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terça-feira, 29 de novembro de 2016

HAJA ARGUMENTOS TRANSPARENTES


Haja argumentos transparentes
(Foi publicado em O DIABO de 29-11-2016, pág. 19)

Na polémica demasiadamente prolongada acerca das declarações de rendimentos dos detentores de altos cargos públicos têm aparecido argumentos que funcionam como densa poeira que confunde a visão. A existência da norma evidencia que ela foi elaborada para evitar dúvidas acerca de comportamentos menos correctos lesivos dos interesses nacionais e do prestígio que deve ser característica de tais altas entidades. Ela procura esclarecer qualquer suspeita intencionalmente maliciosa sobre procedimentos.

Mas os argumentos agora vindos a lume com intenção de recusar tal declaração ou de justificar a sua forma incompleta, mostra que a norma foi elaborada por colaboradores do poder legislativo que usaram a habilidade - há quem diga que frequente – de deixar, veredas de fuga para serem utilizadas por pessoas habilidosas ou para darem trabalho a gabinetes de advogados na argumentação de defesa dos seus eventuais clientes.

A fuga ao cumprimento da norma jurídica, integralmente ou apenas parcialmente tem sido interpretada, em conversas de café, por cidadãos que procuram esclarecer-se perante dúvidas sobre o que se passa, havendo quem diga que os que recusam fazer tal declaração são carentes de riqueza, sem conta bancária nem outros patrimónios e envergonham-se de expor claramente essa pobreza para não serem desprezados pelos cidadãos, numa sociedade em que o dinheiro, hoje, é o símbolo do mérito e do valor pessoal, acima da competência, do saber, da experiência e da honradez. Este argumento faz rir os circunstantes que, bem intencionados, afirmam que, apesar do materialismo reinante, a humildade e a seriedade ainda são valores apreciáveis.

Mas há outras pessoas, com uma visão mais esclarecida e talvez mais cruel da realidade, que confessam crer que tais pessoas querem ocultar a possibilidade de os cidadãos, com os meios hoje existentes na comunicação social, levantarem suspeitas acerca da forma como as fortunas foram conseguidas e da eventual intenção de os seus detentores as aumentarem, por qualquer forma, nas actuais funções.

Perante isto, em vez de tais suspeitas serem cabalmente esclarecidas, surgem pretensas explicações que nada clarificam, antes evidenciam a existência de maleitas inseridas durante a elaboração da norma, cuja utilidade está a ser aplicada, o que é suposto, com intenção oposta à que esteve presente na iniciativa de a criar. Esta teve boas intenções, embora talvez seja oportuno torná-la mais assertiva e vacinada contra uso de argumentos obscuros e suspeitos. A transparência e o rigor de procedimentos são pilares da CONFIANÇA e do PRESTÍGIO que os detentores de todos os altos cargos devem procurar ser merecedores.

A João Soares
22 de Novembro de 2016

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PODER DO MARKETING E DA PUBLICIDADE


O Marketing e a Publicidade têm muito poder e conseguem impingir produtos sem qualidade ou de qualidade duvidosa. Confirma o velho aforismo que diz que «o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente».

Por isso, os seus técnicos devem ser possuidores de ética, honestidade e sentido de responsabilidade perante toda a sociedade.

Não é por acaso que a «Associação APECOM critica o consultor de comunicação que ajudou Passos a liderar o PSD». A Direcção da Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas (APECOM) emitiu ontem um comunicado em que se demarca das declarações de Fernando Moreira de Sá, consultor de comunicação que admitiu a manipulação da comunicação social e de debates durante o processo de eleição de Pedro Passos Coelho como líder do PSD, em 2010. Pretende com esta admoestação «separar o trigo do joio», para que os outros técnicos não sejam lesados por suspeitas de serem iguais.

Imagem do Google

terça-feira, 25 de junho de 2013

O GOVERNO E OS CIDADÃOS


É suposto que, em democracia, toda a acção de um Governo deve estar voltada para o objectivo nacional de proporcionar a melhor qualidade de vida aos cidadãos e é para isso que devem funcionar os diversos sectores do Estado, como a Educação, à Saúde, à Justiça, a Economia, as Finanças, a Defesa, a Segurança, etc. E a observação das condições de vida e de satisfação da população é fundamental porque ela tem «fome» pode zangar-se. É isso que está acontecendo no Brasil, na Síria, na Turquia, etc.

Mas no Brasil Dilma Rousseff, consciente de que é preciso atender ao descontentamento da população e às suas justificadas reclamações e evitar arrogâncias e teimosias obsessivas, anuncia 5 pactos, propõe plebiscito para realização de reforma política e acelera reformas na saúde, perante o que os descontentes serenaram e ficam a aguardar as medidas concretas.

Pelo contrário, em Portugal, as confederações patronais dizem que o Governo tem de reconhecer que “algo falhou”, os patrões pressionam Governo a desistir da receita da austeridade e como sugestão ou conselho desafiam Governo a alterar o rumo.

E há outras vozes da área do Governo a reforçar a necessidade de medidas suavizadoras das dificuldades dos portugueses, como. Por exemplo, Frasquilho que defende descida de impostos, Menezes que critica atitude «autista» do Governo, João Salgueiro que apela à união dos reformados contra o governo, etc.

Mas, apesar destes alertas, o Ggoverno, com a habitual arrogância e egocentrismo gaba-se pela voz do seu líder “Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer”, frisa que «Governo vai manter rumo que tem seguido» e que [quer dar a cara em 2015]

Esta atitude do Governo português em sentido oposto ao de Dilma, levanta muitas dúvidas e interrogações ao cidadão pensante, e a jornalista Constança Cunha e Sá faz delas uma expressiva súmula quando confessa «não percebo de que êxitos o Governo fala».

Imagem de arquivo

terça-feira, 19 de março de 2013

Salvemos Portugal !!!


Transcrição da notícia que merece a maior atenção por parte dos portugueses, principalmente do Senhor Presidente da República:

Freitas apela a um "grande consenso nacional"
 Expresso. 22:31 Segunda feira, 18 de março de 2013 José Pedro Castanheira

Ao apresentar a biografia de Mário Soares, de Joaquim Vieira, o fundador do CDS exortou à união "de todos os democratas com preocupações sociais".

"A crise de Chipre pode deitar tudo a perder" na União Europeia, afirmou Freitas do Amaral durante a apresentação da biografia de Mário Soares, da autoria do jornalista Joaquim Vieira.

Extremamente crítico relativamente à actual governação portuguesa, o fundador do CDS apelou a um "grande consenso nacional" entre os dirigentes políticos. "Saibam colaborar de perto quando a Pátria assim o exigir" foi o apelo que deixou. E que concretizou: "Chegou o momento de todos os democratas com preocupações sociais se unirem".

As críticas do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros estenderam-se à União Europeia. Referiu-se aos "dirigentes incapazes", verberou as "políticas erradas" e denunciou os "novos nacionalismos". Criticou em particular os governos europeus que "querem impor a austeridade como única receita". A este propósito, citou o presidente norte-americano John Kennedy: "Se não formos capazes de apoiar os muitos que são pobres, não saberemos salvar os poucos que são ricos".

"Não tenhamos medo de agir enquanto é tempo"

O ex-presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas não teve dúvidas em afirmar que "não foi esta a Europa e idealizada por Jean Monnet". Recordou, a propósito, que o processo de construção europeia foi obra da conjugação dos partidos e governos democratas-cristãos e sociais-democratas, que se defrontaram com os votos contrários "dos conservadores, dos nacionalistas e de alguns liberais, a par dos comunistas e da extrema-esquerda". Por ironia do destino, quem está actualmente à frente da Europa "são os neo-conservadores, os novos nacionalistas e os neo-liberais.". Manifestando-se muito preocupado com as consequências das últimas medidas aplicadas em Chipre, Freitas do Amaral exortou: "Não tenhamos medo de agir enquanto é tempo".

As afirmações de Diogo Freitas do Amaral foram produzidas ao fim da tarde numa livraria da baixa de Lisboa, onde apresentou o livro "Mário Soares. Uma vida". Da autoria de Joaquim Vieira, é uma biografia com a chancela da editora "A Esfera dos Livros". Freitas do Amaral protagonizou a mais renhida das eleições presidenciais de que há memória em Portugal, tendo sido derrotado à segunda volta em 1986. O vencedor foi, precisamente, Mário Soares, a quem Freitas desejou um rápido restabelecimento. "Homens como ele fazem muita falta a Portugal", concluiu Freitas do Amaral.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Em crise, há abusos imperdoáveis

É inquestionável a necessidade de moralidade e seriedade na administração do dinheiro público, em qualquer circunstância, mas com maior e mais rigorosa justificação em situação de crise em que são exigidos enormes sacrifícios a grande maioria da população. Com quase um ano de exercício do actual Governo e depois das promessas feitas na campanha eleitoral, era de esperar que tivesse sido travada a descida para o abismo. Mas, apesar de palavras de fantasioso optimismo, a informação que chega, embora cautelosamente dissimulada, mostra que a descida continua embora, talvez, com velocidade menos acelerada.
Por exemplo, não pode passar despercebida a notícia de que A classe média também já vai buscar comida às cantinas sociais.

E perante os sinais de crise aguda, continuam os vícios de corrupção, compadrio, negociatas em favor de amigos, à custa de abusos imperdoáveis de mau emprego do dinheiro dos impostos, como diz a notícia de que o Estado gasta por mês 130 milhões de euros sem concurso o que, para mais, prejudica o bom funcionamento da economia que era suposto e desejável basear-se na livre concorrência e na iniciativa individual.

Mas os abusos vão muito mais além e, por exemplo, a notícia Aulas no privado dadas pelo chefe diz que a empresa «Estradas de Portugal (EP) pagou formação a, pelo menos, sete funcionários do departamento de informática numa universidade privada. O director do curso era o superior hierárquico dos trabalhadores em questão.» Há instituições públicas em que se usa o sistema «on the job training» e, no caso versado, isso até seria fácil porque ao superior hierárquico foi reconhecida capacidade para ministrar a instrução.

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terça-feira, 8 de maio de 2012

Corrupção. Hidra a abater



O fiscalista Tiago Caiado Guerreiro explicou no programa «Opinião Pública» da SIC Notícias como, em Portugal, as leis são feitas exactamente para não ser possível apanhar as pessoas em situação de corrupção e não se conseguir provar em tribunal...
«Temos normas que tornam totalmente impossível apanhar um corrupto em Portugal.
Os casos que estão em tribunal, não vão dar em nada, porque, mesmo que eles fossem filmados no acto de corrupção, seria difícil provar em tribunal com as normas que temos, quanto mais com advogados competentes (do lado dos corruptos).
Por outro lado, temos o Ministério Público que está organizado, (sem culpa disso), para não conseguir investigar a corrupção. Também a polícia judiciária não tem meios para investigar a corrupção.
Se juntarmos a isto, tribunais pouco treinados e normas que não funcionam, então isto é o paraíso dos corruptos.
Aliás, todos nós conhecemos casos, ao longo do país todo, de fortunas inexplicáveis que apareceram de repente, após o exercício de cargos políticos ou em ligação com o Poder.
Agora, anunciam-se um conjunto enorme de medidas em vez de normas claras e transparentes sobre o que é a corrupção o que não é difícil de fazer, bastando para tal copiar o que existe, por exemplo, nos cinco países menos corruptos do mundo, onde há normas que são muito transparentes. Seriam normas que, ao contrário do que cá está previsto, não se aplicariam a toda a população portuguesa, apenas se aplicariam a detentores de cargos políticos, por isso muito mais focadas naqueles que têm o risco de praticar a corrupção e permitiriam, dessa forma, um enfoque muito mais fácil da polícia judiciária, do ministério público, dos tribunais e dos outros órgãos de fiscalização.
Todos nós sabemos que muita gente sai dos cargos públicos, políticos, e depois vai para a frente de grandes empresas e alguns deles criam grandes fortunas, quer dizer, tudo coisas que são inexplicáveis e inaceitáveis em sociedades civilizadas, excepto neste país, onde se pode bater sempre no contribuinte mas tratamos maravilhosamente bem os corruptos…
Espera-se que isto não seja mais uma vez o que tem sido feito, que sempre que eles alteram as normas de corrupção, tornam-nas mais incompreensíveis e mais impossíveis de aplicar pelos tribunais e pela investigação…
Nós não temos um combate à corrupção. Temos normas de branqueamento, que é uma coisa diferente. Temos normas que permitem aos corruptos saírem de um julgamento todos praticamente ilibados...
Há casos terríveis: as parcerias público-privadas e o BPN são de certeza casos de polícia, são dois casos paradigmáticos em Portugal.»

Sobre o tema convém ler :

Laborinho Lúcio desafia Parlamento a criar estratégia de combate à corrupção

Governo quer impedir corrupção na nova BT

Estudo diz que leis anti-corrupção em Portugal estão "viciadas" à partida

Corrupção na Administração Regional de Saúde do Norte

Tribunal chumba diploma que cria crime de enriquecimento ilícito

Director da DRE recebeu 141 presentes no espaço de um ano

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Preciso da candeia de Diógenes

A cada passo encontramos uma armadilha, uma mina, um buraco, uma cilada. Haja quem mereça confiança!!! Parece que nem com a candeia de Diógenes se consegue encontrar um homem verdadeiro. Principalmente na política ou sua área de interesse.

Se os políticos agissem por dedicação ao País, certamente teriam objectivos muito idênticos embora pudesse haver nuances algo diferentes nas linhas estratégicas a seguir para os atingir. Não haveria decisões opostas nem guerras desgastantes e cada político ou cada partido usaria como propaganda e chamariz para os votos as suas melhores soluções para atingir os objectivos nacionais, com verdade e honradez.

Por seu lado, dos jornalistas e comentadores, em tal quadro ideal, seria esperada isenção na análise, nas críticas e nas sugestões.

Mas políticos, jornalistas e outros oportunistas, esquecem os interesses do País, esquecem os direitos das pessoas e concentram a sua capacidade (quando existe) de pensamento nos seus próprios interesses e ambições, ou nos do seu partido de momento ou dos seus amigos. Esta reflexão ressalta do seguinte texto recebido por e-mail do amigo FR que se segue:

CRESPO AO FRESCO

Mário Crespo, 64 anos, jornalista da SICN e colunista do Expresso, foi convidado por Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, para o lugar de correspondente da RTP em Washington, vago há seis meses. Deste modo, Crespo voltará a desempenhar as funções que exerceu entre 1992-98. O convite está a gerar forte turbulência na RTP, uma vez que a estação estava a organizar um concurso interno para preenchimento da vaga, de acordo com os critérios estatutários:
1) É dada primazia a jornalistas do quadro da RTP interessados em trabalhar no estrangeiro.
2) A direcção de informação selecciona os candidatos.
3) Um júri avalia.
4) A administração avaliza a escolha final.

Crespo nem sequer é do quadro: foi despedido da RTP há doze anos. Chama-se a isto, em linguagem plano inclinado, dar o pote aos boys. Este assessor de Relvas é que os topa.

Lembram-se do que Mário Crespo disse do Governo de Sócrates? Do que ele afirmou sobre as perseguições, intimidações, censuras e tentativas de interferência do poder político no jornalismo? Da t-shirt que levou à Assembleia da República para denunciar as malévolas intenções governamentais? Pois bem: o ministro Miguel Relvas atropelou a administração e a direcção de informação da RTP e convidou Mário Crespo para correspondente da estação pública em Washington. A RTP, não sei se estão recordados, é aquela estação que estava para ser privatizada, perdão, reavaliada.

Sobre o convite, Crespo, cândido e enternecido, declarou: «É um lugar que me honraria muito nesta fase da minha carreira e para o qual me sinto habilitado».

Curioso. Pensei que ia recusar com base numa alegada interferência do poder político no jornalismo, mas não. E na RTP, já agora, ninguém se demite?

Confesso: cada vez tenho mais respeito por algumas meretrizes.


Comentário contido no e-mail:
Toda aquela cena das perseguições que inventou do Governo do Sócrates, com alguma esquizofrenia, já dava a entender que este Crespo era próximo do PSD... Não me lixem com a independência dos Jornalistas porque é uma grande mentira...!.....

Isto são os grandes honestos, defensores acérrimos da justiça e da liberdade, em PORTUGAL, os que são contra os "boys", etc... etc...


NOTA: Preciso de ter confiança em alguém. Como encontrar? Como o reconhecer? O post anterior foi também um balde de água fria que me atingiu.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Combater a burocracia e a corrupção


No último verão, ouvi na TV um emigrante que estava de férias e que falou da sua vida da Austrália, onde é construtor civil. Tinha pensado regressar a Portugal mas ficou desiludido ao ver a burocracia, «empatocracia», que demora imenso tempo a obter uma licença, por mais simples que seja.


Lá, consegue-se a licença em menos de um mês, as obras decorrem sem paragens e são fiscalizadas com frequência havendo a máxima garantia de qualidade em todos os pormenores.

Cá realmente, aquilo que ele disse, veio agora a ser confirmado por MACÁRIO CORREIA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE FARO, como diz a notícia Macário ameaça chefias com despedimento em que se vê que «mandou abrir quatro processos disciplinares aos funcionários que "enrolam" as decisões, empatam e metem os documentos na gaveta e promete que não vai ficar por aqui.»

Disse que «detectou 3000 documentos pendentes, há cerca de dois anos» e que deparou «com quatro situações de escandalosa e manifesta incompetência - uma pessoa que vai quatro vezes à Loja do Cidadão para despachar uma certidão".

Merece ser divulgada esta acção moralizadora deste autarca. A burocracia gera corrupção, dá origem aos «robalos» oferecidos para abreviar um processo, o presente para retirar os papéis da gaveta onde esperavam essa atenção do interessado. Para que haja corrupção, convém manter a burocracia, que só traz benefício para o funcionário corrupto e grave inconveniente para a vida dos cidadãos, para a economia nacional. Por isso, tem que haver entidades honestas que acabem com as demoras desnecessárias dos processos, e actuem disciplinarmente sobre quem «enrolar» os papéis.

Bem haja Macário! Oxalá, o seu exemplo seja seguido por todos os organismos públicos. Os portugueses agradecem, sem ser preciso «robalos».

Imagem do Público

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carlos Costa pela ética


O Governador do Banco de Portugal”, Carlos Costa, afirmou, à margem de uma conferência sobre os 35 anos da Constituição da República Portuguesa que « é crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes».


Segundo a notícia, disse ainda que nos últimos 12 anos os governos não foram comedidos. Afirmou mesmo que não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso.

E referiu um ponto que tem sido muito citado por cidadãos mas esquecido pelos políticos, o de saber “Quantos organismos públicos existem. Quantos são os funcionários públicos e quais os respectivos regimes de vinculação? Qual o volume global das garantias conferidas pelo Estado? Quais os encargos futuros com os sistemas de pensões ou com as parcerias público-privadas?”. Isto faz recordar a lista de Dezenas de institutos públicos que podem ser extintos ou alvo de fusões.

Estas palavras dão uma elevada cotação à qualidade ética e responsável de Carlos Costa e representam uma inesquecível posição de um gestor público invulgar, por ser muito pouco frequente tal afirmação de seriedade. Efectivamente ninguém, honestamente, pode discordar que a Justiça deve ser aplicável a todos os cidadãos e não deve haver privilegiados imunes e impunes. E será melhor para os próprios e para o País que essa responsabilização ocorra com oportunidade e actualidade, a cada momento, do que esperar por acontecimentos do género do que está a ocorrer nos casos extremos dos ex-responsáveis da Tunísia e do Egipto e poderá acontecer no Iémene, na Líbia e na Síria.

Imagem do Google

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Homenagem a Hugo dos Santos- Poesia de Viçoso

Poema de Viçoso Caetano

Hugo tem H de Honrado,
De Homem, Honesto, Humano.
Dos Santos – Sacrificado,
Sensível, Simples, Soldado
- de porte palaciano,
quando uniformizado –
Em amizade o decano,
Por sempre a ter cultivado,
Cada dia, cada ano. 

Austero, Disciplinado,
Respeitador, Educado,
De carácter persistente,
Exigente, responsável,
Mas humilde e sempre amável,
Nascido p´ra ser alguém.

Breve, afronta o destino,
Tão cedo lhe rouba o Pai,
Quão cedo lhe rouba a Mãe.
Sofre, mas não perde o tino.

Depois segue o seu caminho,
Determinado e com fé.
Vence espinho após espinho,
Até chegar ao que é:
Senhor Tenente General,
Militar de corpo inteiro,
Infante de Portugal !

Os teus Amigos de infância,
Sempre em total consonância,
Deixam-te aqui um abraço,
Sou eu o seu porta voz.
E com que orgulho o faço !!...

Viçoso Caetano, O Poeta de Fornos de Algodres,Julho de 2010

NOTA: Como ficou escrito no post «À Memória do General Hugo Santos», ;«o Amigo Hugo Manuel Rodrigues dos Santos (17-07-1933 - 05-10-2010) deixou-nos há poucas horas mergulhados na dor de quem perde uma AMIGO, como há poucos, um HOMEM íntegro, honesto, leal, generoso, que orientava cada passo por uma inteligência esclarecida e orientada para o bem do seu semelhante, sem ambições, preconceitos nem exclusões. Até ao fim, procurou sempre ser discreto e sem ostentação, com uma conduta que concitava a admiração e o respeito de quantos com ele contactavam, que viam nele um HOMEM na verdadeira acepção da palavra».

À D. Maria Júlia e a todos os familiares e amigos apresento as mais sentidas condolências e ofereço o meu ombro amigo.

A. João Soares

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sabem que estão a «exagerar»

Gestores da REN ocultam salários

O presidente e os restantes administradores foram obrigados a fazer as declarações, mas solicitaram que as mesmas não fossem tornadas públicas.

Publicada por Manel em NRP CACINE.

Eles lá sabem porquê!!!
E a Justiça não actua?

Imagem do NRP Cacine

quinta-feira, 25 de março de 2010

A verdade fere más consciências


O Público de hoje traz a notícia do desaparecimento da câmara do processo de reconstrução de um prédio.

Para saber da localização do prédio e das pessoas e circunstâncias com ele relacionadas, faça clique aqui. O único comentário que faço é que se preste atenção às dúvidas e interrogações contidas no texto e que este assunto estranho vem mostrar o pouco respeito existente pela verdade e pelos valores éticos e cívicos referidos nos seguintes posts aqui colocados recentemente:
Valores éticos são pilares da sociedade, Ressuscitar os valores éticos, A Luz faz doer os olhos a alguns políticos, Falar verdade pode ser chocante, Nos EUA os políticos estão sujeitos à lei geral.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

«Novas Oportunidades» será isto???

Publicado em 2 de Julho de 2009 no blogue Do Miradouro.

Custa-me acreditar que isto seja mesmo assim. Será que, ao menos, o diploma terá expresso que as habilitações são uma farsa e nada têm a ver com as dos estudos normais? Como este texto da Drª Marta me chegou através de e-mails de pessoas que considero, publico-o, mas com dúvidas que espero ver esclarecidas pelos comentários que, certamente, surgirão.

Novas Oportunidades. A ignorância certificada
Marta Oliveira Santos

O país encontra‐se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da EU (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes”(agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério! ...

Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado ”mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 as 10.00 horas, horário pós‐laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º ciclo!!! Isso é que é difícil!

Na rua, no café, nos locais públicos em geral ouve‐se: “Ah! Agora, ando a estudar! Ando afazer o 9º ou 12º ano! Aquilo e porreiro, pá!”

Entretanto, há pessoas com quem contactamos no dia‐a‐dia, mais próximos de nós, o cabeleireiro, o sapateiro, a empregada doméstica, etc. que também nos confidenciam com ar feliz: “Agora, com esta idade, ando a estudar! Ando a fazer o 9º!” E nós, simpaticamente, sorrimos, abanamos a cabeça e dizemos que fazem bem, sempre é uma mais valia… contudo, numa dessas conversas, tentei descobrir que disciplinas constavam do curso, ficando a saber que eram Português, Matemática, Informática e Cidadania para o 9º ano; e indaguei ainda como eram as aulas e a avaliação final.

E fiquei atónita. Em Português o formando teria que escrever a história da sua vida e a razão por que se inscreveu no curso, sendo o texto corrigido aula a aula pela respectiva formadora; Matemática consistia em efectuar cálculos básicos e apresentar, por exemplo, a receita de um bolo e duplicá‐la; para Informática apercebi‐me que seria a apresentação do trabalho escrito e, posteriormente, quem quisesse apresentá‐lo‐ia em “powerpoint”; em Cidadania, os formandos apresentavam os diferentes resíduos e diziam em que contentor os deveriam colocar. A nível de Português ainda foi pedida a leitura de um livro e seu comentário, sendo a selecção ao critério do formando o que deu origem a autores “light”, nada de autores portugueses de renome; a acrescer a este comentário teriam também de fazer a apresentação crítica a um filme e a uma reportagem. Todos estes elementos seriam entregues num dossier, cuja capa ficaria ao critério de cada formando.

Três meses passaram num abrir e fechar de olhos, por isso um destes dias, enquanto aguardava a minha vez para ser atendida no consultório médico, fui brindada com o dossier do curso da recepcionista e respectivo certificado de 9º ano. Engoli em seco aquelas páginas recheadas de erros ortográficos e de construção frásica, desencadeamento de ideias e falta de coesão, (…), entremeados por bonitas fotografias; na II parte, umas contitas simples e duas tábuas de multiplicação; e em Cidadania, os contentores do lixo coloridos com a indicação dos resíduos que se põem lá dentro.

Em seguida, com um sorriso muito branco (nem o amarelo consegui!) e, como bem educada que sou, felicitei a dona do dossier cuja capa estava realmente bonita, original, revelando bastante criatividade e ouvi‐a alegre dizer: “A formadora disse‐me que tinha hipóteses de fazer o 12º ano. Logo que possa, vou fazer a minha inscrição!”

Fiquei estarrecida, sem palavras para lhe dizer o que quer que fosse. “As Novas Oportunidades” são isto? Está a gastar‐se tanto dinheiro para passar certificados de ignorância? Será que todos os formadores serão iguais a estes? E o 9º ano e escrever umas tretas e ler um Nicholas Sparks e um artigo da revista “Simplesmente Maria”? E o 12º ano será a mesma coisa (queria dizer chachada) acrescida de uma língua?

Continuando assim o país a tapar o sol com a peneira, teremos em poucos anos a ignorância certificada!

Marta Oliveira Santos – Licenciatura em Filologia Românica; colaboradora de várias publicações

domingo, 16 de agosto de 2009

Inacreditável. 060508

(Publicada no Público em 8 de Maio de 2006, p. 5)

A minha credulidade é ocasionalmente origem de situações inexplicáveis. Neste momento custa-me acreditar numa notícia que encontrei nos jornais. É inacreditável que na lista de assinaturas apresentada pela candidatura de um militante de um partido com vocação a ser governo tivesse, entre 800 novas assinaturas de militantes, algumas dezenas falsas, uma de militante já falecido e outra de militante que declarara na ficha de inscrição que não sabe assinar. O candidato a líder do partido, se fosse eleito, viria a ser, a breve prazo, candidato a primeiro-ministro. É inacreditável que isto aconteça com gente que era suposto ser séria. Na minha habitual boa-fé, não me custa admitir que o beneficiário dessa ilegalidade não conhecesse a «falcatrua» dos seus «amigos» que certamente a cometeram com intenção de prejudicar o outro candidato, mas que acabaram por enredar numa situação incrível o amigo. Com amigos destes não precisa de ter inimigos.

No meio desta espantosa desonestidade, aparece um facto digno de elogio, mesmo que tenha sido fruto de uma circunstância casual, o de o Conselho de Jurisdição ter detectado a fraude, através de um exame cuidadoso das assinaturas.

Perante casos como este, quem deve estar chocado é o ex-Presidente da República Jorge Sampaio que mostrou empenho em acabar com a campanha anti-política. Talvez ele pensasse que essa campanha era fruto de animosidade de cidadãos comuns, mas na realidade quem alimenta a fogueira da anti-política são os próprios políticos que, na sua ânsia de poder, na sua ambição desmedida, não olham a meios e cometem baixezas que não dignificam nada nem ninguém. Já se ouve dizer que temos maus políticos porque as pessoas de valor não querem ver o seu nome misturado com o daqueles. E, de forma mais acutilante, há quem diga que, salvo raras excepções, Portugal não é um País de gente séria, a começar por muitos políticos. Podemos não alinhar nestas maledicências, mas o certo é que não é fácil encontrar argumentos para as rebater. Os factos falam por si.