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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Poder dos sindicatos

O meu amigo JR Coelho, conhecido por «o intelectual» nos tempos de estudante, contou há dias que em tempos numa aula de inglês para gente crescida, o professor, inglês, depois de ter explicado a estrutura política inglesa, perguntou «quem tem o verdadeiro poder no Reino Unido?». Houve várias respostas, e o professor considerou todas erradas, dizendo que o verdadeiro poder está nos sindicatos.

Recordei agora esta conversa ao ler os títulos aparentemente irreverentes «Fenprof acusa ministério de “incompetência” no concurso de professores» e «Fenprof denuncia erros informáticos no concurso de professores».

E veio-me à memória uma curta passagem do livro já aqui citado «Tempos Difíceis», do amigo MP Marques, onde diz: «Vamos no 28º Ministro da Educação nos anos da democracia e em duas ou três lideranças sindicais nesta área. Como a estabilidade confere poder e, este, liberdade de acção, é evidente que o poder de gerir estatutos profissionais e condições remuneratórias tem estado do lado da corporação dos professores e não do lado do poder político» (pág 17, linhas 12-18).

Esta passagem de um livro, que é um manual valioso para se compreender melhor o que se passa na envolvente dos factos sócio-políticos, coloca a tónica na continuidade. Porém, mais importante do que a continuidade das pessoas deve ser a elaboração de decisões bem preparadas e destinadas a vigorarem por largos anos, estabelecendo estratégias e normas de gestão que serão válidas por vários anos, não por mero conservadorismo, mas pela sua validade por terem sido baseadas em estudos em que se contou com evoluções previsíveis. Mas, infelizmente, as equipas do ministério, formadas por pessoas sem a devida maturidade, deslumbradas pelo conforto dos gabinetes e da sensação de poder que dai resulta, por efeito de «deslumbramento», ousam tomar as mais disparatadas decisões, que não lembram ao Diabo, e que têm de ser anuladas como foi por exemplo a célebre TLEBS.

Pelo contrário, o sindicato, formado por professores experientes e intérpretes do pensamento dos colegas, cuidaram de estabelecer estratégias que foram aperfeiçoando e deduziram delas os argumentos mais adequados aos objectivos e sempre apoiados por valores éticos, sem se deixarem arrastar pelas falácias dos governantes e foram vencendo, passo a passo, as suas lutas intermédias, com a vista focada no objectivo final.

Voltando mais uma vez ao livro «Se, a título de exemplo, olharmos para o conflito à volta do processo de avaliação dos professores, verificamos que os professores ‘nunca lutaram contra a avaliação’. Opunham-se e opõem-se à ‘maneira como é feita’. Porque é que declaradamente lutam? Lutam ‘pela dignificação da carreira docente’, dizem.» Pág. 16-17). Esta estratégia inatacável burilada ao longo de anos, sem haver zigue-zagues, sem hesitações nem recuos, devia servir de modelo aos políticos para não andarem, qual cata-vento, a mudar de rumo diariamente.

Com as actuais inconstâncias dos governantes, não seria possível construir uns Jerónimos ou um Mosteiro da Batalha, como não o foi a barragem de Foz Côa ou o aeroporto da OTA.

Imagem da Net.

domingo, 14 de março de 2010

Sindicatos desemprego e precariedade

No artigo de hoje no Jornal de Notícias, «A 6.ª via do socialismo», Manuel António Pina, coloca para reflexão a questão da existência dos sindicatos, nos seguintes termos:

«Um deputado socialista "de cuyo nombre no quiero acordarme" (se quisesse seria, aliás, difícil pois se trata já, mais do que um nome, da designação de um género) descobriu, em plena AR, que a culpa da precariedade e do desemprego é, afinal, dos sindicatos: "A razão pela qual Portugal tem a precariedade e o desemprego que tem é em grande parte devido às estruturas sindicais, reaccionárias e de posições que sacrificam trabalhadores".

«A tese não é inovadora e teve grande sucesso em alguns países no segundo quartel do século XX (no nosso, durante mais de 40 anos). Conduz à conclusão de que, se a culpa de termos hoje 10,5% de desempregados é dos sindicatos, a solução final será, não o financiamento público de empresas privadas para que "criem" os empregos que destruíram, mas acabar com os tenebrosos sindicatos, assim saltando uns degraus nas "vias" do socialismo do actual PS, da 3.ª directamente para a 5.ª ou a 6.ª. Algo como o que o PS fez, com o sucesso que se conhece e os números confirmam, acabando com o anterior Código do Trabalho, que também era, como os sindicatos, um "obstáculo à contratação".»

NOTA: Não me parece benéfico nem de realização prática ou mesmo possível «acabar com os sindicatos». No entanto, é preciso repensar o sistema existente. O sindicato poderia não só dedicar-se à defesa dos direitos dos trabalhadores mas também, com igual ênfase, à sua preparação profissional para melhorar o desempenho dos seus deveres e obrigações, que seria a base, o argumento de peso, para exigir melhores remunerações. Dessa formação profissional e cultural resultaria mais facilidade na obtenção de novo emprego, em caso de perda do anterior, em mudança de ramo e de sector e em mais força nas reivindicações e no controlo e colaboração numa gestão mais justa e eficaz da empresa. Um contrato com clara definições de tarefas e a preparação para as realizar seria uma base para defesa dos interesses de patrão e empregado.

Esta filosofia de sindicalismo transformaria o sindicato em amigo dos trabalhadores em vez de ser inimigo da entidade patronal, como hoje acontece. É só uma mudança de óptica, uma alteração da tónica dos objectivos e finalidades de que resultariam benefícios para todos, para a economia portuguesa e para a felicidade da população. A empresa, onde quer que se encontre, deve ser considerada como uma instituição social, de que devem resultar benefícios para proprietário (accionistas), empregados, fornecedores, clientes e famílias da área em que funciona. Os sindicatos podem e devem desempenhar um papel activo no equilíbrio destas funções sociais.

Segundo a notícia do Público de hoje, «Rangel defende consolidação do ensino profissional», o candidato à liderança do PSD Paulo Rangel afirmou ontem em Pombal que vai promover um movimento de dignificação e consolidação do ensino profissional em Portugal. Isto vem ao encontro daquilo que ficou dito acerca da necessidade de formação técnica dos trabalhadores para obterem mais flexibilidade na procura de trabalho e mais qualidade no desempenho das suas tarefas.

Os sistemas devem, com frequência, ser repensados e reajustados por forma a melhor contribuírem para um mais elevado nível de vida dos portugueses, num ambiente de mais justiça social.