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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Tabus parecem ser comportamento arraigado

Mário Soares que tem mostrado ser observador atento da vida nacional, disse no início deste mês que Presidente da República podia ter evitado a crise política se tivesse cumprido a sua promessa de que «exerceria uma magistratura de influência mais activa» mas, ao contrário da promessa, «ficou estranhamente silencioso».

Ontem, em entrevista, afirmou que «quando olha para a sociedade portuguesa vê “aflição” e considerou que o chefe de Estado, Cavaco Silva, tem dito “pouco” sobre a actual situação do país». Limita-se a dizer palavras inócuas e de nulo efeito semelhantes ao muito que se ouve nos transportes e nos cafés. Portugal precisa de acção, de medidas, de estímulos, mesmo que apenas verbais, bem orientados para a resolução da crise.

Mas os tabus só surpreenderam na sequência do congresso da Figueira da Foz, depois repetiram-se como PM. As nuances misteriosas, como se esperasse um milagre salvador, os silêncios por vezes blindados por pão de ló, repetiram-se, mostrando que talvez não se tratasse de atitudes pontuais, mas, provavelmente, de um comportamento arraigado, como agora é denunciado por Mário Soares.

Mas não podemos negligenciar que estamos num momento da vida nacional em que os detentores de cargos de responsabilidade têm o dever de colocar ao serviço do País toda a sua competência e capacidade para encontrar as soluções mais eficazes. A defesa de Portugal não pode assentar apenas nos sacrifícios reiterados das classes mais desprotegidas e carentes de meios de fortuna.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pensar antes da decisão e recusar tabus

Transcrição de notícia seguida de NOTA:

Jerónimo de Sousa: Saída do Euro “não deve ser tema tabu”
Público. 30.05.2011 - 17:44 Por Nuno Sá Lourenço

O secretário-geral do PCP, defendeu em Santiago do Cacém um “amplo debate” sobre a moeda única europeia. “É um debate que deve ser feito, não deve ser tema tabu”. Questionado pelos jornalistas nas oficinas da câmara, o candidato comunista disse que o assunto deve ser “equacionado com transparência, frontalidade”: “Não podemos recear o debate.”

O líder comunista não quis expressar a sua posição sobre a permanência ou saída do euro, tendo antes insistindo na necessidade do debate. “Com base naquilo que for apurado se tirarão as conclusões”, rematou.

Jerónimo de Sousa afirmou hoje ao PÚBLICO, em entrevista, que “mais tarde ou mais cedo vamos ter de sair do euro”, questionando os juros aplicados pela União Europeia no resgate financeiro, traindo o princípio da coesão económica e social.

NOTA: Já há muito tempo foi referida uma metodologia para a decisão, Pensar antes de decidir, em que no ponto 3 consta: «Depois, esboçar todas as possíveis formas ou soluções de resolver o problema para atingir o resultado, a finalidade, o objectivo ou alvo; nestas modalidades não deve se preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.» Não há lugar para tabus. Tudo deve ser analisado antes de vir a ser aprovado ou rejeitado, e só então então teremos a certeza de que foi escolhida a melhor solução, a modalidade mais justificada e defensável.

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