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terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RÚSSIA E O ACESSO A ÁGUAS QUENTES


Os interesses estratégicos não se compadecem com decisões rápidas e sonantes. Ontem de manhã, foi muito agradável deparar com a notícia de que Putin e Poroshenko acordam cessar-fogo permanente na Ucrânia, mas o balde água fria não tardou muitas horas, com outra notícia Ucrânia dá dito por não dito após versão dissonante do Kremlin.

Convém olhar para os aspectos de geoestratégia aplicáveis. A Rússia, desde o tempo dos czares, sentiu necessidade de contornar o cerco de mar gelado na sua costa norte que a impedia de poder dispor de uma marinha proporcional ao seu espaço e com capacidade de poder chegar a todos os pontos dos oceanos, em qualquer data do ano. Por tal motivo, era para ela de capital interesse o acesso ao Mediterrâneo e ao Índico, o primeiro ficava para lá do Mar Morto e do estreito dos Dardanelos, o segundo estava para lá do Afeganistão e dos seus vizinhos.

Estes objectivos têm estado presentes em várias decisões estratégicas soviéticas e russas e do seu grande adversário os EUA.

Não foi por acaso que a Turquia foi convidada para fazer parte da NATO e que esta, agora, se tenha interessado pela Ucrânia. Também não pode esquecer-se que a Rússia invadiu o Afeganistão e sempre mostrou interesse pelos estados do seu flanco sul.

O actual caso da Ucrânia e da Crimeia pode potenciar um conflito armado, totalmente indesejável pelo perigo de escalada e, por isso, se impõe uma solução negociada que não é fácil de efectuar directamente entre Putin e Poroshenko como fora anunciado. Haverá que, com o beneplácito da NATO e da UE, encontrar forma de a Rússia poder dispor de uma base Naval segura e espaçosa na Crimeia para poder, sem conflito, aceder ao Mediterrâneo. Não seria caso único, pois os EUA dispõem da base de Guantânamo, na ilha de Cuba.

A diplomacia tem possibilidades para evitar a Guerra e esta acaba por ser forçada a encerrar com a assinatura de acordo diplomático (acordo de paz). É, por isso, ilógico que em vez de acções militares, não se recorra apenas à força da diplomacia, com ou sem o apoio de terceiros intermediários e mediadores. Passados tantos séculos depois das guerras da antiguidade e da Idade Media, vai sento tempo de os Estados se poderem entender por forma a evitar os elevados danos de uma guerra.

A João Soares

Imagem de arquivo

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Líbia. Solução não é militar

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

LÍBIA. Ban Ki-Moon não vê solução militar para o conflito
Diário de Notícias. por Lusa. 12-08-2011

Não pode haver uma solução militar para a crise líbia, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, numa declaração divulgada hoje.

Sem mencionar nenhum dos protagonistas no conflito, o secretário-geral da ONU apela a todas as partes "para terem todo o cuidado nas suas ações de forma a minimizar possíveis perdas de vidas civis", refere a declaração divulgada pelas Nações Unidas.

"Um cessar-fogo que esteja ligado ao processo político que vá ao encontro das aspirações do povo líbio é a única forma de se atingir a paz e a segurança na Líbia", refere Ban Ki-moon.

A revolta popular contra o regime de Muammar Kadhafi começou na Líbia em Fevereiro e desde então morreram milhares de civis e centenas de milhar de pessoas tiveram de abandonar o país.

A operação militar para proteger civis na Líbia teve início a 19 de Março na sequência de uma resolução das Nações Unidas e foi prolongada até setembro.

NOTA: Embora possa parecer imodéstia, não deixo de aqui lembrar que estes conceitos foram aqui defendidos nos seguintes posts. Será que Ban Ki-Moon terá lido este blog ???

ONU sem estratégia de acção, em 26-05-2011
ONU perde credibilidade..., em 01-05-2011
ONU criou na Líbia um precedente grave, em 23-04-2011

Imagem do Google

domingo, 1 de maio de 2011

ONU perde credibilidade...


Para quem gosta de observar o mundo a partir da estratosfera para ser independente, imparcial, sem sofrer as pressões dos intervenientes nos diversos conflitos, é impressionante a notícia Ataque da NATO a Tripoli mata filho e três netos de Muammar Khadafi, mesmo que não se dê muito crédito à notícia de que Khadafi oferece negociações de paz à NATO.


Se o pretexto desta intervenção continuada na Líbia foi a defesa dos direitos humanos, fica provado que esse foi um falso e mau motivo, pois além destas inocentes vítimas, tem havido muitas outras não individualizadas por não serem da elite política, mas sem por isso deixarem de ser seres humanos.

A ONU com os vários erros do Conselho de Segurança perde credibilidade e está a desafiar a que ocorram novas tragédias como a das «Torres Gémeas», ou casos semelhantes contra a Torre Eiffel, Eliseu, Arco do Triunfo, Buckingam ou outro local de estimação.

Na sequência do que ficou dito em ONU criou na Líbia um precedente grave parece que o Mundo está dominado por loucos, incipientes e inconscientes aprendizes de Hitler que fazem as piores atrocidades sob capas diversas como Al-Qaeda ou CS/ONU. Ficamos sem saber qual destas capas será a menos criminosa.

O que ocorrerá na Síria, que está com um problema semelhante? Há países sensatos que já estão a opor-se a semelhante asneira. Por outro lado, ali não está em jogo o petróleo! Vários pesos, várias medidas!

Com o que se tem passado, desde a sua criação (Caxemira, Saraui, Myanmar, etc), a ONU perde credibilidade e o respeito que devia merecer.

Imagem do Google

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O mundo na mão de incapazes

As relações internacionais dependem da actividade diplomática. Mas a diplomacia precisa de uma excelentíssima reforma, para aprender a confirmar as notícias e recortá-las com base em dados de várias origens, a fim de as transformar em informações credíveis, e não se deixar iludir por um «simpático»(?) amigo de copos e croquetes e, depois, induzir o chefe de Estado em erro grave. E há quem critique o WikiLeaks!!!

Sabe-se agora que o «Espião iraquiano «Curveball» confessa ter inventado programa de armas químicas» do Iraque. Isto significa nada menos que, com a mentira de um vigarista, talvez pago pelo «complexo industrial militar» de que Eisenhower temia o perigo, e a imbecilidade de diplomatas e políticos, foi desencadeada a guerra do Iraque e destruiu-se um país rico em arqueologia histórica, uma população numerosa e sacrificada, riquezas de vária ordem, e a paz no mundo, além dos gastos dos países que caíram na asneira de colaborar em tais massacres.

Se realmente há justiça internacional, devem ser rigorosamente julgados todos os culpados, sem deixar de fora o George W Bush e os ingénuos (ou incapazes) que o acompanharam nesta senda de crimes contra a humanidade.

Imagem da Net

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

EUA preferem a diplomacia à guerra com o Irão

Neste espaço já foi por várias vezes realçada a vantagem de os atritos entre Estados serem negociados por via diplomática, com conversações ou negociações, directamente ou com a intermediação de estadistas prestigiados, em vez das soluções musculadas demasiado destrutivas e que deixam intenções ressabiadas de retaliação ou vingança. Cito, como exemplo os posts A Paz pelas conversações e A Paz no Mundo será possível?. Por isso é com grande prazer que deparo com a seguinte notícia, que não deve ser deixada sem a ênfase que merece.


Diário Digital. terça-feira, 16 de Novembro de 2010 | 14:33

Um ataque militar contra o Irão uniria o país, que está dividido, e reforça a determinação do governo iraniano para procurar armas nucleares, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, esta terça-feira.

Num discurso perante o conselho director do Wall Street Journal, Gates afirmou ser importante usar outros meios para convencer o Irão a não procurar ter armas nucleares e repetiu as suas preocupações de que acções militares somente iriam retardar - e não impedir - que o país obtenha essa capacidade.

Imagem da Net.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Portugal no Conselho de Segurança

Os portugueses estamos de parabéns por Portugal ter sido eleito para o Conselho de Segurança da ONU, o que representa um êxito da diplomacia, uma honra, uma oportunidade e uma responsabilidade de contribuir para o futuro da humanidade.
Esperemos que no principal areópago mundial os nossos compatriotas actuem de forma mais sensata do que têm feito dentro de portas.
Se for bem aproveitada, pode ser a oportunidade de restaurar o prestígio do canto mais ocidental do Velho Continente.

Imagem da Net

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Em nome da Democracia. 040614

(Enviada para Grande Reportagem, em 14 de Junho de 2004)

Não é fácil, através da análise das palavras pronunciadas pelos políticos mundiais dos diversos quadrantes, perceber os mecanismos das relações internacionais e das suas implicações na vida interna dos povos

Em nome da expansão da Democracia, apoiam-se uns, retira-se o apoio a outros e vai-se ao ponto de fazer guerra aos mais indesejados com as baixas humanas e as destruições advenientes. Porquê? Quais os reais interesses que estão em jogo?

Há regimes autoritários, mesmo ditatoriais, que caem nas boas graças das potências mundiais, apesar das violências e desrespeito dos Direitos Humanos que permitem nos seus países, mesmo que denunciados pela Amnistia Internacional e outras organizações humanitárias com credibilidade internacional. São inúmeros tais regimes, podendo destacar-se Pinochet no Chile, Suharto na Indonésia, Ferdinando Marcos nas Filipinas, Musharraf no Paquistão, Kadhafi na Líbia, John Taylor na Libéria, Mobutu no Zaire, Jean-Bertrand Aristide no Haiti, o próprio Saddam Hussein no Iraque, Eduardo dos Santos em Angola, etc.

Para esses governantes, a potências dominantes no xadrez mundial não exigiam que fossem legitimados pelos votos directos dos seus cidadãos ou pela eleição indirecta por órgãos representativos da população; bastando o beneplácito dessas potências alicerçado no interesse geoestratégico e económico tanto da sua posição geográfica, como da sua qualidade de fornecedores de matérias primas com especial valor para as indústrias de ponta, em que se destaca a de Defesa. Não é por acaso que tais governantes para obterem essa «legitimidade» internacional reverenciam directamente ou por meio de intermediários, as potências mais influentes. É o caso de Eduardo dos Santos que foi meticuloso na elaboração da lista de convidados para o casamento da filha, na contratação de Pierre Falcone para seu diplomata, na cedência a George Soros e a Mário Soares para libertar o jornalista Rafael Marques, e na visita a Bush oferecendo um aumento da produção de petróleo para reduzir a crise energética nos EUA e no Ocidente.

Estas manobras tácticas sempre são mais fáceis e seguras do que proceder a eleições honestas. Só que os seus resultados se são eficientes no curto prazo, não são duradouros e comportam-se como a aspirina, isto é, ocultam alguns sintomas mas não curam a doença, como o prova o fim de alguns dos ditadores atrás referidos.