terça-feira, 21 de abril de 2020

GUERRA ECONÓMICA EM PERSPECTIVA

Guerra económica em perspectiva

(Public em O DIABO nº 2259 de 17-04-2020, pág 16, por António João Soares)



Já se fala em guerra económica entre Ocidente e Oriente há alguns anos, mas há sinais de que ela já existe de forma pacífica e dissimulada desde o início da globalização. Esta, segundo historiadores, foi iniciada com a passagem do cabo do sul de África que separa os oceanos Atlântico e Índico quando Vasco da Gama deu novos mundos ao mundo. Até essa data, as duas partes do Planeta viviam desligadas, desconhecendo-se. Por exemplo, a China vivia em estado muito primitivo e ficou extasiada com os sinais dados pelos navegadores portugueses acerca do mundo mais evoluído da Europa onde a cultura e a arte mostravam ser um exemplo daquilo que aos orientais parecia um paraíso. E, com o seu sentido prático e eficaz, logo procuraram desenvolver as suas capacidades para se aproximarem do avanço do Ocidente. E sem lutas, porque os chineses não gostam de violência, iniciaram a imitação do que o Ocidente tinha de melhor, evoluíram em muitos aspectos e, nessa evolução, nunca pararam tornando-se iguais ao Ocidente na ciência e na tecnologia, ultrapassando-o depois em quase tudo.



Isso foi-lhes facilitado porque o Ocidente abrandou o seu ritmo de desenvolvimento, canalizando as energias para guerras de colonialismo, de independência, de rivalidades entre vizinhos, etc. Nessas diferenças de realidades político-sociais, a China investindo pouco como potência militar ofensiva, embora não desprezando a sua defesa por questão de sobrevivência, deu preferência à ciência, à tecnologia e à competição económica e hoje, nestes aspectos, é uma potência que confronta sem complexo de inferioridade a maior potência do Ocidente.



A presente crise devida à pandemia do Covid-19 provocou a paragem completa de muitos países com a imposição de medidas rígidas de quarentena para travar a propagação do vírus e provocou um golpe fatal em várias empresas e sectores a nível mundial. Na China, a pandemia foi muito dura mas, embora enfrentada com serenidade e determinação, conduziu a que empresas de interesse ocidental como, por exemplo, fabricantes de peças de automóveis como a GM, a Fiat, a Chrysler e outras foram forçadas a encerrar operações, por falta de procura dos seus produtos. As dificuldades de empresas em que a China tinha alguma participação financeira podem, nesta fase de recuperação chinesa mas de quarentena no ocidente, vir a ser objecto de compra de acções baratas, aproveitando a queda das cotações devido a dificuldade em transaccionar os seus produtos. Mesmo na hipótese de a China, na fase de recuperação mundial, poder decidir vender parte dessas acções, obterá elevados lucros. O mesmo se passará em outras actividades, mesmo com oportuna e aparente generosidade a empresas estrangeiras que estejam com dificuldades, e o capital investido poderá elevar a cotação da China de segunda para primeira potência económica mundial.



A China, desde que iniciou o seu renascimento com a globalização, soube sempre decidir com fundamento estratégico e óptimo aproveitamento de toda e qualquer oportunidade vantajosa para os seus objectivos no futuro da economia global. Depois de ter vencido o ataque do Covid-19, e enquanto a crise esteja com força noutras potências, ela inicia uma “guerra económica” com sensibilidade e aparente generosidade, de que colherá certamente grandes benefícios, em relação às estruturas rivais na economia global. Não deixará de atrair empresas internacionais de diversos ramos e de incentivar a sua contribuição para a recuperação de empresas que foram muito afectadas no sector do turismo e noutros. Esta evolução estratégica da China, sem violências, é própria do país que, para se libertar da invasão dos povos do Norte, principalmente dos mongóis, construiu uma muralha de 21.196Km durante vários séculos, a qual não impediu ser invadida pela Mongólia em 1211 e que só foi expulsa em 1360. Por isso, chamar-se guerra económica à sua intensificação da economia externa pode ser exagero. Mas será uma terminologia do agrado de Trump e à qual ele irá certamente reagir duramente se, antes, não for neutralizado internamente. ■


A HUMANIDADE CAMINHA PERSISTENTEMENTE PARA O SUICÍDIO COLECTIVO

A Humanidade caminha persistentemente para o suicídio colectivo

(Public em O DIABO nº 2258, de 10-04-2020, pág 16)



Há milhares de anos, foram extintos os dinossauros; agora, segundo cientistas qualificados, parece que o ser humano está a preparar a sua exterminação. Não parecem fantasias de jovens extremistas que gostam de se mostrar, mas, sim, merecem ser ouvidos pelos responsáveis pelos Estados, a fim de serem evitados exageros de tecnologias que são demasiado perigosas para a saúde das pessoas.



Em 19 de Janeiro último, guardei um artigo em que o Dr. Martin Blank, do Departamento de Fisiologia Biofísica Celular da Universidade de Colúmbia, alertava para os perigos advindos do abuso dos telemóveis, questão muito notada na origem de cancros cerebrais e outras doenças graves, não apenas para os utilizadores, mas da multiplicidade de antenas em telhados de moradias e até de hospitais, onde se deve defender a saúde dos seus ocupantes. Perigos que estão a ser multiplicados pelo efeito do 5-G.



O abuso de equipamentos automáticos, accionado por radiações electromagnéticas, é notável. No regresso do refeitório onde almocei para o quarto, numa instituição que se queixa de falta de meios financeiros, passei por três portas que se abriam para eu passar, luzes que se acendiam e apagavam à medida que passava; nas casas de banho a luz acende-se automaticamente e, passado algum tempo, apaga-se mas, se uma pessoa se mexe, volta acender-se. Há muitos casos assim, o que torna o ar que respiramos totalmente pejado de radiações electromagnéticas, e isso é lesivo para a saúde, como explicou Martin Blanc.



E depois, passados mais de dois meses, recebi um vídeo em que o Dr. Thomas Cowan, médico, com muitas referências na Net, veio reavivar o meu interesse pelo tema da causalidade entre a electrificação da Terra e das radiações electromagnéticas em relação às grandes pandemias que temos sofrido. No vídeo, ele fazia uma prelecção a um grupo de pessoas em que focava, entre outras coisas, os seguintes casos:



Em 1918, houve uma pandemia de gripe espanhola, que considerou consequência de um salto quântico com a electrificação da Terra. Além da electrificação de cidades e algumas aldeias em 1917, houve a introdução de ondas de rádio em todo o mundo. Qualquer sistema biológico ficou envenenado por novos campos electromagnéticos, matando gente mais débil e tornando mais doentes os outros. Tais radiações empestaram o espaço dentro do Cinturão de Van Allen, que serve de protector do nosso Planeta e reage quando lhe chega tal poluição. Na sequência da II Guerra Mundial, o ar foi novamente agredido em força com a instalação de equipamentos de radar por todo o Planeta e verificou-se nova pandemia. Em 1968, ocorreu a gripe de Hong Kong, como reacção da camada protectora da Terra à colocação de diversos satélites emissores que emitiam frequências radioactivas no interior do seu espaço cósmico, e surgiu essa epidemia, fruto do envenenamento viral da fauna. Actualmente, com o 5G e a tara do electromagnetismo, há cerca de 20.000 satélites emissores de radiação, que activam milhões de equipamentos de que fazem parte telemóveis, sensores, alarmes, automatismos diversos, rádios, TVs, etc. Não foi por acaso que a pandemia do coronavírus foi difundida a partir da cidade de Wuhan, na China, que foi a primeira cidade do mundo a ser completa e densamente coberta por equipamentos de estilo 5 G.



Sempre que qualquer sistema biológico é exposto a um novo campo electromagnético, fica envenenado, morrem alguns, e os restantes entram numa espécie de vida suspensa, por pouco mais tempo e mais doentes. Depois destes alertas, será bom que os governantes e seus conselheiros procurem encontrar, sem demora, solução para reduzir significativamente a quantidade de instrumentos que funcionem com radiações electromagnéticas, a fim de travar a corrida para a extinção da espécie. ■


segunda-feira, 6 de abril de 2020

HAJA PAZ, SEGURANÇA E SAÚDE


Actualmente, para haver PAZ, SEGURANÇA e SAÚDE, é indispensável, a nível global:

- Evitar conflitos armados,

- Praticar negociações construtivas, a qualquer nível,

- Fazer coordenação política e tomar medidas anti-crise, entre muitos países,

- Proceder a negociações económicas para equilibrar os mercados.

sábado, 4 de abril de 2020

COREIA DO NORTE COM VAIDADE E ARROGÂNCIA

Coreia do Norte com vaidade e arrogância
(Public em O DIABO nº 2257 de 03-04-2020, pág 16)

A loucura da guerra e a vaidade de ter armas de grande poder destruidor são defeitos comuns a grandes potências que sonham com o domínio do Mundo, o que suscita comentários demolidores dos pensadores mais serenos. Mas, infelizmente, há países de reduzida dimensão que não resistem à tentação de mostrar a pior das vaidades e esquecem o bem-estar e a segurança do seu povo, para desbaratarem o pouco produto do trabalho dos cidadãos no fabrico de armas vistosas de que não obtêm resultados correspondentes ao custo.

O caso mais recentemente noticiado é o do lançamento pela Coreia do Norte de dois mísseis de curto alcance na manhã de dia 21 de Março que percorreram 410 quilómetros antes de caírem no mar do Japão. Segundo a Coreia do Sul e os seus militares do Serviço de Informações que estão em permanente observação das actividades do seu vizinho do Norte, este foi o terceiro lançamento neste mês de Março.

O governo norte-coreano, com vaidade e arrogância, justificou a produção de armas nucleares como uma resposta necessária contra a política externa agressiva dos Estados Unidos em oposição à Coreia do Norte. Mas não analisa correctamente tal posição que é absurda porque, numa guerra propriamente dita com os EUA, a Coreia do Norte ficaria reduzida a pó. Mesmo que os EUA não praticassem tal destruição, a Coreia, depois dos custos que já está a ter e dos danos que teria durante o conflito, mesmo que ligeiro e rápido, não obteria a mínima vantagem nesta arrogância. E, provavelmente, não encontraria qualquer potência que, para apoiar tal loucura, se levantasse contra a grande potência americana.

Na actual situação da pandemia do Covid-19, surgida na China e já espalhada por grande parte do globo em que as pessoas estão em quarentena, a fim de evitar as piores consequências, esta acção de preparação bélica constitui um “acto altamente inapropriado”, não só pela pandemia surgida no país seu vizinho e que, certamente, está a afligir o seu povo mas também por a sua população viver com dificuldades e ver o fruto do seu trabalho desperdiçado em fantasias de grandeza desnecessárias e completamente inúteis.

No início de 2019, houve uma cimeira com Trump em Hanói a fim de a Coreia do Norte parar com experiências nucleares, mas não houve cedências à América e esta recusou levantar as sanções económicas. Porém, Kim Jong-un, apesar das suas dificuldades económicas, quer ter o país preparado para combater qualquer guerra provocada pelos EUA e disse que “as suas Forças Armadas estão prontas para proteger o seu povo e o céu azul da sua pátria”. Trata-se de uma arrogância insensata, com a qual os responsáveis militares não concordam, mas a que não podem desobedecer por não desejarem ser assassinados.

Há quem manifeste esperança de a humanidade vir a ter grandes modificações, após ter sido habituada a novos comportamentos pela quarentena que lhe foi imposta para fazer frente à actual pandemia. Porém, tais esperanças terão de ser condicionadas pela péssima qualidade de grande parte dos “responsáveis” pelos Estados que colocam acima dos reais interesses dos seus povos, o vício da ambição pessoal, da vaidade, do orgulho, da arrogância e da ostentação de actos insensatos.

A actual pandemia do Covid-19 deve incitar à reflexão profunda ponderando que todas as pessoas, independentemente da riqueza e da posição social, estão sujeitas à doença e à morte, pois têm morrido médicos e foram afectados governantes que decidiram abandonar as funções e entrar no isolamento das quarentenas e até em cuidados intensivos. ■


sexta-feira, 27 de março de 2020

POLÍCIA COMO PAU PARA TODA A OBRA

Polícia como pau para toda a obra
(Public em O DIABO nº 2256 de 27-03-2020, pág 17)

A Administração Interna mostra grande esperança no bom comportamento (boa eficiência) das Forças de Segurança na responsabilidade de controlar os comportamentos dos cidadãos e dos seus serviços públicos na adopção de medidas preconizadas para prevenir os danos o alastramento da pandemia do Covide-19.

Essa esperança na eficácia dos agentes da segurança pública é lógica e coerente com os seus princípios e deveres profissionais. Porém as palavras de esperança do MAI, são incongruentes em relação com as que pronunciou há pouco tempo a respeito das carências de condições com que os agentes se defrontam no cumprimento da sua missão em que chegam a ser gravemente agredidos, sem que os prevaricadores e agressores sejam justa e adequadamente punidos. Tal governante mostrou não reconhecer medianamente as condições de trabalho destes funcionários e o que eles representam para a segurança e eficiência dos governantes e da população em geral. Agora, esquecendo a atitude hostil em relação aos obreiros da solidez da sociedade, quer esperar deles um papel que ultrapassa as suas atribuições, um papel que devia resultar da preparação cultural, da ética e da moral social que devia nascer do ensino escolar, do exemplo das autoridades autárquicas, dos serviços públicos e da consciência adquirida com exemplos dados pelas classes governativas. Mas, realmente, quando não se tem consideração, respeito e admiração pelas pessoas que deviam dar bons exemplos a adopção de medidas de higiene e de prevenção da saúde, só pode conseguir-se mostrando o bastão da autoridade como confirmam as palavras mais recentes do MAI. E depois? Se baterem nos polícias e os chamarem racistas? Voltará tudo às palavras ditas pouco tempo antes.

Também não é lógico esperar dos cidadãos o rigoroso cumprimento dos desejos do Governo para a defesa da saúde e do funcionamento da economia, pois tem havido degradação do funcionamento do ensino, do respeito pelos professores por parte de alunos e familiares. Crianças e famílias têm sido mentalizadas por ideias anárquicas, com teorias insipientes e contrárias às boas tradições, aos bons conceitos éticos, e que conduzem à abolição do respeito pelas pessoas e pelos actos valiosos do passado histórico.

Toda esta degradação social é resultado da falta de uma estratégia da governação sem a qual o país tem que ir vivendo numa instabilidade permanente que desmotiva a aceitação de uma eventual boa ideia vinda do Governo.

Até porque a degradação geral traduzida na impunidade da corrupção, nas suspeições vindas a público de altos funcionários da Justiça, etc, etc, não estimula que haja confiança e respeito pelos altos responsáveis pela vida nacional.

A ausência de estratégia bem definida e actualizada é muito perigosa quando, de improviso, se quer esperar da PSP uma actuação para a qual não está preparada. A propósito de impreparação geral, vejamos a sucessão de frases ditas por duas altas personalidades ligadas à saúde, sobre o covid-19: Em Janeiro: «não temos que estar alarmados», «é um bocadinho excessiva a probabilidade de contágio entre humanos», «não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal»; Em Fevereiro: «é inevitável que o novo coronavírus chegue a Portugal», «no cenário plausível cerca de 21 mil casos na semana mais crítica, dos quais 19 mil ligeiros», «Dir… admite 1 milhão de infectados em Portugal», «estamos preparados»; Em Março: «“não houve tempo para formação” de profissionais de saúde, como na gripe A», «pior do que o vírus é o alarme na sociedade portuguesa», «se for preciso, em última análise, podem sempre recorrer à horta de um amigo».

Estas frases, além de insensatas, dão uma péssima imagem da competência de uma elite que devia cultivar o sentido de responsabilidade. O que se pode esperar das Forças de Segurança, nesta situação indefinida? Como vai punir quem não lava as mãos, quem cumprimenta com um beijo ou aperta a mão? Isto é que vai uma crise!!! Não podemos deixar de estar preocupados.


quinta-feira, 19 de março de 2020

O ENSINO DAS NOVAS GERAÇÕES

O ensino das novas gerações
(Public em O DIABO nº 2254 de 13-03-2020, pág 16)

O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem.

A propósito, num dos almoços semanais com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946- 47, no Liceu Nacional Alves Martins (que no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”.

Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras do professor tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos, ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz.

E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, em conversa, foi referida a alusão do nosso PR a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada. Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval, de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde se encontrava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano.

Todos os barcos estão controlados pela ONG, ao serviço de capitalista internacional que os financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada ‘a priori’ a posição do Governo italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado, estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêm ameaçada a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. O Saber não ocupa lugar e surge de casos aparentemente insignificantes, que merecem ser bem ponderados. ■