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domingo, 24 de janeiro de 2010

Construir uma nova sociedade

A crise continua. Os poderes que são parte do problema teimam em querer ser parte da solução, mantendo tudo na mesma. É preciso pensar antes de decidir e já surgem pessoas com mente válida a pensar e a mostrar a urgência de encarar a sério a situação e a procurar uma estrutura diferente, que dê mais garantias às pessoas e às diversas actividades realmente produtivas. Manuel Maria Carrilho fala da necessidade de se realizar a metamorfose para um futuro diferente e melhor para os vindouros. Daniel Bessa também se pronuncia sobre a mudança. O presidente da AMI também. e agora o jornalista e escritor Manuel António Pina escreveu este interessante artigo

Eles têm a solução
Jornal de Notícias 15 de Janeiro de 2010. Por Manuel António Pina

O ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos pediu para ser recebido em Belém onde foi levar a solução que a brigada bancária de minas e armadilhas tem para a tal "situação explosiva".

Para pagar a factura económica dos milhões dos contribuintes que o Estado meteu nas mãos da banca tentando apagar o fogo que ela, banca (e as agências de "rating" que agora dão conselhos aos governos para superar a "crise") atearam,
a solução da banca é a de sempre: trabalhadores e classe média que paguem.

Também o
governador do Banco de Portugal, cuja desregulação permitiu entre nós situações como a do BPN e BPP, tirou ontem o coelho de sempre da pouco imaginativa cartola, o da contenção salarial.

Obviamente, nem a Salgueiro nem a Constâncio ocorreram
as escandalosas taxas de IRC que a banca continua a pagar, os prémios não menos escandalosos que os banqueiros continuam a atribuir-se ou a tributação das mais-valias da especulação bolsista e imobiliária. Diz despudoradamente Salgueiro que os governos "deram menos aos portugueses do que estes gostariam". É fácil imaginar de que portugueses fala.

NOTA: São os autores da crise financeira global a quererem impor soluções que, se forem adoptadas, em breve darão crise ainda pior se for possível ser pior! Urge rever o Sistema que você aceitou por contrato. Esperemos que as camadas mais jovens encarem desde já a construção do seu futuro. Geração perdida? Não.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estratégia de futuro ou táctica quotidiana? 041122

(Publicada no Público em 22 de Novembro de 2004)

O relatório do Banco de Portugal esclarece que o consumo tem crescido ultimamente, o que, à primeira vista, pode significar movimentação da economia e criação de riqueza para os agentes económicos. Porém, a realidade não dá para optimismo, pois este aumento de consumo está relacionado com o acentuado crescimento das importações o que, dado o reduzido incremento das exportações, denota aumento do défice da balança comercial, isto é, da dívida externa.

Estranhamente, nada disto foi referido pelos deputados economistas na discussão do Orçamento do Estado. Limitaram-se a jogo de palavras, tricas partidárias, «guerra do alecrim e da manjerona», sem ousarem entrar nos problemas de fundo que têm de ser encarados a sério, para que o país não se afunde numa espiral de atraso em relação à Europa.

E assim vai o país, sem ninguém que use a sabedoria e a coragem de traçar directrizes estratégicas que levem os portugueses a ter a esperança no futuro deste rectângulo cantado pelos poetas como jardim à beira-mar plantado, isto é, no futuro das condições de vida que serão legadas aos filhos e aos netos. Nada se diz, nada se vê escrito sobre as medidas tendentes a revitalizar a economia e a aumentar as exportações. Desconhece-se quais os sectores da economia e os produtos industriais ou de serviços para os quais Portugal está mais vocacionado.

Ao pensar nesta desagradável situação, recordo as grandes ideias que presidiram ao desenvolvimento económico de países hoje florescentes como Taiwan, Coreia do Sul e Índia. Qualquer deles iniciou o seu desenvolvimento rápido, começando por incentivar as indústrias orientadas para a substituição das importações, a fim de reduzirem o défice externo. Depois orientaram-se para a indústria pesada dirigida para a industrialização interna e para a exportação com competitividade capaz de fazer face à concorrência internacional. Na fase mais recente, voltaram-se para as indústrias ligeiras ligadas às altas tecnologias e aos serviços com elevado pendor de software. E a história mostra que foram estratégias eficientes, com resultados inquestionáveis.

Pelo contrário, por cá, não se ouve falar de estratégias, nem sequer no momento mais sensível da discussão do OE. Contentamo-nos com a táctica quotidiana do consumismo que dá dinheiro a armazenistas, vendedores e revendedores, que, em grande parte fogem aos impostos, e que contribuem pra o esvaziamento das divisas para pagar os produtos importados. E o Natal está à porta com o pico do consumismo de coisas inúteis. Será que os políticos se recusam a pensar nestas coisas essenciais?