domingo, 16 de outubro de 2011

Sinais de mudança

A História mostra que as sociedades não são imutáveis e tiveram mudanças através das diversas eras, épocas, idades, etc. No momento actual, o estado de crise generalizada gerada por erros sucessivos de tendências materialistas, em que o amor ao dinheiro e ao poder se sobrepôs ao respeito pelo ser humano e pelo ambiente natural, estão à vista sinais de mudança que parecem irreversíveis.

Mas como o itinerário para o futuro não é rectilíneo nem de piso suave, surgem obstáculos e esforços para retardar mudanças e que em vez de facilitar a preparação de um futuro mais justo, pacífico e humano, atrasam e complicam a evolução.

Passos Coelho, para justificar os cortes e dificuldades criadas aos funcionários públicos argumenta que estes ganham mais 10 a 15% que trabalhadores do privado, usando um argumento do PREC que defendia a igualdade por nivelamento por baixo, na mediocridade. O argumento pode estar certo, a decisão pode ser inevitável, mas convinha não ser expresso desta forma. E, por outro lado porque não falar no esbanjamento com a obesa máquina do Estado, com os numerosos carros de alto custo, utilizados com alguma frequência para ir às compras? (Que saudades deixam as descrições do ex-PR Manuel Arriaga!)

Há que preparar os caminhos para um futuro melhor, mas isso também passa pela responsabilização de gestores público (e governantes e autarcas) que geriram de forma menos sensata os recursos colectivos, do Estado, dos contribuintes. E nesse sentido, estimulado por exemplos de países bem governados, de que são mais recentes os casos da Islândia e da Ucrânia onde ex-primeiros-ministros se sentaram no banco dos réus, o líder da Juventude Social Democrata, Duarte Marques, defende que “é tempo de responsabilizar criminalmente quem levou o país a esta situação”, entendendo que José Sócrates e os restantes membros do seu Governo devem ser julgados”. E as vozes populares dizem que também muitos autarcas e gestores públicos, em cujos serviços se criaram e mantiveram buracos financeiros assustadores, devem ser devidamente contemplados pela Justiça e que, se assim não for, poderá vir a ocorrer algo de desagradável por iniciativa do povo.

Perante tais alertas, Gomes Canotilho, como era lógico e de esperar, devido à sua formação e profissão, diz que é preciso cautela com "justiceiros", mas não indica o caminho para a Justiça sair da letargia em que tem estagnado e se torne mais rápida e objectiva, para obviar à crise que se formou com o seu consentimento e indiferença perante corrupção, enriquecimento ilícito, irresponsabilidade por défice e má gestão.

E o mal-estar em relação á Justiça acaba por se tornar saliente em vários textos de que refiro porque não demitem Pinto Monteiro? de Procurador Geral da República. Mas não ficam por aqui os motivos de descontentamento e de indignação, e os mais sacrificados pela austeridade menos atenta às pessoas começam a ver-se representados por vozes com alguma audiência como o líder da JS ao dizer que novas medidas de austeridade "pioram e não resolvem" dificuldades da economia e Jerónimo de Sousa que manifesta o receio de Portugal regressar à “miséria e opressão” de tempos idos.

E os receios de Gomes Canotilho, como ele não indica nenhuma solução institucional para amainar os descontentamentos dos indignados, mostram-se realistas com notícias como milhares destes gritaram em Lisboa por justiça em tempos de crise. Mas as realidades vão mais longe e dois agentes da PSP e um revisor foram esfaqueados em comboio da Fertagus, ocorrendo pouco depois, também na margem Sul do Tejo, uma intervenção policial em que Festa acaba com tiros da polícia e três feridos

Estes sinais de mudança estão aí e devem ser tidos em consideração pelos governantes a fim de que se preparem para gerir a evolução da sociedade de forma menos violenta, se possível, com compreensão consciente e activa das pessoas, evitando os inconvenientes para os mais desfavorecidos e para bens patrimoniais, como ocorreu em alguns países de áreas geograficamente próximas.

Em crise, mais do que em situação normal, o bom senso e o sentido de Estado não devem abandonar a mente dos responsáveis pelo destino da população.

sábado, 15 de outubro de 2011

Portugal está a ficar um antro de vilões

Qualquer «bicho careto» instalado numa cadeira em que devia servir o público, esquece a sua missão principal e procura sacar o máximo que pode do bolso do consumidor e contribuinte.

É significativo que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que era suposto ser constituída por pessoas com humanidade, sensibilidade e sensatez, surge a propor a introdução de taxas na utilização de telemóveis, concretamente, a tributação de um cêntimo por minuto nas chamadas e mensagens, para financiar os sistemas de saúde. E a mesma notícia deixa entrever que é pretendido fazer o mesmo com o tabaco, o álcool, as bebidas açucaradas e os alimentos ricos em sal ou gorduras”.

Seria muito mais sensato e «simplex» aumentar o IVA já aplicado a tais produtos, com o que obtinham iguais valores e não criavam um novo imposto ou taxa ou coima ou sentença pecuniária. Mas isso não interessa aos burocratas do poder, por que seria mais visível o aumento do IVA, do que uma taxa mais disfarçada.

Por este andar veremos em breve a ERS a propor que cada cidadão pague uma taxa pelo ar que respira a qual será proporcional ao volume da caixa torácica, ou uma taxa de protecção do solo proporcional ao peso do indivíduo, o que servia de luta contra a obesidade. Por este andar, lá chegaremos!!!

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Responsabilizar criminalmente Sócrates

O líder da Juventude Social Democrata, Duarte Marques, com os olhos postos em países europeus em que a justiça é para todos, sem excepção, mesmo de políticos ou grandes capitalistas, como mostram notícias recentes da Islândia e da Ucrânia, defende que “é tempo de responsabilizar criminalmente quem levou o país a esta situação”, entendendo que “José Sócrates e os restantes membros do seu Governo devem ser julgados”.

NOTA: E, se ainda não forem casos prescritos, abranja-se também o péssimo destino dado aos dinheiros recebidos da antiga CEE cuja finalidade era modernizar os equipamentos industriais para facilitar a concorrência nos mercados europeus, ombreando com a indústria dos outros parceiros.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Espírito de missão está ausente

O sentido de Estado, o sentido de responsabilidade, o espírito de missão, a dedicação no cumprimento de tarefas, são aspectos definidores do profissionalismo. E tem que haver profissionalismo para se gerarem esforços e se convergir na direcção correcta para a saída da crise e para iniciar uma nova fase do desenvolvimento do País, com vista a uma vida mais desafogada dos portugueses.

Parece que estes conceitos não suscitam controvérsia mas, no entanto, as notícias mostram que el4es estão demasiado arredados da mente dos portugueses do mais baixo ao mais alto nível das funções de cada um. Vejamos dois casos.

Notícia do PÚBLICO diz que Procurador proposto para fiscalizar SIRP "não pensou" sobre relações entre secretas e empresas. Paulo Óscar Pinto de Sousa, o nome proposto pelo PSD (com acordo do CDS) para membro do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação da República Portuguesa (SIRP), disse não ter pensado sobre a relação entre empresas estratégicas e os serviços de informação. “Não pensei nisso”. Várias respostas deste senhor causaram desconforto entre os deputados.

Faz pensar na resposta do miúdo na escola «setora eu pensava que…». Porém, talvez tivesse sido melhor o «procurador» «não pensar» do que se tivesse pensado!!! Sabe-se lá qual teria sido o resultado do seu pensamento, apoiado por tão grande «sentido de responsabilidade» e tão arraigado espírito de missão!!!
Com exemplos deste género, a este nível, que esperanças podemos ter acerca do futuro de Portugal?

Mas não ficamos por aqui, pois notícia do Jornal de Notícias do mesmo dia diz que Assaltaram multibanco e segurança não deu conta que refere que o assalto à caixa multibanco nas instalações do Grupo Lena, na Quinta da Sardinha, em Santa Catarina, Leiria, passou despercebido ao segurança que se encontrava no local.

Ficam dúvidas preocupantes: que consciência tem o procurador daquilo que se espera das tarefas que lhe foram confiadas? Que conhecimento das suas qualidades tinham as entidades que o nomearam? Ou que favores foram pagos com tal nomeação? E o segurança? o que estava a fazer para não detectar o roubo? Se a ronda às instalações era demorada ao ponto de ter de deixar sem vigilância um local importante ao ponto de poder ser roubado sem ser detectado, porque não organizaram a segurança de forma eficaz?

Num momento em que Portugal tem de se reorganizar de forma «histórica», todos os esforços não são demais para se ter êxito, e é imprescindível que se corrija tudo o que não é rigoroso e eficiente.

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Vacas Sagradas

Transcrição de um texto, recebido por e-mail do amigo V. Santos, que vale pelo seu humor e capacidade de observação:

O Silva das vacas

Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:

"A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."

Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção. Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!

Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!! Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.

A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.

Luís Manuel Cunha in «Jornal de Barcelos», 5 de Outubro, 2011.

NOTA: Este texto muito bucólico faz-me lembrar o desabafo do Zé quando visitava a fazenda do tio e dizia para a prima «que bem se está no campo, Adelaide!!!, Mas não devemos desrespeitar as outras religiões, e as crenças de cada um, mesmo que achemos estranho que neste rincão lusitano haja adoradores das vacas sagradas objecto de culto dos indianos.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Justiça sem excepções!!!

Depois do julgamento do ex-PM da Islândia é agora noticiado que a antiga chefe de Governo da Ucrânia e musa da “revolução laranja” Iulia Timochenko foi hoje condenada a sete anos de prisão pelo crime de abuso de poder, tendo o juiz dado aval total ao pedido de sentença feito pelos procuradores neste caso.

Ainda há países em que não há imunidades nem impunidades totais para os políticos e onde se cumpre o princípio de que a lei é aplicável a todos os cidadãos.

Imagem do Público