quinta-feira, 5 de abril de 2012

Verdade e transparência ???!!!

Acerca da data da normalização dos subsídios de férias e de Natal, os governantes que usam e abusam do verbo «garantir», não treinaram as informações que pretendiam difundir e, com poucas horas de intervalo, houve discordância entre as afirmações de Gaspar e as de Passos.

Mas daquilo que Passos disse ficou «transparente» a sua intenção de mistificar a distribuição dos subsídios nos salários e pensões mensais e no aumento destes valores para fazer face à inflação. Isso ficou claro nas imediatas reacções de António José Seguro, de Heloísa Apolónio, de Jerónimo de Sousa e de João Semedo, por ordem alfabética.

Já que os governantes gostam de falar e de se guiar pelos números, esquecendo muitas vezes as pessoas, vejamos o que os números dizem: A distribuição mensal dos subsídios juntando-os ao salário ou pensão resulta, só por si, em estes virem acrescidos de 16,67%, isto é, mesmo sem aumento de salário, este se fosse de 100,00 passaria a ser 116,67. Para haver um aumento de salário de 3,33%, o que não seria muito para quem tem vindo a perder poder de compra com vários anos de austeridade, o Governo em ano de eleições poderá deixar-se cair na tentação de fazer propaganda de que venceu a crise e consegue aumentar de 20% os salários e as pensões!!!

Estejamos atentos que até 16,67% não é aumento, mas apenas o duodécimo dos nossos subsídios!!!. Esta é a transparência da aritmética, é a verdade das contas, não é, Sr ministro das Finanças e Sr Primeiro-minstro? Usar estes números como aumento de salário será esperteza saloia ou falsidade.

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Manuel Alegre, homem de carácter

Há pouco mais de uma semana publiquei o post Dispersão ou convergência para vencer a crise ??? que se referia a uma atitude de deputado socialista que incitava à dispersão de esforços a nível nacional, apesar da crise que exige convergência de todas as energias para encontrar a melhor estratégia de ultrapassar a austeridade e recuperar o esforço de desenvolvimento e de criação de melhores condições de vida para a maioria dos portugueses.

Agora são de realçar as palavras do hisórico socialista, ex-candidato a Presidente da República e membro do Conselho de Estado que, perante a perspectiva de desagregação do grupo parlamentar e de outras instituições da estrutura directiva do seu partido, levanta a sua voz autorizada para «fazer um apelo à unidade e à serenidade interna no PS, dizendo que os socialistas não têm problemas de liderança». Sublinha que «não há qualquer problema de liderança no PS e é preciso unidade na diversidade e é preciso um PS unido e forte».

Num momento em que todos seremos poucos para levantar a imagem de Portugal, há que esquecer rivalidades partidárias e realçar atitudes, como esta, de bom senso e carácter patriótico. Portugal precisa de partidos bem organizados e coesos para melhor defenderem o futuro dos portugueses.

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terça-feira, 3 de abril de 2012

O Amigo António contacta pessoas interessantes

Há muito tempo que não refiro aqui uma conversa com o amigo António, mas não posso deixar passar esta sobre as impressões que me relatou acerca do Sábado mais recente.

A mulher exaltou-se por coisa de menor importância, como vem sendo costume no seu crescente mau feitio, e disse-lhe para ir almoçar sozinho onde quisesse. Saiu um pouco hesitante quanto à tasca onde iria mitigar a sua parca necessidade de alimento. Acabou por passar à porta de uma tasca já sua conhecida para ver o cartaz dependurado ao lado da porta e, por coincidência, o tasqueiro estava à porta, cumprimentou-o muito afável, de mão estendida e o António ficou sem qualquer hipótese de continuar a sondagem para escolha do local de almoço. Entrou.

Loja vazia deu lugar a confidência e o Amigo António ficou a saber que o alentejano já não ia ao médico havia meia dúzia de anos mas foi há dias levado de urgência à clínica, teve de fazer diversas análises e foi-lhe recomendado comer 4 ou 5 vezes por dia, e pouco de cada vez. A mola que o fez alterar os hábitos resultou de nesse dia se ter esquecido de tomar o pequeno-almoço e nada ter comido até ao almoço, altura em que abusou da quantidade para satisfazer a fome que sentia. Acabou por desmaiar e, como não estava ninguém foi acordado pela mulher que ao chegar o encontrou no chão por detrás do balcão. Não sabe quanto tempo esteve assim, mas as dores posteriores disseram-lhe que bateu com a cabeça e com a anca. Há azares que servem de alerta e de lição e este tornou a vítima num homem cauteloso com a alimentação e com o controlo regular do estado de saúde.

Mas o António, além deste contacto, teve a seguir o dos vizinhos que vieram sentar-se na mesa mais próxima que também comeram bacalhau cozido com batata e grelos. Eram estrangeiros, com um idioma desconhecido do António Começou a haver um relacionamento amistoso, quando antes de bebericarem o seu vinho tinto, levantavam o copo um para o outro e faziam um gesto de «saúde» para o vizinho.

Eram russos, relativamente jovens e o mais novo sabia português, servia de intérprete ao outro que tratava com deferência. A dada altura conversavam sobre os grelos, o mais novo explicava qualquer coisa que fez o outro rir com gosto e, depois, disse ao António que esteve a explicar ao amigo que em Portugal grelo tem ainda outro significado.

O António puxou do seu saber e disse-lhe que grelo está relacionado com a procriação, a reprodução, como se pode ver no grelo da batata, no dos alhos, no das cebokas, etc. Do «etc» já eles tinham estado a falar e voltaram a rir.

Enfim, o sábado estava a decorrer bem quanto a contactos pessoais, e não ficou por aí.
Na volta que a seguir deu pela parte central da Vila, antes de regressar a casa, passou pelo largo (jardim) com a tradicional feira semanal de antiguidades, artesanato e outras coisas e parou junto de um vendedor de mel que perante um casal com duas meninas estava a explicar à mais crescida as virtualidades do mel e do pólen e os pormenores da apicultura, para o que utilizava uma pequena colmeia, com todos os seus componentes. O António grudou-se a aprender coisas novas e, depois de os clientes partirem, disse ao Sr Eurico que não estava ali para comprar, mas gostou de o ouvir, na sua explicação didáctica. O apicultor disse que para ele é um prazer transmitir o que sabe e difundir conhecimentos sobre os produtos naturais bons para a saúde. Quanto à notícia de que as abelhas estão a desparecer referiu a ignorância de grande parte dos agricultores e a consequente falta de cuidado no uso e abuso de pesticidas, insecticidas, fertilizantes, rações industriais, etc.

Segundo ele, a ganância e a pressa de colher o produto vendável, levam a exageros nocivos quer na produção de vegetais, quer na criação de porcos, aves e outros animais. Sublinhava que , noutros tempos, a agricultura era naturalmente biológica, mas hoje, por mais esforço que se faça para regressar a semelhante pureza ecológica, pouco se consegue, até porque se consome muito mais carne do que em tempos antigos em que nas aldeias mais afastadas dos grandes centros urbanos, só as famílias mais remediadas matavam um porco por ano, pelo Natal, cuja carne era consumida pelo ano adiante, sendo conservada na salgadeira.

Esta conversa condimentada com pormenores familiares do sr Eurico, sobre condições de trabalho na terra da sua naturalidade, Bendita, no Concelho de Caldas da Rainha e na actual residência numa quinta próxima da Serra de Sintra.

O António sentia grande prazer em descrever com pormenor estas enriquecedoras experiências de Sábado, foi com muito gosto que o estive a ouvir e a estimular a conversa com perguntas de curioso e, por isso, não quis perder esta oportunidade de aqui trazer estes factos como um oásis no deserto da vida moderna em que se vive distante dos casos reais que acabam por ser desconhecidos da maior parte dos nossos jovens. Certamente que o António vai ficar agradado por eu aqui colocar este referência à sua conversa, o que já não acontecia desde há mais de um ano.

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Marcelo bate com o martelo nos dedos !!!

Li há tempos que as conversas têm três níveis, o dos conceitos e ideias, o dos factos e o das pessoas, mexericos ou intriguices. Marcelo Rebelo de Sousa, desceu do seu pedestal de catedrático para ser populista e tem deitado mão a temas do nível mais baixo, acabando por vezes a dar tiros no pé ou em vez de bater com o martelo no prego bate nos dedos.

Já há tempos, para defender o amigo Cavaco, enterrou-o afirmando que ele disse algo que não queria dizer, o mesmo que lhe chamar orate. Agora alinha em estilo já usado por José Lello em sentido contrário aos conselhos sensatos de António Costa que diz que políticos devem concentrar-se nos problemas do país e não em questões partidárias, e acusa Seguro de ter dado “golpaça” no PS.

Se com isto queria lesar Seguro ou o PS, obteve resultado contrário como quando quis defender o seu amigo Cavaco e, em vez de desfazer o PS como parecia pretender, acabou por o unir e não tardaram as reações de vários sectores do partido:
- Líderes distritais criticam Marcelo, Miguel Freitas defende saída do Conselho de Estado
- PS acusa Marcelo de faltar à verdade três vezes
- António Galamba acusa Marcelo de mentir
- Zorrinho fala em “ataque de carácter” a Seguro e o próprio António José Seguro falou de forma bem clara:
- Seguro acusa Marcelo de “ataque vil e miserável”

Foi realmente uma táctica errada. E a única coisa que, de momento, parece ser aconselhável ao professor doutor é que deve passar a pensar antes de falar e procurar expor ideias com sentido de Estado que criem nos portugueses esperança e confiança e os estimulem a unir esforços para tirar Portugal da crise em que foi metido por inabilidade dos políticos mexeriqueiros.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ortográfico

Transcrevo o artigo seguinte porque senti o mesmo abuso de algum poder menos democrático, que alterou o corrector do Word no meu computador.

A conspiração ortográfica
Jornal de Notícias. o2-o4-2012. Publicado às 00.00. Por Manuel António Pina

Ainda não vi ninguém queixar-se (e, que diabo!, não acredito que seja só eu o eleito e o escolhido): fui atacado por um "hacker" anónimo ao serviço da Kultura e do dr. Malaca Casteleiro e, em silêncio, sem aviso, o meu Word adoptou o celerado Acordo Ortográfico. Mesmo agora acaba de sublinhar a vermelho a palavra "adoptou" (e voltou a fazê-lo!)

Não tenho conhecimentos de informática nem tempo para tentar desactivar (outra vez!) no corrector (de novo!) ortográfico o cavalo de Troia nele alojado não sei por que sinistro Torquemada linguístico, e irrita-me saber que alguém vigia o modo como escrevo pois, a seguir a isso, há-de vir também a vigilância sobre aquilo que escrevo. (O biltre sublinhou o "há-de" a vermelho; só falta notificar-me, como nas cartas de condução, de que já cometi x ou y infracções (outra vez!) ortográficas graves e de que ficarei impedido de escrever durante um mês ou, sabe-se lá, para sempre). Que fazer? A quem pedir satisfações? Ao Windows Update? Ao dr. Miguel Relvas? Ao SIS? À Loja Mozart?

Por que obscura porta se terá infiltrado a Coisa no meu computador? Poderá entrar igualmente pela minha consciência e pela minha vontade dentro, censurando a vermelho o que penso e o que quero como censura o que escrevo? Já pensei voltar a escrever à mão, mas temo que até esferográficas e lápis tenham já sido programados pelo dr. Casteleiro para não me deixarem escrever consoantes mudas.

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