domingo, 28 de fevereiro de 2010

Estabilidade ou estagnação?

Os políticos, principalmente quando estão bem instalados nas alcatifas do Poder, abusam da palavra estabilidade, deixando um sabor amargo a estagnação. Defendem a imobilidade, a ausência de reformas, de mudanças fazem poucos gestos para iludir os papalvos mas deixando tudo na mesma.

Comecei a magicar e recordei os meus tempos de jovem utilizador de bicicleta que, quando parada, não tem a mínima estabilidade, e só a adquire quando em movimento mais ou menos rápido. Lembrei-me de um jovem aviador que dizia, com muita graça, que teve que desobedecer à mãe que estava sempre a recomendar-lhe para não voar com muita velocidade.

Em contrapartida ao movimento, à dinâmica, ao progresso que são inerentes á estabilidade, a estagnação faz pensar na águas do charco, do pântano, que apodrece, gera cheiros pestilentos, nauseabundos e mata plantas e peixes.

Mas, não contente com os meus próprios pensamentos, quis confrontá-los com outras opiniões e acabei por encontrar na Internet o seguinte texto

Mudança e estabilidade

Você já pensou sobre os conceitos acima citados?
Sim! - Não!
Então vamos pensar um pouco.
O que significa estabilidade para você?
Estabilidade para muitas pessoas significa chegar a um ponto máximo de realização e desenvolvimento e então permanecer parado neste ponto.
Para outras significa conquistar segurança e conforto.
O que acha?
Você concorda com esta ideia?
Caso você concorde pense se estas definições acima... elas significam estagnação.
Estagnar significa parar, será que estabilidade e estagnação são sinónimos? Acredito que não!
Acredito que estabilidade significa conquistar segurança e conforto em várias áreas da vida, mas isto não quer dizer que chegamos ao nosso ponto máximo, pois estamos em constante crescimento e desenvolvimento, a evolução é um ciclo contínuo e não pára nunca. Portanto estabilidade está relacionada com conquistar a tão sonhada segurança, mas é preciso saber administrá-la para mantê-la, sendo assim são necessárias constantes mudanças e uma boa capacidade de adaptação.
Neste ponto vou introduzir o conceito de mudança.
Você acredita que a estabilidade só é possível com mudanças?
Se você respondeu que sim, Parabéns!
Pois é, para conquistarmos a estabilidade é necessário que mudanças ocorram em nossas vidas, sejam elas, afectiva, académica, profissional, ambiental, física ou profissional. A mesma afirmativa serve para a manutenção desta estabilidade.
Aquele que conquista estabilidade, mas não consegue se adaptar às mudanças sociais, económicas, políticas e etc. dificilmente manterá a estabilidade. Um exemplo desta situação, são as empresas que não acompanharam as mudanças tecnológicas, entre outras que estão acontecendo constantemente no mundo, a tendência dessas empresas é serem sugadas pelas oscilações e sumirem do mercado. Pense agora em você, que mudanças foram ou são necessárias para conquistar ou manter a estabilidade.
Fica aqui uma dica e uma reflexão:
A estabilidade só é possível com mudanças.

Manifestação em apoio de Sócrates

SMS convoca manifestação de apoio a Sócrates para dia 20
Diário Digital. sábado, 13 de Fevereiro de 2010 | 17:45

Uma mensagem de texto anónima está a circular entre os militantes socialistas a convocá-los para uma manifestação de apoio a José Sócrates na Alameda Fonte Luminosa, em Lisboa, pelas 15:00 horas, no próximo dia 20. «Vamos repudiar esta campanha suja contra o PS e contra Sócrates», anuncia.

«Vamos de novo encher a Alameda Fonte Luminosa», onde, no Verão de 1975, o PS, então liderado por Mário Soares, fez um grande protesto contra o PCP, num momento considerado histórico para os socialistas. «Está na hora do PS se unir e combater esta baixa campanha, urdida pela direita dos interesses!», continua.

«Um partido que sempre lutou pela democracia e liberdade não pode aceitar calado este ataque sujo! Vamos repudiar esta campanha contra o PS e Sócrates e mostrar bem altas as nossas bandeiras. Divulga», pede ainda a SMS, que já é do conhecimento do PS, que afirma desconhecer a sua origem.

«O PS não tem nada a ver com isso», declarou a assessora de imprensa do partido, Catarina Faria, de acordo com a edição electrónica deste sábado do jornal Público.

NOTA: Será que assim se conhece a força do PS??? Se houver mais do que os 20% dos eleitores inscritos, tantos quantos teve nas legislativas, fica provado que manteve o seu eleitorado, embora pouco representativo! Fazem bem em aproveitar a liberdade de reunião e de manifestação, enquanto não a retirarem como estão a fazer à liberdade de expressão e de opinião.

Sucessores de Sócrates já na lista

No post Investigar é mais saudável do que abafar e em outros posts nele linkados era apontado o inconveniente do ambiente de suspeitas sendo defendido que a investigação para esclarecer a verdade será a melhor via para um ambiente ético saudável e gerador de confiança e de respeito. Porém as notícias mostram que há quem aposte no «abafar» até ao último suspiro. E este parece estar próximo como transparece do artigo a seguir transcrito.

Pós-Sócrates já é tema de conversa no PS
Diário de Notícias. 12 de Fevereiro de 2010. por João Pedro Henriques

Por enquanto são só murmúrios. Ninguém dá a cara. Mas a realidade é incontornável: o PS começa a discutir cenários pós-Sócrates, nomeadamente no grupo parlamentar. Paulo Portas, líder do CDS-PP, percepcionou isso mesmo e ontem afirmou: "Começa a haver muita gente que acha que o primeiro-ministro, com a sua atitude, está a tornar-se no primeiro problema que impede a resolução dos problemas reais dos cidadãos."

Um alto dirigente do PS afiançou ao DN a forte disponibilidade de José Sócrates para "dar luta". Mas admitiu, simultaneamente, que a situação se pode estar a encaminhar para um ponto insustentável.

Desenvolvendo então uma tese: se o Governo caísse por uma crise política convencional (um chumbo do Orçamento do Estado, por exemplo) então Sócrates teria condições para se candidatar de novo a primeiro-ministro. Mas se o líder socialista viesse a ser destronado por uma crise de índole ético-moral (comprovando-se, por exemplo, que o Governo manobrou para afastar jornalistas incómodos da TVI usando a PT), então o partido não teria outro remédio senão substituir Sócrates.

Os nomes referidos para a sucessão são vários: António Costa, António José Seguro, Vieira da Silva, Luís Amado, Teixeira dos Santos. Costa já terá mandado dizer que recusa o "cenário Santana": ser primeiro-ministro sem eleições legislativas.

Alguns dirigentes já verbalizaram a sua incomodidade com o caso. Ana Gomes: "Não é possível varrer para debaixo do tapete as questões que tais escutas suscitam: é preciso esclarecer se era, ou não, por instruções governamentais que a PT estava a negociar a compra da TVI à Prisa."

João Cravinho: "Isto é uma grande questão de Estado e as grandes questões de Estado tratam-se no plano político, frontalmente, com argumentos convictos e com força. Não podem ser chutadas para canto nem podem ser cobertas por floreados formais." Vera Jardim: "É urgente que se faça luz sobre isto. (...) Este clima não é sustentável."

Todos os olhares socialistas se viram agora para o Presidente da República - ao mesmo tempo que se especula permanentemente sobre as novas revelações a caminho. O que fará Cavaco Silva à medida que a posição do primeiro-ministro for ficando fragilizada? Recordam-se, de permeio, os exemplos das lideranças de António Guterres e Ferro Rodrigues: ambos se afastaram quando perceberam que tinham deixado de ser a solução e passado a ser o problema. No pós-Guterres, o PS só perdeu as legislativas (de 2002) por dois pontos percentuais; no pós-Ferro (2005) o PS conquistou a primeira maioria absoluta da sua história.

Ontem, no Parlamento, vários ministros estiveram debaixo de forte pressão dos jornalistas para comentarem o caso da providência cautelar sobre o Sol. O caso não podia ter surgido em pior altura: o Governo estava todo na Assembleia por causa do debate do OE-2010. Foram sendo "pescados à linha" pelos jornalistas.

Jorge Lacão (Assuntos Parlamentares) deu o mote: "É matéria em relação à qual o Governo nada tem que ver. É uma questão do foro judicial." Alberto Martins (Justiça) foi pelo mesmo caminho: "Não comento tudo o que está a ser apreciado no âmbito da justiça. A justiça tem as suas regras, os seus procedimentos próprios." E também Pedro Silva Pereira (ministro da Presidência): "Eu respeito as decisões da Justiça e não comento as decisões dos tribunais." Francisco Assis, líder parlamentar, tentou proteger Sócrates: "Tem-se comportado de forma irrepreensível em todo este processo."

Portugal precisa de eficácia

Transcrição seguida de Nota:

Surrealista
Destak. 100211. Por João César das Neves

O processo do Orçamento de Estado de 2010 parece um filme surrealista, sequência de acontecimentos insólitos e incompreensíveis. Vejamos: a 26 de Janeiro, como lhe competia, o Governo apresentou esse diploma, que incluía um défice de 9,3% do PIB em 2009, um dos mais elevados de sempre. A subida de 6,6 pontos percentuais num ano é a maior registada na nossa história.

Perante isto o Governo, no poder há cinco anos, não pediu desculpa nem sequer se mostrou muito envergonhado. Aliás, até se notou um certo orgulho, dizendo que a situação se devia ao excelente apoio dado às empresas em crise. O facto de 2009 ter sido ano eleitoral nem foi mencionado.

Dado que era assim, seriam de esperar medidas duras, austeridade severa, propostas dolorosas para 2010. Pelo contrário, o Executivo desdramatizou. Não seria preciso subir impostos nem descer salários de funcionários. Tudo se resumiria a ajustes menores sem nada que se destacasse.

As autoridades europeias, agências de rating e mercados tremeram e as nossas condições financeiras pioraram muito. A reputação portuguesa, que melhorara com a notícia do consenso parlamentar para aprovar o OE, caiu a pique quando ele surgiu. Isto mostra que não há má vontade internacional contra nós, apenas reacção razoável aos dados disponíveis.

O que faz o Governo face à emergência? Cria uma enorme tempestade política por causa... de uns trocos para as regiões autónomas!! Bem sei que estamos em crise, a política é complexa e os tempos difíceis. Mas assim não nos podemos admirar que não nos levem a sério.

NOTA: A transcrição deste artigo deve-se à forma sintética como retrata um facto que expressa o método como se desviam as atenções dos fenómenos essenciais do País para pormenores laterais sem grande significado nacional. Uma táctica que poderá ser rentável para efeitos partidários, mas que, ao ser assumida pelos governante, no seu quotidiano, conduz ao descuido do estudo e das decisões indispensáveis para a resolução das grandes tarefas do Governo de que o País necessita para sair da crise dramática em que tem sido afundado por incúria dos «responsáveis». Não pode esquecer-se que os problemas não terão solução enquanto estiverem por trás das costas.

Este texto recorda As calhandrices, já aqui citadas no post Parlamento vai ter sala de fumo. Será bom que os nossos políticos acordem e deitam mãos ao trabalho sério para bem de Portugal.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Investigar é mais saudável do que abafar

Transcrição:

Buraco da fechadura
Correio da Manhã. 09 Fevereiro 2010. Por Eduardo Dâmaso, Director-adjunto

Onde estão os factos da ‘Face Oculta’ na versão ‘atentado ao Estado de Direito’? É simples: durante uma investigação judicial legítima em que Armando Vara e Paulo Penedos são suspeitos de ajudar um empresário aparecem conversas com um administrador da PT que indiciam a manipulação da empresa para comprar e controlar editorialmente a TVI; condicionar a liberdade editorial do ‘Público’; criar um condicionalismo ao Presidente da República, indiciando que Cavaco Silva será vulnerável a alegados negócios a propor a um familiar.

O negócio da PT visaria afastar José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, mas nas conversas entre o dito administrador da PT e o seu assessor jurídico são anunciadas "grandes mudanças na Comunicação Social". Não será, por si, um crime. O crime pode estar no uso e manipulação de bens públicos, abuso de poder, etc.

Mas seria mais saudável investigar do que abafar. Tal como seria politicamente melhor discutir esta ideia de move-tira-põe-mexe em jornais e televisões que atravessa as conversas dos dois jovens quadros do PS.

Mau é reduzi-las a "conversas privadas" e a sua divulgação a "jornalismo de buraco de fechadura". Isso chama-se desespero porque o que elas evidenciam são negócios de sarjeta ao serviço de uma política de sarjeta cujo escrutínio obrigatoriamente nos interpela.

NOTA: Sobre este tema, sugere-se a visita aos posts:
- Estímulos à suspeita
- Acabem com as suspeitas
- Justiça que temos
- O saque ao erário não tem limites

Dinheiro não dá felicidade

Depois do post que nos diz que Mark Boyle, irlandês de 29 anos, vive há um ano sem dinheiro para provar ser possível uma sociedade mais generosa e menos consumista, surge agora a notícia do caso do milionário que se desfaz da fortuna que o faz infeliz. O dinheiro. embora possa dar comodidade, não garante a felicidade.

Segue a transcrição desta notícia:

Milionário desfaz-se da fortuna que o faz infeliz
Jornal de Notícias 9 de Fevereiro de 2010. Augusto Correia

Um milionário austríaco assegura que o dinheiro não traz felicidade e está a desfazer-se da fortuna. Fez rifas, a 99 euros, de uma casa nos Alpes e pretende mudar-se para uma cabana de madeira.

A ideia de que o dinheiro não dá felicidade há muito que se enraizou nas sociedades mundiais, especialmente entre aqueles que vêem no chavão um conforto espiritual face às maleitas na carteira. Mas para o quase ex-milionário austríaco Karl Rabeder, os milhões são um entrave a uma vida feliz .

Um aspecto do "Jardim das Rosas" na casa que está a ser rifada

Aos 47 anos, Karl Rabeder, um rico homem de negócios austríaco, decidiu livrar-se do peso da fortuna pessoal, avaliada em quase quatro milhões de euros, para dar livre curso a uma vida mais térrea e desprendida. "A minha ideia é ficar sem nada, absolutamente nada", disse.

Uma casa na Provença francesa está à venda por cerca de 700 mil euros. Já despachou o presidencial Audi A8, avaliado em cerca de 50 mil euros, e muitos outros ricos bens pessoais. Um luxuoso ?chalet? nos Alpes austríacos, com 321 metros de área habitável numa propriedade de 2711 metros quadrados pode ser adquirido por 99 euros - o valor de cada uma das 20 mil rifas que Rabeder criou para se desfazer da moradia alpina.

"O dinheiro é contraproducente, impede a felicidade de fluir", disse Karl Rabeder, em declarações ao tablóide britânico "The Daily Telegraph". Desapossado de todos os luxos que conquistou ao longo de uma vida de trabalho, basta-lhe o amor, da mulher, e uma cabana de madeira nos Alpes para seguir com a vida.

"Venho de uma família em que as regras eram trabalhar duro para arrecadar o mais possível", contou. Um modo de vida que seguiu durante muitos anos, mas que, gradualmente, o foi consumindo por dentro. "Durante muitos anos não fui suficientemente corajoso para fugir das armadilhas de uma existência confortável", acrescentou Rabeder, Karl de primeiro nome, como o do pai do comunismo, Marx de apelido.

O momento de charneira na vida de Rabeder aconteceu, paradoxalmente, numa luxuosa viagem às paradisíacas ilhas do Hawai, na companhia da mulher. "Nessas três semanas, gastámos todo o dinheiro que quisemos. Mas, em todo o tempo tivemos a sensação de que não conhecemos uma única pessoa real – eram todos actores", disse. "Os empregados faziam o papel de serem simpáticos e os outros hóspedes o papel de serem importantes, mas ninguém era real", acrescentou.

"Foi o maior choque da minha vida, quando me apercebi quão horrível, sem alma e vazia era o estilo de vida cinco estrelas", disse Rabeder. Foi o início de uma epifania a dois tempos, a duas realidades. Depois do choque no paraíso, a ligação à terra, em viagens a África e América do Sul. "Senti que há uma relação entre a nossa riqueza e a pobreza deles", acrescentou.

Determinado a fazer o pouco que uma só pessoa pode fazer no meio de 6,9 milhões de humanos, Karl Rabeder vai destinar o resultado das vendas a obras de caridade na América do Centro e do Sul. O dinheiro vai apoiar soluções de microcrédito em países como El Salvador, Honduras, Bolívia, Peru, Argentina e Chile.