segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Egipto com o povo a manifestar-se

Centenas de egípcios desafiaram as autoridades e protestaram contra o Governo no Cairo, num “dia de ira”. As críticas ao regime têm vindo sobretudo de activistas on-line, que marcaram a manifestação para um feriado em honra da polícia. As manifestações, num “dia de revolta contra a tortura, a pobreza, a corrupção e o desemprego”, serão o teste para ver se o activismo consegue passar dos chats e blogues para as ruas. 

“Cenas extraordinárias no Cairo enquanto milhares e milhares marcham com aparente liberdade depois de anos e anos a verem cada protesto anti-governamental imediatamente reprimido pela polícia”. “A polícia anti-motim segue atrás mas parece não estar certa do que fazer”, comentou: “três manifestações estão a ir agora para partes diferentes da capital, todas romperam cordões policiais, mas parece haver pouca coordenação sobre o que fazer a seguir.” Isto é relatado por Jack Shenker, jornalista do diário britânico "The Guardian".

Significativamente, o influente opositor egípcio Mohamend ElBaradei, ex-director da Agência Internacional de Energia Atómica e Nobel da Paz em 2005, garantiu que vai hoje mesmo juntar-se à vaga de protestos no seu país natal, onde a contestação nas ruas ao Presidente, Hosni Mubarak, entra já no terceiro dia consecutivo.

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EDP paga a Pinho e povo paga mais à EDP

A matemática não é contornável. Quando se tira, o resultado será negativo para a vítima do final da sequência, sempre a parte mais fraca. Vejamos a notícia «Entidade reguladora prevê subida dos preços da electricidade». Este aumento já foi previsto quando os jornais deram notícias acerca de «Pinho vai dar aulas em Nova Iorque. EDP paga», «Três milhões da EDP para Pinho», «EDP paga aulas de Manuel Pinho em Columbia». É bom que as pessoas não esqueçam as notícias como estas e meditem sobre elas e no que representam para cada um de nós.

Estes três milhões têm que sair de algum lado e, como os administradores não querem ver reduzidas as suas mordomias, nem querem diminuir o valor dos dividendos aos donos do dinheiro, vão buscar para isto e outras fantasias o pouco que os consumidores têm, depois de saqueados pela «austeridade» que lhes foi dirigida com boa pontaria, tendo poupado os mais poderosos..

Com este sistema de funcionamento da vida económica portuguesa, não admira que a dívida soberana venha crescendo consecutivamente e que o descontentamento popular aumente de forma alarmante, fazendo prever algo de grave e incontrolável. Os governantes devem colocar os olhos naquilo que tem acontecido na Tunísia, na Albânia, na Bélgica e no Egipto. Governar é prever, é ter os olhos no futuro para reduzir as dificuldades e potenciar as possibilidades.

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Equipa é espelho do valor do treinador

No dia 23, ao cair da tarde, a TV, ao iniciar as apreciações sobre o acto eleitoral, referiu múltiplos incidentes com o cartão de cidadão em relação ao número de eleitor. Pessoas queixavam-se de ter esperado três a quatro horas para lhes darem o número de eleitor actual e poderem votar. Outras não estiveram para esperar o esvaziamento da fila que estava à sua frente e foram para casa aumentar o número das abstenções.

Parecia evidente que a criação do cartão foi mais uma das muitas decisões governamentais tomadas sem uma cautelosa análise prévia de todos os aspectos em que o documento identificativo iria incidir. Apesar dos inúmeros assessores, escolhidos a dedo por critérios de «amiguismo», apesar dos custosos contratos de consultoria com gabinetes seleccionados por critério semelhante, as soluções continuam deploráveis, aumentando sem resultados positivos os custos que todo o sistema dos serviços de Estado acarreta.

Curiosa porém a notícia Conselho de Ministros rejeita responsabilidades nas dificuldades em votar, embora a Agência para a Modernização Administrativa que pertence à Presidência do Conselho de Ministros – explica que o cartão de cidadão “agrega e substitui os actuais cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor”. O título da notícia é impensável por atribuir ao Governo o ferrete de irresponsabilidade. Isto faz lembrar que, há mais de meio século, ouço que na organização militar, onde predomina o rigor, a dedicação, a honra e a hierarquia disciplinada, «o comandante da unidade é o responsável por tudo o que esta faz ou deixa de fazer». Ora o Governo, apesar de eventualmente poder conter irresponsáveis, deve ser considerado responsável pelo que se passa na máquina estatal. Não fica bem que dê a imagem de uma equipa sem líder responsável.

Mas curiosamente, depois desta informação sobre a globalidade da equipa, aparece a notícia de que o Ministro pede desculpa por incidentes nas votações das presidenciais, o que pode levar a crer que a notícia anterior não era verdadeira, ou o MAI não se sente bem integrado na equipa e é o único a ter consciência do seu dever de governante. Num caso ou no outro, a equipa está mal treinada, nem todos jogam pelo mesmo diapasão, pelo mesmo objectivo, em sincronismo. Fazem falta em muitos sectores do Estado líderes como o Scolari que, além de bem dirigir a equipa, colocou todo o País a usar a bandeira nacional como símbolo de união e convergência para um objectivo de exaltação do orgulho pátrio. Como pode haver confiança em tal equipa governativa? Como pode haver esperança num futuro melhor do que a actual baralhada?

A angústia que foi gerada há alguns anos e tem sido persistentemente alimentada está a tornar-se patológica e dificilmente suportável. É altura de Cavaco Silva ganhar coragem e ultrapassar a sua tímida hesitação e a tendência para tabus. Portugal precisa que tome atitudes patrióticas. Se o PR não conseguir este efeito, resta o incómodo de soluções populares, a explosão social espontânea, como o que tem acontecido pela Tunísia, a Albânia, a Bélgica, o Egipto. Oxalá se consiga uma evolução pacífica, mas eficaz, sem os danos de tais manifestações descoordenadas.

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Sócrates é o vencedor das presidenciais!!!

O título parece pouco sério, mas vem confirmar o que ficou escrito em «O amigo António à caça de insólitos». Até parece que Sócrates leu o artigo, meditou e, na sua perspicácia, persistência e espírito de luta, aproveitou a ideia e, no primeiro momento oportuno, expressou a sua posição, como se vê na notícia "Portugueses exprimiram com clareza o que queriam", de que se transcrevem duas frases, muito sintomáticas e com visão de futuro.

«O primeiro-ministro felicitou todos os candidatos às eleições presidenciais e abordou os resultados. "Os portugueses falaram e exprimiram com clareza o que queriam. É legítimo dizer que os portugueses optaram por não mudar. Optaram pela CONTINUIDADE E ESTABILIDADE política. Esta tem sido a regra em presidenciais", referiu.

Sócrates garantiu depois toda a sua disponibilidade e do Governo "para assegurar uma leal cooperação com o Presidente da República agora eleito". "É isso que os portugueses esperam", acrescentou.»


E digam lá se o homem não está com garra de continuar no lugar!!! E os seus adversários como irão reagir??? Estejamos atentos às manobras que os jogadores farão sobre a pobre relva que não pára de ser pisada pelos atletas dos vários clubes.

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Democracia ou moneycracia ?

Os números da afluência às urnas até ao meio-dia e as notícias que chegam do estrangeiro conduzem a reflexões sobre Democracia ("demo+kratos") que, segundo a Wikipédia, «é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), directa ou indirectamente, por meio de representantes eleitos». Eis uns tópicos sobre o tema.

Será realmente a democracia o menos mau dos regimes políticos? Não será possível um regime menos mau, atendendo às circunstâncias do mundo actual? Não estará a democracia a ser dominada pelos donos do dinheiro, uma moneycracia ou argentocracia?

Se, teoricamente, a democracia consiste no exercício do Poder pelo povo e para o povo, parece que o seu exercício directo não é praticável, por não haver condições para o cidadão participar com facilidade em cada decisão que afecte a colectividade. Por outro lado, a democracia representativa está a atingir a maturidade com graves vícios e males herdados e progressivamente agravados ao ponto de estarem, em vários aspectos, a ser constatados resultados perversos.

Na prática, a representatividade resume-se a eleições periódicas em que os candidatos (pessoas no caso do PR, ou listas partidárias nos outros casos) são mal conhecidos ou inteiramente desconhecidos de muitos eleitores. Chega a haver elementos de listas que, só por si, levariam a que a lista fosse rejeitada pelos eleitores mais dedicados ao seu País. Há também eventuais referendos, com perguntas pouco claras para a maior parte dos eleitores, que depois ficam espantados com a interpretação inesperada dada ao resultado escrutinado. E foram precedidos de campanhas em que os partidos tentaram por todos os meios condicionar o direito e a liberdade do eleitor.

Com tais factores, muitos eleitores optam pela abstenção, mas nalguns países isso não é possível, por a votação ser obrigatória. Votar em candidatos desconhecidos também não é racional e consciente, mesmo que se queira dar crédito a propagandas por vezes pouco sérias e com promessas escassamente credíveis, pelo que surgem os votos nulos e em branco.

De tais momentos decisivos, a votação democrática, as pessoas raramente saem felizes, a não ser uma minoria que vê o seu candidato predilecto ou o seu partido eleito e dele espera benefícios ou favores, directos ou indirectos. Os tempos vão passando e verifica-se que as promessas foram esquecidas, postergadas, em vez do poder depender do povo depende dos donos do dinheiro e o descontentamento popular desenvolve-se chegando a atingir um grau insustentável: Nas Filipinas em 2001 o Presidente Joseph Strada foi destituído na sequência de manifestações populares convocadas por telemóvel e mensagens SMS. Na Tunísia, o Presidente Zine El Abidine Ben Ali caiu também em consequência de manifestações populares de jovens, sem organização especial, unidos apenas pelo descontentamento em relação ao Poder. Na Albânia milhares de populares na capital protestaram contra o Governo do primeiro-ministro Sali Berisha.

Perante tal atitude da população, o Poder usa a força policial e militar que provoca mortos (mais de uma centena na Tunísia e três na Albânia) mais uma quantidade de feridos (na Albânia no início dos confrontos resultaram 55 feridos, 25 polícias e 30 civis). O resultado destas baixas é logicamente o acirramento dos manifestantes, mesmo que tenham de adiar a vingança para os dias seguintes. Cada morto é um mártir usado como bandeira congregadora das vontades dos cidadãos , que sentirão nele motivo suficiente para aderir à «explosão social».

A melhor forma de lidar com estas situações é usar de medidas preventivas que as evitem. Depois de eclodirem, pouco há a fazer a não ser a demissão como o Joseph Strada ou esta seguida de fuga como Bem Ali. Portanto os políticos devem meditar nestes problemas porque o povo começa a acordar da sua longa letargia e prepara-se para reagir logo que surja oportunidade com motivo bastante. Convém tentar evitar o «perigo de “explosão” social espontânea» a que se referem os sociólogos Boaventura Sousa Santos e António Barreto, usando métodos como os referidos em «Evitar a «explosão» social ???». A justiça social desaconselha que os que fazem a crise continuem a aumentar as riquezas e que os que dela foram vítimas voltem a ser vítimas para a sua solução.

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domingo, 23 de janeiro de 2011

Melhorar qualidade da água do Tejo

Nem tudo é mau no nosso rectângulo à beira-mar plantado e é nosso dever apreciar o que temos de positivo para não destruir a auto-estima. A notícia que se transcreve mostra uma boa medida para despoluir a água do Tejo.

Esgotos de 120 mil casas de Lisboa deixaram de ser lançados ao Tejo
Público. 19.01.2011. Por Carlos Filipe

Os esgotos domésticos da zona central de Lisboa deixaram de ser despejados directamente, sem tratamento, nas águas do Tejo, como acontecia desde sempre.

Foi há dias, mesmo no início do mês, e sem aviso prévio, que o sistema de saneamento do Tejo e do Trancão, a cargo da empresa Simtejo, passou a canalizar os efluentes domésticos de cerca de 120 mil residências da capital para processamento na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara.

Em Setembro de 2009, o presidente da câmara, António Costa, qualificou as descargas que até aqui iam parar directamente ao Tejo como "um dos maiores escândalos nacionais", e que era preciso, com urgência, fazer algo pelo ambiente. Não foi fácil, nem barato: foram quatro anos de obras e 100 milhões de euros empregues para que se comece a fazer justiça ao ambiente de Lisboa e às comunidades aquáticas do Tejo, o maior estuário da Europa ocidental, zona de nidificação e crescimento de inúmeras espécies piscícolas e aves marinhas. O rio fica agora limpo? Não, mas, como diz uma bióloga contactada pelo PÚBLICO, o impacto desta alteração será importante, mesmo que ainda demore algum tempo a fazer-se sentir (ver caixa).

O anúncio desta novidade surgiu, em primeiro lugar, sob a forma de panfleto deixado nas caixas de correio dos lisboetas. Um papel com assinatura institucional da Câmara de Lisboa e da Simtejo, da qual a autarquia é a segunda maior accionista, no qual se dizia: "Ano novo, Tejo limpo! O fado do Tejo mudou!" Ao que o PÚBLICO apurou, o acto oficial de inauguração ocorrerá no próximo sábado.

Marcelo: sonho demorado

Foi há 21 anos que Marcelo Rebelo de Sousa, então candidato à presidência da Câmara de Lisboa, se atirou às águas do Tejo. Com aquela acção, muito mediática, pretendia chamar a atenção para a poluição daquelas águas. Passados 21 anos, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou ontem a sua satisfação pelo fim daquele flagelo. "Quando me atirei à água, apanhei com uma descarga em Belém. Recordo-me, foi junto ao Padrão dos Descobrimentos. É esta, agora, uma boa notícia, mas um sonho que levou muitos anos a concretizar", disse ao PÚBLICO.

As descargas de efluentes não tratados ocorriam em Santa Apolónia, também ao lado do Cais das Colunas, e em Belém. Só em 2009, por altura de outros trabalhos no Terreiro do Paço, foram interceptados os colectores oriundos das ruas do Ouro, Augusta e da Prata e de Santa Apolónia.

Numa segunda fase foram construídas estações elevatórias e um emissário submarino, ao mesmo tempo que também se canalizaram os efluentes que eram despejados em Belém para a conduta que segue para Alcântara. E em Dezembro houve outra intervenção sob o novo piso do Terreiro do Paço, para colocar um sistema de válvulas que impede a entrada de água do Tejo no interceptor. Numa terceira fase, outras obras dos sistemas da Simarsul (Margem Sul) e Sanest (Costa do Estoril) irão contribuir para melhorar todo o estuário.

Benefícios para o estuário do Tejo

Para Maria José Costa, bióloga no Centro de Oceanografia e professora catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a situação do Tejo na zona de Lisboa é considerada "grave", embora admita que "podia estar pior".

"Acontece que o estuário, por ser dos maiores da Europa, tem um grande hidrodinamismo, que o favorece, e com a ausência de descargas directas deverá favorecer a sua biodiversidade. Julgo que no prazo de um ano vamos ter um equilíbrio, uma resposta rápida dos ecossistemas", disse a investigadora, doutorada em Ecologia Animal.

Mas se o estuário poderá dar essa boa resposta, ainda que o fenómeno tenda a ser localizado e não generalizado - diz a bióloga que assim acontece na zona do Parque das Nações, intervencionada para a realização da Expo "98 -, o mesmo não significa que deixe de estar poluído. "É preciso realizar estudos experimentais sobre o que vai acontecer. É preciso ter cuidado com as lamas, que não devem ser mexidas, pois podem ter metais pesados", alerta, admitindo que aqueles poluentes podem ter corrido pelos esgotos. "Tudo depende do que as pessoas atiram fora pelos seus vazadouros domésticos", especificou Maria José Costa. Muito sensíveis aos poluentes são as comunidades bentónicas (organismos associados aos sedimentos, caso de muitas espécies de bivalves). "Só podem melhorar, mesmo que haja espécies muito resistentes", esclarece, afirmando ainda que a comunidade piscícola tem encontrado mais problemas com as barragens do que com os focos de poluição: "Os sáveis, ou as lampreias, querem regressar aos locais onde nasceram e não conseguem."

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