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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Vontade do povo resiste às armas

É antigo o dito «querer é poder» e os acontecimentos das últimas décadas mostram bem que o povo, quando tem vontade partilhada colectivamente e quando está estruturado com uma organização social assumida na generalidade, consegue sobreviver a acções militares de grande intensidade. Aconteceu no Vietname, em grande parte das antigas colónias, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e estará prestes a concretizar-se na Síria e no Iémene.

A notícia «Ao fim de dez anos de guerra afegãos já não duvidam do regresso dos taliban»" em que é afirmado que «a única maneira de pôr fim à luta contra os taliban é trazê-los para o poder e mandar os estrangeiros embora", insiste Muttawa (kilWakil Ahmad Muttawakil, ex-braço direito do líder dos taliban, mullah Omar) numa entrevista à Reuters na sua casa de Cabul. Além disso, acrescenta, a insegurança e a imoralidade floresceram desde que as tropas lideradas pelos Estados Unidos derrubaram o regime dos "estudantes de teologia" em Cabul.

Este e outros casos deveriam ser bem meditados pelas grandes potências antes de decidirem a guerra, que muitas vezes surge por pressão dos magnates do «complexo industrial militar» a que se referiu Eisenhower depois de sair da Presidência dos EUA..

Imagem do Google

domingo, 30 de agosto de 2009

Os políticos e o relvado dos estádios

Publicado em 20 de Março de 2007 em Do Miradouro

Numa época em que muitos dirigentes políticos apoiam irracional e ilicitamente o futebol, por constituir um factor alienante e anestesiante para desviar a atenção das pessoas – a Nação – dos autênticos problemas colectivos, aparecem pensadores a dizer que a Nação tem tanta importância para os governantes como o relvado para os jogadores de futebol. É ignorada nos tempos normais e só é lembrada em vésperas de eleições como fonte de votos em época de crise como fonte potencial de mis impostos, mais limitações de direitos, liberdades e garantias e de regalias a que deve submeter-se sem a mínima hesitação. Segundo eles, a Nação não é para ser apoiada e protegida, mas sim para ser explorada.

Isto parece exagerado, mas, na realidade, as notícias tornam, cada dia, mais claro que o relvado dos estádios não entra nas análises dos grandes derbies, não é tida em consideração nos ensaios das melhores tácticas. A Nação também não. Os exemplos são frequentes e um deles foi ontem notícia com o último conclave do CDS-PP. Não transpirou uma qualquer referência aos problemas do País e dos cidadãos, ao prolongado aperto d cinto sem se verem melhorias da qualidade de vida, a não ser a dos políticos nas suas remunerações directas e indirectas, direitos e benesses, Não saiu qualquer hipótese de solução para melhorar a governação a bem do povo trabalhador e contribuinte. O que veio a lume foi a competição aguerrida para os lugares que dão visibilidade, notoriedade benesses. Houve ofensas primárias, sempre à volta das regras estatutárias e dos apoios delas retiráveis. Igual situação se tem vivido no CDS em que a corrida ao poder está às vistas de todos O mesmo se viu no PS com as posições tomadas por pequenos grupos que se estão a pôr em bicos de pés, em que sobressaem as divergências acerca das políticas de saúde, da Justiça, da segurança Interna, dos Negócios Estrangeiros, da Defesa, da Educação, da Ota e do TGV. Em todos estes casos, não se argumenta com os interesses nacionais, mas sim com a vantagem no campeonato interno da corrida ao Poder. Ao povo – a relva – é para pisar sem contemplações para não se perder a concentração sobre o verdadeiro objectivo – derrotar o adversário – meter golos da baliza contrária.

Com políticos assim, confinados a olharem para o próprio umbigo e a perspectivarem apenas os seus benefícios, o povo - relva – continuará ser pisado repetidamente... até que decida manifestar-se abertamente com visibilidade transportada pela comunicação social. Com lógica, com racionalidade, nada se consegue. No mínimo, tem de haver manifestação, que tem provado ser eficaz para os ministros recuarem as decisões insensatas que tinham tomado, e se as manifestações não forem suficientes, poderá advir violência, numa escala inicialmente controlada, mas com grave perigo de ultrapassar os limites convenientes.

Enquanto, alinhava estas reflexões vi, no Jornal de Notícias , a notícia «Vitorino tem dúvidas sobre a localização» do Novo Aeroporto de Lisboa, em que este militante do PS, com conhecida clarividência e seriedade, sugeriu ontem ao Governo que desse resposta às "dúvidas" levantadas por um estudo da NAV sobre o aeroporto da Ota e acabou por chamar a atenção para "o que disse o Presidente da República", apontando a necessidade de o estudo custo-benefício da Ota "responder às dúvidas sobre o prazo de validade, a ligação à base da Força Aérea e a obra de engenharia". Esta posição, semelhante a outras anteriores fazem lembrar a forma digna como abandonou as funções de MDN no Governo Guterres, que devia constituir exemplo para muitos dos actuais governantes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Governar pelo povo e para o povo. 051014

(Publicada no Destak em 14 de Outubro de 2005)

Em democracia é suposto que os governantes, escolhidos pelas suas virtudes de competência, seriedade, bom senso e dedicação ao bem público, se disponibilizam para, mesmo com prejuízo pessoal, defender o interesse nacional em que se insere a melhoria do bem-estar e da segurança dos cidadãos, e sejam um exemplo vivo a seguir por estes, um modelo a imitar. Por isso, as pessoas têm os olhos fixos nas suas acções e nas suas palavras.

Infelizmente, nessa observação atenta, facilitada pela Comunicação Social de que os políticos gostam de se servir apenas para sua propaganda, os eleitores desiludem-se e angustiam-se perante uma realidade diferente do lógico e esperado.. A falta de confiança é agravada dia a dia. Com efeito, o Poder vicia, cria dependência, e os políticos, como simples mortais que realmente são, sucumbem às suas tentações. Governar para o povo em nome do povo passou a ser um mito, demasiado virtual. É chocante presenciar o que um ministro «democrata» disse. Fez 39 reuniões «para dialogar e negociar», mas «vai cumprir todas as medidas tomadas», para o sector que tutela. Conclui-se que na verdade não eram reuniões para negociação, mas sim, para a capitulação da outra parte. Só que os juizes não capitularam e o ministro foi derrotado, apesar das suas 39 tentativas. Foi uma atitude anedótica. Na verdade, negociar significa procurar chegar a uma solução minimamente consensual para as duas partes, satisfazendo parte das propostas de cada uma. Impor a própria solução, e não querer sair dela, é uma atitude mais ditatorial do que democrática. E, assim, pergunta-se qual a racionalidade de perder tempo em 39 reuniões – mais de uma semana perdida para cada interveniente – se não havia intenção de ceder minimamente? Será que o ministro não tem nada mais útil a fazer do que ocupar tanto tempo a «brincar» às reuniões?

E a propósito, lembro-me da frase de um antigo MAI «estes não são os meus polícias»; certamente, o actual MJ já deve ter pensado, se ainda o não disse, «estes não são os meus juizes». O pronome possessivo é muito explícito da forma de pensar dos políticos que deviam servir o País, governando para o povo em nome do povo.