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sexta-feira, 28 de junho de 2013

VALORES ÉTICOS, SIMPLICIDADE E FELICIDADE


No Jornal de Negócios, encontrei textos que definem um cenário optimista em 2023 originado pelas lições aprendidas com a experiência da crise crise que estamos vivendo. Isto faz pensar no livro 1984 de George Orwell, com a diferença de que este pintava um quadro pessimista e ficou aquém da realidade advinda. Seria óptimo que 2023 ultrapassasse as previsões em optimismo. Os tópicos de Isabel Jonet, presidente da Entreajuda e do Banco Alimentar coincidem na sua essência com escritos já aqui publicados em diversos posts.

Com a devida vénia, vou servir-me de palavras da autora de em 2023 viveremos melhor com menos, regressando à essência para que sirvam de «mandamentos» para melhorar os comportamentos que conduzam ao cenário edénico por ela desenhado para daqui a 10 anos. Esse cenário só poderá ser realidade se nos convencermos dos caminhos a trilhar para nosso bem e dos nossos filhos e netos.

Eis os ensinamentos e sugestões:

Na vida temos que saber separar o essencial daquilo que é secundário, desnecessário supérfluo, isto é aprender a viver com o possível e essencial e procurar valorizar a ética;
A experiência enrique-se com a aprendizagem e as ilações que possamos e consigamos elaborar e retirar de cada um dos momentos vividos, dos melhores e dos piores.
Isso nos permite ter uma melhor qualidade de vida no futuro, sem doentio apego a coisas sem real importância. Valorizar o SER acima do TER.
Com tal aprendizagem conseguiremos ultrapassar os momentos mais difíceis e criar melhores oportunidades de vida, com uma gestão mais racional de poucos recursos e o desprendimento em relação aquilo que não é essencial.
O que é secundário, os sinais de riqueza, de ostentação, o esbanjamento, impedem muitas vezes de valorizarmos aquilo que é fundamental, os valores éticos e a simplicidade. O apego às coisas materiais não essenciais absorve tempo e energias que fazem falta para construção da verdadeira felicidade.
Para bem da sociedade, todos e cada um de nós, uns mais responsáveis do que outros, com maior ou menor capacidade de intervenção, enquanto decisores ou meros agentes económicos ou políticos, mas todos imbuídos do mesmo dever cívico, devemos procurar ser capazes de apresentar e de propor soluções que permitam preparar um futuro em que seja menos provável o aparecimento de crises devidas à hipervalorização das condições financeiras e materiais.
Com a boa gestão de recursos materiais, a Redução de desperdícios, a sua Reutilização, Reparação e Reciclagem, a gestão individual, familiar e empresarial será mais económica e reduz-se a hipótese de carência de recursos.
É provável que surja escassez de recursos mas será bom que eles tenham uma repartição mais justa e equitativa para deles fazermos uma melhor utilização com um critério são de valorização do que é essencial e secundarizando o que é supérfluo, dispensável, não essencial. Assim, com menos, somos capazes de fazer mais e melhor. E,, depois do sacrifício de cada crise, podemos reflectir naquilo que vínhamos fazendo errado e na forma de rectificarmos o comportamento. Podemos, assim, lançar novas bases para uma sociedade em que se transmita aos vindouros o saber adquirido pela experiência e criar uma civilização sustentável.
O regresso à essência das coisas permite deixar aos descendentes uma herança menos pesada e hábitos mais racionais.
Estas reflexões e o hábito de pensar antes de agir permitirá uma nova reestruturação e um novo desenvolvimento das economias, contribuindo para recuperar confiança e tornar mais rigoroso o acesso ao crédito, na medida absolutamente indispensável e devidamente controlada, crucial para criar emprego e gerar crescimento conveniente, sem obsessão.
Com a indispensável intervenção do Estado reeducam-se comportamentos cívicos e de sobriedade na forma de viver em sociedade e nas opções pessoais. Assim se recuperam valores que são pedra basilar de todas as sociedades, se humanizam as interacções e se coloca o Homem no centro das decisões.
O civismo, assim fortalecido, pressuposto fundamental da sociedade ou da humanidade, levará à definição de um objectivo comum, que funcionará como mola impulsionadora e mobilizadora de toda a colectividade, o que, numa lógica de bem comum, reinventa a solidariedade, recupera a noção da responsabilidade colectiva, fomentando a certeza de que os nossos actos individuais são importantes, determinantes, para o bem-estar social, colectivo, global, fazendo interiorizar que existem direitos e deveres que não podem ser menosprezados.
Enfim, é imprescindível um regresso ao essencial, um despojamento de tudo aquilo que tem invadido as nossas vidas, sem lhes acrescentar qualquer valor efectivo. Paralelamente ao esforço individual e aos benefícios daí advenientes, será promovido o desenvolvimento e a redução das desigualdades a nível social e mundial.

Eis alguns títulos de posts já aqui publicados abordando estes ideais:

Pensar antes de decidir http://domirante.blogspot.pt/2008/12/pensar-antes-de-decidir.html
- Simplicidade de vida e justiça social 
- Dinheiro não é o essencial 
- Dinheiro não dá felicidade
- Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro 
- Lição de vida dada por um Tuareg
- Dispensar excessos, consumismo e ostentação
- O Homem sensato e a Avestruz
- Simplicidade de vida e justiça social 
- A Simplicidade é louvável
- Simplicidade na vida
- Viver sem dinheiro, de trocas
- Obras faraónicas para ostentação
- PM Holandês usa bicicleta
- Marques Mendes persiste e insiste
- Gestão moderna é o inferno

Imagem de arquivo

domingo, 28 de abril de 2013

O IDIOMA CAVAQUÊS ABUSA DO ECONOMÊS


A noção de liberdade de expressão, de «transparência democrática» de explicação, de auscultação da opinião popular, de fomento da confiança e esperança com base em esclarecimento geral e verdadeiro não aconselha a utilização de códigos profissionais.

Antes de continuar e para aliviar a tensão, o Amigo José, militar, há dias lamentava a desconfiança e implicação da mulher que o levava a ter de lhe fazer todos os dias o SITREP e, mesmo assim, ela não ficava tranquila. Um dos presentes ficou cheio de curiosidade e perguntou, um pouco tímido: «Que raio de modalidade de carícia ou de posição é essa?». O José ficou surpreendido com a ignorância do amigo e explicou que é o «SITuation REPort», relatório da situação que, no caso, era a descrição de todos os seus movimentos e de tudo o que fez desde que saiu de casa até regressar.

Vejamos o que escreveu a professora Joana Amaral Dias no seu artigo no Correio da Manhã de ontem:

Cavaquês

A segurança jurídica e a competitividade e previsibilidade fiscal são elementos decisivos para as decisões dos agentes económicos e, logo, para o crescimento disse o Presidente da República no discurso do 25 de Abril.

A tinta que já correu sobre tal elocução: facciosa, paradoxal, divisionista. Mas já repararam no quão mal escrita está? Para quê tanta conjunção aditiva na frase citada, por exemplo? Para quê "decisivos para as decisões"? Não podia ser cruciais para as resoluções? Determinantes para os juízos?

Enfim, a coisa está pejada destas deselegâncias. Mas a maior de todas é o economês. Por alma de quem é que um PR, de todos os portugueses, no 25/04, enche 4 folhas A4 com expressões como "rácios de solvabilidade", "superavites primários" "desalavancagem dos bancos", "défice primário estrutural", "rácio da dívida pública", "pacotes normativos six-pack" e "two-pack" . Só lhe faltou citar Kant, Habermas, Arendt, como a Presidente da AR. Para que serviu o exibicionismo vernacular? Para ninguém entender? Ou teremos outro candidato a Ministro da Economia? Também tu, Cavaco? Ou, afinal, será mesmo das finanças?

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

CAPUCHO DEFENDE REMODELAÇÃO URGENTE


António Capucho, homem grado do principal partido da coligação, defende remodelação urgente que inclua Vítor Gaspar. Não é a primeira vez que emite esta sugestão (ou aviso) nem é a única pessoa de grande visibilidade da sua área que alerta para esta necessidade. Mas a urgência não pode resultar apenas em mudar as «caveiras» que preenchem o organograma, mas sim em reformas estruturais indispensáveis (já prometidas há quase dois anos) para que o País seja devidamente podado e mondado de excessos e de ervas daninhas, a fim de poder ser viável e se lançar no desenvolvimento, no crescimento.

A tónica colocada em Vítor Gaspar é lógica e consonante com o receio de Manuela Ferreira de Leite de por este caminho o país ficar em cinzas, com o alerta de Christine Lagarde para a conveniência de a austeridade não atingir níveis «brutais» e com o temor do FMI de advirem tensões sociais.

Por outro lado, na remodelação está a sair detrás da camuflagem um aspecto das promessas iniciais do Governo que pretendia ser menos numeroso do que o anterior e, agora na substituição de Relvas foram nomeados dois (aumento de 100 por vento). Parece que nas promessas iniciais houve irrealismo, fantasia ou infantilidade. Ficamos alerta para ver quantos ministros irão substituir Álvaro Santos Pereira, se for demitido, pois foi sobrecarregado com variadas pastas, ou com a de Assunção Cristas, com quem aconteceu o mesmo.

A conclusão é que não podemos acreditar em promessas, por mais «garantidas» e «asseguradas» que digam ser. E essa falta de confiança e de credibilidade, bem poderia levar Capucho a ser mais franco na sua sugestão e juntar ao nome de Gaspar, outro ou outros.

Imagem de arquivo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Viver sem dinheiro, de trocas



Encontrei este vídeo, através do artigo do Público
Ela viveu um ano com mil euros… e muitas trocas

Este tema já foi aqui tratado, em 19-08-2010, no post
Dinheiro não é o essencial

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Marques Mendes persiste e insiste

Em 7 de Outubro de 2010 Luís Marques Mendes, consciente de que a principal causa da crise era o excesso de despesas inúteis em institutos fantasma que apenas serviam para dar emprego a «boys», apresentou uma lista de institutos públicos que podem ser extintos.

Passados onze meses e tendo havido mudança de Governo, apresenta uma longa lista que é uma nova edição daquela, a fim de ajudar o Governo a olhar para este problema incontornável.

Esperemos que a lista seja devidamente utilizada para bem dos portugueses, colectivamente.

Foto de arquivo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Máquina do Estado irá engordar mais?


Estamos numa fase da vida nacional em que não podem ser dados passos errados, pelo que os efeitos das decisões devem ser previamente perspectivados, com muito rigor, a fim de a crise não se agudizar, pois o desejo dos portugueses é que ela termine e se entre num ciclo de crescimento normalizado, em que haja confiança e esperança.

É corrente dizer-se que o excesso de despesas públicas constituiu o factor mais negativo da crise e, nesse sentido, Marques Mendes elaborou uma lista de institutos públicos que podem ser extintos. Por isso fica-se surpreendido quando se lê que Passos dá prioridade a criação de uma autoridade orçamental independente, que logicamente se irá sobrepor a serviços já existentes, criando mais confusão e menos eficácia na administração pública, além de mais despesas.

É uma boa norma em actividades de organização, procurar a máxima simplicidade compatível com a eficácia na prossecução dos objectivos. Daí resulta melhor funcionamento das estruturas e maior economia de meios.

Não foi por acaso que Sócrates há seis anos criou a ASAE, para substituir três instituições de fiscalização económica que estavam obsoletas, cada uma prejudicando a actividade das outras duas, com maiores custos, ineficiência e burocracia. O ex-PM estava, então, no bom caminho.

A situação actual é demasiado grave para se continuar a alimentar o descontentamento e o desagrado. Temos que nos unir todos para salvar Portugal. É certo que haverá erros, como os havia, mas a nossa reacção, até Portugal começar a recuperar, não pode assentar no negativismo. Há que criticar com a intenção de chamar a atenção para erros e, ao mesmo tempo, sugerir os caminhos correctos a seguir, a fim de se criar confiança e alimentar a esperança em melhores dias para nós e para os nossos descendentes.

Sem dúvida, que cada um de nós tem a sua opinião, o que é saudável, mas devemos usá-la tendo sempre presente no pensamento que é preciso recuperar Portugal para nosso benefício e dos vindouros. Nada pior, principalmente neste momento, do que as criticas divisionistas e demolidoras, só para denegrir e desprestigiar os governantes e minar a confiança e a esperança dos portugueses. Sem esta confiança, a esperança em dias melhores e o respeito por quem governa, não será fácil sair do buraco em que estamos. Tal clima tem que ser preparado por todos desde governantes até ao mais simples cidadão da mais isolada aldeia do país.

Não tenho saber nem credibilidade para «armar em educador do povo», mas não posso deixar de estimular a vontade de as pessoas se esclarecerem e procurarem conhecer o que se passa em seu redor. Evito expressar a minha opinião e não deixo de aqui publicar afirmações que considero merecedoras de reflexão, concordante ou discordante, independentemente dos seus autores.

Embora a Comunicação Social pareça estar eivada de vícios indesejáveis, é ela o veículo de informação de que dispomos e é imperioso que saibamos fazer filtrar pelo nosso raciocínio crítico aquilo que ela nos traz. Não devemos aceitar como certo aquilo de que tenhamos dúvidas, que não pareça correcto, que nos pareça intencionalmente exagerado ou aleivoso.

Portugal será maior se o povo estiver esclarecido, lúcido e a saber seleccionar aquilo que é correcto, segundo as suas próprias opiniões. E uma das nossas certezas é que queremos um Estado mais magro e desejamos ver eliminar as obesidades inúteis e prejudiciais.

Imagem do Google

sábado, 18 de setembro de 2010

Pensar depois de decidir pouco abona

Há quase dois anos senti conveniência em publicar aqui uma metodologia de preparação das decisões aplicável a qualquer tipo de decisão, isto é, de escolha entre várias hipóteses de solução para os problemas a resolver. Resume-se em pensar antes de decidir.

Mas, infelizmente, há governantes que seguem o caminho inverso: DECIDEM e depois procuram «PENSAR» na medida em que o conseguem! Isto é o que nos levam a crer duas notícias das quais se transcreve a parte inicial:

Directores e autarcas vão ser ouvidos sobre agregações de escolas
Jornal de Notícias. 16-09-2010. Alexandra Inácio

As "comunidades locais" vão passar a ser ouvidas sobre o processo de fusão de agrupamentos. A garantia tem sido transmitida pela ministra da Educação aos directores escolares. Isabel Alçada assumiu que o processo não terá decorrido como o ministério "desejava". (…)

Ministério ainda não aprovou avaliação para directores
Jornal de Notícias. 16-09-2010. Alexandra Inácio

Os dirigentes escolares ainda não sabem como vão ser avaliados, uma vez que o Governo tarda a aprovar o diploma que define o processo. A avaliação docente é um dos temas abordados pela ministra nas reuniões com os directores, por ser uma das questões "que vai marcar o ano lectivo". (…)

O ensino pelo exemplo costuma ser considerado mais profícuo do que quando seja apenas teórico. Mas estes exemplos de recorrer ao diálogo para remediar erros é estranho, pois o diálogo e o esclarecimento mútuo em livre discussão, analisando todas as hipóteses para ser escolhida a melhor, dariam mais resultado e concederiam mais prestígio e eficiência aos decisores.

Quando a simplicidade é virtude, é lamentável que se veja a teimosa procura do caminho mais complicado, que exige mais esclarecimentos posteriores para clarificar o que nasceu torto e confuso, devido a decisões mal preparadas.

Imagem da Net

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dinheiro não é o essencial

Transcrição de artigo seguida de NOTA

O Steve Jobs da publicidade fartou-se do capitalismo?
Ionline. 18 de Agosto de 2010. Por Vanda Marques

Durante seis anos não disse uma única palavra. O monge Greg Burdulis refugiou-se numa cabana de bambu na Birmânia para reflectir. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Alex Bogusky transformava a sua agência de publicidade na mais falada do mundo. O Steve Jobs da publicidade, como foi baptizado, tornou a Crispin Porter & Bogusky na Agência da Década, segundo a revista norte-americana "Advertising Age".

Dedicou duas décadas da sua vida à publicidade, teve clientes como Microsoft, Volkswagen ou Burger King mas bastaram cinco minutos com o monge Greg para perceber que estava com uma crise existencial.

Em Dezembro de 2009 contratou-o para dar aulas de "mindfulness" aos trabalhadores da sua agência, mais ou menos o equivalente a treino da mente, e acabou convertido. Pelo meio, Bogusky, de 47 anos, ainda tentou manter-se na área. Trocou a Crispin pela agência MDC, foi considerado pela revista "Adweek" o director criativo da década, mas não era suficiente.

"Já trabalhei demasiado tempo na publicidade. Não encontro nenhum desafio nesta área", disse "The New York Times" ao anunciar a "reforma". Nem quando lhe ofereceram cerca de 11 milhões de euros Alex Bogusky desistiu da ideia de se demitir. O publicitário, que nasceu em Miami, está decidido e diz que não é uma crise de meia-idade: "Chegas a uma fase em que começas a procurar qual é a tua parte mais genuína." Criado segundo a máxima do pai: "Parte do prazer de ganhar e fazer com que os outros percam", diz agora que quer encontrar o seu lado menos competitivo.

NOTA: Este caso de Alex Bogusky vem juntar-se a outros semelhantes e a várias opiniões conceituadas. Alguns exemplos de leitura com interesse sobre o tema:

- Simplicidade de vida e justiça social
- Dinheiro não dá felicidade
- Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro
- Lição de vida dada por um Tuareg
- Dispensar excessos, consumismo e ostentação
- O Homem sensato e a Avestruz

Imagem da Net

domingo, 8 de agosto de 2010

Simplicidade de vida e justiça social

Transcrição seguida de NOTA:

Quarenta milionários americanos vão doar parte da sua fortuna
PÚBLICO. 04-08- 2010

Campanha lançada por Gates e Buffett

Quarenta milionários norte-americanos comprometeram-se a doar pelo menos metade da sua fortuna para causas humanitárias, em resposta a uma campanha lançada por Bill Gates e Warren Buffett, dois dos homens mais ricos do mundo.


Buffett prometeu doar 99 por cento do que possui à fundação gerida por Bill e Melinda Gates.

A lista, divulgada um mês depois do lançamento da iniciativa, incluiu nomes como o fundador da CNN Ted Turner, o mayor de Nova Iorque Michael Bloomberg, ou o realizador George Lucas.

Ainda agora começámos, mas a resposta é já formidável”, explicou Buffett, o investidor que prometeu doar 99 por cento do que possui à fundação gerida por Bill e Melinda Gates e está agora empenhado em que outros lhe sigam o exemplo.

Os organizadores explicam que as promessas não implicam uma obrigação contratual, mas apenas um “compromisso moral” e adiantam que os doadores são livres de escolher a organização ou a área a que querem doar parte da sua fortuna, em vida ou após a morte.


NOTA: Que o dinheiro não dá felicidade, nem deve ser pedra de toque para se avaliar do valor das pessoas já aqui foi referido muitas vezes, de que se indicam alguns títulos de posts. Há pobres honestos e sábios e há milionários a quem nada falta para serem os piores bandidos.

Estes quarenta milionários americanos que seguem as pisadas de Bill Gates e Melinda Gates estão na mesma onda dos já aqui citados
Mark Boyle e Karl Rabeder. Oxalá os beneficiados com as sua doações as utilizem da forma mais correcta e que os doadores se sintam bem na vida simples que passarão a levar, pelo manos não terão dores de cabeça com as flutuações da bolsa e a procura das oportunidades de negócio que lhes tiravam muitas horas de sono.

Links:

Dinheiro não dá felicidade

Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro

Milionário desfaz-se da fortuna que o faz infeliz

Lição de vida dada por um Tuareg

A Simplicidade é louvável

Imagem da Net.

sábado, 5 de junho de 2010

A Simplicidade é louvável

A Simplicidade é louvável
Esta manhã, ao abrir os e-mails encontrei uma mensagem e a indicação de um novo post que me levaram a reflectir mais uma vez na simplicidade e na modéstia como pilares da felicidade. Mais tarde, já estava com este texto esboçado, surgiu mais um post a proposito do comentario que tinha colocado no post antes referido e que é um desafio para a minha predisposição para a comunicação do pouco que sei.

A mensagem era um desabafo sobre uma dificuldade que era inexistente e apenas se devia por o remetente, muito afeito a problemas complexos de alta tecnologia não reparou que aquele assunto não necessitava de Internet nem links, bastando apenas um deslizar do rato sobre o texto do Word. Bastava aplicar os ensinamentos constantes em posts como Temas para reflexão e Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara

O primeiro post referido é Apenas sei!..., que constitui um pedaço de boa filosofia em verso. Um estímulo para reflexão, que é uma actividade que está a fazer muita falta à generalidade das pessoas.

A dúvida, a incerteza, devem ser aceites como molas, motores de acção, de movimento. As pessoas passam pela auto-estrada da vida, numa correria louca sem olharem para a simplicidade bela da paisagem. O momento actual é fundamental para sermos felizes ou não. Pouco importa como deslizámos até aqui, embora disso devamos tirar lições úteis para o presente, mas o que importa é vermos atentamente onde estamos, o que nos cerca, as belezas que podemos usufruir e olhar onde vamos colocar o pé no passo seguinte.

As perguntas infantis O quê?, Porquê?, Como?, Onde?, Para quê? são sempre de grande utilidade. Como seríamos mais calmos serenos, sensatos, felizes, se olhássemos à volta e fizéssemos as perguntas que uma criança curiosa faz para vir a ser pessoa adulta! Seríamos mais sábios, mais felizes, aproveitando o essencial e colocando de lado as aparências o supérfluo, e inútil (para que serve? Será mesmo necessário? estará fazer falta?). Deixaríamos de ser vaidosos falsos intelectuais, para passarmos a ser dialogantes em termos claros e simples para transmitirmos a mensagem de forma compreensível aos destinatários.

A vida actual eivada do consumismo e da ostentação tem o dinheiro como um Deus que tudo pode, tudo resolve, tudo salva. As pessoas são avaliadas não pelo que são intrinsecamente, mas pelo que mostram ter (carro, telemóvel, roupas). Isso gera mentalidades presas ao supérfluo, ao inútil, desprezando o simples o essencial, o que constitui a verdadeira essência do ser.

E vamos passando ao lado daquilo que nos poderia tornar felizes se estivéssemos atentos ao que realmente tem significado e não nos deixássemos embriagar pelo que é vistoso e aplaudido, mas que não passa de fantasia e de ilusão fugaz.

A melhor forma de interpretar as complexas realidades é reduzi-las à expressão mais simples. É uma regra da matemática que ajuda a encarar a vida. Ao contrário de muitas pessoas que vestem as coisas simples de complexas roupagens de forma a torná-las transcendentes e difíceis de interpretar, a virtude reside na capacidade de simplificar o que é difícil com vista a encontrar as soluções adequadas.

Convém analisar as realidades com simplicidade e verdade, procurando conhecer as motivações dos comportamentos humanos, interpretar o que se passa, com o mínimo de ilusões e de «burkas» que encubram os argumentos de falsos profetas da sociedade actual. É louvável observar o mundo com a simplicidade que a tabuada, a simples aritmética, permite olhar e escalpelizar.

Quanto mais se complicam as análises, e se brinca com palavras estranhas misturadas com estrangeirismos, mais se procura tapar com a Burka da corrupção, da falsidade de propósitos, para esconder a verdade, por mais graves que sejam as denúncias dos «casos» escandalosos de que resulta prejuízo para os cidadãos.

Quando pessoas que se arvoram em inteligentes e abusam do poder do seu cargo e da credulidade do povo para falarem dos efeitos de um problema mas não vão à análise das suas causas, onde deve ser aplicada a solução, estão a vigarizar os incautos e querer aumentar a sua fortuna de forma imoral, ilegal, sem ética. Mas, as falsidades não duram sempre e o povo começará a abrir os olhos e a distinguir a honestidade da mentira e do roubo, por mais que os meliantes o disfarcem.

Neste blog poderão ser encontradas muitas reflexões relativas a este tema. Não será difícil aos interessados encontrar.

sábado, 10 de abril de 2010

Simplicidade na vida

O post recente «Elogio da simplicidade» é realmente polémico, pois confronta a realidade actual em que o consumismo, a ostentação de poder e de riqueza, a concorrência disputada ao milímetro, o apego ao lucro por qualquer meio, convencem muita gente de que essa é a única forma de vida possível.

Ora, esse post apontava para outros critérios menos stressantes, mais naturais e saudáveis, mais enriquecedores da pessoa como um binómio de aspectos materiais e de ideias e sentimentos, com preponderância para a parte espiritual. É certo que o exemplo do casal inglês Jim Boss Kaz e Cherry exige uma base monetária para suportar as despesas, a não ser que desenvolvam actividade produtiva, sempre possível através da Internet. O mesmo se aplica ao ex-milionário austríaco Karl Rabeder.

Porém, o exemplo do economista irlandês Mark Boyle espelha o que se passa no nosso Alentejo com vários casais estrangeiros que cultivam o seu pequeno monte para produzirem o necessário para viver sem carências, nos fins de semana partem para as praias algarvias, dispõem do computador para as relações com o mundo e vivem sem a azáfama da vida moderna. Um inglês arroteou o terreno que adquiriu na encosta algarvia, deu todas as comodidades à casa rústica, fez um furo para obter água, preparou socalcos na encosta onde cultiva flores e, passado pouco tempo, fez um contrato com a TAP para transportar regularmente de Faro para Londres um carregamento de flores para os floristas londrinos.

Um outro caso concreto, um alemão que leva uma vida do estilo descrito no post «Um dia como os outros», em aparente ociosidade, cultiva ervas aromáticas que vende anualmente para um laboratório de perfumes na Alemanha.

E que dizer das potencialidades do exemplo descrito em «Quem sou?». Em vez de pastor pode passear pela serra ou ir mais longe, sem problemas de horário e, em casa, através da Internet, fazer trabalhos de consultoria, de contabilidade para empresas, de tradução, de ensino e explicações, etc. Conheço pessoas que, na cidade, se dedicam a tais tarefas, que poderiam ser realizadas em ambiente despoluído, sem barulhos nem perturbações urbanas inevitáveis e sem a fadiga da corrida e da concorrência próprias das actividades de quem vive na cidade. Mas estas actividades se forem além do necessário para viver, já deturpam o espírito dos exemplos anteriores.

Espero que estes elementos esclareçam melhor o conceito de vida simples e acendam a polémica de que a colega Celle gosta e sabe alimentar.

Elogio da simplicidade

A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.

Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.

Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem

Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes

A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa

Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.

Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.

Ex-bancária e ex-motorista

Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.

Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.

Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.

A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais uma referência à qualidade da legislação


Mota Amaral, na sua tomada de posse como presidente da AR, em Abril de 2002, incitou os deputados a pensarem no aumento do seu prestígio perante os eleitores, melhorando a qualidade do seu trabalho, elaborando leis mais simples, perfeitas e eficientes. Realmente, são precisas leis exequíveis, rigorosas, claras, sem rodriguinhos, para serem facilmente interpretáveis e úteis.

Recentemente tal apelo tem sido feito por diversos altos funcionários da Justiça, por comentadores e por pensadores independentes.

Mas agora é o próprio Presidente da República. Segundo ele, como “a pretensão de mudar a realidade da vida pela força da lei raramente produziu bons resultados”, é indispensável a qualidade das leis, devendo haver mais rigor, mas sobretudo, “mais ponderação e prudência”, assim como “maior sentido de adequação à realidade”.

Salientou que “muitas das leis produzidas entre nós não têm adequação à realidade portuguesa. Correspondem a impulsos do legislador, muitas vezes ditados por puros motivos de índole política ou ideológica, mas não vão ao encontro das necessidades reais do país, nem permitem que os portugueses se revejam no ordenamento jurídico nacional”.

Esta actuação abstracta e despegada da realidade, faz recordar o caso concreto da segurança rodoviária e da prevenção dos fogos florestais em que, apesar de elevados gastos ainda não foram conseguidos resultados visíveis.

Houve alguém que disse que muitos dos problemas essenciais do País não foram ainda resolvidos porque os políticos ou os desconhecem ou não os querem resolver. Neste momento todos os grandes temas têm sido analisados com bastante profundidade, o que retira credibilidade ao seu desconhecimento por quem quer que seja, logo… Então haverá que analisar o porquê da falta de vontade e a incompetência ou os interesses que poderão estar por detrás.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

«Completamente estapafúrdio». 050422

(Enviada aos jornais em 22 de Abril de 2005)

A China, desde tempos pré-históricos, tem dado mostras de sociedade organizada e vocacionada para o desenvolvimento científico e cultural. Usufruímos de muitos benefícios que foram criados por chineses. Nos tempos mais recentes são notáveis os progressos científicos que lhe permitiram entrar na corrida do espaço, na energia nuclear e na informática, e o seu índice de desenvolvimento tem rondado os 10 por cento em anos consecutivos. Hoje, a sua propensão para grande potência, cria preocupações aos americanos, japoneses e indianos. Interrogo-me se toda essa tendência para o progresso se deve à inclinação para simplificar em vez de complicar, pois é notável, por exemplo, a simplicidade da linguagem, embora a escrita seja ideográfica, em que são inúmeras as palavras e os nomes próprios com menos de quatro letras (Mao Tse Tung, Lin Piao, Li Xau Xi, etc). A simplicidade é uma virtude de espíritos esclarecidos.

Estas reflexões surgiram ao deparar com um caso excêntrico que se coaduna com a propensão dos intelectualóides portugueses de empregarem palavras com a maior extensão gráfica possível, mesmo que, para isso, tenham de acrescentar umas sílabas à palavra original, mais correcta, como é o caso muito frequente de dizer gravoso em vez de grave.

Esse caso inspirador destas palavras foi constituído pela afirmação de uma jovem, pretensamente erudita, mas com pouco vocabulário, deputada, na sessão plenária da AR de 20 de Abril, de que o argumento que rebatia «é completamente estapafúrdio», expressão que repetiu vaidosamente várias vezes. E como o adjectivo de 12 letras não lhe parecesse bastante extenso, fê-lo preceder pelo advérbio de modo de 13 letras que nada acrescenta, sendo abnóxio.

Se a deputada fosse médica ainda tinha a desculpa de estar habituada ao nome das doenças, normalmente longo, por ter de referir os sintomas e o órgão afectado, mas parece não ser o caso. Talvez o facto se devesse à necessidade de compensar a falta de conteúdo do discurso para uma extensão conveniente, com o uso de palavras de «longa duração». Mas «é completamente estapafúrdia» a ideia de procurar força para os argumentos e erudição de orador parlamentar através do uso de palavras pouco utilizadas em tratados de oratória ou de ciências políticas ou jurídicas.

Num juízo rápido, esta excentricidade é uma ostentação abnóxia ou inútil. Seria conveniente que os políticos, ao invés desta jovem deputada, procurassem ser claros e objectivos para merecerem a confiança e os votos dos eleitores. Recordo o meu barbeiro que diz que, sempre que ouve os políticos, lhe apetece fazer um pedido e uma pergunta. O pedido é: «Troque lá isso por miúdos para eu perceber o que está a dizer» e a pergunta é: «O senhor acredita mesmo naquilo que esteve a dizer?». Realmente a virtude está na simplicidade e o exemplo chinês deve ser tomado em consideração.