quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Passado significa mais do que promessas

Em confronto com Fernando Nobre, o candidato Manuel Alegre, não gostou que fosse referido o passado, porque segundo ele, o que interessa são as promessas para o futuro. Mas «palavras leva-as o vento» e as promessas não são mais do que palavras, principalmente se o passado do seu autor não lhes der credibilidade.

O candidato, na sua cultura poética, certamente, não ignora o ditado popular «Cesteiro que faz um cesto faz um cento».A ssim, na decisão do voto, há que fazer a avaliação dos candidatos e essa, como qualquer avaliação, recai sempre sobre o passado.

Mas, dadas as referências que circulam por e-mails, Alegre deve estar, realmente, interessado em que não seja recordado o seu passado. Pois… cesteiro que faz um cesto…

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Pobreza fruto de obscenidade do Estado social


O texto que a seguir se transcreve obriga a meditar sobre a incapacidade para ser concretizada a intenção de se criar um Estado social e, em vez disse, se deixar alastrar a pobreza e a transformar numa obscenidade geral e institucionalizada. Em vez de serem criadas medidas de justiça social, de tetos para os salários e as reformas, de limitações de instituições inúteis só interessando aos «boys», de redução de assessores dispensáveis, acabou por serem aumentadas inutilmente as despesas públicas, dilatadas as dimensões do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, aumentada a quantidade de pobres, para o que contribuíram também os cortes em apoios sociais. Por cima de tudo isto, como diz o texto, os detentores do Poder ou a eles candidatos não têm tido escrúpulos de se servirem da miséria de grande parte dos cidadãos, eleitores, consumidores, clientes ou beneficiários, para fins eleitorais. Durante todo o tempo, ignoram e evitam procurar soluções para os carenciados mas, quando lhes convém, misturam-se com eles com ar paternal e excessiva dose de cinismo.

Eis o texto referido:

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1740411&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina
Jornal de Notícias. 22-12-2010. Por Manuel António Pina

De repente (a caça ao voto abriu este ano em época natalícia), os políticos descobriram os pobres. Assim, nos últimos dias, Cavaco organizou nada menos que duas expedições aos pobres levando consigo um batalhão de jornalistas e câmaras de TV que o mostraram ao Mundo destemidamente no meio deles a dizer frases sobre a pobreza.

Sócrates é que não gostou pois, afinal de contas, os pobres, ou boa parte deles, são seus e dos seus governos.

De facto, ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10 291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8 321.

E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".

Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!

Também os candidatos Francisco Lopes e Fernando Nobre se engalfinharam um destes dias na TV cada um reivindicando para si a glória de conhecer mais pobres (e pobres mais pobres) do que o outro.
Não há dúvida de que os pobres é que estão a dar. Não só para o Governo poder ajudar bancos e grandes empresas mas também para os políticos exibirem na lapela.

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Pobreza e fome visível nas escolas


Têm aparecido notícias de apoios municipais a alunos pobres, do género de abrir as cantinas durante as férias para dar almoço aos que o não podem comer em casa. São medidas louváveis mas destinam-se a remediar um dos sintomas das carências que afectam grande parte da população, eleitora, contribuinte, consumidora, cliente, que está a ser o foco que concentra os grandes sacrifícios da «austeridade» de que os ricos e poderosos nada sentem, pois continuam na sua ostentação e arrogância habitual.



Sobre o tema saliento, por serem mais recentes as notícias Inspecção aponta resultados fracos em 45% das escolasMais constrangimentos do que oportunidades de melhoria e Consumo privado entra em queda em Novembro. Estes links permitem abris as respectivas notícias. Mas além disto, recebi por e-mail de uma professora um texto seu e outro de um colega que evidenciam as dificuldades que existem nas famílias mais desfavorecidas e que os políticos se esforçam por ignorar, ocultando-a na sombra de números e estatísticas. Conviria que os eleitos e os responsáveis pelos diversos sectores não se esquecessem de que em primeiro lugar devem estar as pessoas para as quais os números poderão ser uma ferramenta de apoio de menor importância e não como habitualmente fazem de dar prioridade aos números e, para eles serem o que desejam, sacrificarem as pessoas sem o mínimo escrúpulo ou moral.

Vejamos as opiniões de dois professores:

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.

Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.

O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…

Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.

Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.

Um caso real relatado por Maria João F

Hoje uma funcionária da minha escola, já de alguma idade, estava a limpar o chão da sala para onde eu ia passar a manhã com os meus alunos de um 10º ano/Curso Profissional e veio perguntar-me como vai o neto, meu aluno dessa turma.

Respondi que no início do ano trabalhava muito mais e que ultimamente não prestava atenção nas aulas e , até, tinha adormecido em duas delas pelo que lhe tinha chamado a atenção. É um rapaz correcto, pediu desculpa, pensei que tivesse andado na borga...

Hoje soube pela senhora que é o mais velho de 3 irmãos (tem 16 anos e os irmãozitos 5 e 2, do 2º casamento da mãe, uma jovem mulher de 35 anos, que vive sozinha com os filhos, abandonada de novo). A mãe do meu aluno anda todos os dias 5 km a pé para ir para o emprego e 5 km de volta a casa, é ele que recolhe os irmãos pequenos do infantário onde estão, chega mais cedo que a mãe. Almoçam mas muitas vezes não jantam e a mãe, sobretudo, não janta quase nunca para deixar para os filhos o pouco que há. Foram-lhes retirados apoios a nível de abonos de família e mais não sei o quê , confesso que já não conseguia ter atenção ao que a senhora me dizia - vou falar com ela um destes dias (amanhã já ou no outro).

Com os alunos fiz o planeado : projectei-lhes o filme "Stand and Deliver", baseado na história verídica do Professor Jaime Escalante, professor de matemática na John Garfield School em East L.A. Queria ver se os incentivava. Afinal, as condições de vida daqueles jovens não eram muito diferentes das dos meus alunos no presente, neste Portugal onde a miséria ronda muitas casas e onde professores, também eles, vivem pobrezas envergonhadas.

Jaime escalante faleceu este ano.

A Sala de Matemática do Museu da Ciência de Los Angeles tem o nome dele.

Não sei se adianta muito a partilha destas histórias que são mais que isso: são factos Históricos. O Portugal de hoje é um país miserável, a muitos níveis.

Há responsáveis e têm nomes.

Desde logo, o actual PR - recuemos à década de 80 e analisemo-la.

Continuemos com este PM que, pela 1ª vez, considero um caso clínico. Pensei durante este tempo todo que simplesmente andava a gozar connosco mas com o seu último discurso sobre a pobreza e o seu jeito de catequista (fui educada num colégio católico, conheço os truques todos, o paleio, os trejeitos; gramei muitas "ultreias" no Estoril - não me apetece explicar o que isto é ) começo a pensar que o homem é doido - mas não inimputável. Falo apenas do PM porque é ele o responsável pelos outros membros do (des)governo. Com os do PSD só alguém tão insensato como o PM, poderá contar para melhorar o que quer que seja: lembrem de novo o PR e, por exemplo, Durão Barroso.

Não vale a pena falar de mais nada nem ninguém. Este polvo não é um octópode, é um "alien" de um gugol de tentáculos. Que podemos fazer para os cortar, um a um ? Não sei.

Só sei que um dos meus alunos dorme nas aulas com fome e cansaço. E será que muitos não estão agitados também com fome e cansaço ? Há consumos de drogas, há álcool, há muitos á deriva. Os Cursos Profissionais são uma fraude, estou lá, estou metida nessa fraude.

A única coisa que posso é levantar a voz e dar a conhecer na escola este - e outros casos - e dar-vos este meu relato que junto ao recebido.

Há muitos, muitos anos, no meu 4º ano de ensino (1980), fui colocada na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra. Esta tinha, na altura, uma secção para o Ensino Básico ( 7º/9º ano) que apanhava os miúdos da Várzea de Sintra que se estendia até Fontanelas, Assafora, etc. e eu tinha turmas de 7º e 8º. Um dia falei grosso a um miúdo que sistematicamente não trazia feitos os trabalhos de casa. Ele olhou-me de alto e disse-me calmamente "Tenho 4 irmãos e o meu pai morreu. Sou o mais velho e, para ajudar a minha mãe, trabalho como ajudante de padeiro. Quando saio da escola durmo um bocado, levanto-me pela meia noite, vou trabalhar e venho directamente para a escola. Não tenho tempo de fazer os trabalhos de casa".

Pensei que não me tinha esquecido disto, mas, afinal, tinha. Se não tivesse, não teria feito juízos imbecis sobre um aluno que dormiu nas minhas aulas e diminuiu o rendimento escolar.

Estou triste. Sei que não posso ficar parada e triste: não leva a lado nenhum. Que fazer ? Aceito todas as sugestões que puderem dar-me.

Entretanto, porque não publicar as mil e uma histórias que cada um de nós, professores, encontra no seu quotidiano (tantas vezes constituído por péssimas refeições ao longo do dia mas que, ao menos, ainda temos em casa comida para o jantar ) ?
Maria João

Profª de Matemática, no corrente ano a leccionar uma turma de 10º - Matemática A e duas de 10º - Cursos Profissionais ( de Gestão e Informática de Gesão). Bastantes alunos destas últimas turmas têm dificuldade em ler e escrever, um deles tem dificuldade em escrever o seu apelido. Urge acabar com a FRAUDE e dar efectivamente a mão a estes jovens não para as fraudulentas estatísticas de "sucesso" mas para lhes darmos os meios de vierem a ser Cidadãos Livres.
Ou alguém deseja voltar às práticas do "vamos brincar à caridadezinha" (podem encontrar música e letra da canção... a net tem muitas vantagens...) ? Vamos dar esmolinhas ? NÃO ! Vamos exigir para nós e para os nossos concidadãos a Dignidade a que temos direito.
Escola Secundária Padre Alberto Neto, Queluz

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Chuvas intensas e urbanismo



Depois dos estragos provocados no Funchal pelas chuvas e enxurradas de Fevereiro último, os funchalenses apanharam novo susto, felizmente menos grave porque Chuvas intensas de madrugada provocaram inundações na baixa da cidade. Convém que se passe a olhar para perigos deste género que estão a repetir-se em vários locais. A urbanização deve contar com os leitos de cheia, sempre que se trate de encosta propícia à formação de enxurradas. À água deve ser dado o direito de passar sem nada que a impeça ou demore, pois se assim não for, ela causará estragos.

Por altura das enxurradas de Fevereiro foram aqui publicados os seguintes posts, que se aplicam a todas as localidades, conforme as respectivas circunstâncias:

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Transportes também vão subir de preço


É mais um sinal que deve suscitar as maiores preocupações da parte de cerca de 90% da população e levá-la a meditar sobre a situação em que foi colocado o País.

Neste dito «Estado social», a «austeridade», consequência de má gestão pública durante anos, constitui um roubo multifacetado ao bolso vazio dos pobres, que se vêm lesados ou mesmo privados de benefícios sociais, de salários e, por outro lado, vêm as suas despesas acrescidas para serem mantidos os lucros de empresas de serviços públicos, desde bancos a transportes, e as benesses dos seus administradores, consultores, accionistas, etc. Isto não dá boa imagem a tal estilo de «Estado social» de que os governantes se gabam e em que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, em vez de ser reduzido, se torna maia largo e mais profundo.

Mas os defensores do sistema não convém se esquecerem de que, quando a justificada ira do povo atingir um grau insustentável, não há muralhas nem fossos que o impeçam de conquistar a fortaleza e aniquilar o inimigo público. Pelo caminho que as decisões superiores estão a tomar, esse momento está cada vez mais próximo. Tenham cuidado. Pensem antes de decidirPensem mais nas pessoas do que nos euros dos ricaços.  Libertem-se um pouco das grandes pressões dos detentores do poder do dinheiro que os dominam puxando os cordelinhos, e pensem nos 90% de cidadãos, eleitores, clientes, consumidores e nas condições em que está a viver a maioria da população que tão desprezada e sacrificada tem sido. 

Não esqueçam que o voto de cada pobre vale tanto como o de cada rico.

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Como escolher um Presidente???

No seu artigo Um deserto de ideias, José Leite Pereira resume os debates dos candidatos a PR na seguinte passagem:

«O início dos debates presidenciais veio confirmar as piores perspectivas: nenhum dos candidatos tem garra para motivar o eleitorado e o que se pode esperar é, infelizmente, uma enorme abstenção, condizente com o deserto de ideias que é oferecido aos eleitores. O que os eleitores querem saber é o que os espera, mas os candidatos pouco ou nada lhe podem dizer porque nada disso depende da função a que se candidatam e porque nenhum deles é capaz de um golpe de asa mobilizador.»

Parece, porém, que se tal deserto de ideias levar à abstenção, estaremos perante uma péssima imagem do exercício do direito de cidadania democrática, por ser interpretada como apatia, desinteresse e comodismo de não ir às urnas. No caso de se discordar de cada um dos candidatos, será mais lógico optar pelo VOTO BRANCO, que significa participação cívica nas eleições, com a ideia de que nenhum candidato serve os interesses do povo, nenhum merece ser escolhido. Não deve votar-se no «menos mau» mas apenas naquele que for bom e, se houver mais do que um bom, votar no melhor deles.

Se, como se depreende do artigo, as funções definidas na Constituição não permitem ao PR influenciar a vida do País e impedir crises graves, então qualquer português serve, mesmo que seja um arrumador de carros de um qualquer parque de estacionamento. Há, pois, que dar ao PR responsabilidades e poderes, em benefício da gestão do País, que justifiquem os custos que a sua existência representa para os contribuintes. Para esse efeito, convém que se altere a Constituição de forma profunda e cabal para Bem da Nação.

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