Mostrar mensagens com a etiqueta clima. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta clima. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AMBIENTE

Alterações climáticas e Ambiente
DIABO nº 2231 de 04-10-2019, pág 16 por António João Soares

Ultimamente, têm sido ditas muitas coisas como sendo úteis para evitar alterações climáticas mas, segundo opiniões de pessoas com formação sobre o tema, essas opiniões pretensiosas de nada valem para alterar aquilo que a Natureza já está a fazer. Porém, na generalidade, as iniciativas aconselhadas são benéficas para melhorar a qualidade do ambiente, beneficiando as nossas vidas com melhor saúde, comodidade e agrado.

Será bom que as pessoas com responsabilidades no País e no exterior sejam mais prudentes e deixem de citar as alterações climáticas quando se devem limitar a referir os cuidados para a defesa do ambiente. Quanto ao clima, nada de muito significativo se pode fazer a não ser as medidas referidas mais abaixo, saídas de mentes bem formadas e intencionadas.

E não se deve esquecer que, para resolver problemas essenciais, não bastam palavras mesmo que sejam bem intencionadas, como aconteceu no caso da “criação de uma estratégia nacional integrada de redução de plásticos” que, devido a falta de informação, foi impedida de início, sem modos de reduzir a vulnerabilidade do país à tal poluição. Na ausência de informações sobre os impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde da poluição por plástico, não só se impede uma estratégia de redução como a determinação de um investimento de gestão dos resíduos. Aos agentes económicos, às autoridades em geral e ao povo consumidor deve ser oferecido conhecimento e sensibilidade para contribuírem para a resolução do problema com eficácia. É pena os nossos governantes não terem a noção de que a legislação não vale apenas por estar no papel, pois precisa de ser compreendida e assumida por aqueles a quem se destina.

Porém, a temida alteração climática já está em curso com vários aspectos visíveis que aconselham adaptações adequadas nos nossos comportamentos pessoais e de algumas actividades económicas, por forma a que as nossas vidas e a ligação com a fauna e a flora não sejam demasiado lesadas pelas alterações que nos são impostas. Neste aspecto, já há trabalhos de técnicos agrários e agrónomos, muito conscientes e atentos ao problema, que se afastam das palavras falaciosas de “jovens sábios” desprovidos de sentido prático e de conhecimentos científicos, e estão a experimentar soluções para fazer face às novas alterações climáticas em zonas mais sensíveis e onde já se sente o aumento da temperatura e os sinais de escassez de água.

A posição positiva e bem fundamentada de técnicos agrários vem, concretamente, contrariar certas intenções infantis de querer contrariar a força da Natureza que pode ser semelhante a muitas outras ocorridas na longa vida do nosso Planeta. A Natureza não se subordina aos habitantes, como aconteceu quando criou o Oceano Atlântico, cortando o continente africano, ou quando prepara novo corte, também em sentido próximo dos meridianos, na parte Leste do mesmo continente. O homem não tem poder para evitar as alterações climáticas, por mais teatro que faça, com a Greta ou com outras enviadas pelo grande capital. Medida inteligente é a alteração dos nossos hábitos para sobrevivermos a carências que surjam, como é tomado bem evidente pela notícia “O montado ibérico desafia as alterações climáticas”, com empresários agrícolas ibéricos a tomar medidas para o melhor aproveitamento dos terrenos, em benefício das pessoas, da fauna e da flora, por forma a evitar graves consequências das secas que se anunciam. Um novo sistema de exploração do montado, tornando as explorações mais produtivas e rentáveis e, ao mesmo tempo, fixando população no meio rural, em grande parte despovoado, é uma solução inteligente e bom caminho a seguir.

Como a intenção da redução de plásticos, também as conclusões dos trabalhos de investigação para se obter a melhor adaptação às alterações climáticas necessitam de boa e adequada divulgação a toda a população, principalmente a ligada ao meio rural, para se obterem os melhores resultados e se evitarem ao máximo os incómodos da mudança. ■

quinta-feira, 4 de julho de 2019

ALTERAÇÃO CLIMÁTICA É FENÓMENO NATURAL

Alteração climática é fenómeno natural
DIABO nº 2218 de 05-07-2019, pág 16. Por António João Soares

A preservação e defesa do ambiente através de medidas de higiene, na qualidade do ar, do mar, das cidades e dos campos, é uma atitude altamente conveniente para vivermos com mais comodidade e saúde. Por exemplo, a quantidade brutal de micro-partículas de plástico no mar que, através dos peixes, acaba por lesar a nossa saúde é uma realidade que está a consciencializar os países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que assinaram um compromisso, sem precedentes, para lutarem, em conjunto, contra a poluição dos oceanos. Será bom que a Humanidade os ajude neste objectivo e que lhes dê indispensáveis informações científicas e técnicas que lhes facilitem a definição de acções eficazes para concretizar o seu intento benéfico para o Planeta.

E será oportuno e relevante que, por todo o lado, haja repetição e concretização destas boas intenções quanto à luta contra a degradação do ambiente, em qualquer dos seus aspectos e locais do planeta, pois não basta falar do perigo dos plásticos que infectam os mares, é preciso evitá-los, sem demora e de forma definitiva, assim como aos outros perigos para o ambiente.

Mas não devemos continuar na ilusão, como está a verificar-se em muitos políticos, de acreditar que, com isso, estamos a “lutar contra as alterações climáticas”. Estas são devidas a pequenas alterações cósmicas que sempre ocorreram e continuarão a ocorrer e são independentes da qualidade da atmosfera terrestre e da água do mar. Há conhecimento de mudanças de clima desde a mais longínqua antiguidade e, nessa altura, não se queimava petróleo nem carvão e não havia meios de transporte nem instalações industriais a poluírem os ares, com óxido de carbono e outros gases.

Os milhares de corpos astrais estão em perpétuo movimento e vão sofrendo alterações nas suas rotas, com pequenos choques e alterações do poder de atracção das massas. Esses choques astrais são traduzidos pelas chuvas de meteoritos várias vezes avistados pelos observatórios; e alguns têm caído no nosso solo. Tem sido alertado, por cientistas astrónomos, o caso de o eixo da Terra estar a inclinar-se e já havendo quem preveja que, dentro de alguns séculos, ele ficará perpendicular aos raios solares e o efeito daí resultante será que cada local do Planeta terá um clima imutável ao longo do ano, com efeitos imprevisíveis na vida de todos os seres animais e vegetais, isto é, a vida terrestre passará a ser muito diferente da de hoje. Por outro lado, há previsões de que a radiação do Sol está a sofrer alterações, o que significa que a temperatura da Terra será progressivamente diferente da actual.

Após a explosão cambriana, há cerca de 535 milhões de anos, ocorreram cinco extinções em massa. Há 65 milhões de anos, o impacto de um asteróide desencadeou a extinção dos dinossauros, não voadores, e de outros grandes répteis, mas poupou alguns animais pequenos como os mamíferos, que se assemelhavam a musaranhos. Ao longo dos últimos 65 milhões de anos a vida mamífera diversificou-se, e há vários milhões de anos um animal semelhante a um humano adquiriu a capacidade de manter o corpo erecto.

Estes fenómenos cósmicos provocarão alterações climáticas que não podem ser evitadas pelo ser humano, e não pode haver ilusões quanto ao êxito de intenções de luta contra elas. O homem nada pode contra estas forças da Natureza. O que pode ser positivo é uma boa defesa da qualidade do ambiente e uma eficaz preparação para oportuna adaptação às novas condições climáticas, quanto a qualidade das habitações, ao afastamento de urbanizações do perigo da subida do nível do mar, etc. Isto exige esforço de previsão das alterações e, aos primeiros sinais, a tomada de medidas para lhes sobrevivermos o melhor possível.

É impressionante que os políticos, nossos e de outros países, e outras pessoas ousem falar em público sobre fenómenos da Natureza de que não procuraram obter previamente algum conhecimento científico, mesmo que apenas rudimentar. ■


quinta-feira, 25 de abril de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DEFESA DO AMBIENTE

Alterações climáticas e defesa do ambiente
(Publicado no DIABO nº 2208 de 26-04-2019, pág 16)

Vi há dias uma imagem de crianças arregimentadas em quantidade por algum grupo de falsos filósofos, pretendendo talvez obter um ambiente mais limpo e saudável, e a exigirem ao Governo uma luta activa contra as alterações climáticas, como se estas dependessem da poluição ambiental ou da limpeza das ruas e do termo do uso do carvão e do petróleo nos meios de transporte e nas indústrias. Se estivessem atentos nas escolas e tivessem bons professores, sabiam que, muito antes da revolução industrial, houve climas muito diferentes dos actuais devido a evoluções naturais do planeta e do ambiente cósmico em que este se move. Para não nos prendermos com o caso da arca de Noé e da extinção de muitas espécies, quero referir um caso que me surpreendeu há menos de 30 anos. Quando me encontrava em Loures a criar o Serviço Municipal de Protecção Civil, fiz uma caminhada à serra entre Bucelas e a Via Longa e, já no cimo, vi conchas de ostras no chão; e quando começava a pensar que devia ter havido ali um piquenique com muita gente, tomei consciência de que a área com tais materiais era demasiado extensa, era toda a serra, sinal de que há muitos séculos aquele terreno esteve submerso.

Como a Natureza é viva e sempre a movimentar-se, tão lentamente que não nos apercebemos, só com muita atenção compreenderemos os fenómenos naturais, para os quais nada influiu a acção do ser humano. Por exemplo, ao olharmos para um mapa ou um globo terrestre, vemos que o oceano Atlântico se localiza numa fenda que cortou o continente africano e separou dele a América do Sul. A costa do Brasil tem um contorno que mostra bem ter-se deslocado da costa africana onde agora é o Golfo da Guiné. E já há sinais de que o mesmo Continente irá ter uma nova fenda no Vale do Rift na área onde se encontra o Lago Niassa e parte do vale do rio Nilo.

O sistema climático terrestre resulta de desequilíbrios energéticos, factores climáticos e, na história geológica do planeta, vários factores já induziram significativas mudanças de clima, como as várias transições entre Eras do Gelo e Interglaciares ocorridas no Quaternário. As suas causas só podem ter sido naturais, porque o homem primitivo não tinha capacidade nem ferramentas que o tornassem perigoso para o Planeta.

Actualmente, com a ciência mais evoluída do que noutras eras, já se fazem previsões ou se alinham receios de alterações climáticas devidas a causas exteriores ao globo terrestre, por exemplo de origens solares, que vão desde a variação da energia solar que chega à Terra e podem consistir na variação da própria órbita terrestre. E quanto a esta, já se fala que o eixo da Terra está a inclinar-se e há quem preveja que ele ficará perpendicular à trajectória dos raios solares; e, se isto se concretizar, deixará de haver as quatro estações do ano. Ficará apenas uma, sem alteração.

Todas estas possibilidades de alteração do clima serão naturais e não podem ser evitadas pela acção humana. Mas a manifestação das crianças, depois de bem orientada e explicada, nas escolas, é muito válida para tornar o ambiente mais saudável para termos uma vida mais agradável: a higiene corporal e do ambiente que nos cerca, os cuidados com a alimentação, a eliminação de materiais nocivos como o dióxido de carbono e muitos produtos químicos, produtores de fumos tóxicos e geradores de poeiras, o tratamento de águas residuais, etc, etc.. Trump, ao retirar o seu país do acordo de Paris, não foi tão inconsciente como dele foi dito: mostrou que estava bem informado sobre o facto de o clima não depender da acção humana. ■

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Todos pelo AMBIENTE

Al Gore quer encontrar novas soluções para alterações climáticas
Jornal de Notícias. 13 de Julho de 2011

Al Gore vai dar mais um passo na campanha de alerta sobre as alterações climáticas. O antigo vice-presidente dos EUA, que se tornou conhecido pelo activismo na área do ambiente, vai promover, em Setembro, um evento de 24 horas com a presença de cientistas, celebridades e empresários para debater soluções para a "crise do clima".

Ainda sem uma agenda definida, o evento denominado "24 Horas de Realidade", organizado por Al Gore, vai durar um dia completo, mas apenas uma hora em cada fuso horário.

A acção de sensibilização vai começar às 20 horas do dia 14 de Setembro em cada uma das cidades escolhidas em cada fuso horário, como, por exemplo, Londres, Nova Iorque ou Pequim.

O mote para a acção de sensibilização para as alterações climáticas é o facto das mudanças do clima não serem um problema individual, mas sim "o nosso problema". Com base nesta premissa, o projecto fundado por Al Gore quer juntar as pessoas para conseguir encontrar "soluções reais, sistémicas e inovadoras" para aquilo que classifica de "crise do clima".

Com este evento de um dia, Al Gore quer mostrar que é possível mudar o mundo em apenas um dia, tal como as alterações climáticas podem fazer mudar a realidade em pouco tempo.

PROPOSTA: Proponho que nos blogs e na troca de e-mails se difunda toda a literatura existente sobre ecologia e ambiente, por forma a ficarmos muito atentos ao problema e seguirmos com atenção as actividades organizadas por Al Gore em 14 de Setembro. O problema das alterações climáticas é de cada um e de todos colectivamente.

Imagem do Google

sábado, 21 de novembro de 2009

Alterações climáticas influenciam toda a vida mundial


A temperatura global está a subir, originando alterações climáticas. São previsíveis extinções de espécies que irão modificar o equilíbrio biológico que, depois de desencadeado, seguirá um movimento uniformemente acelerado, pondo em risco toda a vida na Terra. Já são bem visíveis os acidentes meteorológicos por todo o mundo, de proporções cada vez mais gravosas e o progressivo desaparecimento das abelhas.

São preocupantes as notícias referentes ao Pólo Norte, onde, devido à subida da temperatura, o gelo polar está a derreter com perigosa rapidez fazendo temer grandes subidas do nível da água dos mares com o inevitável abandono de localidades costeiras de todo o mundo, e inclusivamente, o desaparecimento de estados insulares de pequenas altitudes e que vivem do turismo e de aproveitamento de recursos marítimos.

Mas não ficam por aí os estragos das alterações climáticas.
Realmente a Natureza tem muita força e não é um penedo mudo e quedo. Tem vida e reage aos estímulos. Altera tudo o que os homens possam planear, por vezes em locais distantes do ponto em que foi agredida.

Vejamos, por exemplo este caso. O acesso ao mar foi sempre um factor muito positivo no aspecto geopolítico e geoestratégico. A Rússia tinha o acesso ao mar Árctico, o principal nas suas fronteiras, impossibilitado por as águas estarem geladas a maior parte do ano. Por isso, desde há séculos, tinha como objectivo principal para a sua projecção no mundo, o acesso às águas quentes no Índico através o Afeganistão e do Médio Oriente. Daí que os ingleses e depois os americanos sempre aí se lhes opusessem e as populações locais fossem tão sacrificadas, por estarem na arena da contenda.

Recentemente foram muito reduzidas essas dificuldades da navegação costeira na costa Norte da Sibéria. Mas as alterações não ficaram por aí e o Árctico está hoje quase em condições de ser facilmente atravessado por navios de grande calado e tonelagem.

O aquecimento das águas fez esse milagre que obriga a rever todos os estudos e planos estratégicos dos principais interessados, principalmente Russos e Americanos.

Por outro lado o Afeganistão e restantes países do Médio Oriente, perdem a importância que tinham e, como o petróleo vai deixando de ser tão imprescindível, eles terão de se reduzir à importância do turismo em camelo e da cultura do ópio.

O Oceano Índico perde muita da importância que conhecia na relação de forças das grandes potências e o futuro do Árctico será uma incógnita, nunca imaginada, com surpresas impensáveis.

Enfim, a poluição, o desprezo do ser humano pela Natureza, a ambição de poderosos políticos e industriais e o consumismo desmedido estão a ditar a sentença de morte do Planeta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Nós e Quioto. 051213

(Publicada no Público em 13 de Dezembro de 2005)

O tratado de Quioto traduz a preocupação geral quanto ao efeito de estufa causado por gases produzidos pela combustão de produtos orgânicos, com hidratos de carbono e que provoca as alterações do clima que, embora manifestando-se lentamente, já são bem visíveis. Não é necessário entrar em pormenores técnicos e científicos para compreender a importância vital deste fenómeno para a vida da humanidade.

Segundo as notícias, Portugal é um dos países que mais desrespeita o tratado, emitindo quantidades absurdas de gases. Além da quantidade de carros que enchem as cidades e que, na sua maioria, deviam dar lugar aos transportes públicos, o grande poluidor é a produção de energia, quer a nível nacional quer a nível de empresas que utilizam combustíveis fósseis em vez das fontes inesgotáveis, renováveis (hídrica, eólica, solar, das marés e das ondas) e outras não poluentes como a nuclear para a qual Portugal dispõe de abundante matéria-prima. Além de poluidores, o carvão e os derivados do petróleo são importados, pesando fortemente na balança comercial.

A água da chuva corre para o mar sem ser devidamente aproveitada em sistemas bem estruturados de barragens. Os projectos existentes desde há muitas décadas têm sido boicotados por argumentos de defesa da natureza (flora e fauna) e de traços arqueológicos. Mas, por um lado, a vida natural tem capacidade de adaptação às mudanças e, por outro lado, Foz Côa não dispõe dos hotéis de cinco estrelas nem do aumento de emprego e de riqueza para a população da região que os média faziam esperar e que compensariam a paragem da barragem. Também a central nuclear que podia ter sido construída em Óbidos ou noutro local não mataria por radioactividade a população local, com demonstram os factos nas proximidades das centrais espanholas, francesas, belgas, etc.

Não há que criticar aqueles que argumentaram contra a exploração das energias limpas, por uma ou outra razão. Poderão tê-lo feito por limitação do raciocínio, por convicção. Mas temos que apontar o dedo àqueles que, com responsabilidade governativa, tomaram decisões que levaram ao uso excessivo de energias poluentes e com peso na balança comercial e aos atropelos ao tratado de Quioto. Chamem de políticas às suas decisões, mas agora somos nós, simples cidadãos, que temos de apertar mais uns furos no cinto para pagar o desrespeito pelas normas que limitam a emanação de gases produtores do efeito de estufa e é o mundo a sofrer as alterações do clima provocadas por políticos inconscientes e ignorantes dos efeitos das decisões que tomaram de ânimo leve sem estudos sérios profundos e alargados.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Seca e desertificação. 050520

(Publicada em A Capital em 20 de Maio de 2005)

Notícias recentes dizem que 36 por cento do Continente está em risco de ser atingido pela desertificação devido à crescente aridez do solo em consequência da seca. É altura de se perguntar para que servem os inúmeros funcionários dependentes do Ministério da Agricultura. Consta que são cinco por cada agricultor! Será que já se informaram em Israel e em Marrocos como se vence o deserto? Israel conseguiu transformar vastas extensões do deserto do Neguev em férteis pomares. Por seu lado, Marrocos levou a cabo sistemas de irrigação que tiveram efeito parecido em zonas antes não produtivas. Ora, em Portugal, não se trata de combater o deserto, mas sim de evitar que ele surja onde ainda se pode fazer agricultura, o que é um problema mais fácil. Talvez seja de chamar técnicos daqueles países para cá virem ensinar-nos.

Onde está o Plano de Regas do Alentejo de que já se falava quando, nos anos 60, se começava a construir o Complexo Industrial de Sines e a delinear a Barragem do Alqueva? Onde está o plano do transvase das águas do Douro para o Tejo com destino às regas do Alentejo, através de uma série de barragens do Rio Côa e de outras no rio Zêzere, e que serviria também para a irrigação da Beira Interior, muito para além da Cova da Beira.

O clima pode mudar, mas a desertificação não é inevitável; é muito mais fácil de evitar do que foi a obra dos Israelitas e dos Marroquinos, para não citar outros. A dúvida é se haverá por cá pessoas com capacidade para esta tarefa, de entre as muitas que pesam no orçamento da agricultura. Ou se haverá um governante que decida demitir grande parte destes funcionários e, em troca, contratar técnicos estrangeiros de reconhecida competência e provas já dadas. Os problemas do nosso País não são novidade no mundo, mas a falta de determinação para os resolver pode ser uma coisa extremamente rara. Esperamos que o futuro próximo tranquilize os espíritos mais preocupados.