quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

RESPEITO, AMIZADE E TOLERÂNCIA GERAM HARMONIA

Respeito, amizade e tolerância geram harmonia
(Public em O DIABO nº 2241 de 13-12-2019, pág 16, por António João Soares)

A actividade que a Comunicação Social mais oferece aos seus clientes é constituída por jogos de futebol, que outrora entravam nas actividades de desporto e, como tal, eram ocupações “por desporto” em que o ganhar e perder não tinham importância que afectasse o bom relacionamento entre os desportistas.

Mais tarde, começaram a estar em disputa grandes importâncias monetárias que alteraram a sensação de que ganhar e perder era desporto. Por detrás desse fenómeno está o dinheiro que nos últimos tempos se foi transformando numa droga mundialmente perigosa e com a agravante de não haver limite para provocar overdose que faça diminuir o consumo. E a agressividade, quer no relvado quer nas bancadas, muitas vezes, transforma um encontro amigável entre pessoas que deviam estar em distracção calma e confortável, por pormenores pouco significativos, num conflito de rara violência em que se esquecem as regras de respeito pelos outros, de amizade, e de tolerância.

Infelizmente, a perda de calma e de serenidade entre as pessoas está a tornar- -se demasiado frequente na sociedade e, o que está a tomar aspectos desagradáveis, na vida internacional, na humanidade. Assuntos que devem ser considerados normais e resolúveis por meios pacíficos de diálogo e negociação, conduzem precipitadamente a trocas de violência com danos pessoais e estragos materiais. Entre Estados pode haver conflitos armados directamente ou através de grupos preparados para a violência, indiscriminada sem evitar sacrificar inocentes. Acontece, frequentemente, sob variadas formas, apesar de opiniões de pessoas sensatas e com responsabilidades na vida internacional aconselharem, com frequência a evitar a violência e, em vez dela, recorrer ao diálogo directo ou com auxílio de intermediários reconhecidos e respeitados pelas partes.

Mas, quer no relacionamento pessoal quer no de altos poderes, há indivíduos que teimam em se considerar donos da verdade total e com absoluta razão e que se recusam a conversações em que tenham de ceder um milímetro.

Infelizmente, há exemplos disso dentro de países em várias partes do mundo e também em relações internacionais. Parece que aos líderes de tais posições falta desde criança, a sensatez e os efeitos de uma boa educação que permita o bom relacionamento com os outros habitantes do planeta. Tenho referido que está a tornar necessário um sistema de relacionamento moral e eticamente conveniente que coloque o ser humano acima dos animais ditos irracionais, dos quais vêm muito bons exemplos quer na vida em família quer nos bandos e manadas quer no relacionamento com animais de outras espécies com os quais tenham oportunidade de conviver.

Um caso curioso nota-se em campanhas eleitorais, em que é esperado dar ao povo oportunidade de escolher quem seja mais competente para dirigir os destinos do respectivo país e proporcionar melhor qualidade de vida à população. Mas, em vez de os candidatos procurarem apresentar bons planos e programas, para, na comparação com os dos outros concorrentes, o povo escolher os que lhe parecerem melhores, limitam-se a distrair a atenção dos eleitores com a comunicação social a mostrar coisas insignificantes que impeçam a reflexão sobre o que é essencial, a fazer promessas fantasiosas que um observador atento duvida que sejam cumpridas e a agredir verbalmente os outros concorrentes ferindo a sua honradez, a sua dedicação ao povo, a sua competência e experiência de gestão. Muitas vezes, o povo vota no mais palavroso e fantasioso sem garantias de ver a verdade e a sinceridade das promessas. E os que já não acreditam em fantasias e não vêm planos e projectos credíveis, ficam em casa em vez de votar.

É preciso existir civismo, respeito pelas pessoas, amizade e tolerância para vivermos em paz e harmonia, sem carências desagradáveis. ■


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

MOVIMENTO CÍVICO

Movimento cívico
(Public em O DIABO nº 2240 de 06-12-2019 pág 16, por António João Soares)

Há demasiadas notícias de alunos a desrespeitarem professores, crimes domésticos, actos de selvajaria, etc. etc. Há muito boa gente a temer que o mundo esteja a deslizar para um abismo sem retorno.

É urgente que se crie um movimento geral e persistente que contribua para aumentar o respeito pelas pessoas, a paz e a harmonia social e mundial. Devemos aproveitar todas as oportunidades para melhorar os comportamentos na defesa dos valores essenciais da sociedade, como missionários do Bem.

Devemos agir, sem preocupações de partidos ou de religiões, porque o civismo não deve obedecer a ideologias particulares: o respeito pelos outros, a tolerância, a solidariedade, não dependem de características pessoais, cor, idioma, profissão ou clubismo. O respeito deve ser generalizado para facilitar os contactos directos que impeçam conflitos violentos.

Aceitam-se sugestões construtivas a fim de que se recupere aquilo que tem sido perdido em valores morais e éticos. Haja quem crie uma ONG ou outro tipo de instituição para essa finalidade. Para a frente, para criar um futuro melhor para as gerações mais jovens e vindouras.

Para qualquer cidadão conseguir uma vida digna para si e para a sua família deve recorrer ao trabalho, um direito que deve obter através do dever de ser competente, eficiente e produtivo. Mas a remuneração do trabalho deve corresponder ao resultado deste, que não deve ser embolsado exageradamente por pessoas que abusam da sua função para se considerarem os maiores beneficiados pelo esforço dos seus colaboradores. Sem esta justiça social podem gerar-se conflitos violentos, com “pedradas ou vandalismo” que não contribuem para um mundo mais justo, mas que podem ser usados por pessoas em desespero e sem esperança de melhor saída.

Neste, como na generalidade dos aspectos da vida dos seres humanos, torna- -se indispensável a prática de valores que têm vindo a ser esquecidos mas que são indiscutivelmente essenciais para a vida em sociedade e que os ditos “irracionais” praticam na família, nas manadas, e até no relacionamento com outros, inclusivamente com humanos, correspondendo afectuosamente ao seu tratamento. Merecem o nosso carinho porque o retribuem. O carinho e outros afectos devem ser bilaterais, retribuídos. O respeito pelos seres vivos e pela Natureza em geral deve ser um dever exercido sem falhas nem hesitações, de forma a ser bilateral e serenamente retribuído.

Se as pessoas, em aparente situação de convívio, preferem estar concentradas no seu ‘smartphone’, se usam este na rua obrigando os outros a seguirem com atenção para evitarem sofrer colisões de tais maníacos, como é que estão educadas socialmente para conviver em sociedade? Abundam notícias de crianças que desobedecem aos professores e por vezes os agridem; e os seus pais, em vez de as esclarecerem e corrigirem os seus próprios erros da educação que lhes deram, reforçam o mau comportamento das crianças, ofendendo o professor. Também são inúmeros os casos de agressões e até homicídios entre familiares.

Há, pois, urgência em desenvolver campanhas educativas da população melhorando a moral e a ética, a fim de evitar ou, no mínimo, retardar o colapso total da humanidade. Na vida internacional, surgem sinais de vontade de paz, evitando guerras e procurando soluções por meio de bom entendimento, como tem sido o caso, por diversas vezes, de discursos de Putin.

Difundam-se regras de educação social em todas as actividades, desde as creches às escolas e a todas instituições com duas ou mais pessoas. Procure-se recuperar a sociedade e a própria humanidade da degradação em que caíram. O respeito pelos direitos dos outros é essencial. A Comunicação Social deve desempenhar um papel importante para se atingir o melhor resultado na harmonia social, com segurança e respeito mútuo. ■


quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ATENÇÃO AOS POTENCIAIS INIMIGOS

Atenção aos potenciais inimigos
(Public em O DIABO nº 2239 de 29-11-2019, pág 16. Por António João Soares)

Nunca se deve deixar de avaliar os inconvenientes de uma escolha que sirva de base a uma decisão importante. Isto é válido a todos os níveis e, principalmente, a nível de pequenas ou grandes potências, em que não se devem negligenciar as capacidades de decisão, de planeamento e de acção de potenciais inimigos. Sobre esta regra, a Arábia Saudita está a dar uma boa lição na forma como gere e apoia a acção do Estado Islâmico, na sua expansão geográfica.

A Europa, com os seus valores éticos de generosidade e humanidade, abriu as portas a refugiados das guerras na Síria, no Iraque, na Líbia, etc. mas não tardou muito a sentir graves inconvenientes, ao sofrer os efeitos de falsos refugiados que lhe vinham minar as tradições e a cultura sem proporcionais benefícios para a economia e o bem estar local. A insegurança sentida em diversos Estados gerou preocupações nos mais caridosos, que passaram a compreender os cuidados dos mais hesitantes para evitar receber migrantes indiscriminados. Os analistas mais independentes chegaram a previsões de que, dentro de algumas décadas, a Europa atingiria o ponto de nem sequer ser uma pálida ideia do seu passado histórico, da sua economia, e da sua harmonia social. Assim se começou a olhar com mais realismo para aquilo que passou a ser considerado uma invasão, bem planeada, sem violência exagerada para, com uma reduzida resistência, atingir o domínio total. Isso deu aso a precauções. Mesmo fora da Europa, o Presidente Trump mostra interesse em preferir imigrantes com capacidade e competência para contribuir para melhorar a economia americana, tornando-a mais competitiva e, ao mesmo tempo, servindo de prémio a trabalhadores válidos que não conseguiam emprego compatível nas suas origens. Dessa forma, evita os imigrantes fantasiosos que apenas iam criar problemas vários, inclusive de segurança, que pode atingir grau demasiado preocupante, organizando movimentos violentos.

Perante este despertar das autoridades ocidentais para a avaliação do poder do seu inimigo, da sua estratégia cuidadosa para evitar ser detectado na gravidade dos seus planos e acções, a Arábia Saudita também passou a olhar com mais realismo para a dificuldade previsível inerente a uma, mesmo muito disfarçada e progressiva, invasão do Ocidente. E, assim, há sinais muito claros de uma mudança de estratégia, passando a iniciar a expansão territorial do Islão e a redução das outras religiões, pela África e pela Ásia, onde os governantes são mais fáceis de dominar e têm menos capacidade de reacção. Segundo esta nova estratégia a Europa ficará para uma fase mais adiada e será organizada segundo os factores de força então mais decisivos.

A apoiar esta previsão estratégica, surgiram as seguintes notícias:

No Sri Lanka, no Domingo de Páscoa houve explosões em três igrejas e três hotéis de luxo que provocaram a morte a 156 pessoas, entre os quais 35 estrangeiros, entre eles um português, sendo expectável que o número de vítimas mortais venha a subir, dado o elevado número de feridos.

Na Síria, onde havia uma relativa tranquilidade desde a aplicação do cessar-fogo de Setembro, passados oito meses a violência recrudesceu e os confrontos entre os rebeldes e as forças governamentais, que eclodiram a 30 de Abril, causaram em duas semanas 180.000 deslocados.

Pouco tempo depois, no Burkina Faso, mais de 20 homens armados entraram numa igreja católica, interromperam a missa e mataram um padre e cinco outras pessoas a tiro antes de pegarem fogo à igreja, a lojas e a um café próximos. Este foi o terceiro ataque a igrejas católicas no país em cinco semanas.

Agora Macron actualizou o seu ponto de vista sobre a cooperação, a defesa e a necessidade de reforçar os vínculos entre países.

A união faz a força. ■

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

HÁ HORAS FELIZES

Há horas felizes
Public em O DIABO nº 2238 de 22-11-2019, pág 16, por António João Soares)

Na minha modéstia, simplicidade e cortesia, tenho-me repetido por diversas formas a sugerir que tanto a oposição como os responsáveis pela governação deverão procurar seguir estratégias que, de maneira adequada, permitam os melhores resultados para o engrandecimento da Nação, a melhor qualidade de vida dos cidadãos e poupança para os contribuintes que, assim, podem investir mais na melhoria da economia. Isto pode ser confirmado em vários artigos que publiquei no semanário O DIABO. Por isso me sinto premiado com as alocuções de Rui Rio e de André Ventura que, sem agressividades nem palavras ofensivas, de forma muito educada, fizeram apreciações construtivas e interrogações que podem e devem servir para o Governo pensar seriamente nos assuntos abordados e, usando de transparência democrática, explicar aos portugueses o que realmente vão fazer em tais temas, a forma pormenorizada e compreensiva como pretendem materializar assuntos que são referidos no programa de Governo de forma muito genérica que tanto podem permitir soluções num sentido como no seu oposto. Depois de ouvir estas sugestões, o Governo deve sentir-se feliz por receber tais achegas de forma clara e com aspecto positivo, construtivo.

Isto pode ser um primeiro passo para o diálogo entre governantes, oposição e cidadãos de forma a serem evitadas decisões impulsivas e menos ponderadas, segundo o conceito de que “a fantasia deve ser moderada pela sensatez” e de acordo com o segundo Éme da “estratégia dos três M”, o da “multilateralidade”, dado que muitas cabeças pensam mais e melhor do que uma só. O pensamento individual e a decisão precipitada sem recurso a outros pareceres, raramente analisa todos os factores essenciais com a profundidade indispensável. A solução de um problema deve ser precedida do estudo cuidadoso das suas causas e dos condicionamentos que o envolvem.

O total esclarecimento é imprescindível porque os cidadãos são os obreiros do engrandecimento do País e, para isso, é fundamental que colaborem activamente com o máximo de competência, entusiasmo e perfeição para que os resultados tenham a melhor qualidade. Se os dois deputados atrás referidos não foram exaustivos nos seus comentários, certamente, estarão dispostos a fornecer mais achegas, quer dentro da AR quer em contactos pessoais. Isso não os prejudica e, se for bem explicado na Comunicação Social, granjeia-lhes a gratidão dos cidadãos, pelo interesse demonstrado para o engrandecimento de Portugal.

Um livro muito interessante do Nobel Hermann Hesse sobre a vida de Siddhartha, um filósofo crente hindu, refere várias vezes que as palavras valem pouco em comparação com os actos. As pessoas devem guiar-se nas suas apreciações pelo valor destes e não pelas palavras que podem ser de tal forma superficiais ou intencionais que não passam de fantasias superficiais e ilusórias que não se traduzirão em actos merecedores de crédito. Muitas promessas, são despidas de verdade respeitável. E, infelizmente, uma grande quantidade delas não passam de vacuidades ilusórias que desacreditam os seus autores. Oxalá o PM não volte a cair em falhas como a de prometer a mudança do INFARMED para o Porto ou a de lançar a primeira pedra para a construção da unidade pediátrica do Hospital de S. João, no Porto sem que, passado mais de um mês, haja sinal de início de obras.

A população deve ser mentalizada para os deveres, acima dos direitos, e pelo respeito pelas pessoas, encarando melhor o apoio aos idosos e a educação dos jovens, eliminando a violência nas escolas contra os professores e, em casa, contra pais e avós. Quem tem responsabilidade para tomar decisões e agir não deve cair na tentação de se virar para dentro do seu ego e dar prioridade à vaidade e à ambição e ao despudorado amor ao dinheiro, uma droga tanto mais perigosa quanto está livre de produzir overdose. As decisões devem ser precedidas de estudo e consulta. ■


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

ESPERAMOS UM MUNDO MAIS RACIONAL

Esperamos um Mundo mais racional
Publicado em DIABO nº 2236 de 08-11-2019. Pág 16

Actualmente, ouve-se falar muito contra a história e os feitos heróicos que nos davam orgulho do passado e nos ajudavam a suportar as incertezas ou maus auspícios sobre o amanhã e o pessimismo, desde as alterações climáticas à crise económica ou à guerra, que começam a afectar a saúde mental. E é dado muito relevo à violência a vários níveis, quer doméstico quer internacional, sem se apontarem sinais motivadores de esperança salutar.

Mas, felizmente, há sinais de optimismo e de esperança, embora pareçam não ser do gosto dos jornalistas, que começam a brilhar como luz ao fundo do túnel e merecem ser sublinhados pelo muito que representam para quem se preocupa com o futuro da humanidade, não só pelo seu significado local mas, principalmente, por deverem servir de exemplo e incentivo para os detentores do Poder a nível das Nações e das Instituições Internacionais.

Há variados casos que merecem ser bem apreciados pelo que representam de exemplo a seguir por todos os governantes e por todas as pessoas. Notícia de 18 de Outubro diz que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou “fortemente” o ataque a uma mesquita no Afeganistão, que provocou 62 mortos e 36 feridos. E, provavelmente, este nosso compatriota não se deve ter ficado pelas palavras e, de forma mais ou menos directa, deve ter accionado a ONU a fim de acabar com este tipo de ataques selvagens e cobardes que tiram a vida a muitas pessoas inocentes.

E tal provável acção de Guterres pode estar na origem do facto noticiado no dia 23 de que movimento talibã participa na China, nos dias 28 e 29, numa nova ronda de diálogo inter-afegão para a paz. Oxalá este diálogo tenha êxito e ponha fim à guerra que, há 28 anos, tem dizimado a população do Afeganistão, sem benefício para ninguém a não ser para os fabricantes de armas e munições.

Outro caso, este com nítida acção da ONU, passa-se na Guiné-Bissau em que são notadas dificuldades entre várias forças políticas, quando se aproximam as eleições presidenciais, e onde foi criada uma Comissão da Configuração da Paz da ONU para a Guiné-Bissau, sendo presidente o embaixador brasileiro Mauro Vieira. Este, em consonância com o multilateralismo defendido pela «estratégia dos três M», nos dias em que se deslocou a Bissau, reuniu-se com as autoridades nacionais, órgãos responsáveis pela organização das eleições, partidos políticos, sociedade civil e parceiros internacionais. Nos seus contactos, durante a estada de dois dias, disse a todos que todas as dificuldades que possam surgir no caminho devem ser superadas pelo consenso, pela negociação, pelo diálogo.

Também, em sintonia com a repulsa da violência e da guerra e pela defesa do diálogo e da negociação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um apelo ao crescimento global e à renúncia aos conflitos comerciais que põem em causa esse crescimento. Os membros do FMI, durante a assembleia geral de Outono, encerrada, há poucos dias, em Washington, debateram como aumentar a “pressão do grupo” sobre os países em confronto comercial, de modo a que melhorem e respeitem as regras globais do comércio, disse a directora-geral da instituição na conferência de imprensa de encerramento dos trabalhos. Nestes, um dos principais temas de discussão na assembleia foi o da tensão comercial entre os EUA Unidos e a China.

Também a Rússia advertiu que a situação de tensão no nordeste da Síria, onde se acordou uma trégua na operação militar turca contra as milícias curdas, pode prejudicar o processo de negociação política. A isto a Turquia afirmou que “não tem necessidade” de retomar a sua ofensiva contra as forças curdas no norte da Síria.

Estes exemplos aqui referidos mostram- -nos razões de esperança de que o Mundo irá entrar na racionalidade e pretender atingir os fins prognosticados pelo comentador político Kishore Mahbubaini na sua «estratégia dos três M». ■

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A ESTRATÉGIA DOS TRÊS M

A estratégia dos três M

Public em DIABO nº 2235 de 01-11-2019 pág 16, por António João Soares

Não resisto à tentação de referir a melhor lição que recebi nos últimos tempos. Trata-se de um vídeo em que o comentador político Kishore Mahbubaini, numa alocução em que explica a situação da crise comercial entre o Ocidente e o Oriente, começando por analisar a evolução cultural e social da humanidade a partir da Europa e impulsionada pela globalização iniciada pelos descobrimentos portugueses que levaram a fé, a ciência e a tecnologia aos povos mais distantes.

Há dois séculos, Napoleão Bonaparte avisou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Ele previa que o saber do Ocidente tinha chegado ao Oriente e iria ser aproveitado positivamente. E isso em breve começou a ter efeitos muito visíveis na China, na Índia, no Sudeste Asiático, como na América e também em África.

O Ocidente adormeceu à sombra do sucesso e, quando acordou, reagiu da pior forma e, em vez de procurar assumir a sua superioridade de outrora e continuar em frente, actuou arrogantemente, procurando impor a superioridade militar. Têm sido notáveis as inúmeras ingerências por meios militares da América, algumas com insucesso, como no Vietname, na Somália, no Iraque, na Síria, no Afeganistão, etc.

Este comentador afirma a possibilidade de o Ocidente recuperar a sua superioridade no Mundo se seguir a estratégia dos “Três M”: minimalista, multilateral e maquiavélica.

Minimalista, evitando intervir e interferir nos assuntos de muitas outras sociedades, deixando que elas procurem a sua evolução, e, em caso de elas pedirem, dando-lhes ajuda em paz e harmonia.

Multilateral, obtendo o apoio da comunidade global, antes de travar guerra ou tomar outra decisão que traga perigo para outros. Esse apoio pode provir da ONU ou de outras instituições internacionais com prestígio. E recorda que o êxito da primeira guerra iraquiana, travada pelo presidente George H. W. Bush, se deveu a prévio apoio da ONU, enquanto a segunda, travada pelo filho, fracassou por ter sido de iniciativa e de palpite individual baseado em notícias falsas.

Maquiavélico, promovendo a virtude e evitando o mal. Neste aspecto há que esclarecer que Maquiavel, cuja imagem tem sido enegrecida, tinha por objectivo, segundo o filósofo Isaiah Berlin, promover a virtude e afastar ou evitar o mal.

Portanto, neste aspecto da estratégia, a melhor forma para o Ocidente controlar as novas potências emergentes é seguir regras multilaterais, normas multilaterais, instituições multilaterais, processos multilaterais.

Aplicando esta estratégia, Kishore Mahbubaini, que foi embaixador nas Nações Unidas duas vezes, está convencido de que, com o pessimismo que tem existido no Ocidente, muita gente não acredita que a nossa área ocidental tem um grande futuro à sua frente e que os seus filhos terão uma vida melhor. Para isso, será bom que as Nações Unidas, além das palavras de que “condena o ataque a mesquita no Afeganistão que matou 62 pessoas”, deve organizar uma actividade global a incentivar a harmonia e a paz mundial de acordo com a norma religiosa “amai-vos todos como irmãos”, mas realizando um amor recíproco e não apenas unilateral.

Será bom que condene todas as actividades conducentes à violência, como o fabrico de armas e a manutenção de paióis de bombas altamente destrutivas. Para isso, será bom começar com o exemplo dos cinco membros permanentes do CS da ONU, de eliminarem as suas armas nucleares, com o testemunho de comissão de observadores independentes eleitos pelos países mais pequenos da ONU. Assim, a ONU merece respeito dos seres humanos mundiais e prepara a concretização das aspirações da estratégia dos “Três M”. Mas será conveniente que os Estados sejam governados por pessoas com cabeça pensadora e respeito pelas pessoas e não se deixem dominar por ambição e vaidade. ■