domingo, 6 de novembro de 2011

Redistribuição da riqueza

Enfrentar a crise. Procurar soluções

É corrente a afirmação de que os políticos só decidem depois de serem pressionados e, por isso, sucedem-se manifestações de toda a ordem em todos os sectores nacionais, pelas mais variadas razões. Agora na Grã Bretanha, Jovens desempregados caminharam 450 quilómetros para pedir emprego. Não utilizaram a expressão «para oferecer trabalho», mas o simples facto de dezenas de jovens desempregados se organizarem para chamar atenção para o seu problema já pode ter efeitos positivos, como o de os levar a concluir que não podem ficar á espera que outros adivinhem os seus problemas e lhes levem a casa a solução para as suas necessidades. Sem organização, sem efeito de massa nenhuma manifestação terá o êxito desejado. Outro resultado desejável desta iniciativa deveria ser a tomada de consciência de que a solução terá de partir deles de forma mais activa, com imaginação, criatividade, sentido das realidades e coragem para iniciar uma actividade que possa ser útil à sociedade e trazer-lhes uma remuneração adequada.

Em Sair da crise. 4 vectores, lê-se que o economista professor universitário João César das Neves dá quatro conselhos: Deixar-se de queixas, deixar-se de acusações, deixar-se de fantasias, enfrentar a crise. Com efeito, a crise é oportunidade e desafio.

Os jovens chineses, estão a adaptar as suas actividades à situação de crise, como se vê na notícia O novo negócio dos chineses em Portugal. Nada é definitivo na vida moderna e é preciso estar atento, analisar a situação e os sinais de mudança nas sociedades para fazer opções correctas e oportunas. Como a crise se traduz em menos despesas nas roupas, as lojas dos 300 estão a reconverter-se em lojas de frutas e legumes produtos que as pessoas não podem dispensar para a alimentação.

Certamente que, se os nossos jovens agissem com a mesma perspicácia destes chineses, encontrariam forma de se juntarem e revitalizarem actividades proveitosas e com capacidade de exportação e que têm sido desprezadas, como, por exemplo, as olarias nas zonas tradicionais dos bons barros, a tapeçaria de Arraiolos, os bordados, etc. Outras actividades internas, como pequenas empresas de reparações domésticas que se esmerem na rapidez e na perfeição, ou trabalhos de reordenamento e manutenção florestal, ou trabalhos agrícolas ou pecuários visando produtos especiais de mais procura no mercado. Há exemplos de êxito de jovens que já encararam estas soluções.

Dos quatro vectores atrás citados, deve sublinhar-se o quarto. É preciso enfrentar a crise. Os chineses estão a fazê-lo no nosso bairro.

Imagem do DN

sábado, 5 de novembro de 2011

Gestos de náufragos

Parece que, apesar da crise, o bom senso, o realismo, a inteligência serena não entrou nos comportamentos de todos os responsáveis políticos e autárquicos. Deparamos, a cada momento, com notícias chocantes mostrando que muitos estão inteiramente desorientados a esbracejar descontroladamente à procura de tábua de salvação, sem a mínima lógica e coerência, como náufragos em desespero sem calma, nem coerência.

Quando por um lado o governo parece pretender aumentar o número de horas de trabalho semanal nas actividades económicas, aparece a notícia de que a Câmara de Lisboa estuda corte de um dia de trabalho por semana. Só pode interpretar-se como um forte desejo de dar dinheiro aos estudiosos amigos que irão fazer tal estudo.

Será que os serviços municipais têm todas as tarefas em dia, sem processos em atraso e que o pessoal passa o dia a coçar-se por não ter que fazer? Será que não há pedidos de licença por despachar, após 30 dias da data de entrada? Será que não há problemas por resolver em benefício de quem vive ou trabalha no Concelho? Será que já completaram a lista dos inquilinos do município? Será que a sinalização rodoviária e de outros interesses em locais públicos está devidamente ordenada de forma a ser útil e prática a quem dela necessita? Será que o aspecto urbanístico e o estado de conservação dos edifícios está impecável? etc., etc.

É pena que, em vez de serem pensadas as tarefas e a eficiência com que são efectuadas em benefício dos munícipes, se pense apenas nos euros e segundo os piores métodos.

Mas felizmente, nem todos agem como náufragos como se vê na notícia, de 3 de Maio último, Macário ameaça chefias com despedimento, em que eram referidas medidas de controlo da actividade dos serviços camarários no sentido de combater a burocracia e a corrupção.

Parece que Macário está mais próximo da solução correcta do que Costa. Interessa reduzir a burocracia ao mínimo indispensável, servindo as pessoas com o máximo de eficiência e, depois, ao verificar-se que a estrutura administrativa tem demasiadas gorduras, haverá que reestruturar no sentido da simplicidade e facilidade de atendimento das necessidades da vida económica cultural, social, etc.

Se for verificado que o trabalho feito por 400 trabalhadores em 5 dias de oito horas, pode ser feito em 4 dias de oito horas, reduza-se o efectivo para 320 trabalhadores, que serão suficientes, segundo diz a aritmética mais basilar.

Mas se esse pessoal tiver tarefas melhor definidas e bem controladas, sem gorduras burocráticas, poderá ser reduzido substancialmente, e de uma forma mais inteligente diminuirá os gastos do município , objectivo confessado segundo a notícia.

Imagem de arquivo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estratégia de empobrecimento ???

Embora seja admissível que as palavras do secretário-geral da CGTP possam enfermar dos exageros inerentes à luta política, elas devem ser objecto de meditação para analisar a sua sintonia com as realidades presentes e onde poderá começar a virtualidade da politica.

Tem, por isso interesse a leitura da seguinte notícia:

Governo defende "estratégia criminosa" de empobrecimento, diz Carvalho da Silva
Jornal de Notícias. 03-11-2011. 13h05m

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, criticou, esta quinta-feira, o Governo por defender uma estratégia de empobrecimento da sociedade portuguesa, classificando-a de "criminosa".

"O Governo assumiu como estratégia a necessidade do empobrecimento da sociedade portuguesa e isto é criminoso. Nós dizemos que está por demonstrar, nas sociedades humanas, que alguém possa cumprir com as suas obrigações [compromissos e dívidas] empobrecendo", justificou o líder sindical num fórum de debate, em Lisboa.

Carvalho da Silva, que falava no Encontro sobre o Estado, Administração Pública e Direitos Sociais, organizado pela CGTP, realçou que "o empobrecimento não melhora a vida" dos portugueses.

O líder da central sindical garantiu que, actualmente, Portugal está confrontado com "políticas de retrocesso social", as quais classificou de "muito perigosas".

As políticas seguidas pelo governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho estão a pôr em causa "o princípio da universalidade, da solidariedade e da coesão social", justificou.

"Andam-nos a dizer que devemos empobrecer, sem discutirmos instrumentos importantes como são o Estado e Administração Pública. Vivemos numa situação muito delicada em que é preciso termos consciência real das coisas, mas o máximo que se pode exigir é tomarmos consciência do patamar em que estamos e não agravarmos a solução", avisou.

A partir daqui, "é [fundamental] buscar soluções económicas, políticas e sociais para sair do buraco e nunca aprofundar o buraco", sublinhou.

Carvalho da Silva alertou também para o facto de o Governo estar a "aprofundar as desigualdades". "Ao alterarem as estruturas, os papeis do Estado e deslocarem meios e funções querem levar o dinheiro para os interesses privados, logo vai faltar ao nível dos direitos sociais", concluiu.

O líder da central sindical criticou ainda a "espiral regressiva" a que se está a assistir em Portugal, nomeadamente, na Segurança Social e na Saúde, situação que vai obrigar a que haja "um grande empenho" por parte de todos os trabalhadores na adesão à greve geral de 24 de Novembro, uma acção de luta contra a exploração e a retirada dos direitos sociais.

Imagem do JN

A utopia serve para caminhar

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Controlo reduz burocracia e corrupção


Não tem sido raro ouvir os governantes prometer uma coisa e praticar algo muito diferente e, por vezes, contraditório, voltar a trás em decisões tomadas pouco antes, alterar legislação, etc A principal causa pode residir em a decisão não ter sido devidamente preparada segundo a metodologia referida em [1] ou outra mais ou menos pormenorizada.

Entretanto, para que as decisões nasçam mais adequadas ás necessidades dos cidadãos e resultem mais eficazes e duradouras, o Conselho de Estado apela ao diálogo construtivo ([2] e [3]) e fala-se em novos mecanismos de participação democrática [4]. Tudo isto é importante e fundamental, mas há que combater a burocracia que, além de criar condições para o aumento de actos de corrupção, origina custos elevados em perda de tempo inactividade de património, desencorajamento de investidores, etc.

Muito tem aqui sido referido à Burocracia (de [5] a [10]) e ela pode ser muito reduzida através de um controlo sistemático nas actividades administrativas que, além do combate a esta peste, facilita avaliação do desempenho e a utilização de bons métodos de preparação das decisões. A simplicidade assenta no seguinte: cada processo tem um responsável central que o manipula do princípio ao fim e cada processo tem uma ficha onde são inscritos todos os procedimentos, desde consultas (diálogo) por escrito ou pessoalmente, pareceres e conselhos recebidos, etc. Em qualquer momento, o responsável está em condições de responder pela situação do assunto e pelos passos dados, e suas demoras, que justificam não haver ainda um despacho final.

Com um tal controlo, simples e sem custos relevantes, evita-se, por exemplo, que uma licença para retoques numa fachada de prédio demore anos para a ser autorizada.

Eis uma lista de links uns directamente relacionados com o texto e outros com ligações menos directas:
[1] Pensar antes de decidir
[2] Conselho de Estado apela a “diálogo construtivo”
[3] Diálogo construtivo
[4] Novos mecanismos de participação democrática
[5] Burocracia nacional
[6] Burocracia sem nexo
[7] Mau uso da burocracia
[8] Obsessão da burocracia
[9] Burocracia, «empatocracia» e ...
[10] Burocracia ou empatocracia?
[11] Combater a burocracia e a corrupção
[12] CORRUPÇÃO. A PONTA DO ICEBERG?
[13] Gestão descuidada do dinheiro público
[14] «Sábios» nocivos aos países e ao Mundo
[15] Brasil combate a corrupção
[16] Corte do 13º e do 14º salários ou imposto?
[17] Equidade fiscal é imposição ética
[18] Qual o Futuro de Portugal ?
[19] Compreender o presente e preparar o futuro
[20] Portugal está a ficar um antro de vilões
[21] Revoluções e golpes batem na rocha...
[22] Controlo, denúncia e justiça são indispensáveis
[23] Preciso da candeia de Diógenes
[24] G20 pressiona a Europa
[25] O que se pode e deve CORTAR...
[26] Políticos e a sua legalidade!!!

Imagem do Google