terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU.E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direto a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018


terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico".

Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

domingo, 17 de junho de 2018

FOGOS FLORESTAIS

Senhores governantes e autarcas, vós sois o País, os responsáveis pelo País, por isso, façam o favor de meditar e aceitar com actividade positiva os conselhos do Sr PM. Tendes de vos habituar «a não aguardar pelas tragédias" para dar importância àquilo que é estrutural, elegendo a floresta e o interior como prioridades». Precisais de ter em atenção «as necessidades de revitalizar o interior e de concretizar a reforma da floresta». Tendes que vos «preparar para o período que aí vem, por forma a termos as melhores condições possíveis para evitar tragédias como a tragédia de Pedrógão Grande».

Para isso dai atenção à lição dada por Tiago Oliveira, presidente da Estrutura de Missão para a Gestão dos fogos Rurais, em entrevista ao DN onde diz que o país continua muito vulnerável aos fogos e as pessoas muito expostas» e propõe medidas de planeamento tecnicamente bem elaboradas por pessoas bem preparadas e escolhidas por critério de competência e não de cor política. Por exemplo, como pode haver, nas condições actuais, uma REACÇÃO ADEQUADA ao aviso do IPMA de que «nove concelhos estão em risco muito elevado de incêndio no centro e sul do país»?


INCÊNDIOS. IPMA AVISA DE RISCOS EM 9 CONCELHOS

RISCO DE INCÊNDIOS. É passado um ano sobre a tragédia de Pedrógão Grande e, depois disso, diz uma notícia que foi «um ano de pensos rápidos», não houve decisões estruturais, mas apenas medidas conjunturais. Falta planeamento e ordenamento da floresta.


A gestão florestal e a organização da Protecção Civil continuam a precisar de um tratamento aprofundado com mudanças apropriadas.


Tiago Oliveira, presidente da Estrutura de Missão para a Gestão dos fogos Rurais diz, em entrevista ao DN que «o país continua muito vulnerável aos fogos e as pessoas muito expostas» e propõe medidas de planeamento tecnicamente bem elaboradas por pessoas bem preparadas e escolhidas por critério de competência e não de cor política.


Nas condições actuais, como pode haver uma REACÇÃO ADEQUADA ao aviso do IPMA de que «nove concelhos estão em risco muito elevado de incêndio no centro e sul do país»?


Foi um ano muito mal aproveitado para a prometida PREVENÇÃO.

sábado, 16 de junho de 2018

PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

Embora há poucos dias o MAI prometesse que o GIPS iria receber os equipamentos necessários para o combate incêndios, dentro de algumas semanas (talvez em Agosto), a presidente da (AVIPG), Nádia Piazza, diz que, PASSADO UM ANO APÓS A TRAGÉDIA DE PEDRÓGÂO GRANDE, tudo pode voltar a acontecer este ano de igual forma porque o GOVERNO não procurou conhecer a situação do interior do país


Este problema do interior é de pobreza, de desertificação, de falta de oportunidade, cuja solução terá de passar por ordenamento do território, que necessita de trazer investimento sério, concreto, público e privado, para o interior. E a prevenção dos incêndios, tão prometida pelo MAI, não está em condições de dar esperança aos habitantes e proprietários.


Quanto a prevenção, necessária para defender as árvores que são uma riqueza nacional, o Dr. Tiago Oliveira, presidente da EMGFR, em entrevista ao DN, dá uma óptima lição ao governo, separando a prevenção do combate e afirmando que a estrutura deve assentar nos aspectos técnicos, independentes da política, com objectivos, estratégias, tarefas definidas e orçamentos adequados, e difusão didáctica pela população de quais os comportamentos a ter para reduzir riscos.


Tudo isto deve funcionar a nível de freguesia e com orientação e apoio de técnicos de pessoas com muito conhecimento e experiência do interior do País. Os fogos não se evitam com determinações autoritárias de ter tudo pronto em 15 de Março, como fez uma «inteligência demasiado iluminada».


terça-feira, 12 de junho de 2018

CIÊNCIA E FILOSOFIA HUMANÍSTICA

Ciência mais filosofia humanística
(Publicado no semanário O DIABO em 13-06-2018)

Tudo muda na vida, como na Natureza o que se torna evidente em cada dia. A Humanidade evolui impulsionada pelos progressos da ciência e da técnica e arrastada pelos valores económicos por elas proporcionados, desprezando, muitas vezes, os valores humanos que nunca devem ser esquecidos.

Na mais distante antiguidade, os mais graves conflitos entre grupos ou tribos eram resolvidos com flexas e lanças com fraco poder mortífero, mas hoje usam-se armas de grande poder letal, como dizem aa notícias.

Os cientistas e os técnicos industriais devem procurar que os resultados dos seus trabalhos e investigação tenham finalidade útil para melhor qualidade de vida das pessoas e não para o seu mal, sofrimento ou destruição. A mesma preocupação deve existir da parte dos governantes e outros responsáveis pela gestão pública. Mas a realidade mostra que, na base de todas as acções mais nocivas para a vida humana, está o fanatismo pela droga financeira que conduz aos mais atrozes actos contra a humanidade. Para obter mais poder, há muita gente que não olha aos resultados laterais que afectam muitas pessoas inocentes e alheias aos negócios em jogo.

O general Eisenhower, nos seus últimos anos de vida, alertou contra o perigo resultante do «complexo industrial militar» que tinha sido útil para a vitória da Segunda Guerra Mundial mas que não estava interessado em encerrar os laboratórios de investigação, as fábricas e oficinas e iria pressionar governantes para lhes consumirem as armas que produziam. E, além disso, a sua pressão passou também a incidir sobre líderes de grupos rebeldes que desenvolveram o terrorismo, contra tudo e todos, orgulhando-se dos mais atrozes atentados com dezenas de vítimas.

A segunda invasão do Iraque iniciada em 20 de Março de 2003, teve como pretexto que o Iraque «tinha vários laboratórios móveis de armas biológicas» e outros «dados de que Saddam havia tentado comprar equipamentos no exterior para construção de material nuclear». A invasão não detectou provas de qualquer das suspeitas. Quem lucrou com tal belicismo? Os construtores e fornecedores do armamento e munições consumidos na operação e durante já mais de 15 anos. Os resultados abrangem milhares de vidas perdidas da população e destruição em património algum classificado de interesse mundial.

Será bom para a humanidade que os resultados dos trabalhos da ciência sejam aplicados, segundo os melhores conselhos da filosofia humanística. Esta sugestão deve ser aplicada aos actos de gestores públicos, a todos os níveis, para o que devem ter boa informação do âmbito da filosofia humanística e evitarem deixar-se pressionar por interesses dos poderosos financeiros, económicos ou outros, que sejam lesivos das pessoas, principalmente das mais desprotegidas.

No dia 13-04-2017, os EUA lançaram no Afeganistão a «mãe de todas as bombas», com potência superior à de mil bombas de Hiroshima, para destruir rebeldes talibãs. Apesar desse potencial, nove dias depois, uma base militar afegã, à hora em que os militares estavam reunidos para rezar, foi atacada por rebeldes talibãs, causando 150 mortos e dezenas de feridos. A utilização de armamento por mais potente que seja causa demasiado mal às pessoas e não traz benefícios senão para os fornecedores ade armamento.

A Síria suporta os inconvenientes de uma guerra feroz desde 2011 com bombardeamentos de seus aviões, da Rússia, do Irão, da Turquia, da América, da França e da Grã-Bretanha produzindo cerca de 400.000 mortos, 1,5 milhões de feridos e 5 milhões de refugiados, além de destruições incalculáveis.

António João Soares
5 e Junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018

GUERRA NO ULTRAMAR 1961-1974


GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 1961 - 1974

Jonathan Llewellyn em "Publicações recentes de outras pessoas".
Transcrição do Facebook
https://www.facebook.com/rui.alvesmartins?fref=nf

Espero que perdoem a um estrangeiro intrometer-se neste grupo, mas é preciso que alguém diga certas verdades.

A insurreição nos territórios ultramarinos portugueses não tinha nada a ver com movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia (como ainda não há) uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros países.

ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida Fundação Ford e (indirectamente) pela CIA.

O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser trabalhado pelos americanos. só depois se virando para a URSS, tinha tais problemas de alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num pós-operatório. Foi substituído pelo José Eduardo dos Santos, treinado, financiado e educado pelos soviéticos.

A UNITA começou por ser financiada pela China, mas, como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que chegou até a um acordo com os portugueses.

MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por não dar garantias de fiabilidade, e substituído pelo Samora Machel, que concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas tanzanianas.

GUINÉ – O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral, um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros maioritariamente cabo-verdianos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Konakry e do seu ditador Sékou Touré, cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné portuguesa.

Em resumo, territórios portugueses foram atacados por forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros. Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima. E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporânea.

Então porque é que os portugueses parecem ter vergonha de se orgulharem do que conseguiram?



terça-feira, 5 de junho de 2018

DESCOBRIMENTOS E GLOBALIZAÇÃO

Descobrimentos e globalização
(Publicado no semanário O DIABO em 05-06-2018)

A História demonstra que a Humanidade, tal como qualquer sector da Natureza, não é rígida e imutável, antes está em mudança permanente embora, de forma imperceptível. Não é fácil navegar sensatamente nas ondas de tais mudanças e aparecem mitómanos ou egomaníacos que se enredam em críticas destrutivas geradoras de ódios e desejos de vinganças, alimentados por visões próprias de sociopatas, em vez de fazerem uma correcta descrição para as pessoas perceberem os principais factores de cada mudança.

É o caso da deturpação, por alguns «historiadores» que procuram denegrir os Descobrimentos que, segundo opiniões abalizadas de pensadores estrangeiros actuais, foram o arranque da actual GLOBALIZAÇÃO. A curiosidade, o desejo de saber o que está para lá do horizonte, próprio de cada cientista, levou a geração do Infante D. Henrique a percorrer as costas de África, a contornar o Cabo das Tormentas e fazer a ligação entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente.

Tudo tem vantagens e inconvenientes, mas é insensato, enveredar por radicalismos, sobrevalorizar actos menos correctos, esquecendo o conjunto da questão.

A China que cresceu como Império do Meio, onde criou uma tecnologia florescente de que o mundo ainda beneficia e que procurou a defesa pacífica, bem traduzida na Grande Muralha para evitar a invasão pela Mongólia. Depois, aproveitou a abertura ao Ocidente, originada pelos portugueses, e conseguiu ser hoje uma potência comercial de grande importância em todo o mundo, sem ter necessidade de usar violência nem o poder de armas de grande poder destrutivo do agrado de outras potências.


Os descobrimentos procuraram conhecer novos mundos e transmitir-lhes conhecimentos, cultura, religião, procurando melhorar as condições de vida das suas gentes.

Hoje, o continente africano que, devido à sua geografia, tem poucos contactos com o mundo exterior o que lhe tem travado o desenvolvimento, está a atrair a generosidade de apoios como o do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que pretende investir 35 mil milhões na industrialização do continente, usando de método inteligente que começa por ajudar a criar capacidade de formação e informação, analisando em cada sector o que o que foi bom ou não, para não repetir erros e para avançar para um desenvolvimento sustentável a longo prazo. A finalidade é as pessoas saírem da pobreza e disporem de empregos. O apoio do BAD será iniciado pela agricultura, como caminho mais rápido para a industrialização, o desenvolvimento de «clusters» industriais e zonas económicas especiais, o desenvolvimento de políticas industriais e o financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística.

Também a Coreia do Sul está a preparar cooperação com África que pretende efectuar através de apoios adequados às condições e características de cada país, assegurando um crescimento inclusivo e com infraestruturas 'inteligentes'.

Tanto as intenções do BAD como da Coreia do Sul fazem recordar aquilo que os portugueses fizeram em tempos anteriores, sem os recursos de tecnologia nem de poder financeiro hoje disponíveis. Qualquer bom historiador que analise o que ocorreu durante séculos, entre os portugueses e os povos africanos e asiáticos, onde trabalharam, encontrarão muitas semelhanças com os factos actuais, feitas as proporções entre as possibilidades de então e as de hoje. O mal é o de «historiadores», sem conhecimento das realidades e que, com arrogância e megalomania, querem aplicar as ideologias actuais a realidades antigas. Mas, dessa forma, não terão o êxito de filósofos como o seu ídolo Karl Marx, cujas ideias foram desvirtuadas.

António João Soares
29 de Maio de 2018


domingo, 3 de junho de 2018

A IDIOTIZAÇÃO DA SOCIEDADE

A idiotização da sociedade como estratégia de dominação

180205. Por Fernando Navarro


As pessoas estão imbuídas a tal extremo no sistema estabelecido, que são incapazes de conceber alternativas aos critérios impostos pelo poder.


Para consegui-lo, o poder vale-se do entretenimento vazio, com o objectivo de inflamar a nossa sensibilidade social, e acostumar-nos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos de poder alcançar uma consciência crítica da realidade.


No entretenimento vazio, o comportamento rude e desrespeitoso é considerado um valor positivo, como vemos constantemente na televisão, em programas asquerosos chamados “do coração”, e em tertúlias espectáculo onde a gritaria e a falta de respeito é a norma, sendo o futebol espectáculo a forma mais completa e eficaz que tem o sistema estabelecido para estupidificar a sociedade.


Nesta subcultura do entretenimento vazio, o que se promove é um sistema baseado nos valores do individualismo possessivo, onde a solidariedade e o apoio mútuo são considerados como algo ingénuo. No entretenimento vazio tudo está pensado para que o indivíduo suporte estoicamente o sistema estabelecido sem questionar. A História não existe, o futuro não existe; só o presente e a satisfação imediata. Por isso não é estranho que proliferem os livros de auto-ajuda, autêntica bazófia psicológica, o misticismo à la Paulo Coelho, ou infinitas variantes do clássico “como se tornar milionário sem esforço”.


Em última instância, do que se trata no entretenimento vazio é convencer-nos que nada se pode fazer: que o mundo é assim e é impossível transformá-lo, e que o capitalismo e o poder opressor do Estado são tão naturais e necessários como a própria força da gravidade. Por isso é normal ouvirmos: “é muito triste, mas sempre houve pobres e ricos e sempre haverá. Não há nada que se possa fazer”.


O entretenimento vazio conseguiu a proeza extraordinária de fazer com que os valores do capitalismo sejam também os valores dos escravizados por ele. (…)


O sistema estabelecido é muito subtil, com a sua estupidez forja as nossas estruturas mentais, e para isso vale-se do púlpito que todos temos em nossas casas: a televisão. Nela não há nada que seja inocente, em cada programa, em cada filme, em cada notícia, traduz sempre os valores do sistema estabelecido, e sem darmos conta, acreditamos que a verdadeira vida é assim, introduzem os seus valores nas nossas mentes.


O entretenimento vazio existe para ocultar a evidente relação entre o sistema económico capitalista e as catástrofes que assolam o mundo. Por isso é necessário que exista o espectáculo vácuo: de modo que, enquanto o indivíduo se auto degrada revolvendo-se no lixo que lhe dá o poder da televisão, não veja o óbvio, não proteste e continue a permitir que os ricos e poderosos aumentem o seu poder e riqueza, enquanto os oprimidos do mundo continuam a sofrer e a morrer devido às suas existências miseráveis.


Se continuarmos a permitir que o entretenimento vazio continue a modelar as nossas consciências, e portanto o mundo à sua vontade, isso acabará por nos destruir. Porque o seu objectivo não é outro que o de criar uma sociedade de homens e mulheres que abandonem os ideais e aspirações que os tornam rebeldes, para se conformarem com a satisfação de necessidades induzidas pelos interesses das elites dominantes. Assim os seres humanos ficam despojados de toda a personalidade, transformados em animais vegetativos, sendo desactivada por completo a velha ideia de lutar contra a opressão, atomizados num enxame de desenfreados egoístas, deixando as pessoas sós e desligadas umas das outras mais do que nunca, absorvidas na exaltação de si mesmas.


Assim, desta maneira, aos indivíduos não lhes resta energia para mudar as estruturas opressoras (que aliás não são entendidas como tal), não lhes fica força nem coesão social para lutar por um mundo novo.


Não obstante, se queremos reverter tal situação de alienação a que estamos submetidos, só nos resta, como sempre, a luta. Só nos resta contrapor outros valores diametralmente opostos aos do espectáculo vazio, para que surja uma nova sociedade. Uma sociedade em que a vida dominada pelo absurdo entretenimento vazio seja apenas uma lembrança dos tempos estúpidos em que os seres humanos permitiram que as suas vidas fossem manipuladas de maneira tão obscena.