quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pacheco Pereira e o negócio TVI

Há cerca de 20 anos conheci de perto o Dr. José Pacheco Pereira e aquilo que tenho observado das suas atitudes mostra que se mantém coerente com o seu método muito racional de analisar as circunstâncias e a frontalidade e coragem com que enfrenta situações em que a maior parte se encolhe e desvia.

A forma como se comportou na comissão parlamentar de inquérito ao caso TVI, referida na notícia que pode ser lida abrindo link «Pacheco Pereira ameaçou e ganhou», mostra a sua têmpera que nos faz lembrar a deputada brasileira Cidinha Santos aqui



e também aqui,


e de quem não se têm visto réplicas em Portugal.

Ainda se vive assim por aí

Apesar (ou talvez por isso) dos lindos discursos e atractivas promessas surgidos a qualquer momento sob qualquer pretexto, apesar de os deputados perderem imensas horas a fazer inquéritos de resultados inúteis que parecem simples masturbações intelectuais de quem não encontra capacidade para algo de útil em benefício do povo sofredor, deparamos com notícias como a que se transcreve:

Bairro sem saneamento e com banhos em bacias
Jornal de Notícias 12-06-2010. Marta Neves

Sete famílias partilham fossa e vivem em casas rodeadas por matagal.

Os moradores de um pequeno bairro de Mafamude, no centro de Gaia, vivem há mais de 70 anos sem saneamento nem casas de banho. As águas de uso doméstico passam-lhes rente à porta e as casas são circundadas por um matagal cheio de ratos e cobras. Apesar deste cenário, recusaram ser realojados noutra freguesia.

Sérgio Freitas, 70 anos, a viver na Rua do Casal, em Gaia, desde que nasceu, sente-se "abandonado". À porta de casa as silvas crescem desenfreadas e "ainda há pouco tempo" teve de matar uma cobra, "com mais de metro e meio, que andava a rondar as portas". "Já para não falar nas ratazanas", desabafou, ao JN, o morador, preocupado com o facto de ali, no bairro da antiga Quinta do Casal, "viverem crianças". Ao todo, são sete as famílias a viver sem condições.

Todas as pequenas habitações da artéria, sem saída, são circundadas por um extenso matagal. "Em tempos diziam que os terrenos eram da Real Vinícola, mas que depois passaram para a Caixa Geral de Depósitos. O certo é ninguém liga nenhuma", criticou Belmira Silva, 74 anos, que improvisou uma tábua à porta de casa, com "medo" que entrem bichos.

As famílias queixam-se do mesmo e como nenhuma tem saneamento são obrigadas a partilhar uma única fossa, enquanto as águas de uso doméstico (das bancas e das máquinas de lavar) correm ao ar livre, rua abaixo, em direcção a um campo.

"Já não é tempo de viver assim", afirmou Maria Eufémia, 73 anos, que cada vez que precisa de tomar banho tem de atravessar a rua e ir à casa da irmã. Aliás, ninguém na Rua do Casal tem casa de banho, improvisando a higiene do dia-a-dia em bacias.

"Instalei um pequeno cilindro lá em casa, mas não sei se os restantes vizinhos têm a mesma sorte", disse Sérgio Freitas.


Imagem da Internet

É urgente uma ruptura seguida de reestruturação

O PR mostrou estar consciente de que o país vive uma situação insustentávele apelou à coesão e à repartição dos sacrifícios “de forma equitativa e justa”, o que vem ao encontro de sugestões já aqui trazidas a lume. A solução não se obterá com «paninhos quentes» mas exige a eliminação das causas reais que estiveram na origem e na continuação da crise, e já aqui enumeradas quer em posts quer em comentários.

No post Cortar o défice, reformar o regime, além do repetidamente referido código para bem governar era referido Código ou compromisso alargado e duradouro sugerido numa reunião de empresários que, agora, tem condições para ser preparado dada a unidade suscitada entre os parceiros sociais em resposta ao apelo do PR.

Existe, assim, um momento a não desperdiçar para Portugal procurar uma estratégia para um novo ciclo e para se efectuar um «contrato de coesão», com o qual se imponham valores éticos, se combata a corrupção e os gastos exagerados e sem justificação racional, a fim de conseguir a «valorização do potencial do País». É altura de nos consciencializarmos, a começar pelos políticos, de que «acabou a ilusão» e de que a crise não desaparecerá por acção de varinha mágica, mas irá continuar «neste ano e no próximo», pelo menos.

Vamos estar atentos às acções inteligentes, patrióticas, supra-partidárias, colocando os interesses nacionais como alvo a atingir, acima de tudo, e eliminando com coragem e frontalidade todos os vírus e bactérias que sugam imoralmente os recursos financeiros de Portugal, acabando com todas as benesses especiais que criam cidadãos de primeira acima de todos os cidadãos nacionais.

Meninos do colégio ?



REPARE-SE nas semelhanças - dos fatos, das gravatas, da posição das mãos, das pernas... Serão meninos com os bibes do colégio ou um preocupante espírito de rebanho ou o hábito de uma associação secreta? Quem souber explicar, elucide-nos em comentário

Com base no post de Carlos Medina Ribeiro em Sorumbático

10 de Junho

Estou a ouvir o toque de silêncio nas cerimónias do 10 de Junhopresididas por Sua Excelência o Presidente da República e medito no que seria esta cerimónia no próximo ano se fosse presidente o locutor da Rádio de Argel a quem se deve a morte de alguns daqueles falecidos em combate a quem neste momento se presta homenagem.

Valerá a pena meditar neste pormenor nacional da história recente e no momento futuro próximo de que nestes dias se fala.

Cortar o défice, reformar o regime

A crise já dura há demasiado tempo sem soluções para a remediar e para evitar a sua repetição, e sem sequer terem sido identificadas objectiva e rigorosamente as suas causas. Por toda a Europa estão a surgir timidamente medidas paliativas e ilusórias, salvo nalguns países onde a racionalidade está a vir à tona.

Foi aqui definida a necessidade de uma ruptura com reestruturação inteligente porque, sem ela, o sistema vigente não eliminará as causas. Esse estudo do problema deve seguir o método indicado em Pensar antes de decidir e não admite amadorismo, com soluções feitas em cima do joelho.

Porém, notícias de hoje dão a ideia de que se pretende ficar pelos paliativos (Governo admite "aperfeiçoar" lei laboral mas pouco mais e Pressão para mudar leis laborais parte do Governo). Em complemento destas notícias «significativas», outra diz estar Silva Pereira disponível para “aperfeiçoar” reformas estruturais. Repare-se que não é para fazer as reformas, mas apenas para as «aperfeiçoar»! E quem as elabora? Quem as prepara? Em princípio, devem ser preparadas por uma equipa pluridisciplinar de independentes conhecedores das teorias e das realidades, bem escolhidos em vários sectores de actividade, pelo que não faz sentido alguém arvorar-se em sábio (tanta arrogância!) para «aperfeiçoar» o trabalho desses técnicos dedicados e esmerados em darem o seu melhor.

O actual Governo britânico teve uma iniciativa brilhante criando oportunidade em que ‘Cérebros’ ajudam a cortar o défice. Depois de ouvir uma grande variedade de cérebros, pretende criar uma comissão de notáveis (‘Star Chamber’) a quem os ministérios terão de justificar os seus gastos. Dessa forma irão cortar todos os gastos que não sejam racionais, necessários, urgentes e para bem do País.

Quando no País se fala em estabelecer um limite máximo para as reformas e evitar acumulação de pensões de reforma, Belém esclarece que Cavaco recebe duas pensões de reforma. Porém, não é apenas este que delas beneficia, pois há no Governo vários membros em circunstâncias semelhantes, situação que não é extensível à quase totalidade dos cidadãos. Há queacabar com tais excepções e com a autonomia de instituições públicas e empresas com capitais públicos que lhes permite elaborar estatutos ao arrepio da função pública que cria normas escandalosas, como veio a publicado acerca da ERSE, do BdP, da PT, da RTP, etc.

Sobre este tema, já foram aqui publicados vários textos de que se referem alguns que podem ser abertos pelos seguintes links::

- Código ou compromisso alargado e duradouro
- Código de conduta
- Para um código de conduta dos políticos
- Código de bem governar
- Reforma do regime é necessária e urgente