUE A CHINA PROGRIDE MAIS DO QUE OS EUA

Mensagem do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter ao actual Presidente





Em mensagem a Donald Trump, o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, explicou ao chefe da Casa Branca as razões do declínio americano e da ascensão da China. Leia abaixo:

“…Você tem medo que a China nos supere, e eu concordo consigo. Mas você sabe por que a China nos superará? Eu normalizei relações diplomáticas com Pequim em 1979, desde essa data… você sabe quantas vezes a China entrou em guerra com alguém? Nem uma vez, enquanto nós estamos constantemente em guerra.

Os Estados Unidos são a nação mais guerreira da história do mundo, pois querem impor aos Estados que respondam ao nosso governo e aos valores americanos em todo o Ocidente, e controlar as empresas que dispõem de recursos energéticos em outros países.

A China, por seu lado, está investindo seus recursos em projectos de infraestrutura, ferrovias de alta velocidade intercontinentais e transoceânicos, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios em vez de usá-los em despesas militares. Quantos quilómetros de ferrovias de alta velocidade temos em nosso país? Nós desperdiçamos U$ 300 biliões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou nem um centavo em guerra, e é por isso que nos ultrapassa em quase todas as áreas.

E se tivéssemos tomado U$ 300 biliões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade. Teríamos pontes que não colapsem, sistema de saúde grátis para os americanos não infectarem mais milhares de americanos do que qualquer país do mundo pelo COVID-19.

Teríamos caminhos que se mantenham adequadamente. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai”.

(Jimmy Carter, na Newsweek Magazine)



sexta-feira, 15 de maio de 2020

DEVEMOS RESPEITAR OS VELHOS

Devemos respeitar os velhos
(Public em O DIABO nº 2263 de 15-05-2020, pág 16)

Uso o termo “velho” porque não gosto de ser arrastado pelos caprichos que alteram a estrutura da nossa Língua e “idoso” não enriquece o substantivo e fazem-no rimar com mentiroso, horroroso e outras palavras abomináveis. Prefiro “velho” porque significa detentor de muito saber e experiência da vida, o que levou os sobas africanos a terem um Conselho de Velhos a que recorriam sempre que tinham de tomar uma decisão importante para a tribo.

Agora, por azar das nações, os governantes e seus assessores consideram os velhos como uma “peste grisalha” e preferem tomar decisões por palpite ou capricho, o que muitas vezes origina erros demasiado insensatos que os obriga a alterações e emendas, tornando as burocracias confusas e sem garantia de se aguentarem por muito tempo. Por isso as leis são duvidosas e deixaram de ser “sagradas”.

A condenação dos velhos ao confinamento forçado e sem qualquer hipótese de arejar leva um constitucionalista a afirmar que “os idosos não devem ser submetidos a medidas extremas de isolamento social. Ainda não é proibido ser velho”. O isolamento social, sem sequer poderem contactar os descendentes, é um exagero com excepções ilógicas. Um cidadão sem cão, tem que vegetar encerrado nas quatro paredes de casa, mas se tiver um cão pode passar o dia praticamente todo na rua, porque não é possível controlar quantas vezes passeia o cão e quanto tempo demora cada passeio. Sem cão, o velho pode ser condenado a morrer da cura da pandemia. A tal rigor têm sido reconhecidos inconvenientes de âmbito mental psicológico, de saúde pública, de economia, de justiça. Quantos doentes morreram por terem sido parados os tratamentos, as consultas e as cirurgias? E muitos dos que não morreram podem ter piorado e abreviado o fim da vida.

Não é por acaso que muitos países evoluídos reconheceram o erro de terem imitado outros com restrições exageradas e decidiram rever os seus sistemas de confinamento, permitindo aos seus cidadãos mais actividade em liberdade, mas com regras de higiene, protecção, tratamentos e distanciamento social adequados. Nisso há um ponto marcante que é a séria e consequente formação ética, por forma a evitar infectar outros ou ser por eles infectado, porque ninguém tem garantia de não estar a incubar a doença ou de os outros estarem nessas condições.

E há quem diga que não se percebe quem é inimigo do povo, se o covid-19 ou se as autoridades demasiado autoritárias e pouco sensatas e esclarecidas. Há quem diga que está a ser aproveitada a oportunidade para, depois do falhanço, se criar a eutanásia, se estar a obter resultado semelhante criando solução geradora de incapacidade mental… para reduzir o número de velhos e a quantidade de pensionistas, para superar a crise social, ultrapassar a crise sanitária e aliviar a crise económica do Estado; mas, com isso, o País sairá muito diminuído como comunidade, a nível internacional. Devemos respeitar os velhos porque constituem um valor social e porque cada cidadão deseja vir a ser velho. Ninguém quer envelhecer para morrer, mas para continuar a viver, aproveitando aquilo que a vida lhe ensinou.

A vida constitui o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos calhou em sorte e é pena que, a pretexto da pandemia, tenham surgido tantas restrições às liberdades que a Constituição nos confere. A vida, se bem aproveitada, constitui um laboratório, uma escola, em que se aprofunda o significado da esperança e do amor, não apenas o amor aos familiares mas a qualquer próximo. E se a esperança e o amor forem bem interpretados na humanidade, esta passará a ser mais pacífica e harmoniosa, sem guerras nem ódios. Nisso, seria bom que aprendêssemos o que tem circulado em vídeos da vida animal.

A crise que mina a sociedade mostra que os velhos estão a ser tratados como uma desprezada periferia, e isso foi agora mais salientado. Estamos num estado de degradação da sociedade em que as pessoas já não morrem fatigadas da vida, mas simplesmente cansadas com o estado da humanidade. ■


quinta-feira, 7 de maio de 2020

PREPARAR O FIM DO «CONFINAMENTO»

Preparar o fim do “confinamento”
(Public em O DABO nº 2262 de 08-05-2020, pág 16, por A J Soares)

Chegam notícias de muitos países onde foi posta em prática a clausura das pessoas em casa, como medida de prevenção do Covid-19 e que cedo se aperceberam que tal cuidado foi exagerado e devia ter sido condicionado a alguns casos bem definidos; mas, agora, estão a normalizar cautelosamente tal condicionamento, para evitar as consequências em estabilidade mental das pessoas e na estagnação da economia e de outros aspectos sociais e religiosos. Psicólogos e psiquiatras apontam probabilidades de ocorrerem efeitos mais ou menos graves de frustração, ansiedade e medo, preocupação, angústia, incerteza, solidão, aborrecimento, tristeza, falta de esperança, etc. que acarretam riscos consideráveis para a saúde mental.

Entre nós, houve excepções à lei que obrigava à contenção em casa, como pessoas que tiveram de se deslocar para satisfazer serviços imprescindíveis, para passearem os cães domésticos e para efectuar a reunião na AR no dia 25 de Abril. Isto é, pessoas privilegiadas por quem a lei (que, como tal, devia ser geral) foi ignorada ou desrespeitada. Mas, tal como a conveniência assumida de os cães irem à rua, também seria positivo que as pessoas pudessem ou devessem, diariamente, dar pequenos passeios ao ar livre, cumprindo as regras de higiene e do distanciamento social, para exercício das pernas e para respirar ar puro, diferente daquele que, em recintos fechados, é respirado depois de ter sido expirado por outras pessoas.

O nosso Governo prometeu abrandar o rigor da “mumificação social colectiva”, movido mais pela consequência da paragem da economia do que por respeito às liberdades das pessoas. Os velhos (há quem prefira o termo idosos, cuja terminação é igual à de mentirosos, ranhosos, manhosos, etc), salvo raras excepções, são pessoas com muito saber acumulado quer pelo estudo quer pela experiência da vida, e que, em muitos casos, se encontram em perfeitas condições de autonomia, e de uso dos seus direitos (inclusive o direito a correr alguns riscos), não podem ser sonegados, embora pela sua saúde já debilitada fossem a maioria das vítimas do Covid-19. Por isso, não deviam ser colocados num mesmo conjunto e servir de pretexto para a contenção em restritos espaços fechados. Não foram beneficiados, mas sim, na maioria, desprezados sem poderem ver os familiares mais jovens.

Agora, há muitos países com tradições de avanço em civilidade e sensatez e com equipas governantes atentas às palavras de professores e pensadores, independentes de ideologias populistas, que reconheceram ser desumano o exagerado estado de emergência e preparam a abertura da economia de forma gradual e a libertação das pessoas para poderem usufruir as suas liberdades de viver em boas condições, mas usando de cuidados adequados de higiene pessoal e de distanciamento social que tornem mais segura a sua situação perante o malfadado vírus.

Perante esta situação, o progressivo abrandamento das condições desumanas da contenção deve ser orientado por objectivos estratégicos de grande prazo, para não se correrem riscos evitáveis e para se iniciar uma sociedade mais responsável defendendo a saúde de todos e preparando o país para uma recuperação da economia em moldes mais aceitáveis, de continuidade e rentabilidade. Há dias vi uns sinais de desenvolvimento da agricultura, actividade que, pela forma como ocorre ao ar livre, proporciona condições muito salutares e com boas imunidades. E a sua produtividade é essencial para a sobrevivência em casos de dificuldades de transporte para importação de produtos estrangeiros.

Também o turismo, que está muito afectado e com aspectos de difícil recuperação, pela perda de confiança no exterior, deve ser pensado de forma mais cultural, tornando-se mais enriquecedor do saber e da informação sobre o Mundo mais desejável que se pretende. Não basta mostrar monumentos a serem fotografados, mas ensinar as condições e as motivações da sua criação, enriquecendo, assim, a imagem que os turistas levam do nosso país.

E termino com palavras de apreço aos nossos profissionais da saúde que não olharam a esforço e risco para salvarem a saúde das pessoas. E também aos jovens artífices que iniciaram o fabrico de produtos variados, úteis aos que vivem mais em risco.


terça-feira, 5 de maio de 2020

A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA

A recuperação económica
(Public em O DIABO nº 2261 de 01-05-2020, pág 04, por Henrique Neto)


A crise económica e financeira que se seguirá à pandemia do Covid-19 será trágica para a grande maioria dos portugueses. Prometer que não haverá austeridade é uma irresponsabilidade que se inscreve numa longa lista de promessas com que o poder político tem enganado os portugueses. Recordo Cavaco Silva a garantir que o dinheiro no BES estava garantido, de Pedro Passos Coelho a prometer que a separação do banco mau do banco bom resolveria os problemas do mesmo BES e as promessas de António Costa a afirmar que a venda do Novo Banco a um fundo norte americano não precisaria do dinheiro dos portugueses. Para já não falar das mentiras de José Sócrates e do seu Ministro das Finanças aquando da nacionalização do BPN.

Claro que António Costa reza aos deuses dos agnósticos para que a União Europeia lhe resolva o problema para os próximos anos, já que depois o problema ficará para o PSD resolver. Porque se não fosse essa a ideia, o Governo não dependeria tanto do dinheiro a chegar da União Europeia e já estaria a trabalhar e a colocar no terreno um plano de sobrevivência nacional. Desde logo, incentivando as empresas a iniciarem as suas actividades (nunca compreenderei porque parou a AutoEuropa) produzindo para o mercado, ou para stock, mas produzindo. Ou teria parado a construção da Linha circular do Metro, o aeroporto do Montijo e a ferrovia em via única de bitola ibérica de ligação a Badajoz. Substituindo esses investimentos por outros que garantam aos investidores empresariais, nacionais e estrangeiros, uma logística moderna de exportação. Fazendo rapidamente os projectos que deveriam existir, mas que há feitos apenas para o Sul - ELOS - apressando os que faltam para apresentar ao financiamento da União Europeia. Para já, podem apresentar, se é que não foi já feito, o ELOS e iniciar as obras.

Os grandes investimentos devem ser essencialmente dois: o novo cais Vasco da Gama em Sines e o ferroviário constituído pelo corredor do Atlântico proposto pela União Europeia, com a entrada em Portugal a Norte e a saída a Sul, em via dupla e bitola UIC (europeia). São investimentos volumosos, mas aqueles cujo financiamento foi previsto por Bruxelas. Em complemento e num segundo plano, investir nos Metros do Porto e de Lisboa, neste segundo caso na Linha Vermelha até Alcântara.

Portugal vai precisar de investimento público como de pão para a boca nos próximos tempos, promovendo o crescimento da economia e o emprego e dando à União Europeia um bom exemplo de investimentos com rentabilidade assegurada e promotores das exportações nacionais, por terra para a Europa e por mar para todo o mundo. Ou seja, transformar a imagem europeia de um Portugal de mão estendida, pela realidade de um País a lutar pela sua sobrevivência, com ideias e projectos que façam sentido.

Mas não basta o investimento do Estado, vamos precisar do investimento privado, nacional e, principalmente, internacional, preferentemente na indústria transformadora. Acontece que a oportunidade é única para um país que, como Portugal, possa apresentar a melhor logística do Ocidente para combater a logística do Oriente, no momento exacto em que os países e as empresas do Ocidente vão ter de pensar na sua actual dependência da China e encontrar os melhores locais para investir com esse objectivo.

Esta é, em resumo, a única estratégia que conheço para dar um futuro à economia portuguesa. Uma estratégia que pretende acabar com a ideia do mercado interno e demonstrar que o crescimento das exportações portuguesas, até ao nível dos outros países da nossa dimensão, é a única via para o progresso nacional. Demonstrar que o turismo vai levar algum tempo a retomar com a dimensão que já teve e que, em qualquer caso, serve no curto prazo, mas não reside no turismo a transformação necessária da economia portuguesa. Nesse sentido não precisamos de mais, mas de melhor turismo, e devemos desde já mudar a agulha neste domínio: formação, formação e formação. Entretanto, projecte-se, com tempo, um aeroporto em Alcochete e um túnel sob o rio, em direcção a Lisboa. Aeroporto de que só precisaremos daqui a bastantes anos.

Há outros investimentos possíveis. Permita-se à actividade privada a construção de uma ou duas torres no espaço da antiga Lisnave e a renovação da beira-rio em Almada, com baixa volumetria de reconstrução. Planeie-se no Seixal um pequeno paraíso para a náutica de recreio, aproveitando os espaços de manutenção que lá existem. Faça-se do Tejo e de Lisboa um centro de turismo de qualidade para Congressos e Conferências internacionais, para paquetes de luxo, e concentrem em Sines a actividade comercial, com caminho de ferro em direcção a Norte. Aliás, Sines será o local de eleição para a instalação de empresas internacionais integradoras, isto é, empresas que, como a AutoEuropa, recebem componentes e sistemas de todo o mundo e exportam os seus produtos finais para todo o mundo. Sobre isto, recordo o que aconteceu com a vinda para Portugal da AutoEuropa: no início as exportações de componentes não passavam de uns poucos milhões de euros, mas em 2019 ultrapassaram os oito mil milhões.

Sempre fui contra a venda da EDP, da PT, da REN e da ANA, por estarem ligadas ao espaço nacional e terem importância estratégica. Já não vejo nenhuma vantagem na posse pelo Estado dos transportes urbanos das cidades ou do caminho de ferro para o transporte de passageiros e de carga, desde que esteja garantida a posse das linhas e exista concorrência. A linha de Cascais seria a primeira. Concordo que a TAP tem importância estratégica, mas não é nada que, na actual conjuntura, não se possa conseguir com um bom acordo de venda que garanta o hub de Lisboa e a permanência dos voos agora existentes para o Brasil, América do Norte e países das antigas colónias portuguesas. Razões que representam uma vantagem vender a uma das empresas dos Estados Unidos e não a uma empresa chinesa ou europeia. Neste domínio, ainda não percebi para que serve uma empresa aérea açoriana.

Peço desculpa de centrar a minha ideia de investimentos em Lisboa, o que acontece por duas razões: porque conheço melhor a região e porque tenho grande confiança nos empresários e nos autarcas do Norte e do Centro, para resolverem os seus próprios problemas e desenvolverem as suas próprias ideias, desde que o Estado não lhes complique a vida. Veja-se o que disse sobre a AutoEuropa.

O que o Norte e o Centro precisam é de uma via férrea para as suas exportações para a Europa, já que por via marítima estão bem servidos e temos Sines. Precisam também de valorizar algumas das suas produções, a exemplo do que aconteceu com o calçado, além de reduzir a sua dependência da parte pobre da economia dual, que não tem futuro. Para isso é preciso criar mais empregos na parte mais rica da economia.

Penso que deixo aqui um resumo para uma estratégia de sobrevivência da economia portuguesa, uma estratégia que organize e garanta o seu futuro crescimento e rentabilidade. Se me perguntarem se tenho alguma esperança que seja adoptada, ou até só debatida pelo Governo, direi que não. Limito-me a escrever para a história.

Nota: aqui fechado, também ainda não percebi qual a razão por que empresas portuguesas não estão ainda a inundar os mercados internacionais de testes, batas, calças, calçado, viseiras, cotonetes, óculos e máscaras da mais elevada qualidade. Qual é o problema? ■

domingo, 3 de maio de 2020

JÁ NÃO SE PEDEM MILAGRES

Já não se pedem milagres
(Public em O DIABO nº 2261 de 01-05-2020, pág 16)

Depois de ler o artigo “Ainda haverá fé sobre a terra?”, n’O DIABO nº 2259, de 17-04-2020, procurei um apontamento esboçado há algum tempo e apresento-o aos leitores depois de lhe acrescentar algumas considerações complementares. Não devemos estar à espera de milagres.

A Humanidade é composta de todos os seres humanos. E é imperioso que haja ética, moral, respeito pelo próximo e pela natureza, e que seja generalizada a instrução para que cada um saiba desempenhar o seu papel de forma a agir em conformidade com esta ideologia. As religiões foram criadas por pessoas eticamente bem formadas, autênticos filósofos ou sábios, quando ainda não havia ciência e saber que ajudasse a compreender a Natureza em que se vivia. O politeísmo foi uma solução para dar resposta aos curiosos sobre os fenómenos que observavam: Sol, Lua, Vento, etc. e foram criados inúmeros Deuses, um para cada fenómeno que ainda não tinha explicação por ainda não haver ciência devidamente desenvolvida e acessível às pessoas vulgares.

O tempo foi passando e a sociedade modificou-se. Surgiram diversos polos de atracção quer de aspectos políticos, quer desportivos, quer económicos, quer tecnológicos que desviam as pessoas da fé religiosa, sem que esta fosse substituída. Por exemplo, a política tem levado as pessoas a concluir que nada é seguro e não podemos acreditar em nada nem em ninguém, mesmo na escrita que, até alguns anos atrás, era segura e garantida, hoje nada vale nem significa porque aquilo que se apresenta como afirmação indiscutível da obra que veremos amanhã, é negada poucas horas depois.

Uma das invenções mais dramáticas foi o dinheiro, que foi criado como necessário para facilitar as compras, substituindo as trocas, mas tornou-se na pior droga que existe e que é mais perigosa que qualquer outra, porque não tem o perigo de overdose, o que origina ambição, ganância, roubo, corrupção, sem respeito por nada nem por ninguém, tudo sem limites.

A religião, embora muito tenha resistido, não podia escapar à onda de cepticismo e, muitas vezes, não passa de ilusão, panaceia. Há dias, numa conversa em que havia um beato fanático, perguntei-lhe quais são as quatro lições que devem ser extraídas da segunda parte da oração “Pai Nosso”. Tal como milhares de “crentes”, que papagueiam as orações sem compreenderem o significado das palavras que dizem, ele sabia dizer a oração mas não via ali senão pedidos ao Pai. Ora o Pai, amantíssimo e justo, não faz favores a quem se comporta mal, a quem faz asneiras, não premeia quem peca, embora perdoe. A oração, nas palavras “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, pede a Deus ajuda espiritual, saber, moral, para não sermos ambiciosos, gananciosos e contentarmo-nos com o necessário para viver; nas palavras “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”ensinam que devemos perdoar as ofensas dos outros para sermos perdoados das nossas desobediências às lições que recebemos de Deus, perdoando os erros dos outros para podermos ser perdoados dos nossos; as palavras “não nos deixeis cair em tentação” significam que devemos ter bom comportamento e usar de moral para não cometermos erros de ambição, de inveja, de ódio, de violência, de droga, etc. de que resulte mal para nós ou para outros. Enfim, devemos ser cuidadosos, bem comportados, prevenidos, para nos “livrarmos do mal”, das doenças, dos acidentes, etc. É pena que muita gente papagueie as palavras das orações sem tirar delas as lições pretendidas pelo Mestr

E estas considerações também mostram que a acção de formação e educação por parte de sacerdotes é deficiente quanto ao desenvolvimento da fé, bem fundamentada e praticada pelos crentes. As festividades tradicionais não são suficientes para o reforço da fé, como bem explica o autor (Águia da Beira) no artigo atrás referido. A fé, a esperança e o optimismo, próprio da consciência limpa, geram felicidade. ■


PARA QUÊ A ONU?

Para quê a ONU?
(Public em O DIABO nº 2260 de 24-04-2020, pág 16, por António João Soares)

A ONU pouco ou nada tem feito, praticamente, em favor da paz mundial, da segurança ou da qualidade de vida da humanidade. À custa dos Estados-membros, tem dado emprego a muita gente que gosta de “tacho” e de imagem, mas os cinco ditadores permanentes do Conselho de Segurança da ONU não chegam a acordo em assuntos de interesse global, usando do poder de veto que lhes é atribuído.

O caso da desnuclearização tem sido muito notado. Sendo indubitavelmente um assunto de interesse geral, nunca foi encarada frontalmente a sua aplicação de forma exemplar, pelo facto de qualquer desses cinco “donos do mundo” possuir armas de alta destruição e não mostrar interesse em se desfazer delas e, por outro lado, não a ONU, mas a América, tem procurado impor tal regra ao Irão e à Coreia do Norte, com sanções económicas. E fica-se a duvidar do papel real deste órgão, pretensamente poderoso, mas sujeito à vontade colectiva (raramente concretizada, devido aos interesses de cada um) dos cinco membros com direito a veto.

Perante as guerras que têm causado milhares de perdas de vidas no Médio Oriente, em alguns países como o Iraque, a Síria, o Afeganistão, etc. não se viu qualquer resultado da influência da ONU para restabelecer a paz e a segurança, para bem das pessoas.

Agora, perante a pandemia do Covid-19 que tem matado tanta gente, os membros do Conselho de Segurança nada têm feito porque, segundo eles, a perda das vidas de tantos milhares de pessoas não afecta a paz e a segurança. Porém a opinião de muitos pensadores mostra receio de que este fenómeno possa ser aproveitado para desencadear uma guerra entre os EUA e a China. E quem é o responsável pelas atitudes, ou falta delas, da ONU? António Guterres, que está limitado a “chefe de secretaria” e cercado de muitos burocratas que carecem de preparação e de regulamentação para agir em proporção da sua remuneração?

E quanto à China, ela pode não sair tão vencedora como parece, porque o fenómeno que originou a sua evolução muito eficaz em meados do século XVI pode agora acontecer a favor do Ocidente, que seja levado a meditar no fenómeno do Covid-19 e despertar da sua modorra de cinco séculos e definir novos rumos para a vida sócio-política e económica. Esta referência ao século XVI já aqui foi referida em artigo publicado em 1 de Novembro de 2019, citando o comentador político Kishore Mahbubaini. E nesse artigo era transcrita a frase de Napoleão Bonaparte “Deixem dormir a China, porque quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Mas ela acordou e está já em competição com o Ocidente. Entretanto, o Ocidente adormeceu à sombra do sucesso antigo e, em vez de assumir e desenvolver a sua superioridade dos velhos tempos, procurou impor a superioridade militar, como acontece com os EUA que, ao menor pretexto, enviam tropas para pequenos países do terceiro mundo. Nisso, o Conselho de Segurança talvez devesse fomentar a estratégia dos 3M recordada no referido artigo – minimalista, multilateral e maquiavélica (com o significado de promover a virtude e evitar o mal).

Agora, com a crise gerada pela actual pandemia, o CS/ONU tem uma oportunidade de promover comportamentos de ética, sensatez e valorizando a virtude e evitando o mal, a fim de evitar que a China consiga abalar o mundo, com o seu sistema pacífico e insinuante que usa meios suaves de desenvolver a sua economia e sobrepondo os seus interesses económicos à generalidade dos países. É notória a preponderância do fornecimento de medicamentos e a produção de outros equipamentos de saúde além de muitos outros materiais de comunicação, de transporte, etc.

Embora estejamos em época com indícios de redução da globalização, parece imperioso que surjam estruturas de preparação de um futuro mais racional, solidário, respeitador das pessoas e da natureza, sem corrupção e sem apego doentio ao dinheiro. Governar deve ser pensar em melhorar a qualidade de vida da sociedade. A ONU devia ser uma escola de felicidade equilibrada entre todos os graus das sociedades. ■

terça-feira, 21 de abril de 2020

GUERRA ECONÓMICA EM PERSPECTIVA

Guerra económica em perspectiva

(Public em O DIABO nº 2259 de 17-04-2020, pág 16, por António João Soares)



Já se fala em guerra económica entre Ocidente e Oriente há alguns anos, mas há sinais de que ela já existe de forma pacífica e dissimulada desde o início da globalização. Esta, segundo historiadores, foi iniciada com a passagem do cabo do sul de África que separa os oceanos Atlântico e Índico quando Vasco da Gama deu novos mundos ao mundo. Até essa data, as duas partes do Planeta viviam desligadas, desconhecendo-se. Por exemplo, a China vivia em estado muito primitivo e ficou extasiada com os sinais dados pelos navegadores portugueses acerca do mundo mais evoluído da Europa onde a cultura e a arte mostravam ser um exemplo daquilo que aos orientais parecia um paraíso. E, com o seu sentido prático e eficaz, logo procuraram desenvolver as suas capacidades para se aproximarem do avanço do Ocidente. E sem lutas, porque os chineses não gostam de violência, iniciaram a imitação do que o Ocidente tinha de melhor, evoluíram em muitos aspectos e, nessa evolução, nunca pararam tornando-se iguais ao Ocidente na ciência e na tecnologia, ultrapassando-o depois em quase tudo.



Isso foi-lhes facilitado porque o Ocidente abrandou o seu ritmo de desenvolvimento, canalizando as energias para guerras de colonialismo, de independência, de rivalidades entre vizinhos, etc. Nessas diferenças de realidades político-sociais, a China investindo pouco como potência militar ofensiva, embora não desprezando a sua defesa por questão de sobrevivência, deu preferência à ciência, à tecnologia e à competição económica e hoje, nestes aspectos, é uma potência que confronta sem complexo de inferioridade a maior potência do Ocidente.



A presente crise devida à pandemia do Covid-19 provocou a paragem completa de muitos países com a imposição de medidas rígidas de quarentena para travar a propagação do vírus e provocou um golpe fatal em várias empresas e sectores a nível mundial. Na China, a pandemia foi muito dura mas, embora enfrentada com serenidade e determinação, conduziu a que empresas de interesse ocidental como, por exemplo, fabricantes de peças de automóveis como a GM, a Fiat, a Chrysler e outras foram forçadas a encerrar operações, por falta de procura dos seus produtos. As dificuldades de empresas em que a China tinha alguma participação financeira podem, nesta fase de recuperação chinesa mas de quarentena no ocidente, vir a ser objecto de compra de acções baratas, aproveitando a queda das cotações devido a dificuldade em transaccionar os seus produtos. Mesmo na hipótese de a China, na fase de recuperação mundial, poder decidir vender parte dessas acções, obterá elevados lucros. O mesmo se passará em outras actividades, mesmo com oportuna e aparente generosidade a empresas estrangeiras que estejam com dificuldades, e o capital investido poderá elevar a cotação da China de segunda para primeira potência económica mundial.



A China, desde que iniciou o seu renascimento com a globalização, soube sempre decidir com fundamento estratégico e óptimo aproveitamento de toda e qualquer oportunidade vantajosa para os seus objectivos no futuro da economia global. Depois de ter vencido o ataque do Covid-19, e enquanto a crise esteja com força noutras potências, ela inicia uma “guerra económica” com sensibilidade e aparente generosidade, de que colherá certamente grandes benefícios, em relação às estruturas rivais na economia global. Não deixará de atrair empresas internacionais de diversos ramos e de incentivar a sua contribuição para a recuperação de empresas que foram muito afectadas no sector do turismo e noutros. Esta evolução estratégica da China, sem violências, é própria do país que, para se libertar da invasão dos povos do Norte, principalmente dos mongóis, construiu uma muralha de 21.196Km durante vários séculos, a qual não impediu ser invadida pela Mongólia em 1211 e que só foi expulsa em 1360. Por isso, chamar-se guerra económica à sua intensificação da economia externa pode ser exagero. Mas será uma terminologia do agrado de Trump e à qual ele irá certamente reagir duramente se, antes, não for neutralizado internamente. ■


A HUMANIDADE CAMINHA PERSISTENTEMENTE PARA O SUICÍDIO COLECTIVO

A Humanidade caminha persistentemente para o suicídio colectivo

(Public em O DIABO nº 2258, de 10-04-2020, pág 16)



Há milhares de anos, foram extintos os dinossauros; agora, segundo cientistas qualificados, parece que o ser humano está a preparar a sua exterminação. Não parecem fantasias de jovens extremistas que gostam de se mostrar, mas, sim, merecem ser ouvidos pelos responsáveis pelos Estados, a fim de serem evitados exageros de tecnologias que são demasiado perigosas para a saúde das pessoas.



Em 19 de Janeiro último, guardei um artigo em que o Dr. Martin Blank, do Departamento de Fisiologia Biofísica Celular da Universidade de Colúmbia, alertava para os perigos advindos do abuso dos telemóveis, questão muito notada na origem de cancros cerebrais e outras doenças graves, não apenas para os utilizadores, mas da multiplicidade de antenas em telhados de moradias e até de hospitais, onde se deve defender a saúde dos seus ocupantes. Perigos que estão a ser multiplicados pelo efeito do 5-G.



O abuso de equipamentos automáticos, accionado por radiações electromagnéticas, é notável. No regresso do refeitório onde almocei para o quarto, numa instituição que se queixa de falta de meios financeiros, passei por três portas que se abriam para eu passar, luzes que se acendiam e apagavam à medida que passava; nas casas de banho a luz acende-se automaticamente e, passado algum tempo, apaga-se mas, se uma pessoa se mexe, volta acender-se. Há muitos casos assim, o que torna o ar que respiramos totalmente pejado de radiações electromagnéticas, e isso é lesivo para a saúde, como explicou Martin Blanc.



E depois, passados mais de dois meses, recebi um vídeo em que o Dr. Thomas Cowan, médico, com muitas referências na Net, veio reavivar o meu interesse pelo tema da causalidade entre a electrificação da Terra e das radiações electromagnéticas em relação às grandes pandemias que temos sofrido. No vídeo, ele fazia uma prelecção a um grupo de pessoas em que focava, entre outras coisas, os seguintes casos:



Em 1918, houve uma pandemia de gripe espanhola, que considerou consequência de um salto quântico com a electrificação da Terra. Além da electrificação de cidades e algumas aldeias em 1917, houve a introdução de ondas de rádio em todo o mundo. Qualquer sistema biológico ficou envenenado por novos campos electromagnéticos, matando gente mais débil e tornando mais doentes os outros. Tais radiações empestaram o espaço dentro do Cinturão de Van Allen, que serve de protector do nosso Planeta e reage quando lhe chega tal poluição. Na sequência da II Guerra Mundial, o ar foi novamente agredido em força com a instalação de equipamentos de radar por todo o Planeta e verificou-se nova pandemia. Em 1968, ocorreu a gripe de Hong Kong, como reacção da camada protectora da Terra à colocação de diversos satélites emissores que emitiam frequências radioactivas no interior do seu espaço cósmico, e surgiu essa epidemia, fruto do envenenamento viral da fauna. Actualmente, com o 5G e a tara do electromagnetismo, há cerca de 20.000 satélites emissores de radiação, que activam milhões de equipamentos de que fazem parte telemóveis, sensores, alarmes, automatismos diversos, rádios, TVs, etc. Não foi por acaso que a pandemia do coronavírus foi difundida a partir da cidade de Wuhan, na China, que foi a primeira cidade do mundo a ser completa e densamente coberta por equipamentos de estilo 5 G.



Sempre que qualquer sistema biológico é exposto a um novo campo electromagnético, fica envenenado, morrem alguns, e os restantes entram numa espécie de vida suspensa, por pouco mais tempo e mais doentes. Depois destes alertas, será bom que os governantes e seus conselheiros procurem encontrar, sem demora, solução para reduzir significativamente a quantidade de instrumentos que funcionem com radiações electromagnéticas, a fim de travar a corrida para a extinção da espécie. ■


segunda-feira, 6 de abril de 2020

HAJA PAZ, SEGURANÇA E SAÚDE


Actualmente, para haver PAZ, SEGURANÇA e SAÚDE, é indispensável, a nível global:

- Evitar conflitos armados,

- Praticar negociações construtivas, a qualquer nível,

- Fazer coordenação política e tomar medidas anti-crise, entre muitos países,

- Proceder a negociações económicas para equilibrar os mercados.

sábado, 4 de abril de 2020

COREIA DO NORTE COM VAIDADE E ARROGÂNCIA

Coreia do Norte com vaidade e arrogância
(Public em O DIABO nº 2257 de 03-04-2020, pág 16)

A loucura da guerra e a vaidade de ter armas de grande poder destruidor são defeitos comuns a grandes potências que sonham com o domínio do Mundo, o que suscita comentários demolidores dos pensadores mais serenos. Mas, infelizmente, há países de reduzida dimensão que não resistem à tentação de mostrar a pior das vaidades e esquecem o bem-estar e a segurança do seu povo, para desbaratarem o pouco produto do trabalho dos cidadãos no fabrico de armas vistosas de que não obtêm resultados correspondentes ao custo.

O caso mais recentemente noticiado é o do lançamento pela Coreia do Norte de dois mísseis de curto alcance na manhã de dia 21 de Março que percorreram 410 quilómetros antes de caírem no mar do Japão. Segundo a Coreia do Sul e os seus militares do Serviço de Informações que estão em permanente observação das actividades do seu vizinho do Norte, este foi o terceiro lançamento neste mês de Março.

O governo norte-coreano, com vaidade e arrogância, justificou a produção de armas nucleares como uma resposta necessária contra a política externa agressiva dos Estados Unidos em oposição à Coreia do Norte. Mas não analisa correctamente tal posição que é absurda porque, numa guerra propriamente dita com os EUA, a Coreia do Norte ficaria reduzida a pó. Mesmo que os EUA não praticassem tal destruição, a Coreia, depois dos custos que já está a ter e dos danos que teria durante o conflito, mesmo que ligeiro e rápido, não obteria a mínima vantagem nesta arrogância. E, provavelmente, não encontraria qualquer potência que, para apoiar tal loucura, se levantasse contra a grande potência americana.

Na actual situação da pandemia do Covid-19, surgida na China e já espalhada por grande parte do globo em que as pessoas estão em quarentena, a fim de evitar as piores consequências, esta acção de preparação bélica constitui um “acto altamente inapropriado”, não só pela pandemia surgida no país seu vizinho e que, certamente, está a afligir o seu povo mas também por a sua população viver com dificuldades e ver o fruto do seu trabalho desperdiçado em fantasias de grandeza desnecessárias e completamente inúteis.

No início de 2019, houve uma cimeira com Trump em Hanói a fim de a Coreia do Norte parar com experiências nucleares, mas não houve cedências à América e esta recusou levantar as sanções económicas. Porém, Kim Jong-un, apesar das suas dificuldades económicas, quer ter o país preparado para combater qualquer guerra provocada pelos EUA e disse que “as suas Forças Armadas estão prontas para proteger o seu povo e o céu azul da sua pátria”. Trata-se de uma arrogância insensata, com a qual os responsáveis militares não concordam, mas a que não podem desobedecer por não desejarem ser assassinados.

Há quem manifeste esperança de a humanidade vir a ter grandes modificações, após ter sido habituada a novos comportamentos pela quarentena que lhe foi imposta para fazer frente à actual pandemia. Porém, tais esperanças terão de ser condicionadas pela péssima qualidade de grande parte dos “responsáveis” pelos Estados que colocam acima dos reais interesses dos seus povos, o vício da ambição pessoal, da vaidade, do orgulho, da arrogância e da ostentação de actos insensatos.

A actual pandemia do Covid-19 deve incitar à reflexão profunda ponderando que todas as pessoas, independentemente da riqueza e da posição social, estão sujeitas à doença e à morte, pois têm morrido médicos e foram afectados governantes que decidiram abandonar as funções e entrar no isolamento das quarentenas e até em cuidados intensivos. ■


sexta-feira, 27 de março de 2020

POLÍCIA COMO PAU PARA TODA A OBRA

Polícia como pau para toda a obra
(Public em O DIABO nº 2256 de 27-03-2020, pág 17)

A Administração Interna mostra grande esperança no bom comportamento (boa eficiência) das Forças de Segurança na responsabilidade de controlar os comportamentos dos cidadãos e dos seus serviços públicos na adopção de medidas preconizadas para prevenir os danos o alastramento da pandemia do Covide-19.

Essa esperança na eficácia dos agentes da segurança pública é lógica e coerente com os seus princípios e deveres profissionais. Porém as palavras de esperança do MAI, são incongruentes em relação com as que pronunciou há pouco tempo a respeito das carências de condições com que os agentes se defrontam no cumprimento da sua missão em que chegam a ser gravemente agredidos, sem que os prevaricadores e agressores sejam justa e adequadamente punidos. Tal governante mostrou não reconhecer medianamente as condições de trabalho destes funcionários e o que eles representam para a segurança e eficiência dos governantes e da população em geral. Agora, esquecendo a atitude hostil em relação aos obreiros da solidez da sociedade, quer esperar deles um papel que ultrapassa as suas atribuições, um papel que devia resultar da preparação cultural, da ética e da moral social que devia nascer do ensino escolar, do exemplo das autoridades autárquicas, dos serviços públicos e da consciência adquirida com exemplos dados pelas classes governativas. Mas, realmente, quando não se tem consideração, respeito e admiração pelas pessoas que deviam dar bons exemplos a adopção de medidas de higiene e de prevenção da saúde, só pode conseguir-se mostrando o bastão da autoridade como confirmam as palavras mais recentes do MAI. E depois? Se baterem nos polícias e os chamarem racistas? Voltará tudo às palavras ditas pouco tempo antes.

Também não é lógico esperar dos cidadãos o rigoroso cumprimento dos desejos do Governo para a defesa da saúde e do funcionamento da economia, pois tem havido degradação do funcionamento do ensino, do respeito pelos professores por parte de alunos e familiares. Crianças e famílias têm sido mentalizadas por ideias anárquicas, com teorias insipientes e contrárias às boas tradições, aos bons conceitos éticos, e que conduzem à abolição do respeito pelas pessoas e pelos actos valiosos do passado histórico.

Toda esta degradação social é resultado da falta de uma estratégia da governação sem a qual o país tem que ir vivendo numa instabilidade permanente que desmotiva a aceitação de uma eventual boa ideia vinda do Governo.

Até porque a degradação geral traduzida na impunidade da corrupção, nas suspeições vindas a público de altos funcionários da Justiça, etc, etc, não estimula que haja confiança e respeito pelos altos responsáveis pela vida nacional.

A ausência de estratégia bem definida e actualizada é muito perigosa quando, de improviso, se quer esperar da PSP uma actuação para a qual não está preparada. A propósito de impreparação geral, vejamos a sucessão de frases ditas por duas altas personalidades ligadas à saúde, sobre o covid-19: Em Janeiro: «não temos que estar alarmados», «é um bocadinho excessiva a probabilidade de contágio entre humanos», «não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal»; Em Fevereiro: «é inevitável que o novo coronavírus chegue a Portugal», «no cenário plausível cerca de 21 mil casos na semana mais crítica, dos quais 19 mil ligeiros», «Dir… admite 1 milhão de infectados em Portugal», «estamos preparados»; Em Março: «“não houve tempo para formação” de profissionais de saúde, como na gripe A», «pior do que o vírus é o alarme na sociedade portuguesa», «se for preciso, em última análise, podem sempre recorrer à horta de um amigo».

Estas frases, além de insensatas, dão uma péssima imagem da competência de uma elite que devia cultivar o sentido de responsabilidade. O que se pode esperar das Forças de Segurança, nesta situação indefinida? Como vai punir quem não lava as mãos, quem cumprimenta com um beijo ou aperta a mão? Isto é que vai uma crise!!! Não podemos deixar de estar preocupados.


quinta-feira, 19 de março de 2020

O ENSINO DAS NOVAS GERAÇÕES

O ensino das novas gerações
(Public em O DIABO nº 2254 de 13-03-2020, pág 16)

O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem.

A propósito, num dos almoços semanais com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946- 47, no Liceu Nacional Alves Martins (que no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”.

Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras do professor tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos, ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz.

E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, em conversa, foi referida a alusão do nosso PR a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada. Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval, de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde se encontrava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano.

Todos os barcos estão controlados pela ONG, ao serviço de capitalista internacional que os financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada ‘a priori’ a posição do Governo italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado, estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêm ameaçada a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. O Saber não ocupa lugar e surge de casos aparentemente insignificantes, que merecem ser bem ponderados. ■

A PROCURA DA VERDADE EXIGE SABER E SENSATEZ

A procura da verdade exige saber e sensatez
(Public em O DIABO nº 2255 de 20-03-2020, pág 16)

A difusão de palavras, de ideias, de doutrinas, não é suficiente para convencer pensadores ávidos do conhecimento e da verdade e, por maioria de razão, para esclarecer as pessoas menos sabedoras. É certo, porém, que os menos conhecedores e mais carecidos de inteligência podem ser enganados e iludidos, temporariamente, mas depressa se poderão mudar para outro propagandista ou falso profeta.

Ora, se não bastam palavras, ideias ou doutrinas para convencer as pessoas, de que maneira se devem conduzir estas a aderir a uma corrente de pensamento ou a uma doutrina científica ou social? Há argumentos imbatíveis: os da realidade, da verdade dos factos, das realizações claras e iniludíveis que não podem ser desmentidas. Perante isso, os nossos políticos, principalmente alguns jovens, pouco documentados de forma multifacetada, que procuram destruir os feitos dos nossos heróis históricos, os valores do nosso passado nacional, e pretendem baralhar os espíritos mal preparados sobre género, racismo, escravatura e sobre falácias “doutrinárias” sobre direitos, estão condenados ao insucesso e ao descrédito, sem o futuro que ambicionam.

Por exemplo, em vez de usar palavras, ideias e opiniões sobre a diferença entre os últimos 45 anos e igual período imediatamente anterior, será mais convincente preparar uma lista verdadeira das realizações concretizadas em cada um dos períodos, em obras públicas, de interesse nacional, das reformas efectuadas nos principais serviços públicos de defesa, de segurança, de saúde, de justiça, etc. E, depois, podem fazer-se comparações verdadeiras e honestas, com base em decisões, acções, realizações, e evitar palavras balofas e intencionalmente enganadoras.

Para se formarem opiniões bem estruturadas e fundamentadas é indispensável ter em consideração todos os aspectos reais, aceitando cada caso na sua individualidade, sem desprezar pormenores, porque cada facto tem a sua particularidade, devendo ser considerado diferente dos outros. Tal como cada pessoa tem o seu ADN próprio, também as realidades materiais e sociais são diferentes, e devem ser aceites tal como são, com vantagens e inconvenientes, embora as diferenças possam ser tomadas em apreço quando decidido o seu aproveitamento. Esta realidade é tida em consideração na preparação da decisão, no momento em que se faz a listagem de possíveis soluções, sem desprezar as que possam parecer disparatadas; como dizia um grande mestre aos seus instruendos e, depois, colaboradores, “durante 5 minutos a asneira é livre”. Mas ao analisar cada uma, respeitando as suas características, a maior parte das possíveis hipóteses é afastada para se escolher a que contém mais vantagens e menos inconvenientes, e que garanta a melhor eficiência na acção a desenvolver.

Na escolha da modalidade ou de qualquer das suas particularidades há que fazer um esforço para evitar cair na tentação da precipitação em defesa de um ou outro pormenor, porque tal imponderação é própria de ignorantes que se consideram possuidores da verdade. O sábio só tem dúvidas enquanto o ignorante só tem “certezas”, mesmo que ao ser perguntado por argumentos não vá além de “porque sim”. As dúvidas têm a força de exigir mais análise e estudo, aspectos que definem a busca de sabedoria que caracteriza o sábio. O comportamento mais positivo nos variados aspectos da vida ou da realidade assenta na ponderada procura da verdade, isto é, na atenção dada a todos os pormenores, não menosprezando nenhum, a fim de a decisão nada ter de casual e assentar em bases concretas. Mas, mesmo assim, nada deve ser considerado definitivo, porque na natureza tudo muda e, após a decisão, não se deve ficar surpreso quando surgir necessidade de pequenos ajustamentos, normalmente devidos a alterações ambientais que valorizam mais um factor do que outro. Enfim: penso, logo existo; observo, logo aprendo.

Ao meditarmos neste tema devemos recordar a “decisão” de mudar o Infarmed de Lisboa para o Porto, depois anulada, a decisão de construir o terminal de contentores no Barreiro, já anulada, as sucessivas tentativas de reforçar o aeroporto de Lisboa com solução na Ota, em Alcochete, em Alverca, no Montijo, em Beja. Se não houver uma decisão válida, ainda podemos ver a interdição do aeroporto de Lisboa que está a lesar seriamente os seus moradores por ser a 2ª cidade europeia martirizada pelos ruídos dos aviões nas descolagens. ■

sexta-feira, 6 de março de 2020

UM NOVO NAPOLEÃO!!!


Um novo Napoleão!!!

A CEE - Comunidade Económica Europeia - foi uma organização internacional criada por um dos dois Tratados de Roma de 1958 com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu para manter bom entendimento entre os maiores estados europeus cuja luta de interesses, principalmente entre a França e a Alemanha, tinha conduzido a guerras devastadoras como foram as de 1914-18 e da 1939-45. Depois, a CEE deu lugar à UE que prometia conduzir a algo como uma confederação de Estados que faria frente ao binómio EUA e Rússia e contribuiria para evitar novas guerras mundiais de efeitos tão destrutivos como as mais recentes.

Mas agora a França, dirigida por um jovem com mais ambição do que prudência, sensatez e experiência, quis imitar a grande figura histórica de Napoleão e está a defrontar o seu velho rival, Estado alemão, querendo impor a sua ideia de reformas na Europa e do ritmo da sua activação e manifesta a sua impaciência por a entidade correspondente da Alemanha não o acompanhar nesta iniciativa. Ora a União Europeia não foi criada para que o continente obedeça rápida e cegamente a caprichos de um país, mesmo que seja um dos cinco ditadores do Conselho de Segurança da ONU com assento permanente, direito de veto e detentor de arma nuclear.

A UE, mais do que um simples Estado soberano, deve tomar atitudes e decisões de forma muito cuidadosa, depois de estudar os temas e de os discutir com consultores idóneos e independentes, a fim de conseguir o objectivo de desenvolver a economia, o património e o prestígio do continente em todos os setores e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para tal finalidade, interessa que todos os países membros estejam em concordância, sem imposições forçadas por qualquer deles.

Para isso, a imposição de estilos dominadores de tipo napoleónico, é desaconselhável. E devem ser bem controlados os perigos de atritos com a Alemanha, pois foi esse o motivo que levou à criação da União. A chanceler alemã tem divergências de Macron sobre o rumo da União Europeia e sobre as reformas políticas, económicas, sociais e militares de que a Europa precisa. E parece sensata ao discordar da sugestão do seu vizinho, nomeadamente quendo ele refere interesse na parceria quanto a poder nuclear. Este poder, altamente perigoso, está a ser evitado para países que ainda o não possuem e os cinco poderosos da ONU deviam, com urgência, planear o seu desmantelamento sob a observação de uma equipa independente votada em Assembleia Geral da ONU e, depois, criar forma de controlo e de sanção para evitar a montagem de tais armas exageradamente destrutivas, em qualquer ponto do planeta.

A estratégia nuclear diz que o primeiro ataque é dirigido a locais de armazenamento de tais armas do inimigo e este responderá, com as que não forem destruídas, contra as principais cidades do adversário. Se uma arma actual já tem efeitos incalculáveis na humanidade, como ficará esta depois de um tal diálogo atómico?. Não se esqueçam os danos da explosão de uma pequena central eléctrica nuclear em Chernobil. E não se tratou de potente arma atómica.

E assim ficamos cientes de que Emmanuel Macron, ao querer transformar a Europa numa potência militar semelhante à dos EUA, está a destruir qualquer esperança de evitar no mundo uma guerra destruidora em vez de procurar que os Estados se mentalizem a resolver pacificamente as suas dificuldades, pelo diálogo e a negociação. Pois, se ele nem sequer é capaz de dialogar eficientemente com a sua vizinha Alemã!

Perante estas dificuldades de a UE chegar a um bom entendimento da gestão dos assuntos actuais e da preparação de um futuro bem estruturado, todos os europeus têm motivo para viver preocupados, impacientes e frustrados quanto ao futuro do Continente e da sua colaboração para um Mundo melhor. Com estas perspectivas, não admirará que mais Países comecem a seguir o exemplo da Inglaterra, com o seu Brexit. Calma Macron!


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

CEGOS GUIADOS POR LOUCOS

Cegos guiados por loucos
(Public em O DIABO nº 2252 de 28-02-2020, pág 16)

Uma quadra do meu amigo José Caniné diz que a nossa vida está a ser dominada pelos fracos e os velhacos. Quanto a fraqueza, é maneira poética de esconder o vício da vaidade e da ambição, pois muitos dominadores são poderosos, sujeitos à pior droga que está a escravizar o mundo, tão forte e perigosa que nem exige cuidado para evitar a overdose, pois o dinheiro (como ela é conhecida) não implica esse perigo por poder ser consumida em quantidade ilimitada, havendo muitos drogados com ela que gostam de a acumular sem olhar ao montante.

Mas há também quem diga que o mundo é uma multidão de cegos guiados por loucos. E esta frase merece ser bem meditada e analisados os seus condicionamentos.

Comecemos pelos órgãos da Comunicação Social que, há cerca de 70 anos, eram um factor de instrução e cultura que ampliava o saber adquirido na família, nas escolas e na observação da vida real. Recordo, de entre muitos outros programas instrutivos; o do Engº Sousa Veloso que ensinava aspectos úteis e práticos da actividade agrícola de forma a tirar dela os melhores resultados conforme a ciência que ele bem dominava; o programa do professor doutor Vitorino Nemésio que, com os seus ensinamentos de história e cultura social, nos deixava convictos de ficamos mais elevados na categoria social; o programa de José Megre, que nos ensinava os cuidados a ter na condução automóvel de forma segura e cuidadosa, criando a esperança de regressarmos sãos e salvos e com o prazer de uma boa viagem; o programa de Edite Estrela, que ensinava ortografia e redacção e nos ajudava a interpretar o que líamos e a escrever de forma correcta as nossas ideias; etc, etc.

Mas tudo isso acabou. Já nada existe. E os próprios jornalistas são vítimas da falta de tais programas dedicados à cultura e ao uso do nosso idioma, como se vê em artigos publicados por jornais e empresas de rádio e de TV, em que se encontram erros de palmatória quer na estrutura das frases, quer na ortografia e palavras desconjuntadas com letras em falta ou trocadas, etc. Mas o que é mais grave é a qualidade dos programas que repetem as frases dos dias anteriores martelando coisas que se tornam maçadoras como eutanásia, coronavírus, racismo, nos intervalos de futebol, telenovelas e outras banalidades que servem apenas para evitar que os telespectadores ou ouvintes pensem nos problemas que os envolvem e que bem precisam de ser meditados, compreendidos e resolvidos.

Dá a impressão de que há uma intenção premeditada para tornar as pessoas estúpidas ou cegas e ignorarem os graves problemas sociais ligados à Saúde, Justiça, ensino e outros serviços públicos e, com tal guerra psicológica, deixem de reagir e reclamar. Mas a degradação mental dos portugueses nada traz de positivo para as gerações futuras e para o prestígio de Portugal no convívio internacional.

Acerca de tal degradação, em relação ao ensino, recordo um programa de quando ainda via alguma TV, em que as pessoas iam responder a uma pergunta e se habilitavam a um prémio. A candidata disse que era finalista de Direito na Universidade de Coimbra e que pretendia doutorar-se e ser catedrática. A pergunta era: qual o rio que passa em Leiria de entre os seguintes: Tejo, Lis e Ave. Ela, sem hesitar muito, disse que deve ser o Tejo. O apresentador tentou ajudar de várias formas. Uma foi dizer que o Tejo passa em Lisboa, Santarém e Abrantes. Ela continuava com a sua inclinação. Ele perguntou se já tinha ido a Leiria e ela respondeu que já lá tinha passado (talvez pela autoestrada). Acabou o diálogo a dizer que é o Tejo e não ganhou o prémio. No ensino de há 7 décadas saíamos da escola primária a saber todos os rios e seus afluentes e a conhecer as linhas férreas e todas as estações e apeadeiros.

Como sensibilizar a população para colaborar no desenvolvimento do País? Muitos políticos, tal como a candidata a catedrática de Direito, só conhecem o Terreiro do Paço e a TV já não ajuda. ■

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

ALTERAÇÔES CLIMÁTICAS

Aterações climáticas
A menina Greta, sueca, pouco conhecedora da ciência que se dedica aos climas e à astronomia, parecia pretender que os humanos deviam evitar as alterações climáticas. Mas, nada foi nem podia ser feito e vemos o nosso clima a ter a mesma variação desde há muito tempo, embora o eixo da terra se tenha inclinado mais um pouco em relação à linha Sol-Terra. O Sol não nasce exactamente a Leste, mas com um pequeno desvio para SSE. Mostro aqui duas fotos para se ver a diferença do nascimento do Sol entre os dias 6 e 19 do mês de Fevereiro de 2020, apenas em menos de duas semanas, há grande diferença em relação à árvore e ao edifício. Garanto que a máquina foi disparada na mesma janela.



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O AMBIENTE DEVE SER RESPEITADO

O Ambiente deve ser respeitado
(DIABO nº 2251 de 21-02-2020, pag 16. Por AJS)

Gosto de apreciar uma boa ideia, bem intencionada para o engrandecimento de Portugal e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, mesmo que ela venha de pessoa com quem nem sempre se concorde. Mas ninguém é perfeito e toda a pessoa pode ter valores positivos que se sobreponham a defeitos mesmo que dificilmente toleráveis. E, assim, quando de tais cabeças sai uma boa sugestão para “bem da Nação”, não devemos deixar de lhe dar reconhecimento.

Vem isto a propósito do desconforto e até perigo de depósitos de lixo a céu aberto, por vezes, de forma difícil de compreender, vindo de países aparentemente mais civilizados e que abusam da nossa pobreza, não apenas económica mas também de espírito. As palavras de Catarina Martins não foram originais, nem inovadoras, porque já na semana anterior viera a promessa de que “Governo vai suspender e rever licenças de aterros” mas, pela sua influência no funcionamento da “geringonça”, espera-se que consiga que esta “intenção”, ou apenas promessa do Governo, venha a tornar-se realidade e que fiquem bem encaminhadas, quer a legislação que for criada quer as acções consequentes, abrangendo o ajustamento das taxas de gestão de resíduos, quer a melhor eficácia das formas de fiscalização tanto a nível municipal como, superiormente, na supervisão governamental.

Trata-se de um aspecto muito importante da vida nacional, pois o ambiente deve merecer o máximo respeito e cuidado dos poderes políticos, ao mais alto nível (Poder Executivo), nomeadamente no que respeita à gestão do lixo que, se não for devidamente tratado, provoca odores desagradáveis e poluição visual e infecciosa altamente incomodativa. Quem teve contacto estreito com regiões rurais conhece concretamente os incómodos do amontoado de resíduos quando excede volume chocante.

Por outro lado, os lixos arrastados pelas chuvas e pelas correntes fluviais, acabam por ir parar ao mar, criando ilhas de detritos que resistem muito tempo ao efeito destrutivo da água, são reduzidos a micropartículas, ingeridas por peixes que depois as trazem para a nossa alimentação, se eles não sucumbirem ao efeito delas nos seus organismos. A má localização dos montes de resíduos pode produzir a contaminação de veios aquíferos que sirvam de abastecimento de nascentes aproveitadas para água utilizada, directa ou indirectamente, para alimentação humana ou de animais que venham a ser destinados a esse fim.

O Ambiente, na realidade, constitui a visão que nós temos da Natureza em que vivemos e será sempre muito agradável gostarmos de apreciar as suas belezas espontâneas, deslocarmo-nos nelas e desenvolvermos actividades profissionais ou recreativas no seu espaço, ou cultivando jardins ou culturas de plantas ornamentais ou próprias para alimentação e devidamente isentas de matérias impróprias.

Não é necessário referir espécies de detritos impróprios para ficarem expostos à vista de cidadãos respeitáveis (que devem ser todos). Ninguém gosta de ter próximo de casa uma latrina mal cheirosa. Por isso, há que definir o que são “aterros sem condições” e “que prejudiquem a vida das populações vizinhas” e que efectuar fiscalizações, “a sério”, responsáveis e frequentes, dos aterros autorizados. Convém que o Governo cumpra rigorosamente esta sua promessa de que “vai rever as regras para estes aterros e para a importação de lixo”. E, quanto a esta, há que reavaliar o interesse de tal negócio e quais os seus benefícios para o crescimento da economia, para a melhoria da qualidade de vida das populações e para o prestígio internacional do nosso País. Talvez haja indústrias nacionais interessadas na importação de resíduos específicos que possam servir para reciclagem e construção de novos materiais mas, em tal caso, haverá que evitar que os resíduos úteis venham acompanhados de grande quantidade de outros que apenas tenham inconvenientes.

Nisto como em tudo o mais, qualquer decisão deve ser previamente bem analisada, para não acontecer, mais uma vez, a anulação de leis e directivas após poucos dias de existência, o que nada prestigia os governantes ou os directores de serviços públicos. ■


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

DESTINO DO DINHEIRO DOS IMPOSTOS

O destino do dinheiro dos impostos
(Public em O DIABO nº 2250 de 14-02-2020, pág 16. Por A J Soares)

No início do mês de Dezembro de 2013, o Governo anunciou que tinha necessidade de mais poder financeiro e que ia aumentar as percentagens de IRS e de IRC. Levantou-se logo a voz na TV e por escrito do grande empresário Alexandre Soares dos Santos, a defender que essa não seria a melhor solução e que seria mais correcto o aumento do IVA, visto que sairia do bolso das pessoas de forma menos sensível em pequenas fracções, de forma menos chocante.

Houve quem atacasse esta proposta – fi-lo em artigos de blog – porque os impostos directos são mais justos, racionais, morais, porque são proporcionais ao rendimento colectável dos contribuintes, enquanto que o IVA é calculado em função da despesa feita e de forma igual para qualquer cidadão, quer a compra seja feita por um milionário quer por uma pessoa pobre que apenas compra um pão para matar a fome ao filho.

Mas as pessoas bem pensantes e sensíveis às realidades das populações depararam com o facto de estar em jogo o aumento do dinheiro público à disposição dos políticos e com o interesse dos milionários existentes e daqueles que desejavam vir a sê-lo, isto é, que seguiam a carreira política com tal finalidade. E, para esse efeito, achavam mais eficaz a prioridade dada aos impostos directos generalizados a todos os cidadãos, mesmo aos de mínimo poder de compra. E isto começou a ser mais evidente com o fisco, usando de boa técnica de parasitas ou sanguessugas, com o aumento muito diversificado de novos e variados pretextos para criar mais taxas e taxinhas, sempre em quantidade crescente.

E para quê? Qual tem sido o efeito de tanto dinheiro sacado aos portugueses? Que aumentos tem havido no património nacional e na qualidade de vida dos cidadãos que não beneficiam do compadrio partidário? Tem havido sugestões para se criarem listas dos melhoramentos nos tempos do actual regime e em igual período imediatamente anterior, mas desistiram perante a diferença chocante entre as extensões das duas listas. Enquanto antes, com menos impostos, se construíram escolas em muitas aldeias, casas de cantoneiros, casas para guardas florestais, hospitais, palácios da Justiça, quartéis para militares e para forças de segurança, etc, etc, depois do 25-A deparamos com a degradação dos serviços públicos essenciais como, por exemplo, o da saúde, etc.

Mas temos uma multidão de deputados e de ministros e secretários de Estado, todos bem servidos de colaboradores, bem pagos com mordomias de estilo milionário, que desenvolvem actividade mais de aspecto turístico e de propaganda de imagem do que de efeito positivo para o desenvolvimento do país e da qualidade de vida dos cidadãos mais desprotegidos. Até os agentes das forças e segurança, indispensáveis para manter a paz e a ordem, no respeito pelos governantes, são por estes desprezados com abomináveis palavras pronunciadas publicamente.

Afinal, qual é o resultado do dinheiro que nos é sucessivamente sacado, cada vez em maior valor? Tomo a ousadia de transcrever esta pequena mas significativa frase extraída da pág 4 do nº 2248 deste semanário: “parto da realidade de que, ao longo das últimas duas décadas, Portugal sofreu um forte atraso no seu processo de desenvolvimento em relação aos outros países europeus, que a economia portuguesa estagnou com base num modelo económico errado de duas economias divergentes e no privilégio do mercado interno, os dois elementos que mais impedem o crescimento económico e o progresso social”.

Basta, chega de tanto sacrifício. Precisamos de mudança, de reformas que activem as energias dos portugueses e que elas sejam devidamente aproveitadas para a recuperação da imagem correspondente ao prestígio e ao valor que os nossos heróis deram a Portugal, durante séculos de indiscutível grandeza.■


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

AS ARMAS SÃO FERRAMENTAS DE MORTE

As armas são ferramentas de morte
(Public em O DIABO nº 2249 de 07-02-2020, pág 16, por A J Soares)

Tenho aqui defendido que a violência provoca maior violência a qual, em vez de resolver o problema existente, o agrava numa escalada com graves efeitos sobre as populações e os patrimónios. É certo que quando a violência excede limites suportáveis pode abreviar a paz, mas é uma paz azeda e que gera ódios e desejos de vingança que apenas espera oportunidade para a sua concretização. Isso vê-se no avanço e recuo de fronteiras e de retaliações muitas vezes em forma de terrorismo. Há muitos exemplos nos continentes asiático e africano.

Mas, entretanto, surgem palavras sensatas que deviam ser elogiadas e apoiadas para se tornarem realidade e servirem de estímulo a muitas acções de diálogo e negociação e evitarem violências. Neste momento, tenho na frente as palavras de Erdogan, Presidente da Turquia, acerca da crise na Líbia, que deve evitar os “meios militares”, consolidar o cessar-fogo e procurar solução pacífica recorrendo a mediadores por forma a ser criado o melhor entendimento possível, por forma a ser continuado da melhor forma. E Erdogan tem memória recente dos custos da sua intervenção nos conflitos na Síria.

Em vez de envio de unidades militares, como vem sendo hábito de americanos, para “ajudar a resolver conflitos”, a ONU deve criar equipas de diplomatas bem treinadas na mediação, para ajudar as partes de conflitos a encontrarem solução pacífica sem perda de vidas nem danos patrimoniais. Essas equipas não devem impor soluções, mas sim ajudar as partes a chegarem a entendimento, com equilíbrio de cedências de parte a parte sempre de forma cordata. É preferível uma paz menos vantajosa que o desejado, a uma guerra demolidora e geradora de ódios e desejos de vingança. Também tem havido atitudes pacifistas semelhantes à de Erdogan, vindas de Putin e da China, e é pena que o conflito Irão/EUA se mantenha aceso com tendência de agravamento entre dois contendores demasiado teimosos e persistentes no mau uso das armas.

No dia 26 de Janeiro, cinco rockets ‘Katyusha’ explodiram, junto à embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, no Iraque. E seis dias antes aconteceu o mesmo com vários mísseis. E no dia 8 foi abatido um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo poucos minutos depois de descolar na capital do Irão, alegadamente por erro de quem operou os mísseis. As explosões de mísseis junto à embaixada americana parece não terem causado mortes, mas o resultado mais natural é a quantidade de baixas e de estragos materiais.

Embora isso não agrade à potente indústria militar, a ONU deve esboçar um movimento, por si e com a ajuda de organizações pacifistas, para abolir as armas mais perigosas nas panóplias militares e fomentar uma orientação de fundos para apoiar as medidas pacíficas de resolução de conflitos e de, com tais economias, apoiar as populações mais carentes dos Estados que aceitem a resolução pacífica pelo diálogo e pelas negociações e concretizem um relacionamento totalmente aceitável de que parta uma cooperação amigável em sectores tradicionais de tais povos com vista à exportação no melhor ambiente de comparticipação.

Nesta fase de revisão do esboço, deparo com notícias sobre as negociações entre israelitas e palestinianos com vista à criação de dois Estados e vejo com prazer posições positivas do Secretário-Geral da ONU, de Putin e do rei saudita que defendem uma solução realista de dois Estados, com a aceitação do nascimento de um estado palestiniano, bom relacionamento entre vizinhos e uma clara rejeição do terrorismo. Para isso não deve prevalecer a imposição de uma solução por uma potência amiga de uma das partes que não seja aceite pela outra parte. Como na amizade entre pessoas, os Estados devem respeitar as idiossincrasias do outro e evitar desentendimentos, estando sempre dispostos a dialogar com vista a uma convivência pacífica e evitando o uso das armas, que são ferramentas de morte. ■

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

ERRO IMPERDOÁVEL OU CRIME ABOMINÁVEL!

Erro imperdoável ou crime abominável!
(Public em O DIABO nº 2248, pág 16, de 31-01-2020, por A João Soares)

Na sequência do texto da semana anterior em que referi o abate de um avião ucraniano, no dia 8, dois minutos após a descolagem, num terreno agrícola perto e a sudoeste da capital do Irão, morrendo toda a tripulação e passageiros no total de 176 pessoas, é oportuno começar a olhar para as notícias com alguma curiosidade.

Inicialmente, as autoridades iranianas apontaram para a existência de problemas mecânicos. Foi também salientado que o acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases utilizadas pelo exército norte-americano, em Ain Assad e Arbil, no Iraque, numa “operação de vingança” pela morte do general iraniano Qassem Soleimani. A Autoridade da Aviação Civil do Irão contraria esta versão e disse na sexta-feira, dia 10, ter a “certeza” de que o Boeing “não foi atingido por um míssil”.

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia anunciou que uma equipa de 45 especialistas ucranianos que estão no Irão para investigar a queda obtiveram, por parte das autoridades em Teerão, acesso às caixas negras do avião abatido, e estava convicto de que “todas as informações vão agora ser analisadas”, para investigar as causas do despenhamento do Boeing 737. O secretário de Estado americano Mike Pompeo afirmou: “Acreditamos que é provável que este avião tenha sido abatido por um míssil iraniano”.

O presidente do Irão afirmou, no dia 11, que o país “lamentava profundamente” ter abatido um avião civil ucraniano, sublinhando tratar-se de “uma grande tragédia e um erro imperdoável”. Hassan Rohani admitiu que “o inquérito interno das forças armadas concluiu que lamentavelmente mísseis lançados por engano provocaram a queda do avião ucraniano e a morte de 176 inocentes”.

Depois de as forças armadas terem igualmente reconhecido que o avião foi abatido por erro, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano apresentou “as desculpas” do país pela catástrofe do Boeing 737 da companhia Ukrainian Airlines. E acrescentou que um “erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo norte-americano levou ao desastre”.

Depois, a televisão estatal noticiou que o governo iraniano admitiu no dia 11 que o avião ucraniano que se despenhou na quarta-feira, dia 8, em Teerão, matando todas as 176 pessoas a bordo, foi abatido inadvertidamente por militares iranianos, atribuindo o derrube do aparelho a um erro. Até este dia, o Irão tinha negado que um míssil fosse responsável pelo acidente. E os serviços de segurança americanos afirmaram que o acidente foi causado por um míssil iraniano. O responsável por este erro deve ser apresentado à justiça militar e devem ser feitas reformas para tornar impossível a repetição de tais erros.

Mas… no dia 19, notícia iraniana revelou que o Irão recuou na intenção de enviar para análise as gravações da caixa negra do avião ucraniano para que sejam sujeitas a análises adicionais. O chefe da investigação, Hassan Rezaeifar, afirmou que os registos do voo estão na posse do Irão, que tenta recuperar dados e gravações da cabine de voo, e que não há, no imediato, quaisquer planos para os enviar para análise externa. A informação é avançada um dia depois de ter sido noticiado que o Irão iria enviar para a Ucrânia as gravações, com Rezaeifar a explicar que não era possível ler as caixas negras no Irão sem ajuda. Mas dia 20 Kiev insistiu querer a devolução das caixas.

Passados mais de dez dias, em avanços e recuos, será que houve um erro imperdoável ou um crime abominável, uma operação de vingança mal calculada e preparada na escolha do alvo? Sugiro rigorosas medidas internacionais adequadas, de aplicação minuciosamente controlada, para garantir a segurança dos voos comerciais, ou oficiais garantidamente inofensivos. E estabelecer um limite de altitude para projécteis ou mísseis. Modernize-se a resolução de conflitos para terminar com a indústria da morte de que os militares fazem uso perigoso, como se conclui desta tragédia. ■

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

AVIÃO ABATIDO POR ERRO

AVIÃO ABATIDO POR ERRO
(DIABO nº 2247 de 24-01-2020, pág 16, por A João Soares)

As forças armadas iranianas reconheceram que o avião ucraniano com 737 pessoas a bordo foi abatido por erro, por mísseis, poucos minutos após a descolagem de aeroporto de Teerão. Pode ter acontecido uma decisão precipitada, com confusão de alvo em ambiente de tensão diabólica, de desejo de vingança ou de retaliação relacionado com o acto que matou o general iraniano Qassem Soleimani.

Também pode ter havido um improvável erro na manipulação do míssil que, por acaso, estivesse apontado a local cuja rota cruzava com a do avião que ia a passar. Ou pode ter acontecido que os mísseis estavam a ser utilizados “correctamente” contra alvos bem escolhidos, segundo as intenções estratégicas decididas e, por infelicidade dos passageiros, as rotas de tais armas e do avião se tivessem cruzado no ponto e momento fatal.

Estas várias hipóteses de possível explicação do acidente, que vitimou mais de sete centenas de pessoas inocentes, levam a meditar na necessidade de disciplinar e regulamentar as limitações do uso do espaço aéreo por forma que, à semelhança das condições de segurança criadas pelas auto-estradas para o trânsito rodoviário, se criem condições para a segurança da aviação comercial no espaço aéreo. O ideal seria impedir a utilização do espaço aéreo por meios não destinados ao transporte de pessoas e cargas materiais, tal como é proibido que pessoas e viaturas atravessem as auto-estradas com risco de poderem colidir com os veículos que se deseja poderem transitar com o máximo de segurança e o mínimo de perigo.

Isso teria variações que iriam da total ausência de intrusos à volta de aeroportos, como já está legislado para os drones, de maneira a evitar acidentes com aviões após descolagens e antes de aterragens, e também limitação de altitudes de aviões pequenos e objectos voadores ao longo de rotas convergentes para os aeroportos. Mas não podemos esquecer que os aviões, mesmo voando a grande altitude, não estão livres de ser atingidos por aviões militares, tripulados ou de controlo remoto, ou por mísseis.

E estas últimas considerações podem conduzir a soluções de difícil aplicação pois colocam em dúvida se deverá ser interdita a aeronáutica militar e a eliminação de mísseis, o que viria contrariar interesses de poderosos sem preocupações humanas e unir-se à proibição de armas nucleares, o que não seria aceite pelos membros de lugar cativo no Conselho de Segurança da ONU, com direito de veto e que se consideram senhores com autoridade para caprichos como o de possuírem armas de destruição maciça (que proíbem aos outros) e que tornam cada vez mais sofisticadas. Portanto eles, no seu cargo, não usam normas democráticas, nem sensibilidade para as vidas e a Natureza e se consideram donos do mundo com autoridade para imporem aos outros comportamentos de obediência e tolerância que recusam para os seus Estados, como lhes é permitido pelo direito de veto.

Esta reflexão quase que conduz à decisão de que o espaço aéreo deve ser reservado a actividades não militares e que não representem perigo para pessoas e haveres, portanto, contribuindo para uma Humanidade a viver em harmonia e paz. Seria um passo muito significativo para uma vida de paz com convivência pacífica dedicada à solidariedade, à ciência e ao progresso social e económico. Porém, desagrada aos militares pilotos e técnicos das artes de aeronáutica e traz dificuldades ao combate aéreo a incêndios florestais e ao apoio de saúde a situações de urgência em locais mal servidos por via rodoviária. Mas a maior oposição a esta ideia virá dos grandes interesses de quem procura enriquecer sem pensar nos males que podem resultar para a Humanidade, colocando à sua frente a ambição de poder, de vaidade e de notoriedade.

Mas este caso da perda de um avião e da morte de 737 pessoas inocentes de qualquer culpa relacionada com a tragédia deve dar azo a séria e profunda meditação. ■


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

PAZ E HARMONIA EXIGE RESPEITO PELAS PESSOAS


Para haver PAZ E HARMONIA SOCIAL tem que haver RESPEITO PELAS PESSOAS

Consideração pelos outros.

Recebi um post sobre uma sociedade em que as pessoas agem com os outros em pensamento, ao invés de pensar apenas em si mesmas.

Por exemplo, algo simples, como deixar as pessoas passarem na escada rolante.

Em muitos países, existem riscos e sinais de trânsito e as pessoas continuam não obedecendo.

Nesta sociedade, toda a gente faz automaticamente a coisa certa para tornar a vida mais fácil para todos os outros. E é assim com tudo.

Você pode cochilar num metro lotado, porque as pessoas estão quietas.

Você pode desfrutar de ruas limpas porque as pessoas não sujam.

Você pode se sentir como uma realeza porque as pessoas irão atendê-lo com um sorriso e reverência.

A cultura do respeito cria uma atmosfera incrivelmente segura que leva a milagres modernos.

Num café movimentado, você pode deixar o seu telefone ou laptop e não será roubado.

Você pode estacionar a sua bicicleta lá fora, e ela continuará lá quando você voltar. Mesmo que alguém possa sair com ela, no Japão, isso simplesmente não acontece.

Você pode até encontrar motos na rua com as chaves na ignição.

Quando você cultiva uma sociedade onde as pessoas estão conscientes dos outros, a vida é melhor para todos.

É uma lição todo o mundo deve aprender para vivermos em PAZ e HARMONIA

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PAZ E HARMONIA EM VEZ DE VIOLÊNCIA E GUERRA

Paz e harmonia em vez de violência e guerra
(Public em O DIABO nº2246 de 17-01-2020)

Sua Santidade o Papa Francisco, após a escalada da tensão entre EUA e Irão perante o assassinato do General iraniano Qassem Soleimani efectuado por um drone no aeroporto da capital do Iraque, apelou ao «dom da paz». Ele sabe que violência gera mais violência e esta pode ter sido reacção a um cerco demorado à embaixada americana no Iraque que levou Trump a decidir enviar mais 750 militares americanos. No entanto a escalada de violência nada traz de bom porque o «dom da paz» conseguida por meios pacíficos é a mais desejada solução pelos resultados imediatos e os que surgem como consequência. Se um acto terrorista levado a cabo por um bando de marginais gera repulsa, o acto realizado por pessoas responsáveis e com meios mais sofisticados, cria um asco que nos faz detestar grandes responsáveis por grandes potências e deixar de ter consideração pelos mais altos políticos que perdem dignidade ao desprezarem vidas humanas.

A paz constitui um bem impagável ao contrário da guerra que além de gastos, traz violências exageradas que afectam as duas partes envolvidas a ponto de, no fim, nenhum dos lutadores poder considerar-se vencedor por ter tido mais custos, perdas e despesas do que os eventuais benefícios adquiridos. A negociação em vez da guerra poupa sacrifícios de bens e vidas e resulta num ambiente de harmonia muito vantajoso, se forem dominadas as ambições e vaidades de mentes mal formadas. Já vai sendo frequente saírem de altos responsáveis por grandes potências ideias defensoras de soluções pacíficas para qualquer tipo de atritos e de mal-entendidos, antes de serem objecto de tentativas violentas.

Já aqui publiquei vários textos a abordar este problema que, embora não referissem o «dom da paz», estão muito convergentes com as palavras do Papa e já houve amigos que, em conversa sobre o tema sugeriram que os altos dignitários dos Estados, antes de se candidatarem a eleições ou nomeações, deviam ser submetidos a exames psicotécnicos, como acontece em alguns sectores da vida pública, para garantirem que não sucumbem a tentações de vaidade, ambição, corrupção que se sobreponham à defesa das populações e dos autênticos interesses nacionais.

A procura da paz e da harmonia social entre as pessoas e entre os Estados deve ter a mais alta prioridade para bem de todas as pessoas, de toda a Humanidade, por se tratar do melhor tesouro da existência humana. O diálogo aberto, o compromisso, a solidariedade, são o resultado desse bom comportamento ético, moral e social.

A comunicação social erra ao criar a impressão de que todos os países estão em conflito e «guerra», mas «a ONU (Organização das Nações Unidas), que foi fundada em 1945, com o compromisso de manter a paz e a segurança internacionais, fomentar as boas relações entre as nações, promover o progresso social, melhores condições de vida e direitos humanos», deve fazer todo o esforço possível para garantir a paz global. No entanto, convém que o Conselho de Segurança pratique a democracia na sua constituição e deixe de ter o «privilégio» de cinco membros todo poderosos que o transformam em ditadura, com a sua posição vitalícia, poder de possuir as armas nucleares que devem ser totalmente proibidas e de terem direito de veto em qualquer decisão da Instituição.

A paz autêntica não se obtém com envio de forças militares para lutar contra outros interesses em países pequenos, como se tem verificado no Médio Oriente e em alguns Estados da Ásia e da África. Cabe à ONU a missão de procurar tornar a Humanidade mais moral e ética, respeitadora dos direitos dos outros e tolerante de religiões, tradições e outras características de etnias, desde que não ofendam terceiros.

Como seríamos todos mais felizes se os principais líderes mundiais usassem de mais harmonia e colaboração para o bom entendimento mundial como família humana!

Bendito o Papa que apelou ao «DOM DA PAZ»

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ANO NOVO, VIDA NOVA. NOVOS PLANOS E PROJECTOS.

Ano novo, vida nova. Novos planos e projectos
(Public em O DIABO nº 2245 de 10-01-2020)

Vi no Facebook os votos de uma bisavó para um bisavô que queria conformar a aceitar as dificuldades da vida com as seguintes palavras «Ano Novo com muita saúde, o resto a gente corre atrás!».

Embora compreendesse a boa intenção da senhora, não gostei, porque a vida é luta e esta época deve ser de mudança, não devendo limitar-se a «correr atrás», a esperar por milagres. Mudar exige sensatez, observação e análise das realidades com vista à definição e realização de objectivos desejáveis para se conseguir melhoria das condições de vida. Nessa mudança devem ser respeitados os melhores princípios e os valores mais válidos aprendidos em tempos escolares e aprimorados pela experiência da vida, a fim de se esboçarem objectivos compensadores, do ponto de vista ético. Só chegaremos a locais para os quais saibamos caminhar cuidadosamente. Devemos evitar que a vida seja uma lotaria. Para podermos ter o prazer dos resultados de uma vida bem organizada e orientada da melhor forma.

Segundo um livro intitulado «entrevista com Deus», não devemos esperar milagres, porque estes seriam a negação da boa ordem em que o criador elaborou o Universo. Com efeito, cada um terá que agir da forma mais correcta porque os resultados dependem da maneira como se comportar para a obtenção do objectivo. Por isso, aquela oração sintética mas com significado: «Pai ajuda-me a merecer a tua ajuda».

Para uma mudança adequada tem que haver decisões ajustadas ao fim pretendido, seguindo com a melhor eficiência a metodologia já aqui exposta em diversas ocasiões, e que é aplicável aos indivíduos, às empresas e aos Estados. A estes, por maior razão, dados os elevados custos de erros ou imperfeições e das consequências para a população e para os interesses do património nacional.

Actualmente, existem situações degradantes e, em vez de serrem procuradas reformas para as remediar da forma mais construtiva, ouvem-se intenções de «continuidade» e palavras enganadoras destinadas a obter o conformismo e o impedimento de reacção das pessoas. Porém, surgem Estados em que o Poder é exercido correctamente, no sentido da recuperação dos mais altos valores de seriedade e de ética.

Por exemplo, no Vietname, onde a corrupção também se faz sentir, um tribunal sentenciou um ex-ministro a prisão perpétua num caso de corrupção que atingiu valores muito elevados e pelo qual foram também condenados a longas penas de prisão um outro ministro e uma dúzia de executivos, informou a televisão estatal. Foi acusado de receber subornos no valor de mais de dois milhões de euros para orquestrar a aquisição de um serviço de televisão digital em 2016 em nome de uma das principais operadoras de redes móveis no Vietname, quando era ministro da informação e comunicação. Ordenou a transação que envolvia a compra de 95% das ações de uma empresa por um preço inflacionado quase 10 vezes.

Também na Etiópia, a ex-presidente da companhia estatal de eletricidade da Etiópia integra a lista de 50 acusados de corrupção num processo ligado ao projecto da Grande Barragem do Renascimento da Etiópia, no Nilo Azul, relacionado com o desbravamento de uma floresta para facilitar este principal projeto hidroelétrico do país. Foi pressionada para abandonar a liderança da Ethiopian Electric Power (EEP) em Setembro de 2018, depois de enfrentar várias acusações de corrupção e má gestão de vários projectos energéticos planeados para Etiópia.

Estes são exemplos a seguir mas, entre nós, há promessas de moralizar a vida nacional, mas são mais as palavras e promessas do que os actos reais. Por exemplo, canta-se que o excedente orçamental "é positivo", mas esconde-se que o mesmo tem sido atingido "à custa de uma carga fiscal brutal". Por outro lado, prometem-se medidas preventivas para evitar inundações semelhantes às ocorridas recentemente, mas pouco depois um governante afirma que não se deve controlar o caudal dos rios. Em que devemos confiar? Que estudos, que planos, que projectos esperamos?

domingo, 5 de janeiro de 2020

PERIGO DE A TENSÃO ENTRE OS EUA O IRÃO PODER IR LONGE DEMAIS

Grupo jihadista ataca base militar no Quénia usada pelos EUA

Em 05-01-2020

NOTA: Os EUA iniciaram uma guerra surda que os obrigará a recolher a território nacional todo o seu potencial militar atualmente instalado no exterior. E será que o seu corpo diplomático não será afectado pela crise? Tudo tem fim e o poder de uma grande potência pode seguir a regra. O Mundo está a entrar na mudança prevista por muitos pensadores. E foi acelerada por uma insensatez de Trump. Oxalá me engane.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A FORÇA DA NATUREZA E AS FANTASIAS

A força da Natureza e as fantasias
(Public em O DIABO nº 2244 de 03-01-2020, pág 16)

Procuro ser cauteloso no consumo dos órgãos de Comunicação Social, por não os considerar merecedores de muita atenção e raramente encontrar neles elementos que contribuam para aumento de saber e conhecimento do mundo que nos cerca. Mas no dia 22, ao passar perto de um grupo sentado em frente à TV falando em voz alta adequada a surdos, vi que o ecrã, mais em pequenas frases do que em imagens da realidade, mostrava que chuvas torrenciais tinham provocado inundações dramáticas e os rios, mesmo os de reduzido caudal habitual, tinham atingido níveis imprevisíveis. Isto, poucos dias depois do último festival de propaganda da jovem sueca Greta contra as alterações climáticas, despertou-me a curiosidade de saber o que ela diria desta sucessão de depressões, se as consideraria como uma vitória da sua acção; e em caso contrário, o que deverá ser feito para evitar estes factos. A força da Natureza mantém-se independente de teorias fantasiosas e temos que ser cuidadosos e criteriosos para criar condições de adaptação que evitem o sofrimento de danos avultados, localizando as construções afastadas dos rios e ribeiros, desimpedindo da melhor forma os leitos fluviais e preparando as vias rodo e ferroviárias por forma a que evitem deslizes, abatimentos e outros tipos de estragos que as impeçam de cumprir a missão para que são construídas.

Prevenir é considerado, desde as civilizações menos letradas, preferível a remediar. A prevenção sensata é concretizada depois de boa definição do perigo a evitar e de ponderada aplicação de experiências já vividas, de técnicas ajustadas e de materiais bem escolhidos, enquanto a acção de remediar é, normalmente, improvisada no momento e usando medidas ocasionais, débeis e, por isso, pouco eficazes que raramente conseguem evitar danos avultados. Perante esta reflexão, e perante as teorias da Greta, não devemos desprezar estas pelo seu valor na defesa do Ambiente e no respeito pela Natureza, mas sem o exagero de querer impor a esta os nossos interesses. Estes devem manter a sua humildade de ter que suportar os imprevisíveis desígnios naturais.

Os factos mostram que a proximidade de rios ou de simples linhas de água, sendo estas apenas evidentes quando chove um pouco mais do que o habitual, deve ser evitada para construções duradouras e estimadas. As vias de trânsito nas suas proximidades ou nas suas travessias devem ser devidamente robustecidas para evitar acidentes graves. Quanto a habitações, há que prevenir estragos de vidas e de património, o que exige aos mais arrojados arquitectos que reflictam nos limites a que podem chegar as suas fantasias, etc. E quanto a alterações climáticas, devemos estar preparados para lhes sobrevivermos, isso é, adaptarmos as nossas vidas por forma a resistir a um acidente real, da melhor forma possível, e prevenirmo-nos para suportar melhor a sua repetição. Segundo um Engenheiro muito esclarecido que ensinava geografia a idosos na UITI, aulas a que eu assistia sempre que me era possível, o globo terrestre é uma bola de líquido fervente, o magma, rodeada de uma fina camada sólida, que ele comparava à nata do leite fervente. A pouca espessura do solo, essa camada envolvente, cria situações de grande debilidade, manifestada pelos sismos, erupções vulcânicas, águas termais, outras manifestações de temperatura diferenciada e alterações da geografia, como a criação do oceano Atlântico e do continente sul americano e a separação que está em evolução na parte leste do mesmo continente africano, seguindo a bacia do rio Nilo.

Há quem diga que o degelo das calotes polares não se deve apenas ao calor vindo do Sol, mas também, em grande parte, à temperatura do magma transmitida através da água do mar. A vida da Natureza deve ser bem investigada para ser bem conhecida e previsível nas suas alterações. O mau tempo das depressões ocorridas na semana de 14 a 21 de Dezembro não fazia parte das fantasias da jovem sueca Greta. ■