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sábado, 20 de janeiro de 2018

PARTIDOS, FAMÍLIAS, FUTURO

Que partidos, que famílias e que futuro?
(Publicado no semanário O DIABO em 16 de Janeiro de 2018)

É muito desagradável que uma grande parte dos cidadãos eleitores, ao emitirem uma opinião sobre os políticos portugueses, usem palavras curtas mas de significado demasiado contundente.

É, por isso, urgente que os partidos comecem a preocupar-se com a imagem que apresentam publicamente, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores e melhorarem a esperança que cada português deve ter no futuro do país onde, provavelmente, viverão os seus descendentes. Seria bom a que a acção didáctica exercida sobre os cidadãos – dos menos aos mais cultos – lhes criasse o desejo de imitar os bons exemplos vindos de cima, do alto da hierarquia político-administrativa. Isso levaria os eleitores a escolher, com mais fundamento e consciência, os seus representantes e defensores, com base nas qualidades que lhes reconhecem e admiram e, também, lhes orientaria os comportamentos, de forma mais condizente com os valores éticos e cívicos que infelizmente, parecem estar esquecidos de quem devia dar exemplo.

Os próprios partidos também estão a ser objecto de tais opiniões negativas mas, perante a actual lei fundamental, não se pode passar sem eles. Porém, cada um deve investir algum tempo e reflexão de equipa sobre os interesses nacionais, dos cidadãos, a fim de passar a dar primeira prioridade aos grandes assuntos nacionais aos quais devem ser subordinados os interesses privados do partido e dos seus familiares e amigalhaços.

Os exemplos vindos a público sobre algumas IPSS, subsidiadas abundantemente por dinheiro público, com dirigentes das famílias de políticos com ordenados principescos, e dando «emprego» a políticos, com o aval partidário, do governo e de autarquias são objecto de apreciações pouco abonatórias. E a sucessiva aparição de mais casos torna conveniente uma investigação rigorosa para aplicação de medidas correctivas e preventivas de repetição de escândalos. E, provavelmente, também haverá serviços públicos de que não se conhecem efeitos positivos para a vida colectica, a Nação, e que funcionam como palcos bem remunerados para indivíduos da partidocracia em que predominam familiares e amigalhaços, exigindo mais atenção talvez ao ponto de lhes ser aplicada a solução dada às três instituições que foram extintas para dar origem à ASAE.

Há muitos escoadouros, sem controlo, dos dinheiros sacados aos cidadãos através de impostos directos e indirectos, taxas e taxinhas. Uma boa análise da estrutura organizativa da máquina pública levaria ao encerramento de muita chafarica inútil e dispendiosa e a um melhor critério de nomeação de pessoal que deve ser selecionado pela sua preparação, experiência, competência, dedicação à causa pública, capacidade, sentido de responsabilidade, etc. A nomeação de familiares ou amigos para a função pública deve ser precedida de cuidados especiais, com garantia de que dispõem de visível superioridade em relação com os melhores concorrentes, para evitar posteriores crítica desagradáveis à imagem de quem nomeou. E, depois, todos devem ser avaliados pelos resultados do seu trabalho, que deve ser perfeito e útil ao país. As instituições para inspecções, auditorias e fiscalizações citadas pelo PM a quando dum caso ocorrido com uma IPSS devem ser também vigiadas para haver garantia da independência, do rigor e da honestidade como desempenham as suas funções.

Enfim, na partidocracia em que os portugueses vivem, há que definir as regras com deveres e direitos dos partidos, não imitar a aristocracia familiar destituída em 1910, mas construir um futuro ao nível dos tempos mais gloriosos da nossa História.

António João Soares
9 de Janeiro de 2018

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

AMAR PORTUGAL SEM SUBMISSÃO A PARTIDO

Amar Portugal sem se submeter a um partido
( Foi publicado em O DIABO de 4 de Outubro de 20016) Ter Amor ao País, ser patriota, mas sem torcer por um partido, será mesmo tarefa impossível? Parece que não. A submissão a um partido é um cerceamento de liberdade de pensamento e de voto, é uma recusa de olhar para todos os factores de um problema, de analisar todos os aspectos que podem condicionar a escolha de uma solução ao tomar uma decisão capital para o futuro do Estado. Estas reflexões surgem ao meditar nas sugestões e conselhos que ressaltam frequentemente das palavras do Presidente da República.

Sem preconceitos ideológicos ou de afectos por um ou outro partido, podemos encontrar ideias ou possíveis intenções aproveitáveis ou recusáveis vindas de qualquer partido do leque existente. Seria, por isso, interessante que, fora do ambiente parlamentar em que as sensibilidades estão, demasiado e de forma artificial, acirradas, se realizassem mesas redondas de menos de uma dezena de participantes todos interessados em procurar um consenso para soluções a aplicar em sectores escolhidos. Sem quererem impor tais soluções, mas apenas para uma busca de solução ideal com as melhores vantagens e os mínimos inconvenientes para a colectividade. Nesse trabalho, deveria haver o compromisso de não impor a visão partidária mas apenas o interesse nacional sem receios de fazer cedências de pontos de vista menos adequados às realidades.

Esses trabalhos, com um aspecto lúdico ou desportivo deveriam ser praticados em sala fechada para nenhum dos participantes ter receio de ser penalizado pelo seu clã por não ter sido disciplinado ou politicamente correcto na defesa estrita dos respectivos interesses.

Certamente, seria um alfobre de medidas muito eficazes para fazer reformas e mudanças contributivas para o crescimento do País e para encarar o futuro com esperança e menos incertezas quanto à evolução. Poupar-se-iam meios financeiros e tempo por se evitarem tentativas fracassadas que levam ao desgaste do pára e arranca do cai levanta-se e volta a cair mais à frente.

Embora me possam chamar utópico atípico, alerto para o facto de alguns comentadores da TV e participantes em programas que abordam a política de forma apartidária e, por vezes humorística, procuram dar visões diferentes das defendidas pelos seus próprios partidos no sentido de construir um futuro mais promissor.

Como PORTUGAL seria mais risonho se fosse dada prioridade aos INTERESSES NACIONAIS!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

COMO APROVEITAR A PASSAGEM PELA OPOSIÇÃO


Quando um partido que passou uma ou mais vezes pelas funções do poder executivo e se vê na oposição, deve, como em tudo na vida, encarar o facto da maneira mais positiva e tirar dele os melhores benefícios, para o País e para o futuro do partido.

A situação de não ser responsável por tomar decisões que imponham deveres e sacrifícios aos cidadãos permite liberdade de análise, com capacidade de isenção, dos problemas fundamentais do País, e esboçar estratégias mais adequadas à melhoria da qualidade de vida das populações e ao enriquecimento da economia nacional, em benefício de todos. Enfim, esse período de «repouso» deve ser aproveitado como um estágio de preparação para o desejado próximo período de governação. Para que este se concretize, convém ir dando aos eleitores a noção de que existe uma estratégia bem estudada, bem organizada e programada que contribuirá para uma vida melhor nos dias que virão, em benefício de todos os cidadãos.

Infelizmente, as coisas nem sempre são assim compreendidas e, em vez de em cada momento se pensar em engrandecer o país e criticar o Governo de forma positiva e construtiva, numa competição de competência, para atingir as melhores metas, cai-se na crítica destrutiva, negativa, em que sobressai a intenção da «luta pelo poder» de forma abjecta, à espera de que tudo seja demolido para reiniciar do nada a construção de algo que não se sabe bem o que será.

De olhos focados num futuro melhor, desejado por todos e serenamente preparado, todo e cada cidadão, só ou inserido em organizações idóneas, deve dar o melhor de si, dos seus conhecimentos, das suas capacidades, para que dos mais altos cargos saiam medidas bem estruturadas e adequadas aos principais objectivos nacionais. Nisso, os partidos têm especial responsabilidade e devem aproveitar a oportunidade para contribuir para que o novo orçamento seja preparado da forma mais auspiciosa para a grande maioria dos portugueses, os que foram mais sacrificados pela crise que ainda não se desvaneceu.

Como diz Anthony Giddens no seu livro «Runaway World» em 1999, «agora que as velhas formas de geopolítica se estão a tornar obsoletas, as nações vêem-se obrigadas a repensar as próprias identidades». E isso não pode ser tarefa a realizar por capricho ou inspiração de momento mas fruto de profunda meditação, com a colaboração de largo espectro dos cidadãos.

AJS
Em 14-09-12016
NOTA: Este texto foi publicado no jornal «O diabo», em 20-09-2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016

FALTA NA POLÍTICA TRANSPARÊNCIA, VERDADE, LEALDADE


A credibilidade dos políticos, há muito, que vem sofrendo de anemia quase letal. Em 9 Maio de 2011 Passos Coelho, em comunicação solene ao País, disse: «"Portugal está hoje com a maior dívida pública de que há memória"… "o país tem um nível de desemprego que ameaça a coesão e a justiça social". …é necessário colocar a economia portuguesa "a crescer".».

Já variadas mostraram que a dívida aumentou, o desemprego subiu apesar das sugeridas emigrações, os problemas sociais agravaram-se, etc e agora vem o actual PM afirmar que «"Ao contrário do que a anterior maioria nos quis fazer crer, a melhoria da situação económica em 2015 era aparente e não era real. Os dados económicos do segundo semestre de 2015 davam claros sinais do esgotamento da recuperação”… no ano passado o crescimento económico ficava "cada vez mais anémico, no terceiro trimestre roçou mesmo a estagnação… as exportações estavam em "clara desaceleração… também o investimento estava "em queda, os indicadores de clima cada vez mais negativos" e deu-se ainda "uma subida da taxa de desemprego e abrandamento do ritmo de redução do número de desempregados”».

A somar a tudo isso vem a notícia de no Parlamento, Um deputado do PSD perguntava pelo «anexo secreto. E obteve por resposta do PM que «não há nenhum quadro secreto, não há nenhum documento secreto, há simplesmente um documento de trabalho que foi enviado à Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República». No que foi confirmado pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

Como os portugueses se sentiriam mais tranquilos e confiantes se, como propõe o PR, os políticos dessem mais atenção aos interesses nacionais e se deixassem de ressabiamentos e tricas de interesses partidários e pessoais!!!.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DEFESA DOS INTERESSES NACIONAIS EXIGE PRIORIDADES

A notícia «Cavaco Silva visita a Madeira na próxima semana» incita a reflexões cuidadosas. Quem esteja interessado em compreender tudo o que se passa à sua volta e de que possa ter de sofrer as consequências, como a meteorologia e as acções de políticos em funções de Estado, deve procurar explicações para o que chega ao seu conhecimento.
Por exemplo, a demora em termos um Governo em plena actividade, 40 dias depois das eleições e de ter havido uma decisão falhada como muita gente previa, exigia um esforço prioritário para uma solução para bem de PORTUGAL e dos portugueses. Por isso, e atendendo que o PR, no próprio dia das eleições afirmou que já tinha estudado todos os cenário pós-eleitorais, com o que criou a ilusão de que iríamos ter novo Governo, dentro de poucos dias, deixa no espírito dos portugueses a curiosidade de perceber a prioridade dada à ida à Madeira e, com isso, o adiamento da nomeação do próximo Governo. Das duas coisas, qual a que interessa mais a Portugal?
Foi agora relembrado na Comunicação Social que Sampaio foi muito mais rápido a decidir a criação do Governo de Santana Lopes. Demorou apenas 10 dias. Havia outras pessoas e outras circunstâncias. Há quem diga que a pressa de Sampaio gerou um governo que durou poucos meses. Mas a precipitação de Cavaco gerou um governo que durou dias.
COMO COMPREENDER AS PRIORIDADES???

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

PS E AS TOMADAS DE DECISÃO


Das negociações conduzidas pelo PS para formar Governo ressaltou o factor muito significativo da abertura da discussão dos problemas, analisados por pessoas diversas em saber e opinião, por forma a não ser negligenciada nenhuma das suas facetas. Foi uma óptima aplicação da metodologia referida em «PENSAR ANTES DE DECIDIR» que era baseada no conceituado e muito melhorado ao longo dos tempos método militar do «estudo de situação». Nenhuma decisão deve ser tomada sem uma tal preparação e, mesmo assim, quando entra em concretização, podem surgir imprevistos que exigem correcções rápidas usando o mesmo método para conseguir o objectivo pretendido.

Agora, se tal governo vier a ser realidade, PORTUGAL deixa de ficar dependente de decisões «irrevogáveis» ou feitas por inspiração arrogante do estilo «eu quero, posso e mando» e por teimosia «custe o que custar».

Em tal governo, cada decisão precisando da aprovação dos parceiros, terá, portanto na base um conhecimento de vários pontos de vista e análise de vantagens e inconvenientes em comparação com qualquer outra solução alternativa. Haverá assim, ao contrário de palpites arrogantes, uma racionalidade de concentração de esforços e de reunião de recursos de saber e experiência, como ficou bem visível aqui.  

Oxalá os protocolos dos acordos assinados pelos parceiros resultem em pleno para bem de PORTUGAL, a fim de não haver zig-zag, nem erros de legislação de que resultará custos em tempo e dinheiro, perda de confiança e pressões estranhas que prejudiquem os portugueses. Uma sugestão que ressalta é que, tendo este início de discussão aberta e plural dos problemas nacionais, nunca deixem de procurar um permanente consenso para que os portugueses possamos ver o nosso País crescer, aumentar a credibilidade perante o estrangeiro e melhorar a própria qualidade de vida, com mais solidariedade, mais justiça social, menos desemprego, menos necessidade de emigrar, menos burocracia, menos gorduras na máquina do Estado, sem corrupção e sem despesas exageradas com mordomias, luxos, ostentação, etc.

domingo, 20 de outubro de 2013

OBJECTIVOS E INTERESSES NACIONAIS


No Curso de Defesa Nacional professado no IDN em que foram auditores alguns actuais ministros, era enfatizada por várias vezes a absoluta necessidade de estarem bem definidos os objectivos e os interesses nacionais que permitam traçar a estratégia nacional que faça convergir para eles todos os esforços nacionais a fim de serem obtidos os melhores resultados traduzidos em melhor qualidade de vida das populações e no crescimento da economia.

Depara-se hoje na Comunicação Social com várias notícias que fazem reflectir sobre este tema.

João Salgueiro, em entrevista, diz que "Se o PS chegar ao poder, vai fazer o mesmo que está a ser feito agora".
É apenas uma constatação da realidade muito conhecida. É a força da «podridão dos hábitos políticos» referida por Rui Machete, dos vícios do regime em que vivemos há quatro décadas e que já está decrépito. Arrasta-se sem iniciativa nem inovação, sob o peso da inércia a que se refere Gonçalo Portocarrero de Almada. É urgente uma definição consensual dos objectivos e dos interesses nacionais para, a partir daí, serem formuladas estratégias para os alcançar. As discordâncias entre os partidos podem ter lugar nas tácticas a utilizar para alcançar as finalidades estabelecidas em consenso e aprovadas no Parlamento, mas não pode haver dúvidas nem hesitações quanto aqueles mais altos valores fundamentais do Estado.

O pior inimigo do nosso actual regime é a «inércia» que faz adiar projectos e bloquear maravilhosas intenções e ideais deixando-os transformar em cadáveres putrefactos que constituem um preço muito elevado da incompetência e da ausência de inovação.

E a propósito de objectivos e interesses nacionais o BE alerta para que as boas relações entre Portugal e Angola não podem ser restabelecidas à custa de princípios fundamentais e diz também que calculismo político do PR não serve a defesa da Constituição , pois isso pode estar a sofrer do facilitismo da inércia e ir contra os verdadeiros interesses nacionais.

Sem tais linhas de rumo bem definidas e obedecidas, a actividade política funciona como um catavento ou como ou como brincadeiras como diz o colunista João Pereira Coutinho

Mas , por cima de tudo isto, aparece quem queira tapar o sol com uma peneira e diga como Luís Marques Mendes que «Gaspar é o grande responsável e quem paga a factura somos nós». Isto mostra uma deficiente interpretação da responsabilidade do chefe de uma equipa. Há poucas horas um militar, do alto dos seus 83 anos que completará em 12 de Janeiro, recordava que no Exército o comandante é responsável por tudo o que a sua unidade faz ou deixa de fazer. Ora Gaspar não era chefe da equipa governativa. Há que consciencializar os políticos acerca dos «princípios fundamentais» a que se referiu o BE.

Imagem de arquivo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mudar de rumo ou afogamento no pântano ???

Imagens da manifestação de Sábado, 06-11-2010, obtidas dos jornais.
  

A manifestação de sábado passado juntou cerca de 100000 (cem mil) pessoas descontentes com a situação actual, o que mostra vitalidade e um acordar sereno da apatia em que o povo andava alheado, numa sonolência induzida.

Se é ou não um prenúncio da dimensão da adesão à greve geral anunciada para 24, será caso a confirmar então. Mas a maioria dos partidos mostra-se favorável a tais sinais positivos, sendo sintomático, por exemplo, que até o PSD não atirará pedras a quem protesta cheio de “razão” e os Magistrados do Ministério Público aprovaram adesão à greve geral.

No entanto o secretário de Estado da Administração Pública reagiu, no próprio dia, à manifestação afirmando não haver "condições para mudar de rumo" quanto às "difíceis" medidas previstas na proposta de Orçamento do Estado. Numa altura em que todas as pessoas bem pensantes dizem que é preciso haver mudanças estruturais e fazer uma inversão do rumo que tem vindo a ser seguido e que nos arrastou para uma crise de excepcional gravidade, não parece ser sensato dizer que o Governo não entende haver condições para mudarmos de rumo.

Se é preciso haver grandes mudanças por forma a emagrecer a máquina do Estado que tem sofrido repetidas crises de obesidade para dar abrigo a «boys» incapazes de granjear o próprio sustento na actividade privada, e desprezando as convenientes medidas de controlo da corrupção, dos abusos nos salários, prémios e outras regalias de instituições que vivem sorvendo o dinheiro público sem nada fazer de valor correspondente, etc, terá de haver notória mudança de rumo.

Sem tal mudança, sem a simplificação de serviços, sem reformas no seu funcionamento e sem a extinção dos desnecessários, inúteis, teremos de continuar no mesmo rumo, a boiar no pântano pestilento em que governantes incompetentes nos meteram, sem hipótese de recuar, de inverter o rumo da queda na desgraça que atrofia os portugueses. Por isso, não é crível que haja um governante a afirmar que «não há condições para mudar de rumo». Isso é uma declaração de incapacidade que só teria lugar como introdução a um pedido de demissão imediata, porque se esta equipa não consegue mudar de rumo é preciso uma outra que o consiga fazer e, certamente, o partido com mais elementos da AR terá gente competente para essa tarefa urgente e prioritária para o País. E se não tem valores suficientes faça uma coligação indo buscar o que de melhor haja na Nação.

São precisas pessoas inteligentes e dedicadas ao País que procurem determinadamente a porta de saída da crise actual e construam um País válido onde as pessoas possam viver com esperança.

domingo, 5 de setembro de 2010

Desenvolver a economia

Conversas que podiam ser interessantes terminam em frustração pelo simples facto de a generalidade das pessoas não conseguir extrapolar da sua experiência pessoal e do recanto do seu quintal e dar o salto para um patamar mais elevado com vista para os interesses nacionais.

O interlocutor dizia que a revisão constitucional só devia ser tratada depois de resolvidos problemas mais práticos e urgentes como, por exemplo, o apoio ao desenvolvimento da economia.

Mas que tipo de apoio?

Veio a resposta: Aprovar projectos válidos e com pernas para andar que contribuam para o enriquecimento do País e avalizar perante os bancos o financiamento necessário às empresas. Tudo na óptica do empresário que não consegue gerar recursos e espera que o Estado supra a sua incompetência, à custa do dinheiro dos contribuintes.

Mas isso equivale a o Estado servir-se do dinheiro dos contribuintes para enriquecer empresários que podem ser incapazes de realizar uma boa gestão e se limitarem a pouco mais do que receber bons salários, prémios de desempenho, lucros, comprar bons carros, reconstruir as moradias de luxo com piscina, comprar casacos de peles para a esposa e… É comum ouvir-se que a maior parte das empresa que fecharam nos anos mais recentes sofriam de má gestão. E se uma empresa não consegue sustentar-se, servindo os trabalhadores e os fornecedores e agradando aos clientes, não merece que o Governo ali enterre o dinheiro dos contribuintes, deve simplesmente cessar a actividade por não ser produtiva.

Muitas grandes empresas, nacionais e estrangeiras, que beneficiaram de grandes apoios financeiros encerraram, passado pouco tempo de actividade, e foram para outras longitudes à procura de mão-de-obra mais barata, de que se pode citar Grundig de Bragança, e de entre as mais recentes, a Delphi da Guarda.

Oxalá tenha melhor sorte a empresa Arsopi Thermal que há dias foi aproveitada para mais um acto de propaganda do PM. Também será bom que o caso com a empresa Nelson Olim não dê mau resultado.

Já estão em curso medidas de apoio ao aparecimento de novas empresas, como o «licenciamento zero» que certamente dará bons resultados se for seguido de boa fiscalização e controlo da actividade, assim como será conveniente a intensificação e eficácia da formação profissional, e, por outro lado, a divulgação de estatísticas e outros dados, a difusão de sugestões para evitar acidentes de trabalho, a simplificação administrativa e fiscal, será útil para enfrentar a concorrência, para aumentar a produtividade e a remuneração dos recursos humanos.

Em conclusão, o apoio do Estado às empresas privadas, não pode nem deve traduzir-se no abuso do dinheiro público para alimentar parasitas que não conseguem a sua auto-sustentação e, muito menos, o contributo para o bem-estar dos portugueses.

Imagem da Net.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Palavras bonitas e realidades amargas

Transcrição seguida de NOTA:

A inevitável estátua
Jornal de Notícias. 14-06.2010. Por Manuel António Pina

"Os sacrifícios devem ser repartidos de forma equitativa e justa", disse o presidente da República em Faro no discurso do 10 de Junho.

Trata-se do género de frase que fica bem na peanha de uma daquelas estátuas em que o herói, hirto, estende o braço apontando o caminho aos mortais comuns.

Não será surpreendente que, daqui a uns anos, quando a memória dos dias presentes e dos passados próximos se tiver diluído, Cavaco tenha algures uma estátua dessas e que a frase lá esteja, brônzea.

Porque então já ninguém se interrogará acerca do estranho sentido que o actual presidente dará a palavras como "equidade" e "justiça".

De facto, quem se recordará nessa altura de que Cavaco apoiou uma repartição de sacrifícios decretada por sucessivos PEC pondo pobres, desempregados, pensionistas e trabalhadores a pagar uma crise que encheu os bolsos dos principais responsáveis por ela?

E quem se lembrará ainda (se até o próprio parece tê-lo entretanto esquecido) do modelo selvagem de crescimento que impôs ao país quando foi primeiro-ministro, assente precisamente no aumento das desigualdades sociais e da pobreza?

NOTA: O nosso País anda a ser enganado por tácticas de diversão, que ocultam as realidades e procuram manter a população enganada sobre o seu destino.

Em vez de reestruturar o País, para o tornarem o local onde as pessoas vivam com confiança e acções produtivas, com sãos critérios, os «responsáveis» perdem o tempo com propaganda vazia de conteúdo.

Precisamos de medidas concretas, bem estruturadas, coordenadas, convergentes para uma finalidade bem definida, já não havendo lugar para idealismos estéreis, para masturbações intelectuais e oratórias ocas.

Tácticas de diversão

Como aqui tem sido dito repetidamente, uma empresa com dimensão considerável deve ser administrada com visão estratégica desde o investimento inicial, com vista a uma finalidade bem definida, ao produto a fabricar, à qualificação da mão-de-obra, à escolha e manutenção dos equipamentos, ao relacionamento com fornecedores e clientes, à concorrência e ao ambiente social em que se encontra de que resulta o mecenato e o apoio aos operários e famílias, etc.

Por maior razão, gerir um País, que poderá ser comparado a uma grande empresa em que a finalidade é o desenvolvimento da felicidade e bem-estar do povo, da Nação, qualquer decisão deve ser tomada atendendo sempre a tal finalidade e ter em consideração todos os factores envolventes e condicionantes, em íntima coordenação e convergência com as decisões anteriores e as que se seguirão. Trata-se de um mecanismo que deve ser operado com meticulosidade e rigor, para evitar avarias. Deve ser evitada a táctica obnubiladora de varrer para debaixo do tapete, a táctica de diversão , de desviar a atenção do essencial para aspectos marginais que apenas fazem perder tempo e energias e prejudicam as finalidades nobremente pretendidas. É indispensável a definição de estratégias integradas que excluam tácticas casuais, avulsas e descoordenadas.

O fenómeno é abordado nas seguintes frases do artigo de António Freitas Cruz no JN de ontem, «A exploração do futebol»

«Há dias, na imagem de abertura de um telejornal, vi ao lado da "pivot" dois monstros sagrados do arraial mediático: um escritor de sucesso e um antigo primeiro-ministro expulso do cargo com a ajuda da "má moeda". Enfim, dois comentadores multiusos para ocasiões especiais.

Pensei: queres ver que houve grande acontecimento? E houve: nada menos que um treino da selecção do senhor Queiroz. Estiveram os três naquilo 28 minutos, durante os quais não meteram bedelho nem a crise, nem Israel, nem as escolas fechadas - nem nada.»


Tais manobras desviantes de futebol, fado, telenovelas, «casos» judiciais e inquéritos parlamentares, mantêm a população enganada e iludida naquilo que Eduardo Lourenço definia há dias como «excesso de auto-estima» que alterna com momentos de depressão, lamentos e impulsos de insurreição. Parece que ainda somos o País de grande desenvolvimento de há cinco séculos em que se vivia facilmente com as especiarias que chegavam do mundo recentemente descoberto, ou de há 20 anos em que se perdeu a noção da necessidade de trabalhar e produzir porque a União Europeia nos financiaria os luxos e o consumismo.

É urgente dar ouvidos a Ernâni Lopes quando nos diz com muita clareza que é preciso substituir imediatamente uma série de defeitos e erros pelas virtudes que se lhes opõem, aquelas que fazem as pessoas sentir-se honradas, independentes e moralmente ricas. Há que começar já a alteração de mentalidades e procedimentos e isso deve ser iniciado pelo Governo que deve dar o exemplo da dignidade e clareza de propósitos e fomentar a moralização do regime e do País. Todos devemos ajudar dentro das respectivas capacidades, mas o responsável pelo País é, e não pode deixar de ser, o Governo.

Imagem da Internet.

sábado, 5 de junho de 2010

Empresas públicas demasiado numerosas

Transcrição de notícia seguida de NOTA e links de textos relacionados:

Paulo Portas propõe redução de empresas públicas
Público. 30.05.2010. Por Lusa

Líder popular admite fim dos governos civis.

O líder do CDS-PP disse hoje que vai apresentar um Orçamento do Estado “alternativo” para 2011 com propostas para reduzir a despesa pública, como a “extinção significativa” de empresas municipais e a redução dos gestores públicos. “Apresentaremos a nossa alternativa orçamental antes [de Outubro] e quantificaremos, na medida da transparência disponível, as nossas propostas”, afirmou Paulo Portas.

Em conferência de imprensa para apresentar um pacote de medidas de contenção e corte na despesa pública, que submeteu hoje ao Conselho Nacional do partido, Paulo Portas disse que está a preparar “um guião para o orçamento para 2011” que visa “oferecer ao país uma alternativa orçamental” e “provar que há um caminho diferente ao caminho do PS e do PSD”.

Entre as medidas, Paulo Portas disse estar disponível para estudar a “extinção dos governos civis” por não ver nas competências daquelas estruturas “nada de absolutamente essencial” que não possa ser feito por outras.

O líder do CDS-PP disse que proporá que em 2011 seja proibida a criação de mais empresas municipais e a redução das que existem, 240, bem como dos respectivos gestores, que serão, segundo o líder do CDS-PP, cerca de dois mil. “Somos favoráveis à redução em dois terços às despesas com consultorias externas das empresas” do sector empresarial do Estado, disse.

Em 2011, defendeu, deve haver um programa de “rescisões por mútuo acordo” na administração pública, central, regional e local, com “indemnizações atractivas”. “Em tudo o que temos visto” do acordo entre o Governo PS e o PSD, disse, “a verdade é que os impostos vão aumentar na terça feira mas nenhuma redução da despesa estrutural do Estado foi feita”, criticou Paulo Portas.

Cortes de 10 por cento nos orçamentos do PR e nas assessorias do Governo

Paulo Portas defendeu um corte de 10 por cento nos orçamentos do Parlamento e do Presidente da República e a proibição de novas entradas nos gabinetes do Governo e empresas públicas.

O líder popular propôs a redução de “10 a 15 por cento” em “despesas de funcionamento político” como as “assessorias, deslocações e comitivas e gastos não urgentes”, bem como o corte de “50 por cento na publicidade” dos organismos do Estado. Portas defendeu ainda a “revisão em baixa da lista imensa de subsídios” que são atribuídos pelos ministérios, à excepção daqueles que são destinados a actividades de protecção social.

O líder do CDS-PP estima que as propostas para cortar na despesa do Estado resultariam na poupança de “umas largas dezenas de milhões de euros”. “As medidas exemplares podiam entrar em vigor já. Propusemos os cortes na Assembleia da República já e portanto qual é o problema de o senhor Presidente da República, os senhores ministros, os secretários de estado, os tribunais superiores fazerem igualmente um esforço de contenção e entrar em vigor já. Eu acho que não há problema nenhum, pelo contrário”, defendeu Paulo Portas.

Portas disse admitir que não serão aquelas medidas que vão corrigir “a totalidade ou a maioria do défice estrutural, mas são sinais de autoridade e de contenção”. “Há um partido no arco da responsabilidade que mantém a palavra dada aos eleitores”, afirmou, reiterando as críticas que tem feito ao “acordo PS/PSD para aumentar impostos”.

NOTA: Lindas propostas, com muito sentido de Estado e defesa dos interesses nacionais. Mas, pelo contrário, os governantes têm criado mais empresas, fundações, Instituições, etc, para servirem de asilos dourados dos «boys» e lares de luxo para os ex-políticos reformados. As «golden share» são outra ferramenta para o mesmo efeito. Os beneficiados com esses presentes sumptuosos, favorecem o tráfico de influência, as negociatas com corrupção, asseguram votos e apoios ao grupo de usurpou o poder como um polvo devorador de recursos que saiem forçadamente dos bolsos dos contribuintes.

Esta proposta de Portas deveria ser assumida por todos os partidos como parte do código ou «compromisso alargado e de grande duração», assim houvesse seriedade e sentido de Estado.

Este tema já foi abordado em vários posts de que se referem os mais recentes:

- Despesas de ministérios e subsídio de desemprego
- Mais tachos dourados para os «boys»
- E a crise continuará…
- Código ou compromisso alargado e duradouro
- Redução do número de deputados
- Transporte da gente do Parlamento
- Despesas devem ser inferiores às receitas

domingo, 16 de maio de 2010

Perturbação dos boys de Sócrates

Transcrição seguida de Nota:
Mais um processo contra um jornal
Diário de Notícias 8 de Maio de 2010

Foi só uma inocente graçola do 1.º de Abril, dia das mentiras. O AutoHoje desse dia resolveu anunciar que os preços dos combustíveis na Galp baixariam 0,22 cêntimos/litros para todos os felizes possuidores de cartão de militante no PS. "Boa notícia/PS dá descontos", assim rezava a chamada de primeira página (nem sequer era manchete!).


Acontece que na sede nacional do PS o estado de espírito é a atirar para o muito stressado. A crise, a falta de maioria absoluta, Manuel Alegre, Cavaco - enfim, só arrelias. O PS levou a sério a brincadeira do AutoHoje e decidiu processar o jornal. Mais um a "juntar" ao currículo de Sócrates

NOTA:
Esta notícia denuncia o estado patológico de perturbação dos «boys» que apoiam o PM, sem possuírem o mínimo de sensatez, maturidade, preparação teórica e prática e autodomínio para as funções. Já poucos motivos nos dão para ficarmos surpreendidos, desde a manifestação apoteótica na AR na recepção a Paulo Pedroso quando saiu da penitenciária por motivo da suspeição de estar envolvido no caso da pedofilia da Casa Pia até à efectuada com aplausos e atitudes laudatórias ao autor do «furto directo» de gravadores de jornalistas, como se tivesse cometido um elevado feito de heroicidade, nada realmente é de estranhar .

Mas, agora, esta notícia constitui um sério aviso de que se o governo se mantiver, devemos ter cuidado porque no próximo 1º de Abril poderão ser proibidas as tradicionais mentiras que não prejudicam ninguém.

Ao que nós chegámos!!! Os boys já não se contentam com uns descarados «furtos directos» de pequenas coisas que se podem meter no bolso das calças!!! Processam por uma mentira própria da tradição do 1º de Abril, dia das mentiras. Evidenciam muito nervosismo, perturbação e insegurança, que deviam ter serenado nos dias seguintes, antes de exporem publicamente a sua instabilidade psíquica. A poeta e ex-deputada Natália Correia diria que anda por ali muita histeria de mulher mal amada, mas talvez não se deva exagerar por aquilo ser excesso de stress por fadiga com coisas menores de política interpartidária à margem dos interesses nacionais.