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sábado, 16 de junho de 2018

PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

Embora há poucos dias o MAI prometesse que o GIPS iria receber os equipamentos necessários para o combate incêndios, dentro de algumas semanas (talvez em Agosto), a presidente da (AVIPG), Nádia Piazza, diz que, PASSADO UM ANO APÓS A TRAGÉDIA DE PEDRÓGÂO GRANDE, tudo pode voltar a acontecer este ano de igual forma porque o GOVERNO não procurou conhecer a situação do interior do país


Este problema do interior é de pobreza, de desertificação, de falta de oportunidade, cuja solução terá de passar por ordenamento do território, que necessita de trazer investimento sério, concreto, público e privado, para o interior. E a prevenção dos incêndios, tão prometida pelo MAI, não está em condições de dar esperança aos habitantes e proprietários.


Quanto a prevenção, necessária para defender as árvores que são uma riqueza nacional, o Dr. Tiago Oliveira, presidente da EMGFR, em entrevista ao DN, dá uma óptima lição ao governo, separando a prevenção do combate e afirmando que a estrutura deve assentar nos aspectos técnicos, independentes da política, com objectivos, estratégias, tarefas definidas e orçamentos adequados, e difusão didáctica pela população de quais os comportamentos a ter para reduzir riscos.


Tudo isto deve funcionar a nível de freguesia e com orientação e apoio de técnicos de pessoas com muito conhecimento e experiência do interior do País. Os fogos não se evitam com determinações autoritárias de ter tudo pronto em 15 de Março, como fez uma «inteligência demasiado iluminada».


terça-feira, 29 de maio de 2018

PREVENÇÃO, COMO?

Prevenção, como?

(Publicado no semanário O DIABO em 29-05-2018)



Estamos quase a entrar em nova época de fogos florestais, segundo o calendário da Protecção Civil. O PM já deu a sua directiva: não precisa de mais estímulos do PR e a solução reside na prevenção. Embora esta “directiva” não seja perfeita, porque no caso de a prevenção falhar, mesmo que pontualmente, é indispensável preparar sistema de combate a incêndios que, “eventualmente”, ocorram, por forma a não se repetirem as tragédias do ano passado.



E desta directiva tão “brilhante”, o que resulta? Como responsável por uma máquina administrativa, executiva, com uma hierarquia escalonada em diversos degraus, esperará que, em cada degrau, se repita “prevenção”, como tem sido bom estilo dos papagaios da política! Mas o desejável seria a especificação de medidas eficazes conducentes ao objectivo desejado, sucessivamente pormenorizadas e traduzidas em actos práticos e com capacidade de eficiência para evitar os fogos. Evitar deve ser o resultado da prevenção.



Para isso, a máquina executiva terá de esperar eficácia, nas áreas da Administração Interna, da Agricultura, do Ambiente, da Educação, das Finanças, etc. A Administração Interna já evidenciou ausência de conhecimento real do problema ao emitir uma ordem indicando um prazo que teve de ser anulado, por impossibilidade de ser cumprido. A limpeza das matas não pode constar do corte de toda a vegetação, em que se incluem pequenas árvores que viriam a substituir as árvores de hoje, dando natural continuidade à vegetação útil. Sem tal cuidado produz-se a desertificação.



Há que agilizar os vários degraus do poder, chegando até aos guardas florestais, guarda-rios e cantoneiros, passando pelas autarquias, regedores, etc., para consciencializar a população rural sobre os cuidados a ter para evitar os fogos. Não deve ser desprezada a análise dos diversos interesses nos fogos para aplicar uma Justiça rápida e rigorosa, dissuasora de incendiários e seus eventuais financiadores.



Para que o Sr. PM não venha a ser acusado pelos seus actuais colaboradores de ser “vergonhoso e desonroso”, como foi dito do seu antecessor, deve escolher para responsáveis por funções importantes nos diferentes graus da hierarquia pública, pessoas tecnicamente capazes, conhecedoras dos problemas a resolver e experientes na sua prática, a fim de ajudar a preparar as melhores directivas, a colocá-las em execução e a controlar os resultados, passo a passo, a fim de conseguir prevenção eficaz e o mais adequado combate a fogos que ocorram devido a eventuais falhas.



Nessa escolha convém evitar amigos, corruptos e opiniões interesseiras de “colaboradores” mais interessados nos seus próprios interesses e ambições do que na defesa dos interesses nacionais e na melhoria da qualidade de vida das pessoas que o Governo deve ter sempre em primeira prioridade.



A preocupação principal deve ser a resolução dos problemas actuais com soluções que contribuam para um futuro melhor com objectivos a longo prazo, bem definidos e convincentes que consigam convergência de esforços.



Para isso tem que haver ousadia de mudança, sem hesitações, mas também sem precipitações aventureiras que apenas produzam esperanças falhadas e sem bons resultados compensadores do esforço. A preparação da decisão deve seguir a metodologia referida no texto publicado n’O DIABO em 27-09-2016. Feita a escolha, deve seguir-se a execução, com planeamento, organização e programação, de forma muito realista, para ser obtido o melhor êxito, evitando falhas. E, após iniciada a acção, deve accionar-se um sistema de controlo para pôr em acção eventuais ajustamentos mais convenientes.



António João Soares


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

PREOCUPAÇÕES COM SEGURANÇA


(Foi publicado em O DIABO de 27 de Dezembro de 2016)

No mundo actual, em que as situações de perigo para as vidas e para o património se têm multiplicado persistentemente ao ponto de, em muitos pontos do globo, quase não haver esperança de dar um passo com segurança, a prevenção toma uma importância e uma prioridade fundamental.

Em França, após os atentados de 2015, em Paris, foi decretado o estado de emergência a fim de procurar evitar novos casos semelhantes. Mesmo assim, os receios não desapareceram e o limite dessa medida preventiva foi repetidamente alargado ao ponto de, há dias, os deputados aprovarem, a quinta extensão desse estado de emergência, até 15 de julho, ou seja, até depois das eleições presidenciais e legislativas, em cujas campanhas eleitorais há situações perigosas para tal tipo de atentados.

Estas precauções, embora sejam desagradáveis e algo traumatizantes para a generalidade das pessoas, dão oportunidade à intensificação da conveniente cooperação das forças e serviços de segurança e de informação e à criação de uma Unidade de tratamento de dados por elas coligidos e recebidos da população se esta tiver sido devidamente mentalizada para a importância da sua participação neste interesse nacional. A denúncia de um facto estranho pode ser o ponto de partida para uma investigação que faça abortar um golpe em planeamento com potenciais consequência de grande gravidade.

E como isso não ocorre com aviso prévio, essa Unidade de Prevenção não deve atenuar o seu esforço, para benefício dos cidadãos, dos serviços e do património nacional e particular.

Porém, no nosso país, só «cinco meses depois de ter sido criada, uma nova Unidade de Coordenação Antiterrorista» teve há dias «a sua primeira reunião dos chefes máximos das polícias para discutir... o seu funcionamento». É preciso ter uma doentia fé em milagres para descurar o acompanhamento e a análise dos complexos factores deste grave problema.

Como se explica que apenas cinco meses depois de aprovada em Conselho de Ministros a nova Unidade de Coordenação Antiterrorista que previa uma estrutura permanente com representantes das secretas e das polícias, só agora se fala na realização da primeira reunião para que os chefes máximos dos serviços de informações e das forças e serviços de segurança discutam a sua "organização e funcionamento".

É lógico que o trabalho de organizar uma estrutura eficiente num problema tão complexo exige muita ponderação e discussão para procurar a melhor solução mas, pelos vistos, só agora é iniciada a fase de discussão conjunta, o que leva a crer que se passarão muitos mais meses até se conseguir um funcionamento com alguma eficácia no cumprimento desta missão de grande interesse nacional e também de cooperação positiva e eficiente com a estrutura europeia com a qual deve trabalhar em equipa.

Já este trabalho estava esboçado quando chegaram notícias de, na Turquia, ter sido assassinado o embaixador da Rússia e havido tiros junto da Embaixada Americana. Na Jordânia houve atentado contra polícias e turistas, na Suíça houve tiros num centro de oração muçulmana e, na capital da Alemanha, um camião fez um atentado semelhante ao de Nice contra um mercado de Natal, causando 12 mortos e 48 feridos.

O Presidente da Rússia ordenou o reforço das medidas de segurança dentro e fora do país. A Humanidade está perante um perigo difuso mas extremamente grave e as precauções devem ser levadas muito a sério.

A João Soares
Em 20 de Dezembro de 2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FOGOS FLORESTAIS - PRAGA RECENTE



Fogos florestais existem há poucas décadas

Nasci numa aldeia da Beira Alta, na zona do pinhal, e vivi lá até quase aos dezanove anos. Tinha os olhos postos na Natureza durante a maior parte do dia (só para me deslocar entre a casa e o liceu, a pé, demorava hora e meia de manhã e outro tanto à tarde). No pinhal podiam assar-se castanhas ou sardinhas ou qualquer grelhado sem preocupações de atear incêndios. Nem sabíamos o que isso era e não me lembro de ver por lá um carro de bombeiros.

Não estou a mentir, nem sequer a fantasiar. Como era possível? A explicação é fácil. O terreno do pinhal estava limpo, sem material combustível. E nunca ouvi alguém dizer que ia limpar o pinhal. Não havia a preocupação de limpar o chão do pinhal, não havia a intenção de evitar fogos florestais. Simplesmente, eles não tinham possibilidade de ocorrer porque isso resultava como efeito secundário de outra actividade fundamental.

Em vales onde hoje cresce mato diverso, desde silvas a giestas e outra flora, nessa época fazia-se agricultura que servia de alimento às pessoas e ao gado. Essa agricultura necessitava de fertilizantes que, tradicionalmente, eram de origem biológica com maior participação do estrume das camas do gado e de pátios ou lixeiras. Para isso, o mato do pinhal era cuidadosamente roçado uma vez por ano e amontoado em local abrigado dos ventos onde ficava a curtir com a chuva e outra água que fosse oportuno. Isso era um factor da hoje chamada prevenção de incêndios. Outro factor era a esgalha dos pinheiros que consistia em libertá-los dos ramos inferiores, já secos que iam servir para alimentar a lareira da cozinha e que melhoravam a qualidade da madeira do tronco que recuperaria do nó. Eram também cortados alguns ramos não secos que eram aproveitados como estacas para as videiras, para o feijão, para as ervilhas etc. Também, duas vezes por ano era apanhada a caruma que caía no chão nas estações de verão e outono, a qual tinha um destino mais ou menos semelhante ao dos produtos da roça.

Deste circuito fechado nascia a prevenção de incêndios sem se pensar nela. Mas as coisas mudaram, a agricultura passou a fazer uso de adubos químicos, depois as pessoas deixaram a agricultura e passaram a trabalhar em profissões mais limpas, deixou de haver bois para os transportes, a charrua e o arado. E o chão dos pinhais passou a ser uma selva impenetrável difícil de atravessar pelos rezineiros e começou a surgir a praga de que nestes últimos dias muito se tem falado.

Os teóricos começaram a dizer que os proprietários eram obrigados a limpar as suas matas e até criaram fábricas de biomassa, que eram alimentadas pelos produtos da limpeza das matas. Houve uma em Mortágua que durou poucos meses ou anos. Como podia o dono dos pinhais pagar a limpeza e, depois, o transporte para a fábrica da biomassa? E esta teria margem para financiar essas despesas dos seus fornecedores? O problema é complexo e ainda não foi encontrada solução viável, como se vê nos próprios parques naturais, propriedade pública, onde o fogo tem exercido a sua soberania.

E, assim, fala-se mais de combate aos incêndios que na sua prevenção. Mas o combate pode ser feito precocemente sem causar grandes estragos. Um amigo mostrou-me a sua tese de mestrado em que defende a implantação de uma malha de sensores de temperatura que cobre toda uma área a proteger, de forma a que qualquer fósforo seja detectado por três sensores que, automaticamente, transmitem a uma central de bombeiros o local exacto onde acaba de ser aceso o fósforo e basta lá enviar um jipe com um balde água (se a demora for grande será necessário um autotanque), para parar ali mesmo o incêndio, impedindo a sua propagação a grandes áreas.

Esperemos que as tecnologias vençam a ambição dos fornecedores de materiais de utilização e de consumo nos combates a este flagelo que, por um lado causa desgraça a muita gente mas, por outro, contribui para o enriquecimento de alguns.

António João Soares, em 8 de Agosto de 2016

quarta-feira, 24 de abril de 2013

LEIS PARA TRAVAR A VIOLÊNCIA



Numa conversa entre vários amigos, um criticou os nossos Governos por exagerarem a entrega a pessoas da área do Direito de lugares de responsabilidade para a reorganização e reestruturação, em que deve ser indispensável capacidade de prever e de planear para o futuro, e alegava que a formação dessas pessoas as vocaciona para raciocinar em função de outrora, em termos desactualizados.

Um dos presentes, juiz jubilado, retrucou mas sem grande efeito nos presentes, pois o primeiro continuou o seu raciocínio dizendo que o forte dos advogados e juízes é a interpretação das leis para delas tirar as conclusões mais adequadas ao caso em análise. Ora as leis foram criadas num passado mais ou menos distante e surgiram para fazer face a sequências de ocorrências anteriores que tornavam necessário um processamento que as desmotivasse. Por isso os agentes do Direito vivem com atenção focada no passado e não estão preparados para antever e edificar o futuro.

Este aspecto do problema leva a pensar que o actual agravamento da violência contra pessoas, isoladas ou em grandes grupos, exige que sejam criadas adequadas medidas normativas para evitar o flagelo e para reprimir eficazmente os casos que surjam. Não devemos continuar a assistir, impávidos, à sucessão de crimes como os dos dias mais recentes, em Boston, na cidade de Seatle, num bar nos EUA, em escola da Holanda, na Rússia, na embaixada francesa na Líbia, ou a actos como os que estavam na mira do grupo desarticulado no Canadá.

Impõe-se que seja, desde já, iniciada a elaboração de um sistema legislativo, policial e judicial, para terminar com esta epidemia de violência que, sem medidas adequadas, irá criar profundas cicatrizes na humanidade.

O problema é global, mas isso não impede que os Estados iniciem, desde já, a sua participação num trabalho de grande abrangência. E isso pode trazer prémio para os autores, pois não é raro, que leis supranacionais sejam conhecidas pelo nome do seu autor. Quem tem consciência deste problema e capacidade para ajudar na sua resolução, se nada fizer, é moralmente cúmplice e conivente pela continuação da desgraça.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PARANÓIA DE SEGURANÇA É NECESSÁRIA


Perante os acidentes e os incidentes, há que aprender a prevenir, porque segundo o velho ditado, «vale mais prevenir do que remediar».

Acerca das explosões durante a maratona de Boston, a cientista política Vanessa Neumann refere várias hipóteses a analisar pelos investigadores e, como viveu na Grã-Bretanha, conheceu a experiência ali obtida, a partir do tempo em que os britânicos enfrentaram uma longa série de atentados dos terroristas irlandeses, que os levou a aprender a conviver com isso e a adoptarem medidas rígidas de segurança. Por exemplo, ninguém deixa um pacote ou mochila na rua e, quando isso acontece, todos chamam imediatamente a polícia. É uma paranóia necessária, que os americanos (e a humanidade em geral) terão que adoptar.

Infelizmente, existe uma preocupante ausência de cuidados de segurança e de prevenção, que estão na causa de acidentes frequentes em todos os sectores, na estrada, no trabalho e em casa. Há que eliminar as leviandades traduzidas no pensamento perigoso «não há-de ser nada e, se for, depois se verá». Atenção: «vale mais prevenir do que remediar».

Imagem de arquivo

terça-feira, 12 de julho de 2011

A crise e os sábios

Transcrição de «conto» recebido por e-mail do amigo ARS

Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorros-quentes.

Não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia os melhores cachorros-quentes da região.

Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas.

Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.

O negócio prosperava...

Os seus cachorros-quentes eram os melhores!

Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar uma boa escola ao filho.

O miúdo cresceu e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.

Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo cachorros-quentes feitos com os melhores ingredientes e gastando dinheiro em cartazes, e teve uma séria conversa com o pai:

- Pai, não ouve rádio? Não vê televisão? Não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Há que economizar!

Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se o meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode ter razão!

Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior).

Começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, piores).

Para economizar, deixou de mandar fazer cartazes para colocar na estrada.

Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo até chegarem a níveis insuportáveis.

O negócio de cachorros-quentes do homem, que antes gerava recursos... faliu.

O pai, triste, disse ao filho: - Estavas certo filho, nós estamos no meio de uma grande crise.

E comentou com os amigos, orgulhoso: - 'Bendita a hora em que pus o meu filho a estudar economia, ele é que me avisou da crise...'


O texto original foi publicado em 24 de Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals Co


NOTA DE ORIGEM: vivemos num mundo contaminado por más notícias e, se não tomarmos o devido cuidado, elas influenciar-nos-ão ao ponto de nos roubarem a prosperidade.


NOTA FINAL: Vejam qual é o papel importante dos economistas!!! Por cá o Cavaco Silva também se gaba de, há mais de quatro anos, ter previsto a crise. E ela acabou por chegar!!!
Também José Manuel Durão Barroso diz que o contágio da crise à Itália
«não é uma surpresa total»!!!
Pensem bem nisto e na conclusão que está na NOTA de origem que vinha no e-mail que trouxe este conto. Os economistas e outros sábios servem para nos alertar do mal que eles causam. Não o sabem evitar nem curar….
Precisamos de mais arautos da desgraça???

Imagem do Google

sábado, 18 de setembro de 2010

Explosão e incêndio em S. Francisco

É de lamentar os danos pessoais e materiais e a quantidade de pessoas lesadas por esta catástrofe.

Infelizmente, nos tempos mais recentes tem havido demasiados acidentes de graves consequências, o que coloca em evidência que a humanidade tem-se degradado nos aspectos humanos, de sensatez e lucidez, não acompanhando em precaução e sentido de segurança e de responsabilidade, os avanços tecnológicos que tem vindo a utilizar. Em vez de se ajustar aos riscos que a tecnologia acarreta e tomar as medidas de prevenção e segurança mais adequadas, acabou por se desmazelar a permitir que aconteçam acidentes de gravidade inusitada.

Esta degradação persistente foi abordada no post Segurança votada ao desprezo publicado há pouco mais de duas semanas. Hoje o homem parece estar mais desumano e desleixado do que no tempo do paleolítico, apesar de as tecnologias o colocarem num patamar materialmente mais elevado.

A vida não se resume ao dinheiro, ao consumismo, à ostentação, à arrogância, ao facilitismo, ao deixa andar. Há valores que têm que ser restaurados com urgência.

Podem ser visots textos e imagens aqui, aqui e aqui.

Imagem da Net.

domingo, 5 de setembro de 2010

António José Seguro privilegia prevenção dos fogos

Depois de ter sido aqui publicado o post Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!, verificamos que o conceito estava correcto e está a ser aproveitado por alguém que se interessa pelo País.

Segundo notícia do Ionline, António José Seguro deslocou-se, na época mais dura dos incêndios, ao Gerês, à frente de uma delegação de deputados do PS de Braga, na sequência de visitas às zonas ardidas de Braga, três dias depois da visita de Sócrates e Cavaco ao centro de operações e antecipou-se ao líder da oposição, Passos Coelho, que só se deslocou às áreas ardidas a 19 de Agosto.

E escreveu no dia 16 de Agosto na sua página do Facebook: "Acabei de visitar as zonas ardidas do Gerês (...) Tenho um sentimento de enorme tristeza. O combate aos incêndios evoluiu. É necessário fazer igual aposta na estratégia de prevenção e de reflorestação, em diálogo com as populações e os autarcas". "Temos é que iniciar o mais rápido possível a estratégia de prevenção. Até porque é mais barata que a do combate aos incêndios", defendeu também.

Imagem da Net.

Segurança votada ao desprezo

Um dos aspectos diariamente observados da degradação do civismo, dos valores éticos, com desrespeito pela vida própria de dos outros, é notório no desprezo a que é votada a segurança, a prevenção. O perigo, o risco, deve ser assumido em função do seu grau e da necessidade que a ele obriga, mas esta regra é desconhecida nos comportamentos quotidianos.

Nota-se falta de segurança nos cuidados de manutenção das máquinas e na sua operação, o que justifica a maior parte dos acidentes aéreos, rodoviários, no trabalho, no laser, em casa, na rua, na estrada, etc.

Existe uma mentalidade doentia de desleixo em relação à segurança, uma convicção quase mística de que os acidentes só acontecem aos outros. «Seja o que Deus quiser». Aceitam-se riscos desnecessários que muitas vezes resultam em acidentes graves como o de há dias na A25.

Como se justifica o desleixo de, em Matosinhos, estarem as Bocas-de-incêndio em Brito Capelo secas há cinco anos? Porque é que a autarquia deixou permanecer essa situação durante tanto tempo? Qual foi o papel dos funcionários municipais, dos bombeiros, da população? Que pressão fizeram para o problema ser resolvido? Quais os meios que não utilizaram e podiam ter utilizado para obrigar à defesa pública contra incêndios urbanos?
O título da notícia Homens sofrem mais acidentes laborais, talvez seja devido a mentalidades erradamente viris, que levam a correr mais perigo e a arriscarem-se estupidamente para mostrar valentia.

Há que criar nas pessoas, desde tenra idade, o respeito pela vida, própria e dos outros e a preocupação de não corrrer riscos que não sejam controlados. Mesmo com tais cuidados acontecem azares, mas deixemos os acidentes apenas a eles, e evitemo-los tanto quanto possível. É uma questão de civismo. As famílias e as escolas têm nisso um papel importante.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Brincar aos planos de prevenção???

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Plano de defesa da floresta só foi eficaz em Verões pouco quentes e com chuva
Ionlinne. por Ana Suspiro, Publicado em 17 de Agosto de 2010
PREVENÇÃO

Aprovado em 2006, o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PNDFCI) cumpriu os principais objectivos de redução de número de incêndios e área ardida até 2008. Isto não obstante muitas iniciativas no terreno não terem atingido as metas previstas, e em relação a outras nem sequer existirem dados que permitam validar a sua execução. Só que os bons resultados foram conseguidos em anos em que o Verão foi marcado por temperaturas moderadas e chuva acima da média.

Isso mesmo reconhece o último relatório de execução do PNDFCI que avalia os anos de 2007 e 2008, um documento do Instituto de Estudos Socais e Económicos, disponibilizado ao i pelo Ministério da Agricultura.

A redução do número de incêndios com áreas superiores a um hectare, a eliminação de fogos com mais de mil hectares, mas sobretudo a diminuição da área ardida anual para menos de 10 mil hectares até 2012 eram os principais objectivos da estratégia de 2006. A mais recente avaliação do plano revela que as grandes metas foram cumpridas até 2008, ano em que a área ardida reportada ficou pouco acima dos 17 mil hectares. Entre 2006 e 2008, a área ardida ficou sempre abaixo dos 100 mil hectares, o que também foi conseguido em 2009, apesar do aumento significativo para mais de 80 mil hectares, num ano seco. O cenário contrasta com a trágica média anual de 221 mil hectares verificada entre 2001 e 2005.

O relatório reconhece que "para esta evolução contribuiu certamente o factor condições meteorológicas". O ano de 2006 foi muito chuvoso, o Verão de 2007 foi considerado "o menos quente e mais chuvoso desde 2000" e 2008 foi até Outubro "um dos anos do último decénio com condições meteorológicas menos favoráveis à ocorrência de incêndios". Apesar destas ressalvas, o relatório conclui que "os resultados alcançados nos últimos dois anos não podem ser explicados unicamente pelo factor meteorológico". E aponta os progressos conseguidos: comportamento mais responsável da população, acções de vigilância da GNR e acções de prevenção estrutural.

Mas o optimismo destas conclusões acaba por ser posto em causa este ano. Com o regresso das altas temperaturas, acaba-se a evolução positiva dos últimos anos e é provável que se regresse a uma área ardida superior a 100 mil hectares em 2010. É um sinal de que o plano de combate aos incêndios não está a ser tão eficaz quanto pareciam demonstrar os resultados de anos anteriores.

O Ministério da Agricultura vai contratar por concurso uma entidade independente para fazer a avaliação do plano nos anos de 2009/10 e propor medidas correctivas.

NOTA: Depois de se ler os posts Pensar antes de decidir e Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!, parece que uns péssimos planeadores se entretiveram a brincar ao planeamento, criando um «plano» de prevenção de fogos florestais que apenas foi válido por dois anos, aqueles em que houve menos calor e alguma chuva!!! É como se uma pessoa planeasse a sua vida a contar com o jackpot do Euromilhões ou o totoloto, ou outra das melhores hipóteses. Planear é ser realista e pensar nas piores hipóteses. Parece dar razão à frase anedótica que distorce a frase do filósofo constando que é típica dos portugueses que dizem «Não penso mas existo». Devia haver mais sentido da responsabilidade na mente dos governantes e nas pessoas de quem se rodeiam.

Imagem da Net.

Fogos florestais. Voluntários na prevenção

Em comentário no post em Do Mirante, a alma generosa Fernanda Ferreira, conhecida por Ná entre os amigos e que foi notável dinamizadora no seu concelho durante a preparação e execução da operação Limpar Portugal, disse que estão a ser formados «grupos de voluntários para ajudar efectivamente na vigilância e mesmo no combate aos fogos» e quis saber a minha opinião. Isso permitiu-me alinhar as seguintes considerações.

Os políticos concentram-se fundamentalmente em conquistar o poder e depois em o manter para tirar do cargo os maiores benefícios pessoais e para familiares e amigos. Repare-se das geniais palavras do MAI quando foi mostrar-se na TV em S. Pedro do Sul. Foi um autêntico Conde de Abranhos descrito pelo Eça de Queiroz. Falou para não deixar de o fazer, mas nada disse . Genial figura!

O PR mais uma vez levantou esperança na sua acção patriótica ao anunciar a interrupção das férias para uma reunião do mais alto nível e, no final, em vez de grandes estratégias contra os fogos, disse ao povo... nada. Mais uma vez nos fez lembrar aqueles anos em que nos encheu os ouvidos com a palavra TABU e a própria boca com um desmesurado pedaço de PÃO DE LÓ. Desta forma, acabamos por não ter razão para ter consideração pelos nossos políticos, além do «respeito» institucional, apenas protocolar.

Em consequência disso, de os fogos parecerem imparáveis e da incapacidade dos governantes de prepararem uma eficaz prevenção dos fogos florestais a resposta aquele pedido será de concordância a que a população se organize seguindo todas as regras da ORGANIZAÇÃO, com hierarquia e disciplina, bom código de regras e objectivos bem definidos, tendo em atenção que o combate aos fogos não é tarefa para amadores. Nunca esquecer que um grupo de militares morreu queimado na Serra de Sintra quando ajudava os bombeiros a combater um incêndio. O primeiro objectivo deve ser analisar as imbecilidades dos políticos, com especial incidência em vereadores, como se verificou na operação Limpar Portugal, e denunciá-las publicamente, como justificação para o povo se organizar, a fim de suprir essas incapacidades.

Depois da operação LIMPAR PORTUGAL concluiu-se que o povo voluntário, em vez de continuar os seus trabalhos de limpeza, devia passar à posição de observador da forma como as autarquias cumprem ou deixam de cumprir as suas tarefas e, publicamente, acusá-las e ao Governo da incúria com se desleixam e deixam de olhar para o País real.

Essa ORGANIZAÇÃO, sendo bem preparada, e tendo bons objectivos acaba por ser um segundo Governo, mais eficaz, mas sem a remuneração nem as mordomias, devendo por isso usar a sua generosidade e real autoridade para se impor e exigir ser respeitada pelo Governo e propor a saída de políticos menos eficientes.

Vigiar os campos é necessário mas não é suficiente, sendo também importante, periodicamente, retirar a caruma, os matos e os ramos secos dos pinheiros, e isso não é fácil para populares voluntários.

Sobre a vigilância, já publiquei vários textos, sugerindo actividade cultural, didáctica (passeios de grupos de estudantes com os seus professores para observar as espécies vegetais ao vivo) e desportiva (provas de marcha, de ciclismo, de orientação, seguidas de piquenique e variedades culturais) nas matas. Citei os esquemas de vigilância na altura efectuados nos concelhos de Alcains, Mortágua, Góis e Chamusca. Sem dúvida que para defender as matas é preciso amar a Natureza vegetal e para a amar é indispensável conhecê-la. Por outro lado, os pirómanos sentir-se-ão menos à vontade para atear fogo sabendo que podem ser apanhados em flagrante.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar. 19-08-2003
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se. 03-05-2006
- Definir a Protecção Civil. 22-02-2006
- Fogos florestais pertencem ao passado? 24-05-2006
- Prevenção de fogos florestais. 13-09-2005
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos. 30-07-2005
- Prevenção de fogos florestais. 11-08-2004
- Fogos florestais. Prevenção e combate. 11-08-2004
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor. 16-08-2004
- Fogos florestais. Problema a não esquecer. 25-04-2004
- Fogos Florestais - Enxurradas. 18-12-2003
- Mais vale prevenir do que remediar. 19-08-2003
- Prevenção de fogos florestais. 13-08-2003
- Prevenção nas florestas. 24-08-2002
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains. 08-08-2002

Imagem da Net.

Os fogos acabam hoje ???

Perante a notícia de que «Cavaco e Sócrates vão interromper as férias por causa dos fogos», a primeira ideia foi de que quisessem contribuir para o «recompletamento do efectivo» dos bombeiros, depois de ter havido baixas em vários corpos com mortos e feridos, no combate às chamas e nos deslocamentos de e para os locais de actuação.

Mas estava equivocado, pois trata-se de um encontro ao mais alto nível em que também tomará parte o MAI e quadros superiores da Protecção Civil. Será que de tal encontro resultará a paragem imediata das chamas e a detenção dos incendiários ? Os fogos acabarão hoje? Quais serão os benefícios advenientes para os portugueses?

A Política, ciência e arte de gerir os destinos de um Povo, é feita com decisões oportunas e adequadas, mais ou menos do género das sugeridas no post «Fogos florestais. Mais vale prevenir!!! » e não com palavras inócuas, vazias de conteúdo e de elevação como as referidas no post «Fogos testam capacidades de génios» ou com o actual encontro devidamente publicitado, que a comunicação social transformará em «show-off» ou, como dizem os franceses, servirá «pour épater le bourgeois».

Tudo leva a crer que os custos por vezes citados do combate aos fogos revertem em benefício de empresas e instituições para quem isto é um bom negócio mas, por outro lado, ninguém faz uma estimativa dos custos para as pessoas das áreas atingidas pela tragédia e para o ambiente.

Somados todos os custos e libertando-se o Estado do clientelismo dos beneficiados, pode concluir-se que ficaria mais barato e mais benéfico para as populações e para o ambiente fazer tais gastos em trabalhos sistemáticos e organizados de prevenção, na limpeza das matas e áreas rurais, na abertura de aceiros e construção de pontos de água.

Porque não se começa já a estudar e organizar a prevenção para que no próximo ano não haja calamidade semelhante à deste ano? E porque não se fez tal prevenção nos anos anteriores?

Imagem da Net

domingo, 8 de agosto de 2010

Fogos florestais imparáveis

A segunda quinzena de Julho foi a mais negra em área ardida, estando o desastre relacionado com o facto de o mês passado ter sido o mais quente dos últimos 79 anos. Mas há também que reflectir na influência nefasta da ausência de uma prevenção eficaz e sistemáticae de uma Justiça rápida que sirva de dissuasor dos crimes de fogo posto.

Se não houver medidas eficientes na organização da prevenção e no funcionamento da Justiça, que seria desejável ter o suporte de uma educação para o civismo, o respeito pelos outros e pelo que é colectivo, o interior de Portugal acabará, num futuro próximo, por ter o aspecto das imagens seguintes. À destruição de toda a vida vegetal acresce a miséria provocada pela crise que atravessamos, sem fim à vista.




Imagens da Net.

domingo, 25 de julho de 2010

Inconsciência, insegurança, risco desnecessário

Da notícia de Rui Moreira no JN de hoje, À mercê dos suicidastranscreve-se o seguinte trecho:

«Felizmente, ainda não conseguiram estragar a praia algarvia. Gosto particularmente da praia do Barranco das Canas, ou do Alemão, como toda a gente lhe chama, a dois passos do Vau, e que, nesta altura, só se enche aos domingos. Mas, até esse prazer último, o de estar numa praia que resiste à destruição da paisagem algarvia, parece estar em risco. Tudo porque, como se sabe, as arribas vão dando de si por razões naturais e tem havido derrocadas, como sempre aconteceu e esta semana se repetiu, exactamente na praia do Alemão. É claro que não faltam os avisos e sinais de perigo, nas falésias e na entrada de cada praia, onde há fotografias aéreas em que as zonas de risco estão bem assinaladas. Mas, como se sabe, não há medida de prevenção que converta os portugueses ao bom senso. Depois dessa pequena e inócua derrocada, que fez as delícias da Comunicação Social e dos mirones, numa zona que a Polícia Marítima se apressou a vedar com fitas plásticas, tudo voltou ao "normal", com inúmeras famílias a protegerem-se do sol encostadas às arribas. Confesso que não consigo ter pena da estupidez humana, principalmente quando ela se mistura com a irresponsabilidade e com a falta de civismo.

«O que me preocupa é que, um dia destes, uma vulgar derrocada vai estropiar um desses suicidas, ou lapidar um dos seus inocentes rebentos e, quando isso acontecer, entre gritos e protestos, o nosso Estado Providência vai tomar conta do assunto. Quando essa hora soar e essas praias forem interditadas, se os ambientalistas conseguirem impedir que as arribas sejam demolidas ou emparedadas, terá chegado a minha hora de me resignar a dizer adeus ao Algarve, e optar pelo Caribe…»

NOTA: Existe na população o desrespeito inconsciente pelo perigo, expondo-se a riscos desnecessários e, por vezes fatais, nas praias, nas piscinas, nas estradas, nas cozinhas, no lazer, nos momentos mais vulgares da vida. Falta uma cultura da segurança, da prevenção, pois como diz um ditado muito antigo, «vale mais prevenir do que remediar».

Imagem da Net.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Prevenção, dissuasão e repressão precisa-se

O post «Lei de Karzai promove submissão das mulheres Afegãs», muito bem elaborado, evidencia muita sensibilidade para o tratamento desumano das mulheres afegãs, que choca os sentimentos da nossa cultura e a dos que, em qualquer parte do mundo , prezam os direitos humanos.

Não se pode endireitar a humanidade de um dia para o outro, principalmente, aquilo que se insere, de certo modo, em tradições ou religiões. Mas é nosso dever, começar a exercer a nossa influência naquilo que está ao nosso alcance; Convém começar por limpar a testada da nossa casa, o passeio em frente à nossa porta, a nossa rua, a nossa cidade, o nosso País.

E há muito a fazer neste capítulo. Se imaginarmos que somos ETs e poisámos agora em Portugal, reparamos que há pessoas que ganham mais num dia do que outras durante toda a vida (que trabalham para aquelas); que são dados prémios de milhões a administradores de empresas com prejuízos e os trabalhadores não são aumentados senão de uns míseros cêntimos; há pessoas que vivem na rua ou em casebres sem condições enquanto aqueles que enriquecem com o seu trabalho vivem com todas as comodidades em autênticos palácios; há pessoas que se deslocam em carros caríssimos a poluir a atmosfera enquanto outros vão a pé ou de transportes públicos trabalhar nas empresas daqueles; Há muitos que, ao mesmo tempo que se queixam da falta de dinheiro, enchem os espaços dos concertos e das áreas de férias; autarcas dizem que é preciso poupar energia mas mantêm uma iluminação exagerada nas ruas durante toda a noite; ONGs apoiam os condenados e esquecem a mínima ajuda às vítimas dos crimes deles; a Justiça mantêm em liberdade assassinos em condições de continuarem a fazer aquilo que sabem fazer e de que gostam – matar.

Enfim, coisas que devem levar um ser sensato que depara com elas a fazer críticas semelhantes às feitas à degradante situação das mulheres afegãs e de outros Estados de cultura semelhante. Temos por cá muitos motivos para exercitar o dever de cidadania e contribuir para um Portugal mais justo, equilibrado e com gente mais feliz.

Por isto, acho que, mais do que agitar consciências contra as injustiças sociais no Afeganistão, há que olhar para a nossa casa e procurar melhorar os aspectos degradantes, para criar mais justiça social e uma vivência mais propiciadora de segurança, harmonia e bem-estar.

De tudo o que foi referido, saliento a desordem social traduzida na insegurança e na falta de poder dissuasivo da Justiça, tudo com base numa relação de alguns títulos da imprensa de hoje.

O pânico de ser vítima de carjacking, empregados de supermercado presos e ameaçados por um assalto depois do fecho do estabelecimento, um pedófilo que abusou de um miúdo de 11 anos seu vizinho e o agrediu para não revelar o crime de que fora vítima, assaltantes de um prédio onde moram polícias foram surpreendidos por estes, um chefe dos correios foi agredido à coronhada por assaltantes, um delinquente foi detido pela PJ após três assaltos aos CTT, a PJ prendeu traficante que andava a seguir há 10 anos, seguranças de uma discoteca batem e roubam, um rapaz matou o pai num momento de fúria, à machadada e com uma foice, um jovem ajudado por dois amigos todos toxicodependentes, sequestrou um colega para lhe roubar o ordenado do mês.

Como a Justiça não é rápida e severa, estes crimes são frequentes porque não há medidas que dissuadam os menos ordeiros, que sentem que o risco de serem presos é muito reduzido. Isso é bem visível no caso da mulher que foi apanhada a conduzir sem carta e só à 37ª vez foi condenada a um ano de prisão efectiva. Até agora, nada a dissuadiu de continuar em infracção.

Portanto, mais do que bradar contra factos alheios, há que gritar alertas bem sonoros contra os erros que estão a minar os valores éticos e sociais da nossa população.