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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

EMPATIA OU CONIVÊNCIA


A notícia «Catarina Martins diz haver "uma aliança de dois falhados", referindo-se a Passos e Durão» faz meditar sobre alguns aspectos dos noticiários recentes. Não admira que Passos dê a sua preferência a Durão. Nos bandos, grupos, lojas ou clubes, juntam-se os cúmplices e coniventes, em que as cumplicidades e as trocas de favores marcam presença. Diz-me com quem andas (ou com queres andar) e dir-te-ei as manhas que tens. Passos definiu as suas afeições na constituição do governo e seus retoques e na sua moção. Mas parece que Durão não está muito interessado no País que ele deixou de tanga e agora está completamente nu. Mas a falada «aliança de dois falhados» a que se refere Catarina Martins é bem significativa.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

QUAL O PERFIL IDEAL DE UM MINISTRO?


As recentes nomeações de ministros levantaram críticas de ordem diversa, sem ter havido conclusões consensuais. Talvez seja a crise a agudizar desentendidos e a acirrar a luta de interesses e as divergências de pontos de vista.

De entre o muito que tem saltado dispersamente para o domínio público, tem interesse analisar os artigos de Henrique Monteiro no Expresso e de Fernando Santos no Jornal de Notícias. Por um lado são referidas as capacidades técnicas e qualificações académicas e científicas que fazem supor eficiência na análise dos problemas a resolver e na sequente escolha de soluções. Porém, o alto nível de tais conceitos teóricos levanta o receio de desconhecimento das realidades em que os cidadãos vivem e das dificuldades práticas com que se debatem no dia-a-dia.

O ideal seria a conciliação entre saber e o método científicos e o conhecimento do país real e a experiência de vida profissional. Com efeito, não pode desprezar-se a experiência obtida com o picar o ponto numa fábrica às oito ou oito e meia da manhã, o respirar o ambiente de uma unidade de produção, a sujeição à estrutura hierárquica de uma empresa; o conhecimento do custo de artigos de primeira necessidade e ter estado com, paciência ou desconforto, na fila para apanhar um transporte colectivo. Esta tarimba daria mais capacidade para dialogar com os «parceiros sociais» e decidir mais correctamente com vista à melhoria do bem comum e da maior eficiência da economia.

Por outro lado, surgem dentro dos partidos os discordantes da nomeação de «sábios» sem «experiência política», isto é, com conhecimentos muito acima da quase nulidade da maior parte dos «boys», mas sem «sensibilidade» para os interesses característicos dos camaradas que esperam o momento para uma nomeação ou para uma negociata rendosa, sem o saber dos equilíbrios das ambições nos jogos das autárquicas, ponto de partida para carreiras que permitem o tráfico de influências e do enriquecimento ilícito, teimosamente ignorado pela legislação em que a Justiça se baseia. Nestas alergias não tem lugar a consideração pelo conhecimento dos dossiês nem pela vocação para a defesa dedicada dos verdadeiros interesses do país.

São também abrangidos pelas críticas, os afectos algum dia confessados por correntes partidárias menos favoráveis ao actual líder, o que sobrepõe a cumplicidade e a conivência pessoal à independência honesta de análise de aspectos dos problemas nacionais.

E para terminar, transcreve-se as últimas frases do texto de Henrique Monteiro:: «Em cada eleitorado aparelhístico há uma pequena Coreia do Norte que ama o seu grande líder. Esta gente, estas autênticas quadrilhas têm um papel mais pernicioso na política actual que a corte tinha nas monarquias absolutas. Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga.»

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domingo, 16 de agosto de 2009

Disciplina ou conivência. 060808

(Publicada em O Diabo em 8 de Agosto de 2006, p. 22)

Os jornais de 29 de Julho davam notícia do discurso do MAI aos novos agentes da PSP e da perseguição a dirigentes sindicalistas desta corporação. A parte do discurso mais salientada refere a necessidade de disciplina. Com efeito, o MAI tem toda a razão para enfatizar a importância da disciplina, por não haver instituição ou equipa onde ela possa ser ignorada. Porém, não se pode interpretar esta virtude como sendo o dever de obediência cega a um chefe, porque se este estiver a aplicar erradamente o regulamento da instituição, a disciplina poderá passar a ser conivência, conluio ou cumplicidade. Também, qualquer instituição, para não se desviar do seu objectivo fundamental, estiolar e ficar inoperante, precisa de se aperfeiçoar, de se adaptar às novas circunstâncias, para o que precisa do espírito crítico e das sugestões de todos e de cada um dos seus elementos. Há aspectos que só podem ser perfeitamente conhecidos e aperfeiçoados pelos agentes que estão no terreno, no campo da realidade. Isto significa que deve ser dado a cada um o direito, mesmo o dever, de criticar e sugerir.

Ora, a associação da presença do sindicalista fora do portão com o apelo à disciplina feito pelo Ministro, conduz à dedução de que esta é entendida como uma mordaça que impede os agentes de raciocinar sobre os variados factores que condicionam a sua actuação. Convém, pois, não esquecer que a obediência a ordens não iliba os agentes da sua responsabilidade por cada um dos seus actos, como tem sido visto em julgamentos de crimes de guerra ou contra a humanidade, em que as ordens superiores não retiram a responsabilidade ao agente. Já não se usa obediência cega, nem conivência, nem cumplicidade numa instituição séria e eficiente, mas exige-se que os seus elementos estejam devidamente esclarecidos para actuarem em convergência para uma finalidade comum. Perseguir sindicalistas evidencia incapacidade de dialogar, de argumentar e de esclarecer sobre os bons princípios e as normas legais e honestas. Há que evitar o uso da mordaça.