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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Diálogo em vez de guerra

O secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, confirmou ontem que os EUA, bem como outros países, tinham iniciado negociações de paz com os taliban, com vista à resolução política da guerra no Afeganistão.

É uma atitude louvável que só perde por ser tardia. Estes casos fazem nos pensar: se todos os conflitos acabam sempre com conversações, depois de tantas perdas de vida e de recursos, alguns de valor histórico, arqueológico e cultural que são irrecuperáveis, porque é que, antes das primeiras agressões bélicas, não são efectuadas negociações para sanar o atrito e reforçar a Paz? Fica-se sempre na dúvida de quais são as forças poderosas e diabólicas que levam às guerras, pois dadas as qualidades intelectuais e de bom senso dos governantes, tais poderes ocultos devem ser terrivelmente potentes. Será apenas o «complexo industrial militar» a que Eisenhower se referiu?

Este tema já aqui foi abordado várias vezes de que se refere, por exemplo:

Guerra a pior forma de resolver conflitos
Negociação em vez de guerra
A Paz pelas conversações
Qualquer guerra é uma tragédia evitável A Paz como valor supremo

Imagem do Google

quarta-feira, 6 de abril de 2011

ONU criou na Líbia um precedente grave

A utilização de poderosos meios militares na Líbia, numa nítida ingerência na política interna de um Estado independente, com o pretexto de resolver um problema de direitos humanos, criou um precedente de alto grau de gravidade que pode trazer, por arrastamento, situações demasiado confusas e contraditórias.


Pode analisar-se por oposição aos casos que a ONU prometeu resolver com referendos na Caxemira (1947) e no Saraui (1987), com a não entrega do Poder ao Novo Presidente eleito na Birmânia (Myanmar) (1990), com caso semelhante mais recente na Costa do Marfim (28-11-2010), etc

Compreende-se que alguns chefes de Estado com alguma representatividade internacional não gostem da personalidade de Muammar al Kadhafi, poderá discordar-se frontalmente da violência com que reprimiu a revolta popular, mas isso não legaliza a ingerência bélica em assunto interno. Há outros meios diplomáticos para situações semelhantes. Por exemplo, no diferendo recente entre as Coreias, enquanto os EUA avançaram para a área com porta-aviões para exercícios militares com a Coreia do Sul, em atitude ameaçadora de aviso a Pyongyang, a China tomou uma iniciativa diferente, enviando embaixadores a cada uma das Coreias para apaziguar os ânimos pela via do diálogo, objectivo que conseguiu. Também, quanto à Líbia, para garantir a sua neutralidade no caso da invasão do Iraque, a França e a Grã-Bretanha, pela via diplomática, conseguiram que Kadhafi se integrasse na política ocidental e deixasse de apoiar o terrorismo, sendo colocada uma pedra sobre o abate de avião comercial sobre Lockerbie.

Há dias, num grupo de amigos levantou-se conversa sobre este antecedente criado pela ONU. E, curiosamente, houve quem afirmasse que tudo o que a ONU decide é legal pois não há nada superior ao seu poder, que a possa condenar. E, mais adiante, a mesma pessoa defendeu que em política internacional não há regras, nem moral, e são os interesses dos intervenientes que ditam os procedimentos e os comportamentos. Fiquei espantado, porque não esperava ouvir isto de tal pessoa. Se na prática é um pouco assim, em teoria, e no campo dos conceitos, isso não deve ser defendido e usado como argumento.

Prefiro optar pela opinião do conselheiro de Estado, economista Vítor Bento exposta no artigo Políticos foram os maiores culpados da crise, diz conselheiro Vítor Bento em que defende que a moral não deve estar ausente das decisões políticas, o que foi publicado no post Economia, moral e política. Parece que o maior cancro da sociedade actual, desde os Estados e à humanidade global, é a ausência de ética, de respeito pelas pessoas, pelos outros, pela lógica, sendo tudo suplantado pelo dinheiro, os bens materiais que sirvam para a ostentação de poder, em todas as suas formas, as matérias primas estratégicas que garantam poder e domínio sobre os mais fracos, etc.

É preciso fazer um esforço persistente e bem participado para restaurar os valores que permitam um melhor relacionamento entre os seres humanos e as suas instituições de forma a que não voltem a repetir-se violências assassinas como a que a ONU desencadeou contra o povo Líbio, que já estava e continua a estar bastante sacrificado. A Paz deve ser um objectivo desejado a todos os níveis e ela não se adquire, de forma duradoura, com agressões violentas.

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domingo, 20 de março de 2011

O Mundo pela Paz


Perante a notícia de que Mísseis da coligação começaram ofensiva contra Khadafi, na sequência de decisão da ONU, com apoio da União Europeia, da Liga Árabe e da Unidade Africana, parece poder concluir-se que o mundo está no bom caminho, na defesa dos direitos humanos e da democracia e na luta contra ditadores e opressores das liberdades fundamentais. Este caso vai além de conflitos internacionais para entrar em assuntos internos de injustiça social em que se previam massacres acrescidos contra populações descontentes com governo iníquo.


Ao dizer isto, não contradigo o muito que aqui tenho publicado em defesa da paz pelas conversações, negociações e contra a guerra. Esta deverá ser a última medida depois de terem fracassado todas as tentativas pacíficas de solução para dificuldades de entendimento.

Quem, pesquisar nos meus blogs pelas palavras conversações, negociação e paz encontra variados títulos de que cito os seguintes, por ordem alfabética, para facilitar o trabalho a interessados mais carentes de tempo:


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sábado, 5 de junho de 2010

Instrumentos do Poder

O jornalista Luís Portela, na sua crónica do Jornal de Notícias, Força Universal, apresenta um tema que merece atenta reflexão e ao qual vou dedicar umas linhas para chamar a tenção dos leitores para o artigo completo (basta fazer clique sobre o seu título) e para lembrar aos meus visitantes assíduos deste que o tema foi aqui focado em vários posts linkados no fim deste texto.

Luís Portela começa por referir que «parece que os homens primitivos procuravam impor as suas ideias e dominar os outros pela força física. Algumas pessoas ainda hoje utilizam esses métodos.» Depois a casta dava poder aos privilegiados. Veio também a valorização de factores como «a linhagem, a raça, a classe social, o nível de acumulação de bens materiais, …

Depois o valor pessoal passou a assentar nas capacidades demonstradas «na ciência, nas artes, na economia, no desporto… Não precisavam de impor, antes iam conquistando.» Foram percebendo que «a sua capacidade de realização, crescendo com a sua vontade, a sua paciência, a sua persistência, a sua coragem, a sua determinação, seria tanto maior quanto maior fosse o seu respeito pelas leis universais.»

«A actuação de seres como Einstein, Gandhi, Teresa de Calcutá ou Nelson Mandela faz-nos ponderar que a verdadeira força não é a física ou das armas, não é a da classe social ou política, não é a económica ou do conhecimento meramente científico. Leva-nos a pensar que a verdadeira força pode abarcar tudo isso, mas está para além de tudo isso.»

«Faz-nos ponderar que a verdadeira força vibra em cada um de nós, como partículas da Força Universal. Faz-nos sentir como parte integrante dessa Força Universal, embora por vezes, ou muitas vezes, esquecidos dessa realidade. Faz-nos sentir que essa Força Universal está espelhada em cada um de nós, ou seja, que cada um tem em si todo o seu potencial. A explorar de si para consigo, de si para com o Todo. Sem necessidade de impor seja o que for, seja a quem for. Em harmonia, serenamente, com Amor.»

Esta explicação vem reforçar, por palavras diferentes os temas abordados nos posts seguintes:

- A Paz no Mundo será possível?
- A Paz pelas conversações
- Negociação em vez de guerra
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Nobel da Paz. Negociação e Mediação
- Humanidade sem terrorismo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Qualquer guerra é uma tragédia evitável

Foram muitas vezes aqui abordados os temas «conversações», «negociações» e «paz» (procure cada um destes itens através da caixa de pesquisa do blogue) e, como noutro post recente ficou escrito, não se tratava de mera utopia ou imaginação lunática, mas de um desejo convicto e uma percepção de que isso é possível, assim haja cérebros iluminados à frente dos Estados. Se todas as guerras terminam num tratado de paz à mesa de conversações, pergunta-se porque não fazer conversações e negociações em vez de guerras que destroem vidas e recursos materiais, históricos e culturais?

Repito aqui estas palavras por ter lido hoje as seguintes notícias
«Bombardeamento norte-americano mata 22 pessoas no Paquistão»e «Quatro civis mortos por soldados da OTAN no Afeganistão» e ficado com vária interrogações acerca da sanidade mental dos causadores destas perdas de vidas e a destruição de património e recursos variados que se perdem estupidamente. À pergunta «quem ganha com estas devastações?» é fácil responder que são os industriais de material bélico e fornecedores de todos os serviços logísticos necessários aos militares. Mas as decisões de fazer a guerra cabem aos políticos, o que levanta a questão da fonte do Poder, de quem manda realmente na vida internacional.

Das guerras mais recentes – Somália, Sérvia Kosovo, Irão, Afeganistão – dificilmente se compreendem motivos que as justifiquem inteiramente e que, mesmo em termos materialistas, mostrem vantagens nas decisões tomadas. E a mais preocupante dúvida refere-se ao papel da ONU, e das vantagens da sua existência no tocante ao problema da Guerra e da Paz. Os resultados não são nada eloquentes e lisonjeiros.

Quando será que os estadistas do mundo, principalmente das grandes potências, decidem acabar com a belicosidade e recorrer mais decididamente à diplomacia. Por exemplo quando se acaba com a ilusão da «não proliferação nuclear» e se decide a eliminação de todas as armas nucleares existentes? Tal como hoje está, havendo igualdade de direitos entre os Estados, nenhum tem o direito de possuir tais armas e querer impedir os outros de as adquirirem. Portanto a melhor solução é a sua eliminação total sem excepção.

sábado, 15 de agosto de 2009

Diálogo possível 060208

(Publicada no Destak em 8 de Fevereiro de 2006, p. 15)

Há poucos anos, um político português com larga experiência defendia o diálogo como panaceia para todas as situações críticas no mundo. Logo nessa altura manifestei a minha reserva quanto a tal solução miraculosa em casos como os do terrorismo concretizado nas torres gémeas, nos comboios de Madrid ou no metropolitano de Londres. Mas há situações em que as partes estão bem identificadas e têm em comum alguns objectivos, pontos de contacto que podem permitir a conjugação de esforços em benefício das populações. Exemplos destes podem ser encontrados, por exemplo, em Espanha (Eta e Catalunha), na Rússia (Chechénia), no Sudão (Darfur e Sul), No Sri Lanka (Tamil), na Indonésia (Aceh).

O diálogo é, efectivamente, uma ferramenta importantíssima nas relações internacionais actuais. Deu bom resultado na Líbia e na Coreia do Sul. Poderá também ser eficiente no Irão quanto ao nuclear e na Palestina com o novo governo que, ao assumir funções, sentirá sem dúvida, sobre os ombros o peso da responsabilidade de conduzir o país ao desenvolvimento para o que lhe é indispensável a coexistência pacífica com os países vizinhos e com todo o mundo de quem precisa apoio. Por isso, existem objectivos comuns entre a Palestina, os países do Médio Oriente e as principais potências económicas e políticas do mundo. Tudo leva a crer que um diálogo franco e negociações honestas eliminarão o medo e a desconfiança e poderão ajudar o Hamas a fazer a transição eficiente de grupo terrorista para governo respeitável, eficiente e colaborante, do que resultará benefício para os palestinianos e para a paz no Médio Oriente.