segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pobreza aumenta

A observação daquilo que acontece no País é muito preocupante. Os sinais são demasiado evidentes para que possam ser ignorados e é imperioso que os mais altos responsáveis, não os desconheçam.

Por todo o País encerram empresas de todas as dimensões, por encarecimento do crédito, das matérias primas e dos apoios públicos e por menor procura devido ao abaixamento do poder de compra dos potenciais clientes. Isso justifica títulos como este - “Maior crise de sempre” fechou dez mil restaurantes em 2009 – que faz prever um número mais elevado no ano corrente e nos próximos, em percentagem dos inicialmente existentes. E o maior significado deste caso reside em os restaurantes fornecerem produtos essenciais. Mas as pessoas restringem tudo, mesmo a alimentação, com os graves resultados que isso possa trazer para a saúde.

Realmente, a fome está presente em muitos lares, em número cada vez maior. E, em consequência deste fenómeno está a activar-se a veia humanitária das pessoas e está a nascer uma rede nacional para aproveitar as sobras dos restaurantes, que é convergente com o Banco Alimentar que congrega muitos voluntários, mais do que o esperado, tal é o sentimento humanista e solidário da nossa boa população.

A par destas notícias, o gestor de activos João Pedro Pintassilgo, em entrevista referida em dois artigos (um e outro) do Público, dá dicas aplicáveis não só aos governantes e a empresas mas também às famílias e pessoas individuais.

Num investimento é necessário saber se tem racionalidade económica e se cria riqueza para a economia, se paga os seus custos de funcionamento e o custo da sua construção. Há que saber se um projecto se paga a si próprio ou se vai onerar o futuro com mais despesas. Temos que usar bem o dinheiro de que dispomos, seja próprio ou de crédito, e aplicá-lo em boas ideias de produtos e de serviços, com valor acrescentado.

Ora o que temos visto é que os portugueses, em todos os níveis, têm se preocupado com o consumismo, a aparência, a ostentação de riqueza, a competição com vizinhos e colegas, usando várias formas de crédito, sem olhar ao facto de que as prestações somam-se e têm que ser pagas. A mentalidade infantil de não considerar o dinheiro como um bem finito, consumível, limitado, tem levado a um nível de vida excessivo, insustentável, ao crédito mal parado, de que resultou a crise ter levado ao encerramento de tanto restaurante e muitas empresas realmente dispensáveis, mas com inconvenientes no desemprego e no equilíbrio psíquico da população e nas carências que chegam ao ponto de condicionar gravemente a alimentação.

Oxalá a crise seja ultrapassada a breve prazo e que as pessoas aprendam a lição que as leve a passarem a gerir melhor a sua vida privada, as empresas e os interesses do Estado.

Imagem da Net.

Governante honrado e descontente

Quando, em análises gerais e abstractas, se atribuem vícios e erros aos políticos, de forma abrangente, nunca devemos esquecer de que há excepções, como em toda a regra. Temos que admitir que existem políticos que são homens com sentido de Estado e que não cedem a irregularidades no respeitante aos deveres da POLÍTICA com maiúsculas e, quando evidenciam as suas qualidades positivas, devem ser destacados e elogiados, pelo exemplo de dignidade que representam.

Vem hoje no Público a notícia de que João Correia Secretário de Estado da Justiça demitiu-se por identificar uma “cultura contra a Justiça” e refere-se a entrevista dada pelo próprio ao jornal «I»em que afirma sair porque o objectivo central, quer do convite quer da sua permanência no Governo, era contribuir para as reformas, nesta fase delicada da administração da Justiça em Portugal, que lhe foi entregue a missão de concretizar a reforma do mapa judiciário, fazer a reforma do processo civil, do processo penal, da lei da arbitragem. E que, além do mandato que recebeu, inovou também ao nível dos tribunais da concorrência, regulação e supervisão e tribunal da propriedade intelectual, para além das normais miudezas de qualquer ministério, que resultavam da tutela da direcção-geral da administração da justiça, da reinserção social, do instituto de medicina legal, da comissão para a protecção às vítimas de crimes violentos.

Deve salientar-se que, apesar de ter formalizado o pedido de demissão no dia 22 de Novembro, teve o cuidado de, por razões de fidelidade, coerência e respeito pelo Governo, isso não ser publicitado até que fosse votado o Orçamento, para não criar ruído, para isso não poder ser aproveitado como um factor de enfraquecimento da política do Governo no seu todo.

João Correia evidencia, desta forma, elevado teor ético, sentido de missão, da honra, da dignidade, do dever. Um governante exemplar deve colocar o Estado, o Portugal de todos os portugueses, acima das tricas partidárias, acima das pressões que têm levado à impunidade dos políticos.

Como cidadão português, presto a minha homenagem a este exemplo de bom português que não se vende por mordomias ou por tachos dourados.

Imagem do Público.

Jogos partidários anti-democráticos???

O secretário geral do PSD afirmou poderem ser aplicadas sanções políticas” aos deputados do PSD/Madeira que votaram contra o Orçamento do Estado. Isso vem estimular mais uma vez a reflexão sobre a disciplina de voto na AR.

Levanta a questão da existência do direito à liberdade de opinião. É uma das garantias dadas pela Constituição.

Com tal disciplina imposta à força de sanções, pergunta-se mais uma vez para que são necessários tantos deputados. Imperando tal disciplina, basta atribuir o voto ponderado para os líderes da bancada, assente na percentagem obtidas nas últimas legislativas.

O tema já foi abordado em:

Disciplina de voto na AR
Redução do número de deputados
Há deputados a mais, sem dúvida!!!
Deputados a mais, eficiência a menos
Deputados conscientes da sua quantidade excessiva

Portugal precisa de deputados bem informados e moralmente bem formados que votem pelos interesses nacionais e não por jogos do «alecrim e da manjerona» de que apenas os partidos beneficiam. Com a lógica clubista do partidarismo eles poderão ser sancionados, por não jogarem pelo partido, como se fossem ovelhas ranhosas. Mas do ponto de vista nacional eles devem ser considerados heróis nacionais, como já aqui foi apontado António José Seguro, a propósito da lei de financiamento dos partidos, de Jorge Nuno de Sá, quando foi o único a quebrar a unanimidade no Conselho do PSD e de Manuel Castro Almeida do PSD, quando no Conselho Nacional votou contra um eventual aumento de impostos.

É certo que a democracia precisa de partidos, mas estes devem rever os seus comportamentos, pois pelo menos na aparência, dedicam 80% à função de agência de emprego para «boys» e a tricas de demolição da credibilidade dos rivais sempre com olho nos votos, e apenas cerca de 20% aos interesses de Portugal, dos portugueses. Seria aconselhável que procurassem inverter estas prioridades passando a dedicar 80% aos interesses nacionais: O Governo, analisando bem os problemas do ponto de vista patriótico, escolhendo as melhores soluções para um futuro melhor, executando-as com simplicidade, economia e rigor, fiscalizando e controlando os pormenores e sancionando os infractores ou carentes de dedicação e seriedade; a oposição, mostrando valor e dedicação ao País, com a fiscalização da execução governativa, controlando e criticando positivamente os actos da governação e apresentando sugestões e propostas para o desenvolvimento do País. Com tais comportamentos a política sairia prestigiada e credibilizada e os cidadãos, provavelmente, passariam a acorrer às urnas em maior percentagem do que actualmente e votar com consciência cívica e de cidadania.

Penso que a crise deve ser aproveitada para reflexões sobre estes tópicos. Se o estímulo não funcionar nesta situação, será difícil que venha ser aproveitado em situação mais estabilizada e acomodada.

Imagem da Net

Greve Geral treina para acção colectiva

A crise parece estar num beco sem saída, com frequentes notícias sobre o agravamento de vários índices. Há muita gente bem pensante a desejar o aparecimento de uma força que exija ao Governo prestação de contas sobre a maneira como está (ou não) a zelar pelos legítimos e reais interesses dos portugueses. Essa função fiscalizadora deveria caber, teoricamente, à AR, mas esta não se tem mostrado eficaz na contenção de erros e abusos dos governantes. Por isso, muitos anseiam pela vinda do FMI ou outro tipo de poder externo que moralize o funcionamento do regime. Mas a vinda do FMI não é agradável aos poderosos, viciados nos sucessivos erros que conduziram à crise, porque seriam impedidos ou obrigados a moderarem os abusos que lhes dão enriquecimento. Mas se estes não foram metidos na ordem, tudo continuará na degradação em que nos colocaram, a caminho do ponto de não regresso, do suicídio de uma Nação que não está capaz de encontrar em si forças para inverter a queda no abismo.

Não esqueçamos que, segundo as leis da Física, o movimento num plano inclinado é uniformemente acelerado, isto é, com velocidade continuamente crescente e exigindo uma força cada vez maior para poder fazer uma travagem eficaz e uma inversão de marcha em busca da recuperação.

Entretanto, o descontentamento generalizado na população produziu uma greve geral que uniu mais de um terço da população adulta a mostrar o descontentamento com a austeridade que nos é imposta por aqueles que estão na génese da crise e que se esquivam dos seus efeitos, a coberto do poder de que usam e abusam em benefício próprio. Acerca disso, o editorial do Jornal de Notícias, «A greve e a teoria da inevitabilidade» aponta para os seguintes tópicos de reflexão:

«Grandes ou pequenas, justificadas com bons ou maus argumentos, as greves são (quase) sempre exercícios de cidadania colectiva. Convém, por isso, não as desvalorizar, porque não se trata de actos de folclore.»

«O que fazer com o que foi adquirido? Como continuar a manifestar o descontentamento com as políticas do Governo e a postura dos empregadores?»

Para a combater a teoria da inevitabilidade, «é preciso convencer-se de que a tremenda luta que lhe calhou em sorte está balizada pelos erros que todos - e não apenas "eles", os políticos - cometemos há década e meia. A tradução disto faz-se em números: endividamento à razão de dois milhões à hora; desemprego a aproximar-se dos 11%; incapacidade crescente de pagar as dívidas; levantamento (1450 milhões de euros entre Setembro e Outubro) das poupanças guardadas no banco; e por aí fora...»

«Está bom de ver que é impossível continuar a viver assim. Está bom de ver que os nossos credores não confiam em nós e, portanto, não estão dispostos a emprestar-nos mais dinheiro. Está bom de ver que, sem controlarmos as nossas contas públicas, o caminho é um precipício. Está bom de ver que não se resolvem os problemas sociais sem uma sólida base económica. Está bom de ver que, sem aumentarmos a competitividade, não haverá melhores salários e melhor nível de vida...»

«Convergência de interesses e credibilidade do país são, por muito que as expressões possam incomodar, a chave para um futuro menos negro.»

Após a greve e no espírito dos tópicos citados acima, os «sindicatos pedem recuo na austeridade» o que evidencia que os líderes sindicais estão atentos e têm ideias quanto ao aproveitamento desta experiência de sensibilização da população para a defesa dos interesses nacionais, dos portugueses. Mas o Governo, indiferente aos legítimos anseios do povo, já fez saber que a margem de manobra para alterar as políticas que estiveram na origem da paralisação é "nula".

O Governo despreza os cidadãos em geral e principalmente os que são sempre os mais sacrificados e, para cúmulo de tal facto, o «Ministro das Finanças convoca banqueiros», não se sabendo se é para receber orientações deles para actuar em seu proveito, como parece ser a regra geral (ver por exemplo o post «Justiça Social ???»), ou como alguém disse, será apenas uma prospecção para futuro emprego, já que vozes bem audíveis dentro do seu partido pedem a sua a substituição no Governo.

É realmente um facto que os governantes têm uma visão distorcida que resulta em benefício dos poderosos, os que estão implicados nas causas da crise.

Usando de alguma ironia, o futuro ex-ministro das Finanças está a demonstrar muito senso prático, sentido das realidades e pretende preparar o futuro! Abre-se um concurso aos adivinhos: em qual dos bancos ele irá ser abrigado no futuro próximo? Jorge Coelho saltou das Obras Públicas para uma grande construtora civil. Para este, o lugar adequado aos seus interesses e favores prestados será um banco: BES, BCP ou BPI ??? Em qual deles irá cair?

Porque não se reúne com os representantes da maioria dos portugueses? São estes as maiores vítimas da crise, os que são mais sacrificados pela austeridade, mas também os que dão mais votos, e talvez tenham sugestões a apontar para a redução das despesas do Estado e para uma governação com maior justiça social.

Mas ele sabe que precisa de estar bem sintonizado com os patrões. Alguns deles já têm dado dicas e agora têm ocasião de as pormenorizar a fim de verem a vida mais facilitada.

Mas depois da grande adesão à greve, fica mais claro que será difícil que os implicados no desenvolvimento do problema, em qualquer nível, disponham de capacidade de mimetismo para contrariarem os seus hábitos e inverterem o fluxo dos seus empenhamentos, para passarem a ser agentes da solução.

Têm aparecido pessoas, com ar sabedor, a argumentar com a força da Constituição, mas essa é uma grande falácia de teóricos, pois tal documento esteve presente na gestação da crise e, se não a impediu, é porque a sua valência lhe serviu de cobertura. E como não é sagrada nem eterna e foi feita por humanos, sujeitos a erros, nada a impede (e tudo aconselha) de poder e dever ser profundamente alterada. A mudança de que o País precisa tem que ser muito profunda indo às raízes infectadas da árvore infestante.

A crise, sendo bem aproveitada, pode ser uma bênção para a construção do novo Portugal de amanhã. Mas se não forem criadas condições para que esse futuro seja melhor do que as últimas décadas (de degradação política e social), então de nada servem os sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses mais carenciados e, habitualmente, mais explorados.

Da experiência desta greve conclui-se que a população tenderá para se organizar. Oxalá seja bem organizada, controladamente, para reagir energicamente, mas sem violência, porque esta, quando empregada, acaba sempre por ferir mais inocentes do que os verdadeiros inimigos do povo.

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ONU. Qual o seu papel nas Coreias?

Agora que chegam notícias de mais brincadeiras perigosas entre as Coreias do Norte e do Sul, surge mais uma vez a interrogação acerca da finalidade da ONU e qual a forma como desempenha o seu papel estatutário.

Segundo a wikipedia, «A Organização das Nações Unidas (ONU), ou simplesmente Nações Unidas (NU), é uma organização internacional cujo objectivo declarado é facilitar a cooperação em matéria de direito internacional, segurança internacional, desenvolvimento económico, progresso social, direitos humanos e a realização da paz mundial. A ONU foi fundada em 1945 após a Segunda Guerra Mundial para substituir a Liga das Nações, com o objectivo de deter guerras entre países e para fornecer uma plataforma para o diálogo. Ela contém várias organizações subsidiárias para realizar suas missões.».

Esta interrogação já aqui foi referida por várias vezes, como se vê põe estes links:

ONU Paz e Justiça Social global
Apelo à ONU !
ONU muito eficaz e rápida!!!
ONU, crise e paz internacional
Caxemira, um caso pendente
Myanmar, China e a ONU
Vulnerabilidades da ONU

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O Défice aumenta e Portugal afunda-se

O seguinte título de notícia do Público Défice do Estado aumentou 215 milhões até Outubro é um sinal de alarme que merece séria e honesta meditação dos responsáveis por este descalabro, os quais tinham sido eleitos pelos portugueses para defenderem os interesses nacionais, mas cuja actividade ou inactividade está a dar estes resultados.

De que estão à espera? Não é legítimo estarem a continuar com este saque. Façam o favor de desaparecer e de chamar o FMI ou uma equipa de gestores com provas dadas. Não queremos sábios professores universitários. Precisamos de pessoas com inteligência, bom senso, experiência prática de gestão e dedicação a Portugal, aos portugueses.