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sexta-feira, 3 de maio de 2019

CUIDADO E PRECAUÇÃO, SEMPRE

Cuidado e precaução, sempre
(publicado no semanário O DIABO nº 2209 de 03-05-2019, pág 16?

São imensos os acidentes de várias espécies que têm vindo a público, com perdas de vidas, de bens materiais e de danos para o meio ambiente que podiam e deviam ser evitados com práticas sistemáticas de cuidado e precaução com a manutenção e a utilização de equipamentos. Pessoas menos conscienciosas dirão que os cuidados e as medidas de precaução de que é exemplo a manutenção de materiais, têm custos. Mas, em sentido contrário, não podemos tentar esquecer que as vidas perdidas os haveres estragados por acidentes evitáveis têm um preço muito mais elevado, por vezes incalculável e com efeitos demasiado dolorosos para as vítimas e suas famílias, além da emotividade desagradável da população em geral.

Há poucas dezenas de anos, em meios próximos da educação e da formação profissional era defendida e aconselhada a excelência dos resultados do trabalho, mas o aparecimento de uma onda juvenil de falsos filósofos, ainda imberbes nas artes profissionais e convencidos de que estavam dentro do conhecimento da digitalização, lançaram a ideia de que o que era necessário era chegar ao fim sem olhar para a qualidade do trabalho, afastaram o culto da excelência no trabalho e deixaram lugar vago para o desmazelo e o desleixo generalizado que está a minar o desenvolvimento das indústrias e dos países.

O incêndio que deflagrou na catedral de Notre Dame de Paris em 15-04-2019 e que a podia ter deixado irrecuperável, deve ter sido gerado por material tratado com menos cuidado, menor precaução ou inconveniente desleixo, desmazelo ou desprezo, por pessoas não totalmente conscientes do possível perigo.

A queda do autocarro cheio de turistas, na Madeira, em 17-04-2019, que se despistou e capotou pela encosta, matando 29 turistas e ferindo 28, segundo suspeitas, pode ter perdido os travões durante o percurso, pouco tempo depois de abandonar o hotel. E isso poderia não ter sucedido se a viatura tivesse sido cuidadosamente vistoriada antes da sua utilização, ou se o motorista a tivesse imobilizado logo que detectou que algo não estava a funcionar correctamente.

Em Agosto de 2010, o despiste de um autocarro dos Transportes Colectivos do Barreiro, em frente da estação do terminal rodo-fluvial, causou um morto e quatro feridos ligeiros. O acidente ocorreu quando o autocarro se despistou e embateu noutro autocarro da mesma empresa municipal de transportes públicos. Uma melhor concentração do motorista naquilo que estava a fazer teria evitado o morto e os feridos.

Em Outubro de 2010, quatro pessoas morreram num acidente de viação no Itinerário Principal 4 (IP4). Ao quilómetro 93, uma colisão entre um ligeiro e um mini-autocarro provocou quatro mortos, três alunos polacos e um residente de São Cibrão, e 10 feridos ligeiros, todos jovens do Abambres Sport Club. A que se terá devido a falta de concentração do motorista no trabalho que ia a realizar?

Em 10 de Março último caiu na Etiópia um avião, seis minutos depois de descolar, tendo morrido todos os 149 passageiros e 8 tripulantes. Provavelmente, antes da descolagem não teria sido devidamente inspeccionado. E, possivelmente, o piloto do voo anterior não deve ter informado sobre qualquer deficiência detectada.

Em 29 de Outubro passado, um Boeing caiu no Mar de Java, devido a uma causa desconhecida, o piloto entrou em contacto com a torre de controle e pediu para retornar ao aeroporto, porém a aeronave perdeu o sinal 13 minutos depois, o avião que transportava 189 passageiros entre eles uma criança e dois bebés, caiu ao mar, tendo morrido todos os seus ocupantes. Em 11-12-2018, fiz em O DIABO um apelo para se tomarem medidas preventivas a fim de “Reduzir os acidentes rodoviários”.

As vidas assim perdidas e os ferimentos podiam provavelmente ter sido evitados se tivesse havido o culto da excelência quer dos mecânicos quer dos motoristas e pilotos.

Vale mais prevenir do que remediar. ■


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Presidente cauteloso !!!

Transcrição de artigo de opinião, seguida de NOTA:

Um Presidente que não conta
Diário de Notícias. 23-12-2012. por PEDRO MARQUES LOPES

É um tempo para pararmos um pouco, olharmos à nossa volta e reflectirmos sobre aquilo que fizemos, aquilo que deixámos de fazer, aquilo que não devíamos ter feito, aquilo que podíamos ter feito melhor", afirmou Cavaco Silva durante a sessão de apresentação de cumprimentos natalícios por parte do Governo.

Não é de crer que o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas tenha, por uma vez, resolvido anunciar uma introspecção. De alguém que continua a tentar fazer-nos de parvos e diz que as suas palavras sobre as suas pensões foram mal interpretadas quando todos as ouvimos claramente, não podemos esperar grandes actos de contrição.

Por estas e outras não faltou gente a interpretar aquela frase como um recado ao Governo e não como uma espécie de mea culpa. No fundo, uma troca de recados: o primeiro-ministro mandou um recado a Cavaco Silva quando falou - de forma ignorante e imprudente pondo em causa a solidariedade entre gerações, essencial ao equilíbrio da comunidade - sobre "pessoas" que não descontaram o suficiente para ter as reformas de que hoje desfrutam e o Presidente da República tratou de mandar outro recado incentivando Passos Coelho a reflectir. Digamos que estamos bem entregues quando, num momento como o que passamos, Presidente e primeiro-ministro se divertem a mandar recados um ao outro.

É provável que a santíssima trindade composta por Passos, Gaspar e Relvas, essa entidade una e indivisível, não tenha consciência do mal que está a fazer ao País e da catástrofe que está a semear. O Presidente da República também ainda não percebeu que está a ser conivente por acções ou omissões da dita trindade, e que os cidadãos entendem que ele é parte integrante da equipa que está a destruir a classe média, a condenar gente, sobretudo de meia-idade (que não mais vai conseguir arranjar emprego) à miséria e a fazer regredir social e economicamente o País muitas dezenas de anos.

Não, não foram apenas as suas infelicíssimas declarações sobre as suas pensões, não foi aquele inominável discurso em que ofendeu tudo e todos aquando da sua vitória eleitoral, não foi o episódio das escutas (que em qualquer país civilizado teria levado à demissão do Governo ou do Presidente da República) que faz com que Cavaco Silva seja o Presidente da República mais impopular da história da democracia. Não é em vão que sondagem após sondagem Cavaco Silva reúna mais opiniões desfavoráveis que Seguro, Paulo Portas ou até do duo dinâmico Martins/Semedo - só mesmo Passos Coelho é mais impopular que ele. Nada disto surpreende: além de o sentirem colaborar com o Governo, os portugueses não conseguem perceber a sua importância. Cavaco Silva conseguiu tornar o cargo de Presidente da República irrelevante.

O Presidente renunciou ao seu papel de provedor do povo quando não fala dos problemas, das angústias, dos verdadeiros dramas dos seus representados e gasta o tempo com recados que apenas servem para que mais tarde venha com o seu habitual e fútil "eu tinha avisado" que nada acrescenta e apenas lembra a sua inutilidade . Não cumpriu o seu juramento de "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa" quando deixou que um grupo de deputados fizesse o que ele devia ter feito mandando o orçamento de 2012 para o Tribunal Constitucional. Não pediu a fiscalização preventiva do Orçamento para 2013 quando, segundo todos os constitucionalistas, todos os observadores independentes e até do próprio partido do Governo, este tem várias normas inconstitucionais e apenas 7,6% dos portugueses acham que ele o deve promulgar.

Ouviu-se, aliás, muito o argumento de que o Presidente não iria enviar a lei para o Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva por existir o risco de não haver orçamento nas primeiras semanas de 2013. Cavaco Silva pode invocar todas as razões para não o ter feito menos essa. O Presidente não jurou cumprir e fazer cumprir um qualquer orçamento, jurou sim fazer cumprir a Constituição. Mais, se as dúvidas são muito fortes não faz sentido que não requeira a fiscalização deixando assim que muito provavelmente entrem em vigor leis inconstitucionais.

Quando, lá para Março, toda a gente perceber a catástrofe orçamental, o Governo entrar em colapso, os tribunais, departamentos do Estado e sociedade civil mergulharem numa crise sem precedentes vamos ter um Presidente descredibilizado, impopular, barricado em Belém e em que ninguém confia. Nem os partidos, nem a comunidade em geral. E logo quando mais precisávamos dum Presidente da República.

NOTA: É pena que o cronista não tenha referido a comprovada discrição, precaução, prudência, segurança, cuidado para evitar errar, recorrendo a «tabus» e, mesmo, a pedaços de pão-de-ló. Consegue levar tais cuidados virtuosos ao ponto de parecer hesitação ou dificuldade em decidir e, entretanto, o problema resolve-se e deixa de ser oportuno ou necessário arriscar. Homem prudente que não se mete em aventuras…

Imagem do DN

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Segurança e precaução devem merecer mais cuidados

Parece que nós, portugueses, cada vez com mais insistência, pensamos «não há-de ser nada e, se for, logo se verá». Desprezam-se regras sensatas de segurança, de precaução e de cuidado e isso resulta em sucessivos acidentes, muitos dos quais poderiam ser evitados e poupar-se vidas, sofrimento e despesas materiais.

Ontem, depois de almoço, em Vouzela, dois homens, de 56 e 59 anos, deslocavam-se, num trator, para a propriedade agrícola de um deles quando tiveram um acidente. Iam num caminho estreito, o trator terá resvalado e depois capotou", e quando os bombeiros chegaram ao local encontraram as duas vítimas próximas da viatura, com aspecto de terem sido esmagadas pela máquina num dos seus tombos.

Talvez tenha sido uma fatalidade imprevista, ou talvez fosse resultado de imprudência, de falta de cuidado. Já neste espaço foi referi várias vezes que é imperioso, desde as escolas, convencer as pessoas que o rigor e a perfeição na execução das tarefas deve começar por uma boa preparação e precaução com respeito pela saúde e vida dos próprios e de terceiros. Citam-se agora, por exemplo, os artigos Incúria em vez de segurança e Segurança votada ao desprezo. Nas consequências de muitos acidentes com prejuízos para terceiros, se os custos são transferidos para as seguradoras, os autores do acidente devem ser penalizados pela negligência que possa ter estado nas causas. Não devemos ficar indiferentes à quantidade de mortes que bem podiam ter sido evitadas.

Imagem da Net

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Perigo não deve ser ignorado

Há poucos dias, foram aqui publicados dois posts «Desleixos trágicos» e «Perigo desprezado», de alerta contra o pouco cuidado com que são encarados os perigos. Um comentador totalmente anónimo, usando de palavras pouco corteses, criticou a intenção do segundo post acabando por dizer em termos fatalistas e provavelmente de braços cruzados, que os «acidentes acontecem».

Ora os acidentes são originados, na maioria dos casos, por erros devidos a distracção, a má preparação, técnica e psíquica ou a falta de cuidado com as máquinas, o que é passível de melhoria por forma a reduzir a probabilidade de ocorrência poupando-se vidas e haveres.

Neste domingo houve «um morto nas estradas». Na véspera, tinha havido «um morto e 27 feridos em despiste de autocarro» que capotou. Destes, «Cinco feridos ainda inspiram muitos cuidados», na manhã de hoje.

Entretanto, como as causas dos acidentes nem sempre residem na incúria dos condutores ou em avaria das máquinas, surgiu hoje um artigo a alertar para que «Ensino falha no cálculo do aquaplaning». E é bem conhecido o perigo de uma camada de água mesmo que ténue na estrada, tornando o carro ingovernável.

Mas os acidentes ocorrem em diversas actividades e, em todos os casos, o cuidado deve ser acrescido para os reduzir ou evitar. Notícia datada de ontem diz que «Acidentes de caça provocaram hoje dois mortos em Vila Real e Chaves» notícia também referida «aqui» o que eleva para «cinco as mortes a lamentar desde o mês de Junho». E não devemos negligenciar que uma vida humana tem elevado valor para os familiares e amigos e para a vida económica nacional.

Portanto, não podemos ser fatalistas ao ponto de aceitar de braços cruzados que tais tragédias se sucedam de forma continuada. No mínimo, devemos tomar precauções e apenas aceitar riscos calculados que sejam justificados pela actividade respectiva.