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quinta-feira, 21 de março de 2013

Solução para vencer a recessão


Têm surgido alertas para o perigo da austeridade excessiva, que reduz o poder de compra da população, a diminuição do consumo, o encerramento de empresas e o consequente aumento do desemprego e, por outro lado, desde há anos que têm sido advogadas outras soluções para normalizar a dívida sem onerar demasiado a capacidade de crescimento e o bem-estar das pessoas.

Agora Manuel Maria Carrilho recorda os anos entre 1928 e 1932, em que a austeridade, a recessão e o desemprego na Alemanha atingiram valores galopantes que acabaram por favorecer a ascensão de Adolfo Hitler. Isto deve constituir um alerta a respeitar pelos governantes europeus, principalmente dos países que estão em plena crise.

Mas, como os grandes problemas não se resolvem olhando apenas para os aspectos negativos, é conveniente referir também a solução apontada hoje por Cavaco Silva que, para vencer a recessão, considera necessária u utilização das seguintes alavancas: investimento, turismo, exportações e queda menos drástica do consumo. Este é um conselho sensato para conseguir o crescimento da economia e o bem-estar das populações.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vale do Tua. Desprezo por turismo e agricultura

Transcrição de artigo:

Diário de Notícias. 01-12-2010. Por DANIEL CONDE (Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua)

Há algo de podre no vale do Tua, e não é o fantasma do futuro a trazer um travo a esgoto das águas eutrofizadas da albufeira do Tua.

Há algo de errado quando um Estudo de Impacto Ambiental e um Relatório de Conformidade Ambiental de Projecto de Execução (RECAPE) afirmam numa base científica que a barragem vai ser desastrosa a nível regional e insignificante a nível nacional, mas a barragem avança.

Há algo de errado quando a Linha do Tua tem vindo a ser abandonada ou mesmo mencionada no caso Face Oculta, mas a culpa da má manutenção da via e estações é atirada como que para os próprios utentes que a utilizam. Há algo de muito errado quando um consultor da UNESCO afirma deslumbrado que a Linha do Tua tem todas as condições para ser considerada Património da Humanidade, reiterando o que disse o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) sobre o seu valor patrimonial único, mas depois os ministérios do ambiente e da cultura (e depois o próprio Igespar) concluem que nem o vale nem a Linha do Tua têm valor patrimonial ou ambiental algum, arquivando com uma celeridade desconcertante o processo de classificação desta como Património Nacional.

Algo não está bem quando os comboios da Linha do Tua ficam sobrelotados de turistas, quando o Plano Estratégico Nacional de Turismo e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte prevêem maravilhas turísticas para esta região, e quando um projecto de turismo ferroviário para a Linha do Tua fica em terceiro lugar num concurso nacional de empreendedorismo, e a CP e a Refer fecham as portas à sua exploração turística.

Algo de muito errado se passa quando com um projecto ferroviário de baixo custo se poria um madrileno em Bragança em duas horas, e nos debates havidos em Trás-os-Montes sobre desenvolvimento ninguém diz uma palavra sobre caminhos-de-ferro.

Muito mal vai o estado da Democracia quando a voz de 18 mil peticionantes contra a construção da barragem do Tua e a favor da reabertura, modernização e prolongamento da Linha do Tua, defendendo inclusivamente métodos alternativos mais baratos e mais eficientes de produção e poupança de energia, não é ouvida ou não é suficiente para calar a de meia dúzia de indivíduos mal intencionados e de carácter duvidoso.

A lista de incongruências, atropelos, e laivos de actividades amplamente contempladas no Código Penal avoluma-se. Vagas de estudos científicos e pareceres de especialistas - de entre os quais UNESCO e Comissão Europeia - que apontam um severo dedo à barragem do Tua e coroam de louros o vale e a Linha do Tua, esboroam-se com um rumor de espuma do mar contra sabe-se lá que perigosos rochedos e contracorrentes.

Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede...

Imagem da Net

domingo, 14 de março de 2010

Urbanismo vs estética

Por várias vezes passou pela caixa de entradas um anexo com imagens das recentes construções «turísticas» em Sesimbra, mesmo a beijar as areias e a ter os alicerces regados pelas ondas naquela vila de pescadores.

Mas essa agressão ao ambiente, à paisagem que deleitava os olhos dos residentes e dos visitantes não é caso único. Os autarcas mostram pouca sensibilidade para aspectos estéticos e ambientais e menor resistência à pressão dos construtores. É o caso das lixeiras selvagens que se têm disseminado por todo o País e irão ser retiradas em grade parte por cidadãos voluntários conscientes de que o ambiente é um recurso que deve ser preservado.

Mas, propriamente semelhante ao caso das edificações de Sesimbra, há em Cascais os edificios que substituem o antigo Hotel Estoril Sol que, ao ser construído, foi alvo de tantas críticas que deviam ficar de lição.

sábado, 15 de agosto de 2009

O futuro de Portugal assentará no turismo?. 060315

(Publicada no Diário de Notícias em 15 de Março de 2006, p. 9)

Um amigo meu, regressado de uma visita aos Emiratos Árabes Unidos, confessa-se fascinado com a aposta séria no turismo traduzida em novas instalações hoteleiras únicas no Mundo e em obras de grande vulto por todo o lado. Isto não surpreende porque, há já vários anos, chegavam notícias da preparação para a época pós-petróleo. Havia que decidir o futuro destes países e a escolha caiu nas altas tecnologias e no turismo, com prioridade para este. Depois havia que actuar com perseverança em consonância com esse objectivo nacional. E a coerência e convergência de acções está a produzir resultados bem visíveis.

Em Portugal, também já se ouviram vozes dizendo que o futuro do País assentará no turismo, mas tal não constitui, ainda, objectivo nacional aceite e difundido por todos os partidos com potencialidade governativa. No entanto, e por não estar claramente definido e aprovado como objectivo nacional, já temos verificado muitos passos atrás e muita burocracia retardadora: foram os impedimentos levantados contra três empreendimentos turísticos em Belmonte por estar próximo de zona protegida, em Benavente por ameaçar alguns sobreiros, em Baião, por estar à beira do Rio Douro. Também no Algarve um empresário pensou construir uma ilha artificial à semelhança das existentes no Dubai, mas a burocracia e os pruridos ecológicos irão produzir, certamente, os habituais efeitos desencorajadores. Agora surge a notícia do encerramento das viagens do intercidades entre Porto e Régua que retira as esperanças que localmente vinham sendo desenvolvidas quanto às perspectivas do turismo do Alto-Douro.

Afinal, qual será o futuro económico do País, por forma a poderem ser pagas as importações que crescem a ritmo preocupante, sem contrapartida proporcional por parte das exportações.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Promoções turísticas. 050902

(Publicada no Correio da Manhã 2 de Setembro de 2005)

É frequente dizer-se que Portugal é um País de turismo e que esta actividade económica do sector dos serviços será a principal fonte de receitas nos anos futuros. Está presente na memória de todos o slogan «Vá para fora cá dentro», pretendendo-se com ele convencer os nacionais de que os principais ocupantes da hotelaria devemos ser nós, como fermento do desenvolvimento e chamariz de estrangeiros.

Este fim-de-semana, numa revista de um semanário, dei com a fotografia do casal espanhol Sonsoles e José Luíz Zapatero (ele é o primeiro-ministro do principal país da Península Ibérica e um dos maiores da Europa) que estavam a passar férias muito discretamente em Lanzarote ilha do arquipélago espanhol das Canárias, onde vive José Saramago. O Rei passou férias em Maiorca, outra ilha espanhola. Dessa forma, apoiam o turismo nacional, dando publicidade aos locais a que pretendem atrair turistas estrangeiros.

Em Portugal, tem-se assistido a exemplos dados pelos principais responsáveis pelo País, de sentido oposto ao que é considerado ser interesse nacional. Não vou citar exemplos por serem demasiado conhecidos. Por estes e outros casos parecidos é que, ao contrário da Espanha, que é um dos grandes da Europa, Portugal é dos mais pobres e só é dos primeiros naquilo que é mau, como os acidentes rodoviários e os fogos florestais. Recordo-me do saudoso almirante Leonel Cardoso, quando no IDN no encerramento das palestras sobre o tema «Portugal, o País que Somos» no CDN-79, citava a frase «Somos poucos, pobres e profundamente ridículos». E assim vai Portugal... a arder, em todos os sentidos da palavra.

Somos País de turismo? 050813

(Publicada no Diário de Notícias em 13 de Agosto de 2005)

É frequente ouvirmos governantes, autarcas e outros políticos enfatizar o facto de a principal fonte de divisas ser a actividade turística, assente no sol, no clima e nas boas praias. Ele constitui um factor não negligenciável para combater o défice comercial. Mas parece que o interesse dedicado ao turismo fica reduzido a essas lindas palavras. As realidades evidenciam uma contradição gritante com tais beatíficos discursos. Há poucos anos, no Algarve, morreram turistas ingleses intoxicados pelos gases do esquentador quando tomavam duche, evidenciando total desprezo pelas condições de segurança dos alojamentos. Há poucos meses foi bloqueado um projecto de empreendimento turístico em Benavente só por implicar o abate de sobreiros, embora compensado pela plantação de outros nas proximidades. Na mesma data foi falado o boicote a um projecto turístico semelhante em Belmonte por se tratar de paisagem protegida. Afinal, protegida com que finalidade? Certamente não é uma finalidade turística se não contribui para captar pessoas estranhas à região, dar-lhes alojamento e condições adequadas de passar bem o tempo.

Agora, vem a lume a notícia do desabamento de uma falésia em Peniche provocando a morte de dois turistas espanhóis, onde dois anos antes ocorreu o mesmo com a morte de um alemão. Poderá perguntar-se porque não fora feita antes a consolidação da falésia que estava instável e fazia prever tal desenlace? O mesmo se passa noutras falésias ao longo do litoral. Mas recordem-se as reacções dos «defensores da natureza» quando na Linha do Estoril foram consolidadas as falésias. Esses «defensores» não consideram os homens como fazendo parte da Natureza e não se importam que morram. E os políticos, que deveriam ter em conta os interesses da população e do País, em todos os seus vectores, cedem aos argumentos discutíveis de tais fanáticos. E, desta forma, o tal objectivo estratégico de viver do turismo é esquecido e colocado em perigo, a cada passo. E, assim, vai o Portugal dos pequeninos.