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domingo, 4 de agosto de 2019

FOGOS FLORESTAIS OU IRRACIONALIDADE POLÍTICA



Fogos florestais ou irracionalidade política

Havia um corpo de Guarda Florestal que foi extinto por políticos de reduzida compreensão das realidades e sem preocupação com o futuro, isto é, sem visão estratégica. Quando a GF existia, podia haver mentes não esclarecidas sobre as realidades do interior que a consideravam desnecessária mas, no momento em que foi extinta, já se estava num processo de mudança da vida rural e os detentores do poder tinham obrigação de pensar nos dias do porvir, pois já eram visíveis as alterações que se anunciavam na agricultura. Daí a necessidade de uma maior vigilância da área florestal por forma a ser exercido um esforço sistemático de prevenção de incêndios e de rápida acção de combate de algum que surgisse. Além da detecção oportuna de incendiários.

Da minha vida durante mais de 18 anos na zona do pinhal, nunca vi um fogo. E a razão derivava de a agricultura precisar de limpar sistematicamente o pinhal para apanhar a caruma para a cama do gado e o mato para curtir para ser utilizado como adubo das terras, os pinheiros eram aparados para dar madeira para segurar as videiras, o feijão, as ervilhas e os tomates e para lenha para a lareira e o forno do pão. Com isso, obtinha-se uma limpeza tal que, durante os trabalhos na mata, não era necessário muito cuidado para acender uma fogueira para preparar o almoço. Depois, a evolução criou materiais para segurar as videiras, as ervilhas, o feijão etc, e deixou de ser necessário aparar as hastes dos pinheiros. Estas também deixaram de ser utilizadas como lenha da lareira, por haver fogões a gás. O forno do pão também deixou de usado como até aí. Também, o mato deixou de servir como fertilizante das terras por se passar a usar adubo. Também os bois deixaram de ser necessários para puxar a charrua, por passar a haver tractores, deixando de ser preciso o mato para as camas nos currais. E, assim, a mata passou a viver em paz sem a intervenção do homem que a limpava e, daí, a ocorrência de fogos impulsionados por madeireiros que pagam a pirómanos, etc.

Com esta mudança, é de lamentar a falta da Guarda florestal e a generalizada ignorância das condições em que vive o interior e dos cuidados de que este carece quanto a fogos e não só. E, para quem conhece o interior, é muito chocante ouvir os governantes dizer que não têm responsabilidade do que se passa no interior (a maior parte do território nacional), que a responsabilidade da prevenção é dos seus habitantes, etc. etc.

E fecham os olhos aos danos incalculáveis dos incêndios de Vila de Rei, Sertã e Mação, Tomar-Abrantes, Sabugal, etc ao ponto de haver um ministro com grande responsabilidade por omissão de medidas eficazes dizer «Época de incêndios ‘está a correr bem’». Não tenho palavras para exprimir a minha sensação ao ler isto no jornal. Tanta insensatez!!!



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

QUAL É A MISSÃO DA TV


Qual é o papel da TV?

Não é fácil entender as prioridades da TV, principalmente da SIC, ao mostrar continuamente imagens arrepiantes das chamas dos fogos ateados por pirómanos. As temperaturas altas e o sol não geram incêndios, apenas facilitam a propagação dos existentes. E muitos destes surgem na calada da noite sem sol e com menos calor.

Seria preferível que, no palrar permanente dos servidores da TV, constassem dados para análise do fenómeno desde as suas causas aos interesses que possam estar na sua existência e sugestões, para reduzir o aparecimento e a dimensão. Um contributo para acabar com a dimensão deste terrível espectáculo pode ser a sugestão para serem procuradas pistas que ajudem as autoridades a detectar os causadores, directos ou os seus mandantes, e os deterem.

Quanto aos programas de TV só pode dizer-se que é propaganda elogiosa aos pirómanos, dando-lhes prazer e orgulho do êxito obtido com as suas iniciativas diabólicas. Nenhum atleta, desportista, artista, cientista, empresário ou trabalhador com êxito vê dar tanta publicidade e visibilidade aos resultados dos seus êxitos.

Então, porque será que é dada tanta visibilidade aos troféus «ganhos» pelos pirómanos? Quem beneficia com tais programas depressivos?

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FOGOS FLORESTAIS - PRAGA RECENTE



Fogos florestais existem há poucas décadas

Nasci numa aldeia da Beira Alta, na zona do pinhal, e vivi lá até quase aos dezanove anos. Tinha os olhos postos na Natureza durante a maior parte do dia (só para me deslocar entre a casa e o liceu, a pé, demorava hora e meia de manhã e outro tanto à tarde). No pinhal podiam assar-se castanhas ou sardinhas ou qualquer grelhado sem preocupações de atear incêndios. Nem sabíamos o que isso era e não me lembro de ver por lá um carro de bombeiros.

Não estou a mentir, nem sequer a fantasiar. Como era possível? A explicação é fácil. O terreno do pinhal estava limpo, sem material combustível. E nunca ouvi alguém dizer que ia limpar o pinhal. Não havia a preocupação de limpar o chão do pinhal, não havia a intenção de evitar fogos florestais. Simplesmente, eles não tinham possibilidade de ocorrer porque isso resultava como efeito secundário de outra actividade fundamental.

Em vales onde hoje cresce mato diverso, desde silvas a giestas e outra flora, nessa época fazia-se agricultura que servia de alimento às pessoas e ao gado. Essa agricultura necessitava de fertilizantes que, tradicionalmente, eram de origem biológica com maior participação do estrume das camas do gado e de pátios ou lixeiras. Para isso, o mato do pinhal era cuidadosamente roçado uma vez por ano e amontoado em local abrigado dos ventos onde ficava a curtir com a chuva e outra água que fosse oportuno. Isso era um factor da hoje chamada prevenção de incêndios. Outro factor era a esgalha dos pinheiros que consistia em libertá-los dos ramos inferiores, já secos que iam servir para alimentar a lareira da cozinha e que melhoravam a qualidade da madeira do tronco que recuperaria do nó. Eram também cortados alguns ramos não secos que eram aproveitados como estacas para as videiras, para o feijão, para as ervilhas etc. Também, duas vezes por ano era apanhada a caruma que caía no chão nas estações de verão e outono, a qual tinha um destino mais ou menos semelhante ao dos produtos da roça.

Deste circuito fechado nascia a prevenção de incêndios sem se pensar nela. Mas as coisas mudaram, a agricultura passou a fazer uso de adubos químicos, depois as pessoas deixaram a agricultura e passaram a trabalhar em profissões mais limpas, deixou de haver bois para os transportes, a charrua e o arado. E o chão dos pinhais passou a ser uma selva impenetrável difícil de atravessar pelos rezineiros e começou a surgir a praga de que nestes últimos dias muito se tem falado.

Os teóricos começaram a dizer que os proprietários eram obrigados a limpar as suas matas e até criaram fábricas de biomassa, que eram alimentadas pelos produtos da limpeza das matas. Houve uma em Mortágua que durou poucos meses ou anos. Como podia o dono dos pinhais pagar a limpeza e, depois, o transporte para a fábrica da biomassa? E esta teria margem para financiar essas despesas dos seus fornecedores? O problema é complexo e ainda não foi encontrada solução viável, como se vê nos próprios parques naturais, propriedade pública, onde o fogo tem exercido a sua soberania.

E, assim, fala-se mais de combate aos incêndios que na sua prevenção. Mas o combate pode ser feito precocemente sem causar grandes estragos. Um amigo mostrou-me a sua tese de mestrado em que defende a implantação de uma malha de sensores de temperatura que cobre toda uma área a proteger, de forma a que qualquer fósforo seja detectado por três sensores que, automaticamente, transmitem a uma central de bombeiros o local exacto onde acaba de ser aceso o fósforo e basta lá enviar um jipe com um balde água (se a demora for grande será necessário um autotanque), para parar ali mesmo o incêndio, impedindo a sua propagação a grandes áreas.

Esperemos que as tecnologias vençam a ambição dos fornecedores de materiais de utilização e de consumo nos combates a este flagelo que, por um lado causa desgraça a muita gente mas, por outro, contribui para o enriquecimento de alguns.

António João Soares, em 8 de Agosto de 2016

domingo, 15 de junho de 2014

FOGOS FLORESTAIS, DRAMA A REDUZIR



Evitar, Reduzindo as condições de ocorrência


Até há poucas dezenas de anos não havia fogos florestais senão muito raramente em matas do Estado que não recebiam os cuidados vulgarizados em matas privadas. Estes cuidados eram praticados com outra intenção e a segurança contra os fogos era uma consequência do aproveitamento das aparas da rama dos pinheiros para lenha das cozinhas e dos fornos do pão e para estacas para as videiras, o feijão, o tomate etc. O mato rasteiro e a caruma eram colhidos anualmente, por uma ou duas vezes, para camas do gado, para curtir e produzir fertilizantes para os trabalhos agrícolas, antes de ser divulgado o uso de adubos químicos. Daí resultava uma minúscula carga térmica nas matas e qualquer descuido nunca teria proporções que não fossem rapidamente eliminadas pela pessoa que detectou.

Detectar

Agora, nos tempos actuais, não é fácil investir na limpeza das matas, embora deva ser feito esforço em tal sentido começando por um prático aproveitamento dos materiais combustíveis na preparação de biomassa e dar a esta uma finalidade rentável.
Mas, não sendo fácil impedir o aparecimento de focos de incêndio, há que estabelecer um sistema eficaz para os detectar e combater rapidamente antes de tomarem grandes proporções… …..

De notícia na Comunicação Social de há dois dias, conclui-se que o sr ministro Miguel Macedo quer menos ocorrências de incêndios florestais. Não é impossível satisfazer esse justo desejo. Na primeira fase do incêndio basta um copo de água para o apagar e impedir que prossiga a sua missão de destruição. Daí a pouco, será necessário um balde de água. E… depois, haverá muito trabalho para impedir que a destruição prossiga.

Como atacar na fase inicial?
Pela detecção, alerta e prontidão no ataque.

Como conseguir?
Os municípios, conhecedores da orografia do terreno e da distribuição da vegetação devem montar postos de vigilância, dotar cada um com binóculo, bússola e rádio ou telemóvel e ensinar a servir-se correctamente destes equipamentos. Vigiam todo o terreno que podem ver,por sectores seguidos e, ao menor sinal de incêndio, apontam a bússola para o local, lêm o azimute e comunicam por rádio ou telemóvel à central regional (ou distrital ou concelhia) da Protecção Civil. Aqui, em frente à carta topográfica que cobre a parede, o técnico de serviço, munido de transferidor e de régua, desenha na mica que cobre a carta um traço a partir do local do posto de vigia autor da informação, com a orientação (azimute) vinda de lá. Depois faz o mesmo às comunicações vindas de outros dois ou mais postos de vigia. O ponto (normalmente um triângulo) definido pelo encontro de tais linhas (azimutes) é o local do foco de incêndio.
É para aí que deve partir, de imediato, uma viatura de socorro. Se tudo se passar com rapidez, bastará um balde água ou pouco mais !!! Assim, se consegue corresponder ao desejo do Sr Ministro de ter menos ocorrências de incêndios e se evitam os terríveis prejuízos causados por tais calamidades à população em geral.

Punir incendiários e dissuadir

Sempre que forem detectados incendiários, quer o façam por interesse ou por tara psicológica (piromania),deve ser aplicada uma legislação que dissuada outros potenciais criminosos, os desencoraje de tais crimes que tantos prejuízos causam a pessoas e à economia nacional. A punição de crimes desta natureza deve ser rigorosa para servir de lição de que tal crime não compensa.

Espero que este texto despretensioso venha a ser útil e traga benefícios para a nossa floresta que bem pode ser uma riqueza nacional.

Imagem de arquivo

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FOGOS FLORESTAIS. LIMPEZA DA FLORESTA


Em plena época de fogos florestais, há inúmeras lamentações acerca da falta de limpeza das florestas, o que mostra a importância desta como factor preventivo da catástrofe que nos assola anualmente. Mas, infelizmente, não se vê uma medida eficaz para garantir uma limpeza adequada e evitar os dramáticos fogos.

Tal limpeza tem custos e muitos pequenos proprietários não possuem meios financeiros para a fazer e dar destino aos produtos retirados das matas. As autarquias também não olham para o problema com tanto sentido de responsabilidade como quando decidem fazer obras de ostentação como rotundas nem sempre vantajosas a não ser para construtores e corruptos.

Dizia há dias um amigo: «Ainda sou do tempo em que» as matas estavam sempre em estado de limpeza que se podia fazer nelas uma fogueira sem o risco de atear incêndio. E esses pequenos fogos eram realmente acesos sem perigo de alastramento quando o pessoal que nelas trabalhava aquecia o almoço que levava de casa em tachos ou marmitas.

Mas ninguém fazia algo com a finalidade de a s limpar, pois a limpeza resultava do aproveitamento de mato e caruma, feito periodicamente a fim de utilização em cama para o gado, amontoamento para decomposição (por vezes em ruas e caminhos) para futuro fertilizante das sementeiras. Por seu lado, os ramos inferiores dos pinheiros, mais propícios ao fogo eram cortados (esgalhados) a fim de obter lenha para a lareira e para o forno do pão e para empar videiras, feijão, ervilhas e tomates, etc.

Ao longo dos anos mais recentes, a modernidade dispensou a utilização de tal matéria-prima natural e recorre a outros meios do que resulta que a mata fica com tudo o que produz e torna-se vulnerável a qualquer descuido ou má intenção com meios igníferos. Perante isto, a limpeza das matas tem que ser feita determinadamente para esse fim e deve ser dado destino aos produtos dela resultantes, por exemplo, para produção de biomassa, com destino a fertilizantes, compactações em lâminas tipo tabopan, blocos para centrais de calor, energia, etc.

Para tais trabalhos de limpeza, as autarquias podem recorrer a desempregados, detidos de prisões com remuneração adequada. E, por outro lado, aos pirómanos, que entretanto continuem a agir, deve ser aplicada pena efectivamente dissuasora. As notícias de inúmeros fogos devastadores que têm afligido as pessoas, tornam urgente a determinação de medidas práticas eficazes, claras e motivadoras. O MAI tem que ir além das palavras simpáticas e das idas aos funerais de bombeiros vítimas do seu trabalho em favor da população e da paisagem nacional.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002 e de posts em blogue.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se
- Definir a Protecção Civil
- Fogos florestais pertencem ao passado
- Prevenção de fogos florestais
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos
- Fogos florestais. Prevenção e combate
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor
- Fogos florestais. Problema a não esquecer
- Fogos Florestais - Enxurradas
- Mais vale prevenir do que remediar
- Prevenção de fogos florestais
- Prevenção nas florestas
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains
- Limpar Portugal em permanência
- Fogos Florestais 2010
- Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!
- Os fogos acabam hoje ???
- Brincar aos planos de prevenção???
- Fogos testam capacidades de génios
- A floresta exige mais cuidados
- Políticos não são pessoas superiores
- Conhecer a floresta para a amar e preservar

Imagem de arquivo

domingo, 5 de setembro de 2010

Fogos, erosão, deslizamentos

Há quase três semanas, no post Fogos florestais agravam perigo de deslizamento alertava-se para o aumento do risco de deslizamentos de terras com as graves consequências para pessoas e haveres como se verificou recentemente no FUNCHAL.

É conhecido o facto de pouca gente do país ler cuidadosamente os blogues, e essa pouca não presta a melhor atenção aos assuntos de maior interesse.

Mas hoje, aparece no Jornal de Notícias ao artigo Chuvas torrenciais podem "matar" solos florestais que aborda o mesmo tema, em que se lê que a «erosão causada pelos incêndios» deve dar origem a cuidados especiais de que salenta os seguintes:

«Limpeza e desobstrução de linhas de água, sementeira de plantas herbáceas de emergência (sem esperar pela sua regeneração natural) e aplicação de resíduos orgânicos (troncos e ramos de árvores), formando barreiras contra o arrastamento de solo pelas chuvas, são algumas medidas recomendadas.»

Imagem da Net.

António José Seguro privilegia prevenção dos fogos

Depois de ter sido aqui publicado o post Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!, verificamos que o conceito estava correcto e está a ser aproveitado por alguém que se interessa pelo País.

Segundo notícia do Ionline, António José Seguro deslocou-se, na época mais dura dos incêndios, ao Gerês, à frente de uma delegação de deputados do PS de Braga, na sequência de visitas às zonas ardidas de Braga, três dias depois da visita de Sócrates e Cavaco ao centro de operações e antecipou-se ao líder da oposição, Passos Coelho, que só se deslocou às áreas ardidas a 19 de Agosto.

E escreveu no dia 16 de Agosto na sua página do Facebook: "Acabei de visitar as zonas ardidas do Gerês (...) Tenho um sentimento de enorme tristeza. O combate aos incêndios evoluiu. É necessário fazer igual aposta na estratégia de prevenção e de reflorestação, em diálogo com as populações e os autarcas". "Temos é que iniciar o mais rápido possível a estratégia de prevenção. Até porque é mais barata que a do combate aos incêndios", defendeu também.

Imagem da Net.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fogos Florestais 2010



Fotos obtidas de jornais nas últimas semanas.
Realidades dramáticas resultantes de atitudes desleixadas e criminosas.
Que adjectivos atribuir a governantes e autarcas que não levaram a cabo medidas preventivas que tivessem minorado estas tragédias?

Fogos florestais agravam perigo de deslizamento

Em todas as organizações, máquinas ou sistemas vários complexos, existe uma interacção, por vezes muito apurada entre as partes do sistema. A Natureza é um sistema demasiado complexo pelo que não devemos descurar esse encadeamento de efeitos. Têm chegado notícias de deslizamentos de terras e de enxurradas, causando elevado número de mortos desaparecidos e feridos, em vários pontos do mundo e, entre nós, não é fácil esquecer o que ocorreu no Funchal. Mas se não esquecemos também, por outro lado, não retiramos daí as lições devidas.

Os grandes fogos florestais que devastaram toda a vegetação em vastas regiões de montanha, deixaram os terrenos fragilizados e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, por deficiente permeabilização em consequência da ausência de vegetação, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos. A mesma quantidade de água que, em condições normais, não causaria estragos, agora origina grandes caudais com elevado poder de erosão e o resultado pode ser ainda mais grave do que o ocorrido no Funchal.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais que têm ocorrido. O que acontecerá se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza? Qual o grau de consciencialização de governantes e autarcas?

Não se pode evitar as abundantes chuvadas, não se pode impedir que a água escolha as vias mais rápidas para descer, mas devemos não lhe dificultar a marcha, porque a enxurrada derrubará tudo o que encontrar pela frente. Resta-nos limpar as ribeiras e o «leito de cheia». O leito de cheia é constituído pelas faixas laterais das margens utilizadas durante as cheias de grandes caudais. Poderá ser mais ou menos largo conforme a orografia do terreno. Nesse espaço não deve haver obstáculos, fixos ou móveis, que dificultem a passagem da torrente.

Quanto aos fogos florestais, no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, e entretanto não forem tomadas medidas adequadas para reduzir a carga térmica sobre o solo e se não forem tomadas medidas punitivas que dissuadam os pirómanos e os seus mandantes, poderão verificar-se fogos semelhantes aos deste ano. Não deve ser alimentado pessimismo e derrotismo, mas sim pressionar quem deve adoptar soluções de prevenção, para que as decida já no Outono.

É com antecedência que se decide e se executa a prevenção. Já há alguns anos surgiram notícias de exemplos de medidas eficientes para vigilância da floresta nos Concelhos de Alcains, Mortágua, Góis, Chamusca, Gondomar, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Concelhos e a imaginar algo de melhor. É preciso fazer algo de útil e não cruzar os braços à espera de milagres.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. Devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» (previnem-se) a partir do Outono.

Fogos florestais. Voluntários na prevenção

Em comentário no post em Do Mirante, a alma generosa Fernanda Ferreira, conhecida por Ná entre os amigos e que foi notável dinamizadora no seu concelho durante a preparação e execução da operação Limpar Portugal, disse que estão a ser formados «grupos de voluntários para ajudar efectivamente na vigilância e mesmo no combate aos fogos» e quis saber a minha opinião. Isso permitiu-me alinhar as seguintes considerações.

Os políticos concentram-se fundamentalmente em conquistar o poder e depois em o manter para tirar do cargo os maiores benefícios pessoais e para familiares e amigos. Repare-se das geniais palavras do MAI quando foi mostrar-se na TV em S. Pedro do Sul. Foi um autêntico Conde de Abranhos descrito pelo Eça de Queiroz. Falou para não deixar de o fazer, mas nada disse . Genial figura!

O PR mais uma vez levantou esperança na sua acção patriótica ao anunciar a interrupção das férias para uma reunião do mais alto nível e, no final, em vez de grandes estratégias contra os fogos, disse ao povo... nada. Mais uma vez nos fez lembrar aqueles anos em que nos encheu os ouvidos com a palavra TABU e a própria boca com um desmesurado pedaço de PÃO DE LÓ. Desta forma, acabamos por não ter razão para ter consideração pelos nossos políticos, além do «respeito» institucional, apenas protocolar.

Em consequência disso, de os fogos parecerem imparáveis e da incapacidade dos governantes de prepararem uma eficaz prevenção dos fogos florestais a resposta aquele pedido será de concordância a que a população se organize seguindo todas as regras da ORGANIZAÇÃO, com hierarquia e disciplina, bom código de regras e objectivos bem definidos, tendo em atenção que o combate aos fogos não é tarefa para amadores. Nunca esquecer que um grupo de militares morreu queimado na Serra de Sintra quando ajudava os bombeiros a combater um incêndio. O primeiro objectivo deve ser analisar as imbecilidades dos políticos, com especial incidência em vereadores, como se verificou na operação Limpar Portugal, e denunciá-las publicamente, como justificação para o povo se organizar, a fim de suprir essas incapacidades.

Depois da operação LIMPAR PORTUGAL concluiu-se que o povo voluntário, em vez de continuar os seus trabalhos de limpeza, devia passar à posição de observador da forma como as autarquias cumprem ou deixam de cumprir as suas tarefas e, publicamente, acusá-las e ao Governo da incúria com se desleixam e deixam de olhar para o País real.

Essa ORGANIZAÇÃO, sendo bem preparada, e tendo bons objectivos acaba por ser um segundo Governo, mais eficaz, mas sem a remuneração nem as mordomias, devendo por isso usar a sua generosidade e real autoridade para se impor e exigir ser respeitada pelo Governo e propor a saída de políticos menos eficientes.

Vigiar os campos é necessário mas não é suficiente, sendo também importante, periodicamente, retirar a caruma, os matos e os ramos secos dos pinheiros, e isso não é fácil para populares voluntários.

Sobre a vigilância, já publiquei vários textos, sugerindo actividade cultural, didáctica (passeios de grupos de estudantes com os seus professores para observar as espécies vegetais ao vivo) e desportiva (provas de marcha, de ciclismo, de orientação, seguidas de piquenique e variedades culturais) nas matas. Citei os esquemas de vigilância na altura efectuados nos concelhos de Alcains, Mortágua, Góis e Chamusca. Sem dúvida que para defender as matas é preciso amar a Natureza vegetal e para a amar é indispensável conhecê-la. Por outro lado, os pirómanos sentir-se-ão menos à vontade para atear fogo sabendo que podem ser apanhados em flagrante.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar. 19-08-2003
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se. 03-05-2006
- Definir a Protecção Civil. 22-02-2006
- Fogos florestais pertencem ao passado? 24-05-2006
- Prevenção de fogos florestais. 13-09-2005
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos. 30-07-2005
- Prevenção de fogos florestais. 11-08-2004
- Fogos florestais. Prevenção e combate. 11-08-2004
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor. 16-08-2004
- Fogos florestais. Problema a não esquecer. 25-04-2004
- Fogos Florestais - Enxurradas. 18-12-2003
- Mais vale prevenir do que remediar. 19-08-2003
- Prevenção de fogos florestais. 13-08-2003
- Prevenção nas florestas. 24-08-2002
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains. 08-08-2002

Imagem da Net.

Políticos não são pessoas superiores

Embora, por vezes, se sofra da ilusão de imaginar que os políticos são pessoas muito especiais correspondendo á imagem que procuraram fazer passar durante as campanhas eleitorais, a realidade é muito diferente. Não raras vezes, verificamos que são pessoas imaturas, inseguras, incultas, demasiado vaidosas e arrogantes, deslumbradas e mais preocupadas com os seus interesses pessoais do que com as suas tarefas de gestores dos desígnios nacionais que se limitam a ver por uma óptica muito opaca e desfocada.

Há dias o ministro da Agricultura na tentação insensata e impensável de sugerir ou propor que se faça a nacionalização dos terrenos sujeitos a fogos, por deficiente limpeza, mostrou não ter a mínima noção do estado em que se encontram as propriedades do Estado e das Autarquias. A isso se referiram os artigos "O Estado é o pior proprietário" e E por que não "privatizar" os terrenos do Estado?.

Também o MAI numa visita a S. Pedro do Sul, quando na área lavrava um fogo florestal que durou vários dias fez afirmações inócuas que não ficariam mal na boca de um bombeiro ou de um agente das forças policiais, mas não era esperado que um ministro fosse ali apenas dizer palavras vulgares sem qualificação nem conteúdo, sem referir análises técnicas ou estratégias que gerassem esperança de um futuro melhor para quem vive nas áreas florestais e delas depende.

Na mesma linha seguiu o PR , após uma conferência de alto nível na sede da Protecção Civil, tendo, em vez de anunciar medidas adequadas para enfrentar os fogos actuais e evitar os do futuro, acabado por não dizer mais do que o MAI tinha em S. Pedro do Sul, uma ideia oca e banal, segundo o que foi destacado pelos jornais.

Na verdade, os cidadãos deviam estar preparados para tomar decisões individuais e colaborar em acções colectivas organizadas e dirigidas superiormente, porque as responsabilidades colectivas são pelos eleitores delegadas nos políticos e cabe e a estes, nomeadamente aos governantes, desempenhar tais tarefas, às quais voluntariamente se candidataram nas eleições.

O povo deve exigir aos eleitos o cabal desempenho das suas funções, em benefício de Portugal, dos portugueses. É a esses que compete preparar com eficiência a prevenção dos fogos florestais com início em Outubro ou Novembro para que em 2011 não se repita a tragédia do corrente ano.

Imagem da Net.

Os fogos acabam hoje ???

Perante a notícia de que «Cavaco e Sócrates vão interromper as férias por causa dos fogos», a primeira ideia foi de que quisessem contribuir para o «recompletamento do efectivo» dos bombeiros, depois de ter havido baixas em vários corpos com mortos e feridos, no combate às chamas e nos deslocamentos de e para os locais de actuação.

Mas estava equivocado, pois trata-se de um encontro ao mais alto nível em que também tomará parte o MAI e quadros superiores da Protecção Civil. Será que de tal encontro resultará a paragem imediata das chamas e a detenção dos incendiários ? Os fogos acabarão hoje? Quais serão os benefícios advenientes para os portugueses?

A Política, ciência e arte de gerir os destinos de um Povo, é feita com decisões oportunas e adequadas, mais ou menos do género das sugeridas no post «Fogos florestais. Mais vale prevenir!!! » e não com palavras inócuas, vazias de conteúdo e de elevação como as referidas no post «Fogos testam capacidades de génios» ou com o actual encontro devidamente publicitado, que a comunicação social transformará em «show-off» ou, como dizem os franceses, servirá «pour épater le bourgeois».

Tudo leva a crer que os custos por vezes citados do combate aos fogos revertem em benefício de empresas e instituições para quem isto é um bom negócio mas, por outro lado, ninguém faz uma estimativa dos custos para as pessoas das áreas atingidas pela tragédia e para o ambiente.

Somados todos os custos e libertando-se o Estado do clientelismo dos beneficiados, pode concluir-se que ficaria mais barato e mais benéfico para as populações e para o ambiente fazer tais gastos em trabalhos sistemáticos e organizados de prevenção, na limpeza das matas e áreas rurais, na abertura de aceiros e construção de pontos de água.

Porque não se começa já a estudar e organizar a prevenção para que no próximo ano não haja calamidade semelhante à deste ano? E porque não se fez tal prevenção nos anos anteriores?

Imagem da Net

Fogos testam capacidades de génios

A Serra da Gralheira, a Norte do Rio Vouga, está a ser transformada num monte de cinza preta, proveniente da combustão a altas temperaturas prolongadas de tudo o que é vivo. Depois das próximas chuvas, se algo nascer serão infestantes como a giesta ou a acácia, ou eucaliptos plantados geometricamente que devoram toda a humidade do solo. É uma desgraça prolongada que impede a reconstrução da ambiência anterior.

Perante isso, o ministro da Administração Interna deslocou-se com a sua comitiva até à área. Da notícia «Ministro pede mais cuidado porque "mesmo à noite há vários fogos"» extrai-se:

"Temos tido mais de 400 fogos por dia, devido às condições climatéricas mas também devido a actos ou negligentes ou dolosos. Toda a gente sabe que a maioria dos incêndios tem origem humana"(…) "Mesmo à noite há vários fogos que começam a deflagrar, o que prova que não existe comportamento cuidadoso por parte de todos".

Estas geniais palavras, muito acima do nível de eventuais conselhos de autarcas, agentes da protecção civil ou de bombeiros, mostram que o ministro não foi ali apenas para aproveitar mais uma oportunidade de aparecer no pequeno ecrã, mas sim para mostrar a sua genialidade e ir ao encontro da sugestão dada em «Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!», dando às pessoas, feridas no seu património e no seu amor à terra, informações seguras e esperançosas sobre os objectivos e as estratégias da Administração Interna para que no próximo ano não ocorram semelhantes estragos.

A força de tal esperança dada pelo ministro à região da Gralheira e a todo o País, são um facto que leva a dizer abençoado o esforço, o tempo e as despesas da viagem do Sr. Ministro até ao local da calamidade.

Imagem da Net.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fogos florestais imparáveis

A segunda quinzena de Julho foi a mais negra em área ardida, estando o desastre relacionado com o facto de o mês passado ter sido o mais quente dos últimos 79 anos. Mas há também que reflectir na influência nefasta da ausência de uma prevenção eficaz e sistemáticae de uma Justiça rápida que sirva de dissuasor dos crimes de fogo posto.

Se não houver medidas eficientes na organização da prevenção e no funcionamento da Justiça, que seria desejável ter o suporte de uma educação para o civismo, o respeito pelos outros e pelo que é colectivo, o interior de Portugal acabará, num futuro próximo, por ter o aspecto das imagens seguintes. À destruição de toda a vida vegetal acresce a miséria provocada pela crise que atravessamos, sem fim à vista.




Imagens da Net.

Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!

O Sr. ministro da Administração Interna sempre que fala pretende mostrar mais capacidade de desempenho e criar confiança da parte da população do que a real. Mas não consegue porque os factos falam por si. E as esperanças suscitadas não passam de fumaça e má propaganda.

O ditado antigo «mais vale prevenir do que remediar» continua válido através dos tempos e aplica-se também aos fogos florestais. Seria interessante avaliar os custos do combate aos fogos florestais (bombeiros, prémios e respectivos equipamentos, helicópteros, aviões) acrescidos dos prejuízos em património florestal, agrícola, habitações ou simples arrecadações, prejuízos na capacidade de recuperação dos terrenos, etc.

Obtido o total dos custos de um fogo e do que se gasta no combate e prejuízos produzidos, caberia ver o que seria possível fazer com tal verba na limpeza da floresta e abertura de aceiros. Em tal acção preventiva o Estado deveria financiar directamente ou com subsídios aos pequenos proprietários. E a remoção imediata dos produtos da limpeza para não ficarem a servir de combustível, devendo ser destinados a centrais de biomassa ou compostagem.

Não se pode esperar efeitos positivos de legislar a obrigar que os proprietários procedam à limpeza, porque em geral não possuem capacidade financeira para isso. Há meio século não era preciso investir na limpeza porque esta resultava da colheita de mato para as camas dos animais e fertilizante das terras agrícolas (hoje não se criam animais nem se faz agricultura em modos idênticos). Da mesma forma a rama dos pinheiros era esgalhada para o forno do pão, cozinhar na lareira, estacar as videiras, os feijões, as ervilhas, etc. (Tudo isso ou já não se faz ou recorre a outros processos). O resultado é que nessa altura se podia acender uma fogueira no pinhal para fazer ou aquecer o almoço, sem perigo de incêndio, enquanto hoje, um simples fósforo pode devorar vários hectares e causar grandes custos no combate.

Por isso é de estranhar que o MAI ainda não tenha contabilizado os custos provocados pelos incêndios e, com base neles, planeado investir a sério na limpeza das florestas, de forma controlada e fiscalizada, para que os «boys» não arrecadassem a maior fatia como aconteceu com os subsídios vindos da UE, destinados à modernização das nossas empresas que, por desonestidade, continuaram obsoletas enquanto os empresários modernizaram as suas luxuosas moradias com espaçosas piscinas, carros topo de gala e casacos de pele para a legítima e a outra.

Sr. ministro procure averiguar se nesta actividade «prevenir vale mais do que remediar».

Imagem da Net.

domingo, 16 de agosto de 2009

Fogo denuncia país dividido

(Publicada em O Diabo em 28 de Agosto de 2006)

Cresci a ouvir que «Portugal não é um País pequeno» e que «Portugal é uno e indivisível». Quanto à primeira asserção considero-a hoje totalmente correcta, pois se fosse pequeno não podia albergar tantos fogos florestais simultâneos que se repetem todos os anos, apesar das lindas promessas dos governantes. Quanto à segunda frase, não posso deixar de a considerar errada, face às mais recentes decisões políticas: há áreas que não têm direito a continuar a ter as escolas de que beneficiavam havia décadas, nem as maternidades, nem as urgências dos Centros de Saúde, etc. E esta divisão entre o Portugal privilegiado e o desprezado está também visível nos fogos florestais que não afectam o País das grandes cidades e dos condomínios de luxo, mas a parte rural, do interior profundo ou remoto, tão desconhecido dos governantes, que só lá dão uma fugida em vésperas de eleições para vender peixe estragado.

E o País é tão grande que não tem sido possível um bom entendimento e convergência de esforços entre os ministérios da Administração Interna, da Agricultura e do Ambiente, bem como do ICN, no que diz respeito à prevenção dos fogos florestais, como ontem ressaltou das palavras de dois governantes. Estes, em virtude de o País ser tão grande e tão desconhecido, fariam melhor em não abrir a boca durante as suas visitas ao «mato». Neste aspecto, é sintomática a referência à necessidade de a população limpar a floresta e abrir aceiros. Estas são operações relativamente fáceis nas grandes áreas do Estado, mas daí vem um exemplo negativo. Pelo contrário, na área de minifúndios particulares, cada um não pode por si decidir sobre os aceiros dada a minúscula dimensão de muitas parcelas, e, por outro lado, a limpeza tem custos incompatíveis com as pensões de miséria que os velhotes recebem. Na maior parte das aldeias, vivem pessoas sem capacidade física ou financeira para efectuar tais limpezas. As pessoas válidas ou estão no estrangeiro, ou migraram para o litoral, tomando a atitude mais consentânea com as decisões governamentais quanto a apoios de ensino, saúde, etc, apesar das declaradas intenções de combater a desertificação, a interioridade e a exclusão. Para a limpeza das matas ser eficaz pareceria ser conveniente proceder à sua nacionalização, o que é desde logo desaconselhável, pelo exemplo dado pelas Matas Nacionais. Talvez, de entre as muitas dezenas de assessores, apesar de serem nomeados por critérios de confiança política e não de competência técnica (segundo vereadora da CML), apareça algum com uma ideia aproveitável para o reordenamento jurídico das terras incultas do país, com a colaboração de representantes dos proprietários (o que é de bom tom democrático).

A realidade evidencia que os políticos não se entendem entre si e pouco conhecem dos problemas que quotidianamente afectam os cidadãos. Esta ignorância desculpa-os da ausência de decisões coerentes e convergentes com o objectivo de conseguir uma melhoria sustentada da qualidade de vida da população. Resta-nos a frase bíblica: «Perdoai-lhes Senhor...»

15 minutos, objectivo optimista. 060504

(Enviada aos jornais em 04 de Maio de 2006)

O MAI afirmou recentemente, em Bragança e em Portalegre, que o combate aos incêndios florestais passará a ser mais rápido, iniciando o ataque às chamas 15 minutos após o alerta. A primeira reacção foi de descrença nesta promessa utópica, mas, serenado o espírito, conclui-se o contrário, porque qualquer objectivo deve ser fixado no limite das capacidades ou um pouco além, para servir de estímulo mobilizador e para não actuar como travão que produza letargia. É certo que se o incêndio ocorrer a mais de cinco quilómetros da posição dos bombeiros, principalmente se os caminhos forem difíceis, a água não cairá sobre as chamas nesse prazo.

Sendo um objectivo estimulante para o aperfeiçoamento do sistema de socorro, para ser realmente útil nessa intenção, há que fazer, para cada caso, um registo rigoroso desde o posto de vigia até ao final do processo, da hora exacta em que foi obtida a primeira informação, da definição correcta do local do sinal (fumo ou chama) de perigo, da transmissão, do encaminhamento na estrutura de socorro, da decisão, da partida dos meios de combate para o local, da queda da primeira água sobre as chamas, da chegada de reforços, do fim do combate e do termo do rescaldo. Obtidos estes dados, ficará a saber-se quais os pontos fracos do circuito, qual o elo mais fraco da cadeia, e estabelecer prioridades no esforço a realizar no investimento para aperfeiçoar todo o processo. Desta forma, embora nunca possa chegar-se ao objectivo dos 15 minutos, conseguir-se-á uma visível aproximação a esse desiderato. Por outro lado, se for levado a sério, será um passo muito importante para a aplicação generalizada da gestão por objectivos e da responsabilização pela eficiência de tarefas, o que exige uma avaliação perfeita.

A época dos fogos florestais aproxima-se. 060503

(Publicada no Diabo 3 de Maio de 2006, p. 17)

Os fogos florestais, que todos os anos têm causado momentos de aflição e prejuízos vultosos, estão à porta. Seria desejável que, neste momento, fossem conhecidos planos regionais e locais adequados à necessidade de evitar catástrofes naturais como as verificadas nos anos recentes. Os municípios gastam verbas avultadas em rotundas e outras obras, ostentatórias de riqueza inexistente, mas parece não estarem a encarar frontalmente o risco dos fogos florestais. Há muito a fazer, mas parece ser permanentemente adiado.

Prevenir fogos não é utopia. Chegam notícias de exemplos a seguir. Além dos 238 postos de vigia tradicionais a funcionar 24 horas por dia, mas com limitações humanas e de sistemas de comunicação e de exploração imediata da informação obtida, o que lhes diminui a eficácia, existem sistemas modernos em condições de operacionalidade. Trata-se de sistemas de vigilância electrónica que, apesar de dispendiosos, são eficazes. Podem já ser apreciados no distrito de Santarém (em Abrantes, Almeirim e Chamusca), na serra da Arrábida, no Parque Natural de S. Mamede, no distrito de Castelo Branco e na Zona Oeste. Fica-nos, porém, a dificuldade de compreender que tal sistema não esteja ainda a funcionar na totalidade da zona do pinhal interior, nomeadamente nos distritos de Coimbra, Viseu e Vila Real..

Um fósforo pode ser apagado com um copo de água, o que mostra a conveniência de detectar os fogos nascentes e de coordenar o combate imediato, para ser eficaz. Pergunta-se o que têm feito a Câmaras Municipais para fazer face à tão grave ameaça dos fogos que devastam as nossas florestas, o nosso ambiente natural, ano após ano. Começa a ser tarde para tomar decisões tão importantes e vitais.

sábado, 15 de agosto de 2009

Fogos florestais pertencem ao passado? 060524

(Publicada no 24 Horas em 5 de Janeiro de 2006)

Todos os anos, entre Dezembro e Fevereiro surgem notícias de medidas governamentais que nos dão a ilusória esperança de que no Verão seguinte estamos livres do pesadelo dos fogo florestais. Foram publicadas normas legais, e pronto! Podemos dormir descansados! Pelo menos os governantes, após a redacção dessas iniciativas geniais, próprias de grande cérebros, convictos de que o problema ficou resolvido, passam uma noite tranquila imersos em sono repousante. Coisa semelhante tem acontecido noutros sectores como, por exemplo, o Código da Estrada, em que a nova legislação não impediu a continuação e o agravamento da estatística de mortos nos acidentes. Nos fogos florestais acontece o mesmo. A frustração chega poucos meses depois, com o calor do Verão, por vezes pior do que no ano anterior.

E este ano, como será? Não parece haver razão para optimismo. As notícias referem várias iniciativas, sem dúvida bem intencionadas, mas dificilmente coerentes e eficazes. Não se ouve falar de uma estrutura única com uma organização em pirâmide, com tarefas bem definidas para cada componente, relações de subordinação que permita ordens claras vindas de um só chefe em cada patamar da hierarquia, de forma a haver responsabilidades inequívocas na elaboração de estudos para a tomada de decisões, coordenação da actividade nas diversas fases de prevenção, de combate, de rescaldo e de reconstrução, controlo dos resultados de cada tarefa e um permanente fluxo de informação, por canais adequados que potencie a interacção de todos os elementos da pirâmide com vista à maior eficácia, para bem das populações e do património florestal.

Infelizmente, nada disto parece estar a ser encarado seriamente, vencendo as resistências daqueles que não querem perder o «penacho» e subordinar-se a outros. Por exemplo, seguindo o conceito atrás exposto, qual a subordinação dos militares da GNR? Reportam aos bombeiros? Ou aos Presidentes das Câmaras? E os bombeiros estarão dispostos a receber ordens de alguém que «nada sabe de combate a incêndios»?

Não é fácil vencer estas resistências. E, por isso, não se constitui uma organização piramidal de comando único em todos os patamares, do que resulta, apesar dos elevados custos, não se obter a necessária eficácia de todos os esforços desconexos que cada participante nesta grande tarefa irá certamente desenvolver. Oxalá possa vir a ser acusado de pessimismo, no fim do Verão.