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domingo, 5 de setembro de 2010

Fogos, erosão, deslizamentos

Há quase três semanas, no post Fogos florestais agravam perigo de deslizamento alertava-se para o aumento do risco de deslizamentos de terras com as graves consequências para pessoas e haveres como se verificou recentemente no FUNCHAL.

É conhecido o facto de pouca gente do país ler cuidadosamente os blogues, e essa pouca não presta a melhor atenção aos assuntos de maior interesse.

Mas hoje, aparece no Jornal de Notícias ao artigo Chuvas torrenciais podem "matar" solos florestais que aborda o mesmo tema, em que se lê que a «erosão causada pelos incêndios» deve dar origem a cuidados especiais de que salenta os seguintes:

«Limpeza e desobstrução de linhas de água, sementeira de plantas herbáceas de emergência (sem esperar pela sua regeneração natural) e aplicação de resíduos orgânicos (troncos e ramos de árvores), formando barreiras contra o arrastamento de solo pelas chuvas, são algumas medidas recomendadas.»

Imagem da Net.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fogos florestais agravam perigo de deslizamento

Em todas as organizações, máquinas ou sistemas vários complexos, existe uma interacção, por vezes muito apurada entre as partes do sistema. A Natureza é um sistema demasiado complexo pelo que não devemos descurar esse encadeamento de efeitos. Têm chegado notícias de deslizamentos de terras e de enxurradas, causando elevado número de mortos desaparecidos e feridos, em vários pontos do mundo e, entre nós, não é fácil esquecer o que ocorreu no Funchal. Mas se não esquecemos também, por outro lado, não retiramos daí as lições devidas.

Os grandes fogos florestais que devastaram toda a vegetação em vastas regiões de montanha, deixaram os terrenos fragilizados e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, por deficiente permeabilização em consequência da ausência de vegetação, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos. A mesma quantidade de água que, em condições normais, não causaria estragos, agora origina grandes caudais com elevado poder de erosão e o resultado pode ser ainda mais grave do que o ocorrido no Funchal.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais que têm ocorrido. O que acontecerá se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza? Qual o grau de consciencialização de governantes e autarcas?

Não se pode evitar as abundantes chuvadas, não se pode impedir que a água escolha as vias mais rápidas para descer, mas devemos não lhe dificultar a marcha, porque a enxurrada derrubará tudo o que encontrar pela frente. Resta-nos limpar as ribeiras e o «leito de cheia». O leito de cheia é constituído pelas faixas laterais das margens utilizadas durante as cheias de grandes caudais. Poderá ser mais ou menos largo conforme a orografia do terreno. Nesse espaço não deve haver obstáculos, fixos ou móveis, que dificultem a passagem da torrente.

Quanto aos fogos florestais, no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, e entretanto não forem tomadas medidas adequadas para reduzir a carga térmica sobre o solo e se não forem tomadas medidas punitivas que dissuadam os pirómanos e os seus mandantes, poderão verificar-se fogos semelhantes aos deste ano. Não deve ser alimentado pessimismo e derrotismo, mas sim pressionar quem deve adoptar soluções de prevenção, para que as decida já no Outono.

É com antecedência que se decide e se executa a prevenção. Já há alguns anos surgiram notícias de exemplos de medidas eficientes para vigilância da floresta nos Concelhos de Alcains, Mortágua, Góis, Chamusca, Gondomar, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Concelhos e a imaginar algo de melhor. É preciso fazer algo de útil e não cruzar os braços à espera de milagres.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. Devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» (previnem-se) a partir do Outono.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fogos Florestais - Enxurradas. 031228

(Enviada aos jornais em 28 de Dezembro de 2003)

Nas Filipinas e na Califórnia houve recentemente chuvas torrenciais que causaram deslizamentos de terra de que resultaram perdas de vidas além de avultados estragos materiais. Os especialistas atribuem esses efeitos nefastos ao facto de no Verão passado ter havido nas respectivas regiões fogos florestais que devastaram toda a vegetação, deixando a terra fragilizada e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais ocorridos no mês de Agosto. O que acontecerá em 2004 se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza?

Quanto aos fogos florestais, houve um responsável pelo ambiente que disse que no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, poderão verificar-se fogos semelhantes aos de 2003. Acho que isto é pessimismo e derrotismo da parte de quem deve apontar soluções de prevenção. Já há exemplos de medidas preventivas eficientes nos Concelhos de Alcains, Mortágua e Góis, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Conselhos e a imaginar algo de melhor.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» a partir do Inverno.