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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NATAL E OS DIREITOS HUMANOS

Natal e os Direitos Humanos
DIABO nº 2242 de 20-12-2019, pág 16

O Natal é uma parte do ano propícia para reflexão sobre a grandeza anónima, discreta, moral, com valorização da simplicidade, da humildade das palhas do presépio, em oposição às acções de ostentação de riqueza material com que hoje se festeja a data, com altos cones iluminados, qual deles o mais alto e oneroso. Nesse aspecto festivaleiro e na falta de respeito e de amor aos outros, a humanidade mostra que não compreendeu nem aceitou a lição de Cristo. A degradação das sociedades mostra de forma bem clara que se torna necessária e urgente uma acção eficaz de recuperação e revitalização dos valores morais e éticos que têm sido perdidos.

Hoje, o Deus mais adorado é o dinheiro, vil metal, em si ou em simulações que iludam sobre a sua posse. Estas festas natalícias, que deviam ser de amor e humildade, são, pelo contrário, momentos de egoísmo, ambição, ostentação e materialismo grosseiro. Parece que estamos perante sinais da chegada do apocalipse, com as corrupções, o terrorismo, a criminalidade violenta, as terríveis infantilidades cometidas por governantes de quem se esperava um bom exemplo para o Mundo. Como será o futuro? Como será festejado o Natal pelos vindouros?

Em 1948, há 71 anos, as Nações Unidas adoptaram um conjunto de direitos humanos aplicável a todos nós. Hoje celebramos este marco histórico em nome de um mundo que devia ser mais livre e com mais igualdade. Mas, infelizmente, como vem sendo costume, esses direitos não passaram do papel. Faltou a vontade e a força adequada para os fazer cumprir. Sem isso, o prestígio da ONU fica de rastos. As notícias trazem-nos, diariamente, ao conhecimento crimes impunes contra esses direitos.

É notória a terrível insensibilidade de governantes que, em vez de serem modelos de bom comportamento para a humanidade, são o oposto e ignoram e desprezam as boas regras que ocasionalmente são publicadas por pessoas bem intencionadas. Brademos contra tal degradação social e façamos algo para que os bons princípios e os mais altos valores sejam respeitados e defendidos para bem da Humanidade actual e das gerações futuras. Aproveitemos a quadra festiva do Natal para melhorar os comportamentos sociais.

Recordo um caso de deficiência de apoio de saúde:

Uma idosa de 89 anos internada em lar, havia 5 meses, por ter caído na cozinha e fracturado o fémur esquerdo, na noite de 14 de Novembro de 2015, devido a queda, foi hospitalizada no hospital de Cascais com fractura do fémur direito. Teve uma pneumonia preocupante devida a bactéria hospitalar e, logo que teve ligeiras melhoras, deram-lhe alta em 24 de Novembro. Em 27 de Novembro, 3 dias depois da alta, o agravamento da pneumonia obrigou a novo internamento de que teve alta em 3 de Dezembro, por ter baixado um pouco a temperatura. Em 6 de Dezembro, 3 dias depois da alta, a pneumonia teve novo agravamento, com a respiração muito difícil quase a asfixiar, foi novamente às urgências e teve que ficar novamente internada. Foi chamada a atenção do médico das urgências para o facto de as altas terem sido muito prematuras, usando a frase de uma assistente social pronunciada em 2 de Dezembro. Foi respondido que não é só pela necessidade de libertar camas, mas também por outros factores. Neste vaivém, a doente ficou em extrema debilidade, e acabou por falecer na manhã de 10 de Dezembro.

E, assim, por vários factores, as pessoas acabam por perder a vida precocemente e com sofrimento. A quadra natalícia deve ser aproveitada como momento propício para se tentar dar melhor qualidade de vida a todos os seres humanos, defesa da Natureza e do ambiente e não se restringir à utopia de querer evitar as alterações climáticas que a Natureza nos impõe. ■


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Líbia. Solução não é militar

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

LÍBIA. Ban Ki-Moon não vê solução militar para o conflito
Diário de Notícias. por Lusa. 12-08-2011

Não pode haver uma solução militar para a crise líbia, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, numa declaração divulgada hoje.

Sem mencionar nenhum dos protagonistas no conflito, o secretário-geral da ONU apela a todas as partes "para terem todo o cuidado nas suas ações de forma a minimizar possíveis perdas de vidas civis", refere a declaração divulgada pelas Nações Unidas.

"Um cessar-fogo que esteja ligado ao processo político que vá ao encontro das aspirações do povo líbio é a única forma de se atingir a paz e a segurança na Líbia", refere Ban Ki-moon.

A revolta popular contra o regime de Muammar Kadhafi começou na Líbia em Fevereiro e desde então morreram milhares de civis e centenas de milhar de pessoas tiveram de abandonar o país.

A operação militar para proteger civis na Líbia teve início a 19 de Março na sequência de uma resolução das Nações Unidas e foi prolongada até setembro.

NOTA: Embora possa parecer imodéstia, não deixo de aqui lembrar que estes conceitos foram aqui defendidos nos seguintes posts. Será que Ban Ki-Moon terá lido este blog ???

ONU sem estratégia de acção, em 26-05-2011
ONU perde credibilidade..., em 01-05-2011
ONU criou na Líbia um precedente grave, em 23-04-2011

Imagem do Google

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Somália, seca, fome e pirataria

O caso da Somália constitui um exemplo de que, em geoestratégia, não há um factor que, só por si, garanta supremacia ou posição desafogada. É indispensável uma interacção bem equilibrada entre os diversos factores, de forma a que os mais fortes possam compensar os mais fracos. Na Somália, a posição geoestratégica, controlando a passagem do mar Vermelho para o oceano Índico é, sem dúvida, uma valia de alta importância mas carece do suporte de outros factores para dela serem tirados dividendos.

As realidades mostram fracos recursos naturais, excepto o incenso que a fez conhecer como a «terra dos aromas», terreno sem vocação para a agricultura nem para a pecuária, fizeram que vivesse à base do comércio explorado por colonizadores iemenitas, abexins, etíopes e, mais tarde, italianos.

Depois da independência (1 de Junho de 1960), ainda não viveu em paz por período aceitável, um pouco por más relações com países próximos, mas principalmente por difícil relacionamento entre as facções que desejam o poder.

Para agravar a situação, os seus habitantes aventuram-se, desde há alguns anos, à pirataria, o que tem gerado animosidade em todo o mundo. A ONU, para garantir a navegação segura de petroleiros, cargueiros e navios de cruzeiro, tem empenhado volumosos meios navais de todo o mundo para fazer face à pirataria. Olhando para a acção da ONU, fica-se com a dúvida de se teria sido mais eficaz desviar o investimento nesses meios, dirigindo-o ao combate às causas do problema, isto é, ao apoio à população, a um governo forte que estabelecesse a ordem interna e, dessa forma, criasse condições para iniciar a produção possível de meios de vida e de exportação (animais vivos, produtos de pesca, bananas, etc.).

Mas a ONU carece de ideias iluminadas para encarar com racionalidade os problemas de países que não têm petróleo ou não têm utilidade directa para os membros permanentes do Conselho de Segurança. Mas, depois de terem deixado chegar o povo deste país ao estado em que se encontra, aparecem notícias de que Secretário-geral da ONU pede ajuda urgente para a Somália e de que Dezenas de milhares estão "em risco de morte" na Somália. Ora os Direitos Humanos e as acções humanitárias não devem circunscrever-se a actos isolados e espectaculares, mas revestir-se de uma atenção constante para agir preventivamente antes de se atingirem situações dramáticas como mostram as imagens seguintes.


Imagem do Google. As imagens do álbum são de ROBERTO SCHMIDT/AFP

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Direitos Humanos e Democracia


Os sinais dos tempos, por vezes são o contrário do previsto. Em vez de a Democracia lutar pelos direitos humanos, são estes que se revoltam pela democracia. Porque esta tem sido um logro e não tem passado de uma oligarquia sem lei nem roque.


Transcreve-se a notícia seguinte para ajudar a reflexão sobre o tema:

Público. 13-0-2011. 00:01

Relatório anual da Amnistia Internacional

As revoltas pró-democracia no Médio Oriente e Norte de África e o crescimento sem precedentes das redes sociais poderão produzir uma mudança ímpar – e que pode acontecer a qualquer momento – no que diz respeito aos direitos humanos, lê-se no relatório anual da Amnistia Internacional.

A publicação do relatório global sobre direitos humanos coincide com o 50º aniversário da organização. “A revolução dos direitos humanos vive agora um momento de mudança histórico”, afirma Salil Shetty, secretário-geral da Amnistia Internacional (AI).

“As pessoas cansaram-se de viver com medo e estimuladas por lideranças jovens resolveram erguer-se em defesa dos seus direitos, enfrentando balas, tanques, gás lacrimogéneo e agressões”, continua Shetty. “Esta coragem – combinada com as novas tecnologias que estão a ajudar os activistas a denunciarem e a ultrapassarem a repressão governamental à liberdade de expressão e às manifestações pacíficas – é um sinal para os Governos repressores de que os seus dias estão contados”.

Mas nada está ainda garantido e as “forças da repressão reagem fortemente” e batalham pelo controlo do acesso à informação, lê-se ainda. “A comunidade internacional deve aproveitar esta oportunidade única de mudança e deve garantir que o despertar dos direitos humanos, a que assistimos em 2011, não se torne numa ilusão”. A AI aponta para a “necessidade de existir uma política consistente de tolerância zero, da parte do Conselho de Segurança da ONU, para os crimes contra a humanidade”.

A organização alerta ainda para a deterioração da situação em países onde os activistas correm sérios riscos, como na Ucrânia, na Bielorrússia e no Quirguistão; para a espiral de violência na Nigéria; e a escalada da crise provocada pelos rebeldes armados maoistas nas regiões centrais e no Nordeste da Índia.

O relatório da AI documenta restrições específicas à liberdade de expressão em pelo menos 89 países, destaca casos de prisioneiros de consciência em pelo menos 48 países, documenta casos de tortura e outros maus-tratos em pelo menos 98 países e relata a ocorrência de julgamentos injustos em pelo menos 54 países.

domingo, 1 de maio de 2011

ONU perde credibilidade...


Para quem gosta de observar o mundo a partir da estratosfera para ser independente, imparcial, sem sofrer as pressões dos intervenientes nos diversos conflitos, é impressionante a notícia Ataque da NATO a Tripoli mata filho e três netos de Muammar Khadafi, mesmo que não se dê muito crédito à notícia de que Khadafi oferece negociações de paz à NATO.


Se o pretexto desta intervenção continuada na Líbia foi a defesa dos direitos humanos, fica provado que esse foi um falso e mau motivo, pois além destas inocentes vítimas, tem havido muitas outras não individualizadas por não serem da elite política, mas sem por isso deixarem de ser seres humanos.

A ONU com os vários erros do Conselho de Segurança perde credibilidade e está a desafiar a que ocorram novas tragédias como a das «Torres Gémeas», ou casos semelhantes contra a Torre Eiffel, Eliseu, Arco do Triunfo, Buckingam ou outro local de estimação.

Na sequência do que ficou dito em ONU criou na Líbia um precedente grave parece que o Mundo está dominado por loucos, incipientes e inconscientes aprendizes de Hitler que fazem as piores atrocidades sob capas diversas como Al-Qaeda ou CS/ONU. Ficamos sem saber qual destas capas será a menos criminosa.

O que ocorrerá na Síria, que está com um problema semelhante? Há países sensatos que já estão a opor-se a semelhante asneira. Por outro lado, ali não está em jogo o petróleo! Vários pesos, várias medidas!

Com o que se tem passado, desde a sua criação (Caxemira, Saraui, Myanmar, etc), a ONU perde credibilidade e o respeito que devia merecer.

Imagem do Google

sábado, 23 de abril de 2011

Ana Gomes pensa nas pessoas…


Depois de, há cerca de três semanas, ter sido publicado ONU criou na Líbia um precedente grave, em que se reflectia nos inconvenientes do uso de meios militares poderosos, com prováveis efeitos colaterais, numa ingerência em assunto interno de Estado independente e soberano, a pretexto de defesa de direitos humanos e se apontava como mais razoável a solução pacífica dos problemas com conversação e negociação, surge agora a voz sensata da eurodeputada Ana Gomes que defende missão humanitária urgente na Líbia e considera que o envio de conselheiros militares para este País não contribui para a melhor solução.


Desta forma se defendem mais efectivamente os direitos humanos e se evitam as baixas inevitáveis com bombardeamentos aéreos.

domingo, 25 de julho de 2010

Humanizar a humanidade

Ninguém é perfeito e há um ditado antigo que diz que é mais fácil vermos um cisco no olho do vizinho do que uma trave no nosso. Essa debilidade humana, muito generalizada impede de analisar o bem e o mal dos outros de forma sensata, isenta, sem paixões nem radicalismos. Acho que será virtuoso procurarmos olhar os outros, como diferentes que são, e não estarmos teimosamente a colocarmo-nos como modelos de virtudes e termo de comparação, principalmente quando se trata de pessoas ou sociedades com outra educação, religião tradição, etc.

Cabe aqui citar o preceito cristão «amar os outros como a si próprio, tendo em mente que a palavra «outros» significa os diferentes em todos ou em muitos aspectos. Para julgar e condenar, com crítica ou opinião, será prudente imaginarmos o que faríamos ou pensaríamos se estivéssemos no seu lugar.

As religiões, todas visando a felicidade dos seus crentes, nalguns casos, oprimem de forma bárbara (segundo os conceitos de outras sociedades que seguem outros deuses). O cristianismo teve a inquisição com condenações bárbaras como a de Galileu só porque dizia que a Terra girava em volta do Sol e não o inverso como era crença na época. Houve as repressões dos que seguiram a Reforma luterana. Há, ao contrário da apregoada pobreza, simplicidade e humildade, o fausto das catedrais e do Vaticano, à custa das esmolas dos crentes e da «corrupção» com reis e imperadores. A Europa apesar do poder temporal da Santa Sé, andou quase permanentemente em guerra (dos 100 anos, dos 30 anos, dos 7 anos, primeira e segunda guerras mundiais, etc.).

Os Estados, com o conceito de soberania e não podendo hostilizar directamente as tradições seculares dos respectivos povos, não se subordinam pela força a outros estados que se arrogam possuir valores mais humanos. Haverá que dialogar, usando mais a convicção e o esclarecimento do que as ameaças e as sanções económicas ou outras. Com respeito, compreensão e boa vontade, usando mais o amor do que o medo, poder-se-á progressivamente ir criando novos hábitos mais racionais mais humanos, que favoreçam uma melhor cooperação entre os povos, quer nacionalmente quer internacionalmente, para a paz no mundo.

E nunca devemos esquecer que para melhorarmos o Mundo, devemos começar pela nossa rua, o nosso bairro, a nossa terra. Em 20 de Março houve um notável entusiasmo para LIMPAR PORTUGAL, mas o efeito foi pouco duradouro e há muita gente a queixar-se que se voltou ao mesmo desleixo de anteriormente. E não se vê uma actividade consistente e persistente para pressionar publicamente as autoridades a assumirem as suas responsabilidades sobre a defesa do ambiente, quer urbano quer rural.

Qualquer actividade manifestada para corrigir situações escandalosas em países diferentes é louvável e, por vezes é eficaz, mas não esqueçamos de mudar para melhor os nossos hábitos e dos nossos vizinhos. Limpar a nossa área de influência. É que só sendo eficientes aqui, poderemos ter credibilidade lá fora. Só dessa forma mostraremos que somos uma sociedade mais evoluída humana, cívica, ecologicamente.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A China em fase de evolução rápida

O Post «Como ficará a China do futuro?» no blog A Tulha do Atílio suscitou-me um extenso comentário que, pela sua extensão não terá a leitura e a atenção que julgo merecer, como ponto de reflexão nos dias de hoje. Por isso o publico aqui.

Os comentadores anteriores são consonantes em afirmar que o mundo está louco. Louco de verdade.

Como disse, há dias, noutro comentário, «desde a época da pedra lascada, paleolítico, tem havido evolução nas tecnologias (televisão, telemóvel, etc), mas na alma dos homens tem havido degradação, na maneira de encarar a vida, a Natureza, os outros. As relações em família, em grupo e em sociedade estão de tal forma degradadas que já temos muito a aprender com os animais da selva de que frequentemente se vêm imagens das televisões».

Porém, este texto contra a China é horrivelmente tendencioso, escrito por alguém que está habituado a defender a sociedade do lucro exagerado que não reverte para remuneração justa à mão-de-obra, mas sim para o enriquecimento dos donos das empresas que não dispensam as mansões, os caros de luxo, os jatinhos, o consumismo de luxo.

A China deve ser observada, tendo em vista a sua história. No tempo do Império do Meio, o seu desenvolvimento deu ao mundo inventos que ainda hoje são úteis. Depois teve um largo período de apagamento no seu pacifismo atacado pela Mongólia e pelo Japão. O fracasso da revolução maoísta serviu de vacina para reestruturar o País de forma cautelosa, persistente que tem dado bons frutos, apesar da grande extensão, do excesso de população e da sua grande diversidade de problemas.

Quando a União Soviética implodiu, receava-se que acontecesse algo de muito grave na China, o que seria perigoso para todo o mundo, mas a sensatez serena e eficiente dos governantes levou a medidas eficientes que fizeram a China crescer economicamente a um ritmo único no mundo moderno. Aprendeu o que de melhor encontrou nas regras do capitalismo ocidental.

O autor do texto, que defende a regra de que o lucro a qualquer custo é símbolo de modernidade, condena a China de estar a utilizar as regras ocidentais a seu modo e estar a orientar-se para o desenvolvimento económico. É uma contradição sua, que descredibiliza o texto.

Não concordo com o conselho de preferirmos produtos fabricados no nosso País, pois o consumidor deve ser livre de comprar o que mais lhe interessar em qualidade e preço, seja qual for a origem, pois é essa a lei da globalização que os ocidentais criaram. Por outro lado o facto de ser cá fabricado, não quer dizer que os lucros beneficiem o País, pois o capitalista pode ser estrangeiro ou, sendo nacional,, pode depositá-lo numa off-shore ou paraíso fiscal longínquo.

Por seu lado, os trabalhadores são na sua quase totalidade estrangeiros que enviam para a terra quase todo o salário. Os portugueses não sentem a obrigação de trabalhar e candidatam-se a assessores, deputados ou outro género de parasitas e, se o não conseguem, procuram viver de subsídios – há-os para todos os gostos – sem nada criarem para a riqueza nacional.

Falta aos empresários ocidentais a capacidade de adaptação aos novos tempos como os chineses têm feito desde há várias décadas. É preciso que nós os ocidentais passemos a raciocinar e aplicar quotidianamente os valores éticos e saibamos equacionar os problemas da melhor forma com respeito pelos outros, sejam de onde forem.

Quanto á imagens das crianças (ver o post referido), não são realmente edificantes, mas há por cá casos menos humanos. Até recentemente, nas aldeias, os pais iam trabalhar para o campo deixando as crianças fechadas em casa sem apoio nem comodidade. Já tem havido notícias de crianças asfixiadas por terem ficado fechadas no carro durante horas. Estas fotos da China mostram que há preocupação com a proximidade dos pais, que os observam com frequência e os miúdos observam que a vida é trabalho e vão aprendendo esse aspecto do civismo. Cá as crianças, pouco tempo após nascerem, apenas vêm os pais durante poucos minutos no fim do dia e, nas creches e jardins de infância, recebem o cuidado mínimo para não se ferirem e serem devolvidas em bom estado no fim do dia. Uns com os outros, sem educação cívica de adultos, só aprendem a desenvolver os piores instintos. Portanto, à luz dos conceitos, a diferença não é grande. Do ponto de vista humano, certamente, estas fotos não são uma amostra válida da média dos chineses.

É preciso ter respeito pelos que são diferentes de nós. «Amai-vos uns aos outros», e os outros são os diferentes. A China tem tradições diferentes mas tem evoluído aproveitando o que de melhor vê no mundo. Assim Fossem os ocidentais!!! Mas não são e querem torpedear quem, se ergue acima da mediocridade do Ocidente.

Juntam-se links de textos já aqui publicados referindo temas semelhantes:

- 2010 Ano de Transformações
- Transformações no Mundo
- Como será o mundo amanhã?
- A China e os direitos humanos
- Um ricaço a contas com a Justiça na China
- Lição da China contra a desertificação

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Direitos humanos de quem? . 030610

(Publicada no «Diário de Notícias», 10 de Junho de 2003)

A vida é um «puzzle» de imensas peças. Por vezes, surge uma peça de tal modo sugestiva que permite juntar muitas outras que aguardavam oportunidade para integração no conjunto.

A reunião do G-8 em Évian, apesar das rigorosas medidas de segurança, ocasionou graves incidentes em cidades vizinhas. Pessoas que viram completamente destruídos os seus carros estacionados na rua, comerciantes que ficaram com as montras destruídas, etc. Perante estes desacatos, a polícia pressionada pelo respeito pelos direitos humanos e para evitar umas nódoas negras nos desordeiros permitiu esses estragos em inteiro desrespeito pelos legítimos direitos dos cidadãos trabalhadores e ordeiros.

Quando estava a meditar nisto, ouvi a notícia da absolvição de um indivíduo de Mirandela que bateu num polícia, rasgando-lhe o uniforme e ferindo-o a ponto de ter de receber tratamento no hospital e perder dias de trabalho. Também, no caso da Casa Pia, houve várias manifestações e declarações públicas em defesa dos presumidos suspeitos, mas foram quase inexistentes os apoios às vítimas destes horrendos actos. Interrogo-me que interpretações foram dadas aos direitos humanos nestes casos?

Recordo-me que, quando se discutia a entrada da China para a OMC (Organização Mundial do Comércio) apontava-se em seu detrimento o não acatamento dos direitos humanos naquele grande país. Curiosamente, um diplomata chinês disse que a China respeita os direitos humanos mas tem deles um significado diferente do seguido pelo Ocidente. Enquanto os Ocidentais defendem o desordeiro, o infractor, o criminoso e abandonam a vítima, os Chineses, pelo contrário, defendem as pessoas de bem, os trabalhadores, os ordeiros, os cumpridores e penalizam os desordeiros por forma a que não prejudiquem quem sabe comportar-se de forma correcta para viver em sociedade. As pessoas têm o direito de viver em segurança, sem a ameaça constante de malfeitores. Proteger o criminoso é estimular a insegurança da generalidade dos seres humanos.

A sabedoria chinesa traz-nos frequentemente estes surpreendentes rebuçados. Continuamos a ter muito que aprender com a sua experiência milenar. E seremos capazes de aprender? Afinal, devem ser defendidos os direitos humanos de quem?