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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Negligência nacional

Numa época em que tanto se fala na procura da excelência, na conveniência de fazer bem tudo aquilo que se faz, é desgastante assistir-se a tantos erros provenientes do desleixo, da incúria, do desprezo pela perfeição e pelo rigor.

Passa-se a nível governamental, com medidas avulsas, incoerentes, sem estratégia, mas o que não é menos grave, é que se passa também na generalidade da vida da população. As últimas notícias confirmam o que ficou escrito nos posts «Segurança votada ao desprezo» e «Incompetência e descontrolo».

Foi a infiltração da chuva no hospital Amadora-Sintra, de construção recente, que impediu o funcionamento do Serviço de Urgências e obrigou à transferência de doentes para outros hospitais. E agora é a notícia de que «Portão cai e fere criança em escola inaugurada há apenas quatro meses».

Mas, infelizmente, há muito mais dói que isto, pois os acidentes rodoviários não param de destruir vidas e, até, sofrem forte acréscimo quando caem as primeiras chuvas de Outono. A culpa não é da chuva, mas dos condutores que ignoram que a condução deve ser adaptada ao estado do piso e à visibilidade e é sabido que a chuva reduz a aderência do carro ao piso e diminui a visibilidade da estrada.

Como melhorar os comportamentos das pessoas? Certamente através das escolas, o que terá resultados lentos e demorados. Com resultado a curto prazo, só pode conseguir-se um comportamento mais adequado, através de penalização eficiente dos culpados, directa ou indirectamente por acidentes ou incidentes que possam causar danos pessoais ou materiais a terceiros. Estas acções disciplinadoras devem dirigir-se aos construtores, aos operários, aos responsáveis pela manutenção, aos inspectores das actividades económicas dos diversos sectores.

Os efeitos do desmazelo e da incompetência não se limitam a custos contabilísticos, mas incidem de forma grave na vida das pessoas, no seu stress, na sensação de insegurança, receio, falta de confiança e de segurança.

Para restabelecer cuidados racionais e socialmente correctos, os responsáveis, a justiça, os serviços de inspecção , não podem manter-se inactivos na luta contra pequenos defeitos que estão a criar mau ambiente pelo efeito de massa.

Imagem da Net

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Museu de Marinha deve ser defendido

Depois das primeiras notícias e do post aqui colocado, Museu de Marinha, com quase 150 anos, será extinto, surge agora o artigo

Possível integração do Museu de Marinha no Museu da Viagem gera contestação
Público. 20.05.2010 - 19:15 Por Maria José Santana

Está a gerar alguma contestação a ideia de que o futuro Museu da Viagem poderá vir a absorver o centenário Museu de Marinha. Nos últimos dias, têm circulado na Internet vários comentários de indignação face à possibilidade de aquele museu vir a desaparecer enquanto instituição autónoma.

A ministra da Cultura garante que o futuro Museu da Viagem só ocupará o espaço que é agora da arqueologia. Ministra assegura que um projecto não invalida o outro

O Ministério da Cultura desmente a existência de qualquer proposta, assegurando que o Museu da Viagem, é, nesta altura, apenas um conceito. Mas o PÚBLICO sabe que essa hipótese está na calha e até já foi avançada num projecto de protocolo.

Nesse mesmo esboço de documento de entendimento, surge a indicação de que as instalações do futuro Museu da Viagem corresponderão às instalações do actual Museu Nacional da Arqueologia – que, como já era do conhecimento público, passará para a Cordoaria Nacional -, abrangendo também o espaço actualmente ocupado pelo Museu de Marinha. (…..)


Este artigo mostra que, felizmente, nem todos os portugueses estão adormecidos em permanente estado vegetativo e alguns estão atentos aos verdadeiros valores nacionais que devem se defendidos por todo e qualquer meio.

A ideia inicialmente divulgada mostra a triste sina dos portugueses. A incompetência dos governantes e a vontade de fazerem algo de diferente, só para mudar e para alimentarem a própria vaidade de colocar uma placa com o seu nome, leva-os a estragar o que está a funcionar bem e a nivelar por baixo e pôr tudo na lama. Aconteceu com o ensino técnico de que agora se sente a falta, aconteceu na saúde, na Justiça com a descriminação e despenalização, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, etc. etc.

Não tenham inveja do Museu de Marinha. Deixem-no continuar na senda da excelência e tomem-no como modelo e exemplo; imitem-no. Procurem imitar o que há de melhor e, em vez de destruírem apoiem o que merece apoio e aperfeiçoem o que está pior, para se aproximar daquilo que possui boa qualidade.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Optimismo e esperança para salvar Portugal

Poderão dizer que não há motivo para optimismo nem para esperança, mas essa atitude é o factor mais negativo que entrava o esforço para a salvação do País. A esperança deverá ser a última coisa a morrer. Enquanto há vida há esperança. E o optimismo surge lentamente, à medida que focarmos a observação em exemplos positivos que vão aparecendo em vários sectores de actividade.

No post anterior era referida a iniciativa e a capacidade de decisão de uma empregada que ousou tomar as rédeas da empresa evitando o encerramento e garantindo o emprego de todas as colegas. Agora é outro exemplo atraente, o da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra que é tema do artigo que se transcreve.

Portugal precisa de mais empresas que se proponham ser exemplares na rota da excelência, com boa gestão e bons resultados não apenas em lucros mas, principalmente, na satisfação do seu pessoal e dos clientes.

Eis o artigo:

Escola de Hotelaria campeã no emprego
Jornal de Notícias, 29 de Novembro de 2009, por João Pedro Campos

«A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra celebra hoje 20 anos com uma taxa de empregabilidade na ordem dos 85%. A modernização das instalações e equipamentos é o próximo passo da instituição.

"É um desafio ter agora uma estrutura no limite da capacidade. Estamos a precisar de rejuvenescer os nossos equipamentos", afirma ao JN a directora da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Ana Paula Pais garante que a instituição tem já um plano para modernizar esses equipamentos e um projecto destinado a melhorar as instalações. "Ainda assim, a escola tem excelentes condições técnicas", Considera.

Instalada próximo do Pólo II, a Escola de Hotelaria e Turismo é actualmente frequentada por cerca de 500 alunos, estando, segundo a direcção, no limite das suas capacidades. "Nos últimos quatro anos, tivemos mais 150 alunos do que tínhamos para trás. Em 20 anos, a escola foi crescendo e diversificando também as ofertas", revela Ana Paula Pais. Sobre os 20 anos da instituição, a directora entende que "corresponde àquilo que um jovem de 20 anos sente: está no auge da sua força, tendo neste momento um projecto muito consolidado".

Cursos com emprego

Ana Paula Pais mostra-se satisfeita com o rendimento da escola ao nível da empregabilidade. "Ainda conseguimos garantir empregabilidade, o que é um privilégio", comenta, revelando que alguns dos oito cursos leccionados na instituição têm mesmo uma taxa de 100%. Os cursos de cozinha, especialmente têm empregabilidade total. Em termos gerais, a directora da escola afirma que a taxa de empregabilidade ronda os 85%.

A escola, uma das 16 pertencentes à Turismo de Portugal, tem tido uma procura excedentária nos últimos anos, o que, segundo a directora, obriga a um processo de selecção bastante eficaz.

Mais actividades

Os 20 anos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra foram ontem comemorados com uma sessão no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, durante a qual foram entregues diplomas aos alunos que terminaram a sua formação e se fez uma celebração com os funcionários.

Ana Paula Pais anuncia que ainda vão realizar-se mais duas actividades, no âmbito das comemorações do 20º aniversário. Os "Natais da Europa", a 3 de Dezembro, celebrarão o Natal dos países de origem dos estudantes Erasmus, possibilitando aos alunos "trabalharem menus de diferentes países". A 9 de Dezembro, será servido um jantar "gourmet" preparado por ex-alunos da escola.»

domingo, 16 de agosto de 2009

O exemplo vem de cima! 060801

(Publicada em O Diabo em 1 de Agosto de 2006, p. 12)

Há acontecimentos antigos aparentemente sem importância que nos são trazidos à memória inesperadamente pelas notícias actuais. Recordo que, quando o Dr. Mota Amaral tomou pose como residente da AR, nos discursos do presidente cessante e do empossado houve convergência de objectivo mas divergência de estratégia. Ambos defenderam que os deputados precisavam de ser prestigiados, mas, enquanto o primeiro, materialista e monetarista, pondo o assento no TER, apontava para o aumento de ‘ordenado’, o segundo, mais vocacionado para os valores éticos e espirituais, priorizando o SER, indicava a solução de melhorar o desempenho, procurando a excelência em toda a sua amplitude. O prestígio conquista-se no dia-a-dia.

Se a estratégia de Almeida Santos não conduziu à duplicação dos ‘ordenados’, também Mota Amaral não convenceu os representantes do povo. Além de a legislação não ter atenuado os flagelos que afligem a população – acidentes rodoviários, saúde, justiça, prevenção e combate aos fogos florestais, violência, etc – os deputados ofereceram o triste espectáculo da debandada precoce para ferias em 12 de Abril e, agora, a notícia de que em 103 sessões plenárias houve 1900 faltas (18,45 por sessão!), tendo apenas 26 deputados, de que deviam ser publicados os nomes, estado presentes em todas as sessões. E, caso curioso, ou talvez não, todas as faltas excepto 13 foram justificadas e nenhum deputado perdeu o mandato por faltas, em conformidade comas normas e regulamentos aprovadas pelos próprios deputados! Tudo legal, como era esperado!

Porém, embora se esperasse melhor ‘performance’ dos deputados eleitos, eles comportaram-se como a generalidade dos trabalhadores portugueses que, por falta de esclarecimento, não se dedicam seriamente às suas tarefas, o que tem dado argumentos às multinacionais para fecharem as suas empresas e as deslocalizarem para países onde a maior produtividade lhes garante melhor competitividade, como se vê em múltiplos exemplos por todo o país. No entanto, seria de esperar que as pessoas que se candidatam a estes cargos tivessem um lote de qualidades que os colocasse visivelmente acima da média nacional para serem motivo de orgulho nacional e exemplo de virtude para cada cidadão. O Dr. Mota Amaral estava correcto nos seus propósitos, mas estava enganado quanto ao auditório que tinha à sua frente.

Premiar o mérito. 060509

(Publicada no Destak em 9 de Maio de 2006, p. 15)

O cidadão descomprometido já não pode levar a sério as promessas dos governantes, porque raramente passam de declarações de intenções que acabam por não ser concretizadas. Mas é realmente pena que algumas não se tornem efectivas. É o caso do salário dos gestores públicos passarem a depender do seu grau de desempenho, o que se enquadra na técnica da gestão por objectivos. Mas não parece ser tarefa fácil de ser levada a cabo com eficiência e justiça tendo em vista o melhor funcionamento da empresa ou instituto em benefício do público seu cliente ou utente. Tem que haver uma avaliação rigorosa do desempenho, mas em função de quê? Da facturação, ou do lucro? Quem avalia? Quer a facturação quer o lucro podem não representar mérito do gestor tendo em vista a finalidade da instituição: maior facturação pode resultar de pressão sobre o cidadão cliente do serviço para consumir mais do que o aconselhado pelas suas necessidades; maior lucro significa preços exagerados a pagar pelo cliente do serviço. Qualquer destes aspectos enferma de imoralidade.

Uma solução para criar uma base de avaliação do desempenho poderia assentar num inquérito secreto e anónimo efectuado com frequência aos clientes do serviço sobre a forma como são atendidos e a sua satisfação. O certo é que sem uma avaliação rigorosa e quantificada do desempenho não se pode calcular o vencimento compensador do mérito do gestor e pode resultar num prémio à subserviência, à amizade ou à cor dos olhos. Antes de iniciar esse sistema de vencimentos há que criar o critério rigoroso para cada caso da avaliação quantificada, tendo em pano de fundo as finalidades do serviço.

Política pouco atractiva. 060509

(Publicada no Diabo em 9 de Maio de 2006, p. 17)

Notícia do primeiro dia de Maio dá-nos conta de um inquérito feito junto dos jovens para avaliar a sua atracção pela política, tendo daí resultado a conclusão de que «os jovens estão descontentes com a política e com o modo como a democracia funciona», devido à «degradação das instituições democráticas que têm revelado alguma dificuldade em darem de si mesmas uma imagem mais transparente e credível».

Parece que os políticos têm à sua frente uma tarefa ciclópica para melhorar a imagem que de si dão à sociedade que os elege e os alimenta. Não parece fácil levar a cabo esse trabalho, dado o estado a que isto chegou, como já foi bem salientado na posse de Mota Amaral como Presidente da AR. Convém recordar que tanto ele como o seu antecessor comungavam da ideia de que os deputados deviam ser prestigiados, mas divergiam quanto à metodologia a seguir. Almeida Santos sugeria que deviam ser aumentados os vencimentos e as regalias, enquanto Mota Amaral se orientava para a realização de trabalho mais eficiente e útil, granjeando prestígio na sequência da obra realizada. Porém, os comportamentos têm sido pouco edificantes. Não há coerência, nem convergência, nem persistência quanto a objectivos bem estabelecidos o que resulta ouvirmos e lermos extensos textos, com pretensões de brilhantismo, mas que se focalizam nos aspectos secundários e irrelevantes, esquecendo aquilo que é realmente essencial para o bem-estar e a qualidade de vida da população. Falta aquilo que os militares chamam «espírito de missão», em que esta é o farol que orienta para o rumo certo nas pequenas e grandes decisões. Infelizmente, para os políticos, como se viu no passado 12 de Abril, não existe uma missão, um farol, um objectivo, que coincida com os interesses nacionais, sendo estes, na prática, postergados em benefício do interesse pessoal de cada um e da corporação a que pertence.

Portanto, o Secretário de Estado da JD, muito conhecido pelas dezenas de fotos em que aparece no site da SEJD, não deverá agir no sentido da lavagem ao cérebro dos jovens, com vista a aderirem à política, mas sim deve actuar em ordem a melhorar os comportamentos dos seus camaradas a fim de a política se tornar mais saudavelmente atractiva para os melhores valores nacionais, não esquecendo que no País há cérebros válidos, mas que não querem misturar o seu nome com os dos políticos que temos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Nem tudo vai mal no rectângulo. 050803

(Enviada aos jornais em 3 de Agosto de 2005)

Tem havido muitas lamentações acerca do alegado alinhamento por baixo, na generalidade das actividades económicas e sociais, anulando qualquer indivíduo mais dotado que procure sobressair do marasmo nacional. Essas atitudes, que são geralmente explicadas pela última palavra dos Lusíadas (inveja), têm impedido o progresso do País desde as escolas até à vida profissional.

Porém, há sinais de mudança, casos em que se detectam valores a níveis académicos e profissionais bastante baixos e se guindam aos mais altos postos da actividade pública. Neste momento, um caso está a dar muito nas vistas, criando boas esperanças e perspectivas de futuro nos simples funcionários de balcão da Caixa Geral de Depósitos, os quais, mesmo sem uma experiência continuada e sem o grau académico de licenciatura, podem vir a ser nomeados administradores. Mas não devem ser demasiado optimistas. Para terem êxito, precisam de se inscrever num partido vencedor, irem aos comícios, colarem cartazes eleitorais, familiarizarem-se com dirigentes partidários dinâmicos, bem falantes e próximos do topo, disponibilizarem-se para cargos políticos e ... depois, a boa hora chegará e as pensões e subsídios acumulam-se.

A experiência política e o aparecimento na Comunicação Social, mesmo que por maus motivos, são condição essencial para o sucesso na «profissão» política. Se dúvidas houvesse, bastaria reparar em alguns nomes que, nos últimos meses, subiram para o topo de empresas e institutos públicos. Nem tudo vai mal no rectângulo lusitano; há quem diga que vai muito mal.

Ditadura da mediocridade

(Publicada no Expresso em 30 de Abril de 2005)

Seria de esperar que as televisões e os jornais e revistas estimulassem nas pessoas desejos de melhorarem os seus conhecimentos e os temas das suas conversas, porque a elevação da cultura aumentaria o consumo da Comunicação Social. Mas não é assim, porque os objectivos financeiros imediatos levam a priorizar a captação de audiências e leitores na maior quantidade possível o que não é condizente com critérios de qualidade e de melhoria cultural. Estamos, assim, constrangidos por uma ditadura da mediania, ou mesmo da mediocridade. O raciocínio parece ser: se o programa X agrada aos analfabetos, também pode ser visto pelos eruditos, enquanto o inverso não é verdadeiro!

Quando se quer ver televisão corre-se o risco de ver o ecrã ocupado com futebol (há-o quase todos os dias), com uma telenovela brasileira repetitiva, com um «reality show» de discutível valor artístico, cultural ou ético ou com um concurso em que fica sobejamente provado o inacreditável nível de ignorância de muitos licenciados, alguns com declaradas pretensões a professores universitários. Quando João Paulo II estava agonizante, havia um exagero televisivo como se as opiniões dos ouvintes pudessem impedir o sofrimento ou a morte. Depois, eram os múltiplos prognósticos sobre o cardeal mais «papável» e, por fim, opiniões daqueles que só vêm defeitos em Bento XVI, por ser alemão, ou daqueles, que se consideram os ‘verdadeiros crentes’, que o admiram por ter merecido ser eleito, por inspiração do Espírito Santo. Tudo isto se passava num nível que não resiste a críticas mais profundas. Também os próprios políticos usam palavreado vazio como se os ouvintes fossem estúpidos e ficassem convencidos de que o discurso tem conteúdo e verdade.

Parece poder afirmar-se que, há uns tempos a esta parte, as pessoas, com a obsessão da igualdade e do nivelamento social por baixo, em vez de reconhecerem o valor daqueles que se evidenciam pela positiva, procuram denegri-los reduzi-los à mais baixa expressão, esmagando-os para a média ou mais abaixo. Nada, portanto, estimula à melhoria da qualidade, seja de quem for e em relação a quê. E, deste panorama, sobressai valorizado quem se destaque da generalidade, pela sua mediocridade, isto é, o mais marginal. Esses, por várias vezes, ocupam mais espaço em noticiários do que aqueles que, pela sua genialidade, constituem uma base de esperança para um futuro mais risonho do nosso País e, portanto, de todos nós.

É de perguntar onde está a ponta do fio da meada para superar esta situação e criar uma cultura dos valores, princípios e normas mais consentâneas com o desenvolvimento cultural, social e económico de Portugal.

Premiar o mérito. 050119

(Publicada no Público em 19 de Janeiro de 2005)

O caro leitor recorda-se da última palavra dos Lusíadas? Aquela que encerra a estrofe 156 do canto décimo? Não se desgoste se não se lembra, porque está entre numerosa companhia. Mas concordará que, sendo Luís de Camões um profundo conhecedor das mitologias grega e romana, e da história de Portugal, um bom «analista» político e «sociólogo» competente, como o demonstram os dez cantos da sua principal obra, essa palavra, não deve ter aparecido por acaso, mas deve ser muito significativa, para deixar o leitor a matutar na mensagem nela contida. Recordei esse conceito quando li uma entrevista do pensador José Gil num conceituado diário, na qual aponta como principal causa do atraso do país o facto de vivermos abafados pelo mecanismo ou sistema da inveja («enveja», como consta no fim dos Lusíadas).

Também aquela entrevista me recordou o «velho do Restelo» que se exprime nas estrofes 94 a 104 do canto quarto, daquele poema épico. São as ideias desse velho que hoje melhor traduzem a situação do país, com um ambiente hostil à iniciativa, medo e ausência de ideias de futuro, noção paralisante de prudência, obsessão do culto da imagem e do bom senso, medo das mudanças e do «parece-mal», crítica aos mais válidos, etc.

E este retrato não se aplica apenas aos idosos ou aos jovens, aos pobres ou aos ricos, pois ajusta-se em plenitude aos mais altos dignitários da Nação. Recordo-me que, numa festa nacional recente, foi condecorado um grupo de música moderna. É certo que a cultura é essencial para a vida de um povo. Mas para vivermos com conforto e bem-estar, precisamos de uma balança comercial equilibrada, mas não se ouve elogiar os empresários que mais exportam. Para o Estado funcionar são necessários impostos, mas não se ouve elogiar os empresários que mais impostos pagam. Para as famílias terem poder de compra, é necessário haver emprego, mas não se ouve elogiar os empresários que mais postos de trabalho gerem.

Portugal precisa de enfatizar aqueles que devem constituir modelo para os restantes, nomeadamente os mais novos, pela iniciativa, pela capacidade de organizar, de inovar, de planear o futuro, com preocupações estratégicas de longo prazo. Em vez de ter inveja pelos que evidenciam mais valor, deve ver-se neles um objectivo a alcançar e a ultrapassar. Há que premiar o mérito que contribua para o aumento do bem-estar do povo, por forma a aproximar o País dos melhores da Europa a que pertencemos e da qual já fomos os maiores inovadores.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desparasitar as Universidades. 03.11.11

(Enviada aos jornais em 2003.11.11)

Algo está errado no ensino superior do nosso país. Os estudantes não cessam a sua luta pela abolição das propinas. Porém, apesar da publicitação de reivindicações, fica-se na dúvida sobre qual o maior mal de que as universidades padecem. Será o curriculum dos cursos? ou a validade dos diplomas concedidos? ou a competência dos professores? Etc. etc. Certamente, muito haverá que rever e adaptar nos objectivos dos cursos com vista ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia nacional.

Mas o grande problema em discussão é, neste momento, o das propinas. Um amigo meu, com apurado sentido pragmático e realista, mas discreto, diz que tudo ficaria resolvido, para bem do país, da ciência, da tecnologia e da aplicação dos conhecimentos adquiridos se fossem colocadas em prática duas condições: o acesso às universidades públicas seria gratuito, ou com propinas reduzidas, e apenas condicionado pela capacidade demonstrada nas classificações do ensino secundário e num exame de acesso; depois, após uma reprovação as propinas seriam de dois ou três mil euros anuais para a primeira repetição, valor que duplicaria para a repetição seguinte e assim sucessivamente. Haveria, assim, um prémio para a capacidade, a competência e a dedicação ao estudo e seriam eliminados aqueles que não se dedicam ao estudo ou que, dedicando-se, não possuem capacidade para aprender, aqueles que fazem da condição de estudante uma «profissão» e que procuram um pretexto para não passarem ao exercício activo de uma profissão produtiva.

Segundo esta opinião, seria levada a cabo a desparasitação das universidades com alívio do erário público. Certamente deixaria de se ver idosos «duces veteranoruns», e veteranos dirigentes de associações e organizadores de manifestações. Os nossos impostos deixariam de financiar ociosos utilizadores da «capa e batina».

Enfim, é a opinião deste meu amigo, que poderá não estar só, e que com alguns ajustamentos talvez mereça ser devidamente ponderada e discutida em negociações entre as partes agora em conflito.