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sexta-feira, 10 de maio de 2019

TV, ESCOLA DE CRIME?

TV, escola de crime?
DIABO nº 2210 de 10-05-2019, pág. 16

Quando, em 5 de Agosto de 1962, morreu a actriz, modelo e cantora norte-americana Marilyn Monroe, com 36 anos, em consequência de overdose de barbitúricos, na sua casa, em Los Angeles, dado o seu grande prestígio de artista e ela ser ídolo de muita gente, principalmente jovens, surgiu o risco de haver muitas fãs a decidir pôr fim à vida para lhe seguirem o exemplo. Realmente, apesar das medidas recomendadas por psicólogos e sociólogos para que o assunto não fosse demasiado focado na Comunicação Social, segundo a autora Lois Banner, “a taxa de suicídio em Los Angeles dobrou após a confirmação de sua morte, bem como a circulação da maioria dos jornais naquele mês”.

O poder da comunicação social é terrivelmente assustador, influenciando, normalmente pelos aspectos mais nefastos, pessoas ainda não formadas ou com uma formação ténue e mal consolidada, que desejam imitar as pessoas mais focadas na TV e outros meios de comunicação social, no desejo de obterem uma notoriedade semelhante. Infelizmente, essa debilidade mental não é devidamente encarada pela TV no sentido de não dar alimento aos instintos dos mais débeis mentais que procuram imitar aqueles a quem, ocasionalmente, é dado mais tempo de antena.

Por isso, sem olhar ao valor ético dos telespectadores, nem aos possíveis efeitos sociais, e procurando apenas ter audiência, exploram acontecimentos de que apenas se devia dar uma rápida notícia sem pormenores nocivos. Passar muito tempo várias horas por dia, repetidamente, a mostrar um criminoso e a falar de pormenores da sua má acção, pode servir de estímulo para um tipo mal formado aprender pormenores a evitar para levar o crime ao fim que deseja e sem ser identificado pela autoridade. Não parece socialmente correcto idolatrar alguém que comete uma acção repelente.

Essa visão deturpada da função da Comunicação Social não pode ser alheia ao aumento da violência doméstica, da violência no futebol, do desmazelo e irresponsabilidade que está na origem da quantidade de mortos nas estradas, da pedofilia, etc. Quem aparece na TV funciona como chamariz, como modelo para pessoas sem formação moral, com índole parecida. Não foi por acaso que aumentou a taxa de suicídios após a morte de Marilyn, apresar de a Comunicação Social ter sido aconselhada a evitar referências muito visíveis.

No campo oposto, sabemos que os nossos cientistas têm tido reduzida publicidade entre nós, embora sejam um indicador do impacto na ciência no Mundo. No entanto, de ano para ano, cresce o número de portugueses constantes em artigos “altamente citados” internacionalmente. Parece que devia ser poupado tempo com os criminosos para ser dedicada mais atenção aos nossos cientistas que merecem ter fãs e seguidores. Por exemplo, Nuno Peres, físico da Universidade do Minho, foi em 2018 o cientista a trabalhar em Portugal mais citado no mundo por outros investigadores. Também José Teixeira, o segundo mais citado dos investigadores a trabalhar em Portugal, merece bom destaque e, a seguir, António Vicente e Miguel Cerqueira, ambos na área das ciências agrárias.

Mas há muitos outros nomes a quem a Comunicação Social devia dar mais atenção, como Isabel Ferreira, Lillian Barros, Letícia Estevinho, Luís Santos Pereira, Mário Figueiredo, José Bioucas-Dias, Miguel Araújo, Pedro Areias... e haverá muitos mais cujos nomes deixo ao cuidado dos nossos jornalistas que se interessem pelo que há de mais meritório em Portugal e que possa servir de incentivo a jovens que desejam êxito na vida.

Se as nossas TVs preferem continuar focadas no crime e dar tempo de antena a criminosos, então merecem aquilo que muita gente já diz: que a TV é uma escola de criminosos. ■

António João Soares
03-3-2019

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Três casos de auto-punição

Por vezes ouve-se que os casos de auto-punição traduzem grandeza de carácter e de dignidade, mas teria mais valor a continuidade de um comportamento correcto com dignidade e honradez que evitasse crimes ou infracções.

Agora quase em simultâneo vieram a público três casos de auto-punição:

-O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num alegado caso de corrupção.

-O suspeito do triplo homicídio de Beja (homicídios da mulher, da filha e da neta) foi encontrado morto na cela do Estabelecimento Prisional de Lisboa, nesta sexta-feira, por se ter enforcado com os lençóis da cama.

- O ministro da Cultura grego Pavlos Geroulanos apresentou a demissão, na sequência do assalto por dois homens armados ao museu da antiga cidade de Olímpia, roubando mais de 60 objectos antigos e arqueológicos de valor incalculável. O museu com património artístico e arqueológico de alto valor tinha apenas uma vigilante.

Isto trouxe á memória dois casos passados no Oriente:

- Em Maio de 2007, o ministro japonês da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, enforcou-se no seu apartamento de Tóquio, após ter sido envolvido num escândalo financeiro.
- Em Junho de 2011, o ex-ministro sul-coreano da Agricultura e presidente da Universidade de Sunchon National, Lim Sang-gyu, investigado num caso de corrupção foi encontrado morto, no interior de um carro, em Seul.

domingo, 14 de março de 2010

Criminosos com cartõses do MAI

Transcreve-se o início da notícia (para a ler toda, abrir o link):

Cartões do MAI estavam na posse de criminosos
Jornal de Notícias. 01-03-2010. Carlos Varela

DIAP de Lisboa abre inquérito para perceber como foram passados os cartões. Empresa legal na base das suspeitas.

Suspeitos da prática de crimes violentos foram encontrados na posse de cartões de seguranças privados, que só podem ser passados pela PSP, por delegação do MAI. Foram descobertos na sequência da operação Nemésis, que desmantelou uma rede de extorsão.

Além do inquérito que já decorre associado à operação, envolvendo associação criminosa, homicídio consumado e tentado e extorsão, o Ministério Público (MP) abriu também um inquérito autónomo só relativo aos cartões.

O intuito do MP, mais concretamente do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que tutela a investigação, é saber como foi dado acesso à posse dos cartões a indivíduos que, nos termos da lei, não estavam qualificados para tal e, logo, para o exercício da actividade de segurança privado. Entre os quinze detidos na operação havia um indivíduo com um cartão legal e activo, mas há suspeitas de que possa haver mais situações. (...)

NOTA: Numa era em que toda a gente séria é profusamente controlada, através da localização pelos telemóveis, pelas portagens, pela vídeovigilância nos transportes, nos edifícios, na rua, das escutas telefónicas, na utilização do cartão de débito, pelo cartão do cidadão, etc, coisa que há meio século cabia apenas na mais ousada ficção, é incompreensível que as autoridades responsáveis peça nossa segurança distribuam cartões a criminosos.
Para podermos não perder toda a confiança na máquina do Estado, é bom saber que o DIAP vai investigar o caso. Oxalá desse trabalho saia resultado visível e não aconteça como em muitos casos em que surgem obstáculos apoiados por interesses ocultos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As peias do legalismo

Perante as notícias que têm enchido as páginas dos jornais e de toda a comunicação social, são muito sintomáticos os títulos seguintes em jornais e dias diferentes

PGR alega que tentar controlar imprensa e TVI não é crime

PGR diz que “Falta transparência entre políticos e comunicação social"
não é crime


Com efeito, num País dominado pelos homens do Direito, peritos em preparar leis adequadas aos interesses de quem as assina e em jogar com as palavras para as aplicar da «melhor» forma em defesa tanto de uma face como da outra, o Sr. PGR tem razão nas suas afirmações. Um robot preso ao restrito significado da letra da lei, feita por políticos habilidosos, não diria melhor.

Das palavras do Sr. PGR deduz-se que, quando os políticos tomam atitudes anti-democráticas, autoritárias, ditatoriais, anti-éticas, imorais, chamando-se entre si os piores nomes e insinuando as piores coisas, desrespeitando os direitos e liberdades, também não é crime. Dessa forma não será crime dizer-se: vão para a pqp.

Mas, Sr. PGR, não devemos esquecer que, acima da lei e da Justiça, estão as pessoas e os valores éticos, morais, essenciais, que agora têm sido pisados repetidamente. Isso poderá sair do âmbito das funções de um PGR mas o povo não pode ignorar e deixar de exigir reparação. Se não for pela Justiça, terá de ser por outros meios. Provavelmente, acontecerá um dia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A crise ensina a pensar

A crise reduziu o poder de compra de muita gente principalmente das famílias flageladas pelo desemprego. Mas mesmo os que a não sentiram tão fortemente, passaram a dar mais valor ao dinheiro e a aprender a gastá-lo com regras, com conta, peso e medida. As compras devem se precedidas de raciocínios lógicos quanto à necessidade do produto, à sua utilidade, à escolha do modelo mais adequado ao uso que se lhe irá dar, ao preço e à qualidade.

Há indicadores de que muita gente aprendeu a abster-se de coisas supérfluas, de imitação dos outros, de ostentação, etc.

Agora aparece o indicador da ACAP, nas notícias «Desde 1988 que não se vendiam tão poucos automóveis ligeiros em Portugal» e «Vendas a par de 1987 nos automóveis». São indicadores saudáveis que levam a que se felicitem os portugueses por estarem a ter mais juízo na sua economia doméstica.

Mas é preciso que os governantes estejam atentos e não caiam na asneira havida em relação ao BPN em que sacrificaram dinheiro dos contribuintes, para obviarem aos crimes dos administradores da empresa. A ACAP está a pressionar para serem mantidos os incentivos ao abate de veículos antigos como forma de apoiar o sector automóvel, estimulando as vendas, o que aumenta as importações e a dívida externa. Sobre este aspecto sugiro a leitura do post «Contribuintes pagam abate de carros».

A crise aconselha a manter os carros enquanto puderem funcionar com segurança e economia, o que deve ser deixado ao critério dos seus proprietários. O Estado já tem a garantia de segurança através das inspecções obrigatórias, não deve gastar o dinheiro dos impostos para fazer o jogo da ACAP. Por outro lado, a loucura do abate de carros em razoável estado de funcionamento prejudica muitas centenas de oficinas de manutenção e reparação e manda para o desemprego milhares de profissionais que nelas trabalham.

Já temos carros a mais, como se vê nos subúrbios de Lisboa nas horas de ponta, com as estradas pejadas de carros com apenas um passageiro cada. Ser-lhes-ia mais cómodo e mais económico irem para o emprego de autocarro ou comboio, pois a maior parte não utiliza o carro durante o dia.

O abate de um carro ainda utilizável devia ser penalizado e não estimulado.