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terça-feira, 5 de junho de 2012

China não perde oportunidades

A China, já apontada como grande potência do futuro próximo, pauta a sua estratégia de crescimento pela dispensa de utilização de armas bélicas que substitui por outras, pacíficas, de ordem económica. Para isso, está atenta a todas as oportunidades de, sem impor a sua fé, dilatar o império. E este não obedece a fronteiras físicas nem à geografia dos continentes, pois a globalização faculta-lhe a possibilidade de defender os seus interesses de crescimento em qualquer recanto do mundo.

Neste momento, esta reflexão é apoiada pelo interesse chinês na situação da Grécia, pois já prepara plano para eventual saída da Grécia do euro. Pensar em termos de estratégia a longo prazo, para atingir objectivos bem definidos é isto; e não é aquilo que vemos na Europa em que os governantes apenas olham para os números do défice que tentam resolver, de forma pontual e muito limitada, Abusando da austeridade, cujo resultado é o esvaziamento do sumo de parte essencial da economia e do principal recurso do País, que é o seu povo.

A China, depois de colocar o pé de forma bem decidida e determinada em Portugal e de outras pontuadas noutros locais, está agora a olhar, com a sua perspicácia e inteligência prática, para a Grécia, procurando, ali, suprir a ausência de uma acção coordenada e coerente da União Europeia e dos parceiros ocidentais.

Tal qual como se passa com as pessoas, cada país colherá os frutos das acções mal ou bem preparadas que desenvolver de forma inteligente. Os vindouros virão sofrer ou beneficiar dos resultados conforme tais acções forem previamente estudadas e depois decididas e concretizadas com competência e rigor moral e ético. O sentido de Estado não pode ser esquecido em qualquer momento.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Deslocação geográfica do Poder mundial

No post Crise, história e mudança ficou resumidamente a ideia de como ao longo da história a sede do Poder mundial se deslocou através do planeta e previa-se que os denominados países emergentes irão ter um papel de realce no futuro próximo.

Aparece agora a notícia de que a China «aconselha» aos Estados Unidos terem responsabilidade para com os seus investidores. Isto passa-se depois de a agência Moody’s ameaçar baixar a classificação da dívida norte-americana.

Por detrás de tal «conselho» ou aviso está o facto de a China ser o maior credor dos Estados Unidos, com mil milhões em títulos no final do mês passado, o que a faz temer dificuldades se a economia norte-americana entrar em recessão e destabilizar os mercados financeiros mundiais.

Sobre as perspectivas de desenvolvimento da China e a sua possibilidade se tornar potência mais poderosa do mundo, sugere-se a leitura dos seguintes textos:

- Os europeus correm contra o muro
- A China entra na Europa pacificamente
- A China e o futuro da geoestratégia
- A China em fase de evolução rápida
- Transformações no Mundo
- As mães chinesas educam melhor?

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Educar para produzir ou para o ócio?

Depois de ver as imagens do «Encerramento da Expo de Shanghai», em que fica bem patente a perfeição do espectáculo, fruto de preparação meticulosa, surge o texto que transcrevo que, embora polémico, por contrariar o «dolce far niente» de que nós ocidentais gostamos, leva a compreender o que está na base do desenvolvimento da China com um crescimento económico de cerca de 10 por cento ao ano, e do desenvolvimento na ciência, nas artes, na indústria e nas novas tecnologias, muito notável em todos os aspectos. Enquanto nós estamos a estender a mão à caridade e a pagar juros altíssimos pelos empréstimos, eles, depois de recuperarem do domínio mongol, da guerra do ópio, da invasão nipónica, da aventura de Mao e de evitarem o contágio da implosão soviética, estão à beira de serem a principal potência mundial e emprestam a nós e à Grécia aquilo que está fora das possibilidades da Europa.

A mentalidade de trabalho e de produção começa desde criança. Há dias ouvi num programa de José Hermano Saraiva que o valor de um País depende daquilo que produz e não daquilo que consome.

As mães chinesas educam melhor?
 ISABEL STILWELL | EDITORIAL@DESTAK.PT 13- 01-2011

O livro de Amy Chua, sobre como é que as mães chinesas conseguem fazer dos seus filhos prodígios em tudo, da música à matemática, saiu há dias, mas já criou uma polémica acesa entre os pais norte-americanos.

Battle Hymm of the Tiger Mother (Hino de Batalha da Mãe Tigre) diz coisas que chocam os ouvidos ocidentais, e a autora, professora de Direito na Universidade de Yale e casada com um americano, tem absoluta consciência de que ia deixar claras as diferenças entre duas formas distintas de exercer a função parental.

Escreve Amy Chua que os pais chineses não aceitam que os filhos tenham menos do que a nota máxima, e a tudo, que escolham as actividades extracurriculares, vejam televisão, tenham um namorado na escola, ou que não sejam os melhores em tudo.

«Se uma criança chegar a casa com um 4, coisa que não acontece!, os pais não se vão queixar à professora. Gritam-lhe e dizem-lhe: «Isto começa por ti, esforça-te mais.» E isto porque acreditam que os filhos são capazes do melhor, e acham que, como pais, têm todo o direito de exigir excelência aos filhos, que lhes devem tudo.

Não é uma questão de mais ou de menos amor, insiste. Para ela «a grande diferença é que os ocidentais estão mais preocupados com a psique e a auto-estima dos seus filhos, enquanto os chineses colocam o enfoque na força, em lugar de nas fragilidades».

Aos pais chineses, afirma, pouco importa que um filho diga que os odeia, porque sabem que quando triunfar lhes vai agradecer a forma como se empenharam na sua educação, a que dedicam dez vezes mais tempo do que os ocidentais.

E os pais vão orgulhar-se, e dar-lhes nota do seu orgulho, em vez de fazerem como os ocidentais que se autoconvencem de que não estão desiludidos pelos seus filhos não serem os melhores, desistindo deles com o argumento de que são diferentes ou especiais. Não há como a polémica para nos fazer pensar...


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A China em vez do FMI para combater a dívida???

A China em vez do FMI para combater a dívida???

A notícia «O preço que a China impôs a Portugal» veio ao encontro daquilo que tem sido expresso em resposta a comentários diversos. Por isso não surpreendem as frases

«um preço que irá muito além dos juros cobrados pelo dinheiro que já prestou»

«A China quer entrar ou ser parceira privilegiada em bancos e empresas estratégicas portuguesas que lhe permitam reduzir as barreiras às suas próprias exportações, inundar a Europa de produtos, beneficiar de apoios fiscais, aduaneiros e de fundos comunitários para a inovação e energias renováveis, e usar Portugal e as suas empresas como 'trampolim' para reforçar posições em África, designadamente na construção de grandes infra-estruturas e construção civil em Angola e Moçambique»
 

«pretende "identificar possibilidades de cooperação em áreas como a logística portuária, serviços financeiros, novas e altas tecnologias, protecção do meio ambiente, energias renováveis, turismo, entre outras"».

Há um forte receio da concorrência dos produtos chineses, perante uma indústria nacional, pouco dinâmica, sem criatividade, e com factores de produção antiquados e de elevado custo, além de os empresários não estarem dispostos a contentarem-se com lucros menores.

Mas, nos tempos actuais, não se podem fechar fronteiras contra a entrada de produtos estrangeiros. E se elas fossem fechadas isso iria contra os interesses dos que têm menor poder de compra e iria beneficiar os industriais locais que vendem mais caro do que a concorrência estrangeira. Isso causaria descontentamentos que potenciariam reacções de graves consequências.

O que resta fazer, perante essa concorrência desigual? À primeira vista, os industriais ocidentais terão de rever a sua organização empresarial, métodos de fabrico, margem de lucro, etc. Mas talvez por esse caminho não se encontre solução eficaz.

Resta que entre em acção a tradicional sabedoria chinesa, tão antiga como o Império do Meio. Eles verão que se o ocidente ficar pobre, sem poder de compra, não terão mercado para os seus produtos e, para evitar isso, terão de procurar um ponto de equilíbrio, em que são sábios. Mesmo assim, isso não dispensa a nossa economia de ser submetida a uma cura de reorganização para ser mais barata e eficaz. As gerações mais jovens terão de aprender a lidar com este problema que agora consideramos grave mas que terá de ser considerado normal no quotidiano de amanhã. Aliás, os próximos tempos não se compadecerão com imobilismos e soluções «para sempre», mas exigem um permanente ajustamento de rota, como acontece com a condução do automóvel em que o volante está permanentemente a sofrer pequenos desvios.

Quanto à competição entre os produtos ocidentais e os chineses, devemos ter consciência de que estamos num momento da história da humanidade em que se defende o comércio livre, a economia de mercado. A China dispõe de trunfos que a civilização ocidental não quer, não está disposta a utilizar, como seja a mão de obra barata.

Mas ninguém no Ocidente tem poder para levar os trabalhadores chineses a exigir salários muito mais altos do que os actuais e abdicar das suas características tradicionais. Também não é fácil reduzir os salários no Ocidente, ao ponto de ficarem ao nível dos chineses.

Mas é possível moralizar muitos empresários que se gabam de altos lucros, altos dividendos e uma vida faustosa à custa dos trabalhadores e dos clientes. Se tais empresários não se limitarem nos seus lucros e nas suas mordomias, acabarão por ter de fechar as suas empresas, e com isso os que mais sofrerão serão os desempregados.

Impõe-se que se antecipe uma estratégia para sobreviver. Os Chineses não são parvos e sabem que, se o mundo perder poder de compra, devido ao desemprego, deixarão de ter clientes para os seus produtos. Por isso, à falta de inteligência dos ocidentais, serão os chineses a moderarem a sua evolução económica para não acabarem por ficar com as mercadorias em armazém.

O mundo sempre passou por altos e baixos e sempre se chegou a pontos de equilíbrio, temporários.
Acho que cada pessoa, cada família ao comprar o que deseja, deve escolher em função do preço e da qualidade do produto sem olhar à origem. A maior parte dos industriais portugueses não merecem o sacrifício de lhes pagar mais caro. Não se pode esquecer  que a actual crise se deve a eles e à pressão que têm feito sobre o Governo, como consta no post «Justiça Social ???»

Mas o título deste texto conduz a imaginar que o FMI não incomodará os portugueses (ele viria incomodar os políticos que vivem e enriquecem à custa de habilidades que lesam as finanças do Estado) porque o seu papel será melhor desempenhado pela China. Enquanto os técnicos do FMI iriam usar teorias lidas em bons manuais universitários, mas desajustadas das realidades que eles não conseguem compreender, a China, pelo contrário pretende salvaguardar o dinheiro investido nos títulos da dívida portuguesa e retirar benefícios de Portugal como entreposto para o seu comércio com a Europa e, para isso, usa a tradição de sensatez, realismo e pragmatismo, de que tem dado evidentes provas.

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domingo, 19 de dezembro de 2010

China ajuda Portugal

O ministro das Finanças Teixeira dos Santos diz, com optimismo, que a China vai «reforçar» apoio Financeiro a Portugal. Sem dúvida que os portugueses têm razão para optimismo, pois, dada a incapacidade de os nossos políticos conseguirem equilibrar as contas públicas apesar de sacarem o tutano aos cidadãos mais carenciados, dada a sua falta de vontade de terminar com sumidouros de dinheiro sem o mínimo interesse para o País, como já foi dito em Dezenas de institutos públicos a extinguir, será boa decisão aceitar a supervisão de quem tem demonstrado saber gerir um desenvolvimento sustentado de cerca de 10% ao ano durante uma dezena de anos.

A China mostrou saber recuperar a crise criada por Mao Tse Tung e evitar o contágio da implosão da vizinha União Soviética e, agora, com o investimento que faz em Portugal, não vai deixar de vir vigiar muito de perto as contas do Estado e puxará as orelhas aos gestores da ‘colónia’ antes que haja erros com efeitos insuportáveis que coloquem em perigo a remuneração e o reembolso dos seus investimentos. Será, certamente, mais eficiente do que o FMI cujos técnicos têm grandes vícios capitalistas e não sentem os efeitos práticos de exageros burocráticos!!!

Com efeito, tudo leva a crer que os chineses não deixarão de apoiar Portugal discretamente, mas com rigor, para que as despesas do Estado sejam devidamente controladas e reduzidas ao indispensável, a fim de eles não perderem o seu investimento com esta ajuda financeira que estão a dar. Este é um sinal de esperança para vencermos a crise que tanto nos tem prejudicado.

Com os contactos mais frequentes teremos oportunidade de aprender o que há de mais positivo na cultura chinesa. Oxalá saibamos evitar os defeitos, que não são poucos, no que respeita aos Direitos Humanos e, de uma forma geral, aos direitos, liberdades e garantias.

Mas não esqueçamos que uma moeda tem duas faces e a China não se desenvolveu com desperdícios ou esbanjamentos. Portugal tem, do ponto de vista oriental, trunfos valiosos, como os melhores portos para cargueiros de grande calado, que servirão de entrada dos produtos chineses para o mercado europeu e essa entrada já está em marcha, como se vê nalguns dos posts linkados em baixo. Enquanto a América tem baseado o seu poder estratégico a nível mundial com a utilização das armas, os chineses estão a apoiar-se na economia o que lhes permite avançar sem conflitos, serenamente, até impor as suas ordens ao mundo.

Portugal irá servir de ferramenta estratégica de incomensurável valor nessa marcha ritmada para o domínio mundial. Oxalá os nossos dirigentes compreendam isso e usem os trunfos nacionais, para evitar a subserviência , e conseguir os melhores resultados para benefício do povo, principalmente da camada que tem sido mais sacrificada.

Posts com referências à China:

A China entra na Europa pacificamente

«A chegada das empresas chinesas perturbou o mercado da construção civil e os concursos na Polónia, e suscita o interesse do vizinho checo. O seu segredo: preços baixos, pontualidade e integração de mão-de-obra local. Para além do apoio do Governo de Pequim.»

A notícia «O caminho está livre para as estradas chinesas» vem ao encontro do texto publicado em «Revolução imparável em curso».

O Grupo empresarial COVEC (China Overseas Engeneering Group), com sede instalada no subúrbio de Varsóvia dirige a expansão – há muito planeada – de Pequim na Europa. Após ter ganho o concurso para a construção da auto-estrada A-2 da Polónia, comunicou que estava interessada em projectos semelhantes noutros países europeus, incluindo na República Checa.

A Polónia é co-organizadora, com a Ucrânia, do próximo Campeonato Europeu de futebol, em 2012, e tem necessidade de centenas de quilómetros de novas estradas e o tempo é apertado. É lógico que este país de 40 milhões de habitantes procure aproveitar esta ocasião única, para mostrar ao mundo os imensos progressos realizados nos últimos anos. É bom que se saiba que a Polónia é um dos raros países da União Europeia que, apesar da crise económica que preocupa muitos estados europeus, não teve nem recessão nem um défice orçamental significativo. A Bolsa de Varsóvia, após algumas hesitações dos investidores, tornou-se uma das praças financeiras europeias mais procuradas pela sua estabilidade.

A entrada das empresas chinesas nos concursos permite escapar à maldição da corrupção endémica que envolve a construção de auto-estradas. Graças ao novo sistema que os concursos passaram a seguir o custo de construção de um quilómetro de auto-estrada passa para um terço, em poucos anos.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Globalização. Prós e contras

Como tudo neste mundo, a globalização tem vantagens e inconvenientes que saltam á vista a cada momento. É pena que os governantes mundiais não tenham resistido às pressões dos poderosos agentes económicos e financeiros, por forma a darem prioridade ás condições de vida dos povos.

Aspectos positivos: 

Neste momento está bem visível o efeito altamente positivo da aldeia global na forma como, em poucos dias, se congregaram esforços, além de todos os organismos estatais, de empresas e entidades de muitos países para socorrer os 33 mineiros chilenos soterrados a 700 metros de profundidade na mina de S. José. Sem esse esforço colectivo e bem coordenado os mineiros teriam sucumbido, porque os recursos locais, a começar pelos da empresa mineira, estariam muito longe de serem suficientes.

Aspectos negativos:

A geoeconomia, avançou rápida e despudoradamente pelo mundo, ignorando fronteiras e regras, sem controlo e, além de ter causado a grave crise de que ainda não se levantou a cabeça, tem impedido uma reestruturação eficaz dos circuitos financeiros e, pelo contrário, tem feito surgir «soluções» que aparentam ser factores de maior perigo no futuro, Quem sofre, quem serve de mexilhão e de relva dos estádios de futebol são os países com maiores debilidades e as populações mais desprotegidas.

Já circulam notícias de compra das dívidas públicas dos países europeus em maior dificuldade pela China para resolver o seu próprio problema cambial. Daqui resultará um pormenorizado acompanhamento das contas públicas de tais países, um pressionamento mais ou menos discreto e a dependência progressiva e em espiral do novo «protector». Trata-se de uma forma de colonialismo pacífico, sem armas nem guerras, mas muito dominador e sem dar lugar a formas de luta e reivindicações com hipóteses de êxito.

A ONU deve, sem demora, encarar este grave problema que ameaça a humanidade nos próximos tempos, colocando em perigo as condições de vida dos nossos descendentes que dirão o pior das gerações dos seus pais e avós.

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domingo, 25 de julho de 2010

A China e o futuro da geoestratégia

Do Amigo Manuel C. B. recebi estes tópicos acerca do post «A China em fase de evolução rápida» que merecem meditação. Ao Amigo C. B. os meus agradecimentos por vir enriquecer este espaço.

A temática é mais que actual

Sugiro mesmo que o adoptes no teu blogue estes pontos de reflexão para serem obtidos comentários que podem ser interessantes.
- O interesse económico é o grande catalisador de conflitos.
- As situações económicas internas são o grande gerador dos equilíbrios ou desequilíbrios sociais e políticos internos.
- A Paz resulta de equilíbrios de Forças (Guerra-Fria).
- Em termos geopolíticos e geoestratégicos, o conflito é potencial quando da existência de uma só grande potência (económica e naturalmente militar), como se verificou logo após a queda do muro de Berlim e o desmembramento da URSS com os EUA nessa posição.
- “Emergiram” os Países Emergentes.
- A globalização obriga a pensar nos equilíbrios e como consegui-los.
- Têm aqui particular acuidade as condições sociais dos “países emergentes” e as dos “países desenvolvidos” e os conhecidos reflexos nos custos de produção.
- É já visível a tendência para decréscimo nuns e de exigência noutros.
- Quantas gerações serão necessárias para o equilíbrio suficiente dos mercados ? (No pressuposto do prevalecimento da Economia de Mercado.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

A China em fase de evolução rápida

O Post «Como ficará a China do futuro?» no blog A Tulha do Atílio suscitou-me um extenso comentário que, pela sua extensão não terá a leitura e a atenção que julgo merecer, como ponto de reflexão nos dias de hoje. Por isso o publico aqui.

Os comentadores anteriores são consonantes em afirmar que o mundo está louco. Louco de verdade.

Como disse, há dias, noutro comentário, «desde a época da pedra lascada, paleolítico, tem havido evolução nas tecnologias (televisão, telemóvel, etc), mas na alma dos homens tem havido degradação, na maneira de encarar a vida, a Natureza, os outros. As relações em família, em grupo e em sociedade estão de tal forma degradadas que já temos muito a aprender com os animais da selva de que frequentemente se vêm imagens das televisões».

Porém, este texto contra a China é horrivelmente tendencioso, escrito por alguém que está habituado a defender a sociedade do lucro exagerado que não reverte para remuneração justa à mão-de-obra, mas sim para o enriquecimento dos donos das empresas que não dispensam as mansões, os caros de luxo, os jatinhos, o consumismo de luxo.

A China deve ser observada, tendo em vista a sua história. No tempo do Império do Meio, o seu desenvolvimento deu ao mundo inventos que ainda hoje são úteis. Depois teve um largo período de apagamento no seu pacifismo atacado pela Mongólia e pelo Japão. O fracasso da revolução maoísta serviu de vacina para reestruturar o País de forma cautelosa, persistente que tem dado bons frutos, apesar da grande extensão, do excesso de população e da sua grande diversidade de problemas.

Quando a União Soviética implodiu, receava-se que acontecesse algo de muito grave na China, o que seria perigoso para todo o mundo, mas a sensatez serena e eficiente dos governantes levou a medidas eficientes que fizeram a China crescer economicamente a um ritmo único no mundo moderno. Aprendeu o que de melhor encontrou nas regras do capitalismo ocidental.

O autor do texto, que defende a regra de que o lucro a qualquer custo é símbolo de modernidade, condena a China de estar a utilizar as regras ocidentais a seu modo e estar a orientar-se para o desenvolvimento económico. É uma contradição sua, que descredibiliza o texto.

Não concordo com o conselho de preferirmos produtos fabricados no nosso País, pois o consumidor deve ser livre de comprar o que mais lhe interessar em qualidade e preço, seja qual for a origem, pois é essa a lei da globalização que os ocidentais criaram. Por outro lado o facto de ser cá fabricado, não quer dizer que os lucros beneficiem o País, pois o capitalista pode ser estrangeiro ou, sendo nacional,, pode depositá-lo numa off-shore ou paraíso fiscal longínquo.

Por seu lado, os trabalhadores são na sua quase totalidade estrangeiros que enviam para a terra quase todo o salário. Os portugueses não sentem a obrigação de trabalhar e candidatam-se a assessores, deputados ou outro género de parasitas e, se o não conseguem, procuram viver de subsídios – há-os para todos os gostos – sem nada criarem para a riqueza nacional.

Falta aos empresários ocidentais a capacidade de adaptação aos novos tempos como os chineses têm feito desde há várias décadas. É preciso que nós os ocidentais passemos a raciocinar e aplicar quotidianamente os valores éticos e saibamos equacionar os problemas da melhor forma com respeito pelos outros, sejam de onde forem.

Quanto á imagens das crianças (ver o post referido), não são realmente edificantes, mas há por cá casos menos humanos. Até recentemente, nas aldeias, os pais iam trabalhar para o campo deixando as crianças fechadas em casa sem apoio nem comodidade. Já tem havido notícias de crianças asfixiadas por terem ficado fechadas no carro durante horas. Estas fotos da China mostram que há preocupação com a proximidade dos pais, que os observam com frequência e os miúdos observam que a vida é trabalho e vão aprendendo esse aspecto do civismo. Cá as crianças, pouco tempo após nascerem, apenas vêm os pais durante poucos minutos no fim do dia e, nas creches e jardins de infância, recebem o cuidado mínimo para não se ferirem e serem devolvidas em bom estado no fim do dia. Uns com os outros, sem educação cívica de adultos, só aprendem a desenvolver os piores instintos. Portanto, à luz dos conceitos, a diferença não é grande. Do ponto de vista humano, certamente, estas fotos não são uma amostra válida da média dos chineses.

É preciso ter respeito pelos que são diferentes de nós. «Amai-vos uns aos outros», e os outros são os diferentes. A China tem tradições diferentes mas tem evoluído aproveitando o que de melhor vê no mundo. Assim Fossem os ocidentais!!! Mas não são e querem torpedear quem, se ergue acima da mediocridade do Ocidente.

Juntam-se links de textos já aqui publicados referindo temas semelhantes:

- 2010 Ano de Transformações
- Transformações no Mundo
- Como será o mundo amanhã?
- A China e os direitos humanos
- Um ricaço a contas com a Justiça na China
- Lição da China contra a desertificação