sábado, 10 de abril de 2010

Elogio da simplicidade

A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.

Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.

Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem

Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes

A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa

Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.

Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.

Ex-bancária e ex-motorista

Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.

Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.

Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.

A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.

Justiça rápida e eficaz

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) reagiu de imediato às declarações de Emídio Rangel na Comissão Parlamentar de Ética, que esta associação considera ofensivas e, por isso, vai "fazer valer os direitos que a lei lhe confere para repor a verdade e o seu bom nome, através de uma queixa-crime e indemnização cível, pedindo essas responsabilidades ao jornalista Emídio Rangel".

Afinal a lentidão da Justiça que toda a gente refere, sem meias palavras, não se deve a falta de meios ou de capacidade de reacção oportuna aos crimes que preocupam as populações quer urbanas quer rurais. Como agora se vê, quando lhes toca na pele, saltam de imediato. Parece que o seu mal é faltar motivação para assegurar a justiça à população, aos outros. E isto acontece apesar de se denominar «órgão de soberania», embora não eleito democraticamente.

Recordo-me da onda de crimes praticados pelas FP 25 em Maio de 1983 (se a memória não me atraiçoa), numa conversa com um alto responsável por uma das Forças de Segurança sobre a situação e eu ter exclamado não imaginar na forma como aquilo iria terminar. Ele respondeu que não haveria muito a fazer enquanto os autores da onda de violência não fizessem uma carícia na anca de uma familiar de um político porque, quando isso acontecesse, quando os governantes se sentissem fossem atingidos através de familiares ou amigos, reagiriam logo, de imediato.

Parecia um vaticínio de sábio pois, pouco tempo decorrido, as FP 25 assassinaram o administrador da Fábrica de Louça Sacavém, amigo do então primeiro-ministro, o que levou este a reunir-se com os responsáveis pelas Forças de Segurança e pela PJ para agirem de imediato detendo todos os suspeitos. E o dia foi marcado, mas por a PJ não ter possibilidade de nesse dia deter simultaneamente todo o elenco, houve um adiamento por mais uns dias o que irritou seriamente o PM que, pelo facto, foi muito descortês para o Director da PJ.

Agora, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) seguiu o exemplo. Não posso recordar sem saudade esse meu amigo, já falecido, dotado de inteligência prática e visão clara e realista das mentalidades reinantes. E isto acontece agora só porque «Emídio Rangel acusa juízes de violarem segredo de justiça», coisa de que elementos do sistema de Justiça têm referido várias vezes através dos órgãos da Comunicação Social, embora por outras palavras.

Será de desejar que, a partir de agora, se torne bem visível a dedicação ao povo para quem todo aparelho do Estado, incluindo a Justiça, deve funcionar, a rapidez e eficácia que agora foi notória. Para Bem de Portugal.

Código de conduta

Havia uma canção brasileira que tinha esta frase «Se eu era fraco, meu bem, ficava louco». Pois posso dizer que, se fosse fraco, ficava vaidoso. É que dos elementos da equipa do mentor político de Pedro Passos Coelho alguém concordou com a minha sugestão apresentada em 30 de Agosto de 2008 no post «Reforma do regime é necessária e urgente» em que referia a conveniência de «um pacto de regime com um código de conduta assinado por todos os partidos em que fiquem bem claros princípios de comportamento dos governantes e das oposições».

Com efeito a notícia «Passos Coelho propõe código de conduta ética para políticos» é o aproveitamento dessa ideia, que depois da formulação inicial atrás citada, já tinha sido reafirmada nos posts «Código de bem governar», «Ética na Política» e «Para um código de conduta dos políticos».

Já que a ideia foi agora aproveitada, sugiro que seja devidamente estruturada por uma equipa pluripartidária constituída por cidadãos que coloquem os interesses nacionais acima dos interesses partidários, de maneira que o código seja aceite e praticado por todos.

Por exemplo tem sido escandaloso um Governo parar obras iniciadas por outro, com total desperdício dos recursos já gastos. Por isso seria interessante que os grandes projectos só fossem decididos de forma que governos seguintes lhes dessem continuidade. Isso se passa com reformas na Saúde, na Educação, na Justiça, na Segurança Interna, nas Forças Armadas, na Administração Pública, etc. Não se compreende que se desmantele a Brigada de Trânsito e pouco tempo depois se considere sensato reactivá-la.

Saramago disse

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

NOTA: Os políticos não privatizarão o Estado, não por pensarem nos cidadãos, mas apenas para benefício dos 'boys' com lugares de assessores, deputados, secretários de Estado, ministros, etc. E as outras privatizações não são completas para lá poderem colocar os meninos das jotas como o Rui Pedro e outros de competência familiar semelhante. A privatização é apenas parcial para garantir dinheiro para pagar os salários, prémios e mordomias aos parasitas do sistema.

Democracia não é isto

Transcrição de um comentário de Mentiroso em resposta a outro, no seu blog A Mentira

Com efeito o regime mudou grandemente desde o 25 de Abril, como diz, mas nunca foi democrático. O que os políticos corruptos e os jornaleiros coniventes dizem jamais pode ser tomado como certo sem análise prévia e muito objectiva e ainda por comparação. Houve, sim, muita gente, incluindo alguns deles mesmos, que estiveram convencidos de que havia democracia, mas tal não aconteceu. O que se passou foi simplesmente os falsários apalparem o terreno durante muito tempo para se irem aperfeiçoando nas suas trafulhices enquanto convenciam o povo ignorante de que vivia em democracia.

Alguma vez leu artigos dos jornaleiros nacionais a explicar como se vivia o dia a dia e se procedia politicamente nos países tradicionalmente democráticos? Alguma vez leu algo sobre como os povos democráticos controlam os seus políticos para nunca chegarem a qualquer situação semelhante à nacional? Se lá se chegou foi porque os corruptos, com a ajuda imprescindível dos jornaleiros, convenceram os papalvos de que isto era uma democracia e de que em democracia era assim que se fazia. Já viu algum povo mais ignorante e incivilizado na Europa, à parte alguns eslavos?

Como foi possível chegar-se a esse ponto? De certo não foi por método democrático. Todas as soluções para se chegar a um fim democrático são válidas e de direito se não vai a bem deverá ir a mal. Como está é que não se pode continuar; tudo é corrupto, até a justiça.

Para ganhar a batalha – como refere – só pode ser pelo mais evidente e mais simples: o que está neste post. É esse o fundamento de vários destes posts e do meu comentário no seu blog. O futuro o demonstrará do mesmo modo que demonstrou o que no tempo do Cavaco previ o presente e está no meu site. Não era preciso ser bruxo nem mesmo inteligente; bastava fechar os ouvidos aos vendedores de banha da cobra e concluir a partir daquilo que se estava a passar. Na altura riram-se disso, agora chorem à vontade. Se ler aqui, está lá tudo, há anos. Tem um defeito: é muito longo. Mas como explicar a quem pensa já saber?

NOTA: Este texto deixa o apetite para visitar os textos linkados que são extensos, como o autor afirma, mas que são merecedores de cuidada reflexão sobre as realidades que nos vêm preocupando e as possíveis soluções para se conquistar um futuro mais prometedor e seguro.

Submarinos e 'Pandur'

Andavam os deputados e a comunicação social tão entretidos com os submarinos e eis que aparece a juntar-se-lhes outro tema, também fardado, as 'Pandur', para aumentar o entusiasmo da abordagem às suspeitas de corrupção.

Se esta incidência em materiais militares – autometralhadoras e submarinos - resultar num exaustivo e eficaz ataque a todos os casos de corrupção vindos a público, que seja bem vindo.

Mas se estes casos servem apenas para desviar as atenções de problemas graves como a saúde, as escolas, a justiça, a insegurança e criminalidade, a injustiça social e outros, então, em vez de serem encerrados daqui a alguns meses, será preferível encerrar já e dirigir as atenções e as energias para os problemas que afligem a quase totalidade da população.

Fica o assunto ao são critério de quem tem a responsabilidade de gerir os destinos da população, para esta passar a ter melhores condições de vida e motivos para alguma esperança no futuro dos filhos e netos.