domingo, 8 de maio de 2011

Facetas do poliedro nacional


A vida nacional está confusa, constituindo um poliedro irregular com múltiplas faces todas diferentes, eivadas de interesses próprios de cada facção, embora entre elas haja pontos comuns.



Vale a pena ver as seguintes notícias que referem afirmações de pessoas notáveis na vida nacional, por pensarem e saberem emitir as suas opiniões, sobre as diversas situações nacionais:

BE e PSD excluem coligação com PS de Sócrates:

BE e MRPP motram muitos receios acerca da intervenção da «troika»:

No entanto, apesar destas opiniões de pessoas que pensam, surgem, ocasionalmente, os anónimos ao serviço de alguém como o caso dos Comentários de anónimo Leandro-Bernardo. Vale a pena ler até ao último comentário deste «senhor» para ver até onde chega o amor ao «querido líder».

Como estamos em vésperas de eleições, há que estar com atenção aos pequenos sinais e reflectir sobre o contributo lógico, racional e patriótico, a dar no acto de votar.

Imagem do JN

sábado, 7 de maio de 2011

A crise e seus autores




Quem topa bem o truão, é D. Manuel Martins, antigo bispo de Setúbal. Disse ele, numa entrevista à Antena 1:

«Vejo esta crise com muita apreensão, com muito desgosto, com alguma vergonha. Estou convicto que esta crise era evitável se à frente do país estivessem pessoas competentes, isentas, pessoas que não se considerassem responsáveis por clubes, mas que se considerassem responsáveis por todo um povo, cuja sorte depende muito deles. E eu fico muito irritado quando, por parte desses senhores, que nós escolhemos e a quem pagamos generosamente, vejo justificar que esta crise impensável por que estamos a passar, é resultante de uma crise mundial. Há pontas de verdade nesta justificação. Esta crise, embora agravada por situações internacionais, é uma crise que já podia ter sido debelado por nós há muito tempo, se nós não andássemos a estragar o dinheiro que precisávamos para o pão de cada dia», acrescentando que o povo português, que estava numa situação de desgosto, de medo, de gente perdida, está agora a deixar criar dentro de si um sentimento de raiva muito perigoso".

Para D. Manuel Martins, «estas situações, da maneira como estão a ser agravadas e, sobretudo, da maneira como estão a ser mal resolvidas, podem ser focos muito perigosos de um incêndio que em qualquer momento pode surgir e conduzir a uma confrontação e a uma desobediência civil generalizadas».

Sem papas na língua, continuou: «Mete-me uma raiva especial quando vejo o governo a justificar as suas políticas e as suas preocupações de manter e conservar e valorizar o estado social do país. Pois se há alguém que esteja a destruir o estado social do país, é o governo, com o que se passa a nível da saúde, a nível da educação, a nível da vida das famílias, dos impostos, dos remédios, mas que tem só atingido as pessoas menos capazes, enfim as pessoas que andam no chão, as pessoas que estão cada vez com mais dificuldades em viverem o dia-a-dia, precisamente por causa destas medidas do governo».

Depois, D. Manuel Martins ainda quis tocar numa das maiores chagas da governação socialista. «A política é uma arte nobre, mas o que nós vemos é a política depois incarnada em determinadas pessoas, cujo interesse é promoverem-se, e promoverem os parentes, e os amigos, e os parentes dos parentes, e os parentes dos amigos».

Caramba! Depois disto, se eu fosse socialista e tivesse um pingo de inteligência e vergonha na cara, nunca mais queria ouvir falar em Sócrates nem no Partido Socialista.

Publicada por Luis em Sempre Jovens

Truão: bobo, chocarreiro, palhaço, saltimbanco

Portugal informa os finlandeses

quarta-feira, 4 de maio de 2011

SNS igual para todos para ter qualidade

Transcrição de artigo recebido por e-mail de pessoa amiga:

Ainda há coisas que se podem fazer

Público. 03-05-2011. Por José Vítor Malheiros

A ideia populista de que os ricos devem ser penalizados pelo uso do SNS (Serviço Nacional de Saúde) é o primeiro passo para a sua destruição.

Não vivemos um normal tempo de crise onde sabemos que a normalidade irá acabar por regressar como o bom tempo depois de uma tempestade. Esta não é uma crise de onde sabemos que sairemos mais fortes porque teremos sobrevivido e porque teremos aprendido a não repetir os últimos erro. Esta é uma crise onde não só não sabemos para onde vamos como também não sabe-mos para onde poderíamos ir. Esta é uma crise da qual ninguém sabe como sairemos nem sequer se sairemos dela. Esta não é a crise que se vai transformar na finest hourda União Europeia como desejávamos mas aquela onde os agiotas reunidos em Londres e em Frankfurt tentam proceder à última fase da lobotomia da civilização apagando o Estado Social dos programas eleitorais de todos os partidos. Uma questão de realismo, dizem. Vocês não têm dinheiro para isso sussurram-nos ao ouvido. Nós faremos um melhor serviço a gerir os vossos hospitais, as vossas reformas, os vossos exércitos, as vossas prisões os vossos partidos.

Esta crise não é uma batalha perdida, mas uma guerra perdida, onde a única possibilidade é reagrupar as forças no exílio organizar a resistência clandestina e prepararmo-nos para um longo combate.

Esta crise é o tempo de todos os charlatães e de todas as mentiras porque haverá sempre algo mais a extorquir dos contribuintes que se deixarão expoliar voluntariamente.

Porque alguém lhes disse que isso era inevitável. Porque alguém lhes disse que a política era um luxo impossível que só a economia deve tomar decisões sobre as nossas vidas que só a desumanidade garante a eficiência e que a desigualdade é a única justiça e a igualdade uma injustiça. Orwell ficaria boquiaberto com a sua presciência.

Mas neste momento em que não sabemos o que pensar, o que propor, há ainda coisas fundamentais que podemos fazer. Como defender o Serviço Nacional de Saúde, com unhas e dentes, por exemplo, sem aceitar os argumentos das empresas (e dos seus partidos), que acham que este é um negócio tão ruinoso para o Estado… que preferem ser elas a fornecê-lo.

Numa entrevista recente ao “Público” o líder social-democrata Miguel Relvas defendeu que a filha do homem mais rico de Portugal não pode pagar nove euros por uma consulta num hospital público pagando o mesmo que a filha de um desempregado. Não é justo dizia.

Vale a pena reflectir na proposta.

Antes de mais, o sistema é justo porque a família mais rica de Portugal já paga muito mais do que a família do desempregado para o SNS: paga através dos seus impostos (ou pagaria se todos os partidos quisessem). Por outro lado, se uma taxa moderadora progressiva desincentivar os mais ricos a aceder ao SNS e a escolher serviços privados, o SNS transformar-se-á no “serviço dos pobres”, abrindo a porta a todos os ataques à sua manutenção e melhoria (menos utilizadores, menor pressão social para a sua melhoria, utilizadores mais facilmente silenciados, etc.). De facto, se se pretende um serviço de saúde de qualidade, é fundamental que ele sirva todos em condições de igualdade, ricos e pobres sem distinção. Só desta forma toda a sociedade se empenhará, colectivamente, na sua defesa.

A ideia populista (aparentemente socialista mas de facto profundamente reaccionária) de que os ricos devem ser penalizados pelo seu uso dos serviços públicos é o primeiro passo para a destruição desses serviços públicos e para reforçar uma saúde (uma educação, uma…) a duas velocidades: uma privada, de qualidade; uma pública de subsistência. Os ricos devem ser tratados exactamente como os pobres - nem pior nem melhor - e só assim a defesa do serviço público será uma preocupação de todos. Ao contrário do que pretendem alguns, só a igualdade no acesso promove a qualidade.

José Vítor Malheiros (jvmalheiros@gmail.com)
Imagem do Google

Combater a burocracia e a corrupção


No último verão, ouvi na TV um emigrante que estava de férias e que falou da sua vida da Austrália, onde é construtor civil. Tinha pensado regressar a Portugal mas ficou desiludido ao ver a burocracia, «empatocracia», que demora imenso tempo a obter uma licença, por mais simples que seja.


Lá, consegue-se a licença em menos de um mês, as obras decorrem sem paragens e são fiscalizadas com frequência havendo a máxima garantia de qualidade em todos os pormenores.

Cá realmente, aquilo que ele disse, veio agora a ser confirmado por MACÁRIO CORREIA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE FARO, como diz a notícia Macário ameaça chefias com despedimento em que se vê que «mandou abrir quatro processos disciplinares aos funcionários que "enrolam" as decisões, empatam e metem os documentos na gaveta e promete que não vai ficar por aqui.»

Disse que «detectou 3000 documentos pendentes, há cerca de dois anos» e que deparou «com quatro situações de escandalosa e manifesta incompetência - uma pessoa que vai quatro vezes à Loja do Cidadão para despachar uma certidão".

Merece ser divulgada esta acção moralizadora deste autarca. A burocracia gera corrupção, dá origem aos «robalos» oferecidos para abreviar um processo, o presente para retirar os papéis da gaveta onde esperavam essa atenção do interessado. Para que haja corrupção, convém manter a burocracia, que só traz benefício para o funcionário corrupto e grave inconveniente para a vida dos cidadãos, para a economia nacional. Por isso, tem que haver entidades honestas que acabem com as demoras desnecessárias dos processos, e actuem disciplinarmente sobre quem «enrolar» os papéis.

Bem haja Macário! Oxalá, o seu exemplo seja seguido por todos os organismos públicos. Os portugueses agradecem, sem ser preciso «robalos».

Imagem do Público

Fome. Trabalhar apenas pela comida


É lastimável que os governantes do alto da sua opulência, adquirida á custa dos contribuintes, continuem numa vida de luxo e de ostentação a gastar os recursos nacionais em mordomias, carros de luxo novos e em grande quantidade, aumento de assessores e gestores para actividades inúteis, desnecessárias, e ignorem as realidades da vida de grande parte dos cidadãos.


Por exemplo, segundo a notícia Oferecem-se para trabalhar apenas a troco de comida fica claro que no já de si tão carenciado bairro da Cova da Moura no concelho de Amadora, ás portas de Lisboa, há muitas famílias em desespero a oferecer-se para trabalhar apenas a troco de comida.

O drama socioeconómico é especialmente evidente para quem está no terreno, como é o caso da Associação Cultural Moinho da Juventude, a trabalhar no bairro há 26 anos. As associações temem que as restrições obriguem a cortar nos já reduzidos apoios sociais. O secretário-geral daquela instituição, Carlos Simões diz que os efeitos da crise já são muito notados.

Imagem do Google