sexta-feira, 8 de novembro de 2019

ESPERAMOS UM MUNDO MAIS RACIONAL

Esperamos um Mundo mais racional
Publicado em DIABO nº 2236 de 08-11-2019. Pág 16

Actualmente, ouve-se falar muito contra a história e os feitos heróicos que nos davam orgulho do passado e nos ajudavam a suportar as incertezas ou maus auspícios sobre o amanhã e o pessimismo, desde as alterações climáticas à crise económica ou à guerra, que começam a afectar a saúde mental. E é dado muito relevo à violência a vários níveis, quer doméstico quer internacional, sem se apontarem sinais motivadores de esperança salutar.

Mas, felizmente, há sinais de optimismo e de esperança, embora pareçam não ser do gosto dos jornalistas, que começam a brilhar como luz ao fundo do túnel e merecem ser sublinhados pelo muito que representam para quem se preocupa com o futuro da humanidade, não só pelo seu significado local mas, principalmente, por deverem servir de exemplo e incentivo para os detentores do Poder a nível das Nações e das Instituições Internacionais.

Há variados casos que merecem ser bem apreciados pelo que representam de exemplo a seguir por todos os governantes e por todas as pessoas. Notícia de 18 de Outubro diz que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou “fortemente” o ataque a uma mesquita no Afeganistão, que provocou 62 mortos e 36 feridos. E, provavelmente, este nosso compatriota não se deve ter ficado pelas palavras e, de forma mais ou menos directa, deve ter accionado a ONU a fim de acabar com este tipo de ataques selvagens e cobardes que tiram a vida a muitas pessoas inocentes.

E tal provável acção de Guterres pode estar na origem do facto noticiado no dia 23 de que movimento talibã participa na China, nos dias 28 e 29, numa nova ronda de diálogo inter-afegão para a paz. Oxalá este diálogo tenha êxito e ponha fim à guerra que, há 28 anos, tem dizimado a população do Afeganistão, sem benefício para ninguém a não ser para os fabricantes de armas e munições.

Outro caso, este com nítida acção da ONU, passa-se na Guiné-Bissau em que são notadas dificuldades entre várias forças políticas, quando se aproximam as eleições presidenciais, e onde foi criada uma Comissão da Configuração da Paz da ONU para a Guiné-Bissau, sendo presidente o embaixador brasileiro Mauro Vieira. Este, em consonância com o multilateralismo defendido pela «estratégia dos três M», nos dias em que se deslocou a Bissau, reuniu-se com as autoridades nacionais, órgãos responsáveis pela organização das eleições, partidos políticos, sociedade civil e parceiros internacionais. Nos seus contactos, durante a estada de dois dias, disse a todos que todas as dificuldades que possam surgir no caminho devem ser superadas pelo consenso, pela negociação, pelo diálogo.

Também, em sintonia com a repulsa da violência e da guerra e pela defesa do diálogo e da negociação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um apelo ao crescimento global e à renúncia aos conflitos comerciais que põem em causa esse crescimento. Os membros do FMI, durante a assembleia geral de Outono, encerrada, há poucos dias, em Washington, debateram como aumentar a “pressão do grupo” sobre os países em confronto comercial, de modo a que melhorem e respeitem as regras globais do comércio, disse a directora-geral da instituição na conferência de imprensa de encerramento dos trabalhos. Nestes, um dos principais temas de discussão na assembleia foi o da tensão comercial entre os EUA Unidos e a China.

Também a Rússia advertiu que a situação de tensão no nordeste da Síria, onde se acordou uma trégua na operação militar turca contra as milícias curdas, pode prejudicar o processo de negociação política. A isto a Turquia afirmou que “não tem necessidade” de retomar a sua ofensiva contra as forças curdas no norte da Síria.

Estes exemplos aqui referidos mostram- -nos razões de esperança de que o Mundo irá entrar na racionalidade e pretender atingir os fins prognosticados pelo comentador político Kishore Mahbubaini na sua «estratégia dos três M». ■

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A ESTRATÉGIA DOS TRÊS M

A estratégia dos três M

Public em DIABO nº 2235 de 01-11-2019 pág 16, por António João Soares

Não resisto à tentação de referir a melhor lição que recebi nos últimos tempos. Trata-se de um vídeo em que o comentador político Kishore Mahbubaini, numa alocução em que explica a situação da crise comercial entre o Ocidente e o Oriente, começando por analisar a evolução cultural e social da humanidade a partir da Europa e impulsionada pela globalização iniciada pelos descobrimentos portugueses que levaram a fé, a ciência e a tecnologia aos povos mais distantes.

Há dois séculos, Napoleão Bonaparte avisou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Ele previa que o saber do Ocidente tinha chegado ao Oriente e iria ser aproveitado positivamente. E isso em breve começou a ter efeitos muito visíveis na China, na Índia, no Sudeste Asiático, como na América e também em África.

O Ocidente adormeceu à sombra do sucesso e, quando acordou, reagiu da pior forma e, em vez de procurar assumir a sua superioridade de outrora e continuar em frente, actuou arrogantemente, procurando impor a superioridade militar. Têm sido notáveis as inúmeras ingerências por meios militares da América, algumas com insucesso, como no Vietname, na Somália, no Iraque, na Síria, no Afeganistão, etc.

Este comentador afirma a possibilidade de o Ocidente recuperar a sua superioridade no Mundo se seguir a estratégia dos “Três M”: minimalista, multilateral e maquiavélica.

Minimalista, evitando intervir e interferir nos assuntos de muitas outras sociedades, deixando que elas procurem a sua evolução, e, em caso de elas pedirem, dando-lhes ajuda em paz e harmonia.

Multilateral, obtendo o apoio da comunidade global, antes de travar guerra ou tomar outra decisão que traga perigo para outros. Esse apoio pode provir da ONU ou de outras instituições internacionais com prestígio. E recorda que o êxito da primeira guerra iraquiana, travada pelo presidente George H. W. Bush, se deveu a prévio apoio da ONU, enquanto a segunda, travada pelo filho, fracassou por ter sido de iniciativa e de palpite individual baseado em notícias falsas.

Maquiavélico, promovendo a virtude e evitando o mal. Neste aspecto há que esclarecer que Maquiavel, cuja imagem tem sido enegrecida, tinha por objectivo, segundo o filósofo Isaiah Berlin, promover a virtude e afastar ou evitar o mal.

Portanto, neste aspecto da estratégia, a melhor forma para o Ocidente controlar as novas potências emergentes é seguir regras multilaterais, normas multilaterais, instituições multilaterais, processos multilaterais.

Aplicando esta estratégia, Kishore Mahbubaini, que foi embaixador nas Nações Unidas duas vezes, está convencido de que, com o pessimismo que tem existido no Ocidente, muita gente não acredita que a nossa área ocidental tem um grande futuro à sua frente e que os seus filhos terão uma vida melhor. Para isso, será bom que as Nações Unidas, além das palavras de que “condena o ataque a mesquita no Afeganistão que matou 62 pessoas”, deve organizar uma actividade global a incentivar a harmonia e a paz mundial de acordo com a norma religiosa “amai-vos todos como irmãos”, mas realizando um amor recíproco e não apenas unilateral.

Será bom que condene todas as actividades conducentes à violência, como o fabrico de armas e a manutenção de paióis de bombas altamente destrutivas. Para isso, será bom começar com o exemplo dos cinco membros permanentes do CS da ONU, de eliminarem as suas armas nucleares, com o testemunho de comissão de observadores independentes eleitos pelos países mais pequenos da ONU. Assim, a ONU merece respeito dos seres humanos mundiais e prepara a concretização das aspirações da estratégia dos “Três M”. Mas será conveniente que os Estados sejam governados por pessoas com cabeça pensadora e respeito pelas pessoas e não se deixem dominar por ambição e vaidade. ■


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

É PRECISA OPOSIÇÃO ACTIVA E CONSTRUTIVA

É precisa oposição activa e construtiva
DIABO nº 2234 de 25-10-2019, pág 16

Fala-se que a direita (PSD e CDS) vai entrar em “renovação”. Porém, o que se diz parece referir-se apenas à preparação para uma próxima oportunidade de vitória eleitoral. Seria mais desejável que se falasse de projectos para estruturar um futuro mais brilhante para Portugal, quer na economia de que resultasse uma melhor qualidade de vida para os portugueses, quer também um crescimento do património nacional que, nas últimas quatro décadas, tem perdido em variados aspectos. Essa prioridade dos interesses nacionais acima das ambições, embora legítimas, dos partidos, valoriza estes aos olhos dos eleitores, do que resultarão mais votos em futuro pleito eleitoral.

Pode argumentar-se que tais planos estratégicos, de longo alcance, poderão ser aproveitados pelo Governo em exercício, que ganhará louros com isso. Para Portugal e os portugueses, esse aproveitamento não teria qualquer inconveniente e, do ponto de vista partidário, o partido pai da ideia poderá e deverá tornar público que a ideia foi sua e teve muito prazer em ter contribuído com ela, para melhorar a vida dos cidadãos e o crescimento nacional. E pode e deve acrescentar que novas ideias serão apresentadas, pois todos devemos fazer o possível para bem de Portugal. É que uma boa ideia não deve ser escondida, porque os objectivos mais valiosos de qualquer instituição pública devem visar o engrandecimento do país e o bem-estar dos cidadãos e, por isso, sentir-se-ão felizes e orgulhosos por darem bons contributos ao País, mesmo que a sua ideia tenha sido aproveitada por quem no momento está ao leme do Governo, o que é natural. E, se isso for tratado com transparência e patriotismo e for adequadamente publicitado, acabará por induzir os eleitores a elevar o conceito sobre a competência e a actividade do partido, o que será traduzido por votos.

Como disse no artigo publicado em 20 de Setembro de 2016, um partido na oposição “deve, como em tudo na vida, encarar o facto da maneira mais positiva e tirar dele os melhores benefícios, para o País e para o futuro do partido”. Esse período de “repouso” deve ser aproveitado como um estágio de preparação para o desejado próximo período de governação. Para que este se concretize, convém ir dando aos eleitores a noção de que dispõe de boas intenções e de uma estratégia bem estudada, bem organizada e programada que contribuirá para uma vida melhor nos dias que virão, em benefício de todos os cidadãos.

Com tal procedimento, a vida política nacional deixará de ser uma guerra de palavras agressivas entre os partidos e passará a ser um trabalho convergente de colaboração para o grande objectivo do engrandecimento de Portugal e sairá beneficiado aquele que mostrar ao povo que possui mais dedicação, competência e perspicácia para escolher as melhores vias estratégicas para o conseguir, em respeito pela nação, pela sua História de mais de oito séculos e por aquilo que há de melhor nas tradições sociais.

Precisamos de ressurgimento e mudança drástica, depois de quase meio século de degradação nos sectores essenciais da nossa sociedade. E a oposição, liberta de apertados condicionamentos legais, deve repensar o futuro e elaborar, para isso, projectos e propostas de valor, sem se deter com palavras falaciosas e vazias de conteúdo, apenas destinadas a criar ilusões nas cabeças mais vazias, como infelizmente vem acontecendo com os detentores do poder. Devem ser evitadas promessas, sem fundamento real em estudos preparatórios que garantam a sua realização. A propaganda deve ser baseada em acções e não em palavras vazias e enganadoras.

Na elaboração de projectos e propostas, devem ser encarados os temas do combate à corrupção e ao esbanjamento do erário, o melhor funcionamento dos serviços públicos, educação, saúde, justiça, recuperação do património nacional, etc. ■

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A JOTA PODE SER SOLUÇÃO!

A jota pode ser solução?
DIABO nº 2233 de 18-10-2019 pág 16. Por António João Soares

Segundo Pedro Soares Martínez fez constar no seu artigo de O DIABO nº 2230, hoje, nos países latinos, os políticos são provenientes de advogados sem causas, escritores falhados, professores sem amor aos livros, médicos sem clínica, engenheiros sem colocação, etc.

Isto faz-me recordar um texto já com alguns anos que referia a ida da D. Maria José, de uma aldeia próxima, à cidade comprar uma camisa para o neto António Carlos. Foi muito bem recebida pelo dono da loja, já conhecido de longa data, que, no meio dos cumprimentos e da conversa, lhe perguntou como o rapaz ia nos estudos. A avó despejou a sua mágoa por ele não gostar de dedicar muito tempo aos livros e preferir as brincadeiras com outros rapazes, o que, segundo ela, lhe tornava difícil realizar os objectivos que a família esperava dele, desejando que viesse a ser doutor, satisfazendo a vaidade dele e da família e permitindo uma vida desafogada, sem dificuldades nem problemas financeiros.

Os desabafos da avó mostravam grandes preocupações familiares e comoveram o dono da camisaria, Manuel Afonso, que tentava sossegar o ânimo da cliente, dizendo-lhe que esta juventude de agora é diferente daquilo que foram os seus pais, etc. E, a dada altura da conversa, sugeriu a solução adoptada por um cliente ali vizinho que falou com o líder local de partido bem cotado para convencer o seu filho, também avesso aos estudos, a inscrever-se na juventude a fim de procurar sucesso na vida que suprisse a falta de jeito e de vontade para estudar. O rapaz entusiasmou-se e, com a vaidade a crescer, dedicou-se à realização das tarefas que lhe eram dadas, foi trabalhar para a Câmara, alimentou a esperança de vir a ser vereador, movido pela vaidade e ambição e, influenciado pelos mais idosos, continuou a estudar e a querer fazer figura, e lá se ia esforçando um pouco.

Mas a Maria José continuava presa aos objectivos que esperava ver atingidos pelo neto, repetia que a família desejava que ele viesse a ser doutor, mas o Manuel Afonso respondia que ele podia vir a ser deputado, podia fazer uns favores a uma universidade que, em troca, lhe poderia dar um diploma; e citava um primeiro-ministro a quem, pouco tempo antes, uma universidade tinha mandado entregar, num Domingo, o diploma de licenciatura e referiu outros casos com aspectos semelhantes. Além disso, ele vai aprendendo as habilidades e as manhas dos políticos e, com facilidade, se torna rico e até milionário sem suar nem fazer calos, causando inveja aos actuais companheiros da escola que matam a cabeça para obter boas notas, mas sem aprenderem a maneira de arranjar fortuna.

De entre as habilidades citou o domínio da Comunicação Social, para manter a população de cérebro lavado e vazio, a preocupar-se com ninharias e afastada dos problemas essenciais que devem ser desviados das conversas para não colocarem em más condições as posições dos políticos, por estes não serem capazes de encontrar soluções para o que realmente interessa à população. Por isso evitam que esta vá alem do futebol e crie problemas aos governantes.

Essa lavagem de cérebro tem agora uma artista, a Greta, que à margem da ciência agride verbalmente pessoas com responsabilidade, com fantasias sem o mínimo de saber científico mas que cala a boca de gente a quem falta saber e discernimento para distinguir o que é científico daquilo que não passa de fantasias. E há muito dinheiro por detrás de tais palhaçadas que permitem lucros compensadores em negócios para lutar contra fantasmas que o povo leva a sério.

Veja-se o discurso que Vladimir Putin leu, em ambiente solene, a alertar os governantes ocidentais que desprezam a sensatez e a racionalidade. ■

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A HUMANIDADE NÃO DESISTE DA VIOLÊNCIA!

A Humanidade não desiste da violência?
DIABO 2232 de 11-1º-2019.Por António João Soares Coronel

Infelizmente, o ser humano, apesar do desenvolvimento e dos apelos religiosos durante muitos séculos, continua apegado a ambições, vaidades, violências que o tornam mais irracional do que os animais a que os nossos antepassados aplicaram tal adjectivo.

Há dias, vi um vídeo que mostrava uma arena ocupada por uma espécie de formatura militar de jovens espaçados de cerca de 3 metros entre si. Abriram-se as portas do curro e saltou para fora um touro, com ar agressivo, mas que ficou espantado por ver aquela gente completamente imóvel, sem representar qualquer perigo para ele que se passeou em várias direcções entre eles com serenidade e completamente à vontade. Nisto, vê mexer lá ao fundo uma capa e correu para ela, tendo parado quando ela se imobilizou e deixou de ser ameaça à sua segurança, e continuou o seu passeio.

O Google tem divulgado várias imagens que evidenciam a solidariedade e amizade entre vários animais sem problemas de raça, tamanho ou cor, quando não têm motivo para recear pela sua segurança e vida. Mas os seres humanos são, muitas vezes, ambiciosos, ostensivamente vaidosos o que pode levá-los a falsos medos, a ódios, a raivas e a desejos de vingança que podem levar a violências impensáveis. Aparecem notícias chocantes, mesmo de familiares que se assassinam.

E o que se passa em pessoas, em famílias, em grupos de fãs clubistas, passa-se também nos mais altos níveis dos poderes políticos internacionais. As guerras não acontecem por acaso. As indústrias de armamento defendem o seu negócio e procuram, pelas mais variadas formas e pretextos, vender material letal a diversos Estados e a grupos terroristas (muitas vezes apoiados por rivais dos alvos que escolhem). Têm sido frequentes, na Comunicação Social, notícias sobre actos de violência em África e, principalmente, no Médio Oriente e Ásia. Tenho presente o assunto do ataque de ‘drones’ no dia 13 de Setembro contra duas instalações petrolíferas sauditas, reivindicado por rebeldes iemenitas Huthis e que deu origem a acusação ao Irão de ser o mandante de tal acção violenta que obriga a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, a reduzir temporariamente a sua produção para metade, com grande aumento de preço aos consumidores.

Tal acusação assenta em factores como a ambição iraniana de restaurar o antigo Império Persa de Dario que tem dado origem a variadas acções na região do Golfo Pérsico, retenção de petroleiros no Estreito de Ormuz e nas intervenções no Iraque, na Síria e no Iémen e à intenção de criação de armas nucleares, objecto do acordo de Junho de 2006 com o grupo P5+1 e cujo incumprimento tem dado lugar a retaliações comerciais por parte dos EUA.

Esta situação de persistente intenção de violência é confirmada por indícios vindos a público com frequência, como a acusação recente de Israel de que o Irão tem ocultado “uma instalação secreta” onde desenvolve testes com armas nucleares.

Sobre a eliminação da violência extrema, o Conselho de Segurança da ONU decidiu a desnuclearização mundial que serviu de pretexto para os EUA negociarem com a Coreia do Norte a paragem das investigações e intenções de criar armas nucleares, mas tal decisão do CS está eivada de prepotência e arrogância dos seus membros permanentes que impõem ao mundo aquilo que consideram ser seu próprio direito. Como tal decisão, tendo uma intenção louvável não devia admitir excepções, aqueles cinco Estados deviam decidir-se a dar o exemplo, desmontando as suas armas, por forma visível, perante um grupo internacional de observadores isentos, a fim de o mundo não ter dúvidas. E, a partir daí, um Estado que infringisse a determinação seria adequadamente castigado.

Com atitudes deste género iniciar-se- -ia uma nova era de diálogo e negociação para resolver qualquer pequeno conflito de interesses, entre pessoas verdadeiramente racionais e solidárias, sem recurso a violência inocentes. ■

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AMBIENTE

Alterações climáticas e Ambiente
DIABO nº 2231 de 04-10-2019, pág 16 por António João Soares

Ultimamente, têm sido ditas muitas coisas como sendo úteis para evitar alterações climáticas mas, segundo opiniões de pessoas com formação sobre o tema, essas opiniões pretensiosas de nada valem para alterar aquilo que a Natureza já está a fazer. Porém, na generalidade, as iniciativas aconselhadas são benéficas para melhorar a qualidade do ambiente, beneficiando as nossas vidas com melhor saúde, comodidade e agrado.

Será bom que as pessoas com responsabilidades no País e no exterior sejam mais prudentes e deixem de citar as alterações climáticas quando se devem limitar a referir os cuidados para a defesa do ambiente. Quanto ao clima, nada de muito significativo se pode fazer a não ser as medidas referidas mais abaixo, saídas de mentes bem formadas e intencionadas.

E não se deve esquecer que, para resolver problemas essenciais, não bastam palavras mesmo que sejam bem intencionadas, como aconteceu no caso da “criação de uma estratégia nacional integrada de redução de plásticos” que, devido a falta de informação, foi impedida de início, sem modos de reduzir a vulnerabilidade do país à tal poluição. Na ausência de informações sobre os impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde da poluição por plástico, não só se impede uma estratégia de redução como a determinação de um investimento de gestão dos resíduos. Aos agentes económicos, às autoridades em geral e ao povo consumidor deve ser oferecido conhecimento e sensibilidade para contribuírem para a resolução do problema com eficácia. É pena os nossos governantes não terem a noção de que a legislação não vale apenas por estar no papel, pois precisa de ser compreendida e assumida por aqueles a quem se destina.

Porém, a temida alteração climática já está em curso com vários aspectos visíveis que aconselham adaptações adequadas nos nossos comportamentos pessoais e de algumas actividades económicas, por forma a que as nossas vidas e a ligação com a fauna e a flora não sejam demasiado lesadas pelas alterações que nos são impostas. Neste aspecto, já há trabalhos de técnicos agrários e agrónomos, muito conscientes e atentos ao problema, que se afastam das palavras falaciosas de “jovens sábios” desprovidos de sentido prático e de conhecimentos científicos, e estão a experimentar soluções para fazer face às novas alterações climáticas em zonas mais sensíveis e onde já se sente o aumento da temperatura e os sinais de escassez de água.

A posição positiva e bem fundamentada de técnicos agrários vem, concretamente, contrariar certas intenções infantis de querer contrariar a força da Natureza que pode ser semelhante a muitas outras ocorridas na longa vida do nosso Planeta. A Natureza não se subordina aos habitantes, como aconteceu quando criou o Oceano Atlântico, cortando o continente africano, ou quando prepara novo corte, também em sentido próximo dos meridianos, na parte Leste do mesmo continente. O homem não tem poder para evitar as alterações climáticas, por mais teatro que faça, com a Greta ou com outras enviadas pelo grande capital. Medida inteligente é a alteração dos nossos hábitos para sobrevivermos a carências que surjam, como é tomado bem evidente pela notícia “O montado ibérico desafia as alterações climáticas”, com empresários agrícolas ibéricos a tomar medidas para o melhor aproveitamento dos terrenos, em benefício das pessoas, da fauna e da flora, por forma a evitar graves consequências das secas que se anunciam. Um novo sistema de exploração do montado, tornando as explorações mais produtivas e rentáveis e, ao mesmo tempo, fixando população no meio rural, em grande parte despovoado, é uma solução inteligente e bom caminho a seguir.

Como a intenção da redução de plásticos, também as conclusões dos trabalhos de investigação para se obter a melhor adaptação às alterações climáticas necessitam de boa e adequada divulgação a toda a população, principalmente a ligada ao meio rural, para se obterem os melhores resultados e se evitarem ao máximo os incómodos da mudança. ■

terça-feira, 1 de outubro de 2019

DISCURSO DE VLADIMIR PUTIN em 30-09-2019

190930. Discurso de Putin
Tradução que consegui do vídeo com este discurso.

Hoje estou cansado. Cansado de vocês.

Quero dirigir-me aos líderes do mundo. Que se passa com vocês? Que plano diabólico estão tramando? Vocês estão, deliberadamente, tentando reduzir a população e fazem-no à custa de vidas inocentes, de mentes frágeis que acreditam no vosso politicamente correcto. Pais, mães, filhos. Uma classe de monstros convence uma família a mutilar os órgãos genitais de seu filho, porque este um dia parece uma menina? Sabendo perfeitamente que um menino não tem ainda a sua identidade formada. Que tipo de fera maligna convence um país do ocidente a abrir as portas ao terrorismo do Estado Islâmico? Lavando o cérebro das pessoas com poderosos sistemas mediáticos poderosos que mentem descaradamente.

Vocês estão mudando os valores da cultura ocidental, um a um, intencionalmente. Vocês desejam que o terrorismo destrua vidas inocentes. Vocês mesmos estão a atacar a vossa própria cultura e valores, a consciência. Querem destruir o cristianismo, sabendo que do outro lado virão outros impor o Islão, através da violência e do terror. Sabem-no e deixam que isto aconteça. Agora, pelas vítimas do terrorismo, peço que façamos um minuto de silêncio…

Poderosos do Mundo, estou atento aos vossos planos diabólicos para reduzir a população do planeta. Desde abrir as portas e barreiras a grupos terroristas até à tentativa deliberada de homossexualizar a população. Vim aqui hoje para expor como e porquê vocês fazem isso. Têm sido suficientemente maus para tirar proveito dos fracos, dos oprimidos. Levaram os jovens pelos chifres e encheram as suas mentes com lixo. Tornaram natural a mudança cirúrgica de sexo.

O prefeito da cidade de Manchester naturalizou o terrorismo islâmico. Depois de um atentado, ele disse que os ataques terroristas são parte natural da vida numa grande cidade. Incrível. Se vocês acham que o vosso povo deve acostumar-se a ser massacrado, renunciem ao vosso cargo.

E o que estão fazendo com a comunidade homossexual, Deus. Estão tirando vantagem de uma parte da sociedade que tem sido eternamente oprimida e já sabendo que sofrem de distúrbios e disforia, para fazer-lhe acreditar que são a ordem natural e que todo aquele que não aceite esta premissa é um mau e um pateta fóbico que os odeia sem medida. A homossexualização, através de falsos e alterados estudos que, mês a mês, relatam que a heterossexualidade não existe. Artigos sobre modas suspeitas em que os heterossexuais fazem sexo entre homens e que a heterossexualidade não passa de uma construção social. Bem eu digo que estes são clientes. Mentiras premeditadas para reduzir a população mundial a pouco e pouco. Porque vocês sabem bem que uma sociedade homossexual não será capaz de se reproduzir.

Os islâmicos nos massacram. Vocês bombardeiam os islâmicos. E a sociedade não se reproduz. O resultado é que vocês esperam uma eficaz redução efectiva populacional. Mas isto não termina aqui. Eles também aumentam o ódio entre homens e mulheres. Eles destruíram o movimento feminista, para gerar uma guerra entre seres biologicamente adequados. Homens e mulheres. Se homem e mulheres se odeiam, as chances da sua reprodução desaparecem completamente.

Este plano monstruoso é acompanhado de uma filosofia neomarxista. E os jovens de mente fraca que compraram discursos pré-digeridos. Rapazes e raparigas que recusam pensar por si mesmos ficam com cérebros lavados, cheios de ideias absurdas, completamente idiotas e defendem leis jihadistas. Eles estão absolutamente convencidos de que a mutilação dos órgãos genitais não resulta num distúrbio de identidade sexual. Eles conseguiram convencê-los de que o inimigo é a família tradicional, quer dizer a que se reproduz.
Mas hoje a história, vos demonstrará a vocês, governantes, que o sentimento comum é mais forte. Exigimos que façam marcha atrás com o vosso plano.

Hoje estou aqui em paz. Implorando para ser deixado sozinho. Deixem já em paz as mentes dos jovens e dos oprimidos, mas pisei e demonstrei que estou ciente dos vossos planos. As vossas políticas têm que mudar urgentemente. Os vossos mídia deverão começar a dizer a verdade. Parem de tentar deliberadamente confundir os jovens sobre a sua privacidade. Meter-se na vida sexual de uma pessoa saudável é um acto desprezível e repugnante. Exigir a todo um povo que se acostume a ser massacrado por imigrantes radicais é um acto cobarde, desprezível. Enfrentar homens e mulheres sob a bandeira do feminismo… Canalhas, canalhas. É uma das coisas mais infelizes que vi em toda a minha vida política. América e Europa se não terminarem os seus planos, deverão enfrentar, não sozinhos, a ira de Deus. Senão também a minha. Retrocedam com o vosso plano.
Deus e Pátria ou morte. Viva. Viva. Viva


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

GOVERNO DESEJÁVEL



De hoje a uma semana, haverá eleições de que resultará um Governo, novo Poder Executivo, que deverá definir objectivos claros, de médio e longo prazo, para os sectores essenciais da Nação. Tais escolhas de objectivos devem resultar de estudos bem pensados, sólidos, das causas e condicionamentos dos problemas que precisam de solução, e de ideias estratégicas focadas num futuro melhor. Depois, deve proceder uma organização simples, sem burocracias desnecessárias, e eficaz para os concretizar de forma adequada.

O pessoal que, nos serviços públicos, terá a responsabilidade de realização das tarefas para a realização dos objectivos nacionais, deve ser escolhido, não por motivos de amizade ou família ou clubismo, mas em resultado de uma escolha serena e ponderada de pessoas que tenham preparação e experiência para o efeito.

Quanto a decisões dos governantes, é imperioso que os seus autores tenham consciência de que as palavras nada valem só por si se não forem traduzidas em acções adequadas. Por isso, não basta decidir e escrever despachos, comunicados, etc., pois é indispensável preparar tudo, com realismo, para serem obtidos os resultados desejados. Não deve voltar a acontecer como com a decisão de ELIMINAR OS PLÁSTICOS e, depois de algum tempo, os governantes lamentarem ter ficado tudo na mesma, porque não foram difundidas as necessárias instruções e comunicações sobre as condições e modalidades de acção para que isso resultasse. Faltaram preparativos de instrução e de criação de ambiente para as empresas alterarem os seus procedimentos de aquisição e utilização de outros instrumentos, e para os consumidores aderirem com entusiasmo à alteração dos seus comportamentos na utilização e no destino final.

As pessoas devem ser, permanentemente, consideradas o alvo superior em qualquer decisão. Esta deve ser devidamente ponderada quanto aos efeitos desejados e as pessoas devem ser ouvidas para se conseguir calcular a sua adesão e criar nelas bom espírito de colaboração naquilo que se destina a melhorar a sua qualidade de vida. As decisões tomadas por capricho ou inspiração pessoal imediata, raramente, resultam de forma correcta como aconteceu na de transferir para o Porto o INEM.

Depois de estudar as causas e condicionamentos dos problemas e de ouvir pessoas que os conhecem e de tomada decisão, convertida ou não em documento legal, para que os resultados sejam os desejados, é essencial o acompanhamento das actividades, para correcção e melhoramento das comunicações a fim de conseguir a melhor colaboração de todos os executantes e, a partir daí, se necessário, decidir medidas adicionais que tornam a adesão mais motivadora e entusiástica.

domingo, 29 de setembro de 2019

O SUSTO GLOBAL

O susto global
Transcrição do artigo de O DIABO nº 2230 de 29-09-2019, pág 12-13. Pelo Sociólogo Augusto Deveza Ramos

O clima foi sempre um instrumento político e militar. Quem controlar a narrativa do clima controla as vontades do planeta

Numa semana internacionalmente marcada pela Cimeira da Acção Climática, em que uma criança sueca foi usada como “argumento” emocional das teorias ambientais “da moda” e o Presidente Marcelo, ao discursar nas Nações Unidas, associou Portugal ao alarmismo catastrofista do “politicamente correcto” de esquerda, O DIABO entra no debate sobre o clima e dá voz às crescentes dúvidas sobre uma “agenda ambientalista” cada vez mais politizada.

1.O susto

A opinião pública tem sido intoxicada e atacada com propaganda acerca do clima. É um esquema ideológico socialista. O objectivo é criar impostos, atacar as soberanias, rebaixar a classe média e vigiar os comportamentos individuais: tudo em nome do preconceito a que deram o nome de «aquecimento global».

Uma das principais agendas nos Media tem sido que «o clima do planeta está a mudar» e que não se pode fazer nada por isso, senão «pagar mais impostos para que cientistas tentem resolver o problema». Grande parte da opinião pública não tem tempo para aprofundar essas premissas e acredita, sem muita dúvida, na intoxicação das televisões, rádios e jornais. Um pequeno resumo dramático acerca do “apocalipse no clima” transmitido no telejornal da noite é o suficiente para que parte significativa da população considere o ‹susto› climatérico como verdadeiro. O objectivo é gerar conformismo nos contribuintes e eleitores e até messianismo nas classes sociais marginais. O susto baseava-se numa premissa geo-estratégica, mas errada à partida: é possível enganar a maioria da população e até países.

À medida que a globalização avançou, a ONU e organizações internacionais adquiriram legitimidade para, literalmente, enganar a população com as narrativas mais absurdas, do susto climatérico aos benefícios da migração, sem esquecer as glórias da China. O logro foi criado para que os globalistas mantivessem a população assustada e hipnotizada, mais dócil para pagar impostos mundiais, sem fazer perguntas e até se juntarem à ‹causa›. O esquema não é novo. O clima foi sempre um instrumento político e militar. O que é inédito é a disseminação planetária de uma mentira que está a ficar muita cara ao ocidente.

Até aos anos 70, a ONU e os globalistas mantinham a população hipnotizada com a ameaça da guerra nuclear entre a URSS e os EUA. Assim que a Guerra Fria terminou, era preciso manter o hipnotismo da obediência, um novo medo. Foi quando os globalistas forjaram a «catástrofe climática». Mas não foi um processo pacífico, foi cómico. Por exemplo, nos anos 70 a revista ‘Time’ publicou três capas medonhas acerca do gelo ameaçador para a humanidade: era o «arrefecimento global». De repente, tudo mudou. A maturidade revelou que final era «aquecimento global».

Estas organizações supranacionais, como a ONU, são organizações ideológicas que usam a ciência para justificar as suas políticas. Mas algo mudou: se a empreitada tinha avançado sem grande resistência, com filmes retóricos como o de Al Gore, “Uma verdade inconveniente” (em sequela), o susto parece que deixou de funcionar. O planeta acordou.

2.Uma hipótese

O “aquecimento global” não é uma teoria, é uma hipótese que nunca mostrou prova científica. Para isso, as organizações globalistas conseguiram reunir um consenso mundial, expandido, acerca desta fraude científica: «o homem emite dióxido de carbono (CO2), causado pela indústria e automóveis, para a atmosfera, que gera uma camada de ozono que afecta o efeito de estufa e gera o aquecimento da terra». A lenda passou tantas vezes nos ‘tops’ mediáticos que apenas os especialistas duvidaram desse refrão. A maior parte da população ouviu, encantou-se e até alinhou com a sereia. Mas poucos a dissecaram a lenda.

Em primeiro lugar, o CO2 (Dióxido de Carbono) é um gás fundamental na vida humana: sem CO2 as plantas não vivem, não há pasto para os animais, nem alimentação para a humanidade; em segundo lugar, não há relação provada entre emissão industrial e aquecimento global. Segundo Luiz Carlos Molion (Universidade de Évora, Universidade Federal de Alagoas, Brasil, e Western Michigan University, EUA), o maior aquecimento da terra no século XX deu-se entre 1925 e 1946, quando o homem lançava menos de 6% de CO2 para a atmosfera; terceiro, a camada de ozono a ser formada desaparece pelo efeito de auto- -regulação da atmosfera, e quando chega aos polos frios, literalmente desaparece; quarto, não existe nenhum preservativo na terra chamado «efeito de estufa».

E se é verdade que tem havido um aquecimento da terra, é falso que esse aquecimento tenha causa atribuível, isto é, causa humana. O aumento das temperaturas é causado pelo Sol, que aquece os oceanos e difunde correntes marítimas quentes que podem afectar os glaciares. Esta verdade é inconveniente porque não tributável, a não ser que as finanças globalistas já estejam a observar a contabilidade do nosso velho amigo Sol.

Al Gore exala nos seus documentários que o “CO2 é a causa do aquecimento da terra”, invertendo a realidade: na verdade, há mais CO2 depois do aquecimento da Terra (quando o sol emite mais temperatura à Terra, aquece os oceanos, que libertam CO2, e estimula os seres vivos, plantas, que produzem o CO2 pela fotossíntese). Al Gore e os globalistas tributários insistem que o CO2 é o ‹mau da fita› no planeta, não revelando que sem carbono não estariam cá para continuar a enganar-nos. O dióxido de carbono é fundamental à vida: é gerado pela fotossíntese de plantas, num processo de transformação de energia solar em energia química que é distribuída aos seres vivos (animais, humanos) que consomem essas plantas no ciclo da teia alimentar.

Como o dióxido de carbono é armazenado naturalmente nos combustíveis fósseis, os globalistas decidiram perseguir os seus armazéns: petróleo, carvão, gás natural. Mas é mais um esquema económico geo-estratégico a médio prazo. Porque se trata de sancionar os países produtores destes combustíveis fósseis, como a Rússia, produtora de gás natural.

3.A fraude

Não há evidência científica de que o aquecimento global tenha relação com o aumento de CO2. Até agora, nenhum organismo ambientalista, ou académico, provou isso. Não passa de uma hipótese que nunca cumpriu a última etapa epistemológica: a prova. Os globalistas associam directamente o crescimento do CO2 à revolução industrial, mas é uma falácia: o CO2 é produto do aumento da temperatura (actividade do sol) e não o contrário.

Esta propaganda fraudulenta tem origem no IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), um organismo político (não científico) que foi criado em 1988, nas Nações Unidas (ONU). O IPCC não produz pesquisa original, apenas sintetiza o conhecimento produzido por cientistas «independentes» mas «ligados a organizações e governos» (sic). É uma espécie de central de difusão de relatórios duvidosos para justificar a administração de políticas tributárias. Mas até o próprio IPCC tem recuado nas suas premissas, cada vez mais denunciadas como fraudes. O IPCC emite relatórios de 4.000 páginas (que conta que ninguém leia) mas concentra dezenas de especialistas a elaborarem sumários de 25 páginas, com linguagem volátil, para acertar nas redacções dos jornais e televisões e, principalmente, na agenda de incautos ministros dos governos soberanos.

4.A maldita agenda da ONU

O Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris (que Trump não assinou) pretendem 100 biliões de dólares/ano, em impostos, para reduzir “emissões” de carbono (atribuídas ao homem e não à natureza). Esses biliões provêm dos bolsos dos contribuintes de todo o planeta. O objectivo do embuste será «reduzir as emissões de CO2» e atribuir as culpas ao Homem. Objectivo em que o Papa Francisco tem sido cúmplice.

Mas os objectivos são outros: em nome da redução das emissões de CO2, a ONU, através do IPCC, pretende empobrecer o Ocidente desenvolvido em três vectores: primeiro, aumentar os impostos gerais e à classe média detentora de indústria; segundo, atacar a infraestrutura dos países, sua produção e energia - 80% da energia eléctrica mundial depende dos combustíveis fosseis, petróleo, carvão e gás natural; terceiro, atacar os direitos e soberanias (o cidadão terá de obedecer a ‹níveis› de comportamento e consumo que o Big Brother da ONU vigiará). E não fica por aqui: a China, o país mais poluidor do mundo, está isenta de obrigações ambientais. Hoje a China é tão desleal na sua concorrência no Ocidente que tem electricidade sete vezes mais barata que a Europa, favorecendo a sua expansão económica e ideológica totalitária no planeta, como mostra a sua recente invasão a Hong Kong e a disseminação da tecnologia-espiã 5G no ocidente.

Se a ONU pretende reduzir emissões de carbono - por impostos, controle da energia e produção - vai atacar 80% da estrutura mundial que precisa de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás) para produzir electricidade. Isto vai gerar estagnação, desigualdade e pobreza em muitos países. Mas não se preocupem: a “Agenda 2030” da ONU já previu isso na sua primeira alínea («combater a fome em todo o mundo»); e se os impostos em nome do carbono vão causar massivo desespero e fuga à fome pela migração, a ONU também já forjou em Marraquexe, no ano passado, o Plano Global das Migrações - o plano que prevê que os países signatários (Portugal incluído) acolham migrantes vindos de países asfixiados pelas taxas de carbono. Isto não é apenas um embuste tributário, é muito pior: é criar pobreza e caos mundial, destruir fronteiras, prosperidades nacionais e locais, incitar à migração desesperada. Tudo isto para a subreptícia intenção da ONU: gerar o governo mundial de «emergência», centralizado, sem democracia, que iria salvar o planeta do clima e da fome.

5.Perguntas inconvenientes

Se a ameaça de aumento do nível do mar, causado pelo degelo nos polos, é real, porque comprou a vedeta de uma “Verdade Inconveniente”, Al Gore, uma casa de praia no valor de 9,5 milhões de dólares junto ao mar, a poucos centímetros acima do nível do mar, em Montesito, Califórnia? E porque fez o mesmo, o ex-presidente Barak Obama, que pagou 15 milhões por uma casa de praia numa ilha, bem rente ao nível do mar? Será que o mar é como os globalistas, quando se eleva não é para todos?

Por que razão a Alemanha se está a preparar tanto, tendo construído 23 centrais termoeléctricas a carvão (que geram acido sulfúrico, poluente), em 2018? Porquê o mesmo no Japão? Porque podem estes países construir termoeléctricas (carvão contém carbono) e outros países não? O que se está a forjar por trás das cortinas?

6.Respostas convenientes

O grande público, admite-se, não tem tempo para aprofundar a propaganda massiva que lhe é inculcada. Uma “mentira repetida torna-se verdade”, dizia Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler. A propaganda do «susto do clima» conta com biliões de dólares doados a centrais de difusão e Media para produzirem acólitos, missionários e até pategos.

Importa desmistificar estes mitos:

1) Nível do mar - não depende do aquecimento global mas do movimento das placas tectónicas, ventos, ondas dos oceanos e até do ciclo lunar; está, por exemplo, a baixar nos países nórdicos (a terra elevou-se por movimento tectónico); depende de um planeta inquieto, é o resultado de fenómenos de agradação (formação de praias) e degradação (da praia);

2) Aquecimento - houve um aquecimento da terra desde o início do século, o problema é que a ONU, pelo IPCC, diz que isso é responsabilidade do Homem; não é, o Sol é o responsável por isto tudo;

3) Derretimento glacial - resulta de ondas marítimas quentes vindas do Sul que entram no Árctico, aquecem as águas profundas e descongelam a infraestrutura dos icebergues, não é culpa do Homem;

4) Previsões - as hipóteses do IPCC e Al Gore não provêm da observação, saem de modelos de computador sem metodologia científica, onde não são tratadas variáveis fundamentais, como nuvens, ciclo hidrológico, movimentos de calor, oceanos;

5) Tendência - o clima está a mudar para o arrefecimento até 2035;

6) Lua - os ciclos da Lua interferem com a gravitação da terra, por vezes «puxam» os oceanos e estimulam correntes marinhas quentes e frias que afectam os climas locais e globais;

7) Camada de Ozono - não existe; o ozono desaparece diante das temperaturas da Antárctida;

8) Aquecimento local - incêndios, inundações, indústria, poluição, não têm impacto global, apenas local, no micro-clima, que a atmosfera dissolve rapidamente;

9) Chuvas - são fenómenos cíclicos de variação da temperatura dos oceanos que causam precipitação nos continentes, não dependem do aquecimento global.

7.Conclusão

Quem controlar a narrativa do clima controla as vontades do planeta. É o que pretende a ONU. O mais pernicioso nem é a fraude da hipótese do “aquecimento global”, mas a inculcação e danos que a propaganda já gerou na opinião publica e nas infelizes gerações que não tiveram oportunidade de questionar a doutrina. Hoje o clima é desculpa para todos os males da humanidade: pobreza, dilúvios, ursos polares, vontade de trabalhar, aborto, hiperpopulação, e até raças. A propaganda cumpriu o seu propósito: criar confusão, caos e desinformação, a favor dos ‘lobbies’ de mega- -empresas, governos e suas estratégias.

As dezenas de reuniões mundiais para o clima, servem actualmente apenas para discutir novas e mais sofisticadas formas de colonização globalista. Por exemplo, o ex-presidente do Brasil, Color de Mello, revelou, dois anos depois de assinar o Protocolo de Montreal de 1987 - taxação de CFC›s (spray, ar condicionado) – que tinha sido chantageado pelo FMI para poder renovar a ajuda ao Brasil. É assim. Os países pobres assinam tratados porque apenas querem subsídios financeiros dos globalistas, mas nunca se vão desenvolver ao nível dos ricos. A ‹Cosa Nostra› não permite.

O objectivo global do embuste do «clima aquecido» é centralizar decisões e controle: em nome do controle do clima, ‹gerem-se ‹os climas locais, isto é, controlam-se os recursos locais não apenas dos países, mas principalmente regiões, zonas e áreas, onde são mapeados os seus recursos minerais. Isto não tem nada de ambiental ou de eliminação de pobreza, é pura táctica geo-económica a prazo. Que inclui a desindustrialização de países em ascensão - como Portugal, que paga a electricidade caríssima e torna o país repelente a investidores estrangeiros, mantendo-o planeadamente insolvente e eternamente dependente da ajuda dos bancos centrais, o BCE ou FMI (globalistas).

Mas há boas notícias: milhares de cientistas, nomeadamente da NASA, denunciam o esquema do ‹aquecimento›; outros estão simplesmente em debandada. E Lord Monkton, um intrépido escocês, critico do logro, afirmou recentemente que «quando a ONU aceitar que o esquema é uma farsa está terminada a esquerda no planeta».

E é disso que a fraude do «aquecimento global» trata: da sobrevivência de um fóssil: a esquerda internacional. Não da nossa amada casa Terra. ■

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

VOTAR COMO?

Votar como?
(Publ. em O DIABO nº 2230 de 27-09-2019 pág 16, por António João Soares)

Estamos próximos da data de exercer o direito e dever de votar numa de entre muitas listas de candidatos às eleições legislativas. Votar é próprio da democracia, embora esta não esteja a corresponder, satisfatoriamente, aos fins que dela são esperados.

Com efeito, escolher os nossos representantes e servidores dos interesses nacionais não significa que vamos dar o voto a um grupo de pessoas que desconhecemos e que, à partida, temos justificada impressão de que, em vez serem dedicados defensores das causas nacionais, para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e para engrandecimento do património nacional, em bens materiais e culturais, são eivados de objectivos muito pessoais de enriquecimento volumoso e rápido sem olharem a meios para os atingir.

Os políticos desejáveis para as funções atrás referidas devem ser pessoas generosas, solidárias, respeitadoras dos direitos e liberdades individuais, dedicados aos valores éticos sociais e nacionais e desejosos de conhecer os problemas que os cidadãos querem ver resolvidos. Em complemento disso, devem possuir boas qualidades de gestores do erário, ser comedidos nas despesas, dando sempre prioridade àquilo que é essencial para os objectivos nacionais de engrandecimento do património e de melhoria das condições de vida da população nacional.

Como representantes e defensores dos cidadãos, devem ser pessoas com gosto pelo diálogo com pessoas de qualquer condição, de forma a terem facilidade na aquisição de conhecimento dos problemas nacionais, em qualquer parte do território. Nesse diálogo com os habitantes, nas suas frequentes visitas de observação do País real, devem evitar promessas ilusórias e limitar-se à realidade possível e desejável. Perante casos reais, devem estimular e incentivar as pessoas a analisar, com os amigos, as causas e os condicionalismos e, quando tiverem sugestões a apresentar, devem fazê-lo de forma construtiva para facilitar o trabalho dos técnicos que, posteriormente, elaborarão soluções. Com tal diálogo, os cidadãos devem ficar cientes de que os problemas nacionais são seus, de cada um deles e, por isso, não devem deixar de, em conversa com os amigos, procurar encontrar as soluções que achem ser mais adequadas e comunicá-las às autoridades governamentais, autárquicas, etc., para lhes facilitar a tarefa de que estão incumbidas. Será desejável que evitem, pelo diálogo, as nefastas greves de grande duração em serviços públicos que devem ter credibilidade e ser respeitados pelos cidadãos.

Perante isto, o acto de votar exige sentido de responsabilidade e o voto deve ser dado a quem inspire confiança, o que não é o caso de uma lista de pessoas de quem nada se conhece a não ser que são amigas do chefe do partido. Ora, a vida nacional de quase meio século mostra, sob muitos pontos de vista, que foi indesejável e que é altura de evitar votar em partidos que mostraram muitos defeitos, erros, más decisões e indecisões e, com isso, mantiveram o País num estado de estagnação indesejável. Por isso, há muitos cidadãos válidos que aconselham a procurar dados concretos que permitam arriscar o voto num dos partidos recentemente inscritos, embora inexperientes nas malabarices da política dita “correcta”, mas isentos de culpas na degradação que temos estado a sofrer de modo gravoso e continuado, com o esbanjamento das toneladas de barras de ouro recebidas do “antes do 25-A” e a dívida pública persistente que será uma pesada herança para as gerações vindouras.

Dos partidos recentemente surgidos, haverá alguns que reduzirão as despesas públicas hoje agravadas com benesses exageradas para ex-políticos, estabelecerão um tecto para a quantidade de sugadores do dinheiro público e para certas benesses que atingem valores chocantes quando comparadas com salários de trabalhadores activos, mesmo em altos cargos da função pública. ■

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONTRA A DESERTIFICAÇÃO, PELA NATUREZA

Contra a desertificação, pela Natureza
DIABO nº 2229 de 20-09-2019, pág 16

Para a sustentabilidade da vida humana no Planeta há que dedicar muita atenção à defesa do ambiente, isto é, da Natureza, com pessoas, animais e vegetais e a biodiversidade nos seus diversos sectores. Por exemplo, evitar a desertificação nos seus vários aspectos, ou o domínio de uma espécie vegetal que impede a vida das outras, como está a acontecer com o eucalipto, uma infestante que, em muitas áreas, está a impedir o crescimento das espécies anteriormente existentes.

Em Portugal, a desertificação atingiu tal exagero que já motivou o “Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, criado em 1996 e revisto em 2014”, e o compromisso assumido e referido na Agenda 2030 das Nações Unidas; e deu origem ao recente alerta do TdC para definir as linhas de acção para o combate às alterações climáticas, através da gestão do uso da água e da manutenção das florestas. Tendo havido um progressivo abandono dos meios rurais e encontrando-se o interior do País já em preocupante estado de desertificação, há urgência em tomar medidas para inverter o estado de degradação vigente. Essas medidas devem começar por dar incentivos atraentes para desenvolver actividades económicas ligadas às potencialidades locais – agricultura, pecuária, madeira, mobiliário, etc –, apoio às pessoas, repondo, de forma adequada, serviços públicos que foram retirados, no ensino, na saúde, nos correios, finanças, justiça, na banca, etc.

Há alguns anos, uma autarca do centro geográfico do continente, na Beira Baixa, conseguiu instalar uma boa quantidade de imigrantes brasileiros a fim de dinamizar o repovoamento da ária mas, como não lhes foram dados apoios atractivos, acabaram por decidir ir trabalhar em cidades, onde as condições eram mais vantajosas. Para resolver este grave problema não basta criar um “observatório” e ficar descansado de que fica solucionado, como parece ser a convicção do ministro do Ambiente. Há, pois, que deitar mãos ao problema e considerá-lo essencial e urgente. Os técnicos devem analisar localmente todos os factores intervenientes, estudar as causas e dialogar com habitantes actuais e recentes que forneçam opiniões construtivas. Com a devida frequência, esses técnicos devem apresentar o resultado da evolução do seu trabalho a fim de se evitarem indecisões e estagnação, se tomem posições oficiais quanto a resultados já consolidados e se melhorem adequadamente as estratégias para atingir os objectivos desejados em tempo aceitável.

Ao nomear técnicos para se encarregarem destas funções, devem ser escolhidas pessoas, não por amiguismo, mas por competência e experiência adquirida e demonstrada, para não serem mais um “observatório” ou “comissão” das que só excepcionalmente merecem elogio.

Há alguns anos, no distrito de Bragança houve jovens professores do secundário que, nos tempos livres, se dedicavam à agricultura ecológica de produtos alimentares, alguns ainda desconhecidos na região, e que foram noticiados na TV e apontados como exemplos a seguir. Desconheço a sua situação actual, mas há interesse em seguir tais exemplos. E empresas agrícolas como existem no Alentejo e no Algarve em mãos de estrangeiros, também podem servir de estímulo para tal sistema ser utilizado nas Beiras e em Trás-os-Montes, aproveitando bons terrenos agrícolas, que actualmente se encontram abandonados e cobertos de silvas e mato e ameaçados por eucaliptos.

No aspecto humano, como os poucos residentes, onde ainda os há, são idosos, deve ser encarada, de forma prática e satisfatória, a existência de centros de apoio de dia e de lares residenciais, o apoio de saúde e o apoio de serviços públicos para não terem de se deslocar muitos quilómetros sempre que precisem de resolver qualquer pequeno assunto da burocracia oficial a que sejam obrigados.

Não deve haver hesitações nas medidas que contribuam para anular a desertificação e para preservar a Natureza na sua melhor forma. ■

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

UNIDOS PARA UM PORTUGAL MELHOR

Unidos para um Portugal melhor
(Publicado em O DIABO nº 2228 de 13-09-2019, pág 16 por António João Soares)

“A união faz a força”. A convergência de esforços é apanágio de uma equipa que deseja ganhar. Na vida social de um País todos devemos estar interessados no progresso, no crescimento do património colectivo e, para isso, devemos definir consensualmente objectivos estratégicos, a longo prazo, a atingir pelo esforço coordenado de todos. Cumprirá aos partidos do Governo, com a colaboração dos outros, a definição dos objectivos e de como conseguir a sua conquista da maneira mais positiva, para satisfação de todo os cidadãos, de forma realista, nos aspectos de segurança, justiça social, saúde, etc. Tal tarefa, a fim de ser respeitada durante muito tempo sem sofrer alterações da iniciativa de futuros Executivos, não deve ser levada a cabo simplesmente por Governo, de forma egoísta, prepotente e autoritária. Em assunto de tal relevância deve haver estabilidade, o que exige que na sua criação deva haver convergência de opiniões e compromisso de todos, unidos para bem do País.

Infelizmente, como se verifica em época pré-eleitoral, este conceito de patriotismo é esquecido e gastam-se de forma nada inteligente, capitais, tempo e energias em fantasias descoordenadas e ilusórias para enganar os eleitores com assunto sem significado real e duradouro e são desprezados os temas essenciais para preparar um futuro melhor, com boa qualidade de vida das pessoas e engrandecimento do património nacional. Podemos e devemos meditar sobre acontecimentos reais. No futebol o que interessa é a contagem de pontos para vencer o campeonato e nada adiantam as questiúnculas de agressividade nas bancadas devidas a uma falha do árbitro ou a um encontrão entre jogadores. O essencial não se resolve com tais violências nada desportivas. Também no Estado, a agressividade entre partidos concorrentes ao Poder, não compensa a perda de tempo e energias que deviam ser empregues na preparação do melhor futuro colectivo, com objectivos comuns bem definidos, embora contendo formas mais ou menos adequadas a opiniões diferentes.

Por exemplo, deve ser consensualmente meditada a finalidade do ensino e a melhor forma de preparação das futuras gerações, a melhor solução de apoio de saúde à população, a forma mais eficiente de garantir a segurança de todos nas mais diversas situações, sem excessos nem carências que condicionem as liberdades individuais, o estímulo a formas mais eficientes de desenvolvimento económico, sem perda de justiça social nem de estímulo à iniciativa individual, sem perda de respeito pelos direitos dos outros, pelas boas tradições culturais e sociais, etc.

Embora sem espaço para muito, refiro por exemplo a autorização para a exploração de lítio, que, além de lesar a capacidade agrícola das áreas próximas da exploração, contamina as águas que entram na rede fluvial, prejudicando as regas e as pessoas que as usam. Por exemplo, as águas da vasta bacia do rio Zêzere são colhidas na barragem de Castelo de Bode para alimentar a extensa região urbana de Lisboa. Também o turismo, que é agora um bom factor da economia nacional, exige cuidados porque, sendo uma actividade instável, muito susceptível de grandes alterações por efeito de pequenos casos de insegurança, pode ter uma paragem, semelhante à que ocorreu no Sul de França após o acto terrorista de atropelamento de várias pessoas em Nice.

Também tem sido muito falada a discrepância entre o aumento de impostos, taxas e taxinhas e, do outro lado, a ausência de proporcional aumento do património nacional, o que faz pensar nos gastos exagerados com a quantidade de deputados e de pessoal nos gabinetes da administração pública, suas mordomias, carros e luxos, sem benefício visível, directo ou indirecto, para os cidadãos vulgares.

Para as reformas estruturais serem devidamente respeitadas, precisam resultar de bom entendimento e convergência de esforços. As grandes decisões para se tornar Portugal maior não são tarefa a realizar por capricho ou inspiração de momento, mas fruto de profunda meditação, com a colaboração de largo espectro dos cidadãos. Todos devemos dar o maior contributo possível. ■

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A FANTASIA DEVE SER MODERADA PELA SENSATEZ

A fantasia deve ser moderada pela sensatez
DIABO nº 2227 de 06-09-2019, pág 16, por António João Soares

Ao deparar com textos referentes a inovações, originalidades com vaidade de criatividade, lembrei-me de que, em centena e meia de textos aqui publicados, dez por cento focam a conveniência de encarar o futuro com vontade de inovar, de criar, de mudar, porque a Natureza é avessa ao imobilismo e vive da constante mudança dia/noite, Verão/Inverno, etc. Os textos que agora me chegaram conduzem ao mesmo tema e hesitei em insistir nele. Mas recordei a expressão latina ‘quod abundat non nocet’, o que abunda não prejudica, e insisto em sublinhar a necessidade de moderar as fantasias inovadoras e criativas com a sensatez suficiente para não se tornarem ridículas, fruto de vaidade ostentatória que, em pouco tempo, tenham de ser arquivadas em saco seguro.

Se é certo que a Natureza não é imutável, é também verdade que as suas variações se processam em continuidade, em função de circunstâncias naturais. Mas o homem que, errada e arrogantemente, se considerou racional em oposição a animais que classificou de irracionais mas que lhe mostram, com muita frequência, que são mais racionais do que ele e lhe dão lições de inteligência desenvolvida, ele muda por capricho, por estúpida mania de querer ostentar originalidade e criatividade, tomando medidas inconsistentes e que pouco depois tem de rejeitar. E, muitas vezes, esse impulso para se tornar notado contamina o ânimo de pessoas, desviando-as das suas tarefas bem remuneradas que devem ser destinadas ao bem dos cidadãos, e o seu tempo é desbaratado sem utilidade e prejudicando o bom exercício das suas funções e, por isso, impedem que o tal ser “racional” se possa colocar em plano superior aos ditos irracionais.

As inovações atrás referidas citam a escalada pró-animais com um SNS para cães e gatos e a inovação de alunos poderem escolher WC e balneários, independentemente de sexo. A Humanidade poderá chegar a um grau de evolução que dê a cães e gatos prioridade em relação a seres humanos, mas o estado actual da vida no planeta não permite, com sensatez, fazer uma tal alteração da ética social, por decreto. Só poderá acontecer por efeito de uma evolução que venha a ocorrer durante muito tempo, naturalmente, com progressividade, e que colha a aceitação da maioria das pessoas. Antes da condenação de quem bata num cão terá que ser criada uma justiça que condene o cão que morde um humano.

É preciso reflectir na conveniência de assumir regras para encarar a necessidade de mudança e para gerir para um futuro melhor porque o futuro exige objectivos e estratégias. Há Estados a confrontar situações de precariedade e de instabilidade e indefinição devidas a decisões pouco ponderadas ou não completamente concretizadas, como é o caso da Inglaterra com o Brexit e da Venezuela com o golpe incompleto.

Regular o funcionamento dos comportamentos numa sociedade não pode ter como modelo uma brincadeira infantil, nem o trabalho de mágicos, nem a representação de palhaços. É indispensável respeitar os direitos das pessoas de que muito se fala, mas que estão a ser muito esquecidos e desprezados por aqueles que têm o importante dever de as defender e respeitar. Os hábitos tradicionais devem ser respeitados por quem elabora as leis, a não ser quando se tornam completamente desajustados à actualidade, de acordo com opinião generalizada de quem os seguia. Governar em democracia não pode ser uma imposição arrogante e tirana de quem foi escolhido pelo povo para o defender e representar. ■

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

IDOSOS, MAS NÃO ABANDONADOS

Idosos, mas não abandonados
(Publicado em DIABO nº 2226 de 30-08-2019. Pág 16. Por António João Soares

Um artigo recente baseado num estudo profundo sobre a problemática dos idosos, defendia a necessidade de os centros de dia reverem a política de apoio aos idosos, não só com vista à sua situação de fragilidade, mas devendo focar problemas de isolamento e de ocupação do espírito a fim de terem um envelhecimento mais lento e agradável. Os centros de dia já são procurados mais pela necessidade de convívio social do que pela fragilidade financeira.

O tema não me é estranho e fez-me recordar dois artigos que publiquei n’O DIABO em 21 de Março de 2017 e em 13 de Junho de 2017, nos quais salientava que “os idosos não precisam apenas de comer e dormir”, mas também de apoio para continuarem a possível actividade física e a intelectual, psíquica, emotiva e social. Referia num desses textos que na Holanda há um apoio regular de jovens estudantes a lares de idosos, ao ponto de alguns destes lhes darem alojamento para lhes facilitar a acção de conversar e distrair os idosos internados. Está assente que a continuação da ocupação mental e a realização de trabalhos, de arte, de cultura, agradáveis e com utilidade para o próprio e para terceiros, prolonga a vida e adia a chegada de doenças próprias da idade ou mesmo evita-as, como o Alzheimar que hoje aflige tanta gente.

Estes cuidados com os idosos devem ser aplicados, dentro das possibilidades existentes, com mais ou menos engenho, não apenas nos lares mas também em família, na vizinhança e em grupos de amigos. Acerca disto, o Papa Francisco disse que a vida não pára com a reforma e, com o envelhecimento, aumenta-se o saber armazenado, dando mais valor a coisas essenciais pois “a felicidade interna não vem das coisas materiais do mundo… Quando se tem amigos e irmãos, com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira”.

Algum tempo antes de entrar no lar onde estou há mais de dois anos, vivia só, num pequeno apartamento, e precisei de substituir a lâmpada do tecto da cozinha. Peguei no escadote e coloquei-o de maneira a tirar a lâmpada a fim de ir comprar uma com rosca igual. Quando ia a colocar o pé no primeiro degrau, pensei que podia cair e depois ficar no chão com fracturas que me impedissem de pedir o socorro conveniente. Desisti de subir e pedi a um amigo para me ir segurar o escadote. Esse amigo foi lá acima retirar a lâmpada e eu é que amparei o escadote. Fomos comprar a lâmpada e ele voltou a subir o escadote e a colocá-la.

O idoso não deve viver sem um apoio que actue em qualquer emergência, como quando não possa ligar o telefone. Convém que as autoridades pensem em formas de apoio social de convívio, de conversa, etc. Certamente, com tal apoio eficiente evitavam-se muitas mortes dramáticas com demoradas agonias e, talvez, suicídios que servem de fuga à dor física e moral. Há já alguns anos, em Rio de Mouro, uma senhora solteira, que vivia só, deixou de aparecer. Deixou de pagar o imposto do apartamento, as Finanças depois de passados uns anos apoderaram-se da casa, sem lá irem, e venderam-na em leilão. A senhora que a comprou, ao entrar e dar dois passos, deparou com o cadáver. Quanto sofrimento teria tido, sem apoio, antes de falecer?

Aqui, estou bem apoiado e, com a minha filosofia de actividade até ao fim, não tenho falhado com o meu artigo em todos os números do jornal. E também não tenho faltado a um convívio semanal com um grupo de bons amigos.

Além de lares e de centros de dia, as autoridades devem procurar manter activo o lado espiritual, psíquico, das pessoas, fomentando a ocupação cultural, a curiosidade pelo que se passa, a transmissão do seu saber acumulado durante a vida e fazer algo de útil, em trabalhos de lavores, de pinturas, de artesanato, de bricolage, de arte musical, etc. ■

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ÁGUA ATÉ QUANDO !

Água até quando?
(Publicado no DIABO nº 2225 de 23-08-2019 pág 16)

Estudo internacional, nos 154 países analisados, coloca Portugal entre os 44 que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água. Isto coloca-nos numa situação de elevado risco de escassez de água. Há também outros 17 países, que representam um quarto da população mundial, em risco extremamente elevado. A pressão que os leva a consumir 80% das suas reservas de água por ano são a agricultura, as indústrias e os municípios.

A escassez deste produto vital coloca sérias ameaças ao ser humano, à sua subsistência e à estabilidade económica. Para que esta ameaça não se concretize com brevidade, os países devem tomar medidas adequadas, controlando o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização, factores que estão a provocar uma maior procura de água. Por outro lado, as alterações climáticas podem tornar mais imprevisto o agravamento.

Há que evitar desperdícios de água e aumentar o armazenamento da existente em barragens adequadas, e deve ser encarada a reutilização de águas residuais como uma solução adicional, podendo, com tratamento aperfeiçoado, gerar uma nova fonte de água potável. Nos países com maior carência, esta solução será importante porque 82% das suas águas residuais não são reutilizadas.

A pressão de falta de água não é necessariamente uma fatalidade e pode ser reduzida através do aperfeiçoamento da gestão dos recursos existentes. Evitar desperdício no consumo doméstico, apostar em técnicas de rega eficientes e económicas, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e intensificar a reutilização das águas residuais, em jardins, agricultura, limpezas urbanas e até nas sanitas domésticas.

Sem dúvida que poupar, enquanto a há, deve ser um cuidado a ter por todos os consumidores, mas deve ter apoio didáctico nas escolas e em contactos com a população, a fim de ser obtida boa melhoria dos comportamentos, embora isso, só por si, não evite o esgotamento.

É difícil pensar como será a nossa vida quando deixar de haver água. Por isso, além da redução de consumo nos factores atrás referidos, agricultura, indústrias e municípios, há que cuidar do armazenamento, evitando que corra para o mar sem ter o devido aproveitamento prévio, que se construam mais barragens e que as existentes tenham adequado aumento de capacidade, dentro do possível pelo aprofundamento das encostas submersas. Muitas das barragens existentes carecem desse trabalho porque a sua criação resumiu-se à construção do muro de sustentação da água. E pode ser obtido grande aumento da capacidade de armazenagem sem entrar nos terrenos particulares vizinhos.

E Portugal tem a grande benesse de uma extensa ligação ao mar, dando-nos uma larga possibilidade de preparar, desde já e antes que seja tarde demais, o aproveitamento da dessalinização da sua água. É certo que a água proveniente do mar não tem as qualidades a que estamos habituados, recolhida de nascentes nas nossas serras menos poluídas. Mas, à falta de melhor, há muita gente a viver dela em Cabo Verde, e em países com territórios áridos próximos do mar.

Uma fábrica de dessalinização não é uma obra fácil nem de rápida construção, pelo que não podemos adiar a ideia até ao momento em que ela seja realmente necessária. Então, pode ser demasiado tarde. No Verão de 2018 a Cidade de Viseu, perante a seca da barragem de Fagilde, no rio Dão, viu-se na necessidade de abastecer o seu depósito central com colunas de autotanques que se deslocavam a 40Km de distância. Na próxima seca, quantas cidades terão de usar a mesma solução e a que distância encontrarão o desejado maná? Com uma dessalinizadora na costa, passando a água pelas canalizações existentes dispensaria o dispêndio dos muitos autotanques. E, depois de construída a primeira, ela servirá de modelo e ensinamento para construir as necessárias.

Não hesitemos. Estamos entre os 44 Estados mundiais com maior perigo. Não fiquemos à espera de milagres, como tem acontecido com a prevenção de incêndios florestais. ■

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

GREVES POLÍTICAS?

Greves políticas?
(Publicado em (O DIABO nº 2224 de 16-08-2019, pág 16)

Nos últimos anos, têm sido noticiadas, e sentidos os seus piores efeitos, greves nos mais diversos sectores públicos, inclusivamente num dos três poderes da soberania, o Poder Judicial.

Por definição, “greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizado por trabalhadores com o propósito de obter direitos ou benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos laborais, ou para evitar a perda de benefícios”. Portanto, o direito à greve deve ser uma ferramenta da luta entre trabalhadores e seus patrões, sempre que não conseguirem acordo através de conversações amigáveis. Mas não é aceitável nem justo, no caso de serviços públicos como saúde, transportes, ensino e outros, que, por interesse de poucos, se causem sacrifícios e prejuízos a todos os cidadãos que sejam utentes ou clientes de tais serviços públicos, que existem para servir a população.

Tem sido tolerado pelo Governo que pessoas morram por falta de cirurgias ou outros tratamentos urgentes que deviam ter sido efectuados com oportunidade, que outras pessoas faltem aos empregos ou cheguem muito atrasadas, devido a greve do transporte que habitualmente utilizam. Se há desentendimento entre trabalhadores e patrões de serviços ou de empresas, não é justo que sejam prejudicadas pessoas que são apenas utentes e clientes e não têm culpa de irregularidades que existam entre patrões e empregados, nem têm possibilidade de contribuir para solucionar tais diferendos.

Para isso, os trabalhadores, além do diálogo ou negociação, dispõem da greve de zelo que em nada prejudica utentes e clientes e até os pode beneficiar. Apenas visam a administração do serviço ou empresa que, além de receber menos, tem mais despesas pelas exigências de melhores condições de trabalho e insatisfação no serviço, incitando a exigências que antes eram toleradas.

Como se nota que, na vida pública actual, tudo o que acontece tem uma intenção inconfessada na luta interpartidária e hoje estão na berra novas teorias sociais, demasiado fantasiosas e desajustadas das tradicionais, não deve ser posta de lado a hipótese de pressão de oposicionistas que, manipulando os sindicatos, procurem prejudicar e criar mal-estar na imagem do Governo frente às próximas eleições. Perante isso, o Governo deve, nos serviços públicos favorecer o relacionamento entre os diferentes graus de funcionários, criando harmonia que gere esperança de breve aumento da justiça social e da equidade, reduzindo o leque salarial, em muitos casos demasiado injusto e irritante.

Com a exagerada prioridade que muitas teorias recentes dão aos direitos, em detrimento dos deveres, nesta época em que o tema mais falado é o da greve dos motoristas dos transportes de matérias perigosas, aparecem umas virgens míopes que defendem os grevistas com termos como estes “eu digo Força Motoristas, estivadores e outros camionistas e povo em geral unam-se numa só voz... mostrem a esta corja de ladrões e corruptos que quem manda na Nação ainda é o povo...”. Pobre povo, dependente desta gente.

Mas a realidade no sector laboral leva a considerar urgente a revisão da situação de muitos trabalhadores que funcionam como autênticos escravos que, com o seu trabalho pago apenas com o salário mínimo, alimentam empresas com bons lucros pagando desproporcionadamente a gestores, incluindo prémios de desempenho em anos em que os lucros “fiscais” foram mínimos ou mesmo negativos. A ética recomenda mais justiça social e menos discrepância salarial e que entre os vários degraus haja melhor relacionamento, até para fins didácticos, melhorando a eficiência dos menos aptos.

Quanto à substituição da greve por soluções que não afectem a população, há a solução do Movimento Zero de agentes da Segurança Pública que aqui foi referida e a atitude do CEMGFA perante o MDN.

sábado, 10 de agosto de 2019

FOGOS INEVITÁVEIS?

Fogos inevitáveis?

(Publicado no DIABO nº 2223 de 09-08-2019, pág 16)



Em 2017, após os incêndios florestais de Pedrógão Grande que alastraram por enorme área onde causaram imensos prejuízos em instalações de habitação e agrícolas e em terrenos cultivados, bem como perdas de vidas, o Governo, através de palavras muito sonoras e largamente repetidas, criou na população a convicção de que não voltaria a sofrer efeitos de tragédias semelhantes.



Mas passados dois anos houve, além de outros, o caso de Mação, que abrangeu uma área assustadora, o que nos faz interrogar sobre as medidas concretas resultantes das intenções governamentais prometidas pelas palavras de esperança tão badaladas. Mas de tais promessas começou por se ver uma medida legal tão inadequada que teve de ser alterada nos prazos muito curtos que impunha para a limpeza nas vizinhanças de habitações e de povoações. Mas, apesar de terem surgido nos jornais opiniões de técnicos conceituados para se fazer uma reestruturação da floresta por forma a circunscrever a área de cada incêndio e outras medidas concretas já aplicadas noutras áreas próximas da nossa fronteira, o Governo teimou nas suas ideias e a intenção não faz milagres. Não se lembrou que seria útil pedir a colaboração de técnicos competentes para uma reunião de análise a fim de ser decidida uma solução, com pés e cabeça.



Acerca do fracasso da prevenção prometida, o Sr. Ministro da Administração Interna devia explicar as medidas que tomou para prevenir incêndios tão dramáticos. Quais as razões por que não foram eficazes para evitar os incêndios de agora? Porque não foram tomadas medidas melhores? Possivelmente, alguns dos seus colaboradores deram lhe um apoio menos conveniente ou pressionaram a adopção de medidas ineficazes? Que colaboradores despediu por o não terem ajudado a ter êxito?... Mas a fantochada continua. E a responsabilidade é toda atribuída ao povo que atura, sem reagir de forma eficaz e definitiva, os que agem em nome do governo.



E, na denominada limpeza da floresta, por melhor que se rape toda a vegetação rasteira, a Primavera seguinte faz cobrir o terreno de nova camada vegetal que seca no Verão, ficando pronta para as criminosas intenções de pirómanos a mando de bandidos com capacidade para lhes pagar. E, perante os pirómanos, havia que preparar a Justiça para aplicar penas que desencorajassem novos incendiários e seus apoiantes.



E, na limpeza das matas, é preciso bom senso e cautela para não destruir miniaturas de futuras grandes árvores, a fim de não transformar o interior num extenso campo desportivo para golf, futebol, etc. Limpeza radical dessa forma deve ser reservada aos aceiros que transformem as encostas numa quadrícula que impede fogos extensos e que tem sido sugerida em escritos de vários técnicos, atrás referidos.



Outra medida muito estranha, ainda não explicada, foi a aquisição de 70 mil golas compradas pela Protecção Civil não para usar em protecção individual, em incêndios, mas para sensibilização de boas práticas, mas que foram comprados com tal urgência que, sendo o “valor de mercado de 74 cêntimos cada”, o Jornal de Notícias garante que o Estado “deu 1,80 euros” na compra feita a marido de autarca do PS.



Com a anunciada subida de temperatura e a relacionada alteração climática, o País ficará transformado num monte de cinzas e de destroços, em pouco tempo, se não forem utilizados processos eficazes de detecção e de combate rápido. Há poucos anos, conheci um jovem que esteve em Barcelona a tirar um curso de pós-graduação e que, na tese, apresentou um sistema de detecção de um fósforo aceso, comunicada automaticamente aos bombeiros os quais accionam o carro de prevenção que, com pouca água, apaga a chama antes de ela se propagar. Em pontos altos bem escolhidos do terreno, montam postes com sensor que indica a direcção da chama e, por triangulação, dão aos bombeiros o seu local exacto para a eliminar. O custo disto resulta da quantidade de postes a instalar e dos aparelhos de detecção e de comunicação por satélite. ■


domingo, 4 de agosto de 2019

FOGOS FLORESTAIS OU IRRACIONALIDADE POLÍTICA



Fogos florestais ou irracionalidade política

Havia um corpo de Guarda Florestal que foi extinto por políticos de reduzida compreensão das realidades e sem preocupação com o futuro, isto é, sem visão estratégica. Quando a GF existia, podia haver mentes não esclarecidas sobre as realidades do interior que a consideravam desnecessária mas, no momento em que foi extinta, já se estava num processo de mudança da vida rural e os detentores do poder tinham obrigação de pensar nos dias do porvir, pois já eram visíveis as alterações que se anunciavam na agricultura. Daí a necessidade de uma maior vigilância da área florestal por forma a ser exercido um esforço sistemático de prevenção de incêndios e de rápida acção de combate de algum que surgisse. Além da detecção oportuna de incendiários.

Da minha vida durante mais de 18 anos na zona do pinhal, nunca vi um fogo. E a razão derivava de a agricultura precisar de limpar sistematicamente o pinhal para apanhar a caruma para a cama do gado e o mato para curtir para ser utilizado como adubo das terras, os pinheiros eram aparados para dar madeira para segurar as videiras, o feijão, as ervilhas e os tomates e para lenha para a lareira e o forno do pão. Com isso, obtinha-se uma limpeza tal que, durante os trabalhos na mata, não era necessário muito cuidado para acender uma fogueira para preparar o almoço. Depois, a evolução criou materiais para segurar as videiras, as ervilhas, o feijão etc, e deixou de ser necessário aparar as hastes dos pinheiros. Estas também deixaram de ser utilizadas como lenha da lareira, por haver fogões a gás. O forno do pão também deixou de usado como até aí. Também, o mato deixou de servir como fertilizante das terras por se passar a usar adubo. Também os bois deixaram de ser necessários para puxar a charrua, por passar a haver tractores, deixando de ser preciso o mato para as camas nos currais. E, assim, a mata passou a viver em paz sem a intervenção do homem que a limpava e, daí, a ocorrência de fogos impulsionados por madeireiros que pagam a pirómanos, etc.

Com esta mudança, é de lamentar a falta da Guarda florestal e a generalizada ignorância das condições em que vive o interior e dos cuidados de que este carece quanto a fogos e não só. E, para quem conhece o interior, é muito chocante ouvir os governantes dizer que não têm responsabilidade do que se passa no interior (a maior parte do território nacional), que a responsabilidade da prevenção é dos seus habitantes, etc. etc.

E fecham os olhos aos danos incalculáveis dos incêndios de Vila de Rei, Sertã e Mação, Tomar-Abrantes, Sabugal, etc ao ponto de haver um ministro com grande responsabilidade por omissão de medidas eficazes dizer «Época de incêndios ‘está a correr bem’». Não tenho palavras para exprimir a minha sensação ao ler isto no jornal. Tanta insensatez!!!



quinta-feira, 1 de agosto de 2019

MOVIMENTO ZERO

Movimento zero
(Publicado em O DIABO nº 2222 de 02.07.2019. pág 16)

A sociedade precisa de viver em segurança, paz e harmonia, o que não é totalmente possível, por haver pessoas subjugadas por egoísmo, ambição, inveja, ódio ou outras moléstias sociais. Para fazer face a tais maleitas, são indispensáveis forças de segurança que garantam a prevenção e a eliminação de ocorrências de comportamentos menos correctos. Tais agentes da ordem pública, devem ter preparação adequada para cumprirem a sua missão, por vezes difícil, mas sempre de vital importância para a população ordeira.

Por isso, os agentes são respeitados e acatados pelos cidadãos educados e apreciadores da sua acção socialmente benéfica. Os seus chefes, a todos os níveis, devem reconhecer o apreço que a população lhes dedica, pelo que devem dar ao pessoal activo a indispensável preparação e instrução para o, por vezes difícil, cumprimento da missão, por forma a daí resultar prestígio e respeito.

Em 10 de Julho, no Cacém, um jovem de 23 anos, com antecedentes criminosos, foi detido depois de ter agredido um agente da PSP que o tentava deter por ter sido chamado pela avó quando ele ameaçou a mãe com um martelo, tendo esta uma criança ao colo. Quando os agentes chegaram ao local, o rapaz mostrou-se violento. Insultou os polícias e ameaçou-os, chegando mesmo a agredir um deles antes de ser manietado e detido. O polícia agredido - que está na PSP há cerca de três anos - sofreu algumas escoriações num dos braços, mas não foi necessário receber tratamento hospitalar.

Também em 19 de Julho, por iniciativa do “Movimento Zero”, dezenas de polícias concentraram-se em frente ao Hospital de Braga, onde estava internado um comissário da PSP que tentara o suicídio com a arma de serviço, no seu gabinete na esquadra bracarense. A manifestação tinha o intuito de alertar para a falta de condições de trabalho na Polícia que, segundo afirmaram, desde o início do ano, já levou três agentes ao suicídio.

Infelizmente, ocorrem situações em que os mais altos responsáveis se alheiam das dificuldades do trabalho dos seus subordinados e os desprezam e desprestigiam, não lhes dando condições para o bom desempenho da missão, o que pode prejudicar a forma como o povo a acata e suporta. Mas chega a acontecer que o povo que muitos governantes consideram pacóvio, se levanta espontaneamente em manifestação de apoio aos agentes a quem devem paz e segurança pública e de quem esperam a continuação dessa garantia. Esta reacção do povo é significativa como ocorreu recentemente em Massamá, quando a associação de moradores se concentrou em frente da esquadra local da PSP a manifestar o seu apoio aos seus agentes, a condenar as agressões e ofensas de que são alvo e prometendo o seu auxílio concreto no terreno contra actos de marginais. “O povo é sereno” e sabe reagir de forma positiva e sensata, dando com isso aos governantes uma magistral lição.

~ Em sintonia, com o sentimento dos moradores de Massamá, nas Forças de Segurança (PSP e GNR) foi criado o “Movimento Zero”, no qual é zero o número de participantes que, no seu serviço, tenham tido qualquer acto menos correcto. Este pormenor dá-lhes direito a reclamar dos seus superiores adequadas condições de trabalho e correcta apreciação das suas actividades, como é o caso do uso de indispensável violência no tratamento de infractores, independentemente de etnia ou cor.

Assim se compreende que em 12 de Julho, na Praça do Império, em Lisboa, durante a comemoração dos 152 anos de PSP, agentes do Movimento Zero da PSP e militares da GNR, vestidos com camisolas brancas, manifestaram-se silenciosamente, voltando-se de costas quando o director nacional da PSP, Luís Farinha, começou a falar na cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, mantendo-se nessa posição até ao final do discurso. E, quando o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, começou a discursar, os polícias saíram em silêncio e de forma ordeira, levantando os braços e fazendo o gesto do zero com os dedos. ■


terça-feira, 30 de julho de 2019

TEMPESTADES DE GRANIZO

Tempestades de granizo

DIABO nº 2221 de 26-07-2019. Pág 16, Por António João Soares



Existe, actualmente, a obsessão de citar as alterações climáticas quando se deseja apenas referir os cuidados com a eliminação da poluição do ar, dos mares, dos rios e da área terrestre. Tive oportunidade de procurar contribuir para esclarecer o assunto no texto ‘Alteração climática é fenómeno natural’, publicado em O DIABO nº 2218, de 05-07-2019, pág 16. Depois disso, veio a notícia da saraivada ocorrida em Mogadouro do distrito de Bragança, em 13 de Julho corrente, provocando danos avultados principalmente na agricultura em vinhas, olivais e soutos, numa área alargada em vários pontos do concelho; e houve quem se referisse ao caso como se se tratasse de efeito de alteração climática.



Recordei-me de uma saraivada num mês de Maio da década de 1940 ocorrida na área circundante da minha aldeia, causando elevados estragos na agricultura, casas e pessoas, ao longo de uma larga faixa. Tive sorte, porque ocorreu poucos minutos depois de ter percorrido 7km a pé desde o Liceu. Esta vivência fez-me valorizar a notícia e soube que em 1 de Julho em Guadalajara, México, caiu uma saraivada que deixou uma camada de 2 m de gelo. No dia 11 caiu na praia de Tortoreto, Itália, granizo de grandes dimensões que provocou 18 feridos. Também nesse dia, o norte da Grécia foi atingido por forte tempestade de granizo que causou a morte de seis pessoas, incluindo duas crianças, e fazendo centenas de feridos.



Isto levou-me a procurar explicação para o fenómeno e fiquei sabendo que se trata de fenómenos naturais, que ocorrem em circunstâncias meteorológicas muito especiais, e que são objecto de estudo desde há séculos, principalmente depois de o seu poder destruidor ter intrigado o pensador grego Aristóteles que, no ano 340 AC, escreveu sobre eles na obra Meteorologia. A explicação actual traduz a convicção de que as tempestades de granizo, sobretudo as violentas e com pedras de grande tamanho, são fenómenos raros, que acontecem em circunstâncias meteorológicas excepcionais. Para se formarem estas nuvens especiais de granizo, é preciso que o ar esteja muito quente e húmido. Elas surgem entre 15 e 25 km de altitude, onde a temperatura não atinge os 80ºC. E que ventos fortes de direcção vertical entre 50 e 100 km/h que sopram para cima onde a temperatura é baixa e transforma a sua humidade em gelo, que, por ter maior densidade cai verticalmente, normalmente como chuva e, em condições especiais, como granizo.



Mas quando o ar está excessivamente quente e húmido, como aconteceu nos dias destas tempestades, grandes massas de ar cheias de vapor de água elevam-se na atmosfera puxadas por ventos tipo furacão, verticais, para grandes altitudes, chegando mesmo aos 25 Km. Logo a partir dos 5 Km (linha isotérmica), a temperatura fica abaixo de zero. E é a partir daí que o vapor passa a água e depois a gelo e, por ficar com mais densidade, consegue vencer o ar quente que o sopra para cima, e as pedras caem a grande velocidade e de forma destruidora. Os sucessivos movimentos de ventos muito velozes, quer na subida quer na descida, provocam o congelamento e descongelamento da água e a aglomeração de blocos de gelo que podem assumir volumes imprevisíveis. Um dos piores exemplos recentes de que há registo aconteceu em 1986, no Bangladesh, quando uma saraivada de pedras de gelo de cerca de um quilo fez 92 mortos.



Devido a esta sucessão do sentido do vento, das altitudes e das consequentes temperaturas, as tempestades de granizo nunca aconteceram nas regiões polares. E são mais frequentes no interior dos continentes, dentro de latitudes médias da Terra, nas regiões mais quentes e não muito distantes da zona inter-tropical. Será que os cientistas encontrarão na frequência do granizo, nos recentes abalos sísmicos e no aquecimento da água do mar, indícios de próxima alteração climática? ■


ARMADILHAS DO «POLITICAMENTE CORRECTO»

Armadilhas do “politicamente correcto”

DIABO nº 2219 de 12-07-2019, pág 16



O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem.



A propósito, num dos almoços semanais, com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946-47, no Liceu Nacional Alves Martins (que, no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”.



Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz.



E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, na conversa, foi referida a alusão do nosso PR, a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada.



Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo, como “politicamente correcto”. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde estava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano.



Todos esses barcos estão controlados pelas ONG ao serviço de capitalista internacional que as financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada à priori a posição do Governo Italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêem ameaçada, por ingerência de estranhos, a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. ■


sexta-feira, 19 de julho de 2019

UMA INSTITUIÇÃO NÃO FUNCIONA COMO LOTARIA

Uma instituição não funciona por lotaria
(Publ em O Diabo nº2220, de 19 de Julho de 2019, pá 16)

Há pouco menos de três anos, publiquei aqui o texto “Preparar a Decisão”, que depois foi transcrito para https://domirante.blogspot.com/2016/09/ preparar-decisao.html, onde pode ser consultado. O assunto insere-se nos cuidados a ter na gestão de instituições com maior ou menor dimensão e grau de responsabilidade e até nos assuntos pessoais diários. As decisões de maior ou menor importância não podem ser tomadas de ânimo leve, por capricho, palpite, suposição ou esperança de que tudo venha a correr da melhor maneira, por graça divina.

É basilar que, em qualquer instituição, haja organização, com o respectivo quadro orgânico, com estrutura clara lógica e bem definida com vista ao objectivo principal e aos seus objectivos intermédios, convergentes para a finalidade pretendida e os resultados mais desejados. Deve haver regras bem definidas e cada pirâmide além das tarefas a concretizar, deve ter responsabilidades para os chefes de cada grau até ao mais baixo dos colaboradores. Organização e liderança são duas forças que não podem deixar de estar sempre presentes.

A liderança deve acompanhar a actividade de forma regular para esclarecer pormenores, reforçar o espírito de equipa, controlar e, em caso de necessidade urgente, determinar ajustamentos indispensáveis às regras estabelecidas por forma a adaptar a acção a eventuais mudanças de circunstâncias a fim de serem obtidos os melhores resultados. Destas mudanças deve se dado conhecimento ao grau hierárquico imediatamente superior.

Se houvesse este espírito de liderança e de organização, provavelmente não estaríamos constantemente a ouvir que há ex-governantes e autarcas suspeitos de corrupção, abusos do dinheiro público, etc. empréstimos bancários sem segurança de garantia de reembolso, desvios de dinheiro oferecido para apoio de vítimas de incêndios etc. Certamente, nestes casos, houve participação de instituições em que não estava bem definida a organização e a liderança, com espírito de responsabilidade.

No dia 10 do corrente, houve manifestação em Lisboa contra a revisão da legislação laboral, o que faz pensar que esta não foi elaborada com a preocupação de ser adequada às características nacionais e com vista a tornar a administração, nos diferentes sectores, mais eficaz para a produtividade, a exportação e o crescimento da economia nacional, e obter a máxima harmonia social e laboral. Ao tomar-se a decisão de publicar legislação, devem ser respeitados os procedimentos mais conceituados para a tomada de decisões, analisando com bom senso as diversas hipóteses de modalidade de solução para o assunto em causa e acabando por escolher a mais aconselhável, do ponto de vista da eficácia, sem querer impor-lhe um cariz vincadamente partidário. As revisões frequentes de uma tal decisão podem acarretar desobediências às leis, por pura ignorância ou distracção e, consequentemente, uma disfunção social que pode ser grave. A tendência para inserir nas leis cariz partidário sem justificação especial pode originar revisões mais ou menos profundas, e até acintosas, em caso de mudança de governo.

As decisões devem ser bem ponderadas, mesmo na vida privada. Por exemplo as despesas devem limitar-se ao dinheiro disponível e não deve exagerar-se em jogos de azar que, só excepcionalmente, dão bom resultado. E recentemente a Santa Casa da Misericórdia disse que os portugueses, em 2018, jogaram 3,093 milhões de euros, a maioria em “raspadinha”. Paralelamente, o relatório do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos referente aos primeiros três meses do ano disse que os portugueses apostaram online 740 milhões de euros em três meses. Estas duas notícias mostram bem os disparates que se fazem e, provavelmente não são os mais ricos, mas sim remediados ambiciosos que, de tal forma, acabam por agravar a injustiça social de que se queixam. ■