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sexta-feira, 28 de março de 2014

REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA E TEIMOSIA DOS SÁBIOS NO PODER


O tema da reestruturação da dívida é de tal forma merecedor de cuidada análise e ponderação que estranha a forma como, de repente, sem a mínima reflexão, os 70 notáveis que assinaram o manifesto foram apelidados de masoquistas

Depois surgiu o manifesto de 74 economistas estrangeiros a que quase não foi dada atenção.

Por fim, o nobel da economia Joseph Stiglitz defende "reestruturação profunda" da dívida portuguesadisse que não deveria ser repetido o erro dos gregos que não realizaram logo em 2012 uma "reestruturação tão profunda como deveria ter sido feita".

Que argumentos convincentes apresentam os nossos «sábios» do Poder para esclarecerem os portugueses de que a sua própria opinião obstinada e «determinada» está mais correcta do que as constantes dos manifestos e da entrevista do Nobel?

Imagem de arquivo

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Combate à Hidra Financeira

Realmente, o actual regime precisa ser rapidamente substituído, eliminando-se todos os factores imorais de desenvolvimento das injustiças sociais. Há no exterior bons modelos a perfilhar para, a partir deles, se fazer uma boa reestruturação. Do texto que se transcreve conclui-se pela necessidade de vencer a hidra financeira que faz secar e mirrar toda a economia, em prejuízo dos portugueses normais e em favor de uns quantos exploradores protegidos e cúmplices do Poder que lhes garante impunidade, em troca, de favores e tachos.

Pondo de parte os aspectos partidários, este fenómeno deve ser analisado com os olhos postos nos interesses nacionais, porque é Portugal e o seu futuro que está em perigo. O combate à crise e as medidas para evitar que ela reapareça deve ser encarado por Portugal e não pelos partidos, de per si. É um problema Nacional, abrangente que exige visão apartidária e estratégica, de longo prazo.

Uma alternativa de justiça!
Jornal de Notícias. 14-06-2010. Por Honório Novo

Na Alemanha, proíbem-se fundos de risco de operar nas bolsas. Em Portugal, podem operar quase livres de impostos. O país está transformado numa espécie de paraíso fiscal onde SGPS, fundos de risco e entidades residentes no exterior quase nada pagam ao Estado. Esta é uma das faces da injustiça em Portugal. Mas, ao contrário do que dizem o PS e o PSD, há um caminho alternativo para aumentar as receitas do Estado em época de crise. Não pode ser sempre o povo a pagar pela especulação de um sistema financeiro irracional, não podem ser sempre os mesmos a perder o emprego e os apoios sociais a que têm direito, a sofrer na carne o aumento dos impostos.

Há alguma razão para que aviões particulares, iates e casas de luxo, Ferraris ou Bentleys não paguem uma taxa adicional e temporária de imposto, como o PCP propôs esta semana no Parlamento?

Há alguma razão para que - tal como já anunciaram a Alemanha e outros, e como fez o PCP esta semana - não se crie um novo imposto sobre transacções financeiras, e se taxam as transferências para paraísos fiscais destinadas a fugir aos impostos (e que em 2009 atingiram mais de 11 mil milhões de euros, quase tanto como o défice do país)?

Há alguma razão para que a Banca (com lucros de 5 m€ por dia em 2009), e os grupos económicos com lucros acima de 50 m€, continuem a beneficiar de benefícios fiscais que lhes permite pagar de IRC uma taxa sempre inferior a 14%, quando as pequenas empresas pagam uma taxa efectiva de 25%?

Com a alternativa do PCP, o Estado poderia obter três vezes mais receita do que a que o bloco central espera ter com o PEC2, que penaliza ainda mais quem trabalha. Não basta - como fazem PS e PSD - invocar o interesse nacional em vão. O interesse nacional mede-se sobretudo pela justiça do que se propõe.

Imagem da Internet.

Situação a precisar de boa terapia

Transcrição seguida de NOTA:
Insustentável
Jornal de Notícias 12-06-2010. Por Pedro Baldaia

O presidente da República considera que a situação do país é "insustentável", enquanto o primeiro-ministro considera que não, que é apenas "difícil, como no resto da Europa. Quem tem razão é Cavaco, mas Sócrates dá uma ajuda, porque de facto a situação é insustentável em toda a Europa. Tem razão Sócrates quando destaca do discurso presidencial o apelo à união, ao compromisso, entre políticos, patrões e trabalhadores, para tirar este país desta crise onde cresceu.

O país não entrou em crise, o país tem-se desenvolvido em crise. Em crise de valores, em crise de justiça social, em perda de legitimidade da classe política. É insustentável sair desta crise económica sem cuidar de construir outro país. É insustentável manter esta Europa sem fazer dela uma federação com direitos e obrigações iguais para todos.

Temos de ser mais exigentes na produção de riqueza e na sua distribuição, sem demagogias, mas também sem medo de ser politicamente incorrecto e exigir que os especuladores que acumulam não possam esconder a cara atrás das leis do mercado.

É insustentável que os próximos governos se limitem a fazer o que fizeram todos os governos desde que Portugal aderiu à União Europeia. Não chega receber de Bruxelas e despejar pelo país. São precisas ideias. Ideias que não tiveram Cavaco, Guterres, Durão, Santana e Sócrates. Uns melhor e outros pior, limitaram-se a conduzir a direito.

É preciso gente nova, gente que não tenha medo de perder eleições na tentativa de ganhar um país mais justo e solidário.

NOTA: Uma interessante abordagem do problema. Neste blog podem ser encontrados textos que dão mais amplitude à análise da situação «insustentável». Podem ser pesquisados pelas palavras: ruptura, jovens, código, crise, reestruturação, governar, interesses nacionais, etc.