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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

LIÇÃO AOS GOVERNANTES

Quadra antiga que não deve ser esquecida:

Lá diz o tal
que foi toureiro afamado
mais marradas dá a fome
do que um touro tresmalhado

Perante isto, qual o espanto das opiniões diversas sobre quem deve constituir o novo Governo?

terça-feira, 22 de abril de 2014

FOME EXIGE ACÇÃO

Em resposta ao comentário de «Puma» saiu este texto a que desejo dar mais visibilidade do que a do espaço de comentário:

O estômago, nestas coisas, se está cheio, imobiliza a vontade de reagir, de lutar. Se está completamente vazio, ao fim de pouco tempo, fica inerte e nada pode fazer e parece ser essa a táctica do nosso Poder actual.
Mas quando está vazio desde há pouco tempo, e ainda tem vontade de alimento, então deve procurar este, com determinação e não deve ficar pela saciedade de momento, mas activar uma fonte contínua que o impeça de voltar a ter fome. Isto é, deve eliminar o bloqueio que o fez ter o estômago vazio.
Deve eliminar a causa de forma definitiva, com determinação, «custe o que custar», como tem ensinado o PM deste «país». É preciso que o país seja de todos os portugueses, isto é, que todos se «sintam muito melhor» (recordar palavras de Monte negro e do PM)

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

ESPIRAL RECESSIVA NÃO INFLECTE


Apesar de sucessivas previsões falhadas por excessivo optimismo e de promessas não cumpridas por terem sido irreais e tendentes a criar infundadas esperanças, as notícias mostram que a nível das realidades palpáveis, a «espiral recessiva» não evidenciam sinais de inflexão.

Não é animador saber que 21 falências entram por dia em tribunal, e que os casos de insolvências de pessoas singulares continuaram a aumentar. O próprio ministro Gaspar diz que cortes ascendem a 4700 milhões entre 2014 e 2016, o que, como a experiência de dois anos aconselha, devemos acrescentar uma percentagem de segurança ao volume dos cortes e ao prazo que ele indica. Por outro lado, empresas públicas agravam prejuízos, o que é compreensível por os seus gestores serem escolhidos pelo poder e não por concursos públicos honestos na apreciação dos currículos.

Mas o mais significativo, do ponto de vista da opinião pública, poderá ser o caso de VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e profissionais terem ficado retidos por falta de crédito para pagar combustível, durante demasiado tempo, de que poderia ter resultado perda de vidas de pessoas à espera de socorro.

E não deixa de ser grave que, apesar da austeridade e dos cortes já com muito tempo de funcionamento, em vez de a dívida pública ter sido reduzida, consta que aumenta 131 milhões de euros por mês, o que leva a concluir que não há motivo para esperar a paragem da «espiral recessiva» e muito menos da sua inflexão. Certamente, não há vontade ou coragem para fazer parar o esbanjamento de dinheiro público, referido no post austeridade em 2013 e 2014 ??? e nos elementos nela linkados.

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sexta-feira, 1 de março de 2013

Gaspar o irónico



Gaspar tem uma acentuada propensão para brincar com coisas sérias como se estivesse num palco de comédia em que os espectadores estivessem sintonizados com a sua ironia, Mas, actualmente, a sua plateia está cheia de cidadãos descontentes, indignados, a quem têm sido exigidos sacrifícios não previamente calculados e que se tem verificado ser inúteis.

A sua anedota mais recente pode traduzir-se em duas pequenas frases: Aguentem porque somos «um povo de marinheiros capaz de superar as piores tormentas» e agora já estamos a «perspetivar a saída da crise e olhar de frente o futuro».

Enfim, mais frases bonitas sem conteúdo, sem nada de concreto, que evidenciam ironia de mau gosto por pessoa sem respeito pelo povo que sofre e precisa de factos geradores de confiança e de esperança. Como pode falar de futuro, se o presente não foi por ele devidamente previsto e preparado. Se o futuro estiver para o presente na mesma proporção como este está para o passado, ele será um abismo ou um inferno inimaginável.

E ele teve vários alertas, várias situações em que reconheceu os seus erros de previsão e se surpreendeu com os resultados das decisões imponderadas que tomou. Por exemplo, uma corrida rápida aos arquivos mostra em 17-02-2012 a notícia Há 885 novos desempregados por dia. Poucos dias depois, em 04-03-2012, disse com a sua notória criatividade que A história garante que venceremos a crise, mas hoje, passado um ano, verifica-se que essa fada milagrosa não merece mais confiança do que os nossos governantes. E a via dolorosa do nosso ministro continuou e, menos de dois meses depois, em 27-04-2012, mostrou-se preocupado com desemprego que ele não conseguiu prever nem evitar. E entretanto, a austeridade cumpriu o seu dever que muitos técnicos e pensadores perspicazes tinham previsto que era a redução do poder de compra com a paragem da economia, encerramento de empresas, desemprego, e menor volume da colheita fiscal o que levou a que em 20-06-2012 surgisse a notícia Défice orçamental ficou acima do de 2011 no primeiro trimestre

Depois houve o corte do subsídio de férias e de Natal, contra o que surgiram atitudes populares de indignação e em 10-07-2012 veio a notícia de que Governo procura alternativas ao corte dos subsídios que gerem “consenso”. As incapacidades geram confusão com os menores problemas e estes não eram muito simples. Da teimosia em insistir na austeridade, cada vez mais 
agravada, no estilo custe o que custar, doa a quem doer, ou quero posso e mando, o desemprego tem sido o aspecto mais preocupante pelas consequências que acarreta, e em 10-08-2012 surgiu a notícia Desemprego de licenciados sobe 49,5%.

E o percurso tem prosseguido a caminho de um buraco sem hipóteses de regresso, com as palavras «animadoras» citadas no início soframos tudo com cara alegre pois temos a tradição de marinheiros que aguentavam todas as tormentas até ao naufrágio definitivo.

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sábado, 8 de dezembro de 2012

Dar prioridade aos gastos sociais

Oxalá o espírito de Natal ilumine a mente dos governantes e que estes pensem na frase do Marquês de La Fayette, «quando o Governo viola os direitos do povo, a insurreição é o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres». Felizmente, já há sinais de bom senso entre os ministros dos assuntos sociais da UE, na convenção europeia contra a pobreza e exclusão social, em Bruxelas, como se vê na notícia ministros da Europa pedem fim a cortes nos gastos sociais de que a seguir se transcrevem algumas frases:

- "A União Europeia não pode ter uma política de apoio aos bancos, uma política de "nenhum banco fica para trás", e não canalizar dinheiro para as pessoas". Disse Mota Soares.

- "A Europa está a sofrer. Há pessoas sem emprego, sem rendimento, sem esperança. Temos que pensar nisso todos os dias". Disse a ministra dinamarquesa Karen Haekeruup.

- "Queremos que os governos sejam mais honestos em relação às verdadeiras causas da pobreza e tenham coragem de as enfrentar. Fechem os paraísos fiscais, parem com os cortes nas despesas sociais [e] não combatam a pobreza só com caridade." Disse Sérgio Aires, o português que preside à Rede Europeia Anti-pobreza

- "Está na hora de impor sanções aos Estados que não cumprem as metas da pobreza". Pediu Conny Reuter, da Plataforma Social.

- Em França a prioridade são as famílias monoparentais e numerosas e os imigrantes.

- A Irlanda mostra-se preocupada com os sem-abrigo.

- A ministra dinamarquesa sublinhou que a aposta é "em melhorar a qualidade de vida", garantindo subsídios a quem não tem rendimento.

- "O que dizemos é que a despesa social é um investimento". "As pessoas têm que se convencer disto." Rematou Koos Richelle, director-geral do Emprego, na Comissão.

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fome. Trabalhar apenas pela comida


É lastimável que os governantes do alto da sua opulência, adquirida á custa dos contribuintes, continuem numa vida de luxo e de ostentação a gastar os recursos nacionais em mordomias, carros de luxo novos e em grande quantidade, aumento de assessores e gestores para actividades inúteis, desnecessárias, e ignorem as realidades da vida de grande parte dos cidadãos.


Por exemplo, segundo a notícia Oferecem-se para trabalhar apenas a troco de comida fica claro que no já de si tão carenciado bairro da Cova da Moura no concelho de Amadora, ás portas de Lisboa, há muitas famílias em desespero a oferecer-se para trabalhar apenas a troco de comida.

O drama socioeconómico é especialmente evidente para quem está no terreno, como é o caso da Associação Cultural Moinho da Juventude, a trabalhar no bairro há 26 anos. As associações temem que as restrições obriguem a cortar nos já reduzidos apoios sociais. O secretário-geral daquela instituição, Carlos Simões diz que os efeitos da crise já são muito notados.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Portugal visto como país do terceiro mundo


O título deste texto é uma agressão muito dolorosa a um povo que se orgulha de ter dado o terceiro mundo ao mundo, «deu novos Mundos ao Mundo» . Mas é a visão do alto nível internacional traduzida pelo FMI.


Também é esta instituição de quem esperamos a sobrevivência que alerta para que se continuamos com as despsas sumptuárias dos nossos «boys» e «girls», assim vamos falhar défice até 2016 e sem cortes drásticos nas despesas desnecessárias e improdutivas, o défice poderá chegar aos 5,6% em 2011.


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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pobreza e fome visível nas escolas


Têm aparecido notícias de apoios municipais a alunos pobres, do género de abrir as cantinas durante as férias para dar almoço aos que o não podem comer em casa. São medidas louváveis mas destinam-se a remediar um dos sintomas das carências que afectam grande parte da população, eleitora, contribuinte, consumidora, cliente, que está a ser o foco que concentra os grandes sacrifícios da «austeridade» de que os ricos e poderosos nada sentem, pois continuam na sua ostentação e arrogância habitual.



Sobre o tema saliento, por serem mais recentes as notícias Inspecção aponta resultados fracos em 45% das escolasMais constrangimentos do que oportunidades de melhoria e Consumo privado entra em queda em Novembro. Estes links permitem abris as respectivas notícias. Mas além disto, recebi por e-mail de uma professora um texto seu e outro de um colega que evidenciam as dificuldades que existem nas famílias mais desfavorecidas e que os políticos se esforçam por ignorar, ocultando-a na sombra de números e estatísticas. Conviria que os eleitos e os responsáveis pelos diversos sectores não se esquecessem de que em primeiro lugar devem estar as pessoas para as quais os números poderão ser uma ferramenta de apoio de menor importância e não como habitualmente fazem de dar prioridade aos números e, para eles serem o que desejam, sacrificarem as pessoas sem o mínimo escrúpulo ou moral.

Vejamos as opiniões de dois professores:

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.

Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.

O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…

Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.

Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.

Um caso real relatado por Maria João F

Hoje uma funcionária da minha escola, já de alguma idade, estava a limpar o chão da sala para onde eu ia passar a manhã com os meus alunos de um 10º ano/Curso Profissional e veio perguntar-me como vai o neto, meu aluno dessa turma.

Respondi que no início do ano trabalhava muito mais e que ultimamente não prestava atenção nas aulas e , até, tinha adormecido em duas delas pelo que lhe tinha chamado a atenção. É um rapaz correcto, pediu desculpa, pensei que tivesse andado na borga...

Hoje soube pela senhora que é o mais velho de 3 irmãos (tem 16 anos e os irmãozitos 5 e 2, do 2º casamento da mãe, uma jovem mulher de 35 anos, que vive sozinha com os filhos, abandonada de novo). A mãe do meu aluno anda todos os dias 5 km a pé para ir para o emprego e 5 km de volta a casa, é ele que recolhe os irmãos pequenos do infantário onde estão, chega mais cedo que a mãe. Almoçam mas muitas vezes não jantam e a mãe, sobretudo, não janta quase nunca para deixar para os filhos o pouco que há. Foram-lhes retirados apoios a nível de abonos de família e mais não sei o quê , confesso que já não conseguia ter atenção ao que a senhora me dizia - vou falar com ela um destes dias (amanhã já ou no outro).

Com os alunos fiz o planeado : projectei-lhes o filme "Stand and Deliver", baseado na história verídica do Professor Jaime Escalante, professor de matemática na John Garfield School em East L.A. Queria ver se os incentivava. Afinal, as condições de vida daqueles jovens não eram muito diferentes das dos meus alunos no presente, neste Portugal onde a miséria ronda muitas casas e onde professores, também eles, vivem pobrezas envergonhadas.

Jaime escalante faleceu este ano.

A Sala de Matemática do Museu da Ciência de Los Angeles tem o nome dele.

Não sei se adianta muito a partilha destas histórias que são mais que isso: são factos Históricos. O Portugal de hoje é um país miserável, a muitos níveis.

Há responsáveis e têm nomes.

Desde logo, o actual PR - recuemos à década de 80 e analisemo-la.

Continuemos com este PM que, pela 1ª vez, considero um caso clínico. Pensei durante este tempo todo que simplesmente andava a gozar connosco mas com o seu último discurso sobre a pobreza e o seu jeito de catequista (fui educada num colégio católico, conheço os truques todos, o paleio, os trejeitos; gramei muitas "ultreias" no Estoril - não me apetece explicar o que isto é ) começo a pensar que o homem é doido - mas não inimputável. Falo apenas do PM porque é ele o responsável pelos outros membros do (des)governo. Com os do PSD só alguém tão insensato como o PM, poderá contar para melhorar o que quer que seja: lembrem de novo o PR e, por exemplo, Durão Barroso.

Não vale a pena falar de mais nada nem ninguém. Este polvo não é um octópode, é um "alien" de um gugol de tentáculos. Que podemos fazer para os cortar, um a um ? Não sei.

Só sei que um dos meus alunos dorme nas aulas com fome e cansaço. E será que muitos não estão agitados também com fome e cansaço ? Há consumos de drogas, há álcool, há muitos á deriva. Os Cursos Profissionais são uma fraude, estou lá, estou metida nessa fraude.

A única coisa que posso é levantar a voz e dar a conhecer na escola este - e outros casos - e dar-vos este meu relato que junto ao recebido.

Há muitos, muitos anos, no meu 4º ano de ensino (1980), fui colocada na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra. Esta tinha, na altura, uma secção para o Ensino Básico ( 7º/9º ano) que apanhava os miúdos da Várzea de Sintra que se estendia até Fontanelas, Assafora, etc. e eu tinha turmas de 7º e 8º. Um dia falei grosso a um miúdo que sistematicamente não trazia feitos os trabalhos de casa. Ele olhou-me de alto e disse-me calmamente "Tenho 4 irmãos e o meu pai morreu. Sou o mais velho e, para ajudar a minha mãe, trabalho como ajudante de padeiro. Quando saio da escola durmo um bocado, levanto-me pela meia noite, vou trabalhar e venho directamente para a escola. Não tenho tempo de fazer os trabalhos de casa".

Pensei que não me tinha esquecido disto, mas, afinal, tinha. Se não tivesse, não teria feito juízos imbecis sobre um aluno que dormiu nas minhas aulas e diminuiu o rendimento escolar.

Estou triste. Sei que não posso ficar parada e triste: não leva a lado nenhum. Que fazer ? Aceito todas as sugestões que puderem dar-me.

Entretanto, porque não publicar as mil e uma histórias que cada um de nós, professores, encontra no seu quotidiano (tantas vezes constituído por péssimas refeições ao longo do dia mas que, ao menos, ainda temos em casa comida para o jantar ) ?
Maria João

Profª de Matemática, no corrente ano a leccionar uma turma de 10º - Matemática A e duas de 10º - Cursos Profissionais ( de Gestão e Informática de Gesão). Bastantes alunos destas últimas turmas têm dificuldade em ler e escrever, um deles tem dificuldade em escrever o seu apelido. Urge acabar com a FRAUDE e dar efectivamente a mão a estes jovens não para as fraudulentas estatísticas de "sucesso" mas para lhes darmos os meios de vierem a ser Cidadãos Livres.
Ou alguém deseja voltar às práticas do "vamos brincar à caridadezinha" (podem encontrar música e letra da canção... a net tem muitas vantagens...) ? Vamos dar esmolinhas ? NÃO ! Vamos exigir para nós e para os nossos concidadãos a Dignidade a que temos direito.
Escola Secundária Padre Alberto Neto, Queluz

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pobreza aumenta

A observação daquilo que acontece no País é muito preocupante. Os sinais são demasiado evidentes para que possam ser ignorados e é imperioso que os mais altos responsáveis, não os desconheçam.

Por todo o País encerram empresas de todas as dimensões, por encarecimento do crédito, das matérias primas e dos apoios públicos e por menor procura devido ao abaixamento do poder de compra dos potenciais clientes. Isso justifica títulos como este - “Maior crise de sempre” fechou dez mil restaurantes em 2009 – que faz prever um número mais elevado no ano corrente e nos próximos, em percentagem dos inicialmente existentes. E o maior significado deste caso reside em os restaurantes fornecerem produtos essenciais. Mas as pessoas restringem tudo, mesmo a alimentação, com os graves resultados que isso possa trazer para a saúde.

Realmente, a fome está presente em muitos lares, em número cada vez maior. E, em consequência deste fenómeno está a activar-se a veia humanitária das pessoas e está a nascer uma rede nacional para aproveitar as sobras dos restaurantes, que é convergente com o Banco Alimentar que congrega muitos voluntários, mais do que o esperado, tal é o sentimento humanista e solidário da nossa boa população.

A par destas notícias, o gestor de activos João Pedro Pintassilgo, em entrevista referida em dois artigos (um e outro) do Público, dá dicas aplicáveis não só aos governantes e a empresas mas também às famílias e pessoas individuais.

Num investimento é necessário saber se tem racionalidade económica e se cria riqueza para a economia, se paga os seus custos de funcionamento e o custo da sua construção. Há que saber se um projecto se paga a si próprio ou se vai onerar o futuro com mais despesas. Temos que usar bem o dinheiro de que dispomos, seja próprio ou de crédito, e aplicá-lo em boas ideias de produtos e de serviços, com valor acrescentado.

Ora o que temos visto é que os portugueses, em todos os níveis, têm se preocupado com o consumismo, a aparência, a ostentação de riqueza, a competição com vizinhos e colegas, usando várias formas de crédito, sem olhar ao facto de que as prestações somam-se e têm que ser pagas. A mentalidade infantil de não considerar o dinheiro como um bem finito, consumível, limitado, tem levado a um nível de vida excessivo, insustentável, ao crédito mal parado, de que resultou a crise ter levado ao encerramento de tanto restaurante e muitas empresas realmente dispensáveis, mas com inconvenientes no desemprego e no equilíbrio psíquico da população e nas carências que chegam ao ponto de condicionar gravemente a alimentação.

Oxalá a crise seja ultrapassada a breve prazo e que as pessoas aprendam a lição que as leve a passarem a gerir melhor a sua vida privada, as empresas e os interesses do Estado.

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Soluções cirúrgicas eliminam tumores

Como defende José Pires, a crise deve ser alvo de soluções eficazes, mas ele não ignora que, tal como uma operação cirúrgica, ela exige cortes e eliminação de tumores. E, como é lógico tal operação não pode ser efectuada pelos próprios tumores ou por órgão infectados que os aceitam, apoiam e com eles têm interacção.

Tem que haver consciência de que as alterações terão que ser dolorosas para tais interesses (tumores). Os sinais de urgência aparecem diariamente, mas os exemplos de objectivos positivos a atingir também surgem com visibilidade, por exemplo, quer no comportamento dos deputados suecos quer no tecto das reformas na Suiça. Mas, entre nós, não tem sido do interesse dos assessores mostrarem aos seus patrões as realidades, preferindo mantê-los na ignorância.

Precisamos de uma equipa governativa que se interesse seriamente pelos portugueses e nunca, nunca, subordine os interesses nacionais aos interesses dos partidos e dos políticos. Cada coisa em seu lugar e a seu nível.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estrabismo de um dinossauro sobrevivente

A situação dramática em que o País se encontra, e com perspectivas de se agravarem, estão visíveis no artigo que se transcreve:

Destak. 10 | 11 | 2010. Por João César das Nevesoão César das Neves

«Escolas abrem ao fim de semana para matar a fome aos alunos.» Apesar da crise política, campanha presidencial e urgência dos juros da dívida, o Expresso escolheu este para título principal do último sábado. Foi uma excelente opção jornalística. Este é sem dúvida o verdadeiro problema do momento: volta a haver fome generalizada entre nós. Tudo empalidece ao lado disto.

Mas este título mostra também um outro facto ainda mais importante. Perante a incapacidade do Estado, a sociedade enfrenta a emergência. «Mesmo quando não há apoios extras do município ou do Ministério da Educação, muitos estabelecimentos de ensino fazem tudo para minimizar as carências alimentares de algumas crianças. [...] Notámos que havia alunos que não comiam o pão do almoço ou a sandes do lanche [...] iam discretamente ao pátio dar o que não comeram a um colega que lhes tinha pedido para poder levar para casa.» (p. 22)

Há várias décadas que, com custo de milhões, os sucessivos governos nos asseguraram que a sua política eliminaria a pobreza. Proclamaram o sucesso várias vezes. Agora, quando é mesmo preciso, tudo se desmorona. Parece que nos 80 mil milhões de euros do Orçamento de Estado não há dinheiro suficiente para alimentar crianças. Compreende-se, é preciso acorrer ao TGV e outras prioridades.

Os políticos estão presos de si mesmos. Felizmente ainda restam as escolas, paróquias, IPSS, serviços camarários, ou simplesmente os vizinhos e colegas. Esta é a grandeza de Portugal e enquanto existir a crise dos políticos não nos vence.»


Mas, ao invés deste texto aparece um outro intitulado Almeida Santos diz que medidas contra crise podem levar Governo a "perder o poder", em que idoso militante diz que «“Mesmo assim, eu acho que o Governo, sendo um Governo doloroso para os portugueses, é um bom Governo para o país”», o que é curioso por o Governo ter sido o responsável pelo destino dos portugueses nesta descida para o abismo, e sempre a dizer frases optimistas, a investir como um nababo e a permitir despesas públicas com instituições inúteis e com nomeações políticas em quantidades inusitadas.

Mas além deste elogio ao governo, ignora a crise a que se refere o artigo acima transcrito e alerta para o perigo de que as medidas previstas no Orçamento do Estado (OE) para 2011 poderão levar o Governo a “perder o poder”, além de perder “popularidade e votos”. Para este dinossauro demasiado amadurecido, o que deve ser colocado no topo das preocupações do Governo é o poder, a popularidade e os votos e, por conseguinte não se importar com o sofrimento do povo a que ele tem por obrigação garantis boas condições de vida, educação, saúde, segurança, justiça, comodidade, etc.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pobreza. Realidade a transformar

Apesar das promessas e afirmações bombásticas de propagandistas alheios às realidades do País, chegam, de origem oficial, informações dramáticas que denunciam um estado catastrófico na vida de cerca de metade dos cidadãos. Segundo o artigo do JN «504 096», o relatório apresentado, há uns dias, pelo Conselho Nacional de Educação indica que mais de meio milhão de crianças (504.096) são abrangidas pela Acção Social Escolar. Isto significa que estas crianças, que correspondem a quase metade das crianças portuguesas que frequentam as nossas escolas, dependem do apoio financeiro do Estado para comprar livros e material escolar. E dependem das cantinas escolares para comer. Numa palavra, são 504 096 crianças pobres. O facto de representarem quase metade das crianças das escolas faz meditar na dimensão da catástrofe social existente, apesar de tantas palavras falsamente optimistas de governantes.

Outro aspecto que contradiz a propaganda sobre a obrigatoriedade do ensino até ao 12º ano, é que apenas 30% dos alunos chegam ao 12º ano.

O estado de penúria da população também se torna visível nos cerca de 460 mil portugueses que passam fome ou, eufemisticamente,"sérias perturbações no acesso a alimentos", na linguagem técnica do nosso Instituto Nacional de Estatística; ficámos também a saber que cerca de 2,14 milhões de portugueses são pobres ou segundo o INE, em "privação material".

No entanto, no momento da elaboração do OE, esse problema é esquecido e, entretanto, enterra-se no BPN o que faltava para somar 5000 milhões de euros saídos do bolso dos contribuintes e passa-se ao lado, sem as fechar, das torneiras de saída de dinheiro público sem utilidade nem racionalidade aparente como ficou dito em Onde se cortam as despesas públicas??? e em Dezenas de institutos públicos a extinguir.

Mas a Comunicação Social continua a encher espaço e tempo com o espectáculo tosco de pugilismo feito por actores que não querem machucar-se, como se deduz de OE. Haja sentido de Estado.

Com este panorama, indícios e sintomas, é preciso ter muita fé para augurarmos melhores dias!!!

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os pobres pagam a crise

As imagens mostram situações reais e, infelizmente, muito frequentes, mas os decisores políticos não fazem uma mínima ideia das condições de vida de uma grande parte da população, por efeito de uma crise causada por incompetência dos responsáveis pelos países.

Os eleitos não pensam nas pessoas, mas apenas em números estatísticos, e não se preocupam em reduzir o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Os conselheiros dos governantes padecem se igual patologia. Para mal da humanidade, isso passa-se a nível ONU, FMI, OCDE, UE, etc. O Conselho de Segurança da ONU é constituído por países ricos ou que se comportam como tal, o mesmo acontecendo com os grupos dos 20 e dos 8.

No Mundo não há representação dos 20 ou dos 8 países mais pobres, menos desenvolvidos. E, assim, a solução é sempre: os pobres que paguem a crise para que os ricos continuem a ser mais ricos.

Os detentores do Poder, geralmente «novos ricos» deslumbrados que pretendem entrar no top da fortuna mundial, alinham pelo princípio defendido pelos grandes empresários. Agora, a solução preconizada pela OCDE vem ao encontro daquilo que há pouco tempo foi defendido porAlexandre Soares dos Santos: defesa do aumento do IVA e redução do IRS e do IRC. Isto significa que se faz aumentar as receitas fiscais nos mais pobres, naqueles que, só fazendo despesas para sobreviver, terão de pagar mais caro o pão outros alimentos básicos indispensáveis.

O líder do PSD tomou a decisão de ouvir os pareceres de notáveis economistas e gestores a fim de perceber melhor a resolução para o Orçamento para 2011. Mas caiu, como é característico da lógica dos nossos políticos em ir buscar as opiniões de teóricos, bem instalados na vida, totalmente afastados das pessoas mais sacrificadas e exploradas do país: classe média baixa, pobres, pedintes, famintos, em que se integram aqueles que as imagens focam

Que esperar? Talvez um dia, todos esses desprotegidos e espoliados assumam o seu poder democrático, através do voto ou por outra forma, como recentemente aconteceu emMoçambique e façam valer a força do número de cabeças. Em Moçambique viram satisfeito o motivo da manifestação. Em Portugal a PSP, com uma simples ameaça de greve em data crítica, viram os seus problemas atendidos.

Vale mais prevenir do que remediar e, neste caso, prevenir significa dar prioridade às pessoas e às suas condições de vida.

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A fome mata ao lado das grandes riquezas

Depois de ter publicado o post «RTP. Salários Escandalosos» e de ter lido um comentário no post «Encerramento de Escolas» com uma lista de salário dourados, surgem hoje duas notícias que, mesmo que se leia apenas o título, são chocantes. Mas, recomendo a sua leitura completa abrindo o link (clicando no respectivo título).

Falta de comida já afecta 95 mil crianças por dia
Jornal de Notícias. 07-06-2010. Carla Soares

São 285 mil as pessoas que recebem ajuda do Banco Alimentar contra a Fome, em Portugal. Destas, 33% são crianças. Com o aumento do desemprego e do número de famílias desestruturadas, há mais filhos a depender deste apoio para se alimentarem.

Este ano, cerca de 94 mil crianças são, em média, assistidas por dia pelos bancos alimentares, número que seria ainda maior se incluísse a Madeira, que não é abrangida pela rede. Porém, não há, em Portugal, dados concretos sobre a população infantil afectada pela fome. Nem a Direcção-Geral da Saúde, nem a Comissão de Acompanhamento da Acção para Crianças e Jovens em Risco, cujos responsáveis foram contactados pelo JN, avançam qualquer diagnóstico.

A verdade é que o total de pessoas que recebe este tipo de ajuda das cerca de 1700 instituições apoiadas pelo Banco Alimentar tem crescido de ano para ano. O apoio é dado por cabaz ou alimentação confeccionada, seja ao domicílio, em cantinas ou creches. (…)

Mas acontece em mais partes do mundo:

Fome é causa de morte no Mundo a cada seis segundos
Jornal de Notícias. 07-06-2010. C. S.

Existem, actualmente, 1,02 mil milhões de pessoas subnutridas no Mundo, o que significa que uma por cada seis não tem alimentação suficiente para ser saudável e manter uma vida activa. E, em cada seis segundos, uma criança morre por causa da fome ou de doenças relacionadas.

Os números são do Programa Alimentar Mundial, que alerta para o facto de a fome e a subnutrição serem o factor "número um" de risco para a saúde. Aliás, a fome "mata, em cada ano, mais pessoas do que a sida, a malária e a tuberculose juntas". E, dos cerca de mil milhões de pessoas que passam fome todos os dias, a maioria são mulheres e crianças.

Os números mais recentes mostram que 65% da fome mundial está localizada em sete países: Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia. (…)

O que se passa nalguns pontos do mundo não deve constituir desculpa para o nosso péssimo sistema de «justiça social». Porém, o mundo é constituído por todos nós e cada um deve olhar para o que esteja dentro do seu raio de acção e fazer tudo quanto puder para o tornar eticamente melhor. É chocante a diferença crescente entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres da nossa sociedade. Trata-se de um fosso que nos envergonha, como se depreende do post «Austeridade nas reformas»

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O G8 e a fome em África050715

(Publicada na Sábado em 15 de Julho de 2005)

O continente africano é considerado por muitos analistas da geopolítica como não tendo um raio de esperança no combate à fome e às doenças endémicas. Por isso, é agradável ouvir as intenções do G8, empurrado por Tony Blair, de apoiar os africanos na luta contra as dificuldades que os afligem. Mas, mais do que entusiasmo fácil, é necessária uma vontade verdadeira e uma perseverança férrea. Os problemas daquelas populações não se resolvem com umas toneladas de víveres, duas a três vezes por ano. O velho ditado diz que para matar a fome, em vez de dar o peixe, deve dar-se uma cana e ensinar-se a pescar. Os africanos precisam que lhes dêem ferramentas para o desenvolvimento e os ensinem a produzir, a explorar os vastos recursos de que são detentores. Devem começar procurar a auto-suficiência alimentar, depois, produzir artigos para exportação que lhes permita obter fundos para importar aquilo que necessitam. Com bons governantes (hoje é material crítico e um obstáculo) e bom apoio técnico, a África pode produzir muitos bens alimentares e trabalhar os minerais para consumo interno e para o mercado mundial. Porém, se o G8 pode apoiar esses objectivos, receio que não seja eficiente e perseverante para vencer os interesses das grandes empresas multinacionais e os países que as apoiam que não encaram de bom grado os efeitos da concorrência e usam as tarifas aduaneiras para dificultar a entrada de mais produtores no mercado. E, no caso de a produção africana aumentar, serão essas empresas a explorarem todos os benefícios advenientes, como no caso das frutas da América Central, do café, do cacau, etc.

Parece, pois, que a solução para a África é tecnicamente possível, mas praticamente difícil principalmente por falta de enquadramento político e técnico devidamente vocacionado para os benefícios da população e para convencer a opinião da finança mundial. Veja-se os casos do Zimbabwe, do Sudão, da República Democrática do Congo, de Angola, etc.